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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relações públicas governamentais e construção da identidade nacional: o caso das presidências abertas de Armando Guebuza em Moçambique]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Government public relations and national identity building: the open presidencies of Armando Guebuza in Mozambique]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Relaciones públicas gubernamentales y construcción de la identidad nacional: el caso de las presidencias abiertas de Armando Guebuza en Mozambique]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Mozambique is a recent and deeply divided society, at socio-economic, cultural, political and linguistic levels. Armando Guebuza, president of Mozambique from 2005 to 2014, placed communication with citizens at the centre of his government strategy. With the “Open and Inclusive Presidency” (PAI), a governmental public relations strategy, he established a cycle of close proximity to the people, especially in rural areas. In this article, a critical analysis of Guebuza’s discourses in the context of the PAI is developed, as a text, discursive and sociocultural practice in five dimensions: (i) lexicon; (ii) themes; (iii) historical context; (iv) relationship with the public; and (v) national identity. The results indicate that the PAI and its discursive practices were designed with the purpose of influencing meanings contributing to the consolidation of the national identity.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Mozambique es una democracia reciente y fuertemente dividida a nivel socioeconómico, cultural, político y lingüístico. Armando Guebuza, presidente de Mozambique entre 2005 y 2014, puso en el centro de su estrategia gubernativa la comunicación con los ciudadanos. Con la “Presidencia abierta e inclusiva” (PAI), una estrategia de relaciones publicas gubernamentales, instauró un ciclo de gran proximidad con el pueblo, especialmente en las zonas rurales. En este artículo se implementa una análisis crítico de los discursos públicos de Guebuza en el ámbito de las PAI, como texto, practica discursiva e sociocultural en cinco dimensiones: (i) léxico; (ii) temas; (iii) contexto histórico; (iv) relación con el público; e (v) identidad nacional. Los resultados indican que las PAI y sus prácticas discursivas fueron diseñadas con el propósito de influenciar significados contribuyendo a la consolidación de la identidad nacional.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="3"><b><font size="2">ARTIGO</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Relações públicas governamentais e construção    da identidade nacional: o caso das presidências abertas de Armando Guebuza em    Moçambique</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Government public relations and national identity    building: the open presidencies of Armando Guebuza in Mozambique</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Relaciones públicas gubernamentales y construcción    de la identidad nacional: el caso de las presidencias abiertas de Armando Guebuza    en Mozambique</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Stélia Neta<sup>I</sup>; Gisela Gonçalves<sup>II</sup>    </b></font>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup> Ministério da Economia e Finanças    Av. 10 de Novembro, n.º 929 — Maputo – Moçambique. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:stelianeta350@gmail.com">stelianeta350@gmail.com</a>    <br>   <sup>II</sup> Universidade da Beira Interior, Faculdade de Artes e Letras, Labcom.    Ifp, 6200, Covilhã – Portugal. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:gisela.goncalves@labcom.ubi.pt">gisela.goncalves@labcom.ubi.pt</a>    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <HR>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Moçambique é uma democracia recente e fortemente    dividida a nível socioeconómico, cultural, político e linguístico. Armando Guebuza,    presidente de Moçambique entre 2005 e 2014, colocou no centro da sua estratégia    governativa a comunicação com os cidadãos. Com a &ldquo;Presidência aberta e inclusiva&rdquo;    (PAI), uma estratégia de relações públicas governamentais, instaurou um ciclo    de grande proximidade com o povo, especialmente nas zonas rurais. Neste artigo,    desenvolve-se uma análise crítica dos discursos de Guebuza no âmbito das PAI,    enquanto texto, prática discursiva e sociocultural através de cinco dimensões:    (i) léxico; (ii) temas; (iii) contexto histórico; (iv) relacionamento com o    público; e (v) identidade nacional. Os resultados indicam que as PAI e as suas    práticas discursivas foram desenhadas com o propósito de influenciar significados    contribuindo para a consolidação da identidade nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Palavras-chave:</i></b> Relações públicas    governamentais; identidade nacional; Moçambique; Guebuza; análise do discurso</font></p> <HR>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mozambique is a recent and deeply divided society,    at socio-economic, cultural, political and linguistic levels. Armando Guebuza,    president of Mozambique from 2005 to 2014, placed communication with citizens    at the centre of his government strategy. With the &ldquo;Open and Inclusive Presidency&rdquo;    (PAI), a governmental public relations strategy, he established a cycle of close    proximity to the people, especially in rural areas. In this article, a critical    analysis of Guebuza’s discourses in the context of the PAI is developed, as    a text, discursive and sociocultural practice in five dimensions: (i) lexicon;    (ii) themes; (iii) historical context; (iv) relationship with the public; and    (v) national identity. The results indicate that the PAI and its discursive    practices were designed with the purpose of influencing meanings contributing    to the consolidation of the national identity.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Keywords:</i></b> Government public relations;    national identity; Mozambique; Guebuza; discourse analysis</font></p> <HR>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMEN</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mozambique es una democracia reciente y fuertemente    dividida a nivel socioeconómico, cultural, político y lingüístico. Armando Guebuza,    presidente de Mozambique entre 2005 y 2014, puso en el centro de su estrategia    gubernativa la comunicación con los ciudadanos. Con la &ldquo;Presidencia abierta    e inclusiva&rdquo; (PAI), una estrategia de relaciones publicas gubernamentales, instauró    un ciclo de gran proximidad con el pueblo, especialmente en las zonas rurales.    En este artículo se implementa una análisis crítico de los discursos públicos    de Guebuza en el ámbito de las PAI, como texto, practica discursiva e sociocultural    en cinco dimensiones: (i) léxico; (ii) temas; (iii) contexto histórico; (iv)    relación con el público; e (v) identidad nacional. Los resultados indican que    las PAI y sus prácticas discursivas fueron diseñadas con el propósito de influenciar    significados contribuyendo a la consolidación de la identidad nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Palabras-clave:</i></b> Relaciones públicas    gubernamentales; identidad nacional; Mozambique; Guebuza; análisis del discurso</font></p> <HR>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>1. Introdução</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Moçambique é uma nação nova. Em 40 anos de existência,    a construção da identidade nacional conheceu três importantes momentos. A primeira    fase reporta-se aos anos 50 e 60 do séc. xx quando, à semelhança da maioria    dos países africanos, o sentimento de identidade nacional de Moçambique emergiu    na luta pela independência do colonialismo europeu. Numa segunda fase, o exercício    da unidade nacional foi posto à prova por uma guerra civil de 16 anos que agudizou    as fissuras político-sociais, nomeadamente, o regionalismo e o tribalismo (Joseph    Ki-Zerbo, 2007; Alden, 2001). As primeiras eleições de 1994, dão início à democracia    em Moçambique e à terceira fase da construção da identidade nacional. Uma democracia    que, apesar das suas idiossincrasias, vigora até hoje.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Armando Emílio Guebuza presidiu ao governo de    Moçambique entre 2005 e 2015. No seu discurso de tomada de posse, a 2 de Fevereiro    de 2005, apontava o desenvolvimento rural como uma das principais ações da sua    governação, dando igualmente enfâse à luta contra a pobreza. Ainda hoje, num    país com mais de 24 milhões de habitantes, onde a maioria – aproximadamente    70 % – vive em zonas rurais, mais de metade da população vive no limiar da pobreza    (PNUD, 2014:186). A aposta na comunicação com os cidadãos moçambicanos, especialmente    das zonas rurais, esteve desde cedo no centro da sua estratégia governativa.    Desde o início do seu primeiro mandato, Guebuza instaurou um ciclo de grande    proximidade com os cidadãos através da estratégia conhecida por &ldquo;Presidência    aberta e inclusiva&rdquo; (PAI). Com esta estratégia, o presidente abandonava a <i>Ponta    Vermelha</i>, a sede oficial em Maputo, para viver e governar o país a partir    de locais humildes, em diversas partes do território.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os discursos públicos do presidente, a ação comunicacional    com maior visibilidade e repercussão mediática no âmbito da presidência aberta,    constituíram um elemento central das relações públicas governamentais. Neste    artigo, procuramos analisar as PAI e os discursos de Guebuza de diferentes perspectivas,    mas todas com um objetivo comum: determinar em que medida as estratégias de    relações públicas podem influenciar a atribuição de significados aos conceitos    de identidade e unidade nacional. Na realidade de Moçambique, este é um desafio    adicional, uma vez que é uma &ldquo;sociedade profundamente dividida&rdquo; (Guelke, 2012),    ao nível socioeconómico, cultural e linguístico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O artigo está organizado em três partes principais.    Começa-se por descrever a estrutura e funções de comunicação governamental em    Moçambique, e o porquê das PAI se constituírem como uma estratégia de relações    públicas governamentais essencial à construção da identidade nacional. De seguida,    recorrendo-se à análise crítica dos discurso públicos de Guebuza, no contexto    das PAI, discute-se se e como, as suas práticas discursivas foram desenhadas    com o propósito de influenciar significados acerca da consolidação dessa mesma    unidade nacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>2. A comunicação governamental em Moçambique</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O sistema político de Moçambique é presidencialista,    ou seja, o Presidente da República é simultaneamente Chefe de Estado e do Governo.    Tanto o Presidente da República como os deputados da Assembleia da República    são eleitos simultaneamente (eleições gerais) por sufrágio universal, para um    mandato de cinco anos, renovável apenas uma vez. O Presidente da República é    por isso o epicentro de toda a comunicação governamental de Moçambique.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A comunicação governamental é da responsabilidade    do Gabinete de Informação de Moçambique (GABINFO), criado por Decreto Presidencial    em Outubro de 1995. Subordinado ao Gabinete do Primeiro Ministro, o GABINFO    supervisiona a comunicação de todos os organismos estatais e órgãos de comunicação    públicos, presta assessoria ao executivo em questões específicas da área da    comunicação, promovendo, entre outros, a divulgação e acesso à informação sobre    as atividades governamentais. Compete igualmente a este órgão o registo e licenciamento    dos meios de comunicação social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O GABINFO veio substituir o Ministério da Informação,    muito associado à história da censura no país, extinto aquando da adopção do    sistema multipartidário, após as eleições de 1994. A aprovação da Lei da Imprensa    em 1991 e da Lei do Direito à Informação, em 2014, constituíram dois importantes    ganhos na democracia moçambicana. No entanto, continuam a existir queixas de    jornalistas sobre a ingerência do Governo na esfera mediática e ataques à liberdade    de imprensa (Chichava & Pohlmann, 2010:132-133). Isto explicará, em parte, o    porquê de Moçambique, de acordo com o Freedom House Índex, registar 46 no ranking    da Liberdade de imprensa (0 = o melhor; 100 = o pior).<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em paralelo, existe também o Gabinete de Imprensa    da Presidência da República que é da exclusiva tutela do Chefe de Estado. O    Adido de Imprensa, que dirige o Gabinete de Imprensa do Presidente da República,    é o responsável pela comunicação da Ponta Vermelha, sede oficial do governo,    e reporta as suas atividades diretamente ao Presidente. Tal como em muitos países    ocidentais, a comunicação do governo de Moçambique está centrada numa elite    profissional e política que controla a informação e a sua disseminação. Também    nas democracias recentes, a comunicação do governo é controlada e usada estrategicamente    para exercer o poder (Bennett, 2001:16). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 2005, quando o Presidente Guebuza iniciou    as PAI, o trabalho do gabinete do Adido de Imprensa da Presidência, constituído    por sete funcionários, ganhou visibilidade (Magaia, 2013). Durante as PAI, o    Adido de Imprensa e sua equipa tinham entre outras funções a missão de garantir    o melhor cenário para o encontro entre o Presidente e o povo, isto é, no Comício    popular. O som, a disposição da tribuna, a colocação dos microfones, a organização    da sala de imprensa e da sala de conferência de imprensa, a organização dos    jornalistas, eram algumas das tarefas da sua equipa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A interação do Presidente com os cidadãos foi    também explorada nas redes sociais. Guebuza tinha páginas no <i>facebook, blog</i>    e <i>twitter</i> onde mantinha diálogo com internautas. Aliás, nos últimos anos    do seu segundo mandato, as PAI eram transmitidas, em tempo real, através dessas    plataformas audiovisuais de comunicação e interação instantâneas. No entanto,    não se pode deixar de realçar que, apesar do aumento gradual no acesso à Internet,    e de acordo com a <i>Internet Society</i>, ela apenas atinge 5.4 por cento dos    cidadãos moçambicanos.<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup> Acresce    ainda o facto de a taxa de analfabetismo em Moçambique se encontrar entre as    mais altas do mundo (cerca de 50%), especialmente entre as mulheres e nas zonas    rurais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A presença massiva da política nos meios de comunicação    social é fundamentalmente garantida, segundo Boorstin (1961), por &ldquo;pseudo-eventos&rdquo;,    acontecimentos de autopromoção planeados para terem cobertura mediática, e a    própria medida do seu próprio sucesso. A PAI de Armando Guebuza enquadra-se    claramente nesta filosofia – uma estratégia de relações públicas, sob gestão    do Gabinete de Imprensa da Presidência da República, centrada na organização    do &ldquo;encontro&rdquo; entre o Chefe de Estado e o seu povo, por meio do comício. Nesta    reunião popular, o Presidente interagia diretamente com as pessoas, avaliando,    simultaneamente, o nível de suporte local ao programa quinquenal do Governo    (Matola, 2009: 8). A cobertura mediática destes eventos era visível tanto nos    meios de comunicação regionais como nacionais. Nos primeiros, essencialmente,    via rádio, veículo privilegiado e praticamente único das zonas rurais; nos segundos,    através da TV e imprensa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>3. A presidência aberta enquanto estratégia    de relações públicas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A PAI levou a visita presidencial a todos os    128 distritos do país, entretanto alargados para 152 em 2013. No primeiro mantado    (2005-2009), Armando Guebuza deslocou-se às sedes distritais e, no segundo (2009-2014)    expandiu a sua ação governativa também a outras localidades, num território    de cerca de 800.000 km².</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dados da Presidência da República indicam que    a PAI era preparada com um ano de antecedência, num trabalho de coordenação    entre a Presidência da República, Ministério da Administração Estatal e Governos    Provinciais. Por norma, a PAI ocorria durante o primeiro semestre de cada ano,    período em que o Presidente visitava, em quatro dias, igual número de distritos    por Província, excepto Nampula e Zambézia, as maiores do país, onde permanecia    mais dias, visitando cinco distritos de cada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores alemães    (Leininger, Heyl, Maihack & Reichenbach, 2012) identifica três etapas das presidências    abertas: a preparação, o desempenho e o seguimento. A fase da preparação inclui    a seleção dos locais para a visita presidencial. Nesta fase, a equipa partilhava    as suas recomendações para adequar os lugares ao padrão mais elevado do Estado,    até porque, durante a PAI, o distrito visitado passava a ser a <i>Ponta Vermelha</i>    (desde como construir o palanque para o comício, a como mobilar e decorar o    quarto ou a casa de banho).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na parte referente ao desempenho, a PAI propriamente    dita, ocorriam as reuniões, primeiro com o Governo Provincial, depois com os    administradores, empresários e a visita às infraestruturas e projetos sociais.    É nesta etapa que decorre o ponto mais alto da PAI – o comício popular onde    as pessoas (5 a 15) têm a oportunidade de falar com o presidente, sobre temas    diferentes. Estes encontros não decorriam de forma espontânea, pois nada era    deixado ao acaso. De acordo com Leininger et al (2012), os administradores distritais    selecionavam prévia e criteriosamente os intervenientes no comício com o Presidente.    Portanto, a oportunidade de os cidadãos se dirigirem ao presidente não era acessível    a todos. Para impedir críticas demasiado contundentes à administração, evitavam    ter como interlocutores os membros da oposição e também certos representantes    de organizações da sociedade civil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro momento igualmente importante era sem dúvida    a conferência de imprensa, realizada no fim da visita. Momento em que a interlocução    com o povo era ampliada, através da imprensa, para os outros moçambicanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A terceira fase definida pela pesquisa alemã    corresponde ao seguimento. Significa que as questões apresentadas pelos populares    eram incorporadas em matrizes para posterior monitorização do desempenho da    administração local ao longo do tempo. Portanto, uma tentativa de dar continuidade    à relação encetada entre a presidência e o povo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A deslocação às zonas rurais, todas as atividades    desenvolvidas no âmbito da PAI, assim como a cobertura mediática decorrente    dos comícios nas diferentes províncias pode ser observada como um mecanismo    de construção da identidade nacional. No fundo, todo o evento era fabricado    com o intuito de transmitir mensagens e atitudes que dão enfâse ao sentimento    de pertença colectiva dos moçambicanos. Um desafio gigantesco, aliás, para qualquer    governo em contexto africano, caracterizado por diferentes e marcantes traços    linguísticos e étnicos (Chaka, 2014). Mas a questão da identidade nacional deve,    justamente, ser pensada em termos de unidade na diversidade. Porque é inegável    que continua latente o divisionismo étnico e regional. Os moçambicanos continuam    a chama-se pelos rótulos de machangana, manhambana, chicondo, machuabo<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>,    etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste contexto, pode-se alegar que as PAI, enquanto    estratégia de relações públicas governamentais, desempenharam um importante    papel no esforço de construção da identidade nacional. Essa importância decorre    do seu contributo para a mudança de atitude face o governo. De facto, a aproximação    da elite política ao povo demonstrava a vontade de encetar um relacionamento    de confiança, uma meta clássica no âmbito do paradigma relacional de relações    públicas e no âmbito de qualquer estratégia de construção da identidade nacional    (Taylor 2000; Taylor & Kent, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mais concretamente, Taylor (2000) defende um    visão integracionista<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup> do papel    das relações públicas na construção da identidade nacional, pois vê o estado-nação    como uma entidade construída comunicacionalmente. Ao contrário dos estudos de    Van Leuven e Pratt (1996), onde concluem que os países de 3º mundo tendem a    adoptar modelos unidirecionais de comunicação pública, Taylor defende a adopção    de uma comunicação de tipo bidirecional e simétrica (Grunig, 2001), apta a promover    relações entre a organização e os seus públicos, baseadas na negociação, confiança    e respeito mútuo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Vários autores discutem o papel fulcral das relações    públicas na construção da identidade nacional em democracias emergentes, propensas    a conflitos étnicos e à violência. (Taylor & Botan, 1997; Taylor & Kent, 1996;    Taylor 2000; Chaka, 2014). Taylor (2000) sugere que a construção da identidade    será mais efetiva se as práticas de relações públicas promoverem a participação    política e a cooperação entre o governo e seu povo. Na nossa análise das PAI,    enquanto estratégia de relações públicas governamentais focada na construção    da identidade nacional seguimos essa mesma perspetiva. O facto de as identidades    nacionais serem negociadas através do discurso, mobilizando repertórios de símbolos,    narrativas e significados adequados às novas necessidades ou experiências históricas,    parece ser largamente aceite (Bruner, 2002; Parekh, 1995). Apesar disso, não    abundam estudos concretos sobre esse processo discursivo de negociação.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>4. Questões de investigação e metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo pretende-se refletir sobre as PAI,    mais concretamente, sobre o discurso político do Presidente Armando Emílio Guebuza,    enquanto estratégias de relações públicas governamentais fundamentadas numa    comunicação bidirecional de proximidade para promover a consolidação da nação    moçambicana. Três questões de investigação conduziram a investigação:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">RQ1. Enquanto estratégia de relações públicas,    quais eram os principais objetivos das PAI?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">RQ2. Os discursos das PAI procuraram contribuir    para aumentar o sentido patriótico e de unidade entre os moçambicanos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">RQ3. O mosaico social, cultural e linguístico    de Moçambique condicionou o uso da língua oficial portuguesa na comunicação    governamental?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recorreu-se à análise crítica do discurso (ACD)    no estudo dos discursos presidenciais. Todas as transcrições foram colectadas    no Gabinete de Estudos da Presidência da República de Moçambique, uma fonte    oficial. Em 1º lugar, foi desenvolvida uma análise do discurso comparativa e    exploratória, para selecionar o <i>corpus</i> de análise. O epicentro da análise    residiu na variabilidade discursiva, elegendo comícios que, apesar de apresentarem    um orador comum – o Presidente da República, Armando Emílio Guebuza – são dirigidos    a públicos heterogéneos, em termos de localização no território e da própria    língua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O <i>corpus</i> da análise selecionado é composto    por seis discursos proferidos em comícios populares pelo Presidente Guebuza    durante as PAI realizadas entre Abril e Maio de 2007, terceiro ano do seu primeiro    mandato, abarcando duas províncias da região norte, duas do centro e duas do    sul. Sublinhe-se as razões de três das províncias na amostra terem sido estrategicamente    escolhidas: (1) Niassa foi por muito tempo considerada a mais pobre e esquecida;    (2) Sofala por ser o centro político dos partidos da oposição<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>;    e (3) a Cidade de Maputo, o hipercentro governamental. Já a seleção dos restantes    distritos por província, nomeadamente Nampula, Tete e Inhambane, foi aleatória.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Existem diferentes aproximações à análise crítica    do discurso. No nosso estudo seguimos a proposta de Fairclough (2001) e Van    Dijk (1997). De um modo geral, os defensores desta abordagem da ACD advogam    que cada discurso/texto é desenhado com algum propósito de influenciar significados    e, por conseguinte, para moldar conhecimento. Sustentam que se se examinar cuidadosamente    as palavras usadas num discurso e observar as metáforas escolhidas é provável    que se identifiquem pressupostos que suportam e justificam interesses e posições    muitas vezes não reconhecidos (Daymon & Holloway, 2011; Wood & Kroeger, 2000).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>5. Análise crítica dos discursos de Guebuza</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A análise comparativa dos discursos, enquanto    texto, prática discursiva e prática sociocultural (Fairclough, 2001),  foi aprofundada    através de cinco dimensões: (i) léxico, incluindo vocabulário e gramática; (ii)    temas; (iii) contexto histórico; (iv) relacionamento com o público; e (v) identidade    nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(i) Léxico</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os discursos apresentam recorrentemente palavras    como, <i>nós, nosso, somos, juntos, estamos, povo, e Moçambique</i>. Na predominância    do pronome pessoal Nós transparece a intenção de incluir/trazer toda a sociedade    moçambicana para o ideal de unidade, tido como necessário para o sucesso da    campanha de luta contra a pobreza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Presidente usa, estrategicamente, os três tempos    verbais. O <i>Present</i>e é usado principalmente na parte inicial do discurso.    Alguns exemplos: <i>Quero saudar; quero agradecer ; Tenho duas mensagens</i>.    O <i>Passado</i> é geralmente utilizado para evidenciar exemplos do país na    superação do colonialismo e da guerra civil, através da união dos moçambicanos.    O <i>futuro</i>, por seu turno, é usado no final dos discursos, imprimindo a    ideia de perpetuação da ligação do Presidente com o seu povo. O recurso ao <i>Pretérito    Imperfeito do Indicativo</i> (ex. Eu queria, Eu estava) configuram a ideia de    continuidade, de ações ocorridas num momento anterior ao atual, mas ainda não    concluídas, como é o caso da união dos moçambicanos na luta contra a pobreza.    Um exemplo já a seguir (negrito adicionado):</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(…) O colonialismo que estava em <b>Moçambique</b>    por quinhentos anos em 12 anos – porque os moçambicanos estavam <b>unidos</b>    – saiu (…) ficamos independentes por causa da <b>unidade que é a grande força</b>    (…) E é também por causa da <b>unidade</b> que estava aqui (…) a guerra acabou.    Porque <b>unidos nós somos fortes. Unidos</b> não há inimigo que aguenta connosco.    (Comício 2)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(ii) Temas</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O exercício de comparação dos discursos revelou    que todos referem as mesmas temáticas e na mesma sequência. Foram identificados    quatro temas principais: (1) Unidade nacional (2) Combate à pobreza (3) Distrito    (4) Necessidades locais. A única exceção reside no caso do comício do Distrito    Changara, na Província de Tete (comício 2) onde, logo no início, é explorado    o tema das eleições provinciais e a importância do voto. Esta diferença pode    ter decorrido da agenda mediática da época, que discutia o quadro jurídico das    primeiras eleições das Assembleias Provinciais. Coincidência ou não, a verdade    é que os dados do pleito eleitoral de 28 de Outubro de 2009, quer das presidenciais    e legislativas, quer das assembleias provinciais, revelam que a afluência às    urnas na Província de Tete esteve acima dos 95 por cento, enquanto que nos outros    distritos apresentava apenas uma média de 30 a 40%. Além disso, em muitas mesas    de voto, os resultados apurados indicavam 100% de votos na FRELIMO (MOE-EU,    2009:34).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro dos aspectos que sobressai no estudo dos    temas reside na variabilidade de assuntos sobre as necessidades locais de cada    distrito. Pode-se até argumentar que é nesta secção do discurso que se manifesta    a componente mais importante das PAI, pois são aí afloradas as questões de interesse    mais direto das populações, refletindo o estádio da própria dinâmica socioeconómica    de cada local. Na maior parte dos distritos rurais são aludidos assuntos sobre    a saúde, a educação e a gestão dos &ldquo;7 milhões&rdquo;, enquanto que no discurso proferido    na cidade de Maputo, epicentro governamental, as discussões são em torno de    aspectos mais &ldquo;sofisticados&rdquo;, como por exemplo: farmácias, seguros, transportes    públicos, etc.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">(iii) Contexto histórico</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A recurso à história, de acordo com Fairclough    (2001), contribui para que ocorram processos de intertextualidade mais amplos,    antecipando e moldando até textos subsequentes. De facto, nos discursos sob    análise, o ideal de unidade é evocado através de histórias de superação e de    valorização dos heróis nacionais, com destaque para Eduardo Mondlane. Guebuza    recorre a exemplos contrários à unidade, como a distinção étnica ou territorial,    justamente para demonstrar o inverso:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(…) as nossas <b>diferentes línguas</b>, as <b>nossas    diferentes tradições</b>, as nossas <b>diferentes maneiras de cantar, dançar</b>    (…) Eduardo Mondlene disse que isso não era problema. Pelo contrário, isso <b>enriquece    o nosso património</b> (…) se os moçambicanos querem a mesma coisa, sendo diferentes,    juntarem as suas diferenças e unirem-se, não haverá inimigos que os vença. (Comício    4, negrito adicionado)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(iv) Relacionamento com o público</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O público constitui o elemento mais importante    das PAI enquanto estratégia de relações públicas governamentais. Apesar de reconhecer    as especificidades étnicas e culturais, Guebuza esforça-se para convencer que    representa o interesse de todo o &ldquo;maravilhoso povo moçambicano&rdquo;, uma expressão    recorrente em todos os comícios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos seus discursos, o Presidente emula o diálogo    face-a-face na escolha do vocabulário que subentende presença ou proximidade    (ex. ouvir, partilhar, aprender), através de perguntas retóricas, nas interjeições    de estímulo, com períodos de pausa. Esses intervalos silenciosos são elementos    que ajudam a estruturar o discurso, principalmente no que se refere a mudança    dos temas. Várias vezes essas mudanças são efectuadas através da sequência de    frases interrogativas bem humoradas:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(…) Aqui onde estamos somos diferentes: Aqui    há homens. Aqui há mulheres. São iguais? Aqui há crianças. Aqui há adultos.    São iguais? Aqui há claros. Aqui há escuros. São iguais? Aqui há magrinhos.    Aqui há um bocadinho… (risos) são iguais? (comício 2)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Também o próprio facto de o Presidente se fazer    acompanhar por uma comitiva governamental que inclui convidados, por ex. embaixadores    e parceiros de cooperação, aponta para o objetivo de aproximação efetiva entre    a classe política e os cidadãos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">(v) Identidade nacional</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A unidade nacional é um elemento central e transversal    nos discursos presidenciais. Fortemente carregado de simbologia, Guebuza usa    o termo unidade como catalisador da sua mensagem, e fá-lo de forma muito simples,    capaz de ser percebida pelas suas audiências, maioritariamente analfabetos,    recorrendo a exemplos prosaicos e a metáforas simples.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O uso da língua oficial portuguesa, herdada do    colonialismo, impôs alguma dinâmica na organização das PAI, para garantir a    tradução consecutiva intercalada do discurso presidencial para diversas línguas    nacionais. Estima-se a existência de 43 línguas nacionais no país, a maioria    de origem bantu, mas completamente distintas. Realce-se, no entanto, que em    várias ocasiões, o Presidente usa expressões oriundas de línguas nacionais no    seu discurso, destacando-se o discurso proferido na cidade de Maputo, em que    toda a parte de saudação e apresentação é feita na língua local (XiRonga).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Também a referência ao folclore local nos discursos,    nomeadamente, as danças (ex. Makwai, Mapiko, Mandoa, Wunanga), os cânticos,    os instrumentos musicais locais (ex. chiquissi) é sinónimo de elevação da identidade    nacional de Moçambique. Supõe-se que estas formas de manifestação da cultura    nacional aparecem no discurso do Presidente precisamente para, mais uma vez,    aprofundar os laços das referências próprias e exclusivas dos moçambicanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>5. Nota conclusiva</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em países pluriculturais e com profundas diferenças    étnicas, os governos são desafiados a adoptar estratégias de comunicação que    reforcem o sentido de pertença comum. É neste contexto que as relações públicas    podem ser praticadas como elemento catalisador de diálogo entre o Governo e    a sociedade. As PAI de Armando Guebuza são um exemplo paradigmático deste esforço,    ao abrirem espaço para a criação de relacionamentos de proximidade entre a elite    governamental e as províncias mais pobres e profundas de Moçambique.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As PAI parecem ter contribuído para aproximar    os cidadãos da política. Os discursos do presidente, em especial, enfatizaram    a identidade e os valores nacionais, e sobretudo, possibilitaram uma comunicação    sem intermediação, entre os populares e o Presidente. No entanto, as condições    para os cidadãos entrarem em diálogo com o presidente implicavam uma análise    do risco. Logo à partida, os assessores do presidente descartavam as intervenções    desfavoráveis. Este ponto leva-nos a indagar se, no essencial, as PAI, não seriam    mais um poderoso mecanismo de legitimação do governo e do discurso da FRELIMO    e menos uma estratégia simétrica de comunicação (Grunig, 2001) ou de relações    públicas participativas (Motion, 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De qualquer forma, e apesar de existirem certamente    muitas variáveis que influenciam o voto, a verdade é que em 2004 a abstenção    registada foi cerca de 63% enquanto que em 2009 se reduziu para 56%<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>.    A tendência positiva dos votos favoreceu também a FRELIMO e o seu candidato    Armando Guebuza – em 2004 é eleito com 63,74% dos votos e no segundo mandato,    em 2009, com 75%. Além disso, em 2009, a FRELIMO e o seu candidato foram massivamente    votados nas zonas rurais, incluindo regiões tidas tradicionalmente como da oposição.    O Distrito do Búzi, um dos locais de amostra deste estudo, é exemplo disso (Pereira    e Nhanale, 2014: 7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Norris e Mattes (2003: p. 1) sustentam que as    sociedades com um elevado índice de analfabetismo são marcadas por uma democracia    &ldquo;inconsciente&rdquo;, no sentido de os potenciais eleitores não possuírem o discernimento    necessário para avaliar os partidos e os seus candidatos com base nos seus manifestos    eleitorais e programas de governação. Nestas sociedades, sublinham os autores,    o apelo identitário cria um maior vínculo dos indivíduos aos partidos do que    quaisquer planos e objectivos de governação apresentados. Esta tese parece aplicar-se    ao caso em análise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ACD sugere que os discursos foram, efetivamente,    uma ferramenta de consolidação da unidade nacional. A mensagem de combate à    pobreza a partir dos Distritos, e associada à iniciativa do Orçamento de Investimento    de Iniciativa Local (OIIL), vulgos &ldquo;7 milhões&rdquo;, destinado ao financiamento a    projetos locais, também sortiu resultados positivos. Apesar de algumas vicissitudes,    nomeadamente queixas sobre a alegada falta de clareza sobre os critérios de    atribuição e aplicação do orçamento, e a par com algumas reformas estruturantes    no âmbito da macroeconomia e da governação, dados recentes sobre o progresso    do Plano de Ação para Redução da Pobreza (PARP) do Banco Mundial e do Fundo    Monetário Internacional indicam que Moçambique subiu no <i>Ranking do Doing    Business</i> e que os níveis de pobreza têm igualmente decrescido, ainda que    de forma modesta. (FMI, 2014:20).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O próprio mosaico plurilinguístico levou ao reforço    do uso da língua portuguesa, herdada do colonialismo, enquanto língua oficial    nas comunicações oficiais do presidente no âmbito das PAI. A grande vantagem    da língua oficial portuguesa é estar mais disseminada pelo país, contrariamente    às línguas nativas que estão circunscritas às localidades e são muito distintas.    Ao dar primazia à língua portuguesa, o governo não se mostrou tendencioso por    uma ou mais línguas nacionais, o que também terá contribuído para a mensagem    de unidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em suma, com uma &ldquo;pedagogia de governação democrática&rdquo;    (Sitoe, 2014), Armando Guebuza implementou uma estratégia de relações públicas    com o objetivo de educar a sociedade moçambicana no sentimento de pertença nacional,    com efeitos na crescente participação política dos cidadãos. A ordem do discurso,    a linguagem utilizada e a inter-relação de ideias, tal como propõe Fairclough    (2001), enfim, toda a retórica presidencial soube potenciar e estimular os valores    da &ldquo;moçambicanidade&rdquo;, com potenciais efeitos redutores nas diferenças étnicas    entre a população. Os discursos do Presidente serviram também para estabelecer    uma comunicação bilateral mais próxima e efetiva junto do cidadão, através da    descentralização e reforço da Administração Local do Estado (Conselhos Consultivos).    Esta táctica permitiu construir as bases de um relacionamento de confiança entre    as partes porque o cidadão rural, antes desprovido dos mais elementares serviços    sociais, passou a ter na sua comunidade o poder executivo do Estado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Referências Bibliográficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Alden, C. (2001). <i>Mozambique and the construction    of the new African state. From negotiations to nation buiding</i>. Nova Iorque:    Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900865&pid=S2183-5462201800020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bennett, W. L. (2001). <i>News: The politics    of illusion</i>. Nova Iorque: Addison Wesley Longman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900867&pid=S2183-5462201800020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Boorstin, D. J. (1961). <i>The Image: A guide    to pseudo-events in America</i>. Nova Iorque: Atheneum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900869&pid=S2183-5462201800020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bruner, M. L. (2002). <i>Strategies of remembrence:    The rhetorcial dimensions of national identity construction</i>. Columbia: University    of South Carolina Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900871&pid=S2183-5462201800020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Chaka, M. (2014). Public relations (PR) in nation-building:    An exploration of the South African presidential discourse. <i>Public Relations    Review , 40</i>(2), 351-362.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900873&pid=S2183-5462201800020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Chichava, S. e Pohlmann, J. (2011). Uma breve    análise da imprensa moçambicana. In Luís de Brito, Carlos Castelo-Branco, Sérgio    Chichava, António Francisco (Orgs.), <i>Desafios para Moçambique</i>. Maputo:    Instituto de Estudos Sociais e Económicos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900875&pid=S2183-5462201800020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Daymon, C., & Holloway, I. (2011). <i>Qualitative    research methods in public relations and marketing communications</i> (2ª ed.).    Nova Iorque: Routledge: USA and Canada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900877&pid=S2183-5462201800020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Deutsch, K. W. (1966). <i>Nation-building</i>.    Nova Iorque: Atherton Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900879&pid=S2183-5462201800020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Emerson, R. (1966). Nation building in Africa.    In K. W. Deutsch, & W. J. Foltz (Eds.), <i>Nation-building</i> (pp. 95–116).    Chicago: Atherton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900881&pid=S2183-5462201800020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fairclough, N. (2001). <i>Discurso e mudança    social</i>. Brasília: Universidade de Brasília.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900883&pid=S2183-5462201800020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Grunig, J. (2001). Two-way symmetrical public    relations: Past, present and future. In R. Heath R., <i>Handbook of Public Relations</i>    (pp. 11-30). Thousand Oaks, CA: Sage.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Guelke, A. (2012). <i>Politics in Deeply Divided    Societies</i>. Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900886&pid=S2183-5462201800020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ki-Zerbo, J. (2007). <i>História da África negra    II</i>. Lisboa: Publicações Europa-América.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900888&pid=S2183-5462201800020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Leininger, J. Heyl, C., Maihack, H., & Reichenbach,    B. (2012). Instituições informais e descentralização em Moçambique – A presidência    aberta e inclusiva. In B. Weimer (Ed.), <i>Moçambique: descentralizar o centralismo</i>    (pp. 216-237). Maputo: Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900890&pid=S2183-5462201800020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mário, T. (2008). <i>Direito à Informação e Jornalismo    em Moçambique: Estudos e Comunicações</i>. Maputo: Ndjira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900892&pid=S2183-5462201800020001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mário. T. (2012). <i>Guia de reforma das políticas    e legislação da comunicação social em Moçambique</i>. Maputo: Friedrich Ebert    Stiftung.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900894&pid=S2183-5462201800020001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Matola, A. (Org.). (2009). <i>Armando Guebuza    em Presidência Aberta</i>. Maputo: Gabinete de Estudos da Presidência da República.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900896&pid=S2183-5462201800020001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Motion, J. (2005). Participative public relations:    power to the people or legitimacy for government discourse? <i>Public Relations    Review, 31</i>(4), 505-512.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900898&pid=S2183-5462201800020001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Parekh, B. (1995). The concept of national identity.    <i>New Community, 21</i>(2), 255-268.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900900&pid=S2183-5462201800020001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Pereira, J. e Nhanale, E. (2014).<i>As eleições    gerais de 2014 em Moçambique: Análise de questões fundamentais</i>. Maputo:    AfriMAP, Fundações da Open Society.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900902&pid=S2183-5462201800020001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Pfetsch, B. (1999). <i>Government News Management    - Strategic Communication in Comparative Perspective</i>. Discussion Paper FS    III 99-101. Retrieved from <a href="http://bibliothek.wzb.eu/pdf/1999/iii99-101.pdf" target="_blank">http://bibliothek.wzb.eu/pdf/1999/iii99-101.pdf</a>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900904&pid=S2183-5462201800020001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Sitoe, R. (2014). Presidência aberta e inclusiva:    Uma pedagogia de governação democrática. In Matota, A. et al (Orgs.), <i>Presidência    Aberta e Inclusiva – Uma pedagogia de governação democrática em Moçambique 2005-2014</i>    (pp.120-153). Maputo: Gabinete de Estudos da Presidência da República.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900906&pid=S2183-5462201800020001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Taylor, M. (2000). Towards a public relations    approach to nation-building. <i>Journal of Public Relations, 12</i>(2), 179-210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900908&pid=S2183-5462201800020001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Taylor, M., & Botan, C.H. (1997). Public relations    campaigns for national development in the Pacific Rim: The case of public education    in Malasya. <i>Australian Journal of Communication, 24</i>(2), 115-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900910&pid=S2183-5462201800020001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Taylor, M., & Kent, M. (2006). Public relations    theory and practice in nation building, In C. Botan and V. Hazleton (Eds.),    <i>Public Relations Theory II</i> (pp. 299-315).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900912&pid=S2183-5462201800020001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mahwah, N. J: Lawrence Erlbaum Associates, Van    Dijk, T. (1997). Semântica do discurso. In E. Pedro (Org.), <i>Análise crítica    do discurso: Uma perspectiva sociopolítica e funcional</i>. Lisboa: Editorial    Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900914&pid=S2183-5462201800020001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Van Leuven, J. K., & Pratt, C. B. (1996). Public    relations’ role: Realities in Asia and in Africa south of the Sahara. In H.    M. Culbertson & N. Chen (Eds.), <i>International public relations: A comparative    analysis</i> (pp. 93-106). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, Inc.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Wood, L., & Kroeger, R. (2000). <i>Doing discourse    analysis: Methods for studying action in talk and text</i>. Londres: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1900917&pid=S2183-5462201800020001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Recebido | Received | Recebido: 2018-02-20    <br>   Aceite | Accepted | Aceptación: 2018-05-10</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="1"></a><a href="#top1">1 </a>Mais informação    sobre os índices da Freedom House estão disponíveis aqui: <a href="https://freedomhouse.org/report/freedom-press/2016/mozambique" target="_blank">https://freedomhouse.org/report/freedom-press/2016/mozambique</a>    <br>   <a name="2"></a><a href="#top2">2</a> Global internet report 2014, Internet    Society consultado a 20 de Maio de 2016 [url] <a href="https://www.internetsociety.org/sites/default/files/Global_Internet_Report_2014.pdf" target="_blank">https://www.internetsociety.org/sites/default/files/Global_Internet_Report_2014.pdf</a>    <br>   <a name="3"></a><a href="#top3">3</a> Designação as pessoas de acordo com a    sua origem étnica e regional.    <br>   <a name="4"></a><a href="#top4">4</a> Para uma análise mais aprofundada da visão    integracionista da construção da identidade nacional ver por ex., Deutsch, 1966a;    Deutsch, 1966b.    <br>   <a name="5"></a><a href="#top5">5</a> Nas legislativas, a tendência de voto    do círculo eleitoral de Sofala recai habitualmente na oposição (Partido RENAMO).    O Município da Beira, capital de Sofala, é inclusivamente gerido pela terceira    força política do país, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) sob a liderança    de Daviz Mbepo Simango.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="6"></a><a href="#top6">6</a> De acordo com os dados do STAE, a abstenção    foi de 12% em 1994, 30% em 1999, 63% em 2004 e 56%em 2009.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana">Notas biográficas</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Stelia Neta é Diretora Nacional Adjunta de Coordenação    Institucional e Imagem no Ministério da Economia e Finanças de Moçambique.    <br>   É Doutorada em Ciências da Comunicação (2017) e Mestre em Comunicação Estratégica    (2013), pela Universidade da Beira Interior, Portugal; Licenciada em Jornalismo    (2005), pela Universidade de Coimbra, Portugal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Gisela Gonçalves é Doutora em Ciências da Comunicação    pela Universidade da Beira Interior. Presidente do Departamento de Comunicação    e Artes da UBI. Investigadora integrada no LabCom.IFP – Centro de Investigação    em Comunicação, Filosofia e Humanidades. Vice-coordenadora da secção de Comunicação    Estratégica da ECREA. Principais áreas de investigação: teoria das relações    públicas, ética da comunicação e comunicação política.</font></p>      ]]></body><back>
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