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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2015.0403</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alimentos com e Sem Glúten - Análise Comparativa de Preços de Mercado]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Celiac disease is an autoimmune chronic disease characterized by gluten sensitivity, which manifests in genetically susceptible individuals. When people with celiac disease consume gluten, their body mounts an immune response that attacks the small intestine. Being so, the only known treatment for celiac disease is a lifelong strict gluten-free diet that should be complete, balanced and varied. The objetives of these study were compare prices between categories of gluten-free products and equivalents with gluten, assess costs in a family income of a gluten-free diet and compare the results with a previous study. The price per kilogram of gluten and gluten-free products was collected through online search. Prices were analyzed by product type, among seven categories (bread, pasta, flour, breakfast cereals, cookies/ cakes, cereal bars and ready meals) of all gluten-free products, and the same prices of equivalents gluten products were collected. The food prices included in the essential food basket with gluten, developed by Portuguese nutritionists association, were posteriorly adjusted to the gluten-free diet. In all categories of products analyzed gluten-free products were more expensive. Largest differences were observed in food categories such as pasta, bread and cookies categories. It was found a difference of 26% in prices when comparing gluten-free essential food basket and the gluten equivalent. The added cost for a family to follow a gluten-free diet for one month is 110&#8364; and weekly per person is 8,6&#8364;. The present study demonstrates that, in all categories, gluten-free products studied are more expensive than equivalents gluten products. The price of the gluten-free essential food basket is greater than the equivalent with gluten, it represents more than a half of a family budget, of national minimum salary. Compared to a previous study the difference between prices of gluten-free and gluten products decreased in most categories.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dieta Isenta de Glúten]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença Celíaca]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Preços]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>      <p><b>Alimentos com e Sem Gl&uacute;ten &ndash; An&aacute;lise Comparativa de Pre&ccedil;os de Mercado</b></p>     <p><b>Gluten and Gluten-Free Products &ndash; Price Difference</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Daniela Afonso<sup>1</sup>; Rita Jorge<sup>1</sup>; Ana Catarina Moreira<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Cel&iacute;acos, Avenida J&uacute;lio Dinis N.&ordm;23, S/L | 1050-130 Lisboa, Portugal</p>     <p><sup>1</sup>Escola Superior de Tecnologia da Sa&uacute;de de Lisboa, Av. D. Jo&atilde;o II, Lote 4.69.01, 1990-096 Lisboa, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doen&ccedil;a cel&iacute;aca &eacute; uma doen&ccedil;a autoimune que se traduz numa sensibilidade alimentar cr&oacute;nica ao gl&uacute;ten, que ocorre em indiv&iacute;duos geneticamente suscet&iacute;veis. Em consequ&ecirc;ncia da ingest&atilde;o de gl&uacute;ten o organismo desenvolve uma rea&ccedil;&atilde;o imunol&oacute;gica contra o pr&oacute;prio intestino. A dieta isenta de gl&uacute;ten &eacute; o &uacute;nico tratamento conhecido para esta patologia, adotada para toda a vida, deve ser rigorosa, completa, equilibrada e variada.</p>     <p>O presente estudo pretende comparar pre&ccedil;os entre categorias de produtos alimentares sem gl&uacute;ten e produtos equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten. &Eacute; tamb&eacute;m objetivo do estudo avaliar o impacto desta despesa no rendimento familiar associado ao cumprimento de uma dieta sem gl&uacute;ten e comparar os resultados da presente recolha de dados com um estudo anterior.</p>     <p>O pre&ccedil;o por quilograma dos produtos espec&iacute;ficos sem gl&uacute;ten e dos produtos com gl&uacute;ten foi recolhido atrav&eacute;s de consulta online. Analisou-se o pre&ccedil;o por tipo de produto inclu&iacute;do nas 7 categorias alimentares (p&atilde;o, massas, farinha, cereais de pequeno-almo&ccedil;o, bolachas/bolos, barras de cereais e alimenta&ccedil;&atilde;o preparada), de todos os produtos espec&iacute;ficos sem gl&uacute;ten, e procedeu-se &agrave; recolha de pre&ccedil;os de um igual n&uacute;mero de produtos equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten. Atualizou-se o pre&ccedil;o dos alimentos inclu&iacute;dos num cabaz alimentar essencial com gl&uacute;ten, desenvolvido pela Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Nutricionistas.</p>     <p>Em todas as categorias de produtos analisadas foram mais caros os Produtos Alimentares Espec&iacute;ficos sem Gl&uacute;ten. As maiores diferen&ccedil;as de pre&ccedil;o dos produtos espec&iacute;ficos sem gl&uacute;ten em rela&ccedil;&atilde;o aos com gl&uacute;ten s&atilde;o observadas na categoria das massas, p&atilde;o e bolachas. O pre&ccedil;o do cabaz alimentar essencial sem gl&uacute;ten representa um aumento de 26% em rela&ccedil;&atilde;o ao equivalente com gl&uacute;ten. O custo acrescido para uma fam&iacute;lia seguir a Dieta Isenta de Gl&uacute;ten para um m&ecirc;s &eacute; de 110 &euro;, e semanal por indiv&iacute;duo de 8,6 &euro;.</p>     <p>O presente estudo demonstra que, em todas as categorias, os Produtos Alimentares Espec&iacute;ficos sem Gl&uacute;ten estudados s&atilde;o mais dispendiosos que os produtos alimentares equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten. O custo do cabaz alimentar essencial sem gl&uacute;ten &eacute; superior em rela&ccedil;&atilde;o ao equivalente com gl&uacute;ten, representando mais de metade do or&ccedil;amento das fam&iacute;lias com 2 adultos, que auferem o ordenado m&iacute;nimo nacional. Em compara&ccedil;&atilde;o com um estudo realizado anteriormente a diferen&ccedil;a entre pre&ccedil;os de Produtos Alimentares Espec&iacute;ficos sem Gl&uacute;ten e com gl&uacute;ten diminuiu na maioria das categorias.</p>     <p><b>Palavras-Chave: </b>Dieta Isenta de Gl&uacute;ten, Doen&ccedil;a Cel&iacute;aca, Pre&ccedil;os, Produtos com Gl&uacute;ten, Produtos Espec&iacute;ficos sem Gl&uacute;ten</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      <p><b >ABSTRACT</b>      <p>Celiac disease is an autoimmune chronic disease characterized by gluten sensitivity, which manifests in genetically susceptible individuals. When people with celiac disease consume gluten, their body mounts an immune response that attacks the small intestine. Being so, the only known treatment for celiac disease is a lifelong strict gluten-free diet that should be complete, balanced and varied.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The objetives of these study were compare prices between categories of gluten-free products and equivalents with gluten, assess costs in a family income of a gluten-free diet and compare the results with a previous study.</p>     <p>The price per kilogram of gluten and gluten-free products was collected through online search. Prices were analyzed by product type, among seven categories (bread, pasta, flour, breakfast cereals, cookies/ cakes, cereal bars and ready meals) of all gluten-free products, and the same prices of equivalents gluten products were collected. The food prices included in the essential food basket with gluten, developed by Portuguese nutritionists association, were posteriorly adjusted to the gluten-free diet.</p>     <p>In all categories of products analyzed gluten-free products were more expensive. Largest differences were observed in food categories such as pasta, bread and cookies categories. It was found a difference of 26% in prices when comparing gluten-free essential food basket and the gluten equivalent. The added cost for a family to follow a gluten-free diet for one month is 110&euro; and weekly per person is 8,6&euro;.</p>     <p>The present study demonstrates that, in all categories, gluten-free products studied are more expensive than equivalents gluten products. The price of the gluten-free essential food basket is greater than the equivalent with gluten, it represents more than a half of a family budget, of national minimum salary. Compared to a previous study the difference between prices of gluten-free and gluten products decreased in most categories.</p>      <p><b>Keywords</b>: Gluten-free diet, Celiac Disease, Price, Gluten-free products, Gluten products </p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>       <p><b >INTRODU&#199;&#195;O</b>     <p>A Doen&ccedil;a Cel&iacute;aca (DC) &eacute; uma doen&ccedil;a autoimune que se traduz numa sensibilidade alimentar cr&oacute;nica ao gl&uacute;ten, e que ocorre em indiv&iacute;duos geneticamente suscet&iacute;veis. A ingest&atilde;o de gl&uacute;ten leva o organismo a desenvolver uma rea&ccedil;&atilde;o imunol&oacute;gica contra o pr&oacute;prio intestino, provocando les&otilde;es ao n&iacute;vel da mucosa e interferindo com a absor&ccedil;&atilde;o dos nutrientes (1).</p>     <p>Em Portugal a DC encontra-se subdiagnosticada, com uma preval&ecirc;ncia de 1:134, taxa pr&oacute;xima da encontrada noutras popula&ccedil;&otilde;es europeias (2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &uacute;nico tratamento conhecido para a DC consiste numa Dieta Isenta de Gl&uacute;ten (DIG) para toda a vida, sendo o gl&uacute;ten, uma fra&ccedil;&atilde;o proteica do trigo, centeio, cevada, aveia ou suas variedades cruzadas e derivados (3,4). A alimenta&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com doen&ccedil;a cel&iacute;aca deve ser rigorosa, completa, equilibrada e variada, seguindo os princ&iacute;pios de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, devendo os alimentos com gl&uacute;ten serem substitu&iacute;dos por outros cujas mat&eacute;rias-primas sejam isentas de gl&uacute;ten (5).</p>     <p>Os &ldquo;g&eacute;neros aliment&iacute;cios destinados a pessoas com intoler&acirc;ncia ao gl&uacute;ten&rdquo; s&atilde;o g&eacute;neros aliment&iacute;cios destinados a uma alimenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que s&atilde;o especialmente produzidos, preparados, e/ou transformados para responder &agrave;s necessidades diet&eacute;ticas especiais de pessoas com intoler&acirc;ncia ao gl&uacute;ten. A rotulagem, a apresenta&ccedil;&atilde;o e a publicidade desta tipologia de produtos alegam a men&ccedil;&atilde;o &ldquo;isento de gl&uacute;ten&rdquo;. A men&ccedil;&atilde;o &laquo;isento de gl&uacute;ten&raquo; s&oacute; pode ser utilizada se os g&eacute;neros aliment&iacute;cios, tal como vendidos ao consumidor final, n&atilde;o contiverem mais de 20 mg/kg de gl&uacute;ten (6).</p>     <p>Na DIG s&atilde;o considerados v&aacute;rios tipos de produtos alimentares sem gl&uacute;ten: os naturalmente isentos (fruta, hort&iacute;colas, leite, leguminosas, etc.); os produtos alimentares processados desde que n&atilde;o contenham ingredientes com gl&uacute;ten na sua composi&ccedil;&atilde;o (gelados, enchidos, molhos industriais, etc.); e os Produtos Alimentares Espec&iacute;ficos sem Gl&uacute;ten (PAESG) (massa, p&atilde;o, cereais, bolachas, entre outros.).</p>     <p>O pre&ccedil;o dos PAESG tende a ser mais elevado comparativamente aos alimentos convencionais comuns, n&atilde;o s&oacute; como resultado da necessidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os alternativos aos cereais proibidos e ingredientes adicionais, como a todas as medidas de seguran&ccedil;a alimentar para evitar contamina&ccedil;&otilde;es cruzadas com gl&uacute;ten (na produ&ccedil;&atilde;o/ transforma&ccedil;&atilde;o/ embalamento) necessitando a ind&uacute;stria, entre outras medidas, de ter linhas dedicadas ou mesmo instala&ccedil;&otilde;es exclusivas, mas tamb&eacute;m porque o processo de desenvolvimento destes produtos carece de forte componente de investiga&ccedil;&atilde;o, para que as suas caracter&iacute;sticas organol&eacute;ticas e nutricionais v&atilde;o ao encontro das prefer&ecirc;ncias e necessidades nutricionais dos indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a cel&iacute;aca (6,7).</p>     <p>O pre&ccedil;o dos PAESG &eacute; uma das raz&otilde;es apontadas para o n&atilde;o cumprimento da DIG. Num estudo realizado em 2008, 85% dos inquiridos referiu o facto dos alimentos sem gl&uacute;ten apresentarem um custo elevado, traduzindo-se em dificuldades sentidas no cumprimento da DIG (8). Para refor&ccedil;ar esta rela&ccedil;&atilde;o, numa amostra de 201 doentes cel&iacute;acos portugueses, 96 referiram consumir alimentos com gl&uacute;ten. Destes, 21,9% apontam o pre&ccedil;o dos PAESG como a raz&atilde;o principal para o n&atilde;o cumprimento da dieta. Adicionalmente, 95% da amostra mostrou-se insatisfeita relativamente ao custo do PAESG experimentados (9). Num estudo realizado em crian&ccedil;as e adolescentes, o custo dos alimentos sem gl&uacute;ten foi indicado como um dos fatores interferentes no cumprimento da DIG (10).</p>     <p>A influ&ecirc;ncia da n&atilde;o ades&atilde;o ao tratamento com a DIG aliada ao n&uacute;mero substancial de doentes n&atilde;o diagnosticados, est&atilde;o na base do desenvolvimento de malignidades e da forma refrat&aacute;ria da DC (11). As complica&ccedil;&otilde;es neopl&aacute;sicas incluem linfomas n&atilde;o-Hodgkin das c&eacute;lulas T e B, que podem ser intestinais ou extraintestinais, adenocarcinomas orofar&iacute;ngeo e esof&aacute;gico, cancro do intestino delgado e grosso, do sistema hepatobiliar e p&acirc;ncreas (12,13). A ades&atilde;o estrita &agrave; DIG parece ser a &uacute;nica possibilidade de prevenir o aparecimento de cancro (12).</p>     <p>Os PAESG s&atilde;o empiricamente mais dispendiosos que os equivalentes com gl&uacute;ten (CG) apesar da crescente variedade de marcas e produtos lan&ccedil;ados no mercado nos &uacute;ltimos anos. O custo acrescido associado ao cumprimento da DIG e a diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o tradicional com gl&uacute;ten &eacute; desconhecida em Portugal.</p>     <p><b >OBJETIVO</b>     <p>O presente estudo pretende comparar pre&ccedil;os entre categorias de produtos alimentares sem gl&uacute;ten e produtos equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten. &Eacute; tamb&eacute;m objetivo do estudo avaliar o impacto desta despesa no rendimento familiar associado ao cumprimento de uma dieta sem gl&uacute;ten e comparar os resultados da presente recolha de dados com um estudo anterior.</p>     <p><b >METODOLOGIA</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A recolha de dados dos pre&ccedil;os dos produtos alimentares foi realizada entre julho e setembro de 2013.</p>     <p><u>Defini&ccedil;&atilde;o das categorias&nbsp</u>- Foram considerados os seguintes tipos de alimentos, integrados nas principais categorias que necessitam de substitutos sem gl&uacute;ten: p&atilde;o (baguetes, p&atilde;o de cereais, p&atilde;o de forma e tostas), massa (massa esparguete, massa espiral e massa macarr&atilde;o), farinha (farinha para bolos e farinha para panifica&ccedil;&atilde;o), cereais de pequeno-almo&ccedil;o (cereais tipo corn flakes, cereais infantis de chocolate e cereais infantis de mel), barras de cereais, bolachas/ bolos (bolachas wafers, bolachas de/ com chocolate, bolachas crackers/ &aacute;gua e sal, bolacha maria, bolachas recheadas/ doce de fruta, bolos recheados e bolos simples) e alimenta&ccedil;&atilde;o preparada (base de pizza, panados de peixe, lasanha e pizza congelada) (14-17). A lista inclui alimentos essenciais como p&atilde;o, massas, farinha, cereais de pequeno-almo&ccedil;o, bolachas maria e crackers, mas tamb&eacute;m alimentos de conveni&ecirc;ncia, n&atilde;o essenciais, como a alimenta&ccedil;&atilde;o preparada, bolos e bolachas recheadas, que integram as despesas das fam&iacute;lias em produtos alimentares (18).</p>     <p><u>Recolha de pre&ccedil;os&nbsp </u>- O pre&ccedil;o dos PAESG e dos produtos com gl&uacute;ten foi recolhido atrav&eacute;s de consulta online, por conveni&ecirc;ncia e uniformiza&ccedil;&atilde;o de dados relativos &agrave; varia&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os por regi&otilde;es do pa&iacute;s. A consulta de pre&ccedil;os realizou-se no portal de 8 lojas que disponibilizam este servi&ccedil;o, duas de cada tipo de loja [supermercados (grande distribui&ccedil;&atilde;o), lojas online, lojas especializadas e lojas de qualidade (lojas que vendem produtos gourmet ou diet&eacute;ticos especiais, e oferecem uma ampla variedade de produtos selecionados, muitas vezes importados)]. Analisou-se o pre&ccedil;o por tipo de produto, de todos os PAESG encontrados nas 8 lojas, incluindo produtos de marcas de fabricante e marcas pr&oacute;prias. Considerando o n&uacute;mero de PAESG encontrados, procedeu-se &agrave; recolha de pre&ccedil;os de um igual n&uacute;mero de produtos equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten, por tipo de alimento, nos 2 supermercados. Os produtos equipar&aacute;veis foram considerados por caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas semelhantes (apresenta&ccedil;&atilde;o, formato), equipara&ccedil;&atilde;o em sabor e textura e inclus&atilde;o no mesmo tipo de alimento (ex. baguetes, massa espiral, base de pizza, etc.). O crit&eacute;rio definido na recolha dos produtos com gl&uacute;ten, teve como base a sele&ccedil;&atilde;o de 50% dos produtos identificados com a rela&ccedil;&atilde;o PVP/kg, mais elevada e mais reduzida. Para efeitos comparativos os pre&ccedil;os foram recolhidos em euros por quilograma de produto (&euro;/kg).</p>     <p><u>An&aacute;lise por tipo de loja</u>- De forma a incluir produtos com gl&uacute;ten de lojas especializadas e de qualidade para efeitos de compara&ccedil;&atilde;o, procedeu-se &agrave; recolha do pre&ccedil;o do produto mais barato, mais caro e interm&eacute;dio por tipo de produto e por loja. Os dados recolhidos dos produtos com gl&uacute;ten das lojas especializadas e de qualidade foram utilizados exclusivamente para a an&aacute;lise comparativa complementar da diferen&ccedil;a de pre&ccedil;os dos PAESG e com gl&uacute;ten por tipo de loja.</br>     <p>As lojas online estudadas comercializam exclusivamente produtos sem gl&uacute;ten.</p>     <p><u>Cabaz alimentar essencial</u>- Para analisar o custo associado ao cumprimento da DIG, foi utilizado um estudo da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Nutricionistas (APN) que criou, em janeiro de 2011, um cabaz alimentar essencial, tendo em considera&ccedil;&atilde;o as necessidades nutricionais estabelecidas pela Roda dos Alimentos, como proposta de base para uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada de uma fam&iacute;lia padr&atilde;o portuguesa (um homem, uma mulher e um adolescente rapaz) (19).</br>     <p>Para a atualiza&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os foi aplicada a taxa de varia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual verificada em 2011, 2012 e setembro de 2013, do &iacute;ndice de pre&ccedil;os no consumidor (IPC) da classe de produtos alimentares e bebidas n&atilde;o alco&oacute;licas, divulgada pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) (20,21).</p>     <p>Os grupos de alimentos que necessitam de substitui&ccedil;&atilde;o por PAESG s&atilde;o os do p&atilde;o, cereais, bolachas e massas. O acr&eacute;scimo de custo dos PAESG foi calculado atrav&eacute;s dos resultados da percentagem de diferen&ccedil;a de pre&ccedil;o dos PAESG em rela&ccedil;&atilde;o aos produtos com gl&uacute;ten. Considerando a defini&ccedil;&atilde;o do cabaz original (alimentos da Roda dos Alimentos), foram considerando no cabaz sem gl&uacute;ten os seguintes tipos de produtos: p&atilde;o de cereais, cereais Corn Flakes, m&eacute;dia das bolachas Crackers/ &Aacute;gua e sal e bolachas Maria, e a categoria das massas.</p>     <p>Foi efetuada uma an&aacute;lise comparativa da despesa dos produtos presentes no cabaz alimentar essencial, com e sem gl&uacute;ten, no rendimento mensal familiar, utilizando-se para isso, duas fontes de informa&ccedil;&atilde;o: o rendimento m&eacute;dio l&iacute;quido mensal por tipologia de agregado familiar estabelecido pelo INE (22), ou seja, 2546 &euro; para um agregado familiar composto por dois adultos e um jovem, e o c&aacute;lculo do rendimento mensal auferido por dois adultos com o ordenado m&iacute;nimo nacional, ou seja, 485 &euro; (23).</br>     <p><b >RESULTADOS</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foram analisados 742 produtos alimentares de 129 marcas, e de 7 categorias, provenientes de 8 lojas integradas no estudo. Considerando que um mesmo produto pode estar presente em mais que uma loja, foram totalizados 970 dados relativos ao pre&ccedil;o.</p>     <p>Nas 7 categorias de produtos alimentares analisadas, os PAESG evidenciaram pre&ccedil;os mais elevados em todos os casos analisados, conforme se pode visualizar no <a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03g1.jpg">Gr&aacute;fico 1</a>.</p>     
<p>Percentualmente, as maiores diferen&ccedil;as de pre&ccedil;o dos PAESG em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;queles com gl&uacute;ten, <a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03g1.jpg">Gr&aacute;fico 1</a>, s&atilde;o observadas na categoria das massas (com pre&ccedil;os 4 vezes superiores), p&atilde;o (com pre&ccedil;os 3 vezes mais elevados) e bolachas, com diferen&ccedil;as de pre&ccedil;os que variam entre 300% e 65%.</p>     
<p>Dos 23 tipos de produtos analisados, expressos na (<a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03t1.jpg">Tabela 1</a>), as barras de cereais apresentam a maior diferen&ccedil;a de pre&ccedil;o por quilograma (20,5 &euro;) e os panados de peixe a menor (2,2 &euro;), correspondendo estes &agrave; menor diferen&ccedil;a percentual e a massa esparguete ao valor mais elevado (381%).</p>     
<p>Verifica-se, nos PAESG um aumento de pre&ccedil;o de 35% da marca de fabricante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; marca pr&oacute;pria, <a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03g2.jpg">Gr&aacute;fico 2</a>, nos produtos com gl&uacute;ten o aumento &eacute; de 126%.</p>     
<p>Os supermercados s&atilde;o o tipo de loja que apresenta valores menores no pre&ccedildo familiar considerado. Quando comparado com o or&ccedil;amento de uma fam&iacute;lia, com um rendimento equivalente a duas retribui&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas nacionais, verificamos, que representa 55%.</p>     <p>A compara&ccedil;&atilde;o dos resultados da presente recolha de dados com um estudo realizado em 2006 (24), apresentados na (;o dos PAESG, a diferen&ccedil;a entre os restantes &eacute; pouco significativa (0,60 &euro;/kg). &Eacute; tamb&eacute;m, nos supermercados que se verifica uma maior diferen&ccedil;a (107%) entre o pre&ccedil;o dos produtos com gl&uacute;ten e dos PAESG (<a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03g3.jpg">Gr&aacute;fico 3</a>).</p>     
<p>O pre&ccedil;o do cabaz alimentar essencial sem gl&uacute;ten (<a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03t2.jpg">Tabela 2</a>), representa um aumento de 26% em rela&ccedil;&atilde;o ao equivalente com gl&uacute;ten. O custo acrescido para uma fam&iacute;lia seguir a DIG para um m&ecirc;s &eacute; de 110 &euro;, e semanal por indiv&iacute;duo de 8,6 &euro;.</p>     
<p>O custo com a DIG representa 21% do rendimento m&eacute;dio l&iacute;quido para o agrega<a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03t3.jpg">Tabela 3</a>), evidencia que a diferen&ccedil;a entre pre&ccedil;os de PAESG e com gl&uacute;ten diminuiu na maioria das categorias, com exce&ccedil;&atilde;o das categorias: alimenta&ccedil;&atilde;o preparada e cereais de pequeno-almo&ccedil;o. No p&atilde;o, massas e farinha verificou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos PAESG.</p>     
<p><b >DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este trabalho pretende ser uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o acerca dos pre&ccedil;os dos PAESG, da sua discrep&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten e da despesa destes produtos enquadrada no rendimento familiar. Esta informa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser utilizada pelos portadores de doen&ccedil;a cel&iacute;aca e seus familiares, setor da restaura&ccedil;&atilde;o/ hotelaria e ind&uacute;stria alimentar, atrav&eacute;s da perce&ccedil;&atilde;o dos produtos onde est&aacute; identificada maior diferen&ccedil;a de pre&ccedil;os, como indicativo do n&iacute;vel de oferta, otimizando a gama de PAESG.</p>     <p>Os pre&ccedil;os tratados no estudo resultam de dados recolhidos por consulta online, o que permite uma uniformiza&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os m&eacute;dios relativamente &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os em Portugal Continental, n&atilde;o refletindo as varia&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o associadas a uma maior ou menor disponibilidade de PAESG, nem de promo&ccedil;&otilde;es pontuais. Das lojas estudadas duas s&atilde;o de venda online com pre&ccedil;os padronizados para todo o pa&iacute;s. Um estudo de caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma amostra de indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a cel&iacute;aca (9), indica que 14% dos inquiridos adquire PAESG atrav&eacute;s de sites portugueses.</p>     <p>Os PAESG foram analisados em 4 tipos de loja distintos, correspondentes &agrave;s principais tipologias de pontos de venda onde se encontram dispon&iacute;veis. O levantamento de dados do pre&ccedil;o dos produtos com gl&uacute;ten foi feito nos supermercados, por serem o &uacute;nico tipo de loja em que era poss&iacute;vel a recolha de igual n&uacute;mero de pre&ccedil;os, por tipo de produto, face aos produtos encontrados sem gl&uacute;ten, sem limita&ccedil;&otilde;es na oferta. Foi considerada a escolha dos alimentos com gl&uacute;ten mais e menos dispendiosos atrav&eacute;s da recolha dos pre&ccedil;os m&aacute;ximos e m&iacute;nimos. Esta abordagem possibilitou um resultado de refer&ecirc;ncia de pre&ccedil;o, por tipo de produto, dos produtos com gl&uacute;ten. No entanto, a an&aacute;lise dos dados apresentada n&atilde;o permite a compara&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a entre os PAESG e os com gl&uacute;ten, consideradas as escolhas mais e/ou menos dispendiosas por tipo de produto.</p>     <p>Conforme se demonstra no presente estudo em que o pre&ccedil;o dos&nbsp;PAESG foi mais elevado em todas as categorias de produtos analisadas, a DIG tende a ser mais dispendiosa do que a alimenta&ccedil;&atilde;o convencional, resultado em concord&acirc;ncia com estudos realizados noutros pa&iacute;ses. No Brasil, os PAESG s&atilde;o em m&eacute;dia 138% mais elevados (16). Estudos realizados nos Estados Unidos da Am&eacute;rica (15) e Reino Unido (25) aferiram que, em geral, o custo dos PAESG tende a ser 2 a 3 vezes mais elevado face ao pre&ccedil;o dos produtos regulares com gl&uacute;ten. No Canad&aacute; (7), foram comparados pre&ccedil;os de 56 PAESG com alimentos regulares das mesmas categorias e constatou-se que os PAESG eram, em m&eacute;dia, 242% mais caros que os alimentos convencionais equivalentes.</p>     <p>As maiores diferen&ccedil;as de pre&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o aos alimentos com gl&uacute;ten foram encontradas nas categorias das massas, p&atilde;o e bolachas, grupos de alimentos considerados essenciais na alimenta&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria considerando uma dieta completa, equilibrada e variada (19). As menores diferen&ccedil;as percentuais verificaram-se nas categorias da farinha, barras de cereais e alimenta&ccedil;&atilde;o preparada.</p>     <p>Na <a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03t3.jpg">Tabela 3</a>, com a compara&ccedil;&atilde;o dos resultados da presente recolha de dados com um estudo realizado em 2006 (24), verificou-se que a diferen&ccedil;a entre pre&ccedil;os de PAESG e com gl&uacute;ten diminuiu na maioria das categorias, podendo este decr&eacute;scimo ser justificado pela maior variedade de marcas e tipos de produtos sem gl&uacute;ten dispon&iacute;veis no mercado. No p&atilde;o, massas e farinha verificou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos PAESG, eventualmente, devido ao surgimento de marcas pr&oacute;prias nestas categorias de produtos.</p>     
<p>Nos tipos de produtos analisados que integram as categorias definidas, a massa esparguete foi o alimento onde se registaram maiores diferen&ccedil;as de pre&ccedil;o entre os PAESG e os com gl&uacute;ten, foi poss&iacute;vel identificar que n&atilde;o se incluiu nenhum dado relativo a este tipo de produto sem gl&uacute;ten de marca pr&oacute;pria, tal como nos outros tipos de massas analisados (espirais e macarr&atilde;o), onde se encontram as mais elevadas diferen&ccedil;as de pre&ccedil;os. Esta constata&ccedil;&atilde;o d&aacute; indica&ccedil;&atilde;o &agrave; ind&uacute;stria alimentar da oportunidade do desenvolvimento de novos PEASG integrados na categoria das massas aliment&iacute;cias, sob diversas variedades. No estudo realizado em 2006, as farinhas espec&iacute;ficas sem gl&uacute;ten apresentavam uma diferen&ccedil;a de 891% relativamente &agrave;s com gl&uacute;ten, atualmente, a farinha para bolos e para panifica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m uma diferen&ccedil;a de 42 e 142%, respetivamente. O aumento da comercializa&ccedil;&atilde;o de uma vasta gama de preparados de farinha para bolos e panifica&ccedil;&atilde;o com gl&uacute;ten (adequados &agrave;s m&aacute;quinas de p&atilde;o) a pre&ccedil;os mais elevados do que a tradicional farinha de trigo, pode representar uma causa justificativa para esta menor diferen&ccedil;a, tal como, o aumento do n&uacute;mero de marcas de fabricante e marcas pr&oacute;prias de farinhas espec&iacute;ficas sem gl&uacute;ten.</p>     <p>Verificou-se que os PAESG t&ecirc;m um menor aumento de pre&ccedil;o entre as marcas de fabricante e as marcas pr&oacute;prias (35%) do que os produtos com gl&uacute;ten (126%).</p>     <p>O custo dos PAESG por tipo de loja demonstrou ser muito semelhante nas lojas online, lojas especializadas e lojas de qualidade, sendo os supermercados a apresentar os menores pre&ccedil;os. De forma semelhante, nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, as grandes superf&iacute;cies s&atilde;o as lojas menos dispendiosas para adquirir os PAESG, seguindo-se as lojas de qualidade, lojas especializadas, e por &uacute;ltimo, as lojas online s&atilde;o as mais caras (15). Os supermercados/hipermercados constituem o principal local de aquisi&ccedil;&atilde;o de PAESG, segundo um estudo nacional, cerca de 34% dos participantes integrados na amostra afirmou comprar, com uma frequ&ecirc;ncia semanal, este tipo de produtos nas grandes superf&iacute;cies, sendo as lojas especializadas o segundo local preferencial de aquisi&ccedil;&atilde;o (9).</p>     <p>O cabaz essencial para um indiv&iacute;duo a seguir a DIG tem um acr&eacute;scimo de 8,6 &euro; semanal em rela&ccedil;&atilde;o ao equivalente com gl&uacute;ten, para um agregado familiar de 3 pessoas a seguir a DIG a despesa acresce em 110 &euro; por m&ecirc;s. Valores que v&atilde;o de encontro &agrave; estimativa feita pelos portadores de doen&ccedil;a cel&iacute;aca portugueses que assinalam aumentos na despesa semanal, que variam de 7 a 200 &euro; (9).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Reino Unido, 46% das pessoas com doen&ccedil;a cel&iacute;aca acredita que a sua alimenta&ccedil;&atilde;o era mais dispendiosa do que a alimenta&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos sem restri&ccedil;&otilde;es alimentares, estimando uma diferen&ccedil;a m&eacute;dia de 15 &euro; por semana (26). Em Espanha, uma fam&iacute;lia com um individuo com doen&ccedil;a cel&iacute;aca, com uma dieta de 2000 a 2300 quilocalorias, pode aumentar o seu gasto no cabaz de compras em 33,67 &euro;&nbsp;por semana, o que significa um acr&eacute;scimo de 134,7 &euro; m&ecirc;s (17).</p>     <p>Analisando a despesa associada ao cumprimento da DIG no or&ccedil;amento familiar de um agregado familiar constitu&iacute;do por dois adultos e um adolescente: contando com a retribui&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima nacional de dois adultos, as despesas com a alimenta&ccedil;&atilde;o sem gl&uacute;ten para toda a fam&iacute;lia representam 55% do rendimento, um acr&eacute;scimo de 12% em rela&ccedil;&atilde;o ao cabaz com gl&uacute;ten; considerando o rendimento m&eacute;dio l&iacute;quido a despesa pesa 21%.</p>     <p>Dados reportam a incid&ecirc;ncia de uma componente heredit&aacute;ria associada &agrave; DC (27,28). Verificou-se, que 11,4% das pessoas com doen&ccedil;a cel&iacute;aca, inquiridas e alvo de estudo, tinham conhecimento de familiares com a doen&ccedil;a (9). A DIG pode ser adotada por toda a fam&iacute;lia, considerando o apoio psicol&oacute;gico que representa (principalmente no caso da crian&ccedil;as e adolescentes). A probabilidade de existir mais do que um indiv&iacute;duo com doen&ccedil;a cel&iacute;aca por agregado familiar, e de forma a minimizar as contamina&ccedil;&otilde;es cruzadas na prepara&ccedil;&atilde;o e confe&ccedil;&atilde;o das refei&ccedil;&otilde;es, acresce o peso das despesas associadas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o no rendimento da fam&iacute;lia.</p>     <p>&Eacute; comum os indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a cel&iacute;aca mencionarem outras intoler&acirc;ncias alimentares, sendo a intoler&acirc;ncia &agrave; lactose a mais habitual (29). Cerca de 23% dos participantes, num estudo, referiram apresentar outras alergias/ intoler&acirc;ncias alimentares e destes 15% aludiram ter intoler&acirc;ncia &agrave; lactose (9), percentagem id&ecirc;ntica &agrave; encontrada num estudo canadiano, em que se verificou que 18% dos inquiridos apresentavam intoler&acirc;ncia &agrave; lactose (30). Para al&eacute;m do custo acrescido da DIG, nos casos de intoler&acirc;ncia &agrave; lactose, h&aacute; um acr&eacute;scimo no peso das despesas com alimenta&ccedil;&atilde;o, associado ao custo mais elevado destes alimentos em compara&ccedil;&atilde;o com os equivalentes com lactose (31). A DIG tende a incluir mais fruta, hort&iacute;colas, carne e pescado, atentando que estes alimentos s&atilde;o naturalmente isentos de gl&uacute;ten e se encontram mais dispon&iacute;veis que os PAESG (15). Indo ao encontro dos resultados encontrados aquando da caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma amostra de indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a cel&iacute;aca, em que mais de metade dos participantes considerava que a sua alimenta&ccedil;&atilde;o atual era mais saud&aacute;vel comparativamente &agrave; que realizavam antes de serem diagnosticados (9). V&aacute;rios estudos associam o consumo de fruta, hort&iacute;colas e alimentos n&atilde;o processados a aumentos no custo da dieta (32-34). No cabaz alimentar essencial (<a href ="/img/revistas/apn/n4/n4a03t2.jpg">Tabela 2</a>) podemos perceber que s&atilde;o as categorias da fruta, hort&iacute;colas, carne e peixe que t&ecirc;m os pre&ccedil;os mais elevados, contribuindo adicionalmente para aumentos nas despesas com a alimenta&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com doen&ccedil;a cel&iacute;aca.</p>     
<p>Atualmente, os portadores de DC podem inserir em sede de IRS, nas despesas de sa&uacute;de taxadas a IVA reduzido, as despesas gastas com os alimentos espec&iacute;ficos sem gl&uacute;ten (35). As pessoas com doen&ccedil;a cel&iacute;aca at&eacute; aos 24 anos, ou at&eacute; iniciarem atividade laboral podem requerer o abono complementar de defici&ecirc;ncia junto da seguran&ccedil;a social (36).</br>     <p>Um maior conhecimento por parte da sociedade portuguesa e a certeza de que a alimenta&ccedil;&atilde;o sem gl&uacute;ten &eacute; o &uacute;nico tratamento da DC, pode constituir um est&iacute;mulo &agrave; ind&uacute;stria alimentar para uma maior produ&ccedil;&atilde;o e oferta de alimentos, potencialmente a custos mais reduzidos, mas tamb&eacute;m a uma maior sensibilidade das autoridades para gerar medidas de apoio social, sobretudo nos casos de fam&iacute;lias com baixos rendimentos, considerando a fatia atribu&iacute;da &agrave;s despesas com a alimenta&ccedil;&atilde;o sem gl&uacute;ten.</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>O presente estudo demonstra que, em todas as categorias, os PAESG estudados s&atilde;o mais dispendiosos que os produtos alimentares equipar&aacute;veis com gl&uacute;ten. Os supermercados s&atilde;o a tipologia de lojas com os pre&ccedil;os dos PAESG mais baixos, associados &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o das marcas pr&oacute;prias. O custo do cabaz alimentar essencial sem gl&uacute;ten &eacute; superior em rela&ccedil;&atilde;o ao equivalente com gl&uacute;ten, representando mais de metade do or&ccedil;amento das fam&iacute;lias com 2 adultos, que auferem o ordenado m&iacute;nimo nacional. Em compara&ccedil;&atilde;o com um estudo realizado anteriormente a diferen&ccedil;a entre pre&ccedil;os de PAESG e com gl&uacute;ten diminuiu na maioria das categorias.</p>     <br>Considerando a atual situa&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica, os resultados do pre&ccedil;o da alimenta&ccedil;&atilde;o sem gl&uacute;ten podem refletir-se no cumprimento rigoroso da DIG, com consequ&ecirc;ncias cl&iacute;nicas e nutricionais, associadas ao aumento do risco de complica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b >REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b> <ol start="1">     <li>Peter HR, Freen MD, Christophe C. Celiac Disease. N Eng J Med 2007. 357: 1731-43.</li>     <li>Antunes H, Abreu I, Nogueiras A, S&aacute; C,Gon&ccedil;alves C, Cleto P, et al. Primeira determina&ccedil;&atilde;o de preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;a cel&iacute;aca numa popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Ata Med Port 2006; 19: 115-120.</li>     <li>Hill ID, Dirks MH, Liptak GS, Colletti RB, Fasano A, Guandalini S, et al . Guideline for the Diagnosis and Treatment of Celiac Disease in Children: Recommendations of the North American Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2005; 40(1): 1-19.</li>     <li>Bai JC, Fried M, Corazza GR, Schuppan D, Farthing M, Catassi C, et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines on Celiac Disease. J Clin Gastroenterol 2013 Fev; 47(2): 121-126.</li>     <li>Schuppan D, Dennis MD, Kelly CP. Celiac Disease: Epidemiology, Pathogenesis, Diagnosis, and Nutritional Management. Nutr Clin Care 2005; 8(2): 54-69.</li>     <li>REGULAMENTO (CE) N.o 41/2009 DA COMISS&Atilde;O de 20 de janeiro de 2009 relativo &agrave; composi&ccedil;&atilde;o e rotulagem dos g&eacute;neros aliment&iacute;cios adequados a pessoas com intoler&acirc;ncia ao gl&uacute;ten.</li>     <li>Sevens L, Rashid M. Gluten-free and regular foods: a cost comparison. Can J Diet Pract Res. 2008; 69(3):147-50.</li>     <li>Batista R, Carmo MF, Jorge R, Tom&aacute;s T, Cardoso M, Moreira AC, et al. Conhecimentos sobre doen&ccedil;a cel&iacute;aca e cumprimento da dieta isenta de gl&uacute;ten. APNEP. 2008 dez; II(2):97-101.</li>     <li>Martins AS. Ser Cel&iacute;aco em Portugal: Caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma amostra de cel&iacute;acos [tese de mestrado]. Porto: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa; 2012.</li>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Daniela Afonso</p>     <p>Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Cel&iacute;acos, Avenida J&uacute;lio Dinis N.&ordm;23, S/L, 1050-130 Lisboa</p>     <p><a href="mailto:daniela.afonso@celiacos.org.pt">daniela.afonso@celiacos.org.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 21 de janeiro de 2016</p>     <p>Aceite a 29 de mar&ccedil;o de 2016</p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
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<year>2007</year>
<volume>357</volume>
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