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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Papel das Autarquias no Combate à Obesidade Infantil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The fight against obesity, due to the gravity that it imposes in the life quality of individuals and the economy of the countries, is a priority in practically all Member States of the European Union. In Portugal, the 2020 National Health Plan indicates, as one of the four main goals, the monitoring of the incidence and the prevalence of childhood overweight and obesity, which currently, is above 30%. Although some countries have indicated a slowdown in the growth of obesity since 2006, no significant decreases have been reported in the last three decades. The multifactorial nature of their determinants, in particular those external to the health system, such as economic factors and social inequalities, does not allow an isolated solution to this problem. Municipalities have been gradually taking on responsibilities, developing legal competences and technical skills, which can give them a leading role in the fight against childhood obesity. Only at this level it is possible to act on various determinants of the disease in an integrated manner, with autonomy and executive capacity and adapted to the local socio-demographic and geographic specificities. This act requires a model of action where professionals of various fields cooperate, such as the environment, social action, education, urban development, youth and sports, economic activities, culture, municipal police, among others. This document proposes a model of intervention that aims to fight childhood obesity at municipality&#8217;s level, integrating different fields and considering the nutritionist with a central coordination role.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p><b>O Papel das Autarquias no Combate &agrave; Obesidade Infantil</b></p>     <p><b>The Role of Municipalities in Tackling Childhood Obesity</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>B&aacute;rbara Camarinha<sup>1,2</sup>; Fernanda Ribeiro<sup>3</sup>; Pedro Gra&ccedil;a<sup>2,4</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara Municipal de Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Gaia</p>     <p><sup>2</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Porto</p>     <p><sup>3</sup>Gabinete de Auditoria Interna e Qualidade da C&acirc;mara de Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Gaia</p>     <p><sup>4</sup>Programa Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, Lisboa</p>     <p><a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b >RESUMO</b></p>     <p>O combate &agrave; obesidade, pela gravidade que esta acarreta na qualidade de vida dos indiv&iacute;duos e na economia dos pa&iacute;ses, &eacute; uma prioridade em praticamente todos os Estados-Membro da Uni&atilde;o Europeia. Em Portugal, o Plano Nacional de Sa&uacute;de 2020 indica, como uma das quatro principais metas a atingir, o controlo da incid&ecirc;ncia e da preval&ecirc;ncia da pr&eacute;-obesidade e da obesidade infantil, que neste momento, se encontra acima dos 30%. Apesar de em alguns pa&iacute;ses, desde 2006, se notar uma desacelera&ccedil;&atilde;o do crescimento da obesidade, ainda nenhum reportou decr&eacute;scimos significativos, nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. A natureza multifatorial dos determinantes da obesidade, nomeadamente os externos ao sistema de sa&uacute;de, como os fatores econ&oacute;micos e as desigualdades sociais, n&atilde;o permite uma solu&ccedil;&atilde;o isolada para este problema.</p>     <p>As autarquias t&ecirc;m vindo, gradualmente, a assumir responsabilidades, compet&ecirc;ncias legais e capacidade t&eacute;cnica, que fazem com que possam assumir um papel central no combate &agrave; obesidade infantil. S&oacute; a este n&iacute;vel &eacute; poss&iacute;vel atuar sobre diversos determinantes da doen&ccedil;a de forma integrada, com autonomia e capacidade executiva e adaptada &agrave;s especificidades sociodemogr&aacute;ficas e geogr&aacute;ficas locais. Esta atua&ccedil;&atilde;o requer um modelo de a&ccedil;&atilde;o onde cooperem profissionais de diversas &aacute;reas como o ambiente, a a&ccedil;&atilde;o social, a educa&ccedil;&atilde;o, o urbanismo, a juventude e desporto, as atividades econ&oacute;micas, a cultura, a pol&iacute;cia municipal, entre outros.</p>     <p>Neste documento, prop&otilde;e-se um modelo de interven&ccedil;&atilde;o para o combate &agrave; obesidade infantil ao n&iacute;vel das autarquias com a integra&ccedil;&atilde;o de diferentes &aacute;reas, desempenhando o Nutricionista um papel central na sua coordena&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras-Chave:</b> Autarquias, Inf&acirc;ncia, Modelo de interven&ccedil;&atilde;o, Obesidade</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The fight against obesity, due to the gravity that it imposes in the life quality of individuals and the economy of the countries, is a priority in practically all Member States of the European Union. In Portugal, the 2020 National Health Plan indicates, as one of the four main goals, the monitoring of the incidence and the prevalence of childhood overweight and obesity, which currently, is above 30%. Although some countries have indicated a slowdown in the growth of obesity since 2006, no significant decreases have been reported in the last three decades. The multifactorial nature of their determinants, in particular those external to the health system, such as economic factors and social inequalities, does not allow an isolated solution to this problem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Municipalities have been gradually taking on responsibilities, developing legal competences and technical skills, which can give them a leading role in the fight against childhood obesity. Only at this level it is possible to act on various determinants of the disease in an integrated manner, with autonomy and executive capacity and adapted to the local socio-demographic and geographic specificities. This act requires a model of action where professionals of various fields cooperate, such as the environment, social action, education, urban development, youth and sports, economic activities, culture, municipal police, among others.</p>     <p>This document proposes a model of intervention that aims to fight childhood obesity at municipality&rsquo;s level, integrating different fields and considering the nutritionist with a central coordination role.</p>     <p><b>Keywords: </b>Childhood, Intervention model, Municipalities, Obesity</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p><u>A Obesidade como Principal Problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica do S&eacute;culo XXI</u></p>     <p>A epidemia da obesidade representa um dos maiores desafios para a sa&uacute;de p&uacute;blica no Mundo estimando-se que na Uni&atilde;o Europeia (UE), por ano, ocorram cerca de 2,8 milh&otilde;es de mortes por causas associadas ao excesso de peso (1, 2). Sabe-se que um indiv&iacute;duo que apresente obesidade m&oacute;rbida v&ecirc; a sua esperan&ccedil;a de vida reduzida em 8 a 10 anos (3). Na Europa, em 2013, encontravam-se 14 dos 42 milh&otilde;es de crian&ccedil;as que a n&iacute;vel mundial, com idade inferior a cinco anos, apresentavam pr&eacute;-obesidade/obesidade, e, &agrave;s quais se juntam, anualmente, mais 400.000 (4-6). Destas, pelo menos 3 milh&otilde;es s&atilde;o consideradas obesas (7). Portugal &eacute; um dos 5 pa&iacute;ses europeus com taxa de excesso de peso infantil (incluindo obesidade) mais elevada, acima dos 30% (8).</p>     <p>A obesidade tem grande impacto na economia e no sistema de sa&uacute;de (9). A n&iacute;vel da Uni&atilde;o Europeia estima-se que cerca de 7% do or&ccedil;amento destinado &agrave; sa&uacute;de seja gasto no tratamento da obesidade e doen&ccedil;as associadas (2). Sabe-se, tamb&eacute;m, que um indiv&iacute;duo obeso apresenta custos para a sa&uacute;de 30% superiores aos dos que t&ecirc;m peso normal (10).</p>     <p>O combate &agrave; obesidade &eacute; uma prioridade em praticamente todos os Estados-Membro da Uni&atilde;o Europeia. Em Portugal, o Plano Nacional de Sa&uacute;de 2020 indica, como uma das quatro principais metas a atingir, o controlo da incid&ecirc;ncia e da preval&ecirc;ncia da pr&eacute;-obesidade e da obesidade infantil (11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dificuldade em atingir esta meta a n&iacute;vel global prende-se, provavelmente, com a natureza multifatorial dos determinantes da obesidade, os quais n&atilde;o permitem uma solu&ccedil;&atilde;o isolada para este problema (12, 13). Apesar da obesidade ser tratada, maioritariamente, dentro do sistema de sa&uacute;de, grande parte dos seus determinantes e consequ&ecirc;ncias s&atilde;o externos ao sistema de sa&uacute;de (14). Um exemplo desta realidade &eacute; o facto da obesidade poder ser influenciada por fatores econ&oacute;micos, externos ao pr&oacute;prio pa&iacute;s e seus cidad&atilde;os. Existe uma rela&ccedil;&atilde;o conhecida entre excesso de peso, considerado como o somat&oacute;rio da pr&eacute;-obesidade com a obesidade, e o baixo estatuto socioecon&oacute;mico e o baixo n&iacute;vel educacional, especialmente, quando se trata de mulheres (15). Pa&iacute;ses europeus com uma maior desigualdade de rendimentos apresentam tamb&eacute;m, maiores n&iacute;veis de obesidade, designadamente, nas crian&ccedil;as (15, 16), sendo que o gradiente da obesidade acompanha o gradiente das desigualdades sociais (3). Neste sentido, o esfor&ccedil;o no combate &agrave;s desigualdades sociais, na sa&uacute;de e na alimenta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pode ser exercido exclusivamente pelo setor da sa&uacute;de, mas necessita de uma participa&ccedil;&atilde;o concertada e multissetorial, com recurso a qualifica&ccedil;&otilde;es e atores diferentes dos tradicionais (9, 14, 16).</p>     <p>A pr&eacute;-obesidade/obesidade, tal como as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis associadas, &eacute; evit&aacute;vel, devendo o enfoque de atua&ccedil;&atilde;o centrar-se na sua preven&ccedil;&atilde;o (4, 17). Esta preven&ccedil;&atilde;o ter&aacute; melhores resultados quanto mais precocemente for iniciada (18). A inf&acirc;ncia &eacute; considerada como o per&iacute;odo em que se fazem importantes op&ccedil;&otilde;es de estilos de vida com repercuss&otilde;es na idade adulta, sendo a sa&uacute;de infantil preditiva da qualidade da sa&uacute;de ao longo da vida (19-22).</p>     <p>Para a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, um plano eficaz no combate &agrave; obesidade ter&aacute; de ser concebido com base na integra&ccedil;&atilde;o do problema em todas as vertentes e suas pol&iacute;ticas - &ldquo;Health in all policies&rdquo; - e n&atilde;o apenas responsabilizar o setor da sa&uacute;de pela sua resolu&ccedil;&atilde;o (23). Desta forma, alguns documentos de &acirc;mbito europeu descrevem j&aacute; estas metodologias (2, 9, 12). No entanto, esta integra&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda muito t&eacute;nue, especialmente em pa&iacute;ses como Portugal, onde a cultura de multidisciplinariedade nas abordagens aos problemas de sa&uacute;de e, ainda mais, nas abordagens de &acirc;mbito aut&aacute;rquico a problemas de sa&uacute;de, &eacute; reduzida.</p>     <p>Apesar de em alguns pa&iacute;ses, desde 2006, se verificar uma desacelera&ccedil;&atilde;o no crescimento da obesidade, ainda nenhum reportou decr&eacute;scimos significativos nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas (14). Perante este cen&aacute;rio, reconhece-se ser necess&aacute;rio mudar o paradigma na interven&ccedil;&atilde;o para a preven&ccedil;&atilde;o da obesidade e, eventualmente, para o seu tratamento.</p>     <p><u>Solu&ccedil;&otilde;es Integradas Funcionam Melhor</u></p>     <p>A a&ccedil;&atilde;o para o combate &agrave; obesidade deve estar ligada a estrat&eacute;gias abrangentes, equilibrando a responsabilidade dos indiv&iacute;duos e fam&iacute;lias com as dos Governos e da sociedade civil, dentro do contexto cultural de cada pa&iacute;s (14, 23). Contudo, &eacute; necess&aacute;rio um enquadramento institucional e estruturas que liguem os principais participantes, instrumentos e cen&aacute;rios existentes, para converter estes princ&iacute;pios em a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A&ccedil;&otilde;es e medidas essas que v&atilde;o desde a seguran&ccedil;a nas ruas e a possibilidade de mobilidade com baixo risco, passando pelo controlo da oferta alimentar, at&eacute; ao desenho urbano e ao seu planeamento. Esta complexidade de medidas integradas, torna a preven&ccedil;&atilde;o e o combate &agrave; obesidade um desafio para a organiza&ccedil;&atilde;o interna das sociedades e dos seus diferentes atores (12, 24).</p>     <p><u>Enquadramento para Interven&ccedil;&otilde;es Locais</u></p>     <p>T&ecirc;m surgido, progressivamente, disposi&ccedil;&otilde;es legais que permitem uma interven&ccedil;&atilde;o local de preven&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; obesidade.</p>     <p>Sendo a miss&atilde;o fundamental das autarquias garantir e zelar pela qualidade de vida dos seus mun&iacute;cipes em todas as suas vertentes e, tendo em vista uma maior adequa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de servi&ccedil;os p&uacute;blicos &agrave;s diferentes necessidades e realidades do territ&oacute;rio, assiste-se no nosso pa&iacute;s, seguindo-se a tend&ecirc;ncia europeia (25), a uma progressiva interven&ccedil;&atilde;o das autarquias no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias pr&oacute;prias ou da delega&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave;s compet&ecirc;ncias legais, desde a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa em 1974 (26), onde surgem pela primeira vez as Autarquias Locais, cujos princ&iacute;pios s&atilde;o reconhecidos na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 e concretizados com o Decreto-Lei n.&ordm;701-A/76, de 29 de setembro (27), definindo as suas atribui&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias, at&eacute; &agrave; atual Lei n.&ordm;75/2013 de 12 de setembro (28), tem-se assistido a uma descentraliza&ccedil;&atilde;o do poder com crescente responsibiliza&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o das autarquias.</p>     <p>Com a consolida&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia de atribui&ccedil;&otilde;es prevista na Lei n.&ordm;75/2013 de 12 de setembro (28), anteriormente disposta na Lei n.&ordm;159/99 de 14 de setembro (29) e na Lei n.&ordm; 169/99 de 18 de setembro (30), as autarquias t&ecirc;m compet&ecirc;ncias na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o e da sa&uacute;de, nomeadamente: &ldquo;&hellip; Apoiar atividades de natureza social, cultural, educativa, desportiva, recreativa ou outra de interesse para o munic&iacute;pio, incluindo aquelas que contribuam para promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as&rdquo;.</p>     <p>Recentemente, pelo Decreto-Lei n.&ordm;30/2015 de 12 de fevereiro (31), torna-se mais evidente e expl&iacute;cita a responsabilidade da autarquia no combate &agrave; obesidade infantil uma vez que, como previsto no ponto iii) da al&iacute;nea a) do Artigo 9.&ordm;, &eacute; sua compet&ecirc;ncia a &ldquo;Execu&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es e apoio domicili&aacute;rio, de apoio social a dependentes, e de iniciativas de preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, no &acirc;mbito do Plano Nacional de Sa&uacute;de&rdquo;, o qual tem como uma das suas quatro metas base at&eacute; 2020, o controlo da incid&ecirc;ncia e da preval&ecirc;ncia da pr&eacute;-obesidade e da obesidade infantil (11).</p>     <p>A Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, atrav&eacute;s do Programa Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel em Portugal sugere a participa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios setores, entre os quais, as autarquias, na preven&ccedil;&atilde;o do excesso de peso (pr&eacute;-obesidade + obesidade) (6, 32).</p>     <p>Das orienta&ccedil;&otilde;es internacionais mais recentes, pode-se inferir que o poder local (autarquias) deve assumir um papel central no combate &agrave; obesidade infantil (9). Segundo a Declara&ccedil;&atilde;o de Viena para Nutri&ccedil;&atilde;o e Doen&ccedil;as Cr&oacute;nicas no Contexto da Sa&uacute;de 2020 (9), as autarquias s&atilde;o locais privilegiados, com poder executivo e autonomia, para intervir sobre os diversos determinantes da obesidade de forma integrada e adaptada &agrave;s especificidades locais.</p>     <p>No que respeita &agrave;s compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, as Autarquias t&ecirc;m vindo, nos &uacute;ltimos 14 anos, a recrutar profissionais especializados, nomeadamente, Nutricionistas, que pela sua forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os t&eacute;cnicos mais habilitados, para liderar as estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o local nesta &aacute;rea (33). Estes t&eacute;cnicos, em conjunto com outros profissionais tamb&eacute;m pertencentes ao quadro aut&aacute;rquico, como ge&oacute;grafos, planeadores urban&iacute;sticos, assistentes sociais, assistentes t&eacute;cnicos das escolas, t&eacute;cnicos do ambiente, arquitetos, gestores da &aacute;rea desportiva, os pr&oacute;prios pol&iacute;cias municipais, entre outros, podem constituir uma equipa multidisciplinar com capacidade &uacute;nica de enfrentar e dar resposta ao problema da obesidade infantil.</p>     <p>Mas, se &eacute; verdade que a atribui&ccedil;&atilde;o e/ou delega&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias nas autarquias permite uma capacidade institucional aumentada na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas como o da obesidade infantil, n&atilde;o &eacute; menos verdade que obriga a uma maior capacita&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos e servi&ccedil;os p&uacute;blicos envolvidos, bem como modelos de interven&ccedil;&atilde;o adequados, como exemplificamos de seguida.</p>     <p><u>Modelo de Interven&ccedil;&atilde;o</u></p>     <p>A n&iacute;vel aut&aacute;rquico &eacute; poss&iacute;vel implementar um modelo de avalia&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o-reavalia&ccedil;&atilde;o sobre a obesidade infantil com participa&ccedil;&atilde;o integrada das diferentes val&ecirc;ncias municipais, com plena capacidade pol&iacute;tica e executiva de a&ccedil;&atilde;o, imposs&iacute;vel de acionar em outros sistemas (<a href ="/img/revistas/apn/n1/n1a02f1.jpg">Figura 1</a>).</p>     
<p>Esta forma integrada de interven&ccedil;&atilde;o deve come&ccedil;ar pela avalia&ccedil;&atilde;o inicial da realidade local. As autarquias possuem acesso facilitado ao sistema escolar e &agrave; gest&atilde;o das escolas, podendo de forma f&aacute;cil relacionar geograficamente a informa&ccedil;&atilde;o sobre o estado social, demogr&aacute;fico e nutricional da popula&ccedil;&atilde;o escolar, com as estruturas f&iacute;sicas e humanas do parque escolar, sua gest&atilde;o e ainda com as caracter&iacute;sticas do meio envolvente (built environment) &agrave;s escolas e resid&ecirc;ncias dos alunos, com o aux&iacute;lio da Divis&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o e da Divis&atilde;o de Sistemas de Informa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica ou similares. Esta articula&ccedil;&atilde;o permite monitorizar anualmente, o estado nutricional de toda a popula&ccedil;&atilde;o escolar, atrav&eacute;s de metodologia padronizada, com a colabora&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos treinados, que j&aacute; desenvolvem as suas fun&ccedil;&otilde;es nas escolas, com custo m&iacute;nimo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados recolhidos, permitem construir estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; obesidade adaptadas a cada &aacute;rea geogr&aacute;fica, seja ao n&iacute;vel das escolas, das &aacute;reas residenciais, das freguesias ou do concelho. Esta interven&ccedil;&atilde;o tanto pode ser feita isoladamente pela Divis&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o como em colabora&ccedil;&atilde;o com outras Divis&otilde;es da autarquia. Por exemplo, o controlo da oferta alimentar nas escolas pode ser realizada pela Divis&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o; a qualifica&ccedil;&atilde;o dos recintos escolares, por exemplo, com a implementa&ccedil;&atilde;o de bebedouros ou de estruturas adicionais para a pr&aacute;tica desportiva pela Divis&atilde;o de Obras e &Aacute;guas Municipais; o incentivo ao desporto escolar &ndash; atrav&eacute;s da Divis&atilde;o do Desporto e Juventude; a capacita&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de colaboradores na &aacute;rea da nutri&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o do estado nutricional &ndash; pela Divis&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o; o apoio social (que muitas vezes &eacute; alimentar) a crian&ccedil;as/fam&iacute;lias carenciadas &ndash; pela Divis&atilde;o de A&ccedil;&atilde;o Social; a oferta e qualifica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os urbanos para a pr&aacute;tica de atividade desportiva e espa&ccedil;os verdes e de lazer &ndash; pelas Divis&otilde;es de Planeamento Urban&iacute;stico, Obras, Ambiente, Turismo e Cultura; a gest&atilde;o da rede vi&aacute;ria, por exemplo com a adequa&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a para a mobilidade pedonal e de bicicletas &ndash; atrav&eacute;s da Divis&atilde;o de Tr&acirc;nsito e Vias; o incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o alimentar local e &agrave;s cadeias curtas de produ&ccedil;&atilde;o-consumo &ndash; atrav&eacute;s da Divis&atilde;o de Atividades Econ&oacute;micas e Licenciamento e a Divis&atilde;o do Ambiente; o controlo do licenciamento de espa&ccedil;os de restaura&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio de produtos alimentares &ndash; atrav&eacute;s da Divis&atilde;o de Atividades Econ&oacute;micas e Licenciamento, a vigil&acirc;ncia da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e o consequente incentivo &agrave; frui&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos &ndash; atrav&eacute;s da Pol&iacute;cia Municipal. E de forma transversal a todas estas estruturas, a Divis&atilde;o respons&aacute;vel pela Comunica&ccedil;&atilde;o interna e externa da autarquia deve ter um papel importante na divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o pertinente sobre estilos de vida promotores de sa&uacute;de na regi&atilde;o, particularmente sobre alimenta&ccedil;&atilde;o e atividade f&iacute;sica.</p>     <p>A implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia obriga &agrave; sua reavalia&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica, para an&aacute;lise do custo-benef&iacute;cio das v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es levadas a cabo e para o planeamento das necessidades futuras em fun&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos. Realidade pouco frequente, mas muito necess&aacute;ria neste tipo de abordagens. Ao n&iacute;vel aut&aacute;rquico, a proximidade entre a avalia&ccedil;&atilde;o e a a&ccedil;&atilde;o, permite, de forma &uacute;nica, o acompanhamento, reflex&atilde;o e eventual corre&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias adotadas.</p>     <p>De referir que, no modelo proposto n&atilde;o &eacute; expl&iacute;cita a necess&aacute;ria articula&ccedil;&atilde;o da autarquia com parceiros e institui&ccedil;&otilde;es locais, nomeadamente da &aacute;rea da sa&uacute;de, &agrave;s quais daremos a devida aten&ccedil;&atilde;o em futuros documentos.</p>     <p><b>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA E CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Na nossa opini&atilde;o, acreditamos que com a implementa&ccedil;&atilde;o do modelo proposto (<a href ="/img/revistas/apn/n1/n1a02f1.jpg">Figura 1</a>), o qual vem sendo parcialmente ensaiado nos &uacute;ltimos anos, &eacute; poss&iacute;vel travar e inverter a tend&ecirc;ncia de crescimento da obesidade infantil, pela adequa&ccedil;&atilde;o dos ambientes onde vivem as crian&ccedil;as, facilitando a ado&ccedil;&atilde;o de estilos de vida saud&aacute;vel.</p>     
<p>Concluindo, podemos dizer que as autarquias, com os recursos internos &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o, com o atual enquadramento legal e com os modelos de boas pr&aacute;ticas internacionalmente considerados adequados para a preven&ccedil;&atilde;o da obesidade, apresentam-se como espa&ccedil;os promissores para a melhoria do estado nutricional da popula&ccedil;&atilde;o infantil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b >REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b>     <li>Hawkes C, Smith T, Jewell J, Wardle J, Hammond R, Friel S, et al. Smart food policies for obesity prevention. Lancet. 2015;385(9985):2410-21.</li>     <li>European Commission. EU Action Plan on Childhood Obesity 2014-2020. Luxembourg: EC; 2014.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Organisation for Economic Co-operation and Development. Obesity update: June 2014. OECD Directorate for Employment LaSA; 2014.</li>     <li>World Health Organization. Obesity and Overweight [Internet]. Fact Sheet nr 311. Geneva: WHO, Media Centre; 2015. [atualizado em: 2015 jan; consultado em: 2015 mai]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/#" target="_blank">http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/#.</a></li>     <li>Abela S, Bagnasco A, Arpesella M, Vandoni M, Sasso L. Childhood obesity: an observational study. J Clin Nurs. 2014;23(19-20):2990-2.</li>     <li>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Plataforma contra a obesidade. Lisboa;2015. [consultado em 2015 jan]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt/" target="_blank">http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt/.</a></li>     <li>Louren&ccedil;o M, Santos C, Carmo I. Estado nutricional e h&aacute;bitos alimentares em crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar. Rev Enf Ref. 2014;IV 7-14.</li>     <li>Rito A, Wijnhoven T, Rutter H, Carvalho M, Paix&atilde;o E, Ramos C, et al. Prevalence of obesity among Portuguese children (6-8 years old) using three definition criteria: COSI Portugal, 2008. Pediatr Obes. 2012;7:413-22.</li>     <li>World Health Organization. Vienna Declaration on Nutrition and Noncommunicable Diseases in the Context of Health 2020. Viena: WHO; 2013.</li>     <li>Withrow D, Alter D. The economic burden of obesity worldwide: a systematic review of the direct costs of obesity. Obes Rev. 2011;12(2):131-41.</li>     <li>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Plano Nacional de Sa&uacute;de: Revis&atilde;o e extens&atilde;o a 2020. Lisboa: DGS; 2015.</li>     <li>Gortmaker S, Swinburn B, Levy D, Carter R, Mabry P, Finegood D, et al. Changing the future of obesity: science, policy, and action. Lancet. 2011;378(9793):838-47.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Dobbs R, Thompson F, Manyika J, Woetzel J, Child P, McKenna S, et al. Overcoming Obesity: An initial economic analysis. McKinsey Global Institute ed. 2014.</li>     <li>Kleinert S, Horton R. Rethinking and reframing obesity. Lancet. 2015;385(9985):2326-8.</li>     <li>Loring B, Robertson A. Obesity and inequities - Guidence for addressing inequities in overweight and obesity. Copenhagen: WHO; 2014.</li>     <li>World Health Organization Europe. European Food and Nutrition Action Plan 2015&ndash;2020. Copenhagen: WHO; 2014.</li>     <li>Lobstein T, Baur L, Uauy R. Obesity in children and young people: a crisis in public health. Obes Rev. 2004;5(Suppl. 1):4&ndash;85.</li>     <li>Han J, Lawlor D, Kimm S. Childhood Obesity. Lancet. 2010;375(9727):1737:48.</li>     <li>Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias. Livro Verde: Promo&ccedil;&atilde;o de regimes alimentares saud&aacute;veis e da actividade f&iacute;sica: uma dimens&atilde;o europeia para a preven&ccedil;&atilde;o do excesso de peso, da obesidade e das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas. Bruxelas:CCE; 2005.</li>     <li>World Health Organization. The European Health Report 2005: Public Health action for healthier children and populations. Copenhagen: WHO; 2005.</li>     <li>Organisation for Economic Co-operation and Development. Overweight and obesity among children. In Health at a Glance 2011: OECD Indicators. OECD Publishing; 2011.</li>     <li>Sassi F. Obesity and the Economics of Prevention: Fit not Fat. OECD Publishing; 2010.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Committee of the Regions of the European Union. Commission staff working document: Report on Health inequalities in the European Union. SWD (2013) 328 final.</li>     <li>Dietz W, Baur L, Hall K, Puhl R, Taveras E, Uauy R, et al. Management of obesity: improvement of health-care training and systems for prevention and care. Lancet. 2015;385(9986):2521-33.</li>     <li>Martins M. As autarquias locais na Uni&atilde;o Europeia. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es ASA; 2001.</li>     <li>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa: artigos 235&ordm;, 236&ordm; e 237&ordm;, 7&ordf; revis&atilde;o - 12 de agosto de 2005 (2005).</li>     <li>Decreto Lei 701-A/76, de 29 de setembro: Normas relativas &agrave; estrutura, compet&ecirc;ncia e funcionamento das autarquias locais, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica - I&ordf; S&eacute;rie, n&ordm; 229 (1976).</li>     <li>Lei n.&ordm; 75/2013 de 12 setembro: Regime jur&iacute;dico das autarquias locais, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica - I&ordf; S&eacute;rie, n.&ordm; 176 (2013).</li>     <li>Lei n.&ordm; 159/99 de 14 de setembro: Estabelece o quadro e transfer&ecirc;ncia de atribui&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias para as autarquias locais, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica - I&ordf; S&eacute;rie, n.&ordm; 215 (1999).</li>     <li>Lei n.&ordm; 169/99 de 18 e setembro: Estabelece o quadro de compet&ecirc;ncias, assim como o regime jur&iacute;dico de funcionamento, dos &oacute;rg&atilde;os dos munic&iacute;pios e das freguesias, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica - I&ordf; S&eacute;rie, n.&ordm; 219 (1999).</li>     <li>Decreto-Lei n.&ordm; 30/2015 de 12 de fevereiro: Regime de delega&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias nos munic&iacute;pios e entidades intermunicipais no dom&iacute;nio de fun&ccedil;&otilde;es sociais, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica - I&ordf; S&eacute;rie, n. &ordm;78 (2015).</li>     <li>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel: Orienta&ccedil;&otilde;es Program&aacute;ticas. Lisboa: DGS; 2012.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Gra&ccedil;a P, Alves E, Camarinha B, Almeida A, Alves C, Bento A, et al. O nutricionista como factor de desenvolvimento local em Portugal. Nutri&ccedil;&atilde;o Humana. 2001;7(1):3-20.</li>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b ><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b> <br/>B&aacute;rbara Camarinha <br/>Rua da Igreja, n.&ordm; 186, Sermonde,     <p>4415-106 Vila Nova de Gaia, Portugal</p> <a href="mailto:barbaracamarinha@gmail.com">barbaracamarinha@gmail.com</a></p>     <p>Recebido a 3 de junho de 2015</p>     <p>Aceite a 30 de junho de 2015</p>      ]]></body><back>
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