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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel dos profissionais de relações públicas na responsabilidade social corporativa: algumas notas a partir da realidade portuguesa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Are public relations (PR) professionals involved in the decision-making processes concerning corporate citizenship (CC) or are they only asked to report the organizations' best practices? Are organizations committed to corporate social responsibility (CSR) or corporate citizenship? In the framework of a pragmatist paradigm, a sequential explanatory mixed methods approach was developed. This method is a two-phase design that is characterized by an initial quantitative phase of data collection and analysis, followed by a qualitative phase of data collection and analysis. An invitation to answer an online survey was sent to all 158 organizations that belonged to an association for the promotion of CSR in Portugal (Grace), in October 2018. Afterwards, face-to-face interviews with the CSR/CC responsible were conducted to those organizations that answered the survey. The research showed that the social (philanthropic) area emerged as the most relevant one in all the organizations interviewed, even though the area seems to be under strong reformulations. Corporations tend to choose CSR as the main concept and dislike the concept of corporate citizenship, that is, the idea of being both a social and political actor. PR practitioners seem to have fewer responsibilities than those the researchers expected to find out, at least at a strategic level.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>O papel dos profissionais de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas na responsabilidade social corporativa: algumas notas a partir da realidade portuguesa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>The role of public relations professionals in corporate social responsability: some notes from the Portuguese reality</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>Mafalda Eir&oacute;-Gomes*</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-5542-6995" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-5542-6995</a>     
<p></p>     <p><b>Ana Raposo**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-6740-4566" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-6740-4566</a>     
<p></p> //     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> //*Sec&ccedil;&atilde;o de Estudos em Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas e Comunica&ccedil;&atilde;o Organizacional, Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa, Portugal, <a href="mailto:agomes@escs.ipl.pt">agomes@escs.ipl.pt</a>. //    <br>   //**Sec&ccedil;&atilde;o de Estudos em Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas e Comunica&ccedil;&atilde;o Organizacional, Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa, Portugal, <a href="mailto:araposo@escs.ipl.pt">araposo@escs.ipl.pt</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os profissionais de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (RP) s&atilde;o envolvidos nos processos de decis&atilde;o sobre cidadania corporativa (CC) ou apenas s&atilde;o chamados a divulgar as pr&aacute;ticas das organiza&ccedil;&otilde;es a este n&iacute;vel? As organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o comprometidas com a responsabilidade social corporativa (RSC) ou com a cidadania corporativa? No &acirc;mbito de um paradigma pragmatista, foi desenvolvida uma abordagem explicativa sequencial recorrendo a m&eacute;todos mistos. Foi realizada uma investiga&ccedil;&atilde;o em duas fases, uma fase inicial quantitativa de recolha e an&aacute;lise de dados, e de seguida uma fase de recolha e an&aacute;lise de dados qualitativa. Em outubro de 2018, foram convidadas a responder a um inqu&eacute;rito online as 158 organiza&ccedil;&otilde;es que pertencem a uma associa&ccedil;&atilde;o portuguesa para a promo&ccedil;&atilde;o da CC (Grace). Posteriormente, foram realizadas entrevistas presenciais com o respons&aacute;vel pela RSC/CC organiza&ccedil;&otilde;es que responderam ao question&aacute;rio. O estudo aponta para que a &aacute;rea social (filantr&oacute;pica) seja a mais relevante nas organiza&ccedil;&otilde;es entrevistadas e que esta &aacute;rea da RSC est&aacute; sob fortes reformula&ccedil;&otilde;es. No entanto, as organiza&ccedil;&otilde;es parecem n&atilde;o utilizar o conceito de cidadania corporativa. Ao contr&aacute;rio do esperado pelos investigadores, os profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o parecem n&atilde;o assumir responsabilidades a n&iacute;vel estrat&eacute;gico. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas; cidadania corporativa; responsabilidade social corporativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Are public relations (PR) professionals involved in the decision-making processes concerning corporate citizenship (CC) or are they only asked to report the organizations&rsquo; best practices? Are organizations committed to corporate social responsibility (CSR) or corporate citizenship? In the framework of a pragmatist paradigm, a sequential explanatory mixed methods approach was developed. This method is a two-phase design that is characterized by an initial quantitative phase of data collection and analysis, followed by a qualitative phase of data collection and analysis. An invitation to answer an online survey was sent to all 158 organizations that belonged to an association for the promotion of CSR in Portugal (Grace), in October 2018. Afterwards, face-to-face interviews with the CSR/CC responsible were conducted to those organizations that answered the survey. The research showed that the social (philanthropic) area emerged as the most relevant one in all the organizations interviewed, even though the area seems to be under strong reformulations. Corporations tend to choose CSR as the main concept and dislike the concept of corporate citizenship, that is, the idea of being both a social and political actor. PR practitioners seem to have fewer responsibilities than those the researchers expected to find out, at least at a strategic level.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: public relations; corporate citizenship; corporate social responsibility.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A op&ccedil;&atilde;o pelo conceito de &ldquo;cidadania corporativa&rdquo; (CC) (Woot, 2013, 2016) no contexto desta investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; inocente. Os autores, ao utiliz&aacute;-lo em detrimento de outros termos como &ldquo;responsabilidade social empresarial&rdquo; ou &ldquo;responsabilidade social corporativa&rdquo; (RSC), pretendem enfatizar a sua preocupa&ccedil;&atilde;o com outros aspetos al&eacute;m daqueles que podem ser inclu&iacute;dos na ideia de filantropia. Em termos gerais, a RSC pode ser definida como a forma atrav&eacute;s da qual as organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o voluntariamente respons&aacute;veis pela e para a sociedade, de um modo abrangente (Matten &amp; Moon, 2008). Assumindo a possibilidade de alguma sobreposi&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o dos conceitos aqui em an&aacute;lise, pretende-se tamb&eacute;m abordar o conceito de CC. A cidadania corporativa deve ser compreendia como incluindo atividades, que nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas emergiram como sendo relevantes para as organiza&ccedil;&otilde;es, enquadrando-se na esfera pol&iacute;tica, focando desde as quest&otilde;es de sa&uacute;de em &Aacute;frica at&eacute; aos boicotes na &Aacute;frica do Sul durante o <i>apartheid</i>.</p>     <p>Por outro lado, a discuss&atilde;o sobre o entendimento da cidadania corporativa em Portugal ainda n&atilde;o foi feita. Em certo sentido, ainda vivemos numa era p&oacute;s-Friedman (1970) em que tanto os empres&aacute;rios como os pol&iacute;ticos tendem a considerar, ou pelo menos essa &eacute; a sua posi&ccedil;&atilde;o oficial, que os assuntos p&uacute;blicos devem ser deixados aos pol&iacute;ticos e entidades p&uacute;blicas. Num pa&iacute;s onde a influ&ecirc;ncia das estruturas institucionais neo-corporativistas ainda tem um poder grande, as organiza&ccedil;&otilde;es tendem a negar, no entanto, de forma bastante veemente, o seu envolvimento na vida pol&iacute;tica. Discutir as implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas deste conceito n&atilde;o &eacute; o objetivo deste artigo. A sua utiliza&ccedil;&atilde;o neste artigo deve-se ao facto de os autores procurarem entender em sentidos distintos dos mais comuns aceites, os motivos, os prop&oacute;sitos e as implica&ccedil;&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es com o bem p&uacute;blico. Al&eacute;m disso, &eacute; dado destaque &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que expressam a sua preocupa&ccedil;&atilde;o e compromisso com o planeta e com as pessoas, al&eacute;m da mais conhecida ideia de Friedman (1970) de que a sua responsabilidade ser&aacute; gerar lucro para os acionistas. Assim, deve existir uma associa&ccedil;&atilde;o entre a promo&ccedil;&atilde;o da cidadania corporativa e aquilo que &eacute; explicitamente declarado na sua miss&atilde;o.</p>     <p>As principais perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o procuram precisamente perceber o que &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es que pertencem ao Grupo de Reflex&atilde;o e Apoio &agrave; Cidadania Empresarial (Grace) definem como sendo os seus princ&iacute;pios, pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas em termos de RSC. A associa&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne 158 organiza&ccedil;&otilde;es do setor privado ao n&atilde;o-governamental, al&eacute;m de algumas organiza&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Como &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es definem a RSC/CC? Est&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es preocupadas com quest&otilde;es econ&oacute;micas, sociais ou ambientais? A reputa&ccedil;&atilde;o &eacute; a principal raz&atilde;ode ser da RSC? Que p&uacute;blicos s&atilde;o envolvidos nas atividades de RSC? A RSC &eacute; planeada estrategicamente? Qual &eacute;, e qual &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es pensam que ser&aacute;, o principal papel dos profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o num futuro pr&oacute;ximo no desenvolvimento e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas mais respons&aacute;veis?</p>     <p><b>Comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e os conceitos de responsabilidade social corporativa/cidadania corporativa</b></p>     <p>Parafraseando Woot (2016), perante a for&ccedil;a das coisas na nossa contemporaneidade, nestes &uacute;ltimos anos da segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, num mundo que muitos designam sob a sigla VUCA (vol&aacute;til, imprevis&iacute;vel, complexo e amb&iacute;guo), parece urgente repensar n&atilde;o s&oacute; um novo paradigma pol&iacute;tico, mas um novo modo de vida para todos n&oacute;s, e ainda a responsabilidade das nossas organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es na melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida das popula&ccedil;&otilde;es e na preserva&ccedil;&atilde;o do planeta. Neste trabalho contra abordagens que tendem a considerar os conceitos de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (RP) ou comunica&ccedil;&atilde;o institucional como assumindo uma fun&ccedil;&atilde;o meramente instrumental, os autores consideram a comunica&ccedil;&atilde;o como constitutiva das organiza&ccedil;&otilde;es e de todas as pr&aacute;ticas humanas e assumem, tamb&eacute;m, o papel dos profissionais de RP como presente em diferentes n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o, do operacional ao de gest&atilde;o, at&eacute; ao estrat&eacute;gico (Dozier, 1992; Steyn &amp; Puth, 2000). Mais do que a no&ccedil;&atilde;o de miss&atilde;o ou vis&atilde;o, &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de prop&oacute;sito que na realidade orienta as pr&aacute;ticas e desempenhos organizacionais atualmente, e as posiciona em ecossistemas globais como parceiros de outras empresas ou entidades de diferentes setores. Neste contexto, o conceito de &ldquo;responsabilidade social corporativa&rdquo; (RSC) deve ser entendido num sentido em que as no&ccedil;&otilde;es de sustentabilidade ou presta&ccedil;&atilde;o de contas sejam genu&iacute;nas e interligadas com o prop&oacute;sito da organiza&ccedil;&atilde;o e inscritas no ADNda mesma. A sociedade neocapitalista que levou &agrave; crise financeira de 2007/08 em muitos pa&iacute;ses democr&aacute;ticos orientais desafiou a forma como os <i>stakeholders</i>veem e entendem as organiza&ccedil;&otilde;es. Hoje, as empresas t&ecirc;m de recuperar valores que se perderam durante algumas d&eacute;cadas, levando-as a assumir o seu papel de cidad&atilde;os nas comunidades, com os seus direitos e deveres, como cada um de n&oacute;s individualmente (Moon, 2014). A op&ccedil;&atilde;o pelo conceito de &ldquo;cidadania corporativa&rdquo; &eacute; intencional. Este tem surgido nos &uacute;ltimos anos como recuperando algumas das ideias primordiais nas sociedades ocidentais antes das altera&ccedil;&otilde;es neoliberais das &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. A ideia de &ldquo;cidadania corporativa&rdquo; &eacute; hoje utilizada por diversas organiza&ccedil;&otilde;es, e h&aacute; tamb&eacute;m uma publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dedicada exclusivamente ao tema, <i>The Journal of Corporate Citizenship</i> (revista trimestral publicada no Reino Unido)<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. Na perspetiva da editora da referida publica&ccedil;&atilde;o, &ldquo;a verdadeira cidadania empresarial envolve muito mais do que aquilo que tradicionalmente se designa por RSC&rdquo; (Waddoc, 2003, p. 3). Esta no&ccedil;&atilde;o assume ainda outros contornos devido &agrave; dimens&atilde;o global de muitas empresas multinacionais e a quest&otilde;es relativas &agrave; forma como estas empresas lidam com os fornecedores, com os produtores, tantas vezes pertencentes &agrave;s regi&otilde;es mais desfavorecidas do mundo, por exemplo. O conceito de CC parece ser mais abrangente do que o de CSR, incluindo a&ccedil;&otilde;es tendo em vista o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade, indo para al&eacute;m da ideia de um conjunto de a&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias da organiza&ccedil;&atilde;o. Assim, assume-se a ideia de que as organiza&ccedil;&otilde;es podem representar agentes de mudan&ccedil;a agindo como cidad&atilde;os perante os governos e outras entidades.</p>     <p>Provavelmente nada melhor representa o mundo em que vivemos do que a express&atilde;o &ndash;&ldquo;efeito borboleta&rdquo;. Tanto no sentido literal como metaf&oacute;rico, esta express&atilde;o que reproduz um dos princ&iacute;pios fundamentais da teoria do caos, lembrando-nos que os problemas sociais e ambientais s&atilde;o os maiores desafios que se colocam hoje &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es e que ambos s&atilde;o dilemas globais. Se a polui&ccedil;&atilde;o dos rios ou oceanos n&atilde;o tem fronteiras, a precariedade, para usar a consagrada express&atilde;o de Standing (2011, 2014), com a qual as novas gera&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o confrontadas, &eacute; tamb&eacute;m um conceito sem fronteiras geogr&aacute;ficas. Como Hulme e Arun (2009) t&atilde;o bem evidenciaram, neste novo s&eacute;culo em que todos os processos s&atilde;o complexos e as rela&ccedil;&otilde;es est&atilde;o em constante mudan&ccedil;a, depender&aacute; da capacidade de intera&ccedil;&atilde;o entre o sector privado, o sector p&uacute;blico e a sociedade civil suportar tanto o desenvolvimento como o crescimento para satisfazer as necessidades sociais/ambientais da sociedade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pede-se assim &agrave;s empresas que se assumam como cidad&atilde;os deste mundo global, com os seus direitos e deveres (Santos &amp; Eir&oacute;-Gomes, 2016, 2017). Parafraseando Patten (2005), numa abordagem te&oacute;rica que podemos chamar de &ldquo;&eacute;tica do dever&rdquo;, um paradigma claramente moderno, onde agir bem &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, agir no nosso melhor interesse. Em 2001, a Comiss&atilde;o Europeia, no seu Livro Verde sobre esta mat&eacute;ria, deixou bem claro que o conceito &ndash; na altura designado por responsabilidade social corporativa &ndash; devia ser entendido como um conceito que representa as preocupa&ccedil;&otilde;es sociais, ambientais e econ&oacute;micas nas suas intera&ccedil;&otilde;es com todas as partes interessadas, numa base volunt&aacute;ria, sendo esta a palavra-chave. Quando uma empresa tem pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o, emite menos CO<sub>2</sub>, ou paga de forma justa aos seus fornecedores, quando recusa cadeias de produ&ccedil;&atilde;o onde existe trabalho infantil, ou quando promove pol&iacute;ticas salariais que reduzem a desigualdade, &eacute; porque acredita que &eacute; assim que deve agir. Este conceito de RSC remonta ao final do s&eacute;culo XIX, estando associado ao que &eacute; habitualmente designado de filantropia de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; (Tirole, 2016) e envolve tr&ecirc;s linhas amplas, n&atilde;o-mutuamente exclusivas: uma vis&atilde;o sustent&aacute;vel, filantropia delegada e filantropia empresarial. No contexto espec&iacute;fico da comunica&ccedil;&atilde;o corporativa, autores como Argenti (2007) falam de RSC, compreendendo o papel dos departamentos de comunica&ccedil;&atilde;o como promotores e &ldquo;rep&oacute;rteres&rdquo; da a&ccedil;&atilde;o empresarial respons&aacute;vel, destacando a tr&iacute;ade reputa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e RSC. Precursores de muito do que de melhor se escreveu em rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, j&aacute; em 1995, White e Mazur escreveram sobre a import&acirc;ncia das RP no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias; rela&ccedil;&otilde;es que pressupunham o desenvolvimento de parcerias mutuamente ben&eacute;ficas entre organiza&ccedil;&otilde;es e a sua envolvente numa perspetiva de longo prazo (White &amp; Mazur, 1995).</p>     <p>Prout (1997) enquadra igualmente as quest&otilde;es da RSC no campo das rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, que coincide tamb&eacute;m com a ideia recentemente defendida por autores como Wilcox, Cameron e Xifra (2012). Note-se, no entanto, que mesmo que os autores utilizem os conceitos de &ldquo;filantropia corporativa&rdquo; e &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es ambientais&rdquo;, estes n&atilde;o os utilizam exatamente como n&oacute;s os imaginar&iacute;amos, ou seja, com uma dimens&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es prof&iacute;cuas e igualit&aacute;rias entre todos os envolvidos. De salientar ainda a inclus&atilde;o de outros conceitos bastante comuns quando falamos de comunica&ccedil;&atilde;o e RSC, nomeadamente o de reputa&ccedil;&atilde;o (Stangis &amp; Smith, 2017) ou de comunica&ccedil;&atilde;o de crise (Herzig &amp; Kuhn, 2017; Whelan, 2017). Numa perspetiva mais pr&oacute;xima do que podemos chamar da Escola Africana e privilegiando no&ccedil;&otilde;es como a de investimento social, autores como Skinner ou Lessen (Skinner, Essen, Mersham &amp; Motau, 2007) n&atilde;o podem ser negligenciados especialmente por permitirem tamb&eacute;m a reconfigura&ccedil;&atilde;o adequada de outras disciplinas como a das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (Eir&oacute;-Gomes &amp; Louren&ccedil;o, 2009; Louren&ccedil;o, 2009). Nos &uacute;ltimos anos, parecem estar a surgir algumas tend&ecirc;ncias neste &acirc;mbito nas quais se procura criar novos conceitos e novas &aacute;reas de especializa&ccedil;&atilde;o. Alguns autores e profissionais podem entender o conceito de &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o de RSC&rdquo; como uma nova &aacute;rea nas rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas/comunica&ccedil;&atilde;o corporativa, o que pode ser visto apenas como uma a&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas gerais de RSC e da comunica&ccedil;&atilde;o institucional, com fun&ccedil;&otilde;es meramente operacionais, indo contra a ideia de uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica e constitutiva das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e da comunica&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o (Dozier, 1992; Steyn &amp; Puth, 2000). Como Steyn e Puth (2000) afirmam, esse papel consiste em &ldquo;monitorizar os desenvolvimentos ambientais relevantes e antecipar as suas consequ&ecirc;ncias para as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias da organiza&ccedil;&atilde;o, especialmente no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com as partes interessadas&rdquo; (p. 20).</p>     <p>Parece que a fun&ccedil;&atilde;o de RP continua associada a per&iacute;odos menos prof&iacute;cuos da sua hist&oacute;ria. Nunca como nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas os conceitos de <i>greenwashing</i> ou de <i>window-dressing</i> foram t&atilde;o utilizados para fazer refer&ecirc;ncia &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o respeitaram tudo o que se esperava delas e deveriam configurar suas pr&aacute;ticas de RSC: pr&aacute;ticas laborais, respeito pelos direitos humanos ou &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. S&atilde;o comuns entre os cidad&atilde;os express&otilde;es como as de &ldquo;&eacute; apenas RP&rdquo;, ou &ldquo;s&atilde;o manobras de RP&rdquo; para rotular as pr&aacute;ticas de RSC como sendo relatadas em meios de comunica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prios ou atrav&eacute;s de publicidade. Todas estas relevantes quest&otilde;es foram consideradas para enquadrar a presente investiga&ccedil;&atilde;o, uma vez que muito pouco se sabe sobre como as empresas p&uacute;blicas e privadas em Portugal lidam n&atilde;o s&oacute; com as quest&otilde;es da RSC, mas tamb&eacute;m sobre o papel da comunica&ccedil;&atilde;o na promo&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento ou comunica&ccedil;&atilde;o das suas atividades neste &acirc;mbito. Um aspeto n&atilde;o menos importante &eacute; precisamente a falta de confian&ccedil;a tanto nas organiza&ccedil;&otilde;es do setor privado como do setor p&uacute;blico, que parece estar um pouco difusa em todo o mundo, bem como a forma como essa falta de confian&ccedil;a est&aacute; a afetar o modo como os profissionais de RP s&atilde;o vistos e o seu trabalho compreendido nas mais diversas organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><b>Desenho da investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>No &acirc;mbito de uma vis&atilde;o pragm&aacute;tica do mundo, foi desenvolvida uma abordagem explicativa sequencial de m&eacute;todos mistos. A abordagem sequencial explicativa &eacute; um dos tr&ecirc;s tipos de m&eacute;todos mistos propostos por Creswell (Creswell, 2014; Creswell &amp; Creswell, 2018) concomitantemente com o convergente e o sequencial explorat&oacute;rio. No caso do desenho dos m&eacute;todos mistos, os dados qualitativos e quantitativos s&atilde;o tratados em paralelo e comparados para ver se os resultados se confirmam ou se refutam mutuamente, enquanto no desenho explorat&oacute;rio a recolha e an&aacute;lise de dados quantitativos segue a fase qualitativa, tendo em vista uma poss&iacute;vel generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados. No caso da explica&ccedil;&atilde;o sequencial, as conclus&otilde;es qualitativas ajudam a explicar os resultados quantitativos e proporcionam uma compreens&atilde;o profundada da situa&ccedil;&atilde;o sob investiga&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; um desenho de investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvido em duas fases que se caracterizam por uma fase inicial quantitativa de recolha e an&aacute;lise de dados, seguida por uma fase de recolha e an&aacute;lise de dados qualitativa. Se &eacute; verdade que os primeiros resultados ajudam a enquadrar o tipo de perguntas qualitativas que devem ser realizadas aos participantes, &eacute; importante notar que um dos aspetos mais relevantes deste tipo de inqu&eacute;rito &eacute; que os resultados qualitativos ajudam a confirmar e explicar os dados encontrados durante a fase quantitativa. </p>     <p>Nesta investiga&ccedil;&atilde;o, em primeiro lugar foi enviado no in&iacute;cio de outubro de 2018 um question&aacute;rio online &agrave;s 158 organiza&ccedil;&otilde;es associadas do Grace. O email foi endere&ccedil;ado ao respons&aacute;vel do departamento que gere as quest&otilde;es relacionadas com a &aacute;rea de RSC. O mesmo convite foi enviado pelo menos tr&ecirc;s vezes por <i>email</i> e, em novembro, foram realizados tr&ecirc;s <i>follow ups</i> telef&oacute;nicos para aqueles que n&atilde;o responderam positiva ou negativamente. Apenas cinco das organiza&ccedil;&otilde;es contactadas recusaram explicitamente colaborar na investiga&ccedil;&atilde;o. Com exce&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es que se focavam na caracteriza&ccedil;&atilde;o institucional da organiza&ccedil;&atilde;o, que eram abertas, todas as outras eram fechadas (perguntas de resposta selecionada). Os investigadores procuraram garantir no momento de constru&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio que as respostas fossem mutuamente exclusivas, exceto nas situa&ccedil;&otilde;es de escolha m&uacute;ltipla, bem como que estas fossem claras, curtas e de f&aacute;cil compreens&atilde;o. As quest&otilde;es foram organizadas em seis grupos, abrangendo seis &aacute;reas principais, de acordo com as quest&otilde;es e sub-quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>De seguida foi aplicado um estudo piloto com o objetivo de testar os instrumentos com um pequeno grupo de volunt&aacute;rios, tendo todas as corre&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias sido introduzidas. A carta de apresenta&ccedil;&atilde;o com a explica&ccedil;&atilde;o do estudo, bem como as instru&ccedil;&otilde;es para a sua realiza&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m foi testada. Posteriormente, foi desenvolvida uma an&aacute;lise quantitativa do conte&uacute;do dos 43 inqu&eacute;ritos recebidos. Uma vez que nem todos os que responderam ao primeiro question&aacute;rio estavam dispon&iacute;veis para participar na segunda fase do estudo, uma nova an&aacute;lise foi realizada utilizando os dados de 27 das 43 organiza&ccedil;&otilde;es que inicialmente colaboraram no estudo.</p>     <p>Ap&oacute;s a rece&ccedil;&atilde;o dos inqu&eacute;ritos, todos os inquiridos foram contactados primeiro por telefone e depois por email para serem entrevistados. Em janeiro de 2019, todos aqueles que n&atilde;o haviam respondido (positiva ou negativamente) foram contactados pelo menos tr&ecirc;s vezes por telefone e email antes de considerar que essas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o estavam dispon&iacute;veis para serem entrevistadas. Entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, foram realizadas entrevistas presenciais com os respons&aacute;veis pela RSC/CC &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que aceitaram o convite para serem entrevistadas. </p>     <p>As entrevistas, conduzidas de acordo com um gui&atilde;o semi-estruturado, foram o instrumento de pesquisa escolhido para a segunda fase por serem uma forma &uacute;til de recolha de dados que permite explorar as perspetivas e perce&ccedil;&otilde;es dos entrevistados (Daymon &amp; Holloway, 2002). Os investigadores utilizaram este tipo de m&eacute;todo de recolha de dados precisamente para obter informa&ccedil;&atilde;o sobre todos os aspetos relacionados com o trabalho de RSC/CC e rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (comunica&ccedil;&atilde;o) nestas organiza&ccedil;&otilde;es de uma forma aprofundada. Os entrevistados foram convidados a definir a RSC e a CC de acordo com a sua vis&atilde;o e a refletir como os conceitos s&atilde;oentendidos nas suas organiza&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, foi perguntado aos participantes qual dos conceitos em geral &eacute;utilizado para representar melhor as pr&aacute;ticas da organiza&ccedil;&atilde;o. Foi dado um destaque especial ao modo de compreens&atilde;o de como esses atores entendiam o papel dos profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o, as suas compet&ecirc;ncias e as suas capacidades, bem como os processos de tomada de decis&atilde;o que foram conduzidos em rela&ccedil;&atilde;o ao desenho das pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas de RSC/CC e o papel espec&iacute;fico dos especialistas em comunica&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento e (ou) comunica&ccedil;&atilde;o das referidas pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas. </p>     <p>Os investigadores optaram por este tipo de m&eacute;todo de recolha de dados precisamente para reunir informa&ccedil;&otilde;es sobre todos os aspetos mencionados anteriormente. Foi realizado um total de 27 entrevistas, cada uma com dura&ccedil;&atilde;o entre trinta e cento e vinte minutos, situando-se a sua maioria em uma hora de dura&ccedil;&atilde;o. Em geral, apenas uma pessoa foi entrevistada por organiza&ccedil;&atilde;o, mas em dois casos, embora o entrevistado principal fosse o coordenador da RSC/CC, outra pessoa esteve presente durante a entrevista. Na reflex&atilde;o sobre os diferentes assuntos, as organiza&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o referidas utilizando n&uacute;meros, sendo que nos poucos casos em que existem dois respondentes n&atilde;o foi realizada uma distin&ccedil;&atilde;o entre os mesmos. Todas as entrevistas foram transcritas na &iacute;ntegra. Somente no final de todas as entrevistas &eacute; que os investigadores leram as transcri&ccedil;&otilde;es e obtiveram o sentido dos dados recolhidos, bem como refletiram sobre o seu significado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos principais objetivos da an&aacute;lise de dados nas pesquisas qualitativas &eacute; reduzir o volume da informa&ccedil;&atilde;o e agregar os dados em determinadas categorias, de acordo com os objetivos de investiga&ccedil;&atilde;o, para assim conseguir comunicar a ess&ecirc;ncia do que os dados revelaram. Deste modo, foi desenvolvida uma an&aacute;lise qualitativa de conte&uacute;do a partir da defini&ccedil;&atilde;o de um quadro de codifica&ccedil;&atilde;o. Este quadro de codifica&ccedil;&atilde;o, ou tamb&eacute;m designado de quadro de classifica&ccedil;&atilde;o (Seidman, 2013) &eacute; uma forma de estruturar o material em an&aacute;lise. Nesta perspetiva recorreu-se &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de categorias, tamb&eacute;m chamadas dimens&otilde;es, especificando os aspetos mais relevantes, e tamb&eacute;m as subcategorias para cada categoria principal, detalhando temas e significados relacionados a cada uma das principais dimens&otilde;es (Schreier, 2012). As principais categorias coincidem com os aspetos em que a an&aacute;lise se foca. As subcategorias, por sua vez, refletem outros detalhes das mesmas. As categorias foram definidas de forma <i>concept-driven</i>, com base tanto na revis&atilde;o da literatura como numa an&aacute;lise documental flutuante anterior, podendo ainda expressar os interesses dos investigadores. Como afirma Seideman (2013), ao reduzir os dados, os investigadores come&ccedil;am a analisar, interpretar e dar sentido aos mesmos. No entanto, as subcategorias s&oacute; foram definidas depois de lido todo o material transcrito na linha do que &eacute; geralmente designado como <i>data-driven</i>. A estrat&eacute;gia baseada em dados &eacute; indutiva, uma vez que se geram as subcategorias de acordo com a informa&ccedil;&atilde;o presente no material em an&aacute;lise. </p>     <p>A estrat&eacute;gia <i>concept-driven</i> &eacute; em geral entendida como sendo um processo dedutivo onde as categorias s&atilde;o definidas de acordo com a revis&atilde;o anterior da literatura e as quest&otilde;es de pesquisa que, em certo sentido, expressam os prop&oacute;sitos da investiga&ccedil;&atilde;o. Neste tipo de trabalho, e para usar as palavras de Schreier (2012), &eacute; muitas vezes &uacute;til usar simultaneamente as categorias de <i>concept-driven</i> e <i>data-driven</i>, tendo sido precisamente essa a decis&atilde;o dos investigadores. Em cada uma das principais dimens&otilde;es e quando relevante, algumas subcategorias foram definidas num processo indutivo, ou seja, emergiram do objeto. </p>     <p>Entende-se geralmente que se o objetivo da investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; descrever de forma precisa e abrangente o conte&uacute;do das entrevistas, como no presente caso, esta &eacute; uma estrat&eacute;gia adequada (Schreier, 2012). Como Salda&ntilde;a (2016) defende, a codifica&ccedil;&atilde;o descritiva, &ldquo;atribui etiquetas aos dados para resumir em uma palavra ou frase curta (&hellip;) o tema b&aacute;sico de uma passagem de dados qualitativos&rdquo; (p. 292). Todo o material foi categorizado &agrave; m&atilde;o, seguindo as indica&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas para este tipo de an&aacute;lise de dados qualitativos. Talvez valha a pena lembrar que, na an&aacute;lise qualitativa, o mais relevante n&atilde;o &eacute; contar ocorr&ecirc;ncias de certas palavras ou frases, mas reorganizar os dados em categorias ou t&oacute;picos (Maxwell, 2013), como alguns autores preferem cham&aacute;-los, que permitem aos investigadores separar a relev&acirc;ncia de um determinado t&oacute;pico face aos outros. </p>     <p>Quando se fala de validade da investiga&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio de uma perspetiva pragmatista e, em especial, na &aacute;rea da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, as quest&otilde;es n&atilde;o podem ser compreendidas exatamente da forma como s&atilde;o nas pesquisas exclusivamente quantitativas, ou como s&atilde;o nas abordagens construtivistas, que negam inclusivamente a possibilidade da pesquisa de car&aacute;cter qualitativo. Na esteira de Maxwell (2013), o conceito &eacute; utilizado aqui na sua interpreta&ccedil;&atilde;o mais comum para se referir &agrave; exatid&atilde;o das explica&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es oferecidas. Dois aspetos principais s&atilde;o importantes e foram abordados: poss&iacute;vel enviesamento dos investigadores e a hipot&eacute;tica contamina&ccedil;&atilde;o dos entrevistados, pelo que todas as perguntas diretivas foram evitadas. Mesmo que inevit&aacute;vel, os investigadores estavam pelo menos conscientes de ambos os problemas mencionados. Para reduzir a subjetividade, as transcri&ccedil;&otilde;es das entrevistas foram realizadas por uma terceira pessoa. A utiliza&ccedil;&atilde;o da abordagem dos m&eacute;todos mistos, bem como uma avalia&ccedil;&atilde;o dos documentos p&uacute;blicos, a fim de confirmar os dados e obter uma melhor vis&atilde;o de todo o contexto, foram tamb&eacute;m formas de reduzir as amea&ccedil;as &agrave; validade dos dados.</p>     <p>Na presente investiga&ccedil;&atilde;o, considerando a an&aacute;lise qualitativa dos dados, foram desenvolvidas seis categorias ou dimens&otilde;es principais tendo por base, como j&aacute; referido, uma estrat&eacute;gia <i>concept-driven</i>: </p>     <blockquote>       <p>1. responsabilidade social empresarial (RSC)/cidadania corporativa (CC) (conceptualiza&ccedil;&otilde;es) &ndash; todas as palavras ou frases que denotam refer&ecirc;ncias a uma defini&ccedil;&atilde;o ou explica&ccedil;&atilde;o dos conceitos; </p>       <p>2. raz&otilde;es e &aacute;reas priorit&aacute;rias &ndash; nesta categoria foram consideradas todas as mensagens manifestas que se relacionam com os motivos ou com as principais &aacute;reas de a&ccedil;&atilde;o. Devido &agrave; relev&acirc;ncia das quest&otilde;es e de acordo com os dados, foram abertas duas subcategorias: raz&otilde;es (motiva&ccedil;&otilde;es) e &aacute;reas de a&ccedil;&atilde;o (prioridades);</p>       <p>3. p&uacute;blicos &ndash; foram considerados todos os p&uacute;blicos que foram referidos como estando envolvidos na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de RSC ou de atividades de RSC, bem como o principal destinat&aacute;rio das a&ccedil;&otilde;es;</p>       <p>4. gest&atilde;o da RSC &ndash; nesta categoria foram considerados todos os aspetos t&eacute;cnicos ou de planeamento estrat&eacute;gico das pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas de RSC &ndash; planifica&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o, or&ccedil;amenta&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>5. comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; nesta categoria foram consideradas todas as quest&otilde;es relacionadas com o papel da comunica&ccedil;&atilde;o/RP, de acordo com os tr&ecirc;s n&iacute;veis propostos por diferentes autores (Dozier, 1992; Steyn &amp; Puth, 2000). Foram abertas tr&ecirc;s subcategorias: estrat&eacute;gico, gest&atilde;o, t&eacute;cnico; </p>       <p>6. RSC: o caminho a seguir &ndash; nesta dimens&atilde;o consideramos todos os dados associados a perspetivas e conceitos futuros, vis&otilde;es, desafios e tend&ecirc;ncias.</p> </blockquote>     <p><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos resultados</b></p>     <p>As seis categorias anteriormente apresentadas ser&atilde;o utilizadas para guiar a apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos resultados. Adicionalmente, &eacute; importante referir que, embora a an&aacute;lise dos dados qualitativos e quantitativos tenha sido realizada separadamente, as conclus&otilde;es ser&atilde;o aqui apresentadas em conjunto.</p>     <p>Quanto aos conceitos utilizados para fazer refer&ecirc;ncia ao compromisso com a sustentabilidade, existe uma ampla utiliza&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade social corporativa entre os associados do Grace. Apenas em poucas organiza&ccedil;&otilde;es em estudo foi identificado um uso intencional do conceito &ldquo;cidadania corporativa&rdquo;. No entanto, &eacute; curioso que o Grace, associa&ccedil;&atilde;o da qual todas as organiza&ccedil;&otilde;es fazem parte, se posicione como um &ldquo;grupo de reflex&atilde;o e apoio &agrave; cidadania empresarial&rdquo;<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>.</p>     <p>Em termos da defini&ccedil;&atilde;o conceptual da RSC apresentada pelas organiza&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o foi poss&iacute;vel identificar uma resposta un&acirc;nime. Em todas as defini&ccedil;&otilde;es apresentadas os investigadores conseguiram fazer a distin&ccedil;&atilde;o entre duas quest&otilde;es: em primeiro lugar, o objetivo/prop&oacute;sito/inten&ccedil;&atilde;o da RSC e, em segundo lugar, o foco/conte&uacute;do da RSC. Na primeira quest&atilde;o, foram consideradas as finalidades da RSC. Os objetivos da responsabilidade social das organiza&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise foram descritos de formas bastante diferentes, desde a defini&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica, segundo o Livro Verde da Comiss&atilde;o Europeia (2001, p. 7), de &ldquo;integra&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria de preocupa&ccedil;&otilde;es sociais e ambientais das empresas nas suas atividades empresariais e nas suas rela&ccedil;&otilde;es com as partes interessadas&rdquo;, at&eacute; outras inten&ccedil;&otilde;es diferentes. Com a mesma relev&acirc;ncia que a &ldquo;integra&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria das preocupa&ccedil;&otilde;es de RSC&rdquo;, surgiu o objetivo &ldquo;contribuir&rdquo;. Posteriormente, os objetivos mais frequentemente referidos foram &ldquo;responsabilidade&rdquo;, &ldquo;papel social&rdquo; e &ldquo;reduzir o impacto&rdquo;. Em seguida, duas organiza&ccedil;&otilde;es apresentaram os investimentos de responsabilidade social corporativa como um &ldquo;compromisso&rdquo;. Por &uacute;ltimo, e sendo referidos apenas uma vez, surgem objetivos como &ldquo;preocupa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;pol&iacute;tica&rdquo;, &ldquo;dever&rdquo;, &ldquo;integra&ccedil;&atilde;o de requisitos&rdquo;, &ldquo;m&eacute;todo de Gest&atilde;o&rdquo;. Por fim, h&aacute; um conceito que &eacute; usado por algumas organiza&ccedil;&otilde;es como um objetivo e, simultaneamente, por outras como um foco, o de &ldquo;sustentabilidade&rdquo;. </p>     <p>Durante o question&aacute;rio, foi ainda solicitado aos entrevistados que indicassem uma palavra que imediatamente relacionassem &agrave; responsabilidade social corporativa. Foram introduzidas 43palavras, das quais 13 foram utilizadas mais de uma vez e apenas essas foram analisadas (<a href="/img/revistas/csoc/vspe2020/vspe2020a06f1.jpg">Figura 1</a>).</p>     
<p>Recorrendo a uma nuvem de conceitos para interpretar os dados recolhidos neste ponto, uma palavra surge em destaque: &ldquo;sustentabilidade&rdquo;. De facto, este conceito parece estar a assumir relev&acirc;ncia quando se quer fazer refer&ecirc;ncia aos investimentos em RSC. Posteriormente, com a mesma relev&acirc;ncia surgiram as palavras &ldquo;compromisso&rdquo; e &ldquo;impacto&rdquo;. Interessante &eacute; tamb&eacute;m o facto de a palavra &ldquo;cidadania&rdquo; ter aparecido em posi&ccedil;&atilde;o de destaque, bem como a palavra &ldquo;responsabilidade&rdquo;.</p>     <p>Quando questionados sobre quais s&atilde;o as raz&otilde;es para investir em RSC, a maioria das organiza&ccedil;&otilde;es apontou a &ldquo;reputa&ccedil;&atilde;o&rdquo; como a principal causa para promover a&ccedil;&otilde;es de RSC. Posteriormente, a op&ccedil;&atilde;o mais escolhida foi a &ldquo;procura dos consumidores&rdquo;. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, podemos dizer que esta op&ccedil;&atilde;o expressa igualmente uma preocupa&ccedil;&atilde;o diretamente relacionada com a perce&ccedil;&atilde;o dos <i>stakeholders</i>, refor&ccedil;ando a import&acirc;ncia da &ldquo;reputa&ccedil;&atilde;o&rdquo; neste contexto. </p>     <p>Neste ponto, pode ainda ser interessante partilhar algumas transcri&ccedil;&otilde;es das entrevistas realizadas, que devido ao n&uacute;mero de vezes que foram repetidas se tornaram relevantes. Como dito anteriormente, decidimos manter as cita&ccedil;&otilde;es an&oacute;nimas, uma vez que o seu objetivo &eacute; apenas demonstrar tend&ecirc;ncias. Uma organiza&ccedil;&atilde;o afirmou: &ldquo;escolhemos os projetos n&atilde;o s&oacute; pela sua import&acirc;ncia, mas tamb&eacute;m pelo retorno sobre o investimento que podemos ter para a organiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 1). Da mesma forma, outra organiza&ccedil;&atilde;o afirmou: &ldquo;cada vez mais, as exig&ecirc;ncias de nossos clientes v&atilde;o nesse sentido. (&hellip;) Por exemplo, pass&aacute;mos a ter pedidos relacionados com a produ&ccedil;&atilde;o nacional. (&hellip;) Claramente, os nossos objetivos econ&oacute;micos est&atilde;o alinhados com os nossos objetivos ambientais e de sustentabilidade&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O interesse dos investidores parece contribuir de forma semelhante para a decis&atilde;o de promover a&ccedil;&otilde;es de RSC. Finalmente, algumas organiza&ccedil;&otilde;es apresentaram outras raz&otilde;es para justificar as suas decis&otilde;es em mat&eacute;ria de RSC, sendo as respostas mais frequentes &ldquo;desenvolvimento comunit&aacute;rio e da sociedade&rdquo; e &ldquo;motiva&ccedil;&atilde;o dos colaboradores&rdquo;.</p>     <p>Relevante &eacute; o facto de que, apesar de os incentivos do Governo terem sido a raz&atilde;o menos referida (duas vezes), 17 das 27 organiza&ccedil;&otilde;es em estudo responderam &ldquo;sim&rdquo; quando questionadas se recorrem &agrave; Lei do Mecenato.</p>     <p>No que diz respeito &agrave; segunda subcategoria desta dimens&atilde;o &ndash; conte&uacute;do da RSC &ndash;, as duas preocupa&ccedil;&otilde;es mais apontadas s&atilde;o &ldquo;iniciativas de voluntariado&rdquo; e &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias&rdquo;, sendo que podemos concluir que as iniciativas sociais surgem como a primeira prefer&ecirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es inquiridas. A terceira op&ccedil;&atilde;o mais referida foi, com a mesma frequ&ecirc;ncia, &ldquo;ambiente&rdquo; e &ldquo;diversidade&rdquo;. Com um n&uacute;mero de respostas superior ao esperado, surgiu o work-life balance, mostrando que este tipo de preocupa&ccedil;&atilde;o surge como prioridade no &acirc;mbito da RSC nas organiza&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o &eacute; de surpreender o facto de a &ldquo;equidade salarial&rdquo; ser a menos referida, mostrando que h&aacute; ainda um longo caminho a percorrer relativamente a esta quest&atilde;o relevante, mas ainda n&atilde;o seriamente trabalhada.</p>     <p>Na categoria n&uacute;mero tr&ecirc;s, procurou-se aferir quais os <i>stakeholders</i> envolvidos nas iniciativas de RSC. As organiza&ccedil;&otilde;es em estudo referiram com a mesma frequ&ecirc;ncia o p&uacute;blico &ldquo;comunidade&rdquo; e &ldquo;colaboradores&rdquo;. Em seguida, &ldquo;parceiros&rdquo; surgiu como o terceiro p&uacute;blico mais frequentemente introduzido. Com menor preval&ecirc;ncia surgiram os &ldquo;clientes&rdquo; e &ldquo;fornecedores&rdquo; e, no final, os &ldquo;investidores&rdquo;.</p>     <p>Vejamos agora as quest&otilde;es relacionadas com a gest&atilde;o da responsabilidade social corporativa, nomeadamente: planeamento, implementa&ccedil;&atilde;o, or&ccedil;amenta&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da RSC. A maioria das organiza&ccedil;&otilde;es inquiridas (20 de 27) afirmou ter um plano estrat&eacute;gico de responsabilidade social corporativa. Da mesma forma, quando questionados se as quest&otilde;es de RSC fazem parte do plano estrat&eacute;gico global da organiza&ccedil;&atilde;o, a grande maioria respondeu &ldquo;sim&rdquo;(24 de 27). Adicionalmente, os investigadores procuraram avaliar se essa fun&ccedil;&atilde;o poderia ser gerida em <i>outsourcing</i>, total ou parcialmente, como complemento ao trabalho realizado internamente. Aqui os resultados mostraram que as organiza&ccedil;&otilde;es em estudo tendem a n&atilde;o trabalhar num modelo de <i>outsourcing</i> no que diz respeito &agrave; RSC, apenas nove das 27 organiza&ccedil;&otilde;es responderam &rdquo;sim&rdquo;.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da RSC, a maioria das organiza&ccedil;&otilde;es declarou ter iniciativas regulares (23 de 27). Al&eacute;m disso, foi perguntado &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es se existia um or&ccedil;amento espec&iacute;fico para as iniciativas de RSC. Os resultados mostraram que este &eacute; um t&oacute;pico sens&iacute;vel para os respondentes, evitando partilhar detalhes sobre o mesmo. Metade das organiza&ccedil;&otilde;es dizem n&atilde;o ter um or&ccedil;amento espec&iacute;fico de RSC (14 em 27), portanto, os custos com iniciativas de RSC s&atilde;o assumidos pelos departamentos de <i>m</i>arketing, comunica&ccedil;&atilde;o corporativa, seguran&ccedil;a e ambiente.</p>     <p>Ainda que o &ldquo;impacto&rdquo; tenha emergido como uma das palavras mais citadas pelas organiza&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; RSC, as entrevistas presenciais foram &uacute;teis para concluir que ainda h&aacute; espa&ccedil;o para melhorias em termos de avalia&ccedil;&atilde;o de impacto da RSC. Em poucas organiza&ccedil;&otilde;es foi poss&iacute;vel encontrar esfor&ccedil;os intencionais e processos formais para avaliar o impacto dos investimentos em RSC. Existe uma no&ccedil;&atilde;o clara entre as organiza&ccedil;&otilde;es de que &eacute; necess&aacute;ria uma abordagem diferente: &ldquo;at&eacute; agora n&atilde;o us&aacute;vamos m&eacute;tricas de avalia&ccedil;&atilde;o. Ainda temos muito a evoluir em termos da avalia&ccedil;&atilde;o de impacto da RSC (&hellip;). &Eacute; uma lacuna que temos&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 1); &ldquo;n&atilde;o existe[avalia&ccedil;&atilde;o de impacto], mas o nosso objetivo &eacute; implement&aacute;-la a partir de agora&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 3).</p>     <p>O papel da comunica&ccedil;&atilde;o nos processos de RSC tamb&eacute;m foi explorado neste estudo. Num primeiro momento, as organiza&ccedil;&otilde;es foram questionadas sobre como comunicar as iniciativas de RSC. A maioria dos entrevistados declarou usar o email e o site para comunicar a RSC. Em seguida, a intranet, eventos, redes sociais, newsletter e publica&ccedil;&otilde;es internas foram referidas como instrumentos relevantes para promover estas iniciativas. Os resultados apontam para um maior investimento em instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o interna no que diz respeito &agrave; RSC. Al&eacute;m disso, menos de metade das organiza&ccedil;&otilde;es investe em rela&ccedil;&otilde;es com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e apenas tr&ecirc;s utilizam campanhas publicit&aacute;rias para comunicar quest&otilde;es de RSC. Finalmente, e algo tamb&eacute;m surpreendente, apenas uma organiza&ccedil;&atilde;o entende o relat&oacute;rio de sustentabilidade como uma forma de comunicar a RSC. </p>     <p>Neste &acirc;mbito, menos de metade das organiza&ccedil;&otilde;es assume ter relat&oacute;rio de RSC (12 de 27). Esta conclus&atilde;o refor&ccedil;a a necessidade de um novo entendimento e mais investimentos para desenvolver relat&oacute;rios de sustentabilidade.</p>     <p>Com o objetivo de ter uma compreens&atilde;o mais profunda sobre os resultados quantitativos e compreender o papel da comunica&ccedil;&atilde;o na RSC, durante as entrevistas os investigadores focaram este assunto em particular. Tal como as quest&otilde;es da or&ccedil;amenta&ccedil;&atilde;o, a comunica&ccedil;&atilde;o parece ser uma quest&atilde;o sens&iacute;vel para os entrevistados. Algumas organiza&ccedil;&otilde;es afirmaram inclusive que os esfor&ccedil;os de RSC n&atilde;o devem ser comunicados: &ldquo;apenas divulgamos internamente. N&atilde;o queremos que as pessoas vejam os investimentos em RSC como gest&atilde;o de marcas&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 4). Por outro lado, em organiza&ccedil;&otilde;es com mais de 10 anos de investimento em RSC, os entrevistados afirmaram: &ldquo;vamos come&ccedil;ar a comunicar este ano. A nossa prioridade &eacute; melhorar a comunica&ccedil;&atilde;o com os nossos colaboradores&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 5). Outros afirmaram: &ldquo;internamente, divulgamos muito a RSC. (&hellip;) Pretendemos promover as iniciativas entre os colaboradores. Externamente, n&atilde;o investimos muito, n&atilde;o faz sentido para n&oacute;s promov&ecirc;-lo&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 3) ou &ldquo;s&oacute; comunicamos iniciativas de RSC se for relevante para os parceiros, nunca para nos promover&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 6).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, o papel dos profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o na maioria das organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; instrumental/t&eacute;cnico, relacionado com a implementa&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o da RSC. A an&aacute;lise qualitativa foi importante para validar essa conclus&atilde;o: &ldquo;o papel da comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; &eacute; divulgar, mas tamb&eacute;m implementar as iniciativas de RSC&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 1); &ldquo;O departamento de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel pela divulga&ccedil;&atilde;o. (&hellip;) Em termos de gest&atilde;o de projetos de RSC, a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; envolvida. Temos um departamento espec&iacute;fico de RSC&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 4); como afirmou um dos entrevistados: &ldquo;as iniciativas de RSC s&atilde;o um produto final entregue ao departamento de comunica&ccedil;&atilde;o para divulga&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; papel estrat&eacute;gico para a comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Organiza&ccedil;&atilde;o 7).</p>     <p>Por fim, na dimens&atilde;o n&uacute;mero seis, foi contemplado o futuro da RSC. Entre as organiza&ccedil;&otilde;es em estudo, a quest&atilde;o da RSC parece enfrentar um momento de reorganiza&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o. Por um lado, existe uma vontade de repensar a forma de compreender e gerir a RSC. A no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;sustentabilidade&rdquo; tende a ser usada como um conceito guarda-chuva para fazer refer&ecirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; &agrave;s quest&otilde;es ambientais, mas tamb&eacute;m sociais e econ&oacute;micas. Por outro lado, h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a avalia&ccedil;&atilde;o e os relat&oacute;rios de RSC ou relat&oacute;rios de sustentabilidade.</p>     <p>A quest&atilde;o dos processos de certifica&ccedil;&atilde;o surgiu, n&atilde;o somente associada &agrave; bem conhecida ISO 26000<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, mas particularmente &agrave; recente certifica&ccedil;&atilde;o da concilia&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia e trabalho. Como dito anteriormente, o equil&iacute;brio entre a vida profissional e familiar foi apontado como uma quest&atilde;o importante em termos de RSC e as organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o a investir em processos para reconhec&ecirc;-lo. O sector privado em Portugal parece ser incentivado por uma iniciativa governamental &ndash; o &ldquo;Programa Tr&ecirc;s em Linha&rdquo; &ndash; que visa aumentar o equil&iacute;brio entre a vida profissional, pessoal e familiar.</p>     <p>As quest&otilde;es ambientais surgiram como uma prioridade para as organiza&ccedil;&otilde;es. &Eacute; inquestion&aacute;vel que o mundo est&aacute; a enfrentar enormes desafios devido &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e as organiza&ccedil;&otilde;es querem contribuir para minimiz&aacute;-los. Nesta investiga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi identificado um compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS)<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a inten&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es de relacionar os objetivos da RSC com as 17 metas globais.</p>     <p>Se no in&iacute;cio os esfor&ccedil;os de RSC foram vistos como uma forma de melhorar externamente a reputa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es, hoje &eacute; entendido como algo que deve ser aut&ecirc;ntico. Como afirmaram os entrevistados: </p>     <blockquote>       <p>hoje em dia, h&aacute; uma no&ccedil;&atilde;o clara de que a RSC deve ser algo interno e externo. Por raz&otilde;es de credibilidade, n&atilde;o faz sentido investir na comunidade e n&atilde;o ter interesse em investir nos colaboradores. (&hellip;) Tem de ser algo coerente. N&atilde;o vale a pena investir em RSC externa se n&atilde;o se investir em RSC interna. (Organiza&ccedil;&atilde;o 4)</p> </blockquote>     <p>Finalmente, a RSC est&aacute; a tornar-se um assunto partilhado entre diferentes departamentos. &Eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o para todas as organiza&ccedil;&otilde;es em estudo, mas o desejo de criar um departamento de RSC parece n&atilde;o ser uma prioridade. </p>     <p><b>Conclus&otilde;es e implica&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Uma das maiores dificuldades durante esta investiga&ccedil;&atilde;o foi a falta de interesse e disponibilidade das organiza&ccedil;&otilde;es para colaborar no projeto, por princ&iacute;pio, deveria ter sido do seu interesse como membros do Grace. Nesta associa&ccedil;&atilde;o encontramos organiza&ccedil;&otilde;es pertencentes a diferentes sectores de atividade e parece haver grandes diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s que trabalham no sector industrial, que t&ecirc;m, devido a constrangimentos governamentais, abordagens mais estruturadas a todas as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a e ambiente. O mesmo se pode dizer de todos aqueles que pertencem a organiza&ccedil;&otilde;es multinacionais que t&ecirc;m de se guiar por programas internacionais de RSC. Os principais dados recolhidos na fase quantitativa mostraram que a &aacute;rea social (filantr&oacute;pica) surge como a mais relevante em todas as organiza&ccedil;&otilde;es, o que foi amplamente confirmado durante a fase qualitativa, onde os investigadores puderam compreender que o conceito de RSC/CC &eacute; muitas vezes entendido num mero sentido instrumental (Morsing, 2017) e mais ou menos como equivalente ao trabalho volunt&aacute;rio. A abordagem qualitativa permitiu que os investigadores confirmassem esses dados e compreendessem melhor os motivos que congregavam as organiza&ccedil;&otilde;es da associa&ccedil;&atilde;o. O elemento-chave que parece agregar todas estas organiza&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do Grace s&atilde;o os programas de voluntariado empresarial promovidos pela associa&ccedil;&atilde;o anualmente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, foi ainda uma surpresa perceber que o conceito de &ldquo;cidadania corporativa&rdquo; n&atilde;o tem qualquer express&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es portuguesas entrevistadas, mesmo naquelas que pertencem a uma associa&ccedil;&atilde;o que se posiciona como promovendo a reflex&atilde;o sobre a CC. Tamb&eacute;m foi poss&iacute;vel concluir que todas as quest&otilde;es que relacionadas com pol&iacute;ticas de gest&atilde;o de colaboradores, por exemplo, aquelas que tendem a ser categorizadas sob a etiqueta &ldquo;equil&iacute;brio entre vida profissional e familiar&rdquo; parecem estar a dar os primeiros passos. Em certos sectores de atividade onde os trabalhadores tendem a ter menos qualifica&ccedil;&otilde;es e sal&aacute;rios que est&atilde;o de acordo com os valores do sal&aacute;rio m&iacute;nimo nacional, as quest&otilde;es relativas &agrave; RSC expressas pelas organiza&ccedil;&otilde;es tendem a ser misturadas com quest&otilde;es que alguns autores podem considerar como benef&iacute;cios dos trabalhadores.</p>     <p>Talvez o elemento mais inesperado que os investigadores encontraram diga respeito ao grande n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos que pertencem ao Grace, e especialmente ao facto de algumas dessas organiza&ccedil;&otilde;es serem funda&ccedil;&otilde;es que pertencem a grandes organiza&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais. Algumas quest&otilde;es surgem quando confrontados com esta quest&atilde;o espec&iacute;fica: o mercado ainda &eacute; influenciado por Friedman (1970) e o tratamento da RSC como preconizada pelo Pr&eacute;mio Nobel? O objetivo da empresa &eacute; o lucro e se os acionistas s&atilde;o socialmente motivados para investir o seu dinheiro e tempo em institui&ccedil;&otilde;es de caridade como para Friedman, t&atilde;o curiosamente quanto para muitos dos pol&iacute;ticos de esquerda, a responsabilidade social pertence &agrave; esfera governamental (Moon, 2014). N&atilde;o se est&aacute; a defender que as empresas devem substituir o Estado, pois mesmo com todas as suas dificuldades e idiossincrasias, o Estado social &eacute; um elemento-chave na constru&ccedil;&atilde;o da nossa identidade europeia e de que Kott (2017) diz ser entendido pelos outros como um elemento importante da nossa atratividade.</p>     <p>As mensagens corporativas s&atilde;o uma entre muitas vozes que participam hoje em dia nas conversas sobre as empresas CSC/CC (Rasche, Morsing &amp; Moon, 2017), por isso, parecem um pouco datadas algumas das preocupa&ccedil;&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es com o facto de que comunicar alguns dos seus desafios relativos aos funcion&aacute;rios ou ao ambiente pode ser um problema para a sua reputa&ccedil;&atilde;o, ou seja, para o seu bom nome. Talvez ningu&eacute;m tenha conseguido resumir melhor esse dilema do que Verhezen (2015), quando intitulou o seu livro de <i>A vulnerabilidade da reputa&ccedil;&atilde;o corporativa</i>. Mas se &eacute; verdade que a reputa&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo cont&iacute;nuo, tamb&eacute;m &eacute; verdade que as organiza&ccedil;&otilde;es que tendem a ser expressivas, para usar a express&atilde;o <i>wittgensteiniana</i>, e n&atilde;o apenas descritivas de suas pr&aacute;ticas s&atilde;o muito mais bem compreendidas pelos seus <i>stakeholders</i>. Schultz, e Hatch (2000) deixaram este facto bem claro quando destacaram a ideia de que a reputa&ccedil;&atilde;o &eacute; constru&iacute;da com base no qu&atilde;o bem todos os constituintes de uma organiza&ccedil;&atilde;o adquirem o seu significado geral. Infelizmente, este n&atilde;o parece ser o entendimento que as organiza&ccedil;&otilde;es entrevistadas t&ecirc;m em geral sobre o papel dos profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o ou de RP. O principal ponto de vista encontrado nesta pesquisa tende a coincidir com uma vis&atilde;o rotulada por Morsing (2017) como meramente instrumental (informar os <i>stakeholders</i> relevantes sobre as atividades de RSC, numa perspetiva bastante orientada para o mercado) quando se refere a diferentes formas de expressar as preocupa&ccedil;&otilde;es sociais e ambientais das empresas. A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; vista apenas como uma fun&ccedil;&atilde;o de reporte e bastante &uacute;til para seguir as diretrizes dos <i>global reporting indicators</i><sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> e publicar um relat&oacute;rio sobre RSC ou, nas palavras de Herzig e Kuhn (2017), um conjunto de outros r&oacute;tulos para relat&oacute;rios n&atilde;o financeiros. Morsing (2017) considera duas outras fases, a pol&iacute;tica e a da rede. Esta terceira fase &eacute; precisamente aquela que pode ser considerada com uma vis&atilde;o de cidadania corporativa. </p>     <p>A cidadania corporativa n&atilde;o &eacute; aqui entendida em sentido filos&oacute;fico pesado e estrito, mas entendida como um elemento ativo numa perspetiva muito mais centrada na sociedade, onde a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; compreendida como um parceiro, que pretende encontrar as melhores solu&ccedil;&otilde;es para os problemas globais e globalizados. Estamos a pensar na participa&ccedil;&atilde;o das empresas em parcerias, bem como em assumir certos compromissos que podem ser vistos como pol&iacute;ticos, especialmente em sociedades com governos n&atilde;o democr&aacute;ticos. Tamb&eacute;m pode ser importante notar que hoje em dia as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o controlam as implica&ccedil;&otilde;es de todas as suas a&ccedil;&otilde;es ou como as suas a&ccedil;&otilde;es (incluindo a comunica&ccedil;&atilde;o) ser&atilde;o compreendidas por m&uacute;ltiplos <i>stakeholder</i>s em diferentes regi&otilde;es. Apenas um entrevistado assumiu o seu papel em determinar as pol&iacute;ticas tendo em vista melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho ou sendo um pioneiro em mat&eacute;ria de concilia&ccedil;&atilde;o da vida pessoal, familiar e profissional. Parece que, tal como Moon (2014) afirma, &ldquo;existe um elefante na sala da RSC: o papel pol&iacute;tico das organiza&ccedil;&otilde;es est&aacute; habitualmente fora do &acirc;mbito da RSC&rdquo; (p. 133). Parece f&aacute;cil para as organiza&ccedil;&otilde;es entrevistadas assumirem o seu papel social, assumindo-se como atores sociais, a quest&atilde;o de se verem como atores pol&iacute;ticos foi veementemente negada em todas as entrevistas. Pode-se notar o n&uacute;mero de empresas que j&aacute; se envolveram em diferentes a&ccedil;&otilde;es ativistas pol&iacute;ticas, desde os boicotes ao <i>apartheid</i> na &Aacute;frica do Sul ou os casos mais recentes de organiza&ccedil;&otilde;es que solicitaram ao governador do Arizona que vetasse uma lei anti-gay (Moon, 2014).</p>     <p>O que parece ser uma tend&ecirc;ncia &eacute; claramente a relev&acirc;ncia do conceito de &ldquo;sustentabilidade&rdquo; entendido como &ldquo;desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo;, como j&aacute; foi afirmado por diferentes autores (Broom &amp; Sha, 2013; Morsing, 2017). Se h&aacute; dez anos o conceito era entendido numa vertente ambiental, ele tende a estar alinhado com o relat&oacute;rio Brundtland de 1987 como &ldquo;desenvolvimento que responde &agrave;s necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gera&ccedil;&otilde;es futuras de atender &agrave;s suas pr&oacute;prias necessidades&rdquo;<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>. Poder&iacute;amos at&eacute; especular que este poderia ser um conceito para ganhar espa&ccedil;o em detrimento da responsabilidade social corporativa nos pr&oacute;ximos anos, de acordo com as 27 entrevistas realizadas ao longo deste estudo.</p>     <p>O que parece claramente faltar &eacute; a capacidade de monitorizar, avaliar e comunicar os impactos das a&ccedil;&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es. Foi comum perceber que as organiza&ccedil;&otilde;es entrevistadas tendem a avaliar os resultados em termos financeiros ou do tempo do colaborador, mas quase nenhuma tinha conhecimento claro sobre como as suas pol&iacute;ticas e atividades realmente melhoraram a vida dos funcion&aacute;rios, ou reduziram a pobreza ou melhoraram o bem-estar dos consumidores. </p>     <p>Do ponto de vista te&oacute;rico, um dos aspetos mais relevantes destacados nesta pesquisa para os profissionais de RP &eacute; a necessidade de uma melhor compreens&atilde;o do paradigma da gest&atilde;o de qualidade total. Uma abordagem mais abrangente para as quest&otilde;es da conex&atilde;o entre o que na literatura &eacute; conhecido como o paradigma da RSC e a gest&atilde;o da qualidade total (TQM) &eacute; necess&aacute;ria (Frolova &amp; Lapina, 2014). Com maior relev&acirc;ncia no sector industrial, estas duas &aacute;reas t&ecirc;m sido vistas como bastante diferentes. Neste novo marco, e devido &agrave; falta de uma abordagem constitutiva do conceito de comunica&ccedil;&atilde;o, tememos que o papel dos profissionais de RP se reduza a meras quest&otilde;es de divulga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Se &eacute; verdade que ao fazer este tipo de pesquisa e, especialmente, em geral no &acirc;mbito das pesquisas qualitativas, nenhuma generaliza&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica &eacute; poss&iacute;vel e que n&atilde;o &eacute; mesmo a principal inten&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel especular, como Maxwell refere, n&atilde;o existe nenhuma raz&atilde;o &oacute;bvia para n&atilde;o se acreditar que os resultados se aplicam mais geralmente (Maxwell, 2013). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Argenti, P. (2007). <i>Corporate communication</i>. Nova Iorque: McGraw Hill/Irwin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025781&pid=S2183-3575202000030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Broom, G. &amp; Sha, B. (2013). <i>Cutlip and center&rsquo;s effective public relations</i>. Harlow: Prentice-Hall.</p>     <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia. (2001). <i>Green paper: promoting a European framework for corporate social responsibility. </i>Bruxelas: Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025784&pid=S2183-3575202000030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Creswell, J. (2014). <i>Research design - qualitative, quantitative, and mixed methods approach</i>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025786&pid=S2183-3575202000030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Creswell, J. &amp; Creswell. D. (2018). <i>Research design - qualitative, quantitative, and mixed methods approach</i>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025788&pid=S2183-3575202000030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Daymon, C. &amp; Holloway, I. (2002). <i>Qualitative research methods in public relations and marketing communications.</i> Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025790&pid=S2183-3575202000030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dozier, D. (1992). The organizational roles of communications and public relations practitioners. In J. Grunig (Eds.), <i>Excellence in public relations and communication management</i> (pp.327-356). Nova Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025792&pid=S2183-3575202000030000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Eir&oacute;-Gomes, M. &amp; Louren&ccedil;o, S. (2009, abril). <i>O papel e a responsabilidade das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas na sustentabilidade de um mundo global</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025794&pid=S2183-3575202000030000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no 8&ordm; Congresso da Lusocom/6&ordm; Congresso da Sopcom, Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Frolova, I. &amp; Lapina, I. (2014). Corporate social responsibility in the framework of quality management. <i>Procedia - Social and Behavioral Sciences</i>, <i>156</i>, 178-182. <a href="https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2014.11.166" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2014.11.166</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025796&pid=S2183-3575202000030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Friedman, M. (1970). The social responsibility of business is to increase its profits. <i>The New York Times Magazine</i>, 122-126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025797&pid=S2183-3575202000030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Herzig, C. &amp; Kuhn, A. (2017). Corporate responsibility reporting. In A. Rasche; M. Morsing &amp; J. Moon (Eds.), <i>Corporate social responsibility: strategy, communication, governance</i> (pp.186-218). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025799&pid=S2183-3575202000030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kott, S. (2017). La citoyennet&eacute; sociale. In E. Fran&ccedil;ois &amp; T. Serrier (Eds.), <i>Notre histoire - l&rsquo;h&eacute;ritage europ&eacute;enne depuis Homero </i>(pp.187-199). Paris: Les Ar&egrave;nes.</p>     <!-- ref --><p>Hulme, D. &amp; Arun, T. (2009). The future of microfinance. In D. Hulme &amp; T. Arun (Eds.), <i>Microfinance: a reader</i> (pp. 225-232). Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025802&pid=S2183-3575202000030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Louren&ccedil;o, S. (2009). <i>Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas e mudan&ccedil;a social: a sua import&acirc;ncia e o seu papel no desenvolvimento de projectos sustent&aacute;veis. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa, Lisboa, Portugal. Retirado de <a href="https://repositorio.ipl.pt/handle/10400.21/806" target="_blank">https://repositorio.ipl.pt/handle/10400.21/806</a></p>     <p>Matten, D. &amp; Moon, J. (2008). &ldquo;Implicit&rdquo; and &ldquo;explicit&rdquo; CSR: a conceptual framework for a comparative understanding of corporate social responsibility. <i>The Academy of Management Review</i>, <i>33</i>(2), 404-424. <a href="https://doi.org/10.5465/amr.2008.31193458" target="_blank">https://doi.org/10.5465/amr.2008.31193458</a></p>     <!-- ref --><p>Maxwell, J. (2013). <i>Qualitative research design: an interactive approach</i>. Thousand Oaks: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025806&pid=S2183-3575202000030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Moon, J. (2014). <i>Corporate social responsibility: a very short introduction</i>. Oxford: Oxford OUP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025808&pid=S2183-3575202000030000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Morsing, M. (2017). CSR communication: what is it? Why is it important? In A. Rasche; M. Morsing &amp; J. Moon (Eds.), <i>Corporate social responsibility: strategy, communication, governance </i>(pp. 281-306). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025810&pid=S2183-3575202000030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Patten, A. (2005). Should we stop thinking about poverty in terms of helping the poor? <i>Ethics &amp; International Affairs, 19</i>(1), 19-27. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1747-7093.2005.tb00486.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1747-7093.2005.tb00486.x</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025812&pid=S2183-3575202000030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Prout, C. H. (1997). Organisation and function of the corporate public relations department. In P. Lesly (Ed.), <i>Lesly&rsquo;s handbook of public relations and communications</i> (pp. 685-695). Chicago: Contemporary Books.</p>     <!-- ref --><p>Rasche, A., Morsing, M. &amp; Moon, J. (Eds.) (2017). <i>Corporate social responsibility: strategy, communication, governance</i>. Cambridge: University Press, UK.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025814&pid=S2183-3575202000030000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Salda&ntilde;a, J. (2016). <i>The coding manual for qualitative researchers</i>. Londres: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025816&pid=S2183-3575202000030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, M. &amp; Eir&oacute;-Gomes, M. (2017). Organiza&ccedil;&otilde;es cidad&atilde;s: para al&eacute;m da responsabilidade social corporativa. In C. Camponez; F. Pinheiro; J. Fernandes; M. Gomes &amp; R. Sobreira (Eds.), <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&otilde;es sociais: comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, comunica&ccedil;&atilde;o organizacional e institucional, cultura visual</i> (pp. 208-218). Coimbra: SOPCOM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025818&pid=S2183-3575202000030000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Santos, M. &amp; Eir&oacute;-Gomes, M. (2016). Empresas cidad&atilde;s e comunica&ccedil;&atilde;o: uma nova era no &acirc;mbito da responsabilidade social corporativa. In C. Gerbase &amp; J. Tonin (Eds.), <i>Janelas para o mundo: telas do imagin&aacute;rio - bra resultante do XIII Semin&aacute;rio Internacional de Comunica&ccedil;&atilde;o </i>(pp. 233-246). Porto Alegre: Sulina.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Schreier, M. (2012). <i>Qualitative content analysis in practice</i>. California: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025821&pid=S2183-3575202000030000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Seidman, I. (2013). <i>Interviewing as qualitative research: a guide for researchers in Education and the Social Sciences</i>. Nova Iorque: Teachers College Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025823&pid=S2183-3575202000030000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Schultz, M. &amp; Hatch J. (2000). Introduction: why expressive organization?. In M. Schultz; M. Hatch &amp; M. Larsen (Eds.), <i>The expressive organization &ndash; linking identity, reputation and corporate brand</i> (pp. 1-10). Oxford: University Press. </p>     <!-- ref --><p>Skinner, C., Essen, L., Mersham, G. &amp; Motau,S. (2007). <i>Handbook of public relations</i>. Oxford: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025826&pid=S2183-3575202000030000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Standing, G. (2011). <i>The precariat: the new dangerous class</i>. Londres: Bloomsbury.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025828&pid=S2183-3575202000030000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Standing, G. (2014). <i>A precariat charter - from denizens to citizens</i>. Londres: Bloomsbury.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025830&pid=S2183-3575202000030000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Stangis, D. &amp; Smith, K. (2017). <i>The executive&rsquo;s guide to 21st century corporate citizenship - how your company ca win the battle for reputation and impact</i>. Bingley: Emerald Publishing.</p>     <!-- ref --><p>Steyn, B. &amp; Puth, G. (2000). <i>Corporate communication strategy</i>. Joanesburgo: Heinemann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025833&pid=S2183-3575202000030000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tirole, J. (2016). <i>Economie du bien commun</i>. Paris: Puf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025835&pid=S2183-3575202000030000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Verhezen, P. (2015). <i>The vulnerability of corporate reputation: leadership for sustainable long-term value</i>. Londres: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025837&pid=S2183-3575202000030000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Waddoc, S. (2003). Editoral. <i>The Journal of Corporate </i>Citizenship, (11), 3-4. Retirado de <a href="https://www.jstor.org/stable/pdf/jcorpciti.11.3.pdf" target="_blank">https://www.jstor.org/stable/pdf/jcorpciti.11.3.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025839&pid=S2183-3575202000030000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Whelan, G. (2017). Political CSR: the corporation as a political actor. In A. Rasche; M. Morsing &amp; J. Moon (Eds.), <i>Corporate social responsibility: strategy, communication, governance </i>(pp. 136-153). Cambridge: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025840&pid=S2183-3575202000030000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>White, J. &amp; Mazur, L. (1995). <i>Strategic communications management &ndash; making PR work</i>. Singapura: The Economist Intelligence Unit.</p>     <p>Woot, P. (2013). <i>Repenser l&rsquo;entreprise - comp&eacute;titivit&eacute;, technologie et soci&eacute;t&eacute;</i>. (n.l.): Royal Academy of Belgium.</p>     <!-- ref --><p>Woot, P. (2016). <i>Ma&icirc;triser le progr&egrave;s &eacute;conomique et technique: la force des choses et la responsabilit&eacute; des hommes</i>. (n.l.): Royal Academy of Belgium.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025844&pid=S2183-3575202000030000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wilcox, D.L., Cameron, G.T. &amp; Xifra, J. (2012). <i>Relaciones p&uacute;blicas - estrategias y t&aacute;cticas</i>. Madrid: Pearson Educaci&oacute;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2025846&pid=S2183-3575202000030000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mafalda Eir&oacute;-Gomes &eacute; doutorada e mestre em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade NOVA de Lisboa. Professora coordenadora de Pragm&aacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas da Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa, onde leciona desde 1991. Consultora para a comunica&ccedil;&atilde;o, <i>pro bono</i>, de diversas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. </p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-5542-6995" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-5542-6995</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:agomes@escs.ipl.pt">agomes@escs.ipl.pt</a></p>     <p>Morada: Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Campus de Benfica do IPL. 1549-014 Lisboa, Portugal</p>     <p>Ana Raposo &eacute; doutorada em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pelo ISCTE-IUL, licenciada e mestre em Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas pela ESCS-IPL. Desempenhou fun&ccedil;&otilde;es enquanto consultora de comunica&ccedil;&atilde;o em organiza&ccedil;&otilde;es do sector p&uacute;blico e privado em Portugal. Formadora e consultora na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas. Professora Adjunta da Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa. </p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-6740-4566" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-6740-4566</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:araposo@escs.ipl.pt">araposo@escs.ipl.pt</a></p>     <p>Morada: Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Campus de Benfica do IPL. 1549-014 Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 02/07/2019</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 31/10/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Investiga&ccedil;&atilde;o financiada pelo IPL - Polit&eacute;cnico de Lisboa como um Projeto de Investiga&ccedil;&atilde;o, Desenvolvimento, Inova&ccedil;&atilde;o e Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica (IDI&amp;CA) - IPL - IPL/2018/3C&rsquo;S_ESCS.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Ver <a href="https://www.jstor.org/journal/jcorpciti" target="_blank">https://www.jstor.org/journal/jcorpciti</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Retirado de <a href="http://www.fmam.pt/imprensa/noticias/tema-1/grace-grupo-de-reflex&atilde;o-e-apoio-&agrave;-cidadania-empresarial/" target="_blank">http://www.fmam.pt/imprensa/noticias/tema-1/grace-grupo-de-reflex&atilde;o-e-apoio-&agrave;-cidadania-empresarial/</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Retirado de <a href="https://www.sgs.pt/pt-pt/sustainability/social-sustainability/audit-certification-and-verification/iso-26000-performance-assessment-social-responsibility" target="_blank">https://www.sgs.pt/pt-pt/sustainability/social-sustainability/audit-certification-and-verification/iso-26000-performance-assessment-social-responsibility</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Retirado de <a href="https://www.ods.pt" target="_blank">https://www.ods.pt</a></p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Ver <a href="https://www.globalreporting.org/Pages/default.aspx" target="_blank">https://www.globalreporting.org/Pages/default.aspx</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Retirado de <a href="https://apambiente.pt/index.php?ref=16&amp;subref=140" target="_blank">https://apambiente.pt/index.php?ref=16&amp;subref=140</a></p>      ]]></body><back>
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