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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENSÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Benkler, Y.; Roberts, H, &amp; Faris, R. (2018). Network    Propaganda: Manipulation, Disinformation, and Radicalization in American Politics.    New York: Oxford University Press.</b></font></p>     <p><b>João Carlos Martins</b>    <br>   <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-5711-6333">https://orcid.org/0000-0002-5711-6333</a></p> <hr/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por detrás dos holofotes e dos microfones, perfila-se um governo invisível    que é o verdadeiro poder regulador no nosso país (Bernays: 1928). Quase um século    depois, Yochay Benkler, Robert Faris e Hal Roberts confirmam a definição matricial    de Propaganda como meio de organizar e moldar o pensamento e a perceção (Auerbach    &amp; Castronovo: 2014) numa esfera pública vulnerável à desinformação no ecossistema    mediático americano.</p>     <p>A campanha eleitoral que conduziu Donald Trump à presidência e o seu primeiro    ano de mandato delimitam o período de investigação académica inspirada num artigo    do BuzzFeed News. Nesse mesmo artigo do final de 2016, Craig Silverman introduz    o termo <i>fake news</i><a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>.    O homem que usa o oxímoro como cruz e credo e o amplifica para o discurso cultural    contemporâneo, toma posse em janeiro de 2017. A partir de quatro milhões de    histórias postadas, tweetadas e partilhadas durante a campanha eleitoral, os    dados modelaram a interpretação da assimetria mediática americana com recurso    ao Media Cloud<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>, um sistema    de análise digital desenvolvido em parceria com o Center for Civic Media do    Massachusetts Institute of Technology durante uma década. Uma análise da ligação    e partilha de notícias no Facebook e no Twitter combinada com análise textual    para inferir padrões de atenção da audiência, delimitando o território da rede,    resultou num mapa da arquitetura de autoridade e atenção (pp. 45/74).</p>     <p>Num momento pós-verdade<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a> de    crise epistemológica (pp. 3/23), mas não acompanhando o espírito do tempo de    uma extrema polarização política tecnologicamente conduzida através do algoritmo    de Mark Zuckerberg (pp. 269/288), da polinização das fake news (pp. 188-268)    e da intervenção que veio da Rússia (pp. 235/268), os autores fazem um diagnóstico    duma conspiração exercida por uma máfia inteligente (Rheingold: 2002) que introduziu    a sua própria agenda na campanha eleitoral americana onde o tecido institucional    e político-cultural subjacente está mais desgastado. A crise é política. Não    é tecnológica (pp. 289/293).</p>     <p>O estudo confirma a influência dos média norte-americana na eleição o que remonta    a uma mudança estrutural política com raízes na talk radio e na entrada em antena    da Fox News em 1996 (pp. 311/339), promovendo uma armada insular e assimétrica    feita de retórica e política radical mesclada com ansiedade religiosa e racial    (pp.294/310), liderada pelo Breitbart<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>    que a partir da periférica extrema-direita (pp. 225/233), atacou o núcleo central    do eleitorado e segmento flutuante de audiência televisiva entre os 25 a 35%    nos <i>Estados Unidos da Amnésia</i> para recuperar Gore Vidal<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>.    Um dos pontos críticos foi quando a direita alinhada pela plataforma da <i>alt-right</i>    atacou violentamente a Fox News por não apoiar o candidato Trump o que a levou    a juntar-se no final da procissão eleitoral e a tornar-se o órgão não oficial    de propaganda no primeiro ano da era Trump (pp. 145/187) dentro do carrossel    de propaganda em <i>loop</i> entre os média de direita e o Presidente (pp. 75/144).</p>     <p>A cobertura jornalística da campanha foi crítica e negativa, mas Trump conseguiu    chegar ao eleitorado (pp. 105/144) e sobreviver às acusações (pp. 91/99) enquanto    Hillary naufragou nos escândalos ampliados pelos média do <i>mainstream</i>    (pp. 85/91). Os estudos de caso apresentados demonstram o New York Times a ser    instrumentalizado por Steven Bannon nas estórias sobre a fundação Clinton e    sobre a empresa Uranium One bem como a cobertura discutível do Washington Post    sobre doações da campanha democrata. Mas este não é apenas um compêndio de diagnósticos    acutilantes e conclusões incendiárias: os autores apontam soluções mas antecipam    que por causa do tamanho do problema, não estão otimistas que apenas uma dessas    mudanças tenha sucesso na restruturação da situação deteriorada dos média americanos    (p. 351). Será necessária uma combinação de medidas e a participação de vários    atores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Após uma profunda apresentação da estrutura assimétrica e do papel que esta    assimetria desempenha na disseminação da desinformação (p. 355), uma sugestão    é a de que o jornalismo profissional precisa recalibrar o compromisso de relatar    mais para a transparência, para a prestação de contas e a verificabilidade longe    da neutralidade demonstrativa (p. 357). Como amplamente descrito nos estudos    de caso da campanha presidencial americana, quando os média profissionais tradicionais    insistem na cobertura que realiza a sua própria neutralidade, dando igual peso    a visões opostas, mesmo quando uma é falsa e a outra não, eles falham (p. 356).</p>     <p>Apesar do jornalismo tradicional viver tempos sombrios debaixo do espectro    da sacrossanta internet, existem boas notícias nesta investigação académica    para os jornalistas profissionais que devem continuar a oferecer exatamente    o que os torna especiais: reportagens credíveis em organizações comprometidas    com normas jornalísticas, mas com uma ênfase mais acentuada numa verdade verificável    e responsável e credibilidade em vez de equilíbrio e neutralidade (p. 359).  </p>     <p>Em termos políticos, o estudo é ironicamente pessimista e otimista. Otimista    quando sugere que não há efeito de câmara de eco que, inevitavelmente, leve    uma sociedade com uma esfera pública que funcione bem a transformar-se numa    esfera sem rei nem roque apenas porque a internet chegou à cidade. A esfera    pública online americana é caótica porque foi enxertada numa esfera pública    de rádio e televisão que já estava profundamente contaminada. (p. 386). Pessimista    quando não encontra uma simples resolução para crises epistemológicas em países    onde uma parcela politicamente significativa da população ocupa um ambiente    ultrapartidário rico em propaganda. A regulamentação ou a autorregulação das    plataformas pode ajudar a lidar com alguns dos efeitos da poluição comercial    (p. 386) prevenindo que qualquer plataforma revele falhas que possam ser usadas    por uma campanha de desinformação. O financiamento público para médias profissionais    e o combate à iliteracia digital do público também são alguns dos caminhos possíveis.    Mas se o problema fundamental tem profundas raízes políticas e assume uma forma    política, é difícil imaginar que o mesmo seja resolvido por meios tecnocráticos    e não políticos e culturais (p. 387). E neste processo de reconstrução da esfera    pública digital, quando o prestígio e a credibilidade dos meios de comunicação    diminuem, a academia é um lugar onde a influência pode ser exercida e o respeito    recuperado (Reese: 1999). Um dos primeiros passos começou com este livro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</B></p>     <p>Auerbach, J. &amp; Castronovo, R. (eds.)(2014). <i>The Oxford Handbook of Propaganda    Studies</i>. New York: Oxford University Press.</p>     <p>Bernays, E. (2005/1928). <i>Propaganda.</i> Lisboa: Mareantes Editora.</p>     <!-- ref --><p>Reese, S. D. (1999). The Progressive Potential of Journalism Education: Recasting    the Academic versus Professional Debate. <i>Harvard International Journal of    Press/Politics, 4</i>(4), 70-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906360&pid=S2183-5462201900010002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </p>     <p>Rheingold, H. (2002). <i>Smart Mobs: The Next Social Revolution</i>. Basic    Books.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido | Received | Recebido: 2018.08.12    <br>   Aceite | Accepted | Aceptación: 2018.10.12</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Silverman, C. (2016). <i>This    Analysis Shows How Viral Fake Election News Stories Outperformed Real News On    Facebook</i>. BuzzFeed News. Disponível em <a href="https://www.buzzfeednews.com/article/craigsilverman/viral-fake-election-news-outperformed-real-news-on-facebook" target="_blank">https://www.buzzfeednews.com/article/craigsilverman/viral-fake-election-news-outperformed-real-news-on-facebook</a></p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Disponível em <a href="https://mediacloud.org/" target="_blank">mediacloud.org</a>.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> O termo pós-verdade foi    usado pela primeira vez num ensaio do escritor de teatro Steve Tesich no The    Nation em 1992. Kreitner, R. (2016). Post-Truth and Its Consequences: What a    25-Year-Old Essay Tells Us About the Current Moment. The Nation. Disponível    em <a href="https://www.thenation.com/article/post-truth-and-its-consequences-what-a-25-year-old-essay-tells-us-about-the-current-moment/" target="_blank">https://www.thenation.com/article/post-truth-and-its-consequences-what-a-25-year-old-essay-tells-us-about-the-current-moment/</a>.  </p>     <p>O termo &quot;política pós-verdade&quot; foi cunhado por David Roberts, onde    foi definido como &quot;uma cultura política na qual a opinião pública e a narrativa    dos média se tornaram quase totalmente desligadas da política&quot;. Roberts,    D. (2000). Post-truth politics. grist. Disponível em <a href="https://grist.org/article/2010-03-30-post-truth-politics/" target="_blank">https://grist.org/article/2010-03-30-post-truth-politics/</a>.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> Bannon que tinha entrado    para a direção em 2012, interrompe a colaboração entre 2016 e 2017. Quando é    demitido da Casa Branca, regressa ao site que abandona em 2018. Muda-se para    Bruxelas onde cria O Movimento. Hines, N. (2018). Inside Bannon&rsquo;s Plan to Hijack    Europe for the Far-Right. Daily Beast. Disponível em <a href="https://www.thedailybeast.com/inside-bannons-plan-to-hijack-europe-for-the-far-right" target="_blank">https://www.thenation.com/article/post-truth-and-its-consequences-what-a-25-year-old-essay-tells-us-about-the-current-moment/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> Felizmente para os loucos    atarefados que nos governam, somos permanentemente os Estados Unidos da Amnésia.    Não aprendemos nada porque não nos lembramos de nada. Vidal, G. (2004). State    of the Union. The Nation. Disponível em <a href="https://www.thenation.com/article/state-union-2004/" target="_blank">https://www.thenation.com/article/state-union-2004/</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nota biográfica</p>     <p>João Carlos Martins é mestre em Ciências da Comunicação - Estudos dos Media    e do Jornalismo pela NOVA-FCSH e doutorando em Ciências da Comunicação - especialização    em Comunicação Estratégica. Trabalhou em jornalismo, assessoria de imprensa    e produção teatral. Investiga e publica sobre comunicação política no poder    local.</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:joaocarlosmartins.mail@gmail.com">joaocarlosmartins.mail@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061,    Portugal</p>      ]]></body><back>
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