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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perfil dos consumidores face ao desperdício e reaproveitamento de hortofrutícolas em ambiente doméstico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[It is currently recognized the contribution of consumption step in the estimated amount of food waste in Portugal. A sociological and behavioral approach can give advantages in the exploration and understanding of this phenomenon in a familiar environment. The aim of the study was to characterize the consumer profile of a Portuguese hypermarket chain related to the waste and reuse of fruit and vegetables in a domestic environment. 184 consumers were indirectly surveyed in different stores, appealing to knowledge of socio-demographic data, consumption habits, frequency of fruit and vegetable waste and their reuse. An index of waste frequency and an index of fruit and vegetables reuse were calculated, based on the survey questions related to this topic. A binary logistic regression was made to evaluate the effect of socio-demographic data and consumer habits in the two indexes mentioned. In multivariate analysis, age and geographical area held a significant influence in both indexes. It was found that consumers coming from the central and southern areas of the country had reported a less frequency of waste, and simultaneously most reuse. It was also found that individuals with higher age had a less frequency of waste, but also smaller reuse.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p><b>Perfil dos consumidores face ao desperd&iacute;cio e reaproveitamento de hortofrut&iacute;colas em ambiente dom&eacute;stico</b></p>     <p><b>Consumer profile towards waste and reuse of fruit and vegetables in a domestic environment</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>In&ecirc;s Pinho<sup>1</sup>; Liliana Carola<sup>2</sup>; Mayumi Tha&iacute;s Delgado<sup>2</sup>; Rui Poinhos<sup>3</sup>; Sara Rodrigues<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Estagi&aacute;ria em Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o</p>     <p><sup>2</sup>Modelo Continente Hipermercados S.A.,Carnaxide, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Porto, Portugal</p>     <p><a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b >RESUMO</b></p>     <p>Atualmente &eacute; reconhecida a contribui&ccedil;&atilde;o da etapa de consumo no valor estimado de desperd&iacute;cio alimentar em Portugal. Para compreens&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o deste fen&oacute;meno, em ambiente familiar, &eacute; reconhecido o benef&iacute;cio de uma abordagem sociol&oacute;gica e comportamental. O estudo objetivou a caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil dos consumidores de uma cadeia de hipermercados portuguesa, face ao desperd&iacute;cio e reaproveitamento de hortofrut&iacute;colas em ambiente dom&eacute;stico. Procedeu-se &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o indireta de um question&aacute;rio, apelando ao conhecimento dos dados sociodemogr&aacute;ficos, h&aacute;bitos de consumo, frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio de hortofrut&iacute;colas e respetivo reaproveitamento. Foi calculado um &iacute;ndice de frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio e um &iacute;ndice de reaproveitamento, com base nas quest&otilde;es inerentes ao seu conhecimento. Procedeu-se a uma regress&atilde;o log&iacute;stica bin&aacute;ria para avalia&ccedil;&atilde;o do efeito das vari&aacute;veis relativas aos dados sociodemogr&aacute;ficos e h&aacute;bitos de consumo nos dois &iacute;ndices. Em diferentes lojas da mesma cadeia de hipermercados, foram recrutados 184 consumidores. Na an&aacute;lise multivariada, apenas as vari&aacute;veis idade e zona geogr&aacute;fica detinham influ&ecirc;ncia significativa em ambos os &iacute;ndices. Foi poss&iacute;vel verificar que os consumidores oriundos das zonas centro e sul do pa&iacute;s apresentam menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio, e simultaneamente maior reaproveitamento. Detetou-se ainda que indiv&iacute;duos com maior idade apresentaram uma menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio, mas tamb&eacute;m menor reaproveitamento.</p>     <p><b>Palavras-Chave:</b> Consumidor, Desperd&iacute;cio alimentar, Hortofrut&iacute;colas, Portugal, Reaproveitamento alimentar</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>It is currently recognized the contribution of consumption step in the estimated amount of food waste in Portugal. A sociological and behavioral approach can give advantages in the exploration and understanding of this phenomenon in a familiar environment. The aim of the study was to characterize the consumer profile of a Portuguese hypermarket chain related to the waste and reuse of fruit and vegetables in a domestic environment. 184 consumers were indirectly surveyed in different stores, appealing to knowledge of socio-demographic data, consumption habits, frequency of fruit and vegetable waste and their reuse. An index of waste frequency and an index of fruit and vegetables reuse were calculated, based on the survey questions related to this topic. A binary logistic regression was made to evaluate the effect of socio-demographic data and consumer habits in the two indexes mentioned. In multivariate analysis, age and geographical area held a significant influence in both indexes. It was found that consumers coming from the central and southern areas of the country had reported a less frequency of waste, and simultaneously most reuse. It was also found that individuals with higher age had a less frequency of waste, but also smaller reuse.</p>     <p><b>Keywords: </b>Consumer, Food waste, Fruit and vegetables, Portugal, Food reuse</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Na sociedade ocidental atual, o consumismo e a abund&acirc;ncia acoplados a uma deprecia&ccedil;&atilde;o do valor simb&oacute;lico da comida, contrastam com a realidade da fome, pobreza e decl&iacute;nio da integridade do meio ambiente. Urge a necessidade de consciencializar a popula&ccedil;&atilde;o e formular medidas que visem alterar esta realidade (1).</p>     <p>Segundo um estudo publicado pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), o desperd&iacute;cio alimentar ocorre ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento alimentar, desde a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola at&eacute; ao consumo final em ambiente familiar. O mesmo indica que nos pa&iacute;ses industrializados mais de 40% dos alimentos s&atilde;o desperdi&ccedil;ados nas etapas correspondentes &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o e consumo (2). Um estudo publicado pela Comiss&atilde;o Europeia, em 2010, estima a produ&ccedil;&atilde;o anual de res&iacute;duos alimentares nos 27 Estados-Membros em cerca de 89 milh&otilde;es de toneladas, isto &eacute;, 179 kg per capita, e real&ccedil;a que, se n&atilde;o se tomarem medidas preventivas adicionais, o volume global de desperd&iacute;cio alimentar atingir&aacute;, em 2020, 126 milh&otilde;es de toneladas, correspondente a um aumento de 40% (3, 4).</p>     <p>De modo a caracterizar a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal, destaca-se o Projeto de Estudo e Reflex&atilde;o sobre o Desperd&iacute;cio Alimentar (PERDA). A metodologia seguida foi adaptada do estudo da FAO e a capita&ccedil;&atilde;o anual estimada das perdas e desperd&iacute;cio alimentar relativa a Portugal &eacute; de 97kg por habitante/ano, dos quais 31% prov&ecirc;m da etapa do consumo (5). No Reino Unido o estudo Household Food And Drink Waste, apresenta o desperd&iacute;cio alimentar gerado em ambiente dom&eacute;stico traduzido no valor estimado de 7 milh&otilde;es de toneladas por ano, que representa 19% dos alimentos adquiridos para consumo em casa (6). Real&ccedil;a-se, aqui, a categoriza&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio alimentar gerado em tr&ecirc;s grupos distintos, &ldquo;evit&aacute;vel&rdquo;, &ldquo;possivelmente evit&aacute;vel&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o evit&aacute;vel&rdquo;. A primeira corresponde ao desperd&iacute;cio de alimentos que estariam aptos para consumo, a segunda ao desperd&iacute;cio gerado por distintos h&aacute;bitos de consumo e prepara&ccedil;&atilde;o e a &uacute;ltima classifica o desperd&iacute;cio constitu&iacute;do por por&ccedil;&otilde;es de alimentos que n&atilde;o s&atilde;o aptas para consumo em circunst&acirc;ncias normais (7, 8). No Reino Unido, o grupo dos hort&iacute;colas frescos est&aacute; associado a 47% do desperd&iacute;cio possivelmente evit&aacute;vel e a 19% do desperd&iacute;cio evit&aacute;vel, por peso (6). Em Portugal, a an&aacute;lise do desperd&iacute;cio alimentar nas fam&iacute;lias, exposta por grupo de alimentos, sugere uma predomin&acirc;ncia dos grupos &ldquo;frutos&rdquo; e &ldquo;hort&iacute;colas&rdquo; (5).</p>     <p>Uma aproxima&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica e comportamental, considerando a perspetiva de consumo a n&iacute;vel dom&eacute;stico, oferece vantagens na explora&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica do desperd&iacute;cio alimentar e sua compreens&atilde;o (9). Em Portugal, foi estimada uma rela&ccedil;&atilde;o entre determinadas caracter&iacute;sticas sociais da popula&ccedil;&atilde;o e o desperd&iacute;cio alimentar dom&eacute;stico. Verificou-se que fam&iacute;lias com filhos tendem a desperdi&ccedil;ar mais do que fam&iacute;lias sem filhos. Observou-se, no entanto, uma tend&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio decrescente &agrave; medida que a idade dos inquiridos aumenta (5). A multiplicidade de fatores que desencadeiam o fen&oacute;meno do desperd&iacute;cio alimentar em ambiente dom&eacute;stico (5), evidencia a necessidade de se proceder a uma caracteriza&ccedil;&atilde;o do consumidor portugu&ecirc;s no que concerne a fatores de estilo de vida e rotinas inerentes.</p>     <p><b>OBJETIVOS</b></p>     <p>O presente trabalho teve como objetivo a caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil dos consumidores de uma cadeia de hipermercados portuguesa, face ao desperd&iacute;cio e reaproveitamento de hortofrut&iacute;colas (HF).</p>     <p><b>METODOLOGIA</b></p>     <p>No &acirc;mbito de uma grande cadeia de hipermercados portuguesa, foi desenvolvido um question&aacute;rio focalizado na recolha de dados sociodemogr&aacute;ficos e respetivos h&aacute;bitos (responsabilidade na compra, prepara&ccedil;&atilde;o e confe&ccedil;&atilde;o, execu&ccedil;&atilde;o rotineira de lista de compras e exist&ecirc;ncia de produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria/domiciliar) face ao desperd&iacute;cio e reaproveitamento de HF. Para melhor adequar o question&aacute;rio, foram selecionados os hort&iacute;colas e frutos mais vendidos, em toneladas, na mesma cadeia de hipermercados (sete de cada), durante o ano de 2013 (cenoura, tomate, cebola, alface, curgete, couves, br&oacute;colo, banana, ma&ccedil;&atilde;, laranja, mel&atilde;o, melancia, pera, abacaxi). O question&aacute;rio visou igualmente o conhecimento da frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio de fruta e hort&iacute;colas, associada aos motivos que a poder&atilde;o fazer variar, tendo por base o question&aacute;rio aplicado no estudo PERDA (5). Foram contabilizados 10 motivos principais para a poss&iacute;vel varia&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio: &ldquo;n&atilde;o gostou da refei&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria excessiva&rdquo;, &ldquo;descuido na prepara&ccedil;&atilde;o/confe&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;cozinhou demasiada quantidade&rdquo;, &ldquo;quantidade insuficiente para reutiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;passagem do prazo de validade&rdquo;, &ldquo;mais ningu&eacute;m vai comer&rdquo;, &ldquo;comprou demais&rdquo;, &ldquo;comida estragada&rdquo; e &ldquo;outros motivos indicados pelo inquirido&rdquo;. Estes foram associados a uma escala de resposta com 4 itens (vari&aacute;vel entre &ldquo;nada frequente&rdquo; e &ldquo;muito frequente&rdquo;) &agrave; qual foi posteriormente atribu&iacute;da uma pontua&ccedil;&atilde;o crescente (valor 0 para a op&ccedil;&atilde;o &ldquo;nada frequente&rdquo;, e valor 3 para &ldquo;muito frequente&rdquo;). O somat&oacute;rio desta pontua&ccedil;&atilde;o (podendo variar entre 0 e 30) para cada participante deu origem a um &Iacute;ndice de frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio de HF. A determina&ccedil;&atilde;o da mediana do &iacute;ndice criado visou a divis&atilde;o da amostra em dois grupos distintos: inquiridos que relataram menor desperd&iacute;cio (valor&lt;mediana) e indiv&iacute;duos que relataram maior desperd&iacute;cio (valor&ge;mediana). O question&aacute;rio visou, ainda, o conhecimento do eventual reaproveitamento do desperd&iacute;cio gerado aquando da prepara&ccedil;&atilde;o e consumo dos frutos e hort&iacute;colas selecionados. Para tal foi questionado, com base numa resposta dicot&oacute;mica, o reaproveitamento alimentar de cascas, talos, folhas e sementes (&ldquo;sim&rdquo; codificado com valor 1 e &ldquo;n&atilde;o&rdquo; com valor 0). Tamb&eacute;m neste caso se procedeu ao somat&oacute;rio da pontua&ccedil;&atilde;o obtida (podendo variar entre 0 e 29) para cada participante, tendo-se obtido assim um &Iacute;ndice de reaproveitamento de HF. Posteriormente foi tamb&eacute;m determinada a mediana para divis&atilde;o da amostra em dois grupos: pouco reaproveitamento relatado (valor&lt;mediana) e muito reaproveitamento relatado (valor&ge;mediana). Para al&eacute;m da an&aacute;lise estat&iacute;stica descritiva, e com o objetivo de caracterizar o efeito das vari&aacute;veis relativas a dados sociodemogr&aacute;ficos e h&aacute;bitos de consumo nos dois &iacute;ndices descritos, foram tamb&eacute;m calculados os Odds ratios, com intervalo de confian&ccedil;a de 95%, segundo uma an&aacute;lise univariada e multivariada, atrav&eacute;s da execu&ccedil;&atilde;o de uma regress&atilde;o log&iacute;stica bin&aacute;ria. Com a exce&ccedil;&atilde;o da idade dos inquiridos, que foi integrada no modelo descrito enquanto vari&aacute;vel cont&iacute;nua, todas as restantes eram vari&aacute;veis categ&oacute;ricas. O grau de associa&ccedil;&atilde;o entre os dois &iacute;ndices foi medido pelo coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de Spearman (&rho;). O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia foi estabelecido num valor inferior a 0,05.</p>     <p>O processo de recolha de dados foi conduzido durante um m&ecirc;s, entre abril e maio de 2014, de forma equitativa, nas seguintes localidades: Viana do Castelo, Braga, Porto, Matosinhos, Gaia, Maia, S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, Ovar, Coimbra, Leiria, Santar&eacute;m, Loures, Lisboa, Seixal, Montijo, Oeiras, Barreiro e Cascais. Os question&aacute;rios foram aplicados de forma indireta por Nutricionistas treinadas segundo um gui&atilde;o destinado aos inquiridores. Tratando-se de uma amostra de conveni&ecirc;ncia, este estudo compreendeu 184 clientes da mesma cadeia de hipermercados portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b >RESULTADOS</b></p>     <p>Os inquiridos apresentaram uma idade m&eacute;dia de 53,5&plusmn;15,1 anos, com um m&iacute;nimo de 19 e um m&aacute;ximo de 84 anos, eram maioritariamente do sexo feminino (73,4%) e constitu&iacute;am essencialmente fam&iacute;lias sem crian&ccedil;as (81,9%) (<a href ="/img/revistas/apn/n2/n2a02t1.jpg">Tabela 1</a>). Dos inquiridos, 73,9% eram o elemento respons&aacute;vel pela compra de hort&iacute;colas e 68,1% foram respons&aacute;veis pela sua prepara&ccedil;&atilde;o e confe&ccedil;&atilde;o. A compra semanal de hort&iacute;colas frescos evidenciou-se em 77% dos inquiridos e a pr&aacute;tica ass&iacute;dua de lista de compras discriminada traduziu-se em 34,3% dos indiv&iacute;duos, onde apenas 27,5% possu&iacute;a produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de hort&iacute;colas. Relativamente &agrave; fruta, 73,9% dos inquiridos eram sempre respons&aacute;veis pela compra e 78,1% admitiram ser sempre respons&aacute;veis pela sua prepara&ccedil;&atilde;o e confe&ccedil;&atilde;o. Face &agrave; frequ&ecirc;ncia de compra de fruta fresca, 84,8% relatou a aquisi&ccedil;&atilde;o destes produtos com uma frequ&ecirc;ncia semanal. Apenas 33,1% admitiu executar sempre lista de compras discriminada e 24% possu&iacute;a produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de fruta. Relativamente &agrave; autoavalia&ccedil;&atilde;o dos inquiridos quando questionada a preocupa&ccedil;&atilde;o surtida pela tem&aacute;tica do desperd&iacute;cio de HF, e motiva&ccedil;&atilde;o para altera&ccedil;&atilde;o comportamental, numa escala de 0 a 5, obtiveram-se os seguintes resultados: 46,4% atribuiu o valor m&aacute;ximo da escala quando questionados acerca da sua preocupa&ccedil;&atilde;o; 47,5% atribuiu o mesmo valor quando questionados acerca da sua motiva&ccedil;&atilde;o para combater o desperd&iacute;cio de HF em ambiente dom&eacute;stico; e 50,8% atribuiu igualmente o valor m&aacute;ximo relativamente &agrave; respetiva vontade de receber mais informa&ccedil;&atilde;o sobre este assunto, nomeadamente receitas.</p>     
<p>Na an&aacute;lise multivariada foi poss&iacute;vel verificar que, a vari&aacute;vel inerente &agrave; responsabilidade na compra de fruta apresentou influ&ecirc;ncia estatisticamente significativa no &iacute;ndice de frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio de HF. Por outro lado, as vari&aacute;veis: idade e zona geogr&aacute;fica demonstraram ter influ&ecirc;ncia estatisticamente significativa em ambos os &iacute;ndices. Constatou-se que consumidores com mais idade apresentaram maior probabilidade de integrar o grupo associado a uma menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio mas menor reaproveitamento. Relativamente &agrave; zona geogr&aacute;fica, verificou-se que os consumidores da zona centro e sul detinham maior probabilidade de pertencer ao grupo associado &agrave; menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio e maior reaproveitamento. Verificou-se que os consumidores respons&aacute;veis pela aquisi&ccedil;&atilde;o de fruta apresentaram maior probabilidade de serem inclu&iacute;dos no grupo da menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio. Contudo, esta vari&aacute;vel n&atilde;o apresentou influ&ecirc;ncia significativa no &iacute;ndice de reaproveitamento de HF (<a href ="/img/revistas/apn/n2/n2a02t2.jpg">Tabela 2</a>).</p>     
<p>Detetou-se uma correla&ccedil;&atilde;o fraca (&rho;=-0,111) e n&atilde;o significativa (p=0,155) entre os valores dos dois &iacute;ndices estudados.</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</b></p>     <p>Observou-se que &agrave; medida que aumenta a idade dos inquiridos, maior era a probabilidade de estes pertencerem ao grupo correspondente a uma menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio, bem como menor a probabilidade de pertencerem ao grupo de maior reaproveitamento. O resultado inerente &agrave; vari&aacute;vel idade face ao &iacute;ndice de frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio de HF, est&aacute; em concord&acirc;ncia com os dados apresentados no estudo PERDA, sugerindo que o desperd&iacute;cio de alimentos, divididos por grupos, diminui &agrave; medida que a idade aumenta, referenciando poss&iacute;veis justifica&ccedil;&otilde;es associadas a um maior grau de conhecimentos culin&aacute;rios e maior disponibilidade para os colocar em pr&aacute;tica (5). A aus&ecirc;ncia de efeito das vari&aacute;veis relativas &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de lista de compras, nos &iacute;ndices apresentados, vai de encontro ao sugerido no estudo PERDA, na medida em que este tamb&eacute;m n&atilde;o verificou uma rela&ccedil;&atilde;o entre a lista de compras e a produ&ccedil;&atilde;o de menos desperd&iacute;cio alimentar (5). Contrariamente, um estudo realizado em consumidores romenos e outro realizado no Reino Unido, apresentam uma associa&ccedil;&atilde;o entre determinadas pr&aacute;ticas comportamentais e a diminui&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio alimentar, nas quais se inclui a rotina de execu&ccedil;&atilde;o da lista de compras, salientando-se a necessidade de educar a popula&ccedil;&atilde;o nesse sentido (10). Real&ccedil;a-se que este estudo considera o desperd&iacute;cio de alimentos sem a sua discrimina&ccedil;&atilde;o por grupos. Novamente, em concord&acirc;ncia com o estudo PERDA, apresenta-se a vari&aacute;vel relativa &agrave; frequ&ecirc;ncia de compras de fruta e hort&iacute;colas frescos. O estudo mencionado refere que a frequ&ecirc;ncia com que se vai &agrave;s compras n&atilde;o demonstrou ser uma vari&aacute;vel que resulte em mais ou menos desperd&iacute;cio, relativamente aos alimentos em geral (5). Face a caracter&iacute;sticas associadas &agrave; tipologia familiar, estudos publicados no Reino Unido, Austr&aacute;lia, Finl&acirc;ndia e mesmo a n&iacute;vel nacional, associam-na ao desperd&iacute;cio alimentar, sublinhando que fam&iacute;lias com crian&ccedil;as revelam maior desperd&iacute;cio quando equiparadas a fam&iacute;lias sem crian&ccedil;as (5, 6, 11, 12). O mesmo n&atilde;o se verificou no presente estudo, salientando-se, contudo, a preponder&acirc;ncia de fam&iacute;lias sem crian&ccedil;as que constitu&iacute;ram a amostra.</p>     <p>No que concerne &agrave;s quest&otilde;es de autoavalia&ccedil;&atilde;o dos inquiridos, verifica-se que a tend&ecirc;ncia associada &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o relatada pelos consumidores, face &agrave; tem&aacute;tica do desperd&iacute;cio alimentar, parece corresponder &agrave; apresentada na literatura. No estudo PERDA, das 41 pessoas inquiridas apenas 3 revelaram aus&ecirc;ncia de preocupa&ccedil;&atilde;o. Um estudo realizado entre consumidores gregos revela que 90% da popula&ccedil;&atilde;o declarou exist&ecirc;ncia de preocupa&ccedil;&atilde;o face ao assunto (5, 13). Estes dados sugerem que os consumidores avaliados transparecem sensibilidade no que respeita &agrave;s consequ&ecirc;ncias do desperd&iacute;cio alimentar. Este aspeto poder&aacute; ser um bom ind&iacute;cio para a aceita&ccedil;&atilde;o de campanhas que visem mudan&ccedil;as a desenvolver junto desta popula&ccedil;&atilde;o. Neste &acirc;mbito, outros trabalhos internacionais foram j&aacute; desenvolvidos. Real&ccedil;a-se a campanha Love food, hate waste lan&ccedil;ada pelo Waste and Resources Action Programme em 2007, assente na consciencializa&ccedil;&atilde;o do consumidor face aos benef&iacute;cios da diminui&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio alimentar, incluindo a divulga&ccedil;&atilde;o de receitas que o capacitem para o alcance deste objetivo (14). No Brasil, destaca-se o programa MESA BRASIL SESC voltado para a inclus&atilde;o social e solidariedade contra a fome e desperd&iacute;cio de alimentos (15). Na Dinamarca, a campanha Stop Spild Af Mad constitui um movimento sem fins lucrativos, institu&iacute;do pelos consumidores e para os consumidores, destinado &agrave; sensibiliza&ccedil;&atilde;o e instru&ccedil;&atilde;o dos mesmos com base em comportamentos que visam a diminui&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio alimentar em ambiente dom&eacute;stico (16). No mesmo sentido, visando o incremento da sensibiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o em estudo, foi elaborado um livro educativo, dispon&iacute;vel online, reunindo sugest&otilde;es de receitas que v&atilde;o ao encontro deste objetivo (17).</p>     <p>O presente trabalho det&eacute;m, contudo, algumas limita&ccedil;&otilde;es. O tamanho relativamente reduzido da amostra e a restri&ccedil;&atilde;o da zona geogr&aacute;fica &agrave;s localidades abrangidas pelos inquiridores, condicionam a extrapola&ccedil;&atilde;o dos seus resultados para a totalidade de consumidores em Portugal. Predominam, ainda, os indiv&iacute;duos de sexo feminino e indiv&iacute;duos inseridos num agregado familiar sem crian&ccedil;as. O facto de todos os dados serem auto reportados leva a considerar a poss&iacute;vel influ&ecirc;ncia da desejabilidade social nas respostas obtidas (13, 18). Apesar das limita&ccedil;&otilde;es, o estudo apresentado permitiu efetuar uma aproxima&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica e comportamental, apresentando dados ainda pouco explorados a n&iacute;vel nacional, que suscitam uma orienta&ccedil;&atilde;o face &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o destinadas &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio de HF em ambiente dom&eacute;stico.</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Na amostra estudada verificou-se que quanto maior a idade do consumidor maior a sua propens&atilde;o para a menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio e menor reaproveitamento. Indiv&iacute;duos da zona centro e sul do pa&iacute;s relataram menor frequ&ecirc;ncia de desperd&iacute;cio e maior reaproveitamento. Conclui-se que, neste contexto, a sensibiliza&ccedil;&atilde;o do consumidor pode passar por uma adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; idade e zona geogr&aacute;fica, articulando o enquadramento sociocultural na formula&ccedil;&atilde;o da mesma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>AGRADECIMENTOS</b></p>     <p>A toda a equipa do Movimento Hiper Saud&aacute;vel Continente, pela recetividade, simpatia, incentivo e valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho em equipa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b >REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b>     <li>Esenyan A. Want All, Waste All: Exploring Food Waste in the United States [Student Theses ]: Fordham University; 2014.</li>     <li>Food and Agriculture Organization of the United Nations. Global Food Losses And Food Waste, Extent, causes and prevention. Rome. 2011.</li>     <li>European Commission. Preparatory Study on Food Waste Across EU 27. 2010.</li>     <li>Parlamento Europeu. Como evitar o desperd&iacute;cio de alimentos: Resolu&ccedil;&atilde;o do Parlamento Europeu, de 19 de janeiro de 2012, sobre como evitar o desperd&iacute;cio de alimentos: estrat&eacute;gias para melhorar a efici&ecirc;ncia da cadeia alimentar na UE. 2012.</li>     <li>Baptista P, Campos I, Pires I, Vaz S. Do Campo ao Garfo, Desperd&iacute;cio Alimentar em Portugal. Lisboa: CESTRAS; 2012 Dezembro.</li>     <li>Quested T, Ingle R, Parry A. Household Food and Drink Waste in the United Kingdom 2012. Banbury: Waste and Resources Action Programme, 2013.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Martins MJRL. Avalia&ccedil;&atilde;o e controlo do desperd&iacute;cio alimentar no almo&ccedil;o escolar nas escolas b&aacute;sicas de ensino p&uacute;blico do munic&iacute;pio do porto &ndash; Estrat&eacute;gias para redu&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio [tese de doutoramento]. Porto: FCNAUP; 2014.</li>     <li>Quested T, Johnson H. Household Food and Drink Waste in the UK. Internet. Banbury: Waste and Resources Action Programme, 2009 1-84405-430-6.</li>     <li>Evans D. Beyond the Throwaway Society: Ordinary Domestic Practice and a Sociological Approach to Household Food Waste. Sociology. 2011;46(1):41-56.</li>     <li>Quested T, Parry A. New estimates for household food and drink waste in the UK. Internet Banbury: Waste and Resources Action Programme 2011.</li>     <li>Hamilton C, Denniss R, Baker D. Wasteful Consumption in Australia:. The Australia Institute; 2005.</li>     <li>Koivupuro H-K, Hartikainen H, Silvennoinen K, Katajajuuri J-M, Heikintalo N, Reinikainen A, et al. Influence of socio-demographical, behavioural and attitudinal factors on the amount of avoidable food waste generated in Finnish households. International Journal of Consumer Studies. 2012;36:183&ndash;91.</li>     <li>Abeliotis K, Lasaridi K, Chroni C. Attitudes and behaviour of Greek households regarding food waste prevention. Waste Manag Res. 2014;32(3):237-40.</li>     <li>Waste and Resources Action Programme. Love Food Hate Waste [website ]. Banbury2007 [Julho, 2014]. Available from: <a href="http://england.lovefoodhatewaste.com/" target="_blank">http://england.lovefoodhatewaste.com/</a>.</li>     <li>Servi&ccedil;o Social do Com&eacute;rcio Departamento Nacional. Banco de Alimentos e Colheita Urbana, Receitas de Aproveitamento Integral dos Alimentos. MESA BRASIL SESC - Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional. Rio de Janeiro. 2003.</li>     <li>Dreyer+Kvetny Public Relations. Stop Spild Af Mad [website]. Copenhagen [Julho, 2014]. Available from: <a href="http://www.stopspildafmad.dk/" target="_blank">http://www.stopspildafmad.dk/</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Equipa de Nutri&ccedil;&atilde;o Continente. Reaproveite mais, Desperdice menos. Dire&ccedil;&atilde;o da Qualidade Alimentar ed. 2014.</li>     <li>Stefan V, Herpen Ev, Tudoran AA, L&auml;hteenm&auml;ki L. Avoiding food waste by Romanian consumers: The importance of planning and shopping routines. Food Quality and Preference 2012;28:375&ndash;81.</li>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b ><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b> <br/>In&ecirc;s Pinho <br/>Avenida Brasil 649 4.&ordm; direito, 3700-072 S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, Portugal <br/> <a href="mailto:inespinho@hotmail.com">inespinho@hotmail.com</a></p>      <p>Recebido a 27 de agosto de 2015</p>     <p>Aceite a 30 de setembro de 2015</p>      ]]></body><back>
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