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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A ação política da Delegação do Porto do Secretariado Nacional de Informação: as relações com a imprensa e a radiodifusão portuenses]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The National Bureau of Propaganda, from 1944 on National Information Bureau, was the first of the new organisms created by the New State (Estado Novo), founded as early as September 1933. Created in a time of structuring and consolidation of the new regime, dependent on the Presidency of the Council, the Bureau assumed a clearly political role, as a propaganda and information organization. Within the framework of its action, the Bureau mobilized all cultural activities - fine arts, performing arts, cinema, theater, literature - but also the media, namely press and broadcasting. In March 1945, a Delegation of the Bureau was established in the city of Porto. How-ever, this was traditionally a city of resistance regarding the authoritarian regime of the New State. This article proposes a first understanding of the action of the Porto Delegation, about which little is known. In particular, the Delegation’s policy in the fields of press and private broadcasting in Porto is discussed, and how these actions have connected with the primary function of the Bureau regarding the rhetorical construction of the New State regime.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>A ação política da Delegação do Porto do Secretariado Nacional de Informação: as relações   com a imprensa e a   radiodifusão portuenses</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The political activity of the Porto Delegation of the National Information Bureau: the relationship with the city&rsquo;s press and broadcasting</b></font></p>     <p><b>Carla Ribeiro*</b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-4068-3403">https://orcid.org/0000-0002-4068-3403</a></p>     
<p>*Instituto   Politécnico do Porto, Escola Superior de Educação; Centro   de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, Universidade do Porto</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O Secretariado de Propaganda Nacional, a partir de 1944 Secretariado Nacional de Informação, foi o primeiro dos novos organismos criados pelo Estado Novo, fundado em setembro de 1933. Pensado e criado num clima de estruturação e consolidação do novo regime, dependente da Presidência do Conselho, assumiu uma orientação claramente política, enquanto organismo de propaganda e informação. No âmbito da sua ação, o Secretariado mobilizou todo o leque das atividades culturais - artes plásticas, artes performativas, cinema, teatro, literatura - mas também os meios de comunicação - a imprensa e a radiodifusão. Em março de 1945, criava-se no Porto uma Delegação do Secretariado. Todavia, tradicionalmente o Porto não era uma cidade &lsquo;da Situação&rsquo; mas de resistência ao regime. No presente artigo propõe-se uma primeira leitura da ação desta Delegação, sobre a qual pouco se sabe e nada parece ter sido escrito. Em particular, aborda-se a atuação política da Delegação no campo da imprensa e da radiodifusão privada portuenses, e como essas relações se conetaram com a sua função primordial de construção retórica do Estado Novo.</p>     <p><b>Palavras chave</b>: Secretariado Nacional de Informação; delegação do Porto; radiodifusão; imprensa; Porto</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The National Bureau of Propaganda, from 1944 on National Information Bureau, was the first of the new organisms created by the New State (Estado Novo), founded as early as September 1933. Created in a time of structuring and consolidation of the new regime, dependent on the Presidency of the Council, the Bureau assumed a clearly political role, as a propaganda and information organization. Within the framework of its action, the Bureau mobilized all cultural activities - fine arts, performing arts, cinema, theater, literature - but also the media, namely press and broadcasting. In March 1945, a Delegation of the Bureau was established in the city of Porto. However, this was traditionally a city of resistance regarding the authoritarian regime of the New State. This article proposes a first understanding of the action of the Porto Delegation, about which little is known. In particular, the Delegation&rsquo;s policy in the fields of press and private broadcasting in Porto is discussed, and how these actions have connected with the primary function of the Bureau regarding the rhetorical construction of the New State regime.</p>     <p><b>Keywords</b>: National Information Bureau; Porto delegation; broadcasting; press; Porto</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>A história dos organismos e instituições do Estado Novo tem vindo a fazer-se nestes anos de democracia por investigadores de diversas áreas e proveniências. Destacam-se apenas alguns desses trabalhos: Irene Flunser Pimentel trouxe à luz do dia a história das Organizações Femininas e da PIDE, Joaquim Vieira, Manuel Ribeiro Rodrigues ou Lopes Arriaga escreveram sobre a Mocidade Portuguesa, Luís Nuno Rodrigues centrou a dissertação de mestrado na Legião Portuguesa, José Carlos Valente deu a conhecer a história da Fundação para a Alegria no Trabalho e Nelson Ribeiro a da Emissora Nacional. Todavia, o Secretariado de Propaganda Nacional, a partir de 1944 Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo, e depois de 1968 Secretaria de Estado da Informação e Turismo, continua em larga medida por estudar. Relevante organismo do Estado Novo, considerado como &ldquo;o mais importante <i>interface </i>do salazarismo&rdquo; (Ó, 1999, p. 54), o Secretariado apresentou-se como a &ldquo;plataforma centralizadora da política cultural oficial&rdquo; (Melo, 2001, p. 18), procurando consolidar a ideia de Nação, estruturando uma identidade e memória coletivas de acordo com a ideologia do regime. Diretamente vinculado à Presidência do Conselho - a Salazar portanto -, o Secretariado foi o primeiro dos novos organismos criados pelo Estado Novo, fundado logo em setembro de 1933.</p>      <p>Podem referenciar-se como estudos que abordam o Secretariado a obra de Jorge   Ramos do Ó (1999),   onde o autor, embora tendo a figura de António Ferro (o primeiro diretor deste   organismo) como pano de fundo,   procurou abordar a prática, a estrutura e os discursos culturais de   diversas instituições e iniciativas do Estado Novo, entre as quais o Secretariado; o livro de Daniel Melo   (2001), decorrente da sua dissertação   de mestrado, que tem como tema a perspetiva oficial sobre a cultura popular   durante o Estado Novo, no período que vai de 1933 a 1958, abarcando   o Secretariado mas não se limitando a este organismo, ou o estudo   comparativo de Heloísa   Paulo (1994), relativo à   intervenção propagandística dos regimes ditatoriais português e brasileiro, através dos seus organismos institucionais, respetivamente o Secretariado e o Departamento de Imprensa e Propaganda.</p>      <p>Temáticas mais específicas, sobre a produção cultural deste órgão, encontram-se abordadas em trabalhos fora da área da História, como a dissertação de mestrado de Ema Pires (2003) e a tese de doutoramento de Vera Marques Alves (2013), ambas já editadas. A primeira analisa, num discurso cruzado entre a História e a Antropologia, as narrativas turísticas e os discursos de propaganda presentes na política de António Ferro, de 1933 a 1949, numa construção, pela propaganda turística, de um Portugal para consumo interno e externo. Já a tese de doutoramento de Vera Alves analisa a política folclorista do Secretariado tendo como principal referência as teorias desenvolvidas pela Antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular e da etnografia. Por fim, de referir a recentemente publicada tese de doutoramento de José Guilherme Victorino (2018), que aborda a revista <i>Panorama</i>, editada pelo Secretariado a partir de 1941.</p>      <p>Torna-se claro   que a atual produção científica em torno do Secretariado não inclui   uma análise sistemática do organismo que abranja a totalidade da sua existência   - os estudos   mencionados referem-se, quase em exclusivo, ao período inicial,   entre 1933 e 1949, centrando-se maioritariamente na figura   do seu primeiro diretor. Ora, se   esta dificuldade em obter um olhar panorâmico sobre o Secretariado é evidente, é igualmente válida para estudos   de pormenor sobre o órgão: organização interna, funcionários, orçamentos, iniciativas, tudo parece por fazer.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procurando contribuir para colmatar este vazio historiográfico, este artigo apresenta um estudo sobre a única delegação do Secretariado, localizada no Porto, centrando-se na sua relação com os órgãos de comunicação social da cidade. Pretende-se dar resposta a algumas questões de investigação: Qual a organização da Delegação do Secretariado no Porto? Qual a sua relação com os meios de comunicação portuenses (imprensa e radiodifusão privadas)? Qual o peso político desta atuação e como tal se conectou com a função primordial do organismo, de construção retórica do regime? Em termos metodológicos, numa prática que se pretende de micro-história, optou-se pelo estudo de caso, utilizando-se técnicas de tipo qualitativo, cruzando   a análise de conteúdo com a análise do discurso. Na   investigação aqui apresentada, e dada a exiguidade de conhecimentos específicos sobre o assunto,   como mencionado já, optou-se sobretudo pela utilização de fontes documentais originais do fundo   do Secretariado   depositado na Torre do Tombo,   especificamente os relatórios emanados da Delegação do Porto, da década de 1950<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>. Constituem uma prolífica fonte   de informação, relatando fatos,   discutindo e pronunciando-se sobre a realidade da cidade do Porto   e do Norte do país,   proporcionando um notável   enquadramento da situação que se vivia então e do pensamento oficial em torno da mesma.</p>     <p><b>O Secretariado Nacional de Informação e a criação da Delegação no Porto</b></p>     <p>Logo em 1933, num clima de estruturação e consolidação do Estado Novo, são estabelecidos os dois alicerces institucionais da política de informação do novo regime: a Direção Geral dos Serviços de Censura, tutelada pelo Ministério do Interior até 1944, e o Secretariado de Propaganda Nacional, na dependência direta da Presidência do Conselho.</p>      <p>Aos Serviços de Censura cabia, de acordo com a Constituição, &ldquo;impedir a perversão da opinião pública na sua função de força social&rdquo;, defendendo-a &ldquo;de todos os factores que a desorientem contra a verdade,   a justiça, a moral, a boa administração e o bem comum&rdquo; (1933, pp. 228-229). Ao Secretariado, conforme   indicado no seu documento fundador,   o Decreto-lei nº 23054, competia   a função de &ldquo;integrar os portugueses no pensamento moral que deve dirigir a Nação&rdquo; (1933, p. 1675). Cumpria-se assim, de formas   diferentes, uma mesma função: a produção de um mundo simbólico, de um discurso único capaz   de arregimentar as massas. Um &ldquo;cerco   ideológico&rdquo; (Barros, 2005, p. 235) portanto, materializado pelos Serviços de Censura e pelo Secretariado. Neste sentido,   enquanto organismo de propaganda, que coordenava toda a informação relativa à ação dos diferentes ministérios, o Secretariado estava   dividido em duas secções,   uma interna, para regular as relações da imprensa local com os poderes do Estado,   divulgar a doutrina, combater a penetração no país de ideias perturbadoras e dissolventes da unidade nacional, e outra externa,   na colaboração com os organismos portugueses no estrangeiro, elucidando a opinião internacional e promovendo exposições nos grandes centros.   Um organismo cujos   interlocutores privilegiados eram escritores e jornalistas, diplomatas e agências estrangeiras de informação. Para desenvolver estas linhas de ação, o   Secretariado mobilizou todo o leque das atividades culturais - artes plásticas, artes performativas, cinema, teatro, literatura - e dos meios de comunicação,   nomeadamente a imprensa e a radiodifusão. Em 1943, em plena convulsão mundial, o então diretor do organismo, António Ferro, escritor, jornalista e <i>bon-vivant</i><a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>, dirige a Salazar   um memorando sobre   a &ldquo;inquietação dos portugueses&rdquo;, listando como   causas para esta situação &ldquo;a incompreensão do regime   corporativo [&hellip;], a crise   e burocratização da mística [&hellip;], a falta   de uma imprensa   continuadamente orientada&rdquo; e, eventualmente ainda mais importante, a &ldquo;deficiência de meios legais da propaganda e falta de coordenação com os serviços públicos que a podem tornar eficiente&rdquo;<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>.</p>      <p>Da análise do memorando   de 1943, é notória uma grande preocupação em controlar a imagem do regime   internamente. Como solução para a   situação descrita, Ferro apresentava   um conjunto de 25 medidas   políticas, que abrangiam numerosas áreas de atuação. Destaca-se a exigência   de uma maior intervenção e poder no controlo da imprensa e dos espetáculos culturais, reclamando Ferro a tutela   destas áreas para o organismo que dirigia. Este assume-se, portanto, como o documento   que operou a metamorfose   do Secretariado numa outra organização, concretizada em 1944. O novo   órgão, embora não divergisse muito do antigo   Secretariado quanto à sua função de   propaganda, politicamente assumia de forma clara uma faceta mais repressiva e coerciva,   passando a assegurar, como pedido no memorando   de 1943, o controlo sobre a informação e a imprensa, com as seguintes funções: o registo e licença para jornalistas e agências   noticiosas, a superintendência da radiodifusão e a execução das antigas   atribuições da Inspeção Geral dos Espetáculos (o que lhe permitia centralizar a fiscalização e o fornecimento de registos,   licenças e vistos   para todae qualquer manifestação artística ou casa de   espetáculo aberta   ao público; na prática, permitir ou proibir   a realização de espetáculos), além do controlo,   crucial, das funções   relativas à censura,   que atuava sobre toda a produção   cultural nacional, e estava até aí na dependência do Ministério do Interior. Este novo Secretariado era agora um efetivo   órgão de controlo   político, que   fiscalizava, superintendia, centralizava e vigiava a vida cultural e artística do país.</p>      <p>Neste novo   contexto, foi criada em março de 1945 uma Delegação do Secretariado no Porto, a segunda cidade   do país, parte   integrante de uma   estratégia de expansão da área de influência do governo, pela   multiplicação dos órgãos burocráticos. A sua função era clara: ser &ldquo;a projeção na capital do Norte do organismo central&rdquo;<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>.</p>      <p>Mas o projeto de uma delegação no Porto vinha de 1934: segundo dados recolhidos no fundo do Secretariado na Torre do Tombo, em março desse ano Artur Maciel<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>, então chefe dos Serviços Internos do Secretariado (mais tarde Serviços de Informação e Imprensa), teria efetuado uma viagem ao Norte do país, incluindo nesse périplo cidades como Braga e Viana do Castelo, tendo como um dos seus encargos encontrar na cidade do Porto um espaço que pudesse servir como delegação do Secretariado. Teria então equipado duas salas alugadas na Avenida dos Aliados, de forma que &ldquo;a instalação ainda que modesta, se tornasse tão decente quanto necessário para a dependência que fique a representar, no Porto, a Presidência do Conselho&rdquo;<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>. Sobre o que terá acontecido a esta Secção não reza a história ou, neste caso, os arquivos do Secretariado.</p>      <p>Estabelecida em edifício situado na Praça D. João I (o prédio onde estava a Delegação, no nº 25 da Praça, pertencia à empresa Maurício Macedo &amp; Cª, importadores), a Delegação do Porto foi dirigida por António Maria Pinheiro Torres até à sua morte, em 1966, sendo então substituído por Manuel Seabra.</p>      <p>Seguindo a organização da sede, em Lisboa, encontrava-se dividida em quatro repartições: 1ª Repartição: Serviços Centrais (Secretaria, Tesouraria e Contabilidade); 2ª Repartição: Serviços de Informação (Imprensa, Rádio); 3ª Repartição: Cultura Popular e 4ª Repartição: Serviços de Turismo, Secção Técnica e da Agência de Informações. Da análise dos relatórios de Pinheiro Torres, percebe-se a extrema centralização exercida pelo regime na orgânica interna dos diversos serviços e repartições da Delegação, na sua relação com a sede. Administrativamente, todos os relatórios respeitantes à atividade das repartições da Delegação eram sempre dirigidos ao Secretário Nacional, o que terá levado em 1954 a que o Delegado do Porto se dirigisse ao então diretor do Secretariado, Jos&eacute; Manuel da Costa, na tentativa de o fazer compreender a import&acirc;ncia de ter diretamente subordinados a si todos os funcion&aacute;rios da Delega&ccedil;&atilde;o. Tal era especialmente grave no que &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos or&ccedil;amentos e contas dizia respeito, uma vez que estes estavam totalmente dependentes da comunica&ccedil;&atilde;o exercida entre o delegado da 1&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o e o chefe da 1&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o da sede do Secretariado, o que significava que Pinheiro Torres n&atilde;o seria ouvido na elabora&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento geral da Delega&ccedil;&atilde;o, tomando dele conhecimento j&aacute; pronto.</p>     <p><b>A cidade do Porto bastião da oposição ao regime</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tradicionalmente, o Porto não era uma cidade &lsquo;da Situação&rsquo; mas de resistência ao regime. No mencionado relatório de viagem de Artur Maciel, afirmava então este funcionário do Secretariado que &ldquo;a organização comunista [&hellip;] é evidente e conta com elementos activos&rdquo;<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>. Na década de 1950, a situação mantinha-se. Do relatório de novembro de 1954, elaborado pelo chefe da Delegação do Secretariado, Pinheiro Torres, percebe-se a assunção das dificuldades:</p>     <blockquote>    <p>O Porto, pela circunstância de se encontrar longe do poder central e mercê da personalidade dos seus habitantes, é um meio difícil. Essencialmente liberal, dificilmente aceita coartem o que julga ser seus direitos. Ferozmente bairrista, é naturalmente tendente à independência. É católico, mas com tendências anti-clericais. É conservador, portanto, mas individualista<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>.</p></blockquote>     <p>Isto significava, na ótica do Delegado do Porto, que &ldquo;estas qualidades e defeitos, habilmente explorados, constituem terreno propício à oposição, que actua em todos os meios e por todas as formas&rdquo;<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a>. Para o Secretariado, era evidente a existência no Porto de </p>     <blockquote>    <p>um escol oposicionista-comunista existencialista, sub-realista -   que penetra em todos os meios e,   por intermédio dos jornais e agremiações [&hellip;] expõem e exibem as suas ideias, habilmente camufladas   em conferências, exposições, filmes, músicas e teatro [&hellip;], tendo sempre   guarida no &lsquo;Ateneu Comercial&rsquo; e &lsquo;Clube dos Fenianos&rsquo;, cujos corpos directivos   são, nitidamente da esquerda<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a>.</p></blockquote>     <p>Era, portanto, face a esta leitura do panorama da vida intelectual e cultural da cidade que a Delegação do   Secretariado se posicionava, procurando, através de uma &ldquo;bem orientada acção&rdquo;, uma contraofensiva, opondo para tal &ldquo;as nossas ideias, precisamente pelos mesmos meios, durante todo o ano&rdquo;<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a>.</p>     <p><b>A ação da Delegação: as relações com a imprensa</b></p>     <p>Como se viu, a Delegação do Porto contava com uma repartição inteiramente dedicada aos serviços de informação, denotativa da importância conferida aos meios de comunicação, em particular a imprensa, como mecanismos indispensáveis de consolidação do ideário nacionalista.</p>      <p>Se na fase inicial do Estado Novo, a relação do poder político com a imprensa escrita tinha como objetivo fundamental a construção de uma opinião favorável ao regime, a partir de 1950, &ldquo;num período em que eram visíveis as suas dificuldades crescentes perante as ameaças internas e externas&rdquo; (Tengarrinha 2006, p. 178), a preocupação central tornou-se impedir a disseminação de informação adversa sobre o regime, que se mostrava </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>cada vez mais defensivo e inseguro, colocando-se numa atitude predominantemente negativa no seu relacionamento com a   informação e evidenciando, pois,   limitações crescentes na sua capacidade de alcançar o objectivo central   que antes se propusera de formar um bloco de opinião nacional (Tengarrinha, 2006, p.   182).</p></blockquote>      <p>Pode, pois, dizer-se que à imprensa caberia, por adesão ou, se necessário, por coerção, o papel de unificar e tornar visível o modelo político do Estado Novo.</p>      <p>Todavia, embora essenciais ao desempenho das suas funções, as relações da Delegação do Secretariado com a imprensa portuense não foram fáceis no período em análise. No relatório do Delegado de 1954, este escrevia, obviamente preocupado, que &ldquo;a oposição tem uma grande penetração [nos] jornais, quer nos próprios corpos redactoriais, quer nos colaboradores&rdquo;, considerando &ldquo;de lamentar que a censura deixe passar tanto veneno!&rdquo;<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a>. Em novo relatório de 1956, Pinheiro Torres continuava a dar importância &ldquo;à penetração dos chamados oposicionistas nos jornais matutinos do Porto&rdquo;, caraterizando as páginas literárias desses jornais como &ldquo;de doutrina avançada, para não dizer comunizantes&rdquo;<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a>.</p>      <p>Apesar de na Constituição de 1933 a imprensa surgir como um instrumento do Estado, exercendo uma função de reconhecido caráter público - ou de interesse nacional, na linguagem do artigo 23º - a realidade demonstrava uma clara resistência, nos jornais do Porto, em aceder aos pedidos da Delegação do Secretariado.</p>      <p>Esta era uma tendência que vinha sendo reportada desde 1934: no relatório da viagem de Artur Maciel, este escrevia, a propósito do jornal <i>O Primeiro de Janeiro</i>:</p>      <blockquote>    <p>É o Primeiro de Janeiro, diário do Norte que deve possuir maior facilidade de penetração. Tem a simpatia do público pelo seu aspecto gráfico e por ser o jornal que [&hellip;] apresenta maior interesse jornalístico. Hoje, como V. Exª. não ignora, põe essas qualidades contra a Situação. A Censura tem-no modificado bastante o que não quere dizer que haja sabido inutilizar por   completo a sua acção, desenvolvida, sagazmente, por meio de todas as suas secções<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a>.</p></blockquote>      <p>Com efeito, <i>O Primeiro de Janeiro </i>nunca abandonou a sua orientação política, de jornal liberal e republicano, orientação   que manteve mesmo quando foi castigado com uma suspensão   durante a Ditadura   Militar e que persistiu, enquanto   &ldquo;projecto informativo independente de pressões   partidárias&rdquo; (Lima, 2011, p. 34), durante o Estado Novo, mantendo sempre um distanciamento ideológico marcado face ao regime.</p>      <p>Quanto ao outro dos grandes diários da região, o <i>Jornal de Notícias, </i>escrevia o mesmo funcionário do Secretariado:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>A sua preocupação máxima, se não exclusiva, é a tiragem. Para a manter, procura viver de bem com Deus e com o Diabo. [&hellip;] Reserva, a favor do Governo, transcrições que não tenham acentuada significação política [e] dá margem bastante ampla à reportagem de acontecimentos relativa à actividade política do Estado Novo. Em homenagem ao sector adverso, teima em sustentar as notas venenosas das duas secções de Lisboa: &lsquo;Notas de Lisboa&rsquo; de Paulo Frére e &lsquo;Notícias políticas&rsquo; de Alfredo Marques<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a>.</p></blockquote>      <p>Realmente, o <i>JN </i>era, dos três grandes diários da cidade, o mais comercial, com um preço que o retirava do grupo dos jornais caros das elites, assumindo uma &ldquo;linha noticiosa e popular que constituiu a sua imagem de marca&rdquo; (Lima, 2011, p. 47), interessado em fidelizar um público alargado. Todavia, é de realçar que o diário pontuou desde sempre pela defesa intransigente dos interesses portuenses, ganhando desta forma a confiança dos seus leitores.</p>      <p>Estas considerações de Maciel iam ao encontro de dois relatórios, elaborados em 1934 e 1935 pelo Secretariado, sobre o estado da imprensa na província, decorrente das &ldquo;dificuldades crescentes das delegações distritais da censura e dos governadores civis perante o avolumar das posições críticas e da controvérsia política dos jornais&rdquo; (Tengarrinha, 2006, p. 185); quanto ao distrito do Porto, os relatórios identificavam uma relevante imprensa política onde predominava a anti-situacionista. Em 1941, o funcionário superior do Secretariado Tavares d&rsquo;Almeida, em relatório sobre a imprensa regional, admitia que a colaboração com os jornais diários da cidade do Porto era insatisfatória, referindo que estes evitavam a publicação das informações oficiais enviadas e só relutantemente obedeciam aos pedidos feitos pelo Secretariado. A situação perdurava em 1943, evidenciada no relatório mensal sobre a imprensa diária de Lisboa e do Porto: &ldquo;Continua a ser impossível afirmar que os jornais se sintam integrados e correspondam com eficácia aos deveres de verdadeiros órgãos orientadores da opinião pública que deviam ser&rdquo; (Tengarrinha, 2006, p. 195). No ano de criação da Delegação do Secretariado no Porto, face às eleições para a Assembleia Nacional, o Secretariado faz novo balanço das posições dos jornais continentais e insulares; as conclusões   são francamente desfavoráveis, tendo o número de jornais hostis ao Estado Novo   subido de 4 para 33, em particular nos distritos de Lisboa, Aveiro,   Coimbra e Porto, o que parecia revelar a incapacidade do regime em captar esta imprensa.</p>      <p>Face a uma   oposição, mais ou menos aberta, como manter a imprensa portuense sob controlo? A Delegação do Porto recorreu   maioritariamente a duas fórmulas: a repressão direta,   exercendo as suas prerrogativas no que à censura dizia   respeito<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a>, e o aliciamento, no sentido de uma adesão   consentida destes meios   de comunicação ao regime.</p>      <p>Focando em particular as estratégias de &lsquo;sedução&rsquo; utilizadas pela Delegação do Porto, destaca-se desde logo a promoção ativa de um bom relacionamento com os jornalistas, de camaradagem mesmo, de forma à Delegação &ldquo;tornar-se indispensável aos jornais, facilitando-lhes a sua missão pela intensificação do serviço a fornecer-lhes&rdquo;<a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="top17"></a>. Neste sentido, a Delegação concedia subsídios, naquilo que pode ser descrito como &ldquo;um grande e persistente esforço [&hellip;], tentando atrair jornais &lsquo;neutros&rsquo; ou moderadamente críticos&rdquo; (Tengarrinha, 2006, p. 183).</p>      <p>Um outro caminho seguido   foi o do financiamento indireto   ao aparecimento de novos   jornais, simpatizantes ou situacionistas<a href="#18"><sup>[18]</sup></a><a name="top18"></a>. Daí terá resultado a criação do <i>Diário do Norte</i>, jornal que se constituiu como um baluarte   do Secretariado, bitolando o procedimento da demais   imprensa para com o organismo, assumindo-se como um diário da cidade e da Nação. Sobre o periódico, escrevia o Delegado do Porto:</p>      <blockquote>    <p>Nunca me enganei [&hellip;] ao pugnar pela criação desse jornal, da sua influência benéfica sobre os outros, [que] veio exercer grande influência no meio jornalístico portuense, em benefício da causa nacionalista, forçando os seus colegas matutinos a adoptar um clima diferente e a pautarem-se, em muitos aspetos, pela sua orientação<a href="#19"><sup>[19]</sup></a><a name="top19"></a>.</p></blockquote>      <p>O chefe da Delegação tinha mais ideias para o jornal, defendendo uma política de reforço da atratividade do mesmo relativamente ao público portuense, para que &ldquo;cada vez melhor e mais eficazmente possa exercer a sua benéfica acção&rdquo;, em particular através da criação no diário de uma página literária &ldquo;de grande envergadura, onde colaborem os melhores valores nossos, para suplantar a dos outros jornais e, assim, torná-la preferida [&hellip;] da gente   nova&rdquo;<a href="#20"><sup>[20]</sup></a><a name="top20"></a>. Miragem? Nos   diários portuenses como o   <i>Jornal de Notícias</i>, o <i>Comércio do Porto </i>ou   o <i>Primeiro de Janeiro </i>pontificavam nomes como João Gaspar Simões, José Régio ou   Jaime Cortesão, conhecidos pelo seu anti-situacionismo. A competição com   estes seria mesmo possível? Esse era, indubitavelmente, o desejo do Delegado do Secretariado no Porto.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em última   análise, o que mais condicionou a ação da Delegação relativamente à imprensa portuense foi a dotação   financeira: entre 1947 e 1953, as verbas da Delegação baixaram quase   50%, com cortes maciços que nuns casos   reduziram e, noutros, levaram ao desaparecimento de várias rubricas   da Delegação, &ldquo;com prejuízo da sua função e dos altos fins a que tem em vista&rdquo;<a href="#21"><sup>[21]</sup></a><a name="top21"></a>.</p>      <p>Das rubricas eliminadas destaca-se a &ldquo;Colaboração&rdquo;, a partir da qual se efetuava a penetração política nos jornais de província, assumida pela Delegação como escola prática de nacionalismo. Outra das secções que mais se ressentiu com a escassez progressiva de verbas foi o Gabinete de Imprensa, que deixou de fornecer reportagens de fora da cidade, em detrimento da influência exercida a este nível. Esta situação justificava os pedidos que, da Delegação do Porto, chegavam ao Secretário Nacional, de maiores facilidades (leia-se facilidades financeiras) de ação, de forma a que se pudesse &ldquo;manter junto da Imprensa uma posição que custou a conquistar e precisa de maior valorização&rdquo;<a href="#22"><sup>[22]</sup></a><a name="top22"></a>.</p>      <p><b>A ação da Delegação: as relações com a radiodifusão</b></p>     <p>Num país onde, em 1950, cerca de 50% da população era analfabeta torna-se clara a importância conferida pelo regime de Oliveira Salazar aos modernos meios de comunicação (Barros, 2005), em particular a rádio, enquanto instrumentos de formação e informação, de operacionalização, reprodução e disseminação da linguagem e da ideologia do regime. Neste sentido, quer a Emissora Nacional, a rádio estatal, quer os postos particulares de radiodifusão eram controlados por representantes permanentes do governo, estando sujeitos à censura prévia os textos dos noticiários, a programação diária e, inclusive, os convidados das emissões (Tengarrinha, 2006). No Porto, e no que concerne à radiodifusão, no final da II Guerra Mundial, as pequenas estações associadas estavam financeiramente exauridas (Santos, 2014). Dependendo sobretudo das quotas dos sócios e de pequenos mecenas, a sua vida financeira era precária. Embora já desde 1946 a publicidade fosse tolerada em algumas estações de rádio, nomeadamente o Rádio Clube Português e a Rádio Renascença, só foi devidamente regulada no final de 1948, com os restantes postos de radiodifusão a obterem autorização para programas radiopublicitários, garantindo dessa forma algum desafogo económico. Mas esta autorização funcionou como moeda de troca para o seu silenciamento relativamente às atividades da oposição política, em particular o não apoio à   candidatura presidencial, de oposição ao regime, de Norton de Matos (Santos,   2014). E, com efeito, em relatório do chefe da Delegação datado de 1954,   este referia que se tratava   de &ldquo;um meio difícil, porque os detentores dos Postos, na sua generalidade, têm má orientação política&rdquo;<a href="#23"><sup>[23]</sup></a><a name="top23"></a>.</p>      <p>Desta forma, a   relação da Delegação com os postos de rádio particulares do Porto concretizou-se em torno de dois vetores.</p>      <p>Por um lado, através da ação da censura, como mencionado já, tendo a Delegação uma relação estreita com os fiscais do governo adstritos às estações, normalmente indivíduos que desempenhavam funções profissionais em estruturas do governo, identificados com os valores ideológicos do regime. Para Rogério Santos, o Secretariado, via Delegação, &ldquo;mantinha um controlo apertado e ditava instruções de matriz ideológica&rdquo; (2014, p. 275) a estes representantes do governo. Assim, e como mero exemplo, pode destacar-se o papel central que, quer os Serviços de Censura, quer a Delegação do Secretariado desempenharam no desaparecimento da portuense Rádio Clube Lusitânia, descrita num ofício da Delegação do Porto de junho de 1946 como encontrando-se a difundir &ldquo;programas absolutamente comunistas, cobertos com a capa de críticas literárias e artísticas feitas por estudantes&rdquo; (citado por Victorino, 2013, p. 141). Em consequência, o referido posto viu a sua licença apreendida e foi encerrado em 1948.</p>      <p>Por outro lado, a Delegação ia igualmente conseguindo os seus objetivos, orientando a radiodifusão particular do Porto &ldquo;no sentido das nossas doutrinas&rdquo;<a href="#24"><sup>[24]</sup></a><a name="top24"></a>, ao impor um modelo de programação obrigatória, outra das contrapartidas pela publicidade autorizada a partir de 1949 (Santos, 2014). Assim, o Secretariado criou peças de teatro radiofónico, palestras e uma revista diária de imprensa, lidas pelos seus locutores nos pequenos emissores privados, depois de seleccionados em concurso pelo próprio Secretariado, sendo estes programas transmitidos em horários que o organismo estatal entendia seriam os mais apropriados.</p>      <p>No caso do Porto, a Delegação exerceu uma forte ação de colaboração cultural com os postos de radiodifusão, mediante programas da autoria de colaboradores regulares de várias das iniciativas do Secretariado: <i>Páginas da História</i>, de Pedro Homem de Melo; <i>Páginas Literárias</i>, <i>Autores Portugueses </i>e <i>Registo de Actualidades</i>, de António Abel Pinto Machado; <i>Lâmpada de Aladino </i>e <i>Norte </i>(provérbios, contos, lendas e romances populares); <i>Dois dedos de conversa </i>(sobre turismo), de Manuela Couto Viana, que partilhava ainda um teatro radiofónico com Humberto Magalhães e, por fim, dois programas da inteira responsabilidade da Delegação, <i>Viagens na mi</i><i>nha Terra </i>e <i>Postais Radiofónicos do Porto</i>.</p>      <p>O Secretariado estava bem ciente das fragilidades financeiras das rádios privadas. E procurou tirar partido disso com um sistema de financiamento indireto que lhe garantiria o alinhamento das diferentes estações. Pelo menos, assim se esperava. Desta forma procurava exercer &ldquo;uma mais eficaz influência&rdquo;, já que os postos &ldquo;aceitam tudo o que lhes oferecermos&rdquo; e, em troca, &ldquo;poderemos exigir deles o que também quisermos&rdquo;<a href="#25"><sup>[25]</sup></a><a name="top25"></a>. Neste sentido se pode entender o destaque dado pela radiodifusão portuense às Revistas de Imprensa e Notas de Abertura elaboradas pela Delegação, elementos de doutrinamento político que   eram lidos pelos postos na abertura   da sua programação diária. Tal não   impediu totalmente, contudo, o aparecimento de atitudes de clara rebeldia, como   foi o caso da situação descrita num dos ofícios da Delegação, de fevereiro de   1946, onde se reportava que a assembleia do Grémio dos Comerciantes da Rádio   tinha declarado que a leitura   da Revista de Imprensa,   elaborada pelo Secretariado, fazia os postos perderem tempo útil de emissão, pretendendo ser indemnizados por esse prejuízo (citado por Victorino, 2013, p. 141).</p>      <p>Será   este tipo de situações   a justificar, muito provavelmente, a instalação na Delegação de estúdios   próprios de rádio, por volta de 1949. Esta decisão   terá permitido uma ação radiofónica mais eficiente e menos dispendiosa, garantindo à Delegação   vantagens de natureza económica, cruciais, como se viu já, num período em que os orçamentos iam diminuindo substancialmente. De tal forma que, no mencionado relatório de 1954, Pinheiro Torres pedia um aumento   nas dotações futuras   na rubrica dedicada   às relações com a radiodifusão particular do Porto. Outro dos benefícios percebidos era, na ótica da Delegação, o fato de estas emissões próprias de rádio constituírem um &ldquo;estímulo edificante aos portos particulares&rdquo;<a href="#26"><sup>[26]</sup></a><a name="top26"></a>, funcionando, portanto, como modelo a seguir.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Considerações finais</b></p>     <p>Esta breve incursão pela Delegação do Secretariado Nacional de Informação na cidade do Porto procurou lançar alguma luz sobre aspetos menos conhecidos do órgão nacional de propaganda, em particular a sua relação com os meios de comunicação da imprensa e da rádio portuenses.</p>      <p>É essencial a compreensão do papel primordial assumido por este organismo na construção retórica do Estado Novo: a nível censório e repressivo, protegendo a ditadura face a campanhas propagandísticas contrárias e eliminando quaisquer formas de expressão que se pudessem opor à leitura unilinear da realidade por ela veiculada; no campo propagandístico, no sentido da construção de consensos, pela difusão dos princípios ideológicos sobre os quais assentava o salazarismo e na mobilização e integração das populações, rurais e urbanas, em torno de uma ideia de Nação desenhada pelo regime. Para tal, revelava-se indispensável exercer um controlo férreo e persistente sobre todos os aspetos da vida nacional, seguindo a divisa do regime, como resumida por António Ferro: &ldquo;Não pode haver liberdade contra a verdade, não pode haver liberdade contra o interesse comum&rdquo; (1938, p. 224).</p>      <p>A documentação primária analisada revelou de forma clara as dificuldades com que a Delegação do Porto se deparou na execução do papel a que se propunha.</p>      <p>Em primeiro lugar, era visível uma disparidade nos meios de atuação entre a sede e a delegação no Porto, em grande parte devido a restrições orçamentais, a que se aludiu neste artigo. Apesar da aparente robustez dos primeiros anos, a verdade é que a Delegação sempre esteve sujeita a limitações financeiras, subordinada a projetos de caráter nacional considerados prioritários pelo Secretariado. A situação deteriorou-se grandemente com a saída de António Ferro do cargo de diretor do organismo<a href="#27"><sup>[27]</sup></a><a name="top27"></a>. Nos relatórios   a que se vem fazendo referência, chega a manifestar-se uma nítida   exasperação. Mais do que uma   vez, o Delegado   do Secretariado no Porto escrevia sobre a &ldquo;inveja   de Lisboa pelo muito que lhe é distribuída a ela e pelo pouco   com que se reparte   por ele [Porto]&rdquo;<a href="#28"><sup>[28]</sup></a><a name="top28"></a>. Em segundo lugar, torna-se evidente a escassa   autonomia da Delegação, com um controlo de atividades muitíssimo centralizado na capital.   Afetava quer as questões   puramente administrativas da Delegação, quer algumas das suas competências e serviços,   inicialmente atribuídos ao Porto e posteriormente assumidos pela sede em Lisboa.   Relativamente ao que aqui foi analisado, um dos exemplos mais flagrantes foi o caso da deslocalização para Lisboa dos serviços   de colaboração à imprensa do Norte do país. Mas, sobretudo, evidencia-se o próprio carácter da cidade do Porto, e a resistência política por ela oferecida   ao regime, como desde cedo o reconheceu o Delegado do Secretariado. Relembrem-se os exemplos apontados   anteriormente em relação à radiodifusão e à imprensa   portuenses. Tal justificará o que se podia ler em decalque de ofício   da Delegação, datado   de novembro de 1946, com   o Delegado a informar o Secretário Nacional que &ldquo;cada vez se sente mais que se vão desprendendo de nós, que perdemos acção sobre eles, pois agem como lhes apetece e até já   com certa hostilidade contra nós&rdquo; (citado por Victorino, 2013, p. 141).</p>      <p>Por fim: é   certo que estes relatórios, ainda que abundantes em considerações sobre o   funcionamento da instituição, não são suficientes para abarcar toda a dimensão da ação da Delegação do Secretariado   Nacional de Informação no Porto. Contudo, abrem pistas muito ricas, que neste estudo se procurou seguir. Se iniciam   o caminho para futuras   investigações, deixam-nos, para já, ideias muito fortes sobre a criação da   imagem de Portugal por um regime que, por diversas circunstâncias, não a soube ou não a pode concretizar na sua plenitude. Talvez porque esse   labor dependesse muito de   uma figura forte, como António Ferro, e não se tenha conseguido concluir a tarefa depois do seu afastamento do Secretariado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Alves, V. M. (2013). <i>Arte Popular e Nação no Estado Novo: A Política Folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional</i>. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906669&pid=S2183-5462201900020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ANTT/AOS, PC-12A, caixa 658 (1934). <i>Relatório para Sua Exª. o Presidente do Conselho, sobre a viagem ao Porto, Braga, Viana do Castelo e Coimbra pelo Chefe dos Serviços Internos</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906671&pid=S2183-5462201900020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>ANTT/AOS, PC-12E, caixa 66 (1943). <i>Algumas causas, aparentes ou reais, da inquietação de certos portugueses no momento actual.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906673&pid=S2183-5462201900020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>      <!-- ref --><p>ANTT/SNI, caixa 4311 (1945). <i>Projecto de orçamento para o ano económico de 1946</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906675&pid=S2183-5462201900020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>ANTT/SNI, caixa 2985 (1951). <i>Relatório do Delegado da 3ª Repartição da Delegação do Porto ao chefe da 3ª Repartição do SNI</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906677&pid=S2183-5462201900020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relatório apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906679&pid=S2183-5462201900020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ANTT/SNI, caixa 3026 (1956). <i>Relatório do chefe da Delegação do Porto ao Secretário Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906681&pid=S2183-5462201900020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </i>     <!-- ref --><p>Barreto, J. (2011). António   Ferro: Modernism and Politics. In S. Dix &amp; J. Pizarro (Ed.),   <i>Portuguese Modernisms</i>: <i>Multiple Perspectives on Literature     and the Visual Arts </i>(pp.135-154). London: Legenda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906683&pid=S2183-5462201900020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barros, J. L. (2005). O   Cerco Ideológico do Estado Novo à Imprensa de «Província». <i>Caleidos</i><i>cópio: Revista     de Comunicação e Cultura</i><b><i>, </i></b><i>5</i><b>(</b>6), 265-300.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906684&pid=S2183-5462201900020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cabrera, A. (2008). A censura ao teatro no período marcelista. <i>Media &amp; Jornalismo</i>, 12, 27-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906686&pid=S2183-5462201900020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Decreto n.º 22241/1933, de 22 defevereiro. <i>Diário</i><i> </i><i>do</i><i> </i><i>Governo</i><i> </i><i>n.º</i><i> </i><i>43</i><i> </i><i>- ISérie</i>. Presidência do Ministério.  </p>     <p>Decreto-lei nº 23054/1933 de 25 de setembro. <i>Diário do Governo</i>, <i>nº 218 - I Série</i>. Presidência   do Conselho.</p>      <!-- ref --><p>Ferro, A. (1938). <i>Homens e Multidões</i>. Lisboa: Bertrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906690&pid=S2183-5462201900020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lima, H. (2011). <i>A Imprensa Portuense e os desafios da Modernização</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906692&pid=S2183-5462201900020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Melo, D. (2001). <i>Salazarismo e Cultura Popular </i>(1933-1958). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906694&pid=S2183-5462201900020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>Moreira, P. R. (2012). <i>Cantando espalharei por toda a parte:     programação, produção musical     e o aportuguesamento da música ligeira     na Emissora Nacional de Radiodifusão (1934I1949)</i>. (Tese de Doutoramento. Faculdade de Ciências Sociais   e Humanas da Universidade Nova de   Lisboa, Lisboa, Portugal).</p>      <p>Ó, J. R. (1999). <i>Os   anos de Ferro   - o dispositivo cultural durante   a &ldquo;Política de Espírito&rdquo; (1933- 1949): ideologia, instituições, agentes   e práticas</i>. Lisboa: Editorial Estampa.</p>      <!-- ref --><p>Paulo, H.(1994). <i>Estado Novoepropagandaem Portugaleno Brasil. OSPN/SNIeo DIP</i>. Coimbra: Minerva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906698&pid=S2183-5462201900020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Pires, E. C. (2003). <i>O Baile do Turismo</i>: <i>turismo</i><i> </i><i>epropagandano Estado   Novo</i>. Lisboa: Caleidoscópio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906700&pid=S2183-5462201900020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Ribeiro, C. (2014). <i>Imagens</i><i> </i><i>e Representações de Portugal. António Ferro e a Elaboração Identitária da     Nação</i>. (Tese de Doutoramento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto,   Porto, Portugal).</p>      <p>Santos, R. (2014). <i>A rádio em Portugal. &lsquo;Sempre no ar, sempre consigo&rsquo; (1941-1968). </i>Lisboa: Edições Colibri.</p>      <!-- ref --><p>Tengarrinha, J. (2006). <i>Imprensa e Opinião Pública em Portugal</i>. Coimbra: Edições Minerva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906704&pid=S2183-5462201900020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Victorino, J.G. (2013). Propaganda e controlo mediático   no primeiro salazarismo. A complementaridade de actuação   entre o SPN e o aparelho censório.   <i>Media &amp; Jornalismo</i>, <i>12</i>(1), 135-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906706&pid=S2183-5462201900020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Victorino, J.G. (2018). <i>Propaganda e Turismo   no Estado Novo. António Ferro e a revista Pano</i><i>rama 1941-1949</i>. Lisboa: Alêtheia Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906708&pid=S2183-5462201900020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Submetido: 2018.12.26 </p>     <p>Aceite: 2019.08.07</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> De destacar que, no fundo   do Secretariado existente na Torre   do Tombo, existem relat&oacute;rios da Delega&ccedil;&atilde;o desde a sua funda&ccedil;&atilde;o at&eacute; cerca de final da d&eacute;cada de 1950. Os restantes, dos anos de 1960 em diante, permanecem por localizar.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Ant&oacute;nio   Ferro (1895-1956) foi escritor (fez parte da primeira gera&ccedil;&atilde;o   de modernistas portugueses), jornalista (escreveu para os jornais <i>O S&eacute;culo</i>, <i>Di&aacute;rio     de Not&iacute;cias </i>e <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>)   e   diplomata. Assumiu de 1933 a 1949 a dire&ccedil;&atilde;o do Secretariado, organismo que se   constituiu como a g&eacute;nese de um Minist&eacute;rio da Cultura. Neste seu percurso, Ferro revelou-se uma pe&ccedil;a-chave   na legitima&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas culturais do regime, subordinadas ao   interesse supremo da Na&ccedil;&atilde;o,   atrav&eacute;s da sua <i>Pol&iacute;tica do Esp&iacute;rito</i>. Esta foi uma pol&iacute;tica   de fomento cultural que procurou   instaurar um novo paradigma est&eacute;tico, de cria&ccedil;&atilde;o de uma arte nacionalista. Pode mesmo dizer-se   que a <i>Pol&iacute;tica do Esp&iacute;rito </i>de Ferro concretizou um duplo objetivo: a estetiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e a politiza&ccedil;&atilde;o da arte (Barreto,   2011). De 1949 a 1956, data da sua morte, Ferro foi ministro   de Portugal, primeiro em Berna e depois em Roma.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> ANTT/AOS, PC-12E, caixa 66 (1943). <i>Algumas causas, aparentes ou reais, da inquieta&ccedil;&atilde;o   de certos portugueses no momento   actual, </i>pp. 1-2.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> ANTT/SNI, caixa 4311 (1945). <i>Projecto de or&ccedil;amento para o ano econ&oacute;mico de 1946, </i>p. 9. </p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> Artur Maciel   (1900-1977) foi escritor   e jornalista: colaborou com peri&oacute;dicos como <i>A &Eacute;poca</i><i> </i>(1925-1927) e <i>A Voz </i>(1927-1937), chegando a chefe de reda&ccedil;&atilde;o do jornal <i>Noite </i>em 1939. Foi s&oacute;cio fundador da Associa&ccedil;&atilde;o da Cr&iacute;tica Dram&aacute;tica e Musical (1929) e do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1934), do qual foi presidente de dire&ccedil;&atilde;o em 1937. Foi chefe dos Servi&ccedil;os Internos e dos Servi&ccedil;os de Informa&ccedil;&atilde;o e Imprensa do SPN entre 1933 e 1937. Pertenceu   aos quadros da Emissora   Nacional entre 1952 e 1954, onde foi respons&aacute;vel pelos servi&ccedil;os noticiosos da esta&ccedil;&atilde;o. Foi-lhe atribu&iacute;do, em 1948, 1959 e 1972, o Pr&eacute;mio Nacional de Jornalismo Afonso de Bragan&ccedil;a, pelas suas reportagens (Moreira, 2012, p. 45).</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> ANTT/AOS, PC-12A, caixa   658 (1934). <i>Relat&oacute;rio para Sua     Ex&ordf;. o Presidente do Conselho, sobre     a viagem ao Porto, Braga,     Viana do Castelo e Coimbra pelo Chefe dos Servi&ccedil;os Internos</i>, p. 5.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> ANTT/AOS, PC-12A, caixa 658 (1934). <i>Relat&oacute;rio para Sua Ex&ordf;. o Presidente do Conselho, sobre a viagem ao Porto, Braga, Viana do Castelo e Coimbra pelo Chefe dos Servi&ccedil;os Internos</i>, p. 6.</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 7.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 7.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 14.</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 14.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, pp.7-8.</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1956). <i>Relat&oacute;rio do chefe da Delega&ccedil;&atilde;o   do Porto ao Secret&aacute;rio   Nacional, </i>p. 33.</p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a> ANTT/AOS, PC-12A, caixa 658 (1934). <i>Relat&oacute;rio para Sua Ex&ordf;. o Presidente do Conselho,   sobre a viagem   ao Porto, Braga,   Viana do Castelo e Coimbra pelo Chefe dos Servi&ccedil;os Internos</i>, p. 9.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a> ANTT/AOS, PC-12A, caixa 658 (1934). <i>Relat&oacute;rio para Sua Ex&ordf;. o Presidente do Conselho,   sobre a viagem   ao Porto, Braga,   Viana do Castelo   e Coimbra pelo Chefe dos Servi&ccedil;os Internos</i>, p. 8.</p>     <p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a> A imprensa, de acordo com o estipulado no Decreto-lei n.&ordm; 26589, de 14 de maio de 1936,   estava exposta a variadas medidas   cautelares. Assim, era apreciada a idoneidade moral dos   diretores dos jornais, que deveriam ser pessoas do agrado do regime, e a sua nomea&ccedil;&atilde;o, embora proposta pelas empresas, deveria   ser homologada pelos servi&ccedil;os do minist&eacute;rio da tutela.   Outra restri&ccedil;&atilde;o dizia   respeito ao fato de, quando   um novo t&iacute;tulo   era lan&ccedil;ado, se tornar necess&aacute;ria uma autoriza&ccedil;&atilde;o e uma cau&ccedil;&atilde;o.   A este prop&oacute;sito, Arons e Cardoso lembram   que a cau&ccedil;&atilde;o, sendo menos grave   que a autoriza&ccedil;&atilde;o, levava, por&eacute;m, &agrave; solidariza&ccedil;&atilde;o da Imprensa com os potentados financeiros (citado   por Cabrera, 2008, p. 32).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top17"><sup>[17]</sup></a><a name="17"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, pp. 8-9.</p>     <p><a href="#top18"><sup>[18]</sup></a><a name="18"></a> Entende-se por jornais simpatizantes aqueles que, embora divulgassem a obra do regime, n&atilde;o justificavam os seus princ&iacute;pios pol&iacute;ticos e sociais   limitando-se a relatar   os factos; por situacionistas os que sustentavam a propaganda dos princ&iacute;pios do Estado Novo,   defendendo ativamente a &lsquo;situa&ccedil;&atilde;o&rsquo; (Barros,   2005, p. 271).</p>     <p> <a href="#top19"><sup>[19]</sup></a><a name="19"></a>ANTT/SNI,   caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio apresentado em 5 de     Novembro de 1954</i>, p. 8.</p>     <p><a href="#top20"><sup>[20]</sup></a><a name="20"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1956). <i>Relat&oacute;rio do chefe da Delega&ccedil;&atilde;o do Porto ao Secret&aacute;rio Nacional, </i>p. 34.</p>     <p><a href="#top21"><sup>[21]</sup></a><a name="21"></a> ANTT/SNI, caixa   3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, pp. 5-6.</p>     <p><a href="#top22"><sup>[22]</sup></a><a name="22"></a> ANTT/SNI, caixa 2985 (1951). <i>Relat&oacute;rio do Delegado da 3&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o da Delega&ccedil;&atilde;o do Porto   ao chefe da 3&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o do SNI</i>, p. 1.</p>     <p><a href="#top23"><sup>[23]</sup></a><a name="23"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 10.</p>     <p><a href="#top24"><sup>[24]</sup></a><a name="24"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 10.</p>     <p><a href="#top25"><sup>[25]</sup></a><a name="25"></a> ANTT/SNI, caixa 3026 (1954). <i>Relat&oacute;rio   apresentado em 5 de Novembro de 1954</i>, p. 11.</p>     <p><a href="#top26"><sup>[26]</sup></a><a name="26"></a> ANTT/SNI, caixa 2985 (1951). <i>Relat&oacute;rio do Delegado da 3&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o da Delega&ccedil;&atilde;o do Porto ao chefe da 3&ordf; Reparti&ccedil;&atilde;o do SNI</i>, p. 4.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top27"><sup>[27]</sup></a><a name="27"></a> Cf., para mais informa&ccedil;&otilde;es: Ribeiro, C. (2014). <i>Imagens e Representa&ccedil;&otilde;es de Portugal. Ant&oacute;nio Ferro e a Elabora&ccedil;&atilde;o Identit&aacute;ria da Na&ccedil;&atilde;o</i>. Tese de Doutoramento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, Portugal.</p>     <p><a href="#top28"><sup>[28]</sup></a><a name="28"></a>   ANTT/SNI,   caixa 3026 (1956). <i>Relat&oacute;rio do     chefe da Delega&ccedil;&atilde;o do Porto ao Secret&aacute;rio Nacional, </i>p. 40.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biográfica</b></p>     <p>Carla Ribeiro é doutorada em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto,   é   Professora Adjunta na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto e investigadora do Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória».</p>     <p>Email: <a href="mailto:carlaribeiro@ese.ipp.pt">carlaribeiro@ese.ipp.pt</a></p>     <p>Morada: Instituto Politécnico do Porto, Escola Superior de Educação, R. Dr. Roberto Frias 602, 4200-465 Porto, Portugal</p>      ]]></body><back>
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