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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.38(2020).2588</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Barbarus ad portas: a agressividade verbal em comentários na rede social Facebook]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paper discusses the problematic of the representation of refugee migrants in Europe, Portugal, and in Latin America, Brazil. Focusing on verbal violence on the web, the work analyzes comments from Facebook users, highlighting the ad hominem argument as a strategy to denigrate the image of the refugees, the paper notes two forms of materialization of this argument: personal direct attack and indirect personal attack. The verbal strategies that allow disqualify refugee migrants and represent them negatively. The theoretical framework is a tributary of discourse analysis in dialogue whith rhetoric represented by Amossy (1999, 2014b) among others, complemented by studies on interaction in social networks (Castells, 2013), and verbal violence (Culpeper, 2008; Bousfield, 2008), in particular verbal violence in internet and social networks (Castells, 2013; Rodeghiero, 2012). The discursive-pragmatic analysis was carried out in a corpus of messages on Facebook, collected between July and August 2017, about the migratory crisis in Europe, and collected in August 2018, about the immigration of Venezuelans to Brazi. The study allows us to prove that, in a era when social networks dissiminate and spread, thtough the written word, the freee opinions of those who previously did not have achievement to the public expression of tehir opinion, devaluing and agressive strategies dominate comments on social networks and transmit positions that aim to exclude the migran, considered as disturbing an established order.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b><i>Barbarus ad portas</i>: a agressividade verbal em coment&aacute;rios na rede social Facebook</b></p>     <p><b><i>Barbarus ad portas</i>: the verbal aggression in comments on the social network Facebook</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Roboredo Seara*</b></p>     <p><img src="/img/revistas/id_orcid.gif" /> <a href="https://orcid.org/0000-0003-2117-5320" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-2117-5320</a></p>     
<p><b>Ana L&uacute;cia Tinoco Cabral**</b></p>     <p><img src="/img/revistas/id_orcid.gif" /> <a href="https://orcid.org/0000-0001-6417-2766" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6417-2766</a></p>     
<p>*Universidade Aberta, Portugal / Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade Nova de Lisboa, Portugal / Centro de Estudos Human&iacute;sticos da Universidade do Minho, Portugal</p>     <p>**Instituto de Pesquisa Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo, Brasil</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente artigo discute a problem&aacute;tica da representa&ccedil;&atilde;o de migrantes refugiados na Europa, Portugal, e na Am&eacute;rica Latina, Brasil. Focalizando a viol&ecirc;ncia verbal na web, neste estudo pretende-se analisar coment&aacute;rios de usu&aacute;rios do Facebook, destacando o argumento <i>ad hominem</i> como estrat&eacute;gia para macular a imagem dos migrantes refugiados, o trabalho observa duas formas de materializa&ccedil;&atilde;o desse argumento: o ataque pessoal direto e o ataque pessoal indireto. S&atilde;o analisadas as estrat&eacute;gias verbais que permitem desqualificar migrantes refugiados e represent&aacute;-los negativamente. O quadro te&oacute;rico &eacute; tribut&aacute;rio da an&aacute;lise do discurso em di&aacute;logo com a ret&oacute;rica, representada pelas pesquisas de Amossy (1999, 2014b), entre outros, complementando-se em estudos sobre intera&ccedil;&otilde;es em redes sociais (Castells, 2013), e sobre viol&ecirc;ncia verbal (Culpeper, 2008; Bousfield, 2008), em particular a viol&ecirc;ncia verbal na internet e nas redes sociais (Castells, 2013; Rodeghiero, 2012). A an&aacute;lise discursiva-pragm&aacute;tica foi efetuada num <i>corpus</i> de mensagens no Facebook, recolhidas entre julho e agosto de 2017, sobre a crise migrat&oacute;ria na Europa, e recolhidas em agosto de 2018, sobre a imigra&ccedil;&atilde;o de venezuelanos para o Brasil. O estudo permite-nos comprovar que, numa era em que as redes sociais disseminam e contagiam, atrav&eacute;s da palavra escrita, as opini&otilde;es livres de todos os que anteriormente n&atilde;o tinham acesso &agrave; express&atilde;o p&uacute;blica da sua opini&atilde;o, as estrat&eacute;gias desvalorizadoras e agressivas dominam os coment&aacute;rios nas redes sociais e veiculam posicionamentos que visam excluir o migrante, considerado como perturbador de uma ordem estabelecida.</p>     <p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>viol&ecirc;ncia verbal; argumento <i>ad hominem</i>; redes sociais; Facebook; migrantes; refugiados</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The paper discusses the problematic of the representation of refugee migrants in Europe, Portugal, and in Latin America, Brazil. Focusing on verbal violence on the web, the work analyzes comments from Facebook users, highlighting the <i>ad hominem</i> argument as a strategy to denigrate the image of the refugees, the paper notes two forms of materialization of this argument: personal direct attack and indirect personal attack. The verbal strategies that allow disqualify refugee migrants and represent them negatively. The theoretical framework is a tributary of discourse analysis in dialogue whith rhetoric represented by Amossy (1999, 2014b) among others, complemented by studies on interaction in social networks (Castells, 2013), and verbal violence (Culpeper, 2008; Bousfield, 2008), in particular verbal violence in internet and social networks (Castells, 2013; Rodeghiero, 2012). The discursive-pragmatic analysis was carried out in a <i>corpus</i> of messages on Facebook, collected between July and August 2017, about the migratory crisis in Europe, and collected in August 2018, about the immigration of Venezuelans to Brazi. The study allows us to prove that, in a era when social networks dissiminate and spread, thtough the written word, the freee opinions of those who previously did not have achievement to the public expression of tehir opinion, devaluing and agressive strategies dominate comments on social networks and transmit positions that aim to exclude the migran, considered as disturbing an established order.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>verbal violence; <i>ad hominem</i> argument; social networks; Facebook; migrants; refugees</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i>In memoriam </i>Professor L&eacute;smer Montecino (1956-2017), Professor da Pontif&iacute;cia Universidade de Santiago do Chile</p>     <p style="text-align: right;">Os que avan&ccedil;am de frente para o mar</p>     <p style="text-align: right;">E nele enterram como uma aguda faca</p>     <p style="text-align: right;">A proa negra dos seus barcos</p>     <p style="text-align: right;">Vivem de pouco p&atilde;o e de luar</p>     <p style="text-align: right;">Sophia de Mello Breyner (2015, p. 406)</p>     <p>O ritmo desmedido das mudan&ccedil;as decorrentes das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, nomeadamente no &acirc;mbito da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica, configura um fen&ocirc;meno de t&atilde;o elevada repercuss&atilde;o e amplitude, que importa proceder a questionamentos ontol&oacute;gicos e reflexivos sobre a adequa&ccedil;&atilde;o e a efic&aacute;cia dos diferentes meios e repensar e redefinir o papel e o estatuto que podem assumir na reflex&atilde;o sobre problemas sociais emergentes.</p>     <p>As redes sociais, como o Facebook, enfatizam a intera&ccedil;&atilde;o em rede, a sociabilidade, tendo os utilizadores um contexto aberto e livre para a constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, atrav&eacute;s de espa&ccedil;os de exposi&ccedil;&atilde;o discursiva (Develotte, 2006) e de produ&ccedil;&atilde;o discursiva, que possibilitam a express&atilde;o cont&iacute;nua de coment&aacute;rios avulsos, inclusive a express&atilde;o de opini&otilde;es que geram pol&ecirc;mica, atrav&eacute;s de manifesta&ccedil;&otilde;es e de atos de viol&ecirc;ncia verbal.</p>     <p>Partiremos de um <i>corpus</i> de mensagens no Facebook, recolhidas entre julho e agosto de 2017, sobre a crise migrat&oacute;ria na Europa, e recolhidas em agosto de 2018, sobre a imigra&ccedil;&atilde;o de venezuelanos para o Brasil, para procedermos a uma an&aacute;lise discursivo-pragm&aacute;tica das estrat&eacute;gias desvalorizadoras e agressivas recenseadas em coment&aacute;rios.</p>     <p>Na Europa, a crise migrat&oacute;ria agravou-se enormemente a partir de 2015. O n&uacute;mero de refugiados e migrantes cresceu de maneira exponencial, devido aos conflitos no M&eacute;dio Oriente e em &Aacute;frica, &agrave; guerra civil na S&iacute;ria, bem como &agrave; fr&aacute;gil e d&eacute;bil qualidade de vida de alguns pa&iacute;ses n&atilde;o europeus, o que tem suscitado in&uacute;meras discuss&otilde;es, nomeadamente em contextos medi&aacute;ticos. Igualmente, no Brasil, o fluxo migrat&oacute;rio de venezuelanos advindos da grave crise pela qual passa o pa&iacute;s cresceu de maneira descontrolada em 2018, suscitando uma grande diversidade de posicionamentos diante da quest&atilde;o. Dito isso, o foco de nossas an&aacute;lises s&atilde;o os coment&aacute;rios que circulam no Facebook tendo como tema os movimentos migrat&oacute;rios citados. Nossas an&aacute;lises orientam-se pela seguintes perguntas:</p> <ol>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>quais s&atilde;o as estrat&eacute;gias discursivas que operam a exclus&atilde;o social?</li>       <li>tratar-se-&aacute; de um discurso ideologicamente marcado ou preferencialmente estamos em presen&ccedil;a de um discurso piedoso, ensaiando criar uma atmosfera de compaix&atilde;o, convocando recorrentemente as emo&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de per&iacute;frases de cunho dram&aacute;tico?</li>       <li>como se processa a polariza&ccedil;&atilde;o e em que bases se sustenta?</li>     </ol>     <p>O trabalho tem por objetivo refletir sobre a agressividade verbal em coment&aacute;rios na rede social Facebook. Para tanto, procuraremos identificar as estrat&eacute;gias discursivas que desvalorizam e maculam a imagem dos refugiados/migrantes; descrever a polariza&ccedil;&atilde;o na opini&atilde;o p&uacute;blica e as raz&otilde;es que subjazem &agrave;s diferentes tomadas de posi&ccedil;&atilde;o; analisar se as caracter&iacute;sticas da rede social &ndash; distanciamento, assincronia, m&aacute;scaras sociais e outros condicionam a constru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos </i>depreciativo, contencioso, belicoso, violento.</p>     <p>Neste sentido, a nossa fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica ser&aacute; tribut&aacute;ria da an&aacute;lise do discurso representada pelas pesquisas de Maingueneau (2002), Amossy (1999, 2014b), entre outros; complementarmente, o estudo ancorar-se-&aacute; nos estudos sobre intera&ccedil;&otilde;es em redes sociais (Castells, 2013), e ainda na pan&oacute;plia de reflex&otilde;es sobre cortesia e viol&ecirc;ncia verbal (Culpeper, 2008; Boufield, 2008), entre os quais destacamos os que se debru&ccedil;am sobre viol&ecirc;ncia verbal na internet e nas redes sociais, sob diferentes perspectivas te&oacute;ricas (Castells, 2013; Rodeghiero, 2012).</p>     <p>Igualmente, nossas an&aacute;lises focalizar&atilde;o o discurso como pr&aacute;tica social, como forma e a&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em estreita rela&ccedil;&atilde;o com a estrutura social, corroborando, assim, os pressupostos de van Dijk (2008), que sublinha que o meio social constr&oacute;i o discurso e &eacute; simultaneamente constru&iacute;do por ele, numa rela&ccedil;&atilde;o de reciprocidade entre as situa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter social e o conjunto de discursos que s&atilde;o enunciados, visando invariavelmente a conquista de visibilidade, de domina&ccedil;&atilde;o, de manipula&ccedil;&atilde;o e mais poder.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Migrar: realidade e estranhamento&nbsp;</b></p>     <p>No reino animal, todos os seres migram quando as condi&ccedil;&otilde;es ficam adversas, quando veem sua sobreviv&ecirc;ncia amea&ccedil;ada seja porque o clima &eacute; desfavor&aacute;vel, n&atilde;o chove ou chove em demasia, seja porque falta comida, seja porque s&atilde;o expulsos por outros seres, porque s&atilde;o v&iacute;timas de abuso de poder. O facto &eacute; que sempre que os animais veem sua sobreviv&ecirc;ncia e a continuidade da esp&eacute;cie em risco, buscam lugares alternativos para viver. O ser humano n&atilde;o escapa a essa caracter&iacute;stica e, desde os prim&oacute;rdios da hist&oacute;ria da humanidade, ocorreram movimentos migrat&oacute;rios. Se &eacute; verdade que os homens mudam para outros lugares, em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida, &eacute; tamb&eacute;m verdade que o estrangeiro &eacute; sempre recebido com desconfian&ccedil;a por aqueles que est&atilde;o em suas terras e podem sentir-se amea&ccedil;ados pela chegada do desconhecido. Assim tem sido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como oportunamente &eacute; recordado por Paulo Sande (s.d.), com o grito <i>Barbarus ad portas</i>, os romanos assinalavam a iminente chegada a Roma dos povos b&aacute;rbaros, por eles considerados como povos n&atilde;o civilizados. E a civiliza&ccedil;&atilde;o romana estiolou em parte por ter sido incapaz de encarar aqueles a quem chamava &ldquo;b&aacute;rbaros&rdquo; e que at&eacute; viviam dentro das fronteiras do Imp&eacute;rio romano como de facto cidad&atilde;os de Roma.</p>     <p>Ora, a hist&oacute;ria &eacute;, como se testemunha, antiga e repete-se em pleno s&eacute;culo XXI, quando assistimos ao sobressalto desse processo migrat&oacute;rio, agravado sobretudo pela trag&eacute;dia s&iacute;ria e pela crise venezuelana, o que espelha que os refugiados desses pa&iacute;ses s&atilde;o, aos olhos de muitos europeus e de brasileiros, acicatados por movimentos mais ou menos xen&oacute;fobos, em tudo similares aos b&aacute;rbaros, pois ostracizam pela linguagem e pelos atos, inventam e exageram os riscos do acolhimento destes povos, criam falsos mitos, sem perceberem que temos a obriga&ccedil;&atilde;o moral de acolher e de integrar os refugiados <i>ad portas</i>.</p>     <p>Relembramos a alegoria da caverna de Plat&atilde;o que, h&aacute; mais de dois mil anos, nos mostrava que &eacute; com base nas sombras que s&atilde;o projetadas no fundo da caverna que os cidad&atilde;os v&atilde;o construindo a realidade. As ditas sombras de uma realidade que, na verdade, acontece no exterior dessa caverna, mas para a qual os indiv&iacute;duos vivem de costas voltadas.</p>     <p>Ora, embora o tema &ldquo;migrantes e refugiados&rdquo; seja um tema de crescente import&acirc;ncia social, pol&iacute;tica e medi&aacute;tica, frequentemente a constru&ccedil;&atilde;o dos discursos assenta, tal como na alegoria, nas percep&ccedil;&otilde;es, hoje em dia, difundidas pela hipermediatiza&ccedil;&atilde;o. E, neste campo da hipermediatiza&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos, importa sublinhar que absorvemos passivamente determinadas representa&ccedil;&otilde;es, sem que consigamos descortinar a agressividade ou viol&ecirc;ncia subjacentes. No fundo, presidem dois fatores: a banaliza&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o discursiva de imagens que n&atilde;o s&atilde;o necessariamente compat&iacute;veis com a sua realidade quotidiana.</p>     <p>&nbsp;Conforme j&aacute; destacamos, a crise migrat&oacute;ria na Europa agravou-se nos anos recentes. O n&uacute;mero de refugiados aumentou exponencialmente devido aos conflitos no M&eacute;dio Oriente, nomeadamente a guerra civil na S&iacute;ria que impeliu a que muitos procurassem ref&uacute;gio na Europa. Os refugiados que chegam &agrave; Europa representam uma pequena percentagem dos quatro milh&otilde;es de s&iacute;rios que fugiram para o L&iacute;bano, Jord&acirc;nia, Turquia e Iraque, transformando a S&iacute;ria na maior fonte de refugiados em todo o mundo e na pior crise humanit&aacute;ria em mais de quatro d&eacute;cadas.</p>     <p>No Brasil, o fluxo migrat&oacute;rio de venezuelanos era praticamente inexpressivo at&eacute; o ano de 2010, quando, com o crescimento da crise econ&ocirc;mica na Venezuela, um n&uacute;mero expressivo de venezuelanos come&ccedil;ou a procurar asilo no Brasil, movimento que se acentuou no ano de 2018, com o agravamento da crise. Os imigrantes se instalam especialmente em Roraima, estado brasileiro que faz divisa com a Venezuela. O estado de Roraima constitui uma regi&atilde;o pobre do pa&iacute;s, e os venezuelanos chegam tamb&eacute;m em condi&ccedil;&otilde;es bastante prec&aacute;rias. A quest&atilde;o tornou-se cr&iacute;tica, o que motivou o governo brasileiro a criar um grupo para tratar dos refugiados em Roraima. Apesar dessas a&ccedil;&otilde;es, as rea&ccedil;&otilde;es de brasileiros s&atilde;o, prioritariamente, de rep&uacute;dio aos vizinhos.&nbsp;</p>     <p>Na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o abordaremos as representa&ccedil;&otilde;es dos migrantes pelos m&eacute;dia, procurando evidenciar as diferentes imagens que se constroem desses grupos de sujeitos.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es dos migrantes</b></p>     <p>Uma primeira abordagem centrar-se-&aacute; na express&atilde;o escolhida para designar a popula&ccedil;&atilde;o migrante: refugiados ou migrantes?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;refugiado&rdquo; remete para uma pessoa que deixou o seu pa&iacute;s por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a ou de sobreviv&ecirc;ncia, ao passo que a designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;migrante&rdquo; diz respeito a uma pessoa que participa num processo de migra&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</p>     <p>Estas mesmas acep&ccedil;&otilde;es s&atilde;o corroboradas na plataforma de Apoio aos refugiados em que &eacute; explicitado que:</p>     <p>     <blockquote>&agrave; condi&ccedil;&atilde;o de refugiado est&aacute; associada inevitavelmente uma situa&ccedil;&atilde;o de vida ou de morte e/ou priva&ccedil;&atilde;o de liberdade e total inseguran&ccedil;a. O grau extremo das amea&ccedil;as promove a fuga das popula&ccedil;&otilde;es dos seus espa&ccedil;os naturais como uma ato de sobreviv&ecirc;ncia, de fuga de conflitos armados, persegui&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas ou pol&iacute;ticas que literalmente destroem qualquer perspectiva de vida. Na generalidade dos casos a exist&ecirc;ncia de aux&iacute;lio urgente e estruturado &eacute; a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia para estas popula&ccedil;&otilde;es.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>         <p></p> </blockquote>     <p>Defini&ccedil;&atilde;o semelhante apresenta a Ag&ecirc;ncia da ONU para refugiados-Brasil:</p>     <p>     <blockquote>s&atilde;o pessoas que est&atilde;o for a do seu pa&iacute;s de origem devido a fundados temores de persegui&ccedil;&atilde;o relacionados a quest&otilde;es de ra&ccedil;a, religi&atilde;o, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opini&atilde;o pol&iacute;tica, como tamb&eacute;m &agrave; grave e generalizada viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e conflitos armados.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>         <p></p> </blockquote>     <p>De acordo com a Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra, que remonta j&aacute; a 1951 e que integra o intitulado Direito internacional humanit&aacute;rio, um refugiado &eacute; uma pessoa que, receando com raz&atilde;o de ser perseguida em consequ&ecirc;ncia de atividade exercida no Estado da sua nacionalidade ou da sua resid&ecirc;ncia habitual em favor da democracia, da liberta&ccedil;&atilde;o social e nacional, da paz entre os povos, da liberdade e dos direitos da pessoa humana ou em virtude da sua ra&ccedil;a, religi&atilde;o, nacionalidade, convic&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou perten&ccedil;a a determinado grupo social, se encontra fora do pa&iacute;s de que &eacute; nacional e n&atilde;o possa, ou em virtude daquele receio, n&atilde;o queira pedir prote&ccedil;&atilde;o desse pa&iacute;s ou ap&aacute;trida que, estando fora do pa&iacute;s em que tinha a sua resid&ecirc;ncia habitual, pelas mesmas raz&otilde;es, n&atilde;o possa ou a ele n&atilde;o queira voltar. Encontramos indiferentemente as duas express&otilde;es, embora possamos tamb&eacute;m testemunhar o uso de algumas per&iacute;frases &ldquo;sobreviventes do inferno&rdquo;, &ldquo;v&iacute;timas do terror&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Migrante, refugiado, exilados &hellip; As diferen&ccedil;as s&atilde;o por vezes subtis e as ace&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se limitam &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es fixadas pelos dicion&aacute;rios ou gloss&aacute;rios, assumindo outras significa&ccedil;&otilde;es no decurso das evolu&ccedil;&otilde;es sociais. Apesar de existir uma grande variedade de ace&ccedil;&otilde;es na literatura internacional dedicada ao tema dos refugiados e dos migrantes, sob diferentes perspectivas e em campos disciplinares assaz diversos (no &acirc;mbito das Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, nomeadamente da Sociologia, da Antropologia, mas tamb&eacute;m das Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas, das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e do Direito), importa precisar a ace&ccedil;&atilde;o que assumimos neste estudo.</p>     <p>Sabemos que na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948)<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> se enunciaram, pela primeira vez, os direitos fundamentais para todas as pessoas independentemente de sexo, cor, ra&ccedil;a, idioma, religi&atilde;o ou opini&atilde;o, implicando, assim, o compromisso dos Estados de se comprometerem internacionalmente na garantia e no respeito desses direitos. Este processo de eleva&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos a um plano internacional implicou a cria&ccedil;&atilde;o do Direito internacional humanit&aacute;rio para regular a prote&ccedil;&atilde;o da pessoa humana em casos de conflitos b&eacute;licos e o Direito internacional dos refugiados. Esta Conven&ccedil;&atilde;o, a par do Protocolo de Altera&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de 1967, constitui a principal fonte de direito internacional relativamente aos refugiados.</p>     <p>&Agrave; luz do artigo 1&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951),</p>     <p>     <blockquote>s&atilde;o refugiados as pessoas que devido a fundado temor de persegui&ccedil;&atilde;o por motivos de ra&ccedil;a, religi&atilde;o, nacionalidade, participa&ccedil;&atilde;o em determinado grupo social ou opini&otilde;es pol&iacute;ticas, est&aacute; fora do pa&iacute;s de sua nacionalidade, e n&atilde;o pode ou, em raz&atilde;o de tais temores, n&atilde;o queira valer-se da prote&ccedil;&atilde;o desse pa&iacute;s. (ONU, 1951)<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>         <p></p> </blockquote>     <p>Posteriormente, no ano de 1984, foi elaborada a Declara&ccedil;&atilde;o de Cartagena contribuindo para a expans&atilde;o dos direitos dos refugiados, bem como a defini&ccedil;&atilde;o do regime internacional da ONU, ao abranger no conceito de refugiados, pessoas que deixaram seus pa&iacute;ses porque a sua vida, seguran&ccedil;a ou liberdade foram amea&ccedil;adas em decorr&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia generalizada, agress&atilde;o estrangeira, conflitos internos, viola&ccedil;&atilde;o massiva dos direitos humanos ou outras circunst&acirc;ncias que perturbaram gravemente a ordem p&uacute;blica (Declara&ccedil;&atilde;o de Cartagena, 1984)<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Importa reiterar que o reconhecimento do refugiado est&aacute; na assump&ccedil;&atilde;o de que se trata de um ser humano em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade e &eacute; esse o motivo que o motiva a migrar. Como afirmam Chelotti e Cruz (2016, p. 8),</p>     <p>     <blockquote>o que o obriga a migrar &ndash; e, por conseguinte, abandonar o seu pa&iacute;s, sua cultura, seu lar e a sua pr&oacute;pria identidade &ndash; n&atilde;o &eacute; a esperan&ccedil;a de uma vida com melhores condi&ccedil;&otilde;es, mas a viola&ccedil;&atilde;o massissa de seus direitos, o fundado temor de persegui&ccedil;&atilde;o e a urgente necessidade de salvar a sua pr&oacute;pria vida e a de seus familares.         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </blockquote>     <p>Subscrevemos, por isso, a designa&ccedil;&atilde;o de Michel Agier (2002), que defende que um refugiado est&aacute; longe de ser um migrane, pois contariamente a este, aquele n&atilde;o teve op&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o planeou voluntariamente a sua partida e recome&ccedil;o da vida em outro lugar. Os seus lugares de perten&ccedil;a e de identidade &ndash; individual ou coletiva &ndash;, a sua vida quotidiana, foram destru&iacute;dos, restando apenas a op&ccedil;&atilde;o da fuga. De resto,</p>     <p>     <blockquote>o termo migrante compreende, geralmente, todos os casos em que a decis&atilde;o de migrar &eacute; livremente tomada pelo indiv&iacute;duo em quest&atilde;o, por raz&otilde;es de &ldquo;conveni&ecirc;ncia pessoal&rdquo; e sem a interven&ccedil;&atilde;o de factores externos que o forcem a tal. Em consequ&ecirc;ncia, este termo aplica-se, &agrave;s pessoas e membros da fam&iacute;lia que se deslocam para outro pa&iacute;s ou regi&atilde;o a fim de melhorar as suas condi&ccedil;&otilde;es materiais, sociais e possibilidades e as das suas fam&iacute;lias, sem que na g&eacute;nese existe esta obrigatoriedade de abandono do pa&iacute;s.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>         <p></p> </blockquote>     <p>A Antropologia Social analisa criticamente este ester&eacute;otipo do refugiado como mero recetor de ajuda, refor&ccedil;ando a necessidade de um olhar que integre, n&atilde;o apenas as medidas de assit&ecirc;ncia, de estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia e de vida no pa&iacute;s de acolhimento como as possibilidades de inser&ccedil;&atilde;o no contexto e na soceidade de acolhimento, sem confinar os refugiados ao estatauto de pessoas passivas. Estas pr&aacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o, defedidas por Blinder e Jelena (2005), de novas representa&ccedil;&otilde;es e de interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria visam esbater o distanciamento entre n&oacute;s e eles (os refugiados), numa abordagem mais humanista, igualmete subscrita por Agier:</p>     <p>     <blockquote>os refugiados cessam de s&ecirc;-lo, n&atilde;o quando retornam para as suas casas, mas quando lutam como tais pelo seu corpo, sa&uacute;de, socializa&ccedil;&atilde;o: cessam de ser as v&iacute;timas que a cena humanit&aacute;ria implica, para se tornarem os sujeitos de uma cena democr&aacute;tica que eles improvisam nos lugares onde est&atilde;o. (Agier, 2006, p. 213)         <p></p> </blockquote>     <p>Neste trabalho, embora conscientes de zonas de sobreposi&ccedil;&atilde;o entre os dois termos, apesar de constatarmos que essa distin&ccedil;&atilde;o est&aacute; no centro do debate pol&iacute;tico e sociol&oacute;gico que se pauta por uma necessidade de constru&ccedil;&atilde;o de uma no&ccedil;&atilde;o mais ampla do conceito de &ldquo;refugiado&rdquo; consideraremos, seguindo Fiddian-Qasmiyeh, Loescher, Long e Sigona (2014), assim como Oliveira, Peixoto e G&oacute;es (2017) que muitos dos migrantes, aparentemente volunt&aacute;rios e proativos, s&atilde;o for&ccedil;ados a abandonar os seus pa&iacute;ses devido a situa&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncia econ&oacute;mica severa, priva&ccedil;&atilde;o extrema ou degrada&ccedil;&atilde;o ambiental crescente, ao paso que muitos refugiados, aparentemente for&ccedil;ados e reativos, desiste voluntariamente no pa&iacute;s de origem devido &agrave; falta de condi&ccedil;&otilde;es . Como sublinham estes autores (Oliveira et al., 2017, p. 77):</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>resulta assim, como tamb&eacute;m real&ccedil;a Triandafyllidou (2017, p. 4), que os conceitos atuais falham por n&atilde;o atenderem &agrave; multiplicidade de realidades que existem no terreno e que levam pessoas com necessidades de prote&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o pedir asilo e migrantes econ&oacute;micos a solicitar regulariza&ccedil;&atilde;o ao abrigo desse estatuto.         <p></p> </blockquote>     <p>E, ainda, que a distin&ccedil;&atilde;o entre &ldquo;migrantes&rdquo; e &ldquo;refugiados&rdquo; &eacute; cada vez menos clara, tornando dif&iacute;ceis a an&aacute;lise e regula&ccedil;&atilde;o destes movimentos (Oliveira et al., 2017, p. 97).</p>     <p>Importa anotar que o exemplo que preside ao nosso t&iacute;tulo do nosso trabalho, <i>Barbarus ad portas</i> interdita qualquer denega&ccedil;&atilde;o, dado o seu emprego aut&oacute;nomo, independente da proposi&ccedil;&atilde;o, ou seja, ser uma express&atilde;o simples, um qualificativo projetado sobre a face do outro que configura um ato de discurso com uma inten&ccedil;&atilde;o declaradamente agonal, ao qualificar o intruso como b&aacute;rbaro que &eacute; naturalmente entendido como depreciativo.</p>     <p>Na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o, apresentamos algumas reflex&otilde;es em torno da rede Facebook e seu estatuto nas pol&ecirc;micas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O contexto da rede social Facebook</b></p>     <p>O ritmo das mudan&ccedil;as decorrentes das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, a c&eacute;lere transi&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nicos, a revolu&ccedil;&atilde;o digital, configuram um fen&ocirc;meno de t&atilde;o elevada repercuss&atilde;o e amplitude, que, conforme expusemos na introdu&ccedil;&atilde;o deste trabalho, importa proceder a questionamentos ontol&oacute;gicos e reflexivos sobre a adequa&ccedil;&atilde;o e a efic&aacute;cia dos diferentes meios e repensar e redefinir o papel e o estatuto que podem assumir no nosso quotidiano social.</p>     <p>&Agrave; rede Facebook est&atilde;o subjacentes alguns objetivos: partilhar informa&ccedil;&atilde;o; influenciar semelhantes; manter-se informado; buscar momentos de entretenimento; pronunciar-se sobre quest&otilde;es sociais; participar em movimentos ativistas, para al&eacute;m das quest&otilde;es de marketing e comercializa&ccedil;&atilde;o por demais conhecidas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta rede social contribui para o esbatimento da dicotomia p&uacute;blico/privado. Torna-se um palco mediatizado de encena&ccedil;&atilde;o, um espa&ccedil;o de partilha de opini&otilde;es, de revela&ccedil;&otilde;es e de exposi&ccedil;&atilde;o do quotidiano, que visa a constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade medi&aacute;tica onde a visibilidade e a exposi&ccedil;&atilde;o se interpenetram (Carvalheiro, Prior &amp; Morais, 2015, p. 17). Outras especificidades da rede corroboram esta expans&atilde;o crescente da pol&eacute;mica e da agressividade, dado que h&aacute; uma pereniza&ccedil;&atilde;o da escrita, sendo as mensagens de mais dif&iacute;cil apagamento; por seu turno, h&aacute; indubitavelmente uma maior visibilidade, dado poderem ser difundidas e lidas por um vasto n&uacute;mero de pessoas e a perman&ecirc;ncia dos conte&uacute;dos na web poder agravar e potencializar a agressividade no espa&ccedil;o virtual, contribuindo para a recorr&ecirc;ncia e banaliza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno.</p>     <p>Conforme observa Amossy (2014a), a sociedade do s&eacute;culo XXI &eacute; afeita ao espet&aacute;culo, a rede Facebook constitui, no dizer da autora, a pra&ccedil;a p&uacute;blica da atualidade, onde os indiv&iacute;duos se mostram uns aos outros, onde as ideias s&atilde;o discutidas e as pol&eacute;micas se desenvolvem, muitas vezes de forma &aacute;cida. Nas redes sociais, conforme Cabral e Lima (2017), as intera&ccedil;&otilde;es se d&atilde;o mais na ordem do conflito do que da harmonia; com efeito, Amossy (2014a) assevera que as m&iacute;dias digitais privilegiam a pol&eacute;mica. De fato, no caso dos espa&ccedil;os do Facebook constitu&iacute;dos e exclusivamente dedicados &agrave; express&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, de cariz sociopol&iacute;tico, assiste-se, com frequ&ecirc;ncia, a uma dinamiza&ccedil;&atilde;o forte e cerrada, com <i>posts</i> cont&iacute;nuos, veiculando-se a defesa dos valores e dos protagonistas que s&atilde;o subscritos e atacando, com veem&ecirc;ncia as ideias dos contr&aacute;rios e, sobretudo, ou as pessoas que est&atilde;o no poder ou as mais fr&aacute;geis e exclu&iacute;das, sem direito de resposta.</p>     <p>Com respeito aos posicionamentos assumidos na rede, inclusive os agressivos, cumpre invocar Cabral, Marquesi e Seara (2015). As autoras mostram que os usu&aacute;rios, protegendo-se pela m&aacute;quina e pela possibilidade de assumir identidades que lhes chancelam o anonimato, acabam por expor de forma mais espont&acirc;nea seus pontos de vista, permitindo-se ser agressivos muitas vezes. Cabral (2013) observa tamb&eacute;m que a acessibilidade f&aacute;cil da rede confere &agrave;s pessoas uma sensa&ccedil;&atilde;o de proximidade que lhes chancela o emprego de uma linguagem mais descontra&iacute;da, com menor controle pessoal. O facto &eacute; que as pessoas se exp&otilde;em e exp&otilde;em os seus pontos de vista no Facebook, e sua agressividade se torna tamb&eacute;m mais vis&iacute;vel. Constatamos, igualmente, que, quando os coment&aacute;rios agressivos e ofensivos circulam na internet, dada a volatilidade da rede, estes s&atilde;o subestimados, dada a banaliza&ccedil;&atilde;o crescente que faz com que se atinja um patamar de neglig&ecirc;ncia perante estes fatos sociais. Apesar disso, as manifesta&ccedil;&otilde;es violentas parecem multiplicar-se dado que a viol&ecirc;ncia de um usu&aacute;rio pode estimular outros a serem igualmente violentos.</p>     <p>Mostraremos, pois, a operacionalidade de duas categorias: uma, advogada por Develotte (2006), que foi intitulada de &ldquo;espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o discursiva&rdquo;. Embora a autora a tenha descrito para discorrer sobre o sistema educativo e as intera&ccedil;&otilde;es que nele ocorrem, cremos que ela &eacute; operacional para a an&aacute;lise que aqui desenvolvemos. Partimos, pois, da no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o discursiva, descrito como o conjunto de enunciados ao qual um determinado grupo de pessoas est&aacute; exposta e que determina e condiciona a posterior produ&ccedil;&atilde;o discursiva.</p>     <p>Com efeito, &eacute; em fun&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o discursiva determinado que se efetua a produ&ccedil;&atilde;o de um novo discurso por parte de um enunciador, que &eacute; evidentemente um sujeito individual, mas sobretudo um ator socialmente enquadrado ou situado. O fato espec&iacute;fico da rede social, em que os sujeitos est&atilde;o expostos e em que h&aacute; um rol de coment&aacute;rios pr&eacute;vios que constituem o referido espa&ccedil;o discursivo que v&atilde;o ser tecidos e ajustados os coment&aacute;rios ulteriores potencia este encadeamento discursivo, de constante exposi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Importa ainda sublinhar que algumas das especificidades das redes sociais corroboram a expans&atilde;o crescente do fen&oacute;meno, pois as mensagens virtuais s&atilde;o mais dif&iacute;ceis de serem apagadas, h&aacute; maior visibilidade, e podem ser difundidas e lidas por um grupo vasto de pessoas, permanecendo o conte&uacute;do na web, podendo agravar e potencializar a agressividade no espa&ccedil;o virtual, o que confirma a recorr&ecirc;ncia e a banaliza&ccedil;&atilde;o social do fen&ocirc;meno. Assim, quando autores desvalorizam a imagem dos migrantes, fazem-no para conquistar a audi&ecirc;ncia, para angariarem pessoas com pensamentos similares que ajudem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem pejorativa. Em um movimento em cascata, coment&aacute;rios agressivos parecem atrair novas manifesta&ccedil;&otilde;es de agressividade, promovendo a expans&atilde;o desse tipo de comportamento. Os ditos ciberintimidadores recorrem a uma pr&aacute;tica discursiva violenta, n&atilde;o apenas presente nas escolhas lexicais depreciativas, mas sobretudo nos atos diretivos ofensivos.</p>     <p>O ambiente virtual agressivo gera uma viol&ecirc;ncia quase que coletiva, para Rodeghiero (2012, p. 52), mais perigosa que a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica presencial, como se v&ecirc; na seguinte afirma&ccedil;&atilde;o da autora: &ldquo;&eacute; certo que uma arma de grande pot&ecirc;ncia pode, atrav&eacute;s de um s&oacute; soldado matar v&aacute;rias pessoas ao mesmo tempo, mas a viol&ecirc;ncia coletiva gera a sensa&ccedil;&atilde;o e proje&ccedil;&atilde;o de uma viol&ecirc;ncia aumentada&rdquo;. Enquanto Castells (2013) constata que as redes sociais s&atilde;o utilizadas para instaurar um clima de fraternidade em prol da luta por quest&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas, em defesa dos direitos do cidad&atilde;o que exige honestidade e democracia, na qual a viol&ecirc;ncia acontece como instrumento de luta ou de opress&atilde;o de poderes ditatoriais, em nosso <i>corpus</i>, nas redes sociais, recolhemos express&otilde;es denunciadoras de agressividade e viol&ecirc;ncia verbais a partir de estrat&eacute;gias discursivas que apresentam negativamente a imagem dos migrantes, conforme evidenciaremos em nossas an&aacute;lises.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p>Inscrevemos o nosso trabalho no campo dos Estudos da Ret&oacute;rica, da an&aacute;lise interacional do discurso, de inspira&ccedil;&atilde;o etnometodol&oacute;gica e, ainda, da Pragm&aacute;tica Lingu&iacute;stica, partindo de dois pressupostos: a conce&ccedil;&atilde;o da linguagem &eacute; radicalmente dial&oacute;gica e socio-hist&oacute;rica; o conceito de <i>ethos</i> discursivo, tal como &eacute; definido por Maingueneau (2002), Charaudeau (1996, 2005), Amossy (1999, 2014b).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No espa&ccedil;o rede social, as ap&oacute;strofes est&atilde;o naturalmente associadas a um objetivo argumentativo, na medida em que se, por um lado, participam da constru&ccedil;&atilde;o da imagem negativa do alocut&aacute;rio que o locutor deseja construir no seu pr&oacute;prio discurso, por outro, visam igualmente a ades&atilde;o do audit&oacute;rio e simultaneamente a desqualifica&ccedil;&atilde;o do advers&aacute;rio, atrav&eacute;s de duas estrat&eacute;gias opostas: a primeira de persuas&atilde;o e a segunda de estigmatiza&ccedil;&atilde;o do advers&aacute;rio. Nesse contexto, conforme Cabral e Lima (2017, p. 89), &ldquo;a viol&ecirc;ncia verbal assume ent&atilde;o um papel importante como estrat&eacute;gia do discurso pol&ecirc;mico, pois, ao agredir o advers&aacute;rio, n&oacute;s o estamos, de alguma forma, o desqualificando&rdquo;.</p>     <p>Bousfield (2008, p. 132) define que a agressividade verbal constitui um <i>face threatening act</i> (FTA), um ato amea&ccedil;ador da face intencional, gratuito e conflituoso que foi produzido de forma propositada. Por sua vez, Culpeper (2008, p. 36) sublinha a inten&ccedil;&atilde;o de causar um dano &agrave; face. De facto, quando a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; desqualificar o interlocutor, a viol&ecirc;ncia parece mostrar-se uma estrat&eacute;gia eficaz e como tal, conforme expuseram Cabral e Lima (2017), precisa estar linguisticamente marcada, por exemplo, com o emprego de um qualificador de car&aacute;ter pejorativo.</p>     <p>Terkourafi (2008, p. 70) todavia subscreve que a descortesia e a agressividade verbais ocorrem quando a express&atilde;o utilizada n&atilde;o &eacute; convencional relativamente ao contexto em que ocorre; ela agride a face do destinat&aacute;rio, mas nenhuma inten&ccedil;&atilde;o de agress&atilde;o &agrave; face &eacute; atribu&iacute;da ao falante pelo ouvinte.</p>     <p>Os conceitos a que anteriormente aludimos permitem-nos refor&ccedil;ar que os sujeitos podem cometer atos amea&ccedil;adores de maneira intencional ou n&atilde;o, e colocam o contexto de intera&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o e quadro enunciativo no centro como par&acirc;metros importantes para a an&aacute;lise dos atos injuriosos.</p>     <p>No caso dos insultos, estes pressup&otilde;em naturalmente uma situa&ccedil;&atilde;o de interlocu&ccedil;&atilde;o, dominada por posicionamentos agonais, visando instaurar um clima interacional disf&oacute;rico, pelo que estamos perante ind&iacute;cios expl&iacute;citos de satura&ccedil;&atilde;o referencial do destinat&aacute;rio, cuja especificidade consiste em ser portador de uma inten&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e depreciativa.</p>     <p>O insulto, conforme o dicion&aacute;rio, constitui &ldquo;palavra, atitude ou gesto que tem o poder de atingir a dignidade ou a honra de algu&eacute;m&rdquo; (Houaiss &amp; Villar, 2001, p. 1629). Fica claro, pela defini&ccedil;&atilde;o, que o insulto se materializa pela linguagem, &eacute;, pois um ato verbal. &Eacute; preciso, no entanto, considerar que, para al&eacute;m de agredir a face do alocut&aacute;rio, conforme Cabral e Albert (2017, p. 278), &ldquo;esse ato resvala para o dom&iacute;nio social&rdquo;. As autoras recorrem ao dicion&aacute;rio para justificar o seu racioc&iacute;nio, afirmando que o insulto deixa transparecer &ldquo;avers&atilde;o ou menosprezo pelos valores, pela capacidade, intelig&ecirc;ncia ou direito dos demais&rdquo; (Houaiss &amp; Villar, 2001, p. 1629). Por isso &eacute; que Kerbrat-Orecchini (2014, p. 47) afirma que a &ldquo;polidez nunca possui um lugar nas guerras, onde se trata, antes de tudo de atacar o advers&aacute;rio para venc&ecirc;-la, e assim tamb&eacute;m acontece nas guerras metaf&oacute;ricas que s&atilde;o os debates&rdquo;.</p>     <p>N&atilde;o se pode ignorar que os insultos t&ecirc;m subjacente uma inten&ccedil;&atilde;o argumentativa que &eacute; sustentada pelo dispositivo de estigmatiza&ccedil;&atilde;o do alocut&aacute;rio que, por sua vez, tem na sua g&ecirc;nese dois modelos: a coniv&ecirc;ncia com os seus e a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do(s) outro(s). A interpela&ccedil;&atilde;o do outro atrav&eacute;s de enunciados axiol&oacute;gicos pejorativos consiste em bloquear a etapa &ldquo;X &eacute; um Y&rdquo;, em que X representa o alocut&aacute;rio e Y a predica&ccedil;&atilde;o efetuada sobre ele, uma estrutura predicativa que permite a refuta&ccedil;&atilde;o (do tipo estrutura negativa &ldquo;X n&atilde;o &eacute; um Y&rdquo;). As express&otilde;es injuriosas veiculam a exist&ecirc;ncia concreta, a inquestion&aacute;vel referencia&ccedil;&atilde;o e a coenuncia&ccedil;&atilde;o que se constr&oacute;i impede qualquer discuss&atilde;o, na medida em que atualiza simultaneamente a avalia&ccedil;&atilde;o e a sua confirma&ccedil;&atilde;o ou ratifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Segundo Rosier e Ernotte (2000, p. 12), trata-se de uma estrat&eacute;gia argumentativa (<i>m&eacute;pris &eacute;nonciatif</i>) que visa, por um lado, estigmatizar o interlocutor, posicion&aacute;-lo como um outro ideologicamente distante, instaurando concomitantemente a coniv&ecirc;ncia grupal com os seus. Em conflu&ecirc;ncia com esse pensamento, van Dijk (1998, p. 43) postula que as boas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o geralmente atribu&iacute;das a n&oacute;s pr&oacute;prios e aos nossos aliados e as m&aacute;s a&ccedil;&otilde;es aos outros (ou aos correligion&aacute;rios), ou numa simples invers&atilde;o desta tese: as nossas m&aacute;s a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o atenuadas e minimizadas, ao passo que as boas s&atilde;o exaltadas. Van Dijk (1998) designa esta situa&ccedil;&atilde;o pelo quadrado ideol&oacute;gico em que o &ldquo;n&oacute;s&rdquo; corresponde ao enunciador da mensagem e &ldquo;eles&rdquo;, os &ldquo;outros&rdquo;, s&atilde;o os que se posicionam ideologicamente de forma contr&aacute;ria. Essa estrat&eacute;gia argumentativa, que consiste em descrever positivamente o endogrupo (enunciador, tamb&eacute;m referido teoricamente como &ldquo;n&oacute;s&rdquo;) e negativamente o exogrupo (objeto ou ator social representado no discurso, ou &ldquo;eles&rdquo;) &ndash; &eacute; denominada por van Dijk (2005, p. 195) &ldquo;quadrado ideol&oacute;gico&rdquo;.</p>     <p>Tradicionalmente, estamos em presen&ccedil;a de um <i>argumentum ad hominem</i>, no seu sentido restrito, que implica a ado&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria pelo locutor de uma <i>doxa</i> que ele percebe como incompat&iacute;vel com a <i>doxa </i>do audit&oacute;rio universal, audit&oacute;rio virtual e idealmente recetivo &agrave; argumenta&ccedil;&atilde;o racional.</p>     <p>O problema &eacute; que o uso quotidiano do <i>ad hominem</i> remete para um ataque ao outro e n&atilde;o a uma adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s cren&ccedil;as espec&iacute;ficas do alocut&aacute;rio. No <i>argumentum ad hominem </i>n&atilde;o se discutem os m&eacute;ritos intr&iacute;nsecos de ponto de vista ou da d&uacute;vida do oponente, mas desqualifica-se liminarmente o advers&aacute;rio. No fundo, esta estrat&eacute;gia dirige-se &agrave; audi&ecirc;ncia (no caso da rede social &eacute; importante esta no&ccedil;&atilde;o de audit&oacute;rio, dada a sua r&aacute;pida repercuss&atilde;o) e n&atilde;o ao oponente. A desqualifica&ccedil;&atilde;o do outro, no Facebook, frequentemente faz parte de um jogo ret&oacute;rico para o audit&oacute;rio, ou seja, os demais usu&aacute;rios com os quais se partilha um ponto de vista a ser refor&ccedil;ado. Conforme Amossy (2014a), a desqualifica&ccedil;&atilde;o do outro na sua pessoa, o deslegitima, por conduzi-lo ao descr&eacute;dito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os argumentos <i>ad hominem</i> apresentam duas variantes:</p> <ol>       <li>ataque pessoal direto: dirige-se a qualquer aspeto da pessoa: sua compet&ecirc;ncia, sua honorabilidade, seu car&aacute;ter. Pretende-se atingir a &eacute;tica do oponente, considerando-o desonesto, n&atilde;o &iacute;ntegro e n&atilde;o digno de confian&ccedil;a. Mostra-se que algu&eacute;m incapaz ou mentiroso n&atilde;o pode sustentar posi&ccedil;&otilde;es corretas ou cred&iacute;veis. Real&ccedil;am-se sempre as caracter&iacute;sticas negativas do outro;</li>       <li>ataque pessoal indireto: &eacute; aquele em que se coloca sob suspeita a imparcialidade do argumentador. Apresenta-se uma caracter&iacute;stica do oponente: filia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, cren&ccedil;a religiosa, &eacute;tnica, alian&ccedil;as pol&iacute;ticas de qualquer natureza. Ao ressaltar esse atributo pretende-se mostrar algu&eacute;m tendencioso, que tem motiva&ccedil;&otilde;es pessoais obscuras, preconceituosas e vis&otilde;es parciais. Um ataque pessoal indireto &eacute;, por exemplo, deixar impl&iacute;cito que o outro n&atilde;o tem nada a dizer sobre um determinado assunto, porque n&atilde;o teve experi&ecirc;ncia pessoal na &aacute;rea.</li>     </ol>     <p>Nossas an&aacute;lises focalizar&atilde;o essas duas categorias de estrat&eacute;gias, conforme exporemos na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ataque aos migrantes no Facebook</b></p>     <p>Embora todos saibamos que a liberdade de express&atilde;o &eacute; um direito de cidadania, por vezes, quedamo-nos perplexos com os in&uacute;meros procedimentos injuriosos, de difama&ccedil;&atilde;o, de ataque <i>ad hominem </i>a que assistimos, sobretudo, numa era em que as redes sociais disseminam e contagiam, atrav&eacute;s da palavra escrita, as opini&otilde;es livres de todos os que anteriormente n&atilde;o tinham acesso &agrave; express&atilde;o p&uacute;blica da sua opini&atilde;o.</p>     <p>Escolhemos a rede social Facebook dado que esta se afigura como um campo relevante para investiga&ccedil;&atilde;o em diversas &aacute;reas, sob diversos olhares e pode revelar muitas particularidades das percep&ccedil;&otilde;es e comportamentos dos indiv&iacute;duos, quanto a eles pr&oacute;prios e em suas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Dabrowska sublinha que o Facebook traz in&uacute;meras vantagens para investiga&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>a rede social, e especificamente o Facebook, compartilha uma s&eacute;rie de vantagens com os registros eletr&oacute;nicos, notadamente as de grandes quantidades de dados facilmente acess&iacute;veis, um grau consider&aacute;vel de informalidade na linguagem, a possibilidade de manipular os assuntos para explorar v&aacute;rios aspectos do uso da linguagem e (&hellip;) acesso a informa&ccedil;&otilde;es sociais sobre autores de postagens por meio de seus dados de perfil. (Dabrowska, 2013, p. 142)         <p></p> </blockquote>     <p>Recolhemos no Facebook um conjunto de coment&aacute;rios de usu&aacute;rios portugueses e brasileiros versando sobre migrantes. O <i>corpus</i> brasileiro foi coletado em grupo p&uacute;blico do Facebook<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> que conta com 139.166 participantes. Por sua vez, o <i>corpus</i> portugu&ecirc;s foi coletado igualmente na rede social Facebook<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, que congrega 87.123 participantes. Considerando as quest&otilde;es que presidiram o desenvolvimento da pesquisa, foram consultadas 196 p&aacute;ginas ao longo dos meses indicados e foram selecionados, recolhidos e anonimizados <i>posts</i> e coment&aacute;rios, cujas estrat&eacute;gias discursivas manifestavam polariza&ccedil;&atilde;o, agressividade e exclus&atilde;o social.</p>     <p>Partindo da defini&ccedil;&atilde;o de insulto que expusemos na se&ccedil;ao anterior e dos postulados de de Rosier e Ernotte (2000, p. 3), consideramos que o insulto se realiza verbalmente como forma tipicamente lingu&iacute;stica que coloca nominalmente em causa o outro, pressupondo uma configura&ccedil;&atilde;o discursiva e uma situa&ccedil;&atilde;o de enuncia&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que visa a conspurcar dignidade ou a honra do insultado. Nesta perspetiva, e dado que o insulto &eacute; manifestamente um ato ame&ccedil;ador da face do outro (FTA), defendemos que o insulto, enquanto estrat&eacute;gia verbal, faz uso da viol&ecirc;ncia verbal (Auger, Fracchiola, Mo&iuml;se &amp; Schutz-Romain, 2008, p. 639), tal como sublinham:&nbsp;</p>     <p>     <blockquote>o insulto &eacute; um ato de fala interlocutivo; carrega uma for&ccedil;a emocional, mesmo instintiva, e v&ecirc; o outro no desejo de diminu&iacute;-lo e neg&aacute;-lo. Desempenha um papel eminentemente perlocucion&aacute;rio (&ldquo;porque eu te chamo de bacon gordo, voc&ecirc; vai se sentir assim&rdquo;). Esse funcionamento decorre de estrat&eacute;gias lingu&iacute;stico-discursivas.         <p></p> </blockquote>     <p>Podemos afirmar, com as autoras citadas, que o insulto implica um destinat&aacute;rio, tendo, pois uma fun&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica e interacional importante, correspondente &agrave; forma de tratamento, voltada para o outro, a quem se atribui um julgamento de valor negativo, linguisticamente expresso por termos axiol&oacute;gicos pejorativos. Os insultos e as demais marcas de agressividade na an&aacute;lise que aqui desenvolvemos n&atilde;o acontecem em contextos presenciais nem dialogais, mas numa situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de enuncia&ccedil;&atilde;o, que &eacute; comummente designada por delocu&ccedil;&atilde;o: s&atilde;o proferidos ou escritos e dirigidos a um outro ausente, o que como anteriormente mostramos, se reveste de maior complexidade e de acrescida agressividade, pois possivelmente face-a-face tais enunciados n&atilde;o seriam pronunciados.</p>     <p>Acrescente-se a import&acirc;ncia do p&uacute;blico que, no caso das redes sociais, &eacute; de grande alcance, reveste-se de enorme import&acirc;ncia, dado que o sentido pragm&aacute;tico decorre da rela&ccedil;&atilde;o enunciativa; nesse contexto, a presen&ccedil;a de outros(s) na identifica&ccedil;&atilde;o do ato de discurso subjacente suscita frequentemente mais interlocutores, como ocorre em casos de atos como a difama&ccedil;&atilde;o, a provoca&ccedil;&atilde;o, a humilha&ccedil;&atilde;o visam a estigmatiza&ccedil;&atilde;o e a exclus&atilde;o do outro.</p>     <p>Constata-se que, se por um lado, se comenta discursivamente a popula&ccedil;&atilde;o migrante como estranha, numerosa e causadora de perturba&ccedil;&atilde;o social (&ldquo;ilegal, intrusa, terrorista, b&aacute;rbara&rdquo;), sendo constru&iacute;da uma acusa&ccedil;&atilde;o a partir de uma imagem depreciativa, por outro, em contraposi&ccedil;&atilde;o, exalta-se quem acolhe, proliferando um discurso inclusivo, marcadamente humanista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Passemos ent&atilde;o &agrave; an&aacute;lise de alguns dos coment&aacute;rios na rede social Facebook sobre os migrantes. Conforme ficou definido na se&ccedil;&atilde;o anterior, nossas categorias de an&aacute;lise s&atilde;o: ataque pessoal direto e ataque pessoal indireto. Designaremos CP e CB quando nos referimos ao <i>corpus</i> portugu&ecirc;s e ao <i>corpus</i> brasileiro, ambos recolhidos de p&aacute;ginas do Facebook, nas datas indicadas entre par&ecirc;ntesis no final (it&aacute;lico acrescentado).</p>     <p>     <blockquote>CP1 &ndash; Eu acho que n&atilde;o devemos acolh&ecirc;-los. <i>Eles</i> v&ecirc;m para c&aacute; e n&atilde;o respeitam as <i>nossas</i> regras!         <p></p>         <p>CP2 &ndash; <i>Eles</i> s&oacute; querem ir para os pa&iacute;ses ricos!</p>         <p>CP3 &ndash; Eu n&atilde;o sou racista, mas&hellip; <i>os mu&ccedil;ulmanos</i> s&atilde;o todos terroristas, s&atilde;o <i>animais</i> nos quais n&atilde;o podemos confiar!</p>         <p>CP4 &ndash; Os pa&iacute;ses &aacute;rabes que fiquem <i>com eles</i>!</p>         <p>CP5 &ndash; Porque estou a cagar-me para o sofrimento <i>deles</i>!</p>         <p>CP6<b> &ndash; </b><i>N</i><i>&atilde;o</i> queremos<i> parasitas </i>aqui</p>         <p>CP7 &ndash; Fora os <i>intrusos</i>!</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CP8 &ndash; Al&eacute;m do mais, s&atilde;o todos <i>terroristas</i>!</p>         <p>CP9 &ndash; Fora esses <i>ilegais</i><b>, </b><i>criminosos</i>, voltem para os seus pa&iacute;ses.</p>         <p>CP10 &ndash; N&atilde;o queremos viver na <i>selva</i>.</p>         <p>CP11 &ndash; Eu n&atilde;o sou racista, mas&hellip; os mu&ccedil;ulmanos s&atilde;o todos terroristas, s&atilde;o <i>animais</i> nos quais n&atilde;o podemos confiar! Os pa&iacute;ses &aacute;rabes que fiquem com <i>eles</i>! Porque estou a cagar-me para o sofrimento deles!</p>         <p>CP12 &ndash; Infelizmente o portugu&eacute;s contenta-se com futebol e passeios das c&acirc;maras, enquanto <i>esta gente</i> se aproveita para rapar tudo o que mexe!</p>         <p>(22 de agosto de 2017)</p>         <p>CB1 &ndash; Aqui j&aacute; tem muitos problemas, ainda vem <i>esse povo de fora</i> trazer mais <i>problemas</i> o governo deve mesmo proibir a entrada <i>desse povo</i> aqui.</p>         <p>CB2 &ndash; Sem falar em <i>doen&ccedil;as</i> erradicas ha anos aqui, estao <i>ai </i>todas de volta&rdquo;</p>         <p>CB3 &ndash; N&atilde;o nos bastam os nossos pr&oacute;prios problemas, temos que arcar com os <i>dos vizinhos</i> que s&atilde;o <i>escravos de ditadores</i>, n&atilde;o temos culpa se em <i>seus</i> pa&iacute;ses, n&atilde;o existem homens de car&aacute;ter ilibado, como S&eacute;rgio Moro e seus companheiros de batalha.</p>         <p>CB4 &ndash; J&aacute; passou da hora de colocar moral nesse pa&iacute;s. A maioria <i>dessa gente</i> que est&aacute; chegando &eacute; para votar nesses comunistas de merda que est&atilde;o se apresentando por aqui. Est&atilde;o <i>todos</i> recebendo t&iacute;tulo de eleitor. Pra que votar nessas merdas.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CB5 &ndash; Manda <i>esse bandido</i> para o pa&iacute;s deles que o Brasil est&aacute; cheio de bandidos BRASIL</p>         <p>CB6 &ndash; A gente acolhe e <i>eles</i> vem aqui fazer baderna. t&aacute; certo os brasileiros, expulsem mesmo. e quem n&atilde;o gostar, acolhem <i>esses baderneiros</i> <i>estrangeiros</i> em suas pr&oacute;prias casas</p>         <p>CB7 &ndash; <i>Essa s&uacute;cia de baderneiros venezuelanos</i>, pensam que aqui &eacute; pa&iacute;s sem lei? Mandem <i>essa gentalha</i> de volta pra Venezuela, porque aqui n&atilde;o &eacute; terra de malboroo! Fechem a fronteira urgentemente! &Eacute; a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o!</p>         <p>CB8 &ndash; <i>Eles </i>dizem que est&atilde;o passando necessidades no seu pa&iacute;s, mas n&oacute;s estamos de que jeito aqui no nosso? E ainda come&ccedil;aram &agrave; cometer crimes? Aqui n&oacute;s n&atilde;o temos problemas de mais? <i>Eles</i> que fiquem por l&aacute; mesmo.</p>         <p>CB9 &ndash; Tem que mandar <i>este Povo</i> de volta pra Venezuela! Quem mandou votar em Comunista?</p>         <p>CB10 &ndash; Claro <i>est&atilde;o assaltando</i> os brasileiros, aqui j&aacute; tem muito <i>ladr&atilde;o</i>, n&atilde;o precisamos importar <i>mais</i>!</p>         <p>(18 de agosto de 2018)</p> </blockquote>     <p>Como podemos atestar nos exemplos apresentados, h&aacute; esta evidente constru&ccedil;&atilde;o da dicotomia: n&oacute;s/eles, quer expl&iacute;cita quer no uso dos pronomes, quer impl&iacute;cita na constru&ccedil;&atilde;o verbal.</p>     <p>Constr&oacute;i-se discursivamente a imagem da popula&ccedil;&atilde;o migrante que chega &agrave; Europa ou ao pa&iacute;s vizinho, no caso do Brasil, como estranha, numerosa e causadora de perturba&ccedil;&atilde;o social, de problemas (&ldquo;vem <i>esse povo de fora</i> trazer mais <i>problemas</i><b>&rdquo;</b>), sendo constru&iacute;da, por um lado, uma imagem depreciativa, e, por outro, uma imagem de vitimiza&ccedil;&atilde;o, em contraposi&ccedil;&atilde;o, pois depreende-se a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do outro por medo, por intoler&acirc;ncia. Para esse fim, recorre-se ao uso de l&eacute;xico do campo da agressividade, sobretudo a adjetiva&ccedil;&atilde;o violenta, exarcebada, de ostraciza&ccedil;&atilde;o do outro (&ldquo;ilegais, parasitas; terroristas, criminosos, bandidos, baderneiros, gentalha, escravos de ditadores&rdquo;) e ao uso reiterado da nega&ccedil;&atilde;o acusat&oacute;ria de elimina&ccedil;&atilde;o do outro (&ldquo;<i>n</i>&atilde;o queremos parasitas, n&atilde;o temos culpa, n&atilde;o precisamos importar <i>mais</i>&rdquo;); ou de marcadores de exclus&atilde;o (&ldquo;fora os intrusos; mandem <i>essa gentalha</i> de volta para Venezuela; <i>eles</i> que fiquem por l&aacute; mesmo&rdquo;) que demarcam um territ&oacute;rio pessoal e geogr&aacute;fico que n&atilde;o permite invas&atilde;o.</p>     <p>O uso de palavras e express&otilde;es de baixo cal&atilde;o refor&ccedil;a toda a carga negativa de que as v&aacute;rias mensagens est&atilde;o imbu&iacute;das (<i>&ldquo;</i>estou a cagar-me, nesses comunistas de merda&rdquo;) e refor&ccedil;a simultaneamente essa hostilidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A express&atilde;o &ldquo;a gente&rdquo;, que no portugu&ecirc;s europeu assume, em alguns contextos, um tra&ccedil;o depreciativo, no exemplo CP12, atesta o desprezo que &eacute; veiculado no enunciado, em que, para al&eacute;m de se criticar a inatividade do povo que acolhe, se acusa o outro de roubar (&ldquo;rapar&rdquo;).</p>     <p>A deprecia&ccedil;&atilde;o, que configura um ataque direto, em delocu&ccedil;&atilde;o, denuncia uma posi&ccedil;&atilde;o intransigente, veiculada, sem filtro, pelo uso do termo &ldquo;animais&rdquo;, bem como pelo recurso a met&aacute;foras do dom&iacute;nio animal para descrever o outro que n&atilde;o &eacute; bem-vindo. Outra met&aacute;fora reporta-se &agrave; &ldquo;selva&rdquo;, termo que &eacute; usado para descrever os acampamentos sobrelotados, sem condi&ccedil;&otilde;es, em que os migrantes se amontoam. No caso brasileiro, o migrante &eacute; associado ora ao campo sem&acirc;ntico do crime (&ldquo;bandido, est&atilde;o assaltando, ladr&atilde;o&rdquo;), ora ao campo da sa&uacute;de, como aqueles que trazem as doen&ccedil;as e, portanto, representam uma amea&ccedil;a &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local (&ldquo;<i>doen&ccedil;as</i> erradicadas h&aacute; anos aqui, estao <i>a</i>&iacute; todas de volta&rdquo;). S&atilde;o, pois, argumentos <i>ad hominem,</i> no sentido de Amossy (2014b), uma vez que as imagens projetadas servem para desqualificar liminarmente o outro, o que refor&ccedil;a o afirmado por Seara e Manole:</p>     <p>     <blockquote>as classifica&ccedil;&otilde;es negativas, o acompanhamento e a repeti&ccedil;&atilde;o que potencializam a cr&iacute;tica, evidenciam uma agressividade verbal que, ao inv&eacute;s de fortalecer la&ccedil;os, degradam o outro marcando e destruindo a sua imagem, aumentando a ruptura e estimulando a n&atilde;o constru&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os sociais.(Seara &amp; Manole, 2016, p. 316)         <p></p> </blockquote>     <p>De facto, esta estrat&eacute;gia, a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> xen&oacute;fobo e intolerante, dirige-se &agrave; audi&ecirc;ncia. Destaque-se que, no caso da rede social, &eacute; importante esta no&ccedil;&atilde;o de audit&oacute;rio, dada a sua r&aacute;pida repercuss&atilde;o. O argumento<i> ad hominem </i>n&atilde;o visa a&iacute; o oponente numa querela, mas o pr&oacute;prio alvo da discuss&atilde;o, ou o seu tema, isto &eacute;, os migrantes. O usu&aacute;rio que posta o coment&aacute;rio o faz, na maioria das vezes para seus pares, com o intuito de refor&ccedil;ar um <i>ethos</i> coletivo, ou, conforme Terkourafi (2008), a pr&oacute;pria imagem. Pode-se, pois, afirmar que se trata de uma estrat&eacute;gia ret&oacute;rica que visa a refor&ccedil;ar a imagem de si perante o grupo a que pertence, uma vez que, no Facebook, de acordo com Cabral e Lima (2017), as pessoas se relacionam por interesses comuns, por compartilharem pontos de vista. Assim, agride-se o migrante para refor&ccedil;ar o <i>ethos</i> coletivo, a imagem identificada no grupo, que, no caso de nossas an&aacute;lises, &eacute; xen&oacute;fobo e intolerante.</p>     <p>Menos recorrentes, mas tamb&eacute;m agressivamente eficazes, s&atilde;o as cr&iacute;ticas expressas por ataques indiretos, na medida em que, em vez de se dirigirem improp&eacute;rios aos migrantes, responsabiliza-se a classe pol&iacute;tica, quer pela sua inatividade, quer pelos seus ideais de acolhimento e inclus&atilde;o. Nos exemplos que se seguem, &eacute; not&oacute;ria essa den&uacute;ncia que &eacute; expressa quer atrav&eacute;s da cr&iacute;tica direta (CP15, CB11, CB12), quer atrav&eacute;s da ironia (CP16, CB12), quer, atrav&eacute;s da pergunta ret&oacute;rica (CP16 e CP17), sempre de amea&ccedil;a &agrave; face do outro, mesmo encontrando-se numa posi&ccedil;&atilde;o hierarquicamente superior, o que espelha o registo provocat&oacute;rio, de instiga&ccedil;&atilde;o e afronta.</p>     <p>     <blockquote>CP15 &ndash; O aproveitamento da chamada &ldquo;crise dos refugiados&rdquo; suscita, na nossa classe pol&iacute;tica governante, doses substanciais <i>de hipocrisia e de uma falta de respeito tremenda para com os Portugueses</i>. Adormecem o povo com as <i>suas falinhas-mansas</i>, falam dos valores europeus e da solidariedade, ao mesmo tempo que <i>atiram os Portugueses numa mis&eacute;ria profunda</i>. Mas para l&aacute; da &ldquo;crise dos refugiados&rdquo;, existe uma agenda bem delineada dos governos europeus, da qual, Portugal faz parte. Trata-se de uma agenda pr&oacute;pria da &eacute;poca, com objectivos pouco claros para a sociedade, em que o debate &eacute; tabu, sob pena de sermos acusados de islamofobia.         <p></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(18 de junho de 2017)</p>         <p>CP16 &ndash; <i>Esta &eacute; a mentalidade da nossa classe pol&iacute;tica governante. Repovoar Portugal com os imigrantes mu&ccedil;ulmanos</i>&hellip;, mas <i>porque &eacute; que n&atilde;o se d&aacute; a mesma oportunidade aos Portugueses!? </i>N&atilde;o seria bem mais l&oacute;gico!?</p>         <p>(26 de julho, PNR Partido Nacional Renovador)</p>         <p>CP17 &ndash; <i>Onde t&aacute; aquela gente burra idiota de bem vindos refugiados? &Oacute; est&uacute;pido do portugu&ecirc;s!</i> <i>S&Oacute; VAO ABRIR OS OLHOS QUANDO ESTOIRAR UMA BOMBA</i></p>         <p>(12 de julho de 2017)</p>         <p>CB11 &ndash; J&aacute; que <i>o governo deixou as pernas abertas</i> temos que tomar as r&eacute;deas da situa&ccedil;&atilde;o</p>         <p>CB12 &ndash; Ou ficar a p&aacute;tria livre ou morrer pelo Brasil, estamos ajudando s&oacute; que vem aqui fazer a casa da m&atilde;e Joana <i>temos que por ordem ou sofreremos as consequ&ecirc;ncias desse governo que deixou as pernas abertas</i>.</p>         <p>CB13 &ndash; <i>Desgoverno d&aacute; nisso</i>. Parab&eacute;ns povo brasileiro.</p>         <p>(18 de agosto de 2018)</p> </blockquote>     <p>Evidenciando uma posi&ccedil;&atilde;o intransigente e de superioridade, expressam-se atrav&eacute;s de atos diretivos, dando ordens aos governantes e insultando-os (CP18, CB14, CB15, CB16):</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>CP18 &ndash; <i>Deixem de ser burros</i>, acolher refugiados &eacute; acolher Terroristas&hellip;..<i>Abram os olhos</i>&hellip;..s&atilde;o mesmo burros&hellip;&hellip;         <p></p>         <p>CB14 &ndash; <i>Tem que fechar</i> mesmo! <i>Vao lutar la no paiz deles</i> nao puseram o cara l&aacute;</p>         <p>CB15 &ndash;<i> N</i><i>&atilde;o</i> <i>pode deixar</i> esse povo entrar aqui n&atilde;o.</p>         <p>CB16 &ndash; <i>Passou da hora de proibir</i> entrada de mais pessoas para ficar desempregado no pa&iacute;s.</p>         <p>(26 de agosto 2017)</p> </blockquote>     <p>Retomando o fio condutor proposto, <i>ab initio</i>, podemos concluir que as estrat&eacute;gias discursivas que operam a exclus&atilde;o social s&atilde;o semelhantes nos <i>corpora</i> recolhidos, no portugu&ecirc;s e no brasileiro.&nbsp;</p>     <p>H&aacute; uma polariza&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es, em que os enunciadores nas redes sociais expressam, de forma veemente, a sua contesta&ccedil;&atilde;o e a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o da entrada de migrantes, invocando-se raz&otilde;es de ordem social, religiosa, &eacute;tnica e pol&iacute;tica. As posi&ccedil;&otilde;es irredut&iacute;veis realizam-se, como ficou demonstrado, maioritariamente, por ataques diretos, insultuosos e agressivos, com recurso a l&eacute;xico violento e &agrave; reitera&ccedil;&atilde;o de negativas de interdi&ccedil;&atilde;o e de bloqueio, predominando a ironia, a desqualifica&ccedil;&atilde;o, o descr&eacute;dito, as express&otilde;es pejorativas e vexat&oacute;rias, os atos de rep&uacute;dio, o que evidencia um discurso ideologicamente marcado.</p>     <p>Esta an&aacute;lise permite-nos igualmente comprovar que, numa era em que as redes sociais disseminam e contagiam, atrav&eacute;s da palavra escrita, as opini&otilde;es livres de todos os que anteriormente n&atilde;o tinham acesso &agrave; express&atilde;o p&uacute;blica da sua opini&atilde;o, assiste-se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es realizadas de forma mais direta e agressiva, &agrave;s quais subjaz a inten&ccedil;&atilde;o de excluir o outro, o migrante que vem perturbar a ordem estabelecida. Estas estrat&eacute;gias assumem uma finalidade argumentativa que consiste na rejei&ccedil;&atilde;o do outro, porque diferente, mas visam igualmente influenciar um vasto n&uacute;mero de leitores da rede social e reafirmar o pertencimento a determinado grupo ideol&oacute;gico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Conforme destacamos em nossas an&aacute;lises, as mensagens nas p&aacute;ginas Facebook que analis&aacute;mos neste estudo configuram um trabalho de manipula&ccedil;&atilde;o, predominando as express&otilde;es vexat&oacute;rias, os atos de rep&uacute;dio e insulto e, concomitantemente, o apelo constante &agrave; expuls&atilde;o dos migrantes, expressos atrav&eacute;s de duas estrat&eacute;gias de <i>argumentum ad hominem</i>. &Agrave;s mensagens de Facebook subjaz intencionalmente o prop&oacute;sito de macular a imagem dos migrantes a partir de estrat&eacute;gias que assumem uma finalidade argumentativa que consiste, por um lado, em influenciar um vasto n&uacute;mero de leitores da rede social e em mostrar a perten&ccedil;a a determinado grupo, alinhando-se com o <i>ethos </i>ideol&oacute;gico coletivo do mesmo, e por outro, construir ju&iacute;zos de valor negativo a respeito dos migrantes e daqueles que os defendem, cuja face &eacute; amea&ccedil;ada por atos descorteses e mesmo insultuosos.</p>     <p>As estrat&eacute;gias argumentativas que agridem a face est&atilde;o imbu&iacute;das de um cunho pol&ecirc;mico, refor&ccedil;ando uma imagem que n&atilde;o &eacute; digna de respeito, construindo, de forma mais alargada, o descr&eacute;dito das pessoas j&aacute; por si, em situa&ccedil;&atilde;o de debilidade e, inclusivamente dando lugar a uma culpabiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos respons&aacute;veis.</p>     <p>Ao fim deste trabalho, retomamos os dizeres de Montecino, que inspirou o estudo apresentado: &ldquo;o investigador coloca-se diante de seu objeto de estudo como um estudioso que busca o saber e como um sujeito ideol&oacute;gico que busca dar sentido a esse saber&rdquo; (Montecino, 2010, p. 250).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Agier, M. (2002). <i>Aux bords du monde: les r&eacute;fugi&eacute;s</i>. Paris: Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023395&pid=S2183-3575202000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Agierm M. (2006). Refugiados diante da nova ordem mundial. <i>Tempo Social, Revista de Sociologia da USP</i>, <i>18</i>(2), 197-215.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023397&pid=S2183-3575202000020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Amossy, R. (1999). <i>Images de soi dans le discours</i>. Paris: Delachaux et Niestl&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023399&pid=S2183-3575202000020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Amossy, R. (2014a). <i>Apologie de la pol&eacute;mique.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023401&pid=S2183-3575202000020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Amossy, R. (2014b). L&rsquo;<i>ethos </i>et ses doubles contemporains. Prespectives disciplinaires. <i>Langage et Soci&eacute;t&eacute;</i>, <i>3</i>(149), 13-30.</p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. de M. B. (2015). <i>Obra po&eacute;tica.</i> Lisboa: Ass&iacute;rio e Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023404&pid=S2183-3575202000020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Auger, N., Fracchiola, B., Mo&iuml;se, C. &amp; Schutz-Romain, C. (2008). De la violence verbale pour une sociolinguistique des discours et des interactions. In <i>Actes du</i> <i>Congr&egrave;s Mondial de Linguistique Fran&ccedil;aise</i> (pp. 631-643). Paris: EDP Sciences.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023406&pid=S2183-3575202000020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Blinder, S. &amp; Jelena, T. (2005). Refugees as a particular form of transnational migrations and social transformations: Socioanthropological and gender aspects. <i>Current Sociology</i>, <i>53</i>(4), 607-624.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023408&pid=S2183-3575202000020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bousfield, D. (2008). Impoliteness in the struggle for power. In D. Bousfield &amp; M. A. Locher (Eds.), <i>Impoliteness in language</i> (pp. 127-153). Berlim, Nova Iorque: Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023410&pid=S2183-3575202000020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabral, A. L. T &amp; Lima, N. V. (2017). Argumenta&ccedil;&atilde;o e pol&ecirc;mica nas redes sociais: o papel de viol&ecirc;ncia verbal. <i>Signo</i>, <i>42</i>(73), 86-97. Retirado de <a href="http://online.unisc.br/seer/index.php/signo" target="_blank">http://online.unisc.br/seer/index.php/signo</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023412&pid=S2183-3575202000020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cabral, A. L. T. &amp; Albert, S. A. B. (2017). Quebra de polidez na intera&ccedil;&atilde;o: das redes sociais para os ambientes virtuais de aprendizagem. In A. L. T. Cabral; I. R. Seara &amp; M. F. Guaranha (Eds.), <i>Descortesia e cortesia: express&atilde;o de culturas</i> (pp. 267-294). S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023413&pid=S2183-3575202000020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabral, A. L. T. (2013). Reclama&ccedil;&atilde;o, cr&iacute;tica e advert&ecirc;ncia nas intera&ccedil;&otilde;es verbais em ambientes virtuais: subjetividade, polidez e atos de fala. <i>Estudos Lingu&iacute;sticos</i>, <i>8</i>, 91-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023415&pid=S2183-3575202000020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cabral, A.L.T., Marquesi, S. C. &amp; Seara, I. R. (2015). L&rsquo;articulation entre le descriptif et les &eacute;motions dans l&rsquo;argumentation en faveur de Dominique Strauss-Kahn. In A. Rabatel; M. Monte &amp; M. G. S. Rodrigues (Eds.), <i>Comment les m&eacute;dias parlent des &eacute;motions l&rsquo;Affaire Nafissatou Diallo contre Dominique Strauss-Kahn</i> (pp. 307-323). Limoges: Lambert-Lucas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Carvalheiro, J. R., Prior, H. &amp; Morais, R. (2015). P&uacute;blico, privado e representa&ccedil;&atilde;o online. In J. R. Carvalheiro (Ed.), <i>A nova fluidez de uma velha dicotomia: p</i>&uacute;blico e privado nas comunica&ccedil;&otilde;es m&oacute;veis (pp. 7-27). Covilh&atilde;: LabCom.</p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2013). <i>Redes de indigna&ccedil;&atilde;o e esperan&ccedil;a: movimentos sociais na era da internet</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023419&pid=S2183-3575202000020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Charaudeau, P. (1996). Para uma nova an&aacute;lise do discurso. In A. D. Carneiro (Ed.), <i>O discurso da m&iacute;dia</i> (pp. 5-43). Rio de Janeiro: Oficina do Autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023421&pid=S2183-3575202000020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Charaudeau, P. 2005. <i>Le discours politique. Les masques du pouvoir</i>. Paris: Vuibet.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023423&pid=S2183-3575202000020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Chelotti, J. D. &amp; Cruz, R. L. S. (2016). A dicotomia da globaliza&ccedil;&atilde;o sob o prisma dos refugiados: uma an&aacute;lise da flexibiliza&ccedil;&atilde;o das fronteiras para os bens e capital em contraste aos seres humanos. In <i>Anais do XII Semin&aacute;rio Internacional Demandas Sociais e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas na Sociedade Contempor&acirc;nea</i>. Retirado de <a href="https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/viewFile/16033/3922" target="_blank">https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/viewFile/16033/3922</a></p>     <!-- ref --><p>Culpeper, J. (2008). Reflections on impoliteness, relational work and power. In D. Bousfield &amp; M. A. Locher (Eds.), <i>Impoliteness in language</i> (pp.17-44). Berlim, Nova Iorque: Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023426&pid=S2183-3575202000020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Dabrowska, M. (2013). <i>Variation in language: faces of Facebook English</i>. Frankfurt: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023428&pid=S2183-3575202000020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Declara&ccedil;&atilde;o de Cartagena (1984). Retirado de <a href="https://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/BD_Legal/Instrumentos_Internacionais/Declaracao_de_Cartagena.pdf?view" target="_blank">https://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/BD_Legal/Instrumentos_Internacionais/Declaracao_de_Cartagena.pdf?view</a></p>     <p>Develtotte, C. (2006). D&eacute;crire l&rsquo;espace d&rsquo;exposition discursive dans un campus num&eacute;rique<i>. Le fran&ccedil;ais dans le monde. Recherches et applications</i> [Vol. especial], 88-100. Retirado de <a href="https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-00151851" target="_blank">https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-00151851</a></p>     <!-- ref --><p>Fiddian-Qasmiyeh, E., Loescher, G., Long, K. &amp; Sigona, N. (2014). <i>The Oxford handbook of refugee and forced migration studies</i>. Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023432&pid=S2183-3575202000020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Houassis, A. &amp; Villar, M. S. (2011). <i>Dicion&aacute;rio Houaiss da l&iacute;ngua portuguesa</i>. Rio de Janeiro: Objetiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023434&pid=S2183-3575202000020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kerbrat-Orecchioni, C. (2014). Polidez e impolidez nos debates pol&iacute;ticos televisivos: o caso dos debates entre dois turnos dos presidentes franceses. In I. R. Seara (Ed.), <i>Cortesia: olhares e (re) inven&ccedil;&otilde;es </i>(pp. 47-82). Lisboa: Chiado Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023436&pid=S2183-3575202000020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Maingueneau, D. (2002). <i>Probl&egrave;me d&rsquo;ethos. Pratiques, 113-114</i>, 55-57. Retirado de <a href="https://www.persee.fr/doc/prati_0338-2389_2002_num_113_1_1945" target="_blank">https://www.persee.fr/doc/prati_0338-2389_2002_num_113_1_1945</a></p>     <!-- ref --><p>Montecino, L. (2010). <i>Discurso, pobreza y exclusi&oacute;n en Am&eacute;rica Latina</i>. Santiago: Ed. Cuarto Propio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023439&pid=S2183-3575202000020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, C. R., Peixoto, J. &amp; G&oacute;is, P. (2017). A nova crise dos refugiados na Europa: o modelo de repuls&atilde;o-atra&ccedil;&atilde;o revisitado e os desafios para as pol&iacute;ticas migrat&oacute;rias. <i>Revista Brasileira de Estudos de Popula&ccedil;&atilde;o</i>, <i>34</i>(1), 73-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023441&pid=S2183-3575202000020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ONU, Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. (1948). Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos. Retirado de <a href="https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf" target="_blank">https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023443&pid=S2183-3575202000020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ONU, Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. (1951). Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas relativa ao estatuto dos refugiados. Retirado de <a href="http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf" target="_blank">http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023444&pid=S2183-3575202000020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Rodeghiero, C. C. (2012). <i>Viol&ecirc;ncia na internet: um estudo do cyberbulling no Facebook</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade Cat&oacute;lica de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul.</p>     <!-- ref --><p>Rosier L. &amp; Ernotte, P. (2000). Le lexique clandestin. <i>Fran&ccedil;ais et Soci&eacute;t&eacute;</i>, <i>12</i>, 3-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023446&pid=S2183-3575202000020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sande, P. (s. d.). Barbarus ad portas. In <i>Refugiados. Factos e argumentos para desfazer mitos sobre refugiados. Revista da Plataforma de apoio aos Refugiados</i>. Alto Comissariado para as Migra&ccedil;&otilde;es. Retirado de <a href="https://issuu.com/ipav/docs/refugiados" target="_blank">https://issuu.com/ipav/docs/refugiados</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023448&pid=S2183-3575202000020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Seara, I. R. &amp; Manole, V. (2016). Insult and the construction of other&rsquo;s identity: remarks on portuguese political discourse. In R. Saftoiu (Ed.), <i>Revue roumaine de linguistique identities in dialogue/identit&eacute;s dans le dialogue</i> (LXI) (pp. 301-318). Bucareste: Editura Academiei Romane.</p>     <!-- ref --><p>Terkourafi, M. (2008). Toward a unified theory of politeness, impoliteness and rudeness. In D. Bousfield &amp; M. A. Locher (Eds.), <i>Impoliteness in language</i> (pp.45-74). Berlim, Nova Iorque: Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023450&pid=S2183-3575202000020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Triandaflyllidou, A. (2017). Beyond irregular migration governance: zooming in on migrants agency. <i>European Journal of Migration and Law</i>, <i>9</i>, 1-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023452&pid=S2183-3575202000020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Dijk, T. (2008). <i>Discurso e poder</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023454&pid=S2183-3575202000020000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Dijk, T. A. (1998). <i>Ideology. A multidisciplinary approach</i>. Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023456&pid=S2183-3575202000020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>van Dijk, T. A. (2005). <i>Racism and discorse in Spain and Latin America</i>. Amsterd&atilde;o: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2023458&pid=S2183-3575202000020000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas biogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Isabel Roboredo Seara &eacute; Professora Auxiliar do Departamento de Humanidades e coordenadora do Mestrado em Estudos de L&iacute;ngua Portuguesa, na Universidade Aberta, Lisboa, e coordenadora do Doutoramento em Did&aacute;tica das L&iacute;nguas. Multilinguismo e Educa&ccedil;&atilde;o para a Cidadania Global (Universidade Nova e Universidade Aberta). &Eacute; membro do Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade Nova de Lisboa e do Grupo de Investiga&ccedil;&atilde;o Pragm&aacute;tica. Discurso. Cogni&ccedil;&atilde;o (PraDiC) do Centro de Estudos Human&iacute;sticos da Universidade do Minho. Colabora em projetos de investiga&ccedil;&atilde;o no Laborat&oacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia e e-learning (LeaD). &Eacute; doutorada em Lingu&iacute;stica Portuguesa e desenvolve trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito dos estudos de pragm&aacute;tica, an&aacute;lise do discurso, ret&oacute;rica, epistolografia, privilegiando igualmente os estudos de comunica&ccedil;&atilde;o mediada por computador, nomeadamente os efeitos sociais e lingu&iacute;sticos das tecnologias digitais.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0003-2117-5320" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-2117-5320</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:irseara@gmail.com">irseara@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Universidade Aberta Pal&aacute;cio Ceia Rua da Escola Polit&eacute;cnica, 147</p>     <p>1269-001 Lisboa Portugal</p>     <p>Ana L&uacute;cia Tinoco Cabral &eacute; Professora Colaboradora do Mestrado Profissional Profletras da Universidade de S&atilde;o Paulo e pesquisadora colaboradora do Instituto de Pesquisa da PUCSP. &Eacute; coordenadora do Grupo de Trabalho Lingu&iacute;stica de Texto e An&aacute;lise da Conversa&ccedil;&atilde;o (ANPOLL &ndash; bi&ecirc;nio 2018-2010). Doutora em L&iacute;ngua Portuguesa pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP) (2005), Brasil. O quadro te&oacute;rico que d&aacute; suporte &agrave;s suas pesquisas insere-se na &aacute;rea da Lingu&iacute;stica Textual, na linha te&oacute;rica da Sem&acirc;ntica Argumentativa e da Lingu&iacute;stica da Enuncia&ccedil;&atilde;o, linguagem argumentativa, intera&ccedil;&atilde;o verbal escrita, linguagem jur&iacute;dica, (im)polidez lingu&iacute;stica e uso da linguagem em contextos digitais, incluindo pr&aacute;ticas educativas a dist&acirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-6417-2766" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6417-2766</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:altinococabral@gmail.com">altinococabral@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Rua do Lago, 717, Butant&atilde;, S&atilde;o Paulo-SP, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Submetido: 13/04/2020</b></p>     <p><b>Aceite: 01/07/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Retirado de <a href="https://www.refugiados.pt/" target="_blank">https://www.refugiados.pt/</a></p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Retirado de <a href="http://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/" target="_blank">http://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2018/01/Declaracao-Universal-dos-Direitos-Humanos.pdf" target="_blank">https://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2018/01/Declaracao-Universal-dos-Direitos-Humanos.pdf</a></p>     <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf" target="_blank">http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_relativa_ao_Estatuto_dos_Refugiados.pdf</a></p>     <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BD_Legal/Instrumentos_Internacionais/Declaracao_de_Cartagena.pdf?view" target="_blank">http://www.acnur.org/t3/fileadmin/Documentos/portugues/BD_Legal/Instrumentos_Internacionais/Declaracao_de_Cartagena.pdf?view</a></p>     <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Retirado de Gloss&aacute;rio sobre Migra&ccedil;&atilde;o - Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es, dispon&iacute;vel em <a href="https://www.acm.gov.pt/documents/10181/65144/Gloss%C3%A1rio.pdf/b66532b2-8eb6-497d-b24d-6a92dadfee7b" target="_blank">https://www.acm.gov.pt/documents/10181/65144/Gloss%C3%A1rio.pdf/b66532b2-8eb6-497d-b24d-6a92dadfee7b</a></p>     <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.facebook.com/groups/388027014733332/about/" target="_blank">https://www.facebook.com/groups/388027014733332/about/</a></p>     <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="https://facebook.com/groups/23145777899645/about" target="_blank">https://facebook.com/groups/23145777899645/about</a></p>      ]]></body><back>
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