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<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação Media e JornalismoFaculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gravação de telefonemas de censores - uma questão política no marcelismo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Discovered a few days after the revolution of April 25 in the Oporto Censorship Commission/Prior Examination, recordings of phone calls from press censors were made known only by a daily newspaper, República, which considered them “precious recordings”, a single document in the Iberian dictatorships, however they remained practically unknown until they were put online by RTP Archive in 2017. In this article the content of the recordings is analysed, identifying the moment of its production between February and April of 1974, as well as the intervenients in the censorship commissions in Lisbon and Oporto. We followed the various moments of the tape recording since the routine of the censorship operation in February 1974 to the start of the Revolution on April 25, in which the recording impressively illustrates the last hours of a four decades old censorship apparatus. Focusing on the work of the Censorship Commission of Oporto and its political staff is the decision to install tape recorders in the Oporto (1970) and Coimbra (1971) Commissions, the need to control communication between the censorship and the newspapers, and communication between commissions in the three cities where the country’s main dailies were published. Magnetic recording thus appears in Marcelism as an additional mechanism of control at a time when the old model of prior censorship had difficulty responding to the new challenges of the press. In the case of Oporto the political position of the three historical newspapers in relation to the regime was characterised, especially in the post-war period, by a distance which, since the 1960’s, has led to a more rigorous scrutiny by censorship. The internal problems of the Oporto Commission, the differences in criteria between Lisbon and Oporto Commissions, and the risk of slips in the reading of galley proofs, especially in areas sensitive to the regime such as the colonial war, are also appreciated.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Gravação de telefonemas de censores   - uma questão política   no marcelismo</b></font></p>      <p><font size="3"><b>Recordings of censors&rsquo;phone calls - a political issue of Marcelism</b></font></p>     <p><b>Joaquim Cardoso Gomes* </b></p>     <p>*ICNOVA</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Descobertas alguns dias após a revolução de 25 de abril na Comissão de Censura do Porto/Exame Prévio, as gravações de telefonemas de censores de imprensa foram dadas a conhecer apenas por um jornal diário, <i>República, </i>que as considerou &ldquo;preciosas gravações&rdquo;, um documento único nas ditaduras ibéricas, mas mantiveram-se praticamente desconhecidas até serem colocadas <i>on line </i>em 2017 pelo Arquivo da RTP. Neste artigo analisa-se o conteúdo das gravações, identificando o momento da sua produção, entre fevereiro e abril de 1974, bem como os intervenientes nas comissões de censura em Lisboa e Porto. Acompanhamos os vários momentos do registo sonoro desde a rotina do funcionamento da censura no mês de fevereiro de 1974, ao sobressalto provocado pela Revolução no dia 25 de abril em que a gravação ilustra por forma impressiva as últimas horas de um aparelho da censura velho de quatro décadas. Focando o funcionamento da Comissão de Censura do Porto e o seu pessoal político situa-se a decisão de instalação de gravadores nas comissões do Porto (1970) e Coimbra (1971), na necessidade de controlar a comunicação entre a censura e os jornais, e a comunicação interna entre comissões, nas três cidades em que eram publicados os principais diários do país.</p>      <p>O registo   magnético surge assim no marcelismo   como mecanismo adicional de controlo num momento em que o velho modelo de censura prévia tinha dificuldade em dar resposta aos novos desafios   da imprensa. No caso do Porto   o posicionamento político dos três jornais históricos face ao regime caracterizou-se, sobretudo no pós-guerra, por um distanciamento que, desde a década de 60 levou a um escrutínio mais rigoroso por parte   da censura. São igualmente   apreciados os problemas   internos da Comissão   do Porto, as diferenças de critérios entre as   comissões de Lisboa e do Porto e o risco de deslizes   na leitura de provas sobretudo em áreas sensíveis para o regime como era a guerra colonial.</p>     <p><b>Palavras chave</b>: Estado Novo; marcelismo; censura prévia; gravações; imprensa</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Discovered a few days after the revolution of April 25 in the Oporto Censorship Commission/Prior Examination, recordings of phone calls from press censors were made known only by a daily newspaper, <i>República</i>, which considered them &ldquo;precious recordings&rdquo;, a single document in the Iberian dictatorships, however they remained practically unknown until they were put <i>online </i>by RTP Archive in 2017.</p>      <p>In this article   the content of the recordings is analysed, identifying the moment of its   production between February   and April of 1974, as well as the intervenients in the censorship commissions in Lisbon and Oporto. We followed the various moments   of the tape recording   since the routine   of the censorship operation in February 1974 to   the start of the Revolution on April 25, in which the recording impressively illustrates   the last hours of a four decades old censorship apparatus.</p>      <p>Focusing on the work of the Censorship Commission of Oporto and its political staff is the decision to install tape recorders in the Oporto (1970) and Coimbra (1971) Commissions, the need to control communication between the censorship and the newspapers, and communication between commissions in the three cities where the country&rsquo;s main dailies were published.</p>      <p>Magnetic recording thus appears in Marcelism as an additional mechanism of control at a time when the old model of prior censorship had difficulty responding to the new challenges of the press. In the case of Oporto the political position of the three historical newspapers in relation to the regime was characterised, especially in the post-war period, by a distance which, since the 1960&rsquo;s, has led to a more rigorous scrutiny by censorship. The internal problems of the Oporto Commission, the differences in criteria between Lisbon and Oporto Commissions, and the risk of slips in the reading of galley proofs, especially in areas sensitive to the regime such as the colonial war, are also appreciated.</p>     <p><b>Keywords</b>: New State; marcelism; prior censorship, recordings, press</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>    <p>Um dia de tréguas.   Os jornais ainda hoje podem ter opinião.   Mas de amanhã em diante têm que pensar pela cabeça dos outros.   A pena do jornalista ficará, assim,   reduzida a esse objeto inofensivo de escrever à rasa. Não nos pergunte o leitor   o que pensamos de certa   atitude ou de certa medida governamental - porque   não temos o direito de pensar.   O jornal mais bem   informado daqui para o futuro, será o <i>Diário do Governo</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Diário de       Lisboa</i>, 23 de junho de 1926</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>Até aos anos 1990 a abordagem da censura à imprensa resultou quer da intervenção política da oposição à ditadura salazarista-marcelista (Rego, 1969; Carvalho &amp; Cardoso, 1971; Carvalho, 1973), quer dos trabalhos de natureza jornalística, de denúncia do aparelho da censura ou empenhados na recolha de testemunhos dos profissionais que viveram sob o espectro do &ldquo;lápis azul&rdquo; (Príncipe, 1979;.Franco, 1993; Azevedo, 1999; Forte, 2000). Uma nova fase marcada pela produção historiográfica académica incidiu não só sobre a condição de jornalista (Sobreira, 2003; Correia &amp; Baptista, 2007, 2010) e a história da imprensa no Estado Novo (Cabrera, 2005; Tengarrinha, 2006, entre outros) como sobre o próprio aparelho da censura à imprensa com recurso a fontes arquivísticas, em primeiro lugar, o arquivo da Direção dos Serviços de Censura, o arquivo Oliveira Salazar e os arquivos militares, situação decorrente da componente exclusivamente militar do pessoal político da censura à imprensa até 1957 (Gomes, 2006, 2013, 2017).</p>      <p>Este estudo   complementa a investigação sobre o exercício   da censura à imprensa e o seu pessoal   político, desde a Ditadura   Militar ao consulado   marcelista, designadamente   a composição das comissões de censura de Lisboa e do Porto sem o que não teria sido possível apreender o <i>modus operandi </i>da   máquina censória e de alguns dos seus próceres nos meses que precederam o estertor   do regime em abril de 1974 e no próprio   dia da Revolução, momento particularmente relevante nas gravações dos telefonemas de censores. Criada pela Ditadura   Militar em junho de 1926 com uma primeira comissão em Lisboa, rapidamente o aparelho censório   se estendeu a todo o país, numa base castrense, descentralizada, que só com o triunfo do Estado Novo adquiriu, a partir de 1933, com a reestruturação do aparelho pedida por Salazar   ao major Álvaro   Salvação Barreto, a estrutura que se manteria   inalterável até ao 25 de abril: uma direção   geral superintendendo três comissões   de Lisboa, Porto e Coimbra, com um conjunto variável de delegações na província de natureza quase sempre distrital.</p>      <p>Tratando-se de um documento sonoro   único com registo   da atividade censória procedeu-se, inicialmente, à revisão das   fontes da imprensa diária nas cidades   onde funcionava a   estrutura intermédia do aparelho de censura, isto é, as comissões de Lisboa, Porto e Coimbra.</p>      <p>A informação veiculada pela imprensa, em articulação com o curso das operações militares em Lisboa e Porto cujo relato se encontra disponível desde 2017, revelou-se decisiva para a compreensão das atitudes da direção da censura na jornada de 25 de abril. Para o período anterior à Revolução, na rotina das comunicações telefónicas entre censores, a análise fina da imprensa foi fundamental para a identificação da data da sua produção, entre finais de fevereiro de 1974 e as vésperas do 25 de abril. Se os testemunhos de jornalistas sobre a comissão de censura do Porto se revelam escassos quando comparados com os de Lisboa, em contrapartida, a documentação arquivística fornece elementos sobre a evolução do pessoal político, as instalações e o relacionamento com os jornais do Porto, quer os três diários históricos quer a imprensa semanal, nomeadamente a católica, permitindo-nos obter a confirmação sobre o início das gravações no Porto e em Coimbra bem como o contexto político que as determinou.</p>     <p><b>1. 25 de abril e o fim da censura à imprensa</b></p>     <p>Na manhã de 25 de abril de 1974, Mário Bento, presidente da Comissão Central de Exame Prévio, designação esdrúxula com que Marcelo Caetano procurara encobrir a velhíssima instituição, chegara ao seu <i>part-time</i><i> </i>matutino, pelas nove horas. Pouco depois telefonava para o vespertino <i>República</i>, questionando o atraso nas provas que os censores do turno da manhã já deveriam ter começado a rever. Alertado pelo censor-chefe para as&ldquo;graves consequências&rdquo; de colocar na rua o jornal sem o crivo censório Raul Rego não desmobilizou e, antes do meio dia, o <i>República </i>era o primeiro jornal a sair ostentando na capa: &ldquo;Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura&rdquo;. <i>A Capital </i><a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>,quase em simultâneo,   colocou na rua uma edição à revelia   do seu diretor e da censura. Pouco antes, pelas   onze horas, a censura fizera nova   investida telefónica, por Bento Garcia Domingues,<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a> subdiretor, invocando a sua qualidade de inspetor   da Polícia Judiciária, perplexo com a &ldquo;irresponsabilidade&rdquo;   pelo não envio de provas (Foyos, 2014, pp. 39-40).</p>      <p>Nas suas <i>Confidências </i>ao <i>Expresso</i>, Mário   Bento recorda o dia 25 de abril como de &ldquo;trabalho normal&rdquo;   concedendo ter saído   &ldquo;mais tarde do que era habitual, pelas 14 ou 15 horas&rdquo;,   mas não regressou à rua da Misericórdia, preferindo ir para o segundo emprego como diretor   do Centro de Observação Anexo ao Tribunal de Menores de Lisboa.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a> Ao começo da tarde quando no <i>Diário Popular   </i>se estranhou   a não devolução das provas enviadas   para censura a redação soube   que &ldquo;na censura,   só estavam um oficial e um porteiro (todos os outros funcionários haviam debandado) e este dizia que <i>as     provas estavam muito     demoradas</i>.&rdquo; Só então o chefe de redação, Fernando Teixeira, &ldquo;defensor acérrimo do Estado Novo e censor interno&rdquo; (Rosa, 2017,   pp.138-139), deixou de enviar provas quando o estafeta confirmou: &ldquo;Ó Sr. Dr., já não está lá ninguém&rdquo;. <a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O edifício da censura, em Lisboa, encontra-se a pouca distância   do epicentro da revolução, no Quartel   do Carmo, onde se acoita Caetano. Por volta das 15h30 é disparada uma rajada contra as janelas do quartel da GNR que ecoará por todo o Chiado.</p>      <p>Entretanto, no Porto, ainda se vivem momentos de calmaria, com movimentação de tropas, mas sem qualquer intervenção popular. As operações militares do MFA sofreram dificuldades no Norte, não só porque algumas unidades não cumpriram as missões que lhe foram atribuídas, como as ações de sabotagem da rede de telecomunicações e cortes de linhas telefónicas pelos Grupos Especiais da Legião Portuguesa deixaram a população do norte do país &ldquo;em completa ignorância do que se estava a passar no País&rdquo;, situação só ultrapassada pelas 17 horas (Fonseca, 2017, pp.231-232). A população do Porto que se tinha mantido alheia ao movimento começou a concentrar-se nos Aliados pelas 18 horas vitoriando as tropas.</p>      <p>À mesma hora, Caetano rendia-se no Carmo, e só então, os censores da Invicta, crentes de que desta vez não seria a quartelada espúria do &ldquo;16 de março&rdquo;, abandonaram as instalações deixando o recado para a vendedeira de que podia suspender a entrega dos jornais de Lisboa mas continuar com os do Porto.<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a></p>      <p>Em Coimbra, o <i>Diário de Coimbra</i>, mais alinhado com a política do Estado Novo desde a ameaça de supressão de 1945, só no dia 26 noticia o Movimento das Forças Armadas e a  mudança de regime. Segundo Jorge Castilho<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>, a ocupação da comissão de censura naquela cidade foi um ato   pacífico e meramente simbólico, que não mereceu qualquer referência na   imprensa. Contou com a participação de alguns jornalistas e militares, em data posterior a 27 de abril, sem necessidade de arrombar a porta por os censores terem procedido previamente à entrega das chaves.</p>     <p>Os relatos da imprensa coincidem no facto do assalto às instalações da censura em Lisboa   ter acontecido na sequência da concentração popular   que encheu a rua da Misericórdia,   depois da rendição da PIDE/DGS pelas 9H30 do dia 26 de abril. Segundo o <i>Diário     Popular</i>, &ldquo;a imensa   mole humana&rdquo; dirigiu-se para o edifício   da censura onde   &ldquo;alguns populares, acompanhados por militares, subiram ao segundo andar   de cujas janelas começaram a lançar à rua os arquivos   e papéis que encontraram à mão, mobiliário e até máquinas   de escrever.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a> O capitão Salgueiro   Maia pediu à população para que os arquivos fossem   conservados dado o seu &ldquo;valor histórico inestimável&rdquo; tendo alguns   sido entregues ao dr. Raul Rego,   diretor do <i>República, </i>que os confiou   aos militares assim evitando   maior depredação dos «preciosos arquivos da &ldquo;comissão&rdquo;&rdquo;.<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a> Foi o vespertino <i>República </i>que na sua edição   de 4 de maio de 1974 deu conta das &ldquo;&ldquo;Preciosas gravações&rdquo; encontradas por jornalistas na censura do   Porto&rdquo; quando, na véspera, um grupo de jornalistas e escritores ocuparam as instalações na praça D. João I.</p>      <p>A imprensa do Porto noticiou a ocupação, sem mencionar adescoberta dasgravações e só <i>OPrimeiro de Janeiro </i>pôs emdestaque a &ldquo;forma disciplinada&rdquo; do ato, enquanto o <i>Jornal de Notícias </i>noticia o sucedido no Porto como &ldquo;um grupo de jornalistas&rdquo; ter ido &ldquo;ontem <i>cuspir</i><i> </i>nas instalações da Comissão de Censura ultimamente designada Exame Prévio&rdquo;.</p>     <p><b>2.  As gravações de telefonemas da censura</b></p>     <p>Conhecida a sua existência desde 1974, as gravações só em 1978 deram entrada nos arquivos da RTP sem qualquer documentação escrita associada. Embora ocasionalmente fossem utilizados excertos para programas radiofónicos e, em 2014, tivesse sido produzida pela Antena 1 uma peça na série <i>Sons de Abril</i>,<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a> só em 9 de maio de 2017 é que a totalidade da gravação foi publicitada nos Arquivos da RTP.</p>      <p>O material colocado <i>on line </i>pela RTP, o único<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a> com registo de censores da Direção dos Serviços de Censura/ Exame Prévio tem a duração de 1h 3´ 41´´ e está catalogado como ficheiro AHCD1599_01, o qual resulta   da junção de duas bobinas   anteriormente numeradas como AH10715 e AH10716, ocorrendo a junção de ambas aos 31´28´´ na presente gravação.<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a></p>      <p>O Arquivo da RTP estimou   que o registo se reporta   ao período &ldquo;entre 20 e 25   de abril de 1974&rdquo;, mas   uma análise minuciosa a partir do confronto das   notícias e jornais mencionados na gravação permite   detetar onze blocos, numa sequência cronológica que não corresponde à opção de   colocar em primeiro lugar a bobine AH10715. De facto,   nesta primeira bobina,   dos oito segmentos, cinco são do dia   25 de abril (bloco II e bloco   IV a VII), o registo   dos blocos I e III reporta-se a poucos dias antes do 25 de abril e   só o bloco VIII foi gravado no final do mês de fevereiro de 1974 (<a href="#t1">Tabela 1</a>). Já a   bobina AH10716, em segundo plano na sequência, é toda ela preenchida com as gravações   mais antigas, da última semana de fevereiro de 1974.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="t1"></a><img src="/img/revistas/mj/v19n35/19n35a05t1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Na economia   geral do ficheiro   a parte respeitante ao dia da Revolução - bobina AH10715 - ocupa apenas   20% do total mas fornece   uma imagem sonora   particularmente interessante das comunicações entre Lisboa e Porto, ao longo do dia,   culminando numa chamada telefónica às 15 horas quando a direção da censura já   tinha abandonado as instalações. Nela o capitão   Correia de Barros dá conta do clima vivido na comissão do Porto: &ldquo;Nós   aqui não sabemos   nada, há umas   coisas de emissoras francesas, a artilharia está ocupada, o CICA também,   o Quartel-General também (&hellip;) há   calma mas mais nada, estamos a aguardar&hellip;&rdquo;. Fica a promessa de novo contacto com Lisboa por volta das cinco da tarde.</p>      <p>A gravação evidencia não só a ignorância da comissão do Porto sobre a evolução das operações militares como a incapacidade de Lisboa em dar instruções, pela dificuldade nas comunicações telefónicas e, sobretudo, pela paralisia em que o aparelho repressivo mergulhou com o desencadear do golpe militar. Quando o diretor Mário Bento, visivelmente perturbado, é confrontado com a notícia da ocupação do Terreiro do Paço a sua reação imediata é mandar cortar tudo, desde o avanço das tropas do MFA, à singular ordem para cortar &ldquo;Rádio Clube Português - A Voz das Forças Armadas&rdquo; e todas as fotografias que a imprensa tinha começado a publicar à revelia do &ldquo;lápis azul&rdquo;. Acumulam-se as provas que alguns jornais teimam em mandar à censura e a única recomendação do diretor é &ldquo;reter&rdquo; a informação como se fosse possível barrar o curso dos acontecimentos. &ldquo;Num segundo, aquele opressivo regime ditatorial, passara de uma autoconfiança ilimitada - que lhe era dada por meio século de poder -, a um estado de total desorientação e paralisia, provocado pela ação decidida de uma centena e meia dos seus capitães&hellip; &rdquo;.<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a> (Luz, 2017, p.145)</p>      <p>Se estes registos documentam, no plano sonoro, o sobressalto do 25 de abril, já os restantes, da bobina AH10716, são um expressivo documento da rotina do aparelho censório. Reportando-se ao final do mês de fevereiro de 1974, os blocos VIII, X e XI, ilustram o duplo papel das chamadas telefónicas entre comissões: por um lado, as &ldquo;intervenções&rdquo;, como explica o censor, «o que se corta», por outro, o controle imediato do já publicado (&ldquo;cumpriram/não cumpriram&rdquo;) na imprensa da capital como orientação para a Comissão do Porto que, em caso de dúvida, deve seguir a censura ao <i>Diário de Lisboa</i>, diretiva anteriormente documentada quando perante uma situação de &ldquo;divergência de critérios&rdquo; entre Lisboa e a censura do Porto, o diretor Neves Martinha lembrou &ldquo;a vantagem de efetuar-se sempre a censura dos jornais do Porto, pelos textos dos vespertinos de Lisboa aí chegados&rdquo;.<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a> Num período marcado por forte agitação laboral, a  preocupação da censura centra-se em torno das reuniões sindicais, reivindicações salariais, movimentos grevistas, - &ldquo;Bem, o que não se pode é fazer relações [sic] a greves!&rdquo; -, com destaque para a luta dos metalúrgicos em Vieira de Leiria,<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a> os preços dos combustíveis, as manifestações contra   a guerra colonial e de propaganda da jornada do 1º de maio, em Lisboa a 21 de fevereiro, na Cova da Piedade a 23 de abril, a repressão da luta estudantil.</p>      <p>Neste registo destaca-se ainda a vigilância apertada ao semanário <i>Voz Portucalense</i>, órgão da diocese do Porto, que vê   sistematicamente grande parte da sua produção jornalística retalhada pela censura,<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a>   numa altura em que o &ldquo;Clero Progressista e Católicos Dissidentes&rdquo; eram classificados como parte do &ldquo;INIMIGO&rdquo; em diretiva do Ministério da Defesa Nacional.<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a></p>      <p>Por outro lado, as contradições dentro do regime, pela ação de sectores ul tranacionalistas, encontram expressão no livro <i>Nós nunca seremos a geração da traição, </i>com material do I Congresso dos Combatentes do Ultramar, realizado no Porto. O jornalista de <i>A Época, </i>José Manuel Pintasilgo, é citado nos telefonemas como estando a desenvolver esforços junto da direção da censura para ultrapassar a proibição do livro, o que aconteceu em março.<a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="top17"></a></p>      <p>Tratando-se dum registo com claras sobreposições e cortes, uma pequena amostra duma atividade prolongada, é de assinalar a natureza da linguagem desbragada que censores do Porto utilizam nas conversas com Lisboa que, por alguma forma, corrobora a postura hostil para com os chefes de redação e que perdurou na memória de profissionais do Porto: &ldquo;Limpou-se tudo aquilo de que voltam a falar&hellip;&rdquo;, &ldquo;&hellip; Então tenho que fazer outra poda maior ali naquele&hellip;&rdquo;; &ldquo;Pronto! Deste <i>Voz Portucalense </i>estamos entendidos. Está quase tudo cortado! Era melhor era cortá-lo todo, carago! (risos)&rdquo;; &ldquo;&hellip; preços da gasolina. Até aí vai tudo abaixo!&rdquo;; &ldquo;&hellip;os jornais começam a seringar-nos&hellip;&rdquo;, a última frase já na manhã de 25 de abril.</p>     <p><b>3.  Comissão de Censura do Porto</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A relação entre a censura e os jornalistas foi sempre, por natureza, conflitual. Salazar que superintendia a máquina censória, chegou a admitir que &ldquo;a Censura molesta um pouco os jornais&rdquo;, problema que o regime subordinou ao princípio reiterado de que ao Estado competia impedir a &ldquo;perversão da opinião pública&rdquo;.<a href="#18"><sup>[18]</sup></a><a name="top18"></a> Nas &ldquo;Normas de serviço interno - recomendação&rdquo; (1956), o diretor-adjunto discorre sobre hierarquia e disciplina no aparelho censório defendendo &ldquo;o estabelecimento de relações cordiais com os proprietários, diretores, editores e redatores e a maior urbanidade no tratamento com as pessoas&rdquo;, advertindo que &ldquo;um tratamento menos cortês, um simples levantar de voz , uma resposta brusca,   todo o procedimento imperativo, é de evitar (&hellip;)&rdquo;.<a href="#19"><sup>[19]</sup></a><a name="top19"></a></p>      <p>Os testemunhos   dos jornalistas do Porto revelam, quase sempre, uma experiência diferente das orientações propaladas pelo diretor-adjunto. Pinto   Garcia, sem citar nomes, resume a relação com os   censores como &ldquo;de não cordialidade&rdquo;. Para Manuel Ramos, também   do <i>Jornal de Notícias</i>, o telefone era   a &ldquo;arma&rdquo; predileta dos censores: &ldquo;Telefonavam à 1 ou 2 da manhã, obrigavam-nos a alterar páginas   a caminho da rotativa. Era desesperante.&rdquo; <a href="#20"><sup>[20]</sup></a><a name="top20"></a>   Manuel Ramos recorda   ainda o capitão   José Eduardo Correia   de Barros: &ldquo;irascível, fascista, um homem de direita&rdquo; e o alferes Ponce de Castro, censor profissional de 1936 a 1970: &ldquo;um homem (&hellip;) horrível. Dava uns berros e nós acautelávamo-nos.&rdquo;<a href="#21"><sup>[21]</sup></a><a name="top21"></a></p>      <p>Costa Carvalho relembra como os censores começavam a conversa: &ldquo;Ora bem, vamos às instruçõezinhas para hoje!&rdquo;<a href="#22"><sup>[22]</sup></a><a name="top22"></a> e sobre os homens do &ldquo;lápis encarnado&rdquo;, usado na comissão do Porto: o &ldquo;Dr. Ornelas era de uma educação esmerada, falas mansas e não impositivas&rdquo;, o tenente Almeida Teixeira, um &ldquo;arrieiro&rdquo;, leia-se, grosseirão. Por fim, Manuel António Pina, caracteriza o coronel Roma Torres como &ldquo;um homem comum, um homem do regime (&hellip;) pouco tolerante, reservado e do ponto de vista intelectual muito fechado&rdquo;. <a href="#23"><sup>[23]</sup></a><a name="top23"></a> Noutro plano, dentro do aparelho, o formalismo na relação entre censores espelha um tom reverente entre os censores do Porto, drs. Ornelas e Relvas e o diretor, tratado por &ldquo;Vosselência&rdquo;, no dia da Revolução.</p>      <p>Dirigida por militares no ativo até à década   de 50, a comissão do Porto vai ter à sua   frente em 1955   um antigo militar, licenciado em Direito, Agostinho Seguro Pereira, altura em que conhece uma grave   perturbação que ditou a sua exoneração em 9 de maio de 1959, no meio de   acusações invulgares no aparelho da censura. O alferes Ponce de Castro, presidente interino, descreve Seguro   Pereira como &ldquo;energúmeno&rdquo;, com uma gestão &ldquo;atrabiliária, indecente, ridícula e profissionalmente incompetentíssima&rdquo;.</p>      <p>Por algum tempo o coronel Arnaldo Fontes retoma a direção da comissão e, desde 1960, como vice-presidente interino e depois presidente, um civil, o dr. Alexandre Pestana de Ornelas. Nos últimos anos da ditadura a comissão do Porto foi constituída por 6 a 7 censores, quase sempre oficiais do exército na reserva ou reformados, denotando um processo de <i>desmilitarização </i>mais lento que em Lisboa e com problemas que não terão sido plenamente superados, a julgar pela deslocação para o Porto, entre 1967 e 1968 de um &ldquo;comissário político&rdquo;, o major piloto-aviador Fernando Tártaro. Asgravações de telefonemas remetem-nos ainda para dois novos nomes na comissão do Porto: o coronel Pires (?) e o dr. Relvas<a href="#24"><sup>[24]</sup></a><a name="top24"></a> cujo registo parece credenciá-lo como o novo presidente. Em contrapartida, sabemos que o tenente Almeida Teixeira foi expulso em fevereiro   de 1974<a href="#25"><sup>[25]</sup></a><a name="top25"></a>   &ldquo;por se considerar particularmente grave a falta cometida&rdquo; segundo o diretor em 9.2.1974, relacionada com a divulgação do documento   <i>Imperativo de Consciência </i>em que o colonialismo português em Moçambique era questionado pelos Missionários   Combonianos, proscritos da colónia em março e abril de 1974.<a href="#26"><sup>[26]</sup></a><a name="top26"></a></p>      <p>Encarregado pelo Governo   marcelista de promover   um inquérito <a href="#27"><sup>[27]</sup></a><a name="top27"></a> ao funcionamento da censura no Continente, o diretor, tenente   Nazaré, descreve-a como &ldquo;uma   estrutura velha de mais de 30 anos&rdquo;, &ldquo;obsoleta&rdquo;, sujeita a &ldquo;constantes deslizes&rdquo;. De facto, desde   a reorganização de 1933 com a criação   da <i>estrutura intermédia</i>, as comissões<b>, </b>sediadas na capital, no Porto e Coimbra, as   mudanças ocorridas no aparelho da censura situaram-se essencialmente na centralização do serviço e na renovação do pessoal   político. (Gomes, 2013, pp. 97-100).</p>      <p>Caetano manteve a censura, recriando-a em 1972 como Comissão Central de Exame Prévio e reforçou a liderança da máquina censória com o coronel Armando Páscoa, apostando na sua racionalização e eficiência é dele o desígnio de &ldquo;um controlo perfeito dos jornais que se publicam no País&rdquo;<a href="#28"><sup>[28]</sup></a><a name="top28"></a> -, ao mesmo tempo que se assistia a um processo de concentração de empresas jornalísticas por grupos económicos onde se estimulava a autocensura e mecanismos de censura interna. (Cabrera, 2006, p. 259). Depois da derradeira transferência dos serviços de censura em Lisboa, (1969), será a vez de Coimbra (1970) e do Porto, em julho de 1971, para um moderno edifício na praça D. João I, face à degradação do espaço na rua de Santa Catarina, episódio associado à instalação do equipamento de gravação no Porto.</p>      <blockquote>    <p>Desde há tempos   que estamos a utilizar,   por empréstimo, um gravador a que se adapta   um dispositivo que permite captar   as conversas telefónicas e que as reproduz   no final da conversação. A utilidade de tal aparelho   não necessita de encómios bastando citar que quando as   recomendações são extensas ou quando há necessidade de transmitir artigos, locais ou notícias sujeitas a certas   limitações, o emprego do aparelho confirma a transmissão   resolvendo qualquer dúvida entendimento. Assim se V. Exª entender que merece provimento   este meu pedido, aí o deixo   formulado para ser atendido   no orçamento para o   próximo ano. O custo do gravador é de cerca de 3000$00 (Três mil escudos) .<a href="#29"><sup>[29]</sup></a><a name="top29"></a></p></blockquote>     <p>O coronel Páscoa   visitou esta comissão, em outubro de 1970, com o Diretor   Geral da Informação e, por certo,   não só ficou decidido o problema logístico como a adoção da nova tecnologia, aparentemente, por iniciativa do presidente da comissão do Porto. Dos canais de comunicação da censura com a imprensa,   documentação escrita como   ofícios ou circulares enviados por via postal, a utilização do telex das agências noticiosas, os próprios cortes   dos granéis, na judiciosa consideração do diretor-adjunto David   dos Santos,<a href="#30"><sup>[30]</sup></a><a name="top30"></a>o telefone desempenhava um papel primordial razão pela qual os jornais de grande circulação   tinham uma ligação direta às comissões de censura. No caso dos   matutinos do Porto   os telefonemas regulares decorriam a partir das 20 horas e prolongavam-se pela madrugada até ao fecho dos jornais pelas 3 da manhã. Todos os contactos eram anotados no <i>Livro de registos de Comunicações </i>com as horas, nome do censor que transmitiu e nome do chefe de redação que a recebeu. Em circunstâncias extraordinárias, quando uma entidade oficial pretendia que a censura controlasse a informação em torno de qualquer incidente, o procedimento era idêntico, no <i>Registo de pedidos </i>com formulário próprio e despacho do diretor da censura. <a href="#31"><sup>[31]</sup></a><a name="top31"></a> No caso da comunicação entre as comissões de Lisboa e Porto, habitualmente às 22H30 e 01H00   da manhã,<a href="#32"><sup>[32]</sup></a><a name="top32"></a> o diretor   Martinha determinou em 1964 que &ldquo;de futuro, as &ldquo;diretivas&rdquo; transmitidas telefonicamente, [deveriam] ser sempre conferidas e controladas, tal constando dos respetivos   registos.&rdquo;<a href="#33"><sup>[33]</sup></a><a name="top33"></a> No mesmo ano registou-se uma extensão de contactos telefónicos diários com as delegações de Beja e Évora onde também se publicavam jornais   diários.<a href="#34"><sup>[34]</sup></a><a name="top34"></a>   Já no consulado marcelista, em 1969,   uma proposta para alargar   as comunicações telefónicas diárias a todas as delegações não terá sido posta em prática   devido à contenção de despesas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se a gravação   de chamadas no Porto data de meados de 1970, em Coimbra deve ter sido implementada a partir de 1971 incluindo, em qualquer dos casos, a gravação dos contactos com a imprensa diária. No relatório do coronel Páscoa de junho de 1971 diz-se expressamente:</p>      <blockquote>    <p>Dadas as constantes contradições em que por vezes alguns jornais vinham a cair ao ser-lhes imputada determinada falta e ainda para que não possa haver qualquer dúvida sobre instruções telefónicas transmitidas pela Direção destes Serviços ao fazer-se durante a noite o balanço de &ldquo;cortes&rdquo; e ao serem dadas quaisquer indicações eventuais, atribuiu a Direção destes Serviços às Comissões de Porto e Coimbra, um gravador que regista as conversações havidas. Assim que toda a conversa havida entre o oficial de serviço da Comissão de Coimbra e o jornal &ldquo;DIÁRIO DE COIMBRA&rdquo; se acha gravado totalmente, de que esta Direção tem uma cópia, à disposição da Secretaria de Estado.<a href="#35"><sup>[35]</sup></a><a name="top35"></a></p></blockquote>     <p><b>4. Conclusão</b></p>     <p>A documentação de 1970 /1971 fornece elementos relevantes quanto à origem e intuito dasgravações, quer as internas, quer asdos contatos com os jornais, um documento sonoro único no contexto das ditaduras ibéricas,<a href="#36"><sup>[36]</sup></a><a name="top36"></a> mas não podemos concluir existir uma razão unívoca para a implementação das gravações da comunicação telefónica. No Porto, os três grandes diários mantiveram, sobretudo no pós-guerra, um distanciamento, quando não oposição tolerada face ao regime, acompanhando uma maior indisciplina no envio de provas à censura induzida pela promessa de abertura de Marcelo Caetano. Se o <i>Primeiro de Janeiro </i>era historicamente considerado de &ldquo;oposição ao Estado Novo&rdquo;,<a href="#37"><sup>[37]</sup></a><a name="top37"></a> no início da década de 60, a intensificação da censura, com a direção de Quesada Pastor<a href="#38"><sup>[38]</sup></a><a name="top38"></a> em 1959, em plena crise do regime, colocou os outros dois jornais, o <i>Comércio do Porto</i>,<a href="#39"><sup>[39]</sup></a><a name="top39"></a> e o <i>Jornal de Notícias,</i><a href="#40"><sup>[40]</sup></a><a name="top40"></a> com progressiva influência (Sousa, 1988 p. 283), sob escrutínio cada vez mais rigoroso da censura.</p>      <p>A   instabilidade no pessoal político do Porto e a recorrente diferença de   critérios entre a censura   de Lisboa e a do Porto, por vezes ultrapassada pelas facilidades concedidas ao <i>Diário Popular   </i><a href="#41"><sup>[41]</sup></a><a name="top41"></a> foram igualmente fatores   que aumentavam o risco de deslizes na leitura de provas, dando lugar a situações de   melindre que se pretendia evitar a todo o custo,   sobretudo as relacionadas com a guerra   colonial, assunto tabu para o regime. O caso do <i>Diário de Coimbra </i>que   publicou inadvertidamente em 1971,   o discurso do general Reimão   Nogueira,<a href="#42"><sup>[42]</sup></a><a name="top42"></a> demitido de comandante da Região Militar de Coimbra, ilustra esta preocupação, com antecedentes,   nomeadamente em 1963, na publicação pelo   <i>Comércio do Porto</i>, do discurso desalinhado do general Luís   Augusto Ferreira   Martins, em 30 de abril.<a href="#43"><sup>[43]</sup></a><a name="top43"></a>Embora existisse desde a década de 50 um   &ldquo;Serviço de Controle&rdquo;, chefiado   agora pelo coronel   Francisco Cardoso Salgado,   o registo magnético tornou-se um mecanismo adicional de   fiscalização quando o velho modelo de censura prévia tinha dificuldade em &ldquo;dar   resposta às solicitações da imprensa face ao esgotamento do regime político&rdquo; (Gomes, 2013, p. 99) .</p>      <p>As gravações   de telefonemas ocorrem, assim, no quadro contraditório da &ldquo;continuidade&rdquo; marcelista, com uma fugaz descompressão, logo seguida dum adensar   do controlo dos <i>media</i>,   quer pela censura quer pela manipulação da comunicação, tornada   indispensável para manter uma legitimidade ilusória do regime que o ato   eleitoral de 1969 não lograra obter. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Azevedo, C. (1999). <i>A Censura de Salazar e Marcelo Caetano</i>. Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906843&pid=S2183-5462201900020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Baptista, J. (2014). Páginas   de um diário. <i>Jornalismo &amp; Jornalistas</i>, 57, 36-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906845&pid=S2183-5462201900020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cabrera, A. (2006). <i>Marcello Caetano: poder e imprensa</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906847&pid=S2183-5462201900020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Carvalho, A. A. de &amp; Cardoso, A. M. (1971). <i>Da Liberdade de Imprensa</i>. Lisboa: Meridiano.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906848&pid=S2183-5462201900020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Carvalho, A. A. de (1999). <i>A Censura à Imprensa na Época Marcelista </i>(2ª edição). Coimbra: Minerva. (1ª edição, 1973, <i>A Censura e as Leis de Imprensa</i>)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906850&pid=S2183-5462201900020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, J.C. (2015). Retirado de<a href="http://www.iscia.edu.pt/artigo/1962-o-ano-da-%C2%ABrua-31-de-santo-ant%C3%B3nio%C2%BB" target="_blank">http://www.iscia.edu.pt/artigo/1962-o-ano-da-rua-31-de-santo-antonio</a> .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906851&pid=S2183-5462201900020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Castanheira, J.P. (2009).   Confidências de Mário Bento - o último diretor da Censura<i>. Expresso</i> nº 1919<i>, Revista Única </i>de 8.8.2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906853&pid=S2183-5462201900020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cavaco, S. (2012). <i>Mercado media em Portugal no período marcelista. 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(2007). <i>Jornalistas: do ofício à profissão</i>. Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906859&pid=S2183-5462201900020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Correia, F. &amp;   Baptista, C. (2010). <i>Memórias Vivas do Jornalismo</i>. Lisboa: Editorial   Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906861&pid=S2183-5462201900020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Correia, F. &amp;   Baptista, C. (2011). O papel modernizador dos jornais <i>Diário Ilustrado</i>, <i>Diário</i><i>Popular</i>, <i>Diário de Lisboa </i>e <i>A Capital   </i>durante a década de 60 do século XX. In A. Cabrera (Org.), <i>Jornais, Jornalistas     e Jornalismo (Séculos XIX e XX) </i>(pp.151-204). Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906863&pid=S2183-5462201900020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Esteves, E. (2018). <i>1968-1969 A Voz de uma Geração &ldquo;A Capital&rdquo; Memórias de um Tempo</i>. Lisboa: Âncora Editora.</p>      <p>Fonseca, A.D. (2017). Relatório de Operações das Forças do Centro de Operações Especiais - Lamego. In C. A. Contreiras (Coord.), <i>Operação &ldquo;Viragem Histórica&rdquo; - 25 de Abril de 1974</i>. Lisboa: Edições Colibri e Associação 25 de Abril.</p>      <!-- ref --><p>Forte, I. (2000). <i>A censura de Salazar no Jornal de Notícias</i>. Coimbra: MinervaCoimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906867&pid=S2183-5462201900020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Foyos, P. (2014). Faltavam dez minutos para as nove da manhã&hellip; <i>Jornalismo</i><i> </i><i>&amp; Jornalistas</i>, 57, 38-40. </p>     <!-- ref --><p>Franco, G. (1993). <i>Acensura à imprensa (1820-1974)</i>. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906870&pid=S2183-5462201900020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gomes, J.C. (2006). <i>Os Militares e a Censura A Censura na Ditadura Militar e Estado Novo (1926-1945)</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906872&pid=S2183-5462201900020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gomes, J. C. (2006 b). Álvaro Salvação Barreto: oficial e censor do salazarismo. <i>Media &amp; Jor</i><i>nalismo</i>, 9, 57-88.</p>      <!-- ref --><p>Gomes, J. C. (2013). Os censores do 25 de abril: o pessoal político da censura à imprensa. <i>Media &amp; Jornalismo</i>, 23, 77-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906875&pid=S2183-5462201900020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gomes, J. C. (2017). A censura no Estado Novo: o   caso da imprensa de província (1936- 1945). In J. L. Garcia, T. Alves   &amp; Y. Léonard (Coords.), <i>Salazar, o Estado     Novo e os Media </i>(pp.69-100).  Lisboa: Edições 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906877&pid=S2183-5462201900020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Luz, A. R. (2017). O meu 25 de abril. In C. A. Contreiras (Coord.), <i>Operação &ldquo;Viragem Histórica&rdquo;</i><i>- 25 de Abril de 1974</i>. Lisboa: Edições Colibri e Associação 25 de Abril.</p>      <!-- ref --><p>Martins, P. (2018). <i>O bairro dos jornais</i>. Lisboa: Quetzal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906880&pid=S2183-5462201900020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>PPI - Gabinete de Informação Sistemática (1974). Nós nunca seremos ageração da traição, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906882&pid=S2183-5462201900020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Príncipe, C. (1979). <i>Os   Segredos da Censura</i>. Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906884&pid=S2183-5462201900020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rego, R. (1969). <i>Horizontes fechados. Páginas de Política</i>. Lisboa: Edição de Autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906886&pid=S2183-5462201900020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Rosa, G. P. (2017). <i>O   inspector da PIDE que morreu duas vezes</i>. Lisboa: Planeta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906888&pid=S2183-5462201900020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rosas, F. &amp; Oliveira, P. A. (2004). <i>A transição falhada. O Marcelismo e o Fim do Estado Novo (1968-1974)</i>. Lisboa: Editorial Notícias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906890&pid=S2183-5462201900020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santos, P.B. (2016). <i>A Segunda Separação A Política Religiosa do Estado Novo (1933-1974)</i>. Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906892&pid=S2183-5462201900020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sobreira, R. M. (2003). <i>Os jornalistas portugueses 1933-1974. Uma profissão em construção</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906894&pid=S2183-5462201900020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Tengarrinha,   J. (2006). <i>Imprensa e Opinião Pública em Portugal</i>. Coimbra: MinervaCoimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1906896&pid=S2183-5462201900020000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submetido: 2018.11.14</p>     <p>Aceite: 2019.07.23</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Esteves, E. (2018). <i>1968-1969 A Voz de uma Gera&ccedil;&atilde;o &ldquo;A Capital&rdquo; Mem&oacute;rias de um Tempo</i>, Lisboa: &Acirc;ncora Editora, p. 26. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Bento Garcia   Domingues quando ascendeu   a inspetor de primeira classe   da Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria (1972) j&aacute;   desempenhava fun&ccedil;&otilde;es na Censura como subdiretor, desde 1970. O coronel Armando P&aacute;scoa ao abandonar a censura sublinhou   o &ldquo;superior reconhecimento e inesquec&iacute;vel gratid&atilde;o   pelo exaustivo trabalho   do Subdiretor&rdquo;. ANTT - SNI/DSC,   Cx. 414, Ordem de servi&ccedil;o n&ordm; 2 de 31.3.1973.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> <i>Expresso </i>n&ordm; 1919, de 8.8.2009, <i>Revista &Uacute;nica</i>, &ldquo;Confid&ecirc;ncias de M&aacute;rio Bento - o &uacute;ltimo diretor da Censura&rdquo;, entrevista de Jos&eacute; Pedro Castanheira.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> Jacinto Baptista, extratos das&ldquo;P&aacute;ginas de um di&aacute;rio&rdquo; do livro <i>Caminhos</i><i> </i><i>para</i><i> </i><i>uma</i><i> </i><i>revolu&ccedil;&atilde;o</i>, Bertrand, 1975, in <i>Jornalismo   &amp; Jornalistas </i>n&ordm; 57, p. 37 e o testemunho   de Ac&aacute;cio Barradas,   In Fernando Correia e Carla Baptista   (2010). <i>Mem&oacute;rias Vivas do Jornalismo</i>. Lisboa: Editorial Caminho, p. 73.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, 27 de abril de 1974, p.9, &ldquo;Censura e ANP de portas fechadas&rdquo;   e Suplemento da edi&ccedil;&atilde;o de 25 de abril de 1994, &ldquo;20 anos de Liberdade&rdquo;, do <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, testemunho do capit&atilde;o Delgado   da Fonseca, pp.38-39.</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> Devo ao   antigo jornalista do <i>Di&aacute;rio de     Coimbra</i>, Jorge Castilho, as informa&ccedil;&otilde;es sobre os acontecimentos em Coimbra.        <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> <i>O S&eacute;culo</i>,   27 de abril de 1974, p.6.</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> <i>Rep&uacute;blica</i>, dia 26 de abril de 1974, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, p.   15, &ldquo;A censura saqueada por populares.&rdquo;</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> Com o t&iacute;tulo   implaus&iacute;vel, <i>Inspetores da PIDE mostram     como funciona a censura</i>, a pe&ccedil;a de Helena Matos utiliza   um excerto deste   &ldquo;som hist&oacute;rico&rdquo;, que n&atilde;o localiza   no tempo, caindo   no anacronismo de que tudo   se reporta &agrave; v&eacute;spera   do 25 de abril ou ao pr&oacute;prio   dia. Controversa &eacute; ainda   a afirma&ccedil;&atilde;o de que os jornais do Porto eram menos censurados que   os de Lisboa por as reda&ccedil;&otilde;es estarem distantes da capital, porque &ldquo;isto [a censura]   pelo telefone &eacute; um pouco mais complicado&hellip;&rdquo;.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a> Existe uma grava&ccedil;&atilde;o de 1965 no Arquivo RTP entre um &ldquo;censor&rdquo;, Ant&oacute;nio Caetano da Luz Carvalho, diretor dos servi&ccedil;os   de informa&ccedil;&atilde;o do SNI (tamb&eacute;m vogal da Comiss&atilde;o   de Exame e Classifica&ccedil;&atilde;o dos   Espet&aacute;culos, mas n&atilde;o foi nessa qualidade   que interveio junto da r&aacute;dio) e Jos&eacute; do Nascimento, do R&aacute;dio Clube Portugu&ecirc;s, por causa de uma reportagem   sobre o assassinato do general Humberto Delgado.<a href="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/telefonema-para-a-censura" target="_blank">https://arquivos.rtp.pt/conteudos/telefonema-para-a-censura</a> </p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a> <a href="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/gravacao-de-telefonemas-dos-servicos-da-censura/" target="_blank">https://arquivos.rtp.pt/conteudos/gravacao-de-telefonemas-dos-servicos-dacensura/#sthash.Oi95lNfZ.dpbs</a>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a> Cf. Luz,   A. R. (2017). <i>O meu     25 de abril</i>, in C. A. Contreiras (Coord.), Opera&ccedil;&atilde;o &ldquo;Viragem Hist&oacute;rica&rdquo; - 25 de Abril de 1974, Lisboa:   Edi&ccedil;&otilde;es Colibri e Associa&ccedil;&atilde;o 25 de Abril,   p.145.     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 600, proc. 334, of&iacute;cio   de 16.7.1965, cadastro do <i>Com&eacute;rcio do Porto</i></p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a> Os trabalhadores da F&aacute;brica de Limas Tom&eacute; Feteira, em Vieira de Leiria, iniciaram uma greve de bra&ccedil;os   ca&iacute;dos no dia 5 de fevereiro de 1974 exigindo aumento de sal&aacute;rios de   25% ficando fora dos port&otilde;es nas horas de trabalho. <i>Avante! </i>n&ordm; 463, S&eacute;rie VI, (mar&ccedil;o 1974), p. 3.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a> ANTT-SNI/, DSC, Cx. 736, proc. 430, <i>Voz</i><i> </i><i>Portucalense</i>. No n&uacute;mero 18 de 4 de maio de   1974   o jornal regista: &ldquo;De 3 de janeiro de 1970 a 27 de abril de 1974, public&aacute;mos   225 n&uacute;meros de a <i>Voz Portucalense </i>sujeitos, sem exce&ccedil;&atilde;o, aos espartilhos,   arbitrariedades e discrimina&ccedil;&atilde;o da Censura   - Exame Pr&eacute;vio. Este &eacute; o primeiro   n&uacute;mero sem censura&rdquo;.        <p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a> Diretiva   Nacional de A&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica para 1973 do Minist&eacute;rio da Defesa Nacional. In Contreiras, A.M.(Coord.) Opera&ccedil;&atilde;o   &ldquo;Viragem Hist&oacute;rica&rdquo; - 25 de Abril de 1974, Lisboa:   Edi&ccedil;&otilde;es Colibri e Associa&ccedil;&atilde;o 25 de Abril,   p. 35.</p>     <p><a href="#top17"><sup>[17]</sup></a><a name="17"></a>   PPI   - Gabinete de Informa&ccedil;&atilde;o Sistem&aacute;tica. (1974). <i>N&oacute;s nunca seremos a gera&ccedil;&atilde;o da </i><i>trai&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa.</p>     <p><a href="#top18"><sup>[18]</sup></a><a name="18"></a> <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, 1 de julho   de 1958, discurso de Salazar perante   as Comiss&otilde;es Distritais da Uni&atilde;o   Nacional em 30 de junho.</p>     <p><a href="#top19"><sup>[19]</sup></a><a name="19"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 799, &ldquo;Normas de Servi&ccedil;o Interno -   Recomenda&ccedil;&atilde;o&rdquo;, Boletim n&ordm; 7/56 de 2 de   fevereiro de 1956, pelo coronel David dos Santos.        <p><a href="#top20"><sup>[20]</sup></a><a name="20"></a> <i>Jornal de Not&iacute;cias, </i>25   de abril de 1994, p. 19, &ldquo;Censores &ldquo;atacavam pelo telefone&rdquo;.</p>     <p><a href="#top21"><sup>[21]</sup></a><a name="21"></a> Isabel Forte (2000). <i>A censura de Salazar no Jornal de Not&iacute;cias Da actua&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Censura do Porto   no Jornal de Not&iacute;cias, </i>Coimbra: MinervaCoimbra, p. 125.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top22"><sup>[22]</sup></a><a name="22"></a> Idem, p. 148.</p>     <p><a href="#top23"><sup>[23]</sup></a><a name="23"></a> P&uacute;blico,   27 de abril de 2005, &ldquo;Coron&eacute;is armados de l&aacute;pis azuis.&rdquo;</p>     <p><a href="#top24"><sup>[24]</sup></a><a name="24"></a> A prova com cortes do seman&aacute;rio <i>Voz Portucalense </i>de 9.10.1973   apresenta uma assinatura do dr. Relvas em   visto de recurso. ANTT-SNI/DSC, Cx. 253.</p>     <p><a href="#top25"><sup>[25]</sup></a><a name="25"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 564, <i>Comiss&atilde;o do Porto</i>. O of&iacute;cio de 9.2.1974 do presidente da Comiss&atilde;o   Central confirma a comunica&ccedil;&atilde;o telef&oacute;nica de acordo com a qual s&atilde;o dispensados   a partir de hoje os servi&ccedil;os   do leitor em causa por se considerar particularmente grave a falta   cometida&rdquo;. Nas transcri&ccedil;&otilde;es dos telefonemas da Comiss&atilde;o de Exame Pr&eacute;vio   do Porto, o &uacute;ltimo   registo do tenente Teixeira data   das 23H45 de 5.2.1974. Cf. C&eacute;sar Pr&iacute;ncipe (1979) <i>Os Segredos </i><i>da Censura</i>. Lisboa: Editorial Caminho, p. 21.     <p><a href="#top26"><sup>[26]</sup></a><a name="26"></a> As rela&ccedil;&otilde;es entre   o regime e a Igreja   conheceram per&iacute;odos de maior tens&atilde;o   durante o pontificado de Paulo VI devido &agrave; desloca&ccedil;&atilde;o do papa Paulo VI a Bombaim em 1964 e a audi&ecirc;ncia em 1970 aos l&iacute;deres   dos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o das col&oacute;nias portuguesas. Cf. Santos, P. B. (2016). <i>A Segunda Separa&ccedil;&atilde;o A Pol&iacute;tica Religiosa do Estado Novo (1933-1974)</i>, Coimbra: Almedina, p.477 e pp.481-482.</p>     <p><a href="#top27"><sup>[27]</sup></a><a name="27"></a> Comiss&atilde;o do Livro Negro sobre o Fascismo (1980). <i>A pol&iacute;tica de informa&ccedil;&atilde;o no regime   fascista. </i>Lisboa: Presid&ecirc;ncia do Conselho de Ministros, vol. I, pp.226-232.</p>     <p><a href="#top28"><sup>[28]</sup></a><a name="28"></a> ANTT - SNI/DSC, Cx. 798, Circular n&ordm; 326 de 10 de maio de 1971.</p>     <p><a href="#top29"><sup>[29]</sup></a><a name="29"></a> ANTT- SNI /DSC, Cx. 564, Of&iacute;cio   n&ordm; 40/70 de 19 de outubro de 1970 da Comiss&atilde;o do Porto para o Diretor dos   Servi&ccedil;os de Censura.</p>     <p><a href="#top30"><sup>[30]</sup></a><a name="30"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 796, Of&iacute;cio n&ordm; 110/39   de 18.1.1957.</p>     <p><a href="#top31"><sup>[31]</sup></a><a name="31"></a> ANTT-SNI/DSC,   Cx. 564, &ldquo;Registo de Pedidos&rdquo; de 8.8.1964.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top32"><sup>[32]</sup></a><a name="32"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 796, Ordem   de servi&ccedil;o n&ordm; 2 de 9.12.1968.</p>     <p><a href="#top33"><sup>[33]</sup></a><a name="33"></a> ANTT-SNI/DSC,   Cx. 564, Of&iacute;cio de 20.8.1964 para a Comiss&atilde;o do Porto com conhecimento ao   Grupo noturno de Lisboa.</p>     <p><a href="#top34"><sup>[34]</sup></a><a name="34"></a> ANTT - SNI/DSC, Cx. 791, Ordem   de servi&ccedil;o n&ordm; 3 de 15.2.1964.</p>     <p><a href="#top35"><sup>[35]</sup></a><a name="35"></a> ANTT-SNI/DSC, Cx. 795, Relat&oacute;rio de 2.6.1971, &ldquo;Comiss&atilde;o de Censura de Coimbra Relat&oacute;rio de Averigua&ccedil;&otilde;es   (Publica&ccedil;&atilde;o no &lsquo;DI&Aacute;RIO DE COIMBRA&rsquo; do discurso do General Comandante da 2&ordf; Regi&atilde;o Militar)&rdquo;.</p>     <p><a href="#top36"><sup>[36]</sup></a><a name="36"></a> Agrade&ccedil;o a informa&ccedil;&atilde;o ao professor Jaume   Guillamet, da Universidade Pompeu Fabra.        <p><a href="#top37"><sup>[37]</sup></a><a name="37"></a> ANTT-SNI/DSC, <i>O Primeiro de Janeiro</i>, Cx. 538, proc. 394 e Cx. 732 (cadastro).</p>     <p><a href="#top38"><sup>[38]</sup></a><a name="38"></a> J. F. Quesada   Pastor, com longo historial na censura &agrave; imprensa e na censura   aos espect&aacute;culos, era o chefe de gabinete   de Marcelo Caetano   em 1974.</p>     <p><a href="#top39"><sup>[39]</sup></a><a name="39"></a> ANTT-SNI/DSC, <i>Com&eacute;rcio do Porto</i>, Cx. 600, proc. 334 (cadastro).</p>     <p><a href="#top40"><sup>[40]</sup></a><a name="40"></a> ANTT-SNI/DSC, <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, Cx. 334, Cx. 549 e Cx. 584 (processos disciplinares).</p>     <p><a href="#top41"><sup>[41]</sup></a><a name="41"></a> ANTT-SNI/DSC, <i>Com&eacute;rcio</i><i> </i><i>do Porto</i>, Cx. 600, proc. 334. Em 28.1.1968 diz o subdiretor   do <i>Co</i><i>m&eacute;rcio</i><i> </i><i>do Porto</i>: &ldquo;Adivinhamos que o assunto   n&atilde;o tenha sido submetido a censura   pr&eacute;via, como ali&aacute;s parece ser frequente   naquele jornal, pois n&atilde;o raro,   aquando da comunica&ccedil;&atilde;o telef&oacute;nica ou   instru&ccedil;&otilde;es do Servi&ccedil;o de Censura,   nos &eacute; recomendado: &lsquo;Apesar de sair no <i>Di&aacute;rio</i><i> </i><i>Popular</i>, n&atilde;o pode publicar-se&hellip;&rsquo;&rdquo;. Uma   explica&ccedil;&atilde;o adicional para a diferen&ccedil;a de crit&eacute;rios decorre da situa&ccedil;&atilde;o do <i>Di&aacute;rio</i><i> </i><i>Popular</i><i> </i>enviar para o Norte, por comboio, uma primeira edi&ccedil;&atilde;o que &ldquo;inclu&iacute;a muitas vezes textos   que n&atilde;o tinham ainda o &lsquo;visto&rsquo;   da Censura, mas que depois   ela vinha a cortar   e aos quais,   portanto, os leitores da capital j&aacute; n&atilde;o tinham acesso&rdquo;.   Cf. Fernando Correia &amp; Carla   Baptista, (2011, p. 174).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top42"><sup>[42]</sup></a><a name="42"></a> A aura desta demiss&atilde;o   levou a que fosse nomeado   comandante da Regi&atilde;o   Militar de Lisboa pela Junta de   Salva&ccedil;&atilde;o Nacional cargo que s&oacute; manteve at&eacute; &agrave; substitui&ccedil;&atilde;o, em 13 de julho de 1974, por Otelo Saraiva de Carvalho como comandante-adjunto do COPCON, o que foi visto   como uma derrota   da ala militar spinolista. Cf. Jaime Nogueira   Pinto (1977) <i>Portugal Os Anos do Fim</i>, II Vol., Lisboa:   Sociedade de Publica&ccedil;&otilde;es Economia &amp; Finan&ccedil;as,   p. 189</p>     <p><a href="#top43"><sup>[43]</sup></a><a name="43"></a> ANTT-SNI/DSC, <i>Com&eacute;rcio do Porto</i>, Cx. 509, Processos disciplinares, 334.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biográfica</b></p>     <p>Joaquim Cardoso Gomes é colaborador do Instituto de Comunicação da NOVA - ICNOVA Morada: Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061, Portugal</p>      ]]></body><back>
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