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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O ensino e o estudo dos media e de jornalismo: tributo a Nelson Traquina]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>APRESENTAÇÃO </b></font></p>     <p><font size="4"><b>O ensino e o estudo dos media e de jornalismo: tributo a Nelson Traquina</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Media and journalism studies and education: a tribute to Nelson Traquina</b></font></p>     <p><b>Marisa Torres da Silva<sup>1</sup>, </b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/:0000-0003-1136-4232">https://orcid.org/:0000-0003-1136-4232</a></p>     
<p><b>Carla Baptista<sup>2</sup>, </b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8188-3567">https://orcid.org/0000-0002-8188-3567</a></p>     
<p><b>Francisco   Rui C&aacute;dima<sup>3</sup>, </b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-5449-8831">https://orcid.org/0000-0002-5449-8831</a></p>     
<p><sup>1</sup> Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de Comunicação da NOVA - ICNOVA <a href="mailto:marisatorresilva@fcsh.unl.pt">marisatorresilva@fcsh.unl.pt</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>2</sup> Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de Comunicação da NOVA - ICNOVA. <a href="mailto:carla.baptista@fcsh.unl.pt">carla.baptista@fcsh.unl.pt</a></p>     <p><sup>3</sup> Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de Comunicação da NOVA - ICNOVA. <a href="mailto:frcadima@fcsh.unl.pt">frcadima@fcsh.unl.pt</a></p> <hr/>      <p>&nbsp;</p>     <p>Este número especial da revista <i>Media   &amp; Jornalismo </i>é dedicado ao Professor Nelson Traquina que, em 2002, a fundou e dirigiu. Trata-se   de um tributo sincero e um registo da nossa imensa   gratidão intelectual e humana, procurando fazer jus ao seu enorme, rico e inovador legado.</p>      <p>Nelson Traquina morreu no dia 26 de setembro   de 2019, poucos dias depois de   completar 71 anos. Deixou para todos nós uma extraordinária obra para pensar os   media e o jornalismo, que atravessou fronteiras e que certamente manterá a sua   pertinência no futuro. Deixa também a memória viva de um homem profundamente afetuoso, amigo, inspirador, apaixonado pelo jornalismo, a quem tantos devem a sua formação profissional e académica.</p>      <p>Nascido a 17 de setembro de 1948, nos Estados Unidos, em Chicopee, Massachusetts - estado norte-americano que muito orgulhosamente descrevia como um dos poucos a não dar a vitória a Richard Nixon nas presidenciais de 1972 - era filho de Engrácia Nogueira Tereso e José Marques Traquina, imigrantes açorianos, com quem manteve uma forte ligação afetiva ao longo da vida. Fez licenciatura e mestrado em Política Internacional nos Estados Unidos, mas foi em França que obteve a licenciatura em Ciências da Informação, no Institut Français de Presse, além do Diplome d&#8217;E&#769;tudes Superieures Specialisées (D.E.E.S.) em Comunicação Política e Social na Universidade de Paris I e, em 1980, o doutoramento em Sociologia pela Universidade de Paris V - René Descartes. Esta formação diversificada, dos dois lados do Atlântico, cunhou de modo determinante a construção de um olhar singular sobre os campos mediático e jornalístico.</p>      <p>Chegou a Portugal em outubro de 1974, como correspondente da United Press International, experiência que anos depois   procurou manter viva nas suas aulas de Produção Jornalística, onde centenas   daqueles que hoje preenchem as redações portuguesas aprenderam a evitar   o &#8220;lead diz   nada&#8221; e as &#8220;frases Sibéria&#8221;. Esta passagem pelo jornalismo internacional teve influência no objeto escolhido para a sua tese   de doutoramento, centrada   na importância das agências noticiosas internacionais. Em 1982,   foi convidado a dar aulas   na licenciatura em Comunicação Social   da Faculdade de Ciências   Sociais e Humanas   (FCSH) na Universidade NOVA de Lisboa e, poucos anos depois, leciona   no primeiro curso   de Mestrado em Comunicação Social   na mesma universidade, orientando a área   de especialização em Estudos dos   Media e de Jornalismo. Os primeiros alunos   recordam-no sempre carregado de papéis que distribuía generosamente. Eram cópias de textos de investigadores desconhecidos em Portugal, a maioria norte-americanos, mas também latino-americanos, que nos abriram   um admirável mundo   novo de questões   sobre os media,   o jornalismo, a política e a sociedade. E&#769;   a partir da sua entrada na NOVA FCSH que Traquina se torna uma referência incontornável, não apenas na formação de jovens jornalistas, mas também na consolidação dos estudos jornalísticos em Portugal, área disciplinar até então incipiente ou, diríamos até, inexistente no país.</p>      <p>Em 1996, ascende a professor catedrático e, um ano depois, funda o Centro de   Investigação Media e Jornalismo (CIMJ).   Apesar de sediado   na FCSH, foi idealizado   por Traquina como um centro   interuniversitário que reunia   investigadores, docentes e alunos   de mestrado e doutoramento de várias instituições, mas também profissionais de órgãos de comunicação social   (Cunha, 2012, pp. 3-4). Criar   um centro que conjugasse diferentes experiências   profissionais e académicas, com o objetivo de fomentar a investigação   científica e contribuir para uma compreensão aprofundada de temas relacionados com os media e o jornalismo, foi à data algo de absolutamente pioneiro e excecional - e, hoje,   mesmo sabendo da impossibilidade prática   de existência de um centro com características semelhantes no contexto universitário atual, não conseguimos evitar um sentimento nostálgico na lembrança do dinamismo colaborativo, dialogante e reflexivo que pautou os anos de atividade do CIMJ enquanto unidade de investigação interuniversitária.</p>      <p>Os anos 2000 foram particularmente profícuos na atividade do CIMJ, com o surgimento dos primeiros projetos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) mas também pela organização de dois grandes seminários internacionais, onde participaram académicos de vários países com quem Traquina mantinha contactos próximos.</p>      <p>O Seminário Internacional &#8220;Media, Jornalismo e Democracia&#8221;, em março de 2000, na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, foi o primeiro momento de reunião entre jornalistas, investigadores portugueses de relevo e académicos estrangeiros que já então eram clássicos para diversas investigações científicas em Portugal, como Philip Schlesinger, Thomas E. Patterson ou Benoît Grevisse. As comunicações apresentadas nesse seminário foram compiladas no livro <i>Media, Jornalismo e Democracia - Comunicações Apresentadas no Seminário Internacional</i>, publicado em 2002, pela Livros Horizonte, onde se iniciaria a coleção Media e Jornalismo, um dos mais importantes veículos de divulgação da investigação realizada por membros do CIMJ (mas não só).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No mesmo   ano, funda e dirige, em conjunto com Estrela Serrano   e Cristina Ponte, a   revista <i>Media &amp; Jornalismo </i>- nela se publicarão, nos primeiros anos, trabalhos de confluência entre a pesquisa europeia mais interpretativa e a tradição anglo-saxónica, conciliando abordagens de pendor conceitual e empírico (Correia, 2008), com o objetivo de ser &#8220;um espaço   promotor de discussão qualificada não só na comunidade académica mas também   entre todos os que se interessam pelos   media e pelo   jornalismo nas sociedades contemporâneas&#8221;, como refere   o Editorial do seu primeiro   número. O lançamento da <i>Media &amp; Jornalismo </i>é, na verdade, a expressão do seu interesse pelo debate teórico sobre as grandes questões relacionadas com o campo jornalístico, já muito presente nos dois números temáticos que tinha anteriormente coordenado na <i>Revista de Comunicação e Linguagens</i>, em 1988 (<i>Jornalismos</i>) e em 2000 (<i>Jornalismos 2000</i>). Manteve-se como diretor da <i>Media &amp; Jornalismo </i>até 2015, não obstante o seu afastamento da vida académica e universitária em 2011, ano em que se reformou e saiu da direção do CIMJ, tendo regressado aos Estados Unidos. Nelson Traquina é a maior referência dos estudos dos media e de jornalismo em Portugal. Publicou proficuamente sobre as suas teorias, história, ética, valores e profissionalismo jornalístico, revelando uma profunda consciência sobre as dimensões políticas dos media e do jornalismo e, também, o compromisso com a cidadania e a democracia. Conseguiu, ao mesmo tempo, antecipar algumas das grandes questões da reflexão contemporânea sobre os media, incluindo as tendências disruptivas na informação, particularmente em contexto televisivo. Foi igualmente o organizador de vários livros com textos seminais para pensar os media, o jornalismo e a sociedade. A antologia <i>Jornalismo: Questões, Teorias e &#8220;Estórias&#8221; </i>(Veja, 1993) constitui-se, com efeito, como um marco na qualificação dos estudos jornalísticos no país. Foi aqui que, pela primeira vez, aparecem traduzidas peças de referência no âmbito dos estudos de jornalismo a nível internacional e que atualmente tão bem conhecemos, de autores como Gaye Tuchman, Harvey Molotch e Marilyn Lester, Johan Gatung e Mari Holmboe Ruge, Elihu Katz, David Manning White, Warren Breen, Philip Schlesinger, Michael Gurevitch e Jay G. Blumler, Michael Schudson, Daniel C. Hallin e Paolo Mancini, entre outros. A importância deste livro funda-se não apenas no facto de ter disponibilizado a alunos, docentes e investigadores um conjunto de textos fundadores de difícil acesso (Cunha, 2012, pp. 1-2), mas também no impulso dado à teorização contemporânea dos campos jornalístico e mediático, numa reflexão tripartida sobre as <i>questões </i>(o que é um acontecimento? O que é são as notícias? O jornalismo é uma profissão? O que significa a objetividade?), as <i>teorias </i>(porque é que as notícias são como são?) e as <i>&#8220;estórias&#8221; </i>(que formas narrativas apresentam?). A obra contém um elemento muito presente em vários livros de Traquina: a dedicatória aos alunos, a quem não se esquece de agradecer o estímulo para reflexões fecundas (ou, ainda, em alguns casos, a colaboração concreta no livro em questão). Ao longo da sua trajetória docente e de investigação, manteve a prática generosa de trabalhar e de partilhar os seus méritos com alunos em diversos estádios de formação, desde a licenciatura ao doutoramento. A importância de Nelson Traquina nos estudos dos media e de jornalismo não se circunscreve, porém, a Portugal - além de diversas publicações em prestigiadas revistas científicas norte-americanas, teve também um forte impacto no Brasil, influenciando um grande   número de pesquisadores e de professores nesse país, ávidos   leitores da sua obra,   muito mobilizada até hoje em investigações científicas e em contexto   de sala de aula.   Em 2001, publica   na Unisinos o livro <i>O estudo do jornalismo no século XX</i>, onde aborda o conceito   de <i>agenda-setting </i>e a redescoberta do poder do jornalismo,   as teorias do jornalismo, a problemática do HIV/Sida como notícia, o jornalismo cívico ou a necessidade de os cidadãos serem vigilantes em relação ao denominado quarto poder. Anos depois, em 2005, publica   em dois volumes   as <i>Teorias do Jornalismo</i>, na editora Insular, obra   encomendada pelo Programa   de Pós-Graduação em Jornalismo   e Mídia da Universidade Federal de Santa Catarina.</p>      <p>Nelson Traquina marcou de forma indelével a fundamentação teórica   dos media e do jornalismo.   Os seus contributos são tão diversificados que não cabem nesta apresentação. Exercemos   o poder de seleção e de enquadramento daquilo que, a nosso   ver, de mais significativo a sua obra representa (em particular no âmbito dos estudos jornalísticos). Consideramos   também o modo como os artigos que compõem este número   especial trazem olhares   adicionais aos caminhos   que Traquina traçou dentro do campo de estudos.</p>      <p>A sistematização das diferentes abordagens teóricas para explicar o que é o jornalismo é um dos elementos mais originais do trabalho de Traquina. No capítulo 3 do livro <i>O que é jornalismo </i>(Quimera, 2002), o autor desenha o percurso histórico do surgimento do estudo do jornalismo como um campo científico. Ressalvando o facto de o próprio termo &#8220;teoria&#8221; ser discutível, porque não se trata de um conjunto elaborado e interligado de princípios e proposições (Traquina, 2002, p. 74), e a ideia que as &#8220;teorias&#8221; do jornalismo não se excluem mutuamente, Nelson Traquina categoriza as diferentes lentes teóricas que tentam responder à questão de saber porque são as notícias como são, com um olhar fortemente marcado pela tradição anglo-saxónica:</p>     <p>- a teoria do espelho, assente na ideologia profissional dos jornalistas legitimada quer pela emergência de um novo jornalismo que emergiu no século XIX, quer pelo surgimento do conceito de objetividade a partir dos anos 20 nos EUA;</p>     <p>-  a teoria do <i>gatekeeper</i>, que teve como ponto de partida um estudo de caso feito por David Manning White nos anos 50 e que originou uma das &#8220;tradições mais persistentes e prolíferas na pesquisa sobre as notícias&#8221; (Traquina, 2002, p. 77);</p>      <p>-  a teoria organizacional, impulsionada pela pesquisa publicada por Warren Breed na revista científica <i>Social Forces </i>e que coloca em evidência a importância dos constrangimentos organizacionais na atividade dos jornalistas, enfatizando também as diferenças de interesse entre os profissionais (<i>staffers</i>) e os seus superiores hierárquicos (<i>executives</i>);</p>      <p>- as teorias de ação política, onde Traquina enquadra a &#8220;versão deesquerda&#8221; de Edward S. Herman e de Noam Chomsky na tradição dos chamados <i>news bias studies</i>;</p>      <p>- e as teorias   construtivistas (que, como o nome indica,   perspetiva as notícias   como uma construção), em que o investigador distingue a vertente   estruturalista (sedimentada na obra clássica <i>Policing the Crisis</i>, da autoria de Stuart Hall e de um conjunto   de autores enquadrados nos estudos culturais britânicos) e a vertente   interacionista, que reflete um   conjunto diversificado de pesquisas científicas que têm como foco a rotinização do trabalho   jornalístico, a tirania   do fator tempo,   o jogo noticioso   entre jornalistas e fontes e a própria cultura jornalística.</p>     <p>Esta teoria interacionista, representada por autores como Philip Schlesinger, Herbert Gans, Gaye Tuchman, Harvey Molotch e Marilyn Lester ou Michael Gurevitch e Jay G. Blumler, era a que lhe colhia maior entusiasmo nas aulas da disciplina de Teoria da Notícia, claramente pela convergência teórica com os próprios interesses de pesquisa de Traquina - podemos aliás dizer que os seus trabalhos no âmbito dos estudos jornalísticos se enquadram plenamente nos pressupostos partilhados por esta abordagem teórica.</p>      <p>O elenco das diferentes teorias do jornalismo tem a crucial importância de nos permitir perceber não apenas os princípios e o foco de cada uma das lentes teóricas, mas também de as inserir em tradições de pesquisa específicas no contexto da pesquisa em comunicação e, ainda, compreender quais as suas ramificações posteriores. Traquina tinha também a convicção de que era tão necessário entender os pontos de disputa entre as diversas teorias da notícia como também os seus possíveis pontos de consenso, tendo em vista um enquadramento teórico mais sólido na compreensão do jornalismo (Silva, 2004, p. 201).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O próprio livro <i>O que é jornalismo </i>pode ser considerado um documento essencial no legado de Traquina, pelo que ainda hoje representa na teorização do campo jornalístico. E&#769; uma obra na qual se combinam diferentes vertentes do seu percurso: se por um lado é um manual teórico para a prática jornalística e indispensável para o futuro profissional (Traquina, 2002, p. 11), com os seus conteúdos programáticos muito refletidos na disciplina que Traquina criou e lecionou na FCSH até 2011 (Teoria da Notícia), por outro é também a materialização de um conjunto de reflexões teóricas advindas da sua intensa experiência de investigação. Nele se encontram as temáticas fundamentais para o estudo do jornalismo: a trajetória histórica da evolução do jornalismo em democracia, o seu processo de profissionalização, a construção de uma identidade jornalística e de critérios de noticiabilidade, além das já referidas teorias do jornalismo. O pioneirismo de Nelson Traquina em criar e insistir na repetição bianual de um seminário internacional intitulado &#8220;Media, Jornalismo e Democracia&#8221;, apenas na sua última edição (2014) acrescentado para &#8220;Media, Jornalismo e Democracia na Era Digital&#8221;, dá bem conta da sua visão de uma experiência democrática e cívica quase inteiramente moldada na e pela relação com os media. Basta olhar para os sucessivos programas desses encontros para constatar como foram integrando os grandes temas da pesquisa interdisciplinar sobre media, sociedade e política: desde os resultados de estudos mais empíricos sobre coberturas jornalísticas de acontecimentos e protagonistas políticos, até ensaios mais teóricos centrados nos impactos da globalização, da digitalização e da &#8220;abundância&#8221; de informações.</p>      <p>Nelson Traquina promoveu uma agenda de pesquisa que refletia o que desejava para o jornalismo: ser um promotor   do diálogo público   e da cidadania plena, isto é,   diversa, disputada e inclusiva. A crença na capacidade do jornalismo se preservar   como um espaço de liberdade e resistência nunca   o abandonou, mesmo   se assente no ceticismo   (e nunca no cinismo) de quem foi observando e escrevendo sobre a diluição do jornalismo noutros   discursos e sobre as disrupções que hoje contaminam (ainda mais) o espaço   público. Vivendo nos   Estados Unidos desde   2011, os jantares partilhados nas visitas regulares a Portugal eram sempre marcados   por essa tensão: nós queríamos falar dos males do &#8220;Trumpismo&#8221;, ele queria contar as   experiências inovadoras de jornalismo local e cidadão. Essa foi uma preocupação   sempre presente, vertida no livro &#8220;Jornalismo Cívico&#8221; (2003), em co-autoria com Mário Mesquita.</p>     <p>Nessa ocasião, Traquina citou o jornalista David Merritt, um dos fundadores desse movimento através de um jornal ultra periférico chamado <i>Wichita Eagle</i>: &#8220;a vida pública não vai bem e o jornalismo está em dificuldades.&#8221;</p>      <p>Traquina olhou para estas tentativas de revitalização da participação democrática com benevolente realismo. Mais do que uma proposta voluntarista de &#8220;faça você mesmo&#8221;, acreditou sempre mais no potencial de uma reflexão que conduzisse a uma transformação das práticas profissionais. Estava disposto a rever &#8220;velhas&#8221; ideias, como a objetividade jornalística, mas também a recordar o &#8220;velho&#8221; que existe quase sempre no &#8220;novo&#8221;, como escreveu: &#8220;Este &#8216;novo jornalismo&#8217; não é inteiramente novo. Partilha preocupações levantadas por John Dewey nos anos 20 e 30 sobre o papel dos <i>media </i>em democracia; retira inspiração da teoria de responsabilidade social do jornalismo defendida pela Comissão Hutchins nos anos 40; repercute posições mais recentes de académicos que condenam a teoria libertária do jornalismo como limitada e insuficiente (&#8230;). O jornalismo cívico representa uma importante brecha com a busca frenética de notícias, a postura cínica com a vida política, a dependência excessiva nas fontes oficiais, e a desatenção flagrante para com os cidadãos enquanto participantes ativos na vida pública&#8221; (Traquina, 2015, p. 303).</p>      <p>Um outro contributo singular na obra de Traquina é a sua concetualização de &#8220;tribo jornalística&#8221;. O autor segue Barbie Zelizer (1993) na proposta de examinar o jornalismo como mais do que uma profissão, identificando os jornalistas como uma &#8220;comunidade interpretativa&#8221;, olhando em particular para a relevância do discurso jornalístico em determinar o que fazem (e como fazem o que fazem) os jornalistas, para os seus contactos informais e para a centralidade da narrativa. Traquina inova ao preferir o conceito de &#8220;tribo jornalística&#8221;, para transmitir mais claramente a forma como os membros desta comunidade interpretativa, ao partilharem uma ideologia profissional e uma cultura jornalística rica em representações, usam uma lógica do concreto no seu trabalho quotidiano. A noção intitula o seu livro de 2004, <i>A Tribo Jornalística. Uma Comunidade Transnacional</i>, da Editorial Notícias, e está presente em vários textos da sua autoria.</p>      <p>A hipótese de que os jornalistas constituem uma tribo transnacional, que partilha quadros de referência, normas e valores-notícia comuns independentemente do contexto organizacional ou cultural em que estão enquadrados, é explorada através do estudo da noticiabilidade da Sida em jornais de vários países, incluindo Portugal, onde foram analisados 20 anos de notícias sobre esta problemática. Trata-se de um estudo que decorre de um dos primeiros projetos de investigação na área dos estudos dos media e de jornalismo financiado pela FCT, onde participaram investigadores como Rogério Santos ou Cristina Ponte, fundamental no pioneirismo de uma abordagem comparativa internacional neste campo de estudos.</p>      <p>As conclusões do trabalho empírico de Traquina confirmam a hipótese de que os jornalistas contaram as mesmas &#8220;estórias&#8221; sobre a Sida, com um claro predomínio das fontes oficiais, explicado enquanto elemento de rotinização do trabalho jornalístico. O artigo de Traquina na prestigiada revista <i>Journalism: Theory, Practice, and Criticism</i><a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a> é aliás citado na entrada &#8220;Interpretive Community&#8221; da grandiosa obra <i>The</i> <i>International   Encyclopedia of Journalism Studies</i>, publicada em 2019, como   exemplo referencial de investigação científica centrada no modo como as crenças   profissionais de quatro   comunidades interpretativas favoreceram a orientação para   os acontecimentos em detrimento das   problemáticas, como mecanismo para fazer face   aos constrangimentos do campo jornalístico, nomeadamente o tempo e os recursos disponíveis (Berkowitz, 2019).</p>     <p>Nelson Traquina era muito   consciente da riqueza e da multidimensionalidade dos estudos de jornalismo, no que respeita   aos seus objetos,   temáticas e metodologias, num campo em permanente e   rápida mudança - e, por isso mesmo, alertava para os riscos de um fascínio   obsessivo pela novidade e pela inovação tecnológica, contrapondo a   necessidade de cruzamento de lentes interdisciplinares para apreender as   intersecções políticas, económicas e culturais que constituem o jornalismo   enquanto instituição social, na senda da proposta de Barbie Zelizer em &#8220;tomar o   jornalismo a sério&#8221; (Traquina, 2006, pp. 55-56). Mas à medida que o lugar dos   jornalistas e das instituições mediáticas na vida pública tem vindo a ser   desafiado, emerge também   a exigência de novas perspectivas analíticas e enquadramentos conceituais que nos   permitam apreender as funções sociais do jornalismo na atualidade (Mellado, Georgiou, &amp; Nah, 2020, p. 335). E, quando os próprios   conceitos de &#8220;jornalismo&#8221; e de &#8220;jornalista&#8221; estão hoje sujeitos a contestação,   amplificados por transformações tecnológicas, políticas, sociais e económicas   mais vastas, o futuro   dos estudos de jornalismo será certamente pautado   por uma ainda maior diversificação e multiplicidade de caminhos de pesquisa (Wahl-Jorgensen &amp; Hanitzsch, 2020, p. 7).</p>      <p>Este número especial da <i>Media &amp; Jornalismo </i>é, assim, uma forma de agradecimento a Nelson Traquina pelos caminhos desbravados na teorização dos media e do jornalismo, a que se juntam novas rotas de pesquisa, certamente devedoras da sua herança. A construção do número teve como base o contacto com uma larga base de investigadores que partilharam e beneficiaram do seu trabalho e do seu convívio. Com exceção de dois artigos por convite (agradecemos a generosa participação de Michael Schudson e de Adriano Duarte Rodrigues), os restantes textos passaram por um processo de revisão cega por pares. Os artigos são por isso assinados por autores que estiveram ligados a Nelson Traquina e com ele partilharam percursos, carreiras, amizades e uma profunda admiração e saudade.</p>      <p>Os dois primeiros artigos são expressivos do alcance e dos contactos internacionais de Nelson Traquina. O número abre, pois, com um texto de Michael Schudson, reputado sociólogo e historiador do jornalismo, cujos trabalhos, como por exemplo a perspetiva histórica que propôs para o surgimento do conceito de objetividade enquanto &#8220;norma moral&#8221; no contexto norte-americano, eram muito mobilizados e admirados por Nelson Traquina. Intitulado &#8220;The revolution in news that nobody named&#8221;, o ensaio visa compreender o contexto e as causas de uma revolução no jornalismo que, a seu ver, ainda não foi suficientemente identificada - a transformação que antecedeu a revolução digital na década de 1990 e que se traduziu na passagem de um modelo mais estenográfico (que denomina como objetividade ou profissionalismo 1.0) para um jornalismo mais rico, contextual e crítico (profissionalismo 2.0), a partir dos anos 70, nos Estados Unidos. Schudson argumenta que a objetividade 3.0 (que, para ele, estará a caminho) poderá trazer empatia e honestidade ao jornalismo, não esquecendo as bases factuais e analíticas presentes nos dois modelos anteriores da profissão.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O   artigo de Eduardo   Meditsch e de Guilherme Neto evidencia o impacto da obra   de Traquina nos estudos de jornalismo no Brasil ao longo de duas décadas, partindo de um levantamento bibliométrico de trabalhos apresentados em congressos de jornalismo e comunicação no país. Os resultados obtidos   demonstram a consistência da elevada projeção do trabalho de Traquina na pesquisa brasileira em jornalismo, quer   enquanto introdutor de autores internacionais na língua portuguesa (através de coletâneas como <i>Jornalismo: questões, teorias e &#8220;estórias&#8221;</i>), quer enquanto autor, cujo impacto é ainda mais significativo nos dados de 2019.</p>      <p>Olhando para o contexto nacional, no artigo &#8220;O legado de Nelson Traquina no estudo dos media e do jornalismo&#8221;, Cristina Ponte reflete sobre o seu contributo enquanto docente e investigador, tendo presentes os tempos de transição ao longo de três décadas na Universidade Nova de Lisboa. A autora recorda os seus anos de vida académica e identifica também as lentes mais presentes na investigação de Traquina sobre o jornalismo (Sociologia e Ciência Política), mobilizando a sistematização de Zelizer (1994) sobre as perspetivas disciplinares que têm pautado os estudos de jornalismo. Assinala, por fim, questões para uma agenda de pesquisa em media e jornalismo no atual contexto digital.</p>      <p>O próximo conjunto de textos reflete sobretudo a lente da História no estudo do jornalismo, tendo em conta contributos de Traquina neste e noutros âmbitos. Assim, Jorge Pedro Sousa, Helena Lima e Fátima Lopes Cardoso partem da proposta de Nelson Traquina sobre os valores-notícia (2002) e analisam de que forma o discurso fotográfico sobre o Sidonismo na revista <i>Ilustração Portuguesa </i>(1917-1918) se relaciona com os critérios de noticiabilidade por ele categorizados. Os autores concluem que a notoriedade foi o valor-notícia que mais orientou a seleção fotonoticiosa da narrativa fotojornalística desta revista e, também, que as fotografias publicadas contribuíram para o engrandecimento simbólico do regime de Sidónio Pais.</p>      <p>Já Alberto Pena Rodríguez e Maria E&#769;rica de Oliveira Lima dedicam-se à análise da imprensa portuguesa nos Estados Unidos entre 1910 e 1929, cujas publicações, fundadas por imigrantes (sobretudo dos Açores), se consolidaram como importantes meios de informação e de instrução, fomentando o sentimento de pertença. O ponto de partida foi o próprio percurso biográfico de Traquina, enquanto filho de imigrantes portugueses nos Estados Unidos, mas também a sua relevância enquanto pesquisador de referência sobre as dinâmicas mediáticas e jornalísticas. Articulando igualmente a história com os estudos de jornalismo e utilizando, entre outras perspetivas teóricas, o conceito de agendamento e a relação entre problemática e acontecimento (Traquina, 2000, 2002), o artigo de Rogério Santos analisa as peças noticiosas sobre rádio saídas na revista <i>Vida Mundial Ilustrada</i>(1941-1946).</p>      <p>Também numa vertente histórica, mas centrando o olhar no contexto televisivo, presente no conjunto seguinte de artigos, Francisco Rui Cádima analisa o período da abertura da televisão à iniciativa privada em Portugal, à luz dos estudos sobre media e televisão de Nelson Traquina. Entre outras conclusões, o autor destaca o alerta de Traquina em relação à política de &#8220;desregulamentação selvagem&#8221; do início dos anos 90 (e cujos efeitos ainda hoje são sentidos), com consequências muito negativas na televisão portuguesa na era da concorrência, ao mesmo tempo que retirou ao serviço público a capacidade de defender a qualidade e a diversidade da sua programação. Adriano Duarte Rodrigues, fundador do curso de Comunicação Social da Nova em 1980, colega de Nelson Traquina e autor do seminal texto &#8220;O acontecimento&#8221;, publicado na <i>Revista de Comunicação &amp; Linguagens </i>em 1988 (no número dedicado aos &#8220;Jornalismos&#8221;), procura mostrar no seu artigo o modo como o ambiente constituído pelo funcionamento do dispositivo televisivo tem impacto nas normas usadas nas atividades interacionais realizadas nas entrevistas televisivas.</p>     <p>Num programa em que o género   entrevista cria sinergias estratégicas, dentro da política de programação da SIC, entre entretenimento e informação, o talk show diário Programa da Cristina foi o estudo   de caso escolhido por Carla Baptista, Marisa Torres da Silva e Allan Herrison Ferreira para uma   análise da narrativa televisiva popular contemporânea. O artigo recupera as   continuidades históricas com as linhas de força   apresentadas no livro   <i>Big Show Media </i>(1997) de Nelson Traquina, no que diz respeito à desregulamentação da atividade televisiva   em Portugal e também à emergência de um novo estilo televisivo assente em critérios   de rentabilização e hibridez   de formatos. Numa análise temática de uma semana do programa, em pleno período   de confinamento originado pela crise pandémica da Covid-19, os autores situam o   êxito deste <i>talk show </i>num contexto de reativação de um formato antigo   de televisão popular num enquadramento social, político e mediático complexo,   procurando ainda complementar a sua abordagem com uma perspetiva de género e com um estudo das redes sociais associadas ao programa e ao perfil de Cristina Ferreira.</p>     <p>O papel da televisão na pandemia de Covid-19 é igualmente o pano de fundo do artigo de Ana Cabrera, Carla Martins e Isabel Ferin Cunha, que propõem uma análise da cobertura jornalística desta crise de saúde pública em Portugal, examinando mais de 300 peças noticiosas dos três canais de televisão generalistas entre os dias 2 e 18 de março de 2020. Nele mobilizam os estudos de Traquina sobre as teorias da notícia e as pesquisas de HIV/Sida realizados pelo autor em conjunto com outros colaboradores. Os resultados obtidos, de carácter exploratório, indicam, entre outros aspetos, a adesão aos definidores primários da informação, que definem a agenda jornalística e enquadram a problemática.</p>     <p>Os dois últimos artigos deste número especial são devedores do contributo de Nelson Traquina quer no ensino e no estudo do jornalismo, quer na reflexão sobre os desafios que atualmente se colocam à comunicação política mediatizada. Anabela de Sousa Lopes, Cláudia Silvestre e Maria José Mata discutem os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo captar as perceções estudantes de licenciatura e mestrado em jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social, sobre tópicos fundamentais que sustentam as respostas à pergunta que intitula uma das mais conhecidas obras de Traquina: O que é jornalismo? Face ao desfasamento encontrado entre perceções muito negativas sobre o jornalismo atual e expectativas em relação ao que ele deveria ser, as autoras lançam algumas questões sobre o papel das instituições de ensino no processo formativo.</p>     <p>No artigo de fecho deste <i>special issue</i>, Estrela Serrano, figura próxima de Nelson Traquina e sua sucessora na direção do CIMJ, propõe-se a identificar, numa abordagem qualitativa, as marcas de populismo (enquanto expressão do conteúdo e do estilo de comunicação política) nos discursos e declarações de André Ventura (do partido da nova direita radical Chega) que mereceram referência nas edições online de media tradicionais, a propósito de quatro acontecimentos amplamente mediatizados entre 2019 e 2020. A autora reflete também sobre o modo como o &#8220;fator media&#8221; contribui para legitimar lideranças personalizadas e populistas.</p>      <p>Os textos são reveladores não apenas da proximidade científica aos diversos temas que abordou ao longo da vida, mas sobretudo da relevância do seu trabalho na atualidade e nas apropriações que inspirou em tantos académicos, sobretudo no Brasil, como fica claro no artigo apresentado por Eduardo Meditsch e Guilherme Ferreira Neto. Os leitores encontram contributos ricos que atravessam as dimensões principais da carreira académica e investigativa de Nelson Traquina: o jornalismo, os estudos visuais, a investigação em estudos dos media, os efeitos do entretenimento e a desregulação progressiva do mercado televisivo, a história dos media (imprensa e rádio) e as transformações na comunicação política e no espaço público. O nosso comovido agradecimento aos autores e amigos que tão prontamente acederam a colaborar neste número, diríamos, &#8220;especialíssimo&#8221;, e ainda assim tão parco em relação à figura do homem que o inspirou. Obrigada, Nelson Traquina.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Berkowitz, D. (2019). Interpretive Community. In T. P. Vos, &amp; F. Hanusch (Eds.), <i>The International Encyclopedia of Journalism Studies</i>. New Jersey: Wiley. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1002/9781118841570. iejs0024" target="_blank">10.1002/9781118841570. iejs0024</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911893&pid=S2183-5462202000020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Correia, J. C. (2008). Os estudos jornalísticos em Portugal: 30 anos de história. In J. P. Sousa, <i>História, Teoria e Metodologia da Pesquisa</i>. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911895&pid=S2183-5462202000020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cunha, I. F. (2012).   Prefácio. In I. F. Cunha, A. Cabrera, &amp;   J. P. Sousa (Orgs.), <i>Pesquisa em Media e     Jornalismo - Homenagem a Nelson Traquina </i>(pp. 1-9). Covilhã: Livros Labcom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911897&pid=S2183-5462202000020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mellado, C., Georgiou, M., &amp; Nah, S. (2020). Advancing Journalism and Communication Research: New Concepts, Theories, and Pathways. <i>Journalism &amp; Mass Communication Quarterly, 97</i>(2), 333-341. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1177/1077699020917204" target="_blank">10.1177/1077699020917204</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911899&pid=S2183-5462202000020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silva, G. (2004). Da Necessidade dos Estudos de Jornalismo. <i>Estudos em Jornalismo e Mídia, 1</i>(2), 199-207. DOI: <a href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/2081" target="_blank">10.5007/%25x</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911901&pid=S2183-5462202000020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Traquina, N. (2015). Jornalismo cívico. In A. T. Peixinho, C. Camponez, I. N. Vargues, &amp; J. J. Figueira (Orgs.), <i>20 anos de Jornalismo contra a Indiferença </i>(pp. 293-306). Coimbra: Imprensa Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911903&pid=S2183-5462202000020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Traquina, N. (2006). New (and old) trends in journalism research. <i>Brazilian Journalism Research, 2</i>(1), 56-65. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.25200/BJR.v2n1.2006.67" target="_blank">10.25200/BJR.v2n1.2006.67</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911905&pid=S2183-5462202000020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Traquina, N., &amp; Mesquita, M. (2003). <i>Jornalismo Cívico</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911907&pid=S2183-5462202000020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Traquina, N. (2002). <i>O que é jornalismo. </i>Lisboa: Quimera.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911909&pid=S2183-5462202000020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Wahl-Jorgensen, K., &amp; Hanitzsch, T. (2020). Journalism Studies Developments, Challenges, and Future Directions. In K. Wahl-Jorgensen, &amp; T. Hanitzsch (Eds.), <i>The Handbook of Journalism Studies </i>(pp. 3-20). New York &amp; London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1911911&pid=S2183-5462202000020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas biográficas</b></p>     <p>Marisa Torres da Silva é Professora Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. E&#769; investigadora do ICNOVA - Instituto de Comunicação da NOVA e é sub-diretora da revista <i>Media &amp; Jornalismo</i>.</p>      <p>Ciência ID: E811-91FA-DC5E, Scopus Author ID: 56431105300 Email: <a href="mailto:marisatorresilva@fcsh.unl.pt">marisatorresilva@fcsh.unl.pt</a></p>      <p>Morada institucional: Universidade Nova de Lisboa,   Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061, Portugal</p>      <p>Carla Baptista é Professora Associada do Departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Coordena o GI media e Jornalismo do ICNOVA - Instituto de Comunicação da NOVA e é sub-diretora da revista <i>Media &amp; Jornalismo</i>.</p>      <p>Ciência ID: FF1B-13F5-CE58, Scopus Author ID: 57189266192 Email: <a href="mailto:carla.baptista@fcsh.unl.pt">carla.baptista@fcsh.unl.pt</a></p>      <p>Morada institucional: Universidade Nova de Lisboa,   Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061, Portugal</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Francisco Rui Cádima é Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. E&#769; investigador Responsável do ICNOVA - Instituto de Comunicação da NOVA e é diretor da revista <i>Media &amp; Jornalismo</i>.</p>      <p>Ciência ID: 231F-D7BA-F635, Scopus Author ID: 57063529500 Email: <a href="mailto:frcadima@fcsh.unl.pt">frcadima@fcsh.unl.pt</a></p>      <p>Morada institucional: Universidade Nova de Lisboa,   Instituto de Comunicação da NOVA, Av. de Berna, 26-C - Lisboa 069-061, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Traquina, N. (2004). Theory consolidation in the study of journalism: A comparative analysis of the news coverage of the HIV/AIDS issue in four countries. <i>Journalism: Theory, Practice, and Criticism, 5</i>(1), 97-116.</p>      ]]></body><back>
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