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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Publicidade face aos novos contextos da era Digital: privacidade, transparência e disrupção]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La Publicidad frente a los nuevos contextos de la era Digital: privacidad, transparencia y disrupción]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Current times are becoming extraordinarily complex where we just thought it would become more transparent. The Internet and the digital economy are increasingly becoming a true "data industrial complex," a Pandora's box of unsearchable consequences. What is happening with digital advertising is just an outline of the problem, and the first consequences are certainly there in the media sector, which continues to suffocate due to lack of revenue and web traffic. This paper is a contribution to deepen this reflection.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Los tiempos actuales se están volviendo extraordinariamente complejos donde justamente nosotros pensábamos que serían más transparentes. Internet y la economía digital se están convirtiendo cada vez más en un verdadero "complejo industrial de datos", una caja de Pandora de consecuencias inescrutables. Lo que está sucediendo con la publicidad digital es solo un resumen del problema, y las primeras consecuencias están ciertamente en el sector de los medios, que continúa asfixiando debido a la falta de ingresos y de tráfico web. Este artículo es un aporte para profundizar esta reflexión.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>A Publicidade face aos novos contextos da era Digital: privacidade,    transparência e disrupção</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Advertising versus the new contexts of the Digital era: privacy,    transparency and disruption</b></font></p>     <p><font size="3"><b>La Publicidad frente a los nuevos contextos de la era Digital:    privacidad, transparencia y disrupción</b></font></p>     <p><b>Francisco Rui Cádima*</b></p>     <p>* Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Instituto    de Comunicação da NOVA FCSH  <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O tempo que corre está a complexificar-se extraordinariamente onde justamente    julgávamos que se iria tornar mais transparente. A Internet e a economia digital    estão a tornar-se cada vez mais um verdadeiro &ldquo;data industrial complex&rdquo;, uma    caixa de Pandora de consequências insondáveis. O que se passa com a publicidade    digital é apenas um esboço do problema, sendo certo que as primeiras consequências    estão aí à vista no sistema de media, que continua a sufocar por falta de receita    e de tráfego na web. Este texto é um contributo para aprofundar esta reflexão.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>blockchain; publicidade digital; internet; privacidade;    segurança</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Current times are becoming extraordinarily complex where we just thought it    would become more transparent. The Internet and the digital economy are increasingly    becoming a true &quot;data industrial complex,&quot; a Pandora&rsquo;s box of unsearchable    consequences. What is happening with digital advertising is just an outline    of the problem, and the first consequences are certainly there in the media    sector, which continues to suffocate due to lack of revenue and web traffic.    This paper is a contribution to deepen this reflection.</p>     <p><b>Keywords: </b>blockchain; digital advertising; internet; privacy; security</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Los tiempos actuales se están volviendo extraordinariamente complejos donde    justamente nosotros pensábamos que serían más transparentes. Internet y la economía    digital se están convirtiendo cada vez más en un verdadero &quot;complejo industrial    de datos&quot;, una caja de Pandora de consecuencias inescrutables. Lo que está    sucediendo con la publicidad digital es solo un resumen del problema, y las    primeras consecuencias están ciertamente en el sector de los medios, que continúa    asfixiando debido a la falta de ingresos y de tráfico web. Este artículo es    un aporte para profundizar esta reflexión.</p>     <p><b>Palabras clave: </b>blockchain; publicidad digital; internet; privacidad;    seguridad</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A Publicidade face aos novos contextos da era Digital: privacidade, transparência    e disrupção</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&ldquo;A new architecture is arising. And this new architecture solves the Internet&rsquo;s    increasing concentration problem, as well as remedies the security vulnerability    that comes from that concentration problem.&rdquo;</i> George Gilder<i> </i></p>     <p><i>&ldquo;Blockchain technology is bringing us the Internet of value: a new platform    to reshape the world of business and transform the old order of human affairs    for the better.&rdquo; </i>Dan Tapscott</p>     <p>No livro <i>A Força do Hábito</i>, Charles Duhigg (2013) conta a história de    Andrew Pole, com formação em estatística e economia, que entra a certo momento    para a Target, grande empresa norte-americana do sector da distribuição, com    o objetivo de desenvolver estudos de mercado enquanto especialista de dados.    A sua obsessão com o estudo do comportamento humano no contexto do consumo rapidamente    o leva a criar aquilo a que chamou uma &ldquo;pregnancy-prediction machine&rdquo;, no intuito    de conhecer a fundo as potenciais clientes da empresa suscetíveis de consumir    toda a plêiade de artigos associados à gravidez e ao nascimento do bebé. O objetivo    era iniciar o marketing dirigido os pais antes que o bebé nascesse, ou, melhor    ainda, construir um algoritmo de previsão de gravidez com uma lógica de <i>microtargeting</i>    de forma a &ldquo;capturar&rdquo; as clientes muito antes da concorrência.</p>     <p>Com base no rasto de dados que as clientes iam deixando, através do código    de identificação e do cartão-cliente, do cartão de crédito e de outros dados    adquiridos no mercado pela Target, incluindo navegação <i>online</i>, a empresa    rapidamente identificou milhares de futuras mães. E passou a enviar publicidade    e coupons de descontos para compras específicas nessa área a essas mulheres.    E foi assim que um belo dia um pai, ao ir buscar o correio e receber coupons    de desconto que eram destinados à filha, percebeu que a sua filha adolescente    estaria grávida antes mesmo de ela ter tido oportunidade de lho dizer. Não completamente    satisfeito com este feito, Pole acrescentaria a Duhigg que a próxima etapa seria    enviar aos clientes coupons de produtos que o cliente desejaria mesmo antes    de saber que o viria a desejar&hellip; Veja-se um pouco mais em pormenor o tipo de    dados que são do conhecimento da Target:</p>     <p>&ldquo;A Target relacionava também com o código de identificação a informação demográfica    sobre o cliente, que recolhera ou comprara a outras empresas, incluindo a idade    do cliente, se era casado e tinha filhos, em que parte da cidade morava, quantos    quilómetros fazia até à loja, uma estimativa de quanto ganhava, se acaso se    tinha mudado recentemente, quais os sites da Internet que visitava, que cartões    de crédito tinha na carteira, e os números de telemóvel e de telefone fixo.    A Target consegue comprar dados que indicam a etnia do cliente, o seu historial    de empregos, as revistas que lê, se alguma vez declarou insolvência, o ano em    que comprou (ou perdeu) a sua casa, que liceu ou universidade frequentou, e    se tem preferência por determinada marca de café, papel higiénico, cereais ou    molhos&rdquo;. (Duhigg, 2013: 240)</p>     <p>Ora, este modelo de &ldquo;tracking&rdquo; do consumidor através do rastreio e conhecimento    dos seus dados pessoais está hoje em forte colisão com alguns quadros jurídicos    de proteção de dados do cidadão, nomeadamente o europeu. Transformar o cidadão    em sujeito/<i>target</i> estatístico, deixá-lo à mercê de um qualquer algoritmo    cujos fins são, em regra, insondáveis, para além de estarem fora de qualquer    controlo jurídico, anula a prerrogativa de proteção de dados pessoais, desde    logo num contexto de mercado e consumo, mas depois também num contexto cívico    e, naturalmente, político (Cádima, 2015). Daí a aprovação recente na Europa    do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), que vem reforçar claramente    os direitos de privacidade do consumidor e/ou do utilizador. O direito à privacidade    por parte do cidadão é assim um fator inexpugnável no contexto das liberdades    cívicas, pelo que se a web, o marketing e a publicidade estão a evoluir para    modelos invasivos e de <i>tracking</i> sofisticado pondo em causa as liberdades,    isso significará que pelo menos algumas instituições também virão em defesa    da privacidade e da transparência, tal como sucede já na União Europeia com    o RGPD. Do mesmo modo, a tecnologia tem vindo a responder a este modelo crítico    com a associação do modelo Blockchain no sentido de se procurar restaurar os    direitos do indivíduo que têm sido capturados por grandes distribuidores, empresas    de dados, de estudos de mercado, ou mesmo autoridades centrais e de segurança,    como foi público e notório com o exemplo dramático dado no contexto das eleições    americanas e inglesas pela Cambridge Analytica, ou com o caso NSA/Snowden nos    Estados Unidos.</p>     <p><b><i>O mercado da publicidade global</i></b></p>     <p>Comecemos esta análise por uma radiografia do sector global na atualidade.    O mercado da publicidade e a relação entre o anúncio do produto e o efeito de    consumo desse mesmo anúncio foram, desde sempre, uma área de grande complexidade    e de uma não menor opacidade. A mera contabilidade dos investimentos publicitários    nos diferentes suportes de <i>media</i> é, só em si mesma, uma aventura que    necessita passar por várias barreiras, todas elas com os seus problemas de transparência    e de alguma conflitualidade entre si: preços de tabela, <i>dumping</i>, investimento    líquido e quotas de mercado de <i>media</i>, GRPs, retorno sobre o investimento,    etc. Mesmo a publicidade digital, por exemplo no Facebook, não escapa à necessidade    de clarificação de métricas &ldquo;voláteis&rdquo; e de fiabilidade de dados, chegando inclusivamente    a APAN - Associação Portuguesa de Anunciantes, a pedir uma &ldquo;avaliação independente&rdquo;    para os dados do Facebook (Nunes, 2018a).</p>     <p>Com o recente aparecimento das novas tecnologias e plataformas <i>blockchain</i>    algo pode estar, definitivamente, a mudar. Este nosso artigo procurará equacionar    um conjunto de questões que se prendem com a genealogia desse processo &ldquo;publicitário&rdquo;    de reduzida transparência associado também aos contextos dos respetivos mercados,    para depois aprofundar o tópico sobre o qual começa agora a haver um debate    um pouco mais substantivo, e que tem a ver com o reequacionar das práticas da    publicidade à luz de tecnologias e &ldquo;machine learning&rdquo; em boa parte congregadas    no termo e nos previsíveis impactos do modelo <i>blockchain</i>, aplicado, mais    em particular, nesta análise concreta, ao mercado da publicidade.</p>     <p>Importa então fazer um rápido esboço do que significa, no final de 2018, o    mercado mundial de publicidade, procurando comparar o digital e a contínua pressão    que este vem estabelecendo sobre o mercado de <i>media</i> tradicional, com    os valores que, nomeadamente imprensa e televisão, no seu contexto analógico,    vão apresentando no mesmo período. Assim, o dado mais relevante conhecido ao    longo de 2018 é justamente o facto de a publicidade digital atingir exatamente    neste ano o seu ponto de inflexão, deixando definitivamente para trás os <i>media</i>    tradicionais. De acordo com os dados da Dentsu (2018), o investimento publicitário    em <i>digital</i> <i>media</i> terá um crescimento de 12,6% em 2018, o que significa    um crescimento de cerca de três vezes a taxa de todos os meios de comunicação    (3,9%), com destaque para o vídeo on-line (+ 24,6%) e <i>social media</i> (+    21,6%), sendo que o dado mais marcante é justamente o facto de o digital ultrapassar    a TV a nível global, em investimento em publicidade, pela primeira vez, exatamente    em 2018. Algo que aliás já era conhecido no contexto europeu, desde 2015, ano    em que a publicidade online já tinha ultrapassado a da televisão, segundo dados    do IAB Europa. Mas a grande quebra de investimento em 2018 verifica-se, no entanto,    na imprensa (-7,0%), sendo que a televisão se manterá estável, ou mesmo com    um ligeiro crescimento. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No contexto apenas do mercado europeu convém relevar o facto de a publicidade    digital ter duplicado o seu nível de investimento em apenas cinco anos. De 2012    a 2017 a publicidade digital na Europa passou de 24,8 para 48 mil milhões de    euros, sendo as áreas mais fortes as que integram as redes sociais, o <i>mobile</i>,    o vídeo e os motores de busca (<a href="#f1">Figura 1</a>). A publicidade &ldquo;display&rdquo;    em sites, <i>apps</i>, ou <i>media</i> social, por meio de <i>banners</i> ou    outros formatos com imagem, vídeo ou áudio teve um forte crescimento em 2017,    mas é ainda a publicidade direcionada para a busca e o contexto que gera mais    investimento, mais ainda do que aquela direcionada para classificados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/mj/v19n34/19n34a03f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso português, segundo Durães (2017), que analisava os dados da <i>Media</i>    Monitor, pela primeira vez no mercado nacional, em 2016, e a preços de tabela,    a imprensa teria perdido para o digital o título de segundo meio em termos de    investimento publicitário. Ainda muito longe, no entanto, dos valores, também    a preço de tabela, indicados para a televisão, em 2016: 6,1 mil milhões de euros.    Os valores da <i>Media</i> Monitor indicavam também um crescimento muito significativo    do sector - 15,8%, de 2015 para 2016. No conjunto, o investimento publicitário    em Portugal ter-se-ia situado, a preço de tabela (excluindo campanhas, descontos    e dumping, por exemplo), nos cerca de 8 mil milhões de euros. Por aqui se vê,    aliás, alguma da especificidade do mercado português, que continua claramente    com valores muito &ldquo;analógicos&rdquo; face ao que já se passa no mercado global, como    referido acima. Dados disponibilizados no início de 2018 apontavam para valores,    em 2017, na ordem dos 20,4% de quota de mercado em Portugal para a publicidade    digital, sendo que as previsões para 2020 são de crescimento relativamente conservador,    até aos 27,4%. </p>     <p>Ora, o global do investimento em publicidade digital em Portugal em 2017, calculado    a preço de tabela em 570 milhões de euros, não tem estranhamente qualquer representação    no AdEx Benchmark Study 2017, onde nos 25 principais mercados europeus não aparece    Portugal (<a href="#f2">Figura 2</a>). No gráfico, o último país referenciado    é a Bielorrússia, que teve um investimento em 2017 de cerca de 39 milhões de    euros, mas que curiosamente é o país da Europa que mais cresceu em investimento,    33,9% (<a href="#f3">Figura 3</a>). Veja-se também que só o Reino Unido apresenta    valores praticamente idênticos aos três outros principais mercados europeus    - Alemanha, França e Rússia, o que sugere de facto um mercado bastante mais    forte do que o que se passa na restante Europa. Mas retomando o valor de mercado    da publicidade digital em Portugal, se em 2017 valia 570 milhões de euros, e    se o <i>dumping</i> no mercado nacional tem sido calculado na casa dos 70%,    e se sobre este valor cerca de 70% do mercado é da Google e do Facebook, restam    apenas cerca de 50 milhões de euros para as empresas portuguesas de publicidade    digital.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/mj/v19n34/19n34a03f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/mj/v19n34/19n34a03f3.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Se em Portugal, como referimos, a imprensa perdia, em valores absolutos, para    a publicidade digital em 2016, o facto é que, segundo os grupos de <i>media</i>    portugueses, o grande bolo da publicidade <i>online</i> ia diretamente para    as duas grandes plataformas digitais - Google e Facebook, numa ordem de valores    não totalmente conhecida, mas certamente entre os 60% e os 75% (Ribeiro, 2017),    o que naturalmente criava desequilíbrios no sistema de <i>media</i>, para além    das &ldquo;naturais&rdquo; isenções fiscais dado que estas plataformas não têm residência    fiscal em Portugal, e para além ainda de ambas as plataformas estarem continuamente    a aumentar a sua quota de mercado e de terem um potencial de crescimento futuro    muito acima do crescimento dos <i>media</i> nacionais.</p>     <p><b><i>Native ads</i></b></p>     <p>No contexto mais global, uma das áreas em que se estão a desenvolver, nestes    últimos anos, estratégias de publicidade claramente diferenciadas dos modelos    tradicionais e das métricas voláteis do sistema é na &ldquo;native advertising&rdquo; ou    &ldquo;native ads&rdquo;, que podemos traduzir por &ldquo;publicidade nativa&rdquo;, e que tem um potencial    muito grande se pensarmos justamente nas possibilidades de convergência com    as tecnologias <i>blockchain</i>. A publicidade nativa é uma forma de comunicação    estruturada de modo a que a especificidade do anúncio siga de muito perto a    forma, a função e os objetivos da experiência do utilizador e o ambiente web    em que navega. Estas <i>native ads</i> devem procurar corresponder ao design    visual de um determinado website, comportar-se de maneira consistente e próxima    da experiência do utilizador e ter a aparência e funcionar como um conteúdo    nativo, natural, com o mesmo <i>lettering</i>, as mesmas caixas de texto, etc.,    dessa página web específica.</p>     <p>Ora, é um facto que hoje as principais plataformas digitais como o Facebook,    o Twitter, o Instagram, etc., e também muitas empresas de <i>media</i>, como    o Wall Street Journal, o New York Times ou a Forbes, monetizam os seus <i>feeds</i>    de conteúdo com anúncios nativos, introduzindo novas soluções de publicidade    nos dispositivos móveis procurando criar esse &ldquo;conteúdo natural&rdquo; para o utilizador.</p>     <p>A questão é que este tipo de publicidade surge nos écrans como se fosse justamente    conteúdo &ldquo;nativo&rdquo;, perfeitamente integrado no desenho da página na qual o utilizador    navega num determinado momento e também completamente adequado ao contexto da    experiência de conteúdo do utilizador nesse mesmo momento. Trata-se de algo    muito diferente de um <i>banner</i>, por exemplo, que pode não corresponder    à temática específica da experiência do utilizador. Mas também diferente do    marketing de conteúdo, uma vez que este aponta para resultados a prazo, <i>rankings</i>    de buscas, etc., enquanto a publicidade nativa faz sentido no seu local próprio,    está focada em respostas mais imediatas e também se está perante algo que funciona    como que de modo &ldquo;responsivo&rdquo; em termos de conteúdos propriamente ditos. </p>     <p>De referir ainda que, numa perspetiva de análise de tecnologias de neurociência    e <i>eye-tracking</i>, tanto a Sharethrough como a Nielsen, a partir de estudos    sobre a forma como os consumidores processam visualmente os anúncios para móvel,    obtiveram novos dados sobre a atenção visual em <i>feeds</i> para dispositivos    móveis e sobre como maximizar o valor da impressão dos anúncios nativos. Porquê    então optar por <i>native ads</i>? Segundo dados da Sharethrough, à partida,    25% dos consumidores visualizam mais <i>feeds</i> de anúncios nativos do que    <i>banners</i> padrão, sendo que a frequência também é muito superior entre    uns e outros, ou seja, o utilizador olha para a publicidade nativa 53% mais    vezes do que para <i>banners ads</i>. A Sharthrough / IPG Media usou tecnologia    de rastreamento ocular para avaliar a atenção dos consumidores e para melhor    entender a atenção visual e as atitudes dos utilizadores entre anúncios nativos    e <i>banners</i> padrão. Segundo estes estudos podemos concluir que os anúncios    nativos têm uma melhor aproximação aos conteúdos editoriais da experiência do    utilizador e, por outro lado, registam aumentos da ordem dos 18% na intenção    de compra em relação aos anúncios com <i>banners</i>. Há ainda uma maior eficácia    dos anúncios nativos, estes geram mais atenção e potenciam o valor da marca    em relação ao modelo tradicional, sendo certo que os anúncios nativos são consumidos    da mesma maneira que as pessoas visualizam o conteúdo editorial. Os mesmos estudos    mostram que a atenção visual dos utilizadores para anúncios nativos era quase    equivalente ao engajamento visual do conteúdo editorial original.</p>     <p>Vejamos, por fim, algumas das diferentes modalidades de publicidade nativa,    sendo que, de um modo geral, podemos identificar entre os principais formatos    de anúncios nativos os seguintes: <i>In-Feed Native Ads</i>, com grande variação    de possibilidades; <i>Search and Promoted Listings</i>, que apresentam conteúdo    num formato e <i>layout</i> prontamente disponível para resultados de pesquisa,    parecem idênticas aos produtos ou serviços oferecidos num determinado <i>website</i>    e são medidas em métricas de resposta direta; <i>Content Recommendation Widgets</i>,    que é uma forma de publicidade nativa em que um anúncio ou link de conteúdo    pago é entregue por meio de um &quot;widget&quot;; <i>Custom Content Units</i>,    que inclui exemplos que não se encaixam em nenhuma das situações anteriores,    como é o caso de listas de reprodução personalizadas.</p>     <p><b><i>Publicidade e blockchain </i></b></p>     <p>É consensual que o contexto da publicidade necessita, em primeiro lugar, de    fiabilidade e de transparência, mas também de privacidade e de proteção de dados.    Ora, as aplicações <i>blockchain</i> têm vindo a configurar-se, de forma bastante    significativa, como uma solução inovadora, extremamente segura e precisa neste    domínio, permitindo criar sistemas descentralizados e protocolos encriptados    e encadeados de tal forma que não é possível a qualquer entidade exterior alterar    conteúdo ou corromper a plataforma de blocos de informação e de dados. Efetivamente,    a robustez destas plataformas está na sua lógica estrutural interna e nas ligações    partilhadas que estabelece. Dado que a arquitetura do modelo assenta num sistema    descentralizado, <i>peer-to-peer</i>, de registo e armazenamento da informação,    isso garante desde logo a segurança desses mesmos registos através das múltiplas    cópias criadas pelo sistema. Para além do mais pode aumentar a eficiência, reduzir    custos e eliminar fraudes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes registos digitais são encriptados com informação diversa sobre a sua    entrada e origem e ficam depois armazenados em blocos que estão interligados    em cadeia, sendo que para aceder a um qualquer bloco o utilizador necessita    introduzir a sua chave privada, assinatura digital e/ou endereço de carteira.    Estes <i>ledgers</i> das tecnologias <i>blockchain</i> são extremamente importantes    porque garantem uma forma totalmente segura de fazer e registar transações,    acordos e contratos. Nestes sistemas, todos podem visualizar as transações,    sendo que os utilizadores não são identificados. Qualquer tentativa de viciar    o sistema falha à partida dado que os registos não podem ser adulterados de    forma alguma, a informação em <i>ledger</i> pode ser verificada e está visível    em qualquer ponto da rede, e daí a segurança deste modelo dado que os aplicativos    que correm em cima da tecnologia <i>blockchain</i> o que fazem, na prática,    é realizar transações descentralizadas que são, portanto, registadas nos <i>ledgers</i>    digitais partilhados. </p>     <p>É um facto que a publicidade, e muito em particular o potencial da publicidade    nativa, tanto na indústria de <i>media</i> como noutras plataformas digitais,    surge com uma excecional capacidade de adaptação face à nova tecnologia emergente    e aos seus mecanismos de registo e de rede através dos &ldquo;digital ledgers&rdquo;. Desde    logo, estas plataformas digitais são suscetíveis de gerir de modo muito preciso    a eficiência de uma estratégia, ou comparar a eficiência de vários investimentos    dando dados muito objetivos sobre a cronologia do retorno do investimento (ROI).    Uma das grandes vantagens desta tecnologia é que ao descentralizar todo o processo    contratual entre anunciante e editores, permite uma economia de custos no plano    da intermediação do negócio, sendo que esta passa a ser reduzida praticamente    a zero, aumentando o retorno de investimento do anunciante. </p>     <p>Vejamos alguns exemplos relativos a plataformas emergentes nesta nova indústria:    i) Qchain: trata-se de uma aplicação que aposta numa estratégia &ldquo;smooth&rdquo; para    <i>media</i> digitais e direcionada para pequenos anunciantes interessados em    transações diretas sobretudo nas áreas do marketing de influenciadores e da    publicidade nativa; ii) a AdHive é uma plataforma um pouco mais ambiciosa, tendo    desenvolvido competências avançadas, com maior eficiência e economia de tempo,    no domínio da automatização da colocação de publicidade nativa com influenciadores;    iii) a NYIAX, desenvolvida através de uma parceria com a Nasdaq, permite que    anunciantes e editores realizem contratos de publicidade numa base de confiança    e a transparência; iv) a AdEx, assente no sistema operativo da Ethereum, tem    como prioridade eliminar a fraude na publicidade ao garantir não só um retorno    mais fiável mas também que os anunciantes pagam apenas por cliques válidos,    isto porque se apresenta como uma plataforma transparente, ou seja, o anunciante    com a AdEx tem a possibilidade de acompanhar e verificar a eficácia do seu investimento    em publicidade de um modo que não seria possível sem este aplicativo <i>blockchain</i>;    v) o BAT - Basic Attention Token, também a correr em Ethereum, propõe-se melhorar    radicalmente a eficiência de uma variedade de serviços de publicidade digital    ao criar um novo <i>token</i> que pode ser partilhado entre editores, anunciantes    e utilizadores. No seu <i>website</i> descreve-se desta forma: BAT &ldquo;é o novo    <i>token</i> para o setor de publicidade digital. Paga aos editores pelo seu    conteúdo e aos utilizadores pela sua atenção, dando mais aos anunciantes em    troca pelos seus anúncios&rdquo;. Na área do vídeo refiram-se ainda o MadHive, com    uma forte aposta na privacidade das trocas, fornece aos anunciantes de vídeo    uma gestão de dados em que as informações de identificação pessoal do utilizador    se mantêm privadas e permite que os anunciantes alcancem esses potenciais clientes    sem nunca saberem das suas informações privadas; e também o Native Video Box,    neste caso, com produtos especializados para publicidade nativa em vídeo com    suporte em AI e tecnologia <i>blockchain</i>.</p>     <p>As múltiplas vantagens das tecnologias <i>blockchain</i> aplicadas à publicidade    parecem assim evidentes. Por um lado, resolvendo desde logo a questão da intermediação    no negócio, depois trazendo uma maior fiabilidade e transparência à relação    entre anunciante, produto e/ou suporte/canal propriamente ditos, bem como à    aplicação e/ou resolução contratual, ou mesmo no plano da arbitragem do retorno    do investimento caso o anunciante não obtenha o tráfego que foi estimado para    um determinado contrato. E é um facto que a tecnologia <i>blockchain</i> garante    uma renovada transparência da publicidade digital, aumenta a sua eficiência,    reduz custos e elimina fraudes. Apenas um senão para este mercado emergente,    uma vez que se aguarda que a velocidade na <i>blockchain</i> permita transações    de anúncios digitais em tempo real, o que ainda não estará a suceder de forma    conveniente.</p>     <p><b><i>Novo ecossistema disruptivo</i></b></p>     <p>Veja-se um caso mais em concreto, a partir justamente do exemplo do projecto    BAT - Basic Attention Token, acima referido. Olhando para a estratégia desta    plataforma, podemos verificar desde logo que o diagnóstico feito relativamente    ao sector da publicidade na era digital não podia ser mais severo: segundo o    BAT, plataforma liderada por Brendan Eich (criador do JavaScript e co-fundador    do Mozilla &amp; Firefox), baseada na plataforma <i>blockchain</i> Ethereum,    e que desenvolve aplicações com o objetivo de trazer maior transparência e assertividade    a este mercado desregulado, prejudicando por isso mesmo utilizadores, editores    e anunciantes, o &ldquo;digital advertising is overrun by middlemen, trackers and    fraud&rdquo;. Ainda segundo a plataforma, o universo da publicidade digital &ldquo;abusa&rdquo;    dos utilizadores, sendo dados diversos exemplos: até 50% dos dados móveis do    utilizador médio são para anúncios e rastreadores; a carga de anúncios reduz    a vida útil da bateria até 21%; a privacidade é violada quando os grandes sites    de <i>media</i> hospedam largas dezenas de rastreadores; o <i>malware</i> (&ldquo;malvertisements&rdquo;    e <i>ransomware</i>) subiu 132% num ano, etc. Do lado dos publishers e <i>media</i>,    os problemas prendem-se, por exemplo, com o oligopólio das plataformas: as receitas    caem abruptamente, Google e Facebook dominam 73% do investimento em publicidade    <i>online</i> e 99% de todo o crescimento, <i>bots</i> infligem milhares de    milhões de dólares em fraudes, milhões de telefones e desktops executam bloqueios    de anúncios, enfim, os editores e <i>media</i> não conseguem monetizar serviços    e, naturalmente, também os anunciantes perdem neste contexto, uma vez que não    conseguem deter boa informação sobre aquilo que contratam e pagam. O <i>targeting</i>    e a segmentação são considerados fracos, tornando os utilizadores mais propensos    a ignorar os anúncios e mesmo os publicitários e profissionais de marketing    são frequentemente enganados por sites falsos e <i>bots</i> que em regra não    passam de fraudes.</p>     <p>Neste contexto, a plataforma de Brendan Eich propõe-se encontrar soluções disruptivas    e inovadoras em concordância com as potencialidades das tecnologias baseadas    na Ethereum Blockchain, introduzindo um sistema digital, descentralizado e transparente    de <i>ad exchange</i>. Desde logo, através da criação de um novo <i>browser</i>,    denominado Brave, de fonte aberta e focado na privacidade, que bloqueia &ldquo;malvertisements&rdquo;,    rastreadores e contém um sistema contábil que de forma anónima captura a atenção    dos utilizadores para &ldquo;premiar&rdquo; com precisão os editores. Através do Basic Attention    Token o utilizador acede a uma variedade de serviços baseados em publicidade,    que são trocados entre editores, anunciantes e utilizadores, sendo que a utilidade    do <i>token</i> é aqui denominada por &ldquo;atenção do utilizador&rdquo;. Combinando ambas    as fases, o navegador Brave gera um ecossistema de publicidade digital baseado    em tecnologia <i>blockchain</i> transparente e eficiente, que otimiza toda a    informação em torno da &ldquo;atenção&rdquo; dos utilizadores no sistema. Assim, segundo    esta plataforma, os editores recebem mais receita porque os intermediários e    as fraudes são reduzidos; os utilizadores, que optam por receber, recebem menos    anúncios, mas com melhor segmentação, sendo menos propensos a <i>malware</i>;    e os anunciantes obtêm melhores dados sobre os seus investimentos.</p>     <p>Esta nova tecnologia pode efetivamente ajudar a resolver um dos maiores desafios    do setor, que se prende com práticas de publicidade opacas, com métricas voláteis    e intermediários pouco transparentes. E repare-se que a Internet não é apenas    fortemente pulverizada por anúncios que não solicitamos, mas está também repleta    de <i>bots</i> e <i>malware</i>. Procurando ver um pouco mais além, poder-se-ia    dizer que o modelo oligopolista que domina a Internet não está a cumprir os    desígnios dos fundadores de abertura e privacidade da rede, entre eles Tim Berners-Lee    e Vint Cerf, mas, pelo contrário, está prioritariamente apostado num modelo    centralizador e agregador de conteúdos direcionado para as receitas de publicidade    segundo o modelo de métrica &ldquo;the winner takes it all&rdquo;, na expressão de Matthew    Hindman (2009), ou, pior ainda, numa estratégia que configura o modelo como    um &ldquo;data industrial complex&rdquo;, na expressão de Tim Cook (Lomas, 2018).</p>     <p>Este oligopólio, onde pontuam sobretudo Google e Facebook, representa, segundo    Gilder (2018), o apogeu da centralização, mas está de facto sendo cada vez mais    posto em causa por tecnologias descentralizadoras, e de recuperação da segurança    e da privacidade, que procuram &ldquo;devolver&rdquo; a Internet aos cidadãos, onde claramente    se destacam as tecnologias Blockchain. Na Internet, a confiança na segurança    das operações e na privacidade são componentes essenciais para a sustentabilidade    do modelo computacional e para a arquitetura de informação, e neste ponto o    atual sistema deixa muito a desejar. Por isso esta evolução &ldquo;natural&rdquo; de uma    Googlearchy (Hindman, 2009) para um Cryptocosm (Gilder, 2018), de um sistema    centralizado no oligopólio que domina o tempo que passamos <i>online</i> e fica    com os dados e lucros dessa &ldquo;economia da atenção&rdquo; (Hindman, 2018), para um modelo    autónomo que garanta privacidade, segurança e neutralidade da rede. E acima    de tudo &ldquo;liberdade&rdquo;, o valor maior, para utilizadores e cibernautas.</p>     <p>É, portanto, evidente que o que Brendan Eich pretende com um navegador como    o Brave é algo mais do que regular mercados estratégicos para a comunicação    de um modo geral, mas mais em particular para a publicidade digital. Também    nos parece óbvio que Eich pretende ir um pouco mais longe e basicamente atacar    o atual &ldquo;complexo industrial&rdquo; oligopolista, onde ele acaba por ser mais pernicioso.    E aí estamos a falar, sem dúvida, de um potencial navegador que se está a posicionar    para retirar poder às grandes plataformas digitais, devolvendo-o aos utilizadores,    editores e criadores de conteúdo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos assim dizer que faliu em definitivo o ciberoptimismo em torno da possibilidade    da Internet ser um acelerador tecnológico da transparência, da privacidade e    da segurança dos cibernautas. As velhas hierarquias cristalizaram e constituem-se    hoje nas principais barreiras à entrada e à abertura da rede, são hoje geradores    de novas desigualdades, num sistema altamente concentrado que também não assegura    a diversidade de acesso aos conteúdos. Estamos perante uma &ldquo;googlearchy&rdquo;, que    se replica e auto-perpetua na Web através da regra do &ldquo;<i>the most heavily linked&rdquo;</i>    (Hindman, 2009: 55). Daí que a densidade de ligações seja um instrumento plenamente    eficaz para a obtenção de quota de audiência, havendo claramente uma inabilidade    cognitiva, intrínseca, do utilizador para responder a esta espécie de obsolescência    programada dos conteúdos <i>online</i>, publicitários e outros, do modelo que    domina a Internet. As tecnologias <i>blockchain</i> têm aqui um papel determinante    a desenvolver, não restando dúvidas de que este princípio tecnológico baseado    em segurança e privacidade é decisivo para a consolidação próxima futura da    Net, havendo assim, para já, garantias de que a liberdade do utilizador e da    rede poderão efetivamente ser reconquistadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <!-- ref --><p>AdEx (2017). AdEx Benchmark Study 2017. Digital Advertising in Europe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902774&pid=S2183-5462201900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> May    2018. <a href="https://www.iabeurope.eu/wp-content/uploads/2018/05/IAB-Europe_AdEx-Benchmark-2017-results-at-Interact_23.05.18-V3.pdf" target="_blank">https://www.iabeurope.eu/wp-content/uploads/2018/05/IAB-Europe_AdEx-Benchmark-2017-results-at-Interact_23.05.18-V3.pdf</a></p>     <p>BAT (2018). &ldquo;Blockchain Based Digital Advertising&rdquo;. Basic Attention Token (BAT)    Brave Software, March 13. <a href="https://basicattentiontoken.org/BasicAttentionTokenWhitePaper-4.pdf" target="_blank">https://basicattentiontoken.org/BasicAttentionTokenWhitePaper-4.pdf</a></p>     <p>Cádima, F. (2015). &ldquo;<i>Media</i>, Cidadania e Big data&rdquo;. <i>Media &amp; Jornalismo</i>,    nº especial, dezembro de 2015, pp. 63-72.</p>     <p>Dentsu (2018). &ldquo;Asia Pacific advertising spend to grow by 4.5% in 2018 as FIFA    World Cup stimulates growth&rdquo;. Dentsu Aegis Network, 14 JUN. <a href="http://dentsuaegisnetwork.com/asiapacific/Media/DentsuAegisNetworkNewsDetaila/2018/apac-2018-06-14" target="_blank">http://dentsuaegisnetwork.com/asiapacific/<i>Media</i>/DentsuAegisNetworkNewsDetaila/2018/apac-2018-06-14</a></p>     <!-- ref --><p>Duhigg, C. (2013). <i>A Força do Hábito</i>. Lisboa: D. Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902779&pid=S2183-5462201900010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durães, P. (2017). &ldquo;Investimento no digital ultrapassa pela primeira vez o    da imprensa em Portugal&rdquo;. <i>Meios e Publicidade</i>, 20 de Janeiro.<a href="http://www.meiosepublicidade.pt/2017/01/investimento-no-digital-ultrapassa-pela-primeira-da-imprensa-portugal/" target="_blank">http://www.meiosepublicidade.pt/2017/01/investimento-no-digital-ultrapassa-pela-primeira-da-imprensa-portugal/</a></p>     <!-- ref --><p>Gilder, G. (2018). <i>Life After Google: The Fall of Big Data and the Rise    of the Blockchain Economy</i>. Washington: Gateway Editions.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902782&pid=S2183-5462201900010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Hartley, G. (2018). &ldquo;Is blockchain the answer for increasing trust in digital    advertising?&rdquo; <i>The Drum</i>, 10 September. <a href="https://www.thedrum.com/opinion/2018/09/10/blockchain-the-answer-increasing-trust-digital-advertising" target="_blank">https://www.thedrum.com/opinion/2018/09/10/blockchain-the-answer-increasing-trust-digital-advertising</a></p>     <!-- ref --><p>Hindman, M. (2018). <i>The Internet Trap. How the Digital Economy Builds Monopolies    and Undermines Democracy</i>. New Jersey: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902785&pid=S2183-5462201900010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hindman, M. (2009). <i>The Myth of Digital Democracy</i>. New Jersey: Princeton    University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902787&pid=S2183-5462201900010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>IAB (2013). The Native Advertising Playbook. <a href="https://www.iab.com/wp-content/uploads/2015/06/IAB-Native-Advertising-Playbook2.pdf" target="_blank">https://www.iab.com/wp-content/uploads/2015/06/IAB-Native-Advertising-Playbook2.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902789&pid=S2183-5462201900010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IAB (2018). Blockchain for Video Advertising: A Market Snapshot of Publisher    and Buyer Use Cases.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902790&pid=S2183-5462201900010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> February 2018. <a href="https://www.iab.com/wp-content/uploads/2018/02/Blockchain_for_Video_Advertising_Publisher-Buyer_Use_Cases_2018-02.pdf" target="_blank">https://www.iab.com/wp-content/uploads/2018/02/Blockchain_for_Video_Advertising_Publisher-Buyer_Use_Cases_2018-02.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>James, D. (2018). Your next browser will pay you. The Attention Revolution:    The path forward from a broken internet. Hackernoon, Sep, 18. <a href="https://hackernoon.com/the-attention-revolution-your-next-browser-will-pay-you-b8b12399c3f7" target="_blank">https://hackernoon.com/the-attention-revolution-your-next-browser-will-pay-you-b8b12399c3f7</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1902792&pid=S2183-5462201900010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kloefkorn, S. (2018). &ldquo;What&rsquo;s Coming: Blockchain And Advertising&rdquo;. Forbes.com,    June, 8. <a href="https://www.forbes.com/sites/forbesagencycouncil/2018/06/08/whats-coming-blockchain-and-advertising/#29a7b3024db9" target="_blank">https://www.forbes.com/sites/forbesagencycouncil/2018/06/08/whats-coming-blockchain-and-advertising/#29a7b3024db9</a></p>     <p>Lomas, N. (2018). &ldquo;Apple’s Tim Cook makes blistering attack on the ‘data industrial    complex’&rdquo;. TechCrunch, 2018/10/24. <a href="https://techcrunch.com/2018/10/24/apples-tim-cook-makes-blistering-attack-on-the-data-industrial-complex/" target="_blank">https://techcrunch.com/2018/10/24/apples-tim-cook-makes-blistering-attack-on-the-data-industrial-complex/</a></p>     <p>Nunes, C. (2018). &ldquo;Publicidade no digital debaixo de fogo&rdquo;. Expresso - Economia,    17 de fevereiro de 2018.</p>     <p>Nunes, C. (2018a). &ldquo;Anunciantes contra mudanças na medição da publicidade no    Facebook&rdquo;. Expresso <i>online</i>, 6/03/2018.<a href="https://expresso.sapo.pt/economia/2018-03-06-Anunciantes-contra-mudancas-na-medicao-da-publicidade-no-Facebook#gs.9w1QyWY" target="_blank">https://expresso.sapo.pt/economia/2018-03-06-Anunciantes-contra-mudancas-na-medicao-da-publicidade-no-Facebook#gs.9w1QyWY</a></p>     <p>Ribeiro, S. (2017). &ldquo;Google e Facebook dominam publicidade <i>online</i>&rdquo;.    Jornal de Negócios, 23 de março de 2017. <a href="https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/tecnologias/detalhe/google-e-facebook-dominam-publicidade-online" target="_blank">https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/tecnologias/detalhe/google-e-facebook-dominam-publicidade-<i>online</i></a></p>     <p>Tapscott, D. and Tapscott, A. (2016). <i>Blockchain Revolution. How the Technology    Behind Bitcoin is Changing Money, Business and the World</i>. New York: Penguin.</p>     <p>Thornburg, W. (2018). &ldquo;Blockchain, Digital Advertising, and the Great Escape&rdquo;.    CoinCentral.com, 20 July. <a href="https://coincentral.com/blockchain-digital-advertising/" target="_blank">https://coincentral.com/blockchain-digital-advertising/</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido | Received | Recebido: 2018.07.10     <br>   Aceite | Accepted | Aceptación: 2018.10.18</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nota biográfica</p>     <p>Francisco Rui Cádima é Professor Catedrático do Departamento de Ciências da    Comunicação (DCC) da NOVA FCSH; - Investigador Responsável do ICNOVA - Instituto    de Comunicação da NOVA / CIC.Digital; - Coordenador do curso de Doutoramento    do DCC da NOVA FCSH; - Membro da Direção da revista Media &amp; Jornalismo (SCOPUS).    É autor de uma vasta obra académica no campo das ciências da comunicação.      <p>Ciência ID: 231F-D7BA-F635      <p> Email: <a href="mailto:frcadima@fcsh.unl.pt">frcadima@fcsh.unl.pt</a>      <p> Morada: Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061,    Portugal</p>      ]]></body><back>
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