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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2017.1104</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Padrão alimentar mediterrânico e atlântico: uma abordagem às suas características-chave e efeitos na saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The study of dietary patterns captures the cumulative and interaction effect of various foods and nutrients and can be more easily interpreted by the population, thus assuming particular importance in Public Health. The Mediterranean Diet and the Atlantic Diet are dietary patterns defined by an hypothesis-oriented approach (a priori) and are representative of a particular region, such as Portugal, and its cultural and social customs, reinforced over several years. Each one has properties that give them the status of healthy diets. In terms of benefits to health, the MD and its components have been extensively associated with a lower cardiovascular risk, and also a protective effect on cancer incidence and mortality, especially breast cancer, prostate, gastric and colorectal cancer has been described. The MD also presents evidence of having a favorable role in the prevention and treatment of obesity, diabetes, inflammatory rheumatic diseases, osteoporosis and at the cognitive level. The role of the AD in health has much less evidence due to its much more recent definition, but it has already been associated with a better cardiovascular profile. The westernization of these traditional dietary patterns concerns the scientific community in general.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p>     <p><b>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Atl&acirc;ntico &ndash; uma abordagem &agrave;s suas caracter&iacute;sticas-chave e efeitos na Sa&uacute;de</b></p>     <p><b>Mediterranean and Atlantic dietary patterns &ndash; an approach to key characteristics and health effects</b></p>     <p><b>Mariana Almeida<sup>1</sup>; Andreia Oliveira<sup>1,2*</sup></b></p>     <p><sup>1&nbsp;</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Universidade Fernando Pessoa,Rua Carlos da Maia, n.&ordm; 296,4200 &ndash; 150 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>&nbsp;EPIUnit &ndash; Instituto de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade do Porto, Rua das Taipas, n.&ordm; 135, 4050-600 Porto, Portugal</p>     <p></p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo dos padr&otilde;es alimentares capta o efeito cumulativo e de intera&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios alimentos e nutrientes e podem ser mais facilmente interpretados pela popula&ccedil;&atilde;o, assumindo assim particular import&acirc;ncia em Sa&uacute;de P&uacute;blica. O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Atl&acirc;ntico s&atilde;o padr&otilde;es alimentares definidos por uma abordagem orientada por hip&oacute;teses pr&eacute;vias (a priori) e s&atilde;o representativos de uma determinada regi&atilde;o, como &eacute; o caso de Portugal, e dos seus costumes culturais e sociais, refor&ccedil;ados ao longo de v&aacute;rios anos. Cada um apresenta na sua composi&ccedil;&atilde;o propriedades que lhes conferem o estatuto de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. Em termos de efeitos ben&eacute;ficos na sa&uacute;de, o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e os seus componentes t&ecirc;m sido exaustivamente associados a um menor risco cardiovascular, conferindo tamb&eacute;m um papel protetor sobre a incid&ecirc;ncia e mortalidade por cancro, em especial cancro da mama, da pr&oacute;stata, g&aacute;strico e colorretal. O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tamb&eacute;m apresenta evid&ecirc;ncia de ter um papel favor&aacute;vel na preven&ccedil;&atilde;o e tratamento da obesidade, diabetes, doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias reum&aacute;ticas, osteoporose e a n&iacute;vel cognitivo. Em rela&ccedil;&atilde;o ao papel do Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico na sa&uacute;de, este tem muito menor evid&ecirc;ncia fruto da sua defini&ccedil;&atilde;o muito mais recente, tendo sido j&aacute; associado a melhor perfil cardiovascular. A ocidentaliza&ccedil;&atilde;o destes padr&otilde;es alimentares tradicionais preocupa a comunidade cient&iacute;fica em geral.</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Doen&ccedil;a, Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico, Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, Padr&otilde;es alimentares, Sa&uacute;de</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The study of dietary patterns captures the cumulative and interaction effect of various foods and nutrients and can be more easily interpreted by the population, thus assuming particular importance in Public Health. The Mediterranean Diet and the Atlantic Diet are dietary patterns defined by an hypothesis-oriented approach (a priori) and are representative of a particular region, such as Portugal, and its cultural and social customs, reinforced over several years. Each one has properties that give them the status of healthy diets. In terms of benefits to health, the MD and its components have been extensively associated with a lower cardiovascular risk, and also a protective effect on cancer incidence and mortality, especially breast cancer, prostate, gastric and colorectal cancer has been described. The MD also presents evidence of having a favorable role in the prevention and treatment of obesity, diabetes, inflammatory rheumatic diseases, osteoporosis and at the cognitive level. The role of the AD in health has much less evidence due to its much more recent definition, but it has already been associated with a better cardiovascular profile. The westernization of these traditional dietary patterns concerns the scientific community in general.</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Disease, Atlantic Diet, Mediterranean Diet, Dietary patterns, Health</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Os padr&otilde;es alimentares captam o efeito cumulativo e de intera&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios alimentos e nutrientes e podem ser facilmente interpretados pela popula&ccedil;&atilde;o (1), tendo assim particular import&acirc;ncia em Sa&uacute;de P&uacute;blica. Para avaliar a ades&atilde;o aos padr&otilde;es alimentares s&atilde;o mais frequentemente usados em estudos observacionais dois tipos de abordagem metodol&oacute;gica:&nbsp;a posteriori, que utiliza m&eacute;todos estat&iacute;sticos explorat&oacute;rios para identificar grupos de indiv&iacute;duos que apresentam consumos semelhantes ou alimentos/nutrientes frequentemente consumidos em conjunto e o m&eacute;todo&nbsp;a priori, que utiliza &iacute;ndices ou scores que avaliam a ades&atilde;o a recomenda&ccedil;&otilde;es nutricionais ou guias alimentares, ou a padr&otilde;es de consumo espec&iacute;ficos de uma popula&ccedil;&atilde;o (1, 2), como &eacute; o caso do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Atl&acirc;ntico. Ambos s&atilde;o o espelho de uma cultura gastron&oacute;mica ancestral e tradicional que pode ser observada, ainda hoje, nas regi&otilde;es que as adotaram como padr&atilde;o alimentar, como &eacute; o caso de Portugal.</p>     <p>O conceito de Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica espelha diferentes culturas alimentares presentes na zona do Mediterr&acirc;neo (3).&nbsp;A sua defini&ccedil;&atilde;o inclui diretrizes para o alto consumo de azeite virgem extra (principal gordura na alimenta&ccedil;&atilde;o), produtos hort&iacute;colas, fruta, cereais, leguminosas e frutos secos/gordos; o consumo moderado de peixe e outras carnes, de produtos l&aacute;cteos, de vinho tinto, de ovos e a baixa ingest&atilde;o de doces (4). Em rela&ccedil;&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico, este &eacute; definido como a dieta tradicional da regi&atilde;o da Galiza e norte de Portugal (5). A sua defini&ccedil;&atilde;o inclui o consumo elevado de peixe e crust&aacute;ceos, assim como de leguminosas, cereais, hort&iacute;colas e frutas; o consumo di&aacute;rio de produtos l&aacute;cteos; o consumo moderado a elevado de carne, especialmente carne vermelha; o azeite como principal gordura culin&aacute;ria (mas n&atilde;o como principal gordura na alimenta&ccedil;&atilde;o) e a moderada ingest&atilde;o de vinho (5, 6).</p>     <p>A contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e a defini&ccedil;&atilde;o de cada um dos padr&otilde;es ser&atilde;o descritos nesta revis&atilde;o da literatura, assim como as op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas dispon&iacute;veis para a sua defini&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o. Os efeitos na sa&uacute;de, quer do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, de forma mais extensa e fundamentada, quer do Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico ser&atilde;o explorados neste trabalho, nomeadamente a sua associa&ccedil;&atilde;o com a doen&ccedil;a e mortalidade cardiovasculares, o cancro, a obesidade, doen&ccedil;as do foro mental, entre outras patologias. Ser&atilde;o sugeridos mecanismos potenciais para esses efeitos. Por &uacute;ltimo, uma an&aacute;lise comparativa entre ambos os padr&otilde;es ser&aacute; fundamentada.</p>     <p><b>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico</b></p>     <p>Para os Gregos antigos, a Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica original era representativa do povo onde a carne era considerada uma ostenta&ccedil;&atilde;o, apenas consumida em dias festivos, e as refei&ccedil;&otilde;es baseadas em vegetais crus, queijo de cabra e frango, ocasionalmente. Por defini&ccedil;&atilde;o &eacute; um padr&atilde;o alimentar baseado nos padr&otilde;es tradicionais da ilha de Creta (Gr&eacute;cia) e Sul de It&aacute;lia mas espelha diferentes culturas alimentares presentes na zona do Mediterr&acirc;neo (3), podendo dizer-se que &eacute; muito mais que uma dieta na medida em que exibe o encontro de v&aacute;rias express&otilde;es culturais, ao n&iacute;vel do seu estilo de vida e cultura alimentar (7).</p>     <p>Nos anos 90, os padr&otilde;es alimentares dos pa&iacute;ses Mediterr&acirc;nicos come&ccedil;aram a afastar-se do padr&atilde;o originalmente descrito (8). Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tem sido sugerida uma diminui&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico nos pa&iacute;ses da regi&atilde;o (9), algo que j&aacute; havia sido&nbsp;previsto em 2005 (10). Atualmente, nos pa&iacute;ses Mediterr&acirc;nicos, assiste-se&nbsp;a uma mudan&ccedil;a do padr&atilde;o tradicional havendo diversas varia&ccedil;&otilde;es do padr&atilde;o original e uma aproxima&ccedil;&atilde;o a um padr&atilde;o alimentar mais ocidental, devido &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas urbanas e &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o do estilo de vida (9, 11). J&aacute; em 2010, o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico foi considerado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (UNESCO) como Patrim&oacute;nio Intang&iacute;vel da Humanidade sendo reconhecido como padr&atilde;o alimentar, criado e transmitido ao longo de v&aacute;rios s&eacute;culos. &Eacute; vista como uma forma &uacute;nica de usar a comida como base para a constru&ccedil;&atilde;o de uma comunidade em que tradi&ccedil;&otilde;es alimentares, como o comer em comunidade, s&atilde;o elementos de um c&oacute;digo alimentar.</p>     <p>No decorrer do ano de 2012, o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico foi inclu&iacute;do no grupo das Dietas mais Sustent&aacute;veis do Mundo pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO)(12), pelo facto de ser um padr&atilde;o de baixo impacto ambiental devido &agrave; prefer&ecirc;ncia pelo consumo de alimentos de origem vegetal, em vez de origem animal (13).</p>     <p><b>Defini&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A defini&ccedil;&atilde;o de Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica tem evolu&iacute;do e variado ao longo do tempo. Numa primeira inst&acirc;ncia foi definida com sendo uma dieta baixa em gordura saturada e rica em &oacute;leos vegetais por Ancel Keys, ap&oacute;s observa&ccedil;&otilde;es na Gr&eacute;cia e Sul de It&aacute;lia nos anos 60 (4). Uma das limita&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas de estudar a Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica s&atilde;o as diferentes defini&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o atribu&iacute;das, o que dificulta a compreens&atilde;o dos seus efeitos e benef&iacute;cios para a sa&uacute;de. A solu&ccedil;&atilde;o passar&aacute; pela formula&ccedil;&atilde;o de uma defini&ccedil;&atilde;o mais universal que combine exemplos modernos e tradicionais (4). No entanto, a comunidade cient&iacute;fica est&aacute; de acordo em duas carater&iacute;sticas: a contribui&ccedil;&atilde;o dos macronutrientes para a ingest&atilde;o cal&oacute;rica total e a qualidade da gordura ingerida. O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico privilegia o uso do azeite como principal gordura culin&aacute;ria; o maior consumo de alimentos de origem vegetal (fruta, produtos hort&iacute;colas, leguminosas e frutos gordos, como as nozes e am&ecirc;ndoas); o consumo di&aacute;rio e abundante de cereais, batatas, massa, arroz, p&atilde;o e produtos integrais; consumo de alimentos pouco processados, frescos e de &eacute;poca; consumo moderado de produtos l&aacute;cteos com baixo teor de gordura; consumo moderado de peixe e ovos; menor consumo de carne vermelha (prefer&ecirc;ncia pelas carnes magras); consumo de fruta fresca como sobremesa (doces e pastelaria ocasionalmente); consumo moderado de vinho (geralmente &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es), integrados num estilo de vida saud&aacute;vel (4, 14-16).</p>     <p>Os guias alimentares representam uma forma simplificada de transmitir informa&ccedil;&atilde;o educacional &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. As pir&acirc;mides t&ecirc;m sido consideradas uma maneira &uacute;til de exibir os princ&iacute;pios gerais do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico (4). A mais recente foi criada pela Funda&ccedil;&atilde;o da Dieta Mediterr&acirc;nica (FDM), em 2010 (14). O intuito da FDM era criar uma pir&acirc;mide adaptada ao estilo de vida mediterr&acirc;nico tendo em conta o contexto geogr&aacute;fico, socioecon&oacute;mico e cultural. Pela primeira vez, a pir&acirc;mide do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico junta conceitos como nutri&ccedil;&atilde;o, produtos amigos do ambiente, biodiversidade, produ&ccedil;&atilde;o de comida local, atividade f&iacute;sica e conv&iacute;vio familiar &agrave; mesa, com o conceito da sustentabilidade (14, 17).</p>     <p>Mais recentemente, a Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, atrav&eacute;s do seu portal do Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel, juntamente com a Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, apresenta a nova Roda da Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica, que tem como base a roda dos alimentos portugueses (18). Pela primeira vez, esta incorpora os princ&iacute;pios sobre o estilo de vida saud&aacute;vel associados ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico. Cada &aacute;rea da roda, e sua respetiva dimens&atilde;o, representa a import&acirc;ncia que cada grupo deve ter na nossa alimenta&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria. O c&iacute;rculo exterior enfatiza os alimentos mediterr&acirc;nicos de cada grupo. Ao contr&aacute;rio da pir&acirc;mide, a nova roda dos alimentos tem mais informa&ccedil;&atilde;o nutricional. Os princ&iacute;pios que a regem s&atilde;o: a prefer&ecirc;ncia por alimentos locais e da &eacute;poca; valoriza&ccedil;&atilde;o da gastronomia saud&aacute;vel; a partilha de refei&ccedil;&otilde;es e tradi&ccedil;&otilde;es; o uso de ervas arom&aacute;ticas; valorizar o consumo de frutos secos/gordos; beber vinho com modera&ccedil;&atilde;o (em caso de amamenta&ccedil;&atilde;o, o abandonar do consumo de vinho) e ter uma vida ativa.</p>     <p><u>&Iacute;ndices de ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico</u></p>     <p>Os &iacute;ndices de Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica t&ecirc;m como objetivo avaliar a ades&atilde;o a este tipo de padr&atilde;o alimentar, tendo como refer&ecirc;ncia um padr&atilde;o mediterr&acirc;nico tradicional, j&aacute; definido anteriormente. Os mais frequentemente descritos na literatura s&atilde;o: &Iacute;ndice da Dieta Mediterr&acirc;nica (DMS-2) (19); &Iacute;ndice de Qualidade da Dieta Mediterr&acirc;nica (DMQI) (20); &Iacute;ndice de Ades&atilde;o a um Padr&atilde;o de Dieta Mediterr&acirc;nica Cardioprotetor (IAPDM-C) (21); &Iacute;ndice de Adequa&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica (MAI) (22); Ades&atilde;o ao Padr&atilde;o de Dieta Mediterr&acirc;nica (23); Escala do Padr&atilde;o de estilo Mediterr&acirc;nico (24); Score de Dieta Mediterr&acirc;nica (SDM) (25); &Iacute;ndice para avaliar a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico em indiv&iacute;duos mais velhos com alto risco cardiovascular (MEDAS) (26), o Score de Ades&atilde;o &agrave; Dieta Mediterr&acirc;nica alternativo (aMed) (27) e a ferramenta PREDIMED (28).</p>     <p>O primeiro &iacute;ndice a ser proposto foi o de Trichopoulou e colaboradores, com o objetivo de avaliar a rela&ccedil;&atilde;o entre ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e a mortalidade total, bem como a mortalidade por doen&ccedil;a coron&aacute;ria (DC) e mortalidade por cancro, com ajuste para idade, sexo, &iacute;ndice de massa corporal (IMC) e n&iacute;vel de atividade f&iacute;sica (19). Esta investiga&ccedil;&atilde;o envolveu 22.043 adultos na Gr&eacute;cia, os quais preencheram um question&aacute;rio extenso acerca da frequ&ecirc;ncia alimentar. A ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tradicional foi avaliada por uma escala de 10 pontos que incorporou as carater&iacute;sticas principais desta alimenta&ccedil;&atilde;o. Na constru&ccedil;&atilde;o desta escala foram inclu&iacute;dos nove componentes: cinco considerados como integrantes de um Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico (produtos hort&iacute;colas, leguminosas, frutas e nozes, cereais e peixes) e dois considerados mais afastados deste padr&atilde;o (carne/aves e produtos l&aacute;cteos). Em rela&ccedil;&atilde;o aos alimentos integrantes, indiv&iacute;duos cujo consumo estava abaixo da mediana de consumo da popula&ccedil;&atilde;o pontuaram 0 e indiv&iacute;duos cujo consumo era igual ou superior &agrave; mediana foi atribu&iacute;do um valor de 1. Quanto aos restantes, a pontua&ccedil;&atilde;o foi invertida. Assim, a pontua&ccedil;&atilde;o total variou de 0 (ades&atilde;o m&iacute;nima &agrave; DM) a 9 (ades&atilde;o m&aacute;xima &agrave; DM), sendo que maior grau de ades&atilde;o foi relacionado com a redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade em geral (19).</p>     <p>Cada autor tenta adaptar o padr&atilde;o alimentar &agrave;s caracter&iacute;sticas da sua popula&ccedil;&atilde;o, pelo que existem descritas v&aacute;rias varia&ccedil;&otilde;es do mesmo &iacute;ndice. Esta multiplicidade metodol&oacute;gica pode dificultar a compara&ccedil;&atilde;o entre diferentes estudos, mas por outro lado revela a import&acirc;ncia e relev&acirc;ncia do tema na esfera cient&iacute;fica.</p>     <p><b>Efeitos na Sa&uacute;de</b></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tem sido extensivamente associado a&nbsp;outcomes&nbsp;em sa&uacute;de. Alguns dos seus constituintes individuais como o azeite, o peixe, a fruta, os produtos hort&iacute;colas e as leguminosas, os frutos gordos e o vinho t&ecirc;m reconhecido papel na regula&ccedil;&atilde;o dos mecanismos para o desenvolvimento de v&aacute;rias doen&ccedil;as, como a doen&ccedil;a cardiovascular (DCV), o cancro, a obesidade entre outras.</p>     <p><u>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Doen&ccedil;a Cardiovascular</u></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e os seus componentes t&ecirc;m sido associados a um menor risco de DCV por mecanismos que incluem a redu&ccedil;&atilde;o de fatores desencadeadores como a press&atilde;o arterial, os l&iacute;pidos sangu&iacute;neos, a disfun&ccedil;&atilde;o endotelial, a glicose plasm&aacute;tica, o IMC e o per&iacute;metro de cintura (29). Tamb&eacute;m parece promover o aumento da biodisponibilidade de &oacute;xido n&iacute;trico, apresentando propriedades antioxidantes e efeitos anti-inflamat&oacute;rios. O primeiro estudo de interven&ccedil;&atilde;o com o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico foi o Lyon Heart Study (30), o qual avaliou 605 indiv&iacute;duos com antecedentes de enfarte agudo do mioc&aacute;rdio aleatorizados em dois grupos de interven&ccedil;&atilde;o: um grupo a seguir o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico enriquecido com o &aacute;cido gordo alfa-linol&eacute;nico e outro grupo a seguir uma dieta controlo. Ao fim de 27 meses verificou-se uma redu&ccedil;&atilde;o na incid&ecirc;ncia de eventos coron&aacute;rios (73%) assim como na mortalidade coron&aacute;ria (70%). O estudo concluiu que o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, em preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, &eacute; uma estrat&eacute;gia n&atilde;o farmacol&oacute;gica eficaz a m&eacute;dio prazo, na diminui&ccedil;&atilde;o dos eventos coron&aacute;rios a n&iacute;vel cl&iacute;nico (30). De maneira a avaliar os efeitos a longo prazo do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico em novos eventos de DCV em mulheres e homens com elevado risco cardiovascular, foi desenvolvido o estudo PREDIMED (Preven&ccedil;&atilde;o com Dieta Mediterr&acirc;nica) (28, 31). Este &eacute; um ensaio cl&iacute;nico randomizado, de preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e interven&ccedil;&atilde;o nutricional realizado em larga escala entre 2003 e 2011 em Espanha. O&nbsp;endpoint&nbsp;final prim&aacute;rio foi a DCV incidente, e os&nbsp;endpoints&nbsp;secund&aacute;rios inclu&iacute;ram a mortalidade total, a diabetes, a s&iacute;ndrome metab&oacute;lica, a doen&ccedil;a arterial perif&eacute;rica, a fibrila&ccedil;&atilde;o atrial, as doen&ccedil;as neurodegenerativas e diferentes tipos de cancro. Os participantes foram aleatoriamente alocados a tr&ecirc;s grupos de interven&ccedil;&atilde;o: Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica suplementada com azeite virgem extra; Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica suplementada com frutos gordos e dieta controlo (conselhos sobre uma dieta com baixo teor de gordura). Este estudo mostrou que o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tradicional tem um efeito protetor para a DCV na medida em que influencia beneficamente os fatores de risco cardiovasculares emergentes (31). Observou-se uma redu&ccedil;&atilde;o em 30% do risco de DCV com o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico sendo que os resultados mostram que uma dieta rica em gorduras n&atilde;o saturadas &eacute; melhor para a sa&uacute;de cardiovascular do que uma dieta com baixo teor de gordura. Tamb&eacute;m mostrou resultados promissores em pessoas idosas com alto risco de DCV, sendo igualmente eficaz no controlo de parte do risco residual observado ap&oacute;s tratamento dos fatores de risco cardiovascular (31). Uma meta-an&aacute;lise que investigou a associa&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e o estado de sa&uacute;de mostrou que o aumento em 2 pontos na ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico determina uma redu&ccedil;&atilde;o em 10% de incid&ecirc;ncia ou morte por DCV (32).</p>     <p><u>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Cancro</u></p>     <p>V&aacute;rios estudos observacionais de coorte sugerem um papel protetor do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico sobre a incid&ecirc;ncia e mortalidade por cancro. Uma meta-an&aacute;lise de estudos de coorte prospetivos concluiu que uma maior ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico reduz em 6% a mortalidade e incid&ecirc;ncia do cancro (32). Na coorte EPIC (Investiga&ccedil;&atilde;o Prospetiva Europeia em Cancro e Nutri&ccedil;&atilde;o), foram seguidos durante 4 anos 22.000 indiv&iacute;duos e uma maior ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico relacionou-se com a redu&ccedil;&atilde;o em 24% da mortalidade por cancro (19). Nos pa&iacute;ses mediterr&acirc;nicos h&aacute; uma menor incid&ecirc;ncia de v&aacute;rios tipos de cancro, sugerindo sob uma perspetiva ecol&oacute;gica que a Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica poderia prevenir 25% dos casos de cancro colorretal, 10-15% do cancro endometrial e da pr&oacute;stata e 15-20% do cancro da mama (33).</p>     <p>O cancro da mama apresenta-se como o mais comum em mulheres de todo o mundo. O aumento dos n&iacute;veis end&oacute;genos de estrog&eacute;nio est&atilde;o associados com o aumento do risco de cancro da mama, e o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico pode baixar esses n&iacute;veis (34). Estudos mostram que a ades&atilde;o a um padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel, como o Mediterr&acirc;nico, mostra ser eficaz na diminui&ccedil;&atilde;o do risco de cancro da mama sendo importante enfatizar a import&acirc;ncia de aumentar o consumo de alimentos de origem animal e vegetal ricos em &aacute;cidos gordos polinsaturados n-3, e diminuir o consumo de alimentos ricos em n-6 (35).</p>     <p>Nos homens, o cancro da pr&oacute;stata &eacute; o 2.&ordm; mais comum a n&iacute;vel mundial e o mais comum a n&iacute;vel europeu, havendo evid&ecirc;ncia de baixa incid&ecirc;ncia e mortalidade desta doen&ccedil;a em pa&iacute;ses que adotam o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico (36). No entanto, ainda h&aacute; pouca evid&ecirc;ncia que avalie o efeito do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico na incid&ecirc;ncia do cancro da pr&oacute;stata.</p>     <p>No estudo de coorte EPIC, com o objetivo de explorar a associa&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e a incid&ecirc;ncia do adenocarcinoma g&aacute;strico, verificou-se que uma maior ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico estava associada a uma redu&ccedil;&atilde;o significativa de 33% do risco de cancro g&aacute;strico. Por cada ponto de aumento no &iacute;ndice de ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, o risco diminui 5% (37).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao cancro colorretal, um estudo conduzido em 45.275 participantes italianos do estudo EPIC, mostrou que o &iacute;ndice de Alimenta&ccedil;&atilde;o Mediterr&acirc;nica italiano associou-se inversamente com o risco de cancro (38).</p>     <p><u>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Obesidade</u></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico parece ter um papel relevante na preven&ccedil;&atilde;o da obesidade. Devido aos seus atributos e propriedades na sa&uacute;de, constitui uma ferramenta interessante e eficaz para a terapia comportamental no tratamento da obesidade (39).</p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tem sido associado com diversos&nbsp;outcomes&nbsp;relacionados com a obesidade. Revis&otilde;es sistem&aacute;ticas anteriores (40, 41), as quais examinaram resultados de diversos estudos de coorte prospetivos e transversais, assim como de ensaios cl&iacute;nicos, conclu&iacute;ram que embora nem todos os estudos mostrem um efeito protetor do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico no peso corporal e na obesidade, existe evid&ecirc;ncia que sugere um poss&iacute;vel papel protetor deste padr&atilde;o alimentar. Os efeitos anti-obesidade do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico t&ecirc;m sido frequentemente salientados na literatura (42, 43). Os seus efeitos ben&eacute;ficos devem-se sobretudo ao elevado consumo de alimentos de origem vegetal que fornecem uma grande quantidade de fibra, baixa densidade energ&eacute;tica e baixa carga glic&eacute;mica. Gorduras monoinsaturadas, em especial o azeite, tamb&eacute;m ajudam a melhorar o metabolismo da glicose, a aumentar a oxida&ccedil;&atilde;o da gordura p&oacute;s-prandial, a real&ccedil;ar a termog&eacute;nese induzida pela dieta e assim, a aumentar a despesa di&aacute;ria total de energia. Tamb&eacute;m parece ser um elemento-chave nos efeitos do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico no controlo do peso corporal (44). Outros fatores que tamb&eacute;m podem contribuir para os efeitos anti-obesidade do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico s&atilde;o os &aacute;cidos gordos polinsaturados n-3, os compostos fen&oacute;licos, a fibra e os antioxidantes da dieta, como &eacute; o caso do resveratrol (42, 43). Os &aacute;cidos gordos monoinsaturados, especialmente o oleico, est&atilde;o associados a um menor n&uacute;mero de adip&oacute;citos no tecido adiposo, sugerindo que eles podem limitar a hiperplasia em popula&ccedil;&otilde;es obesas (44).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u>Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e outras Patologias</u></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tem efeitos ben&eacute;ficos em muitas outras patologias, entre elas a osteoporose. A incid&ecirc;ncia de osteoporose &eacute; mais baixa na &aacute;rea do Mediterr&acirc;neo, algo que &eacute; maioritariamente atribu&iacute;do ao padr&atilde;o alimentar espec&iacute;fico da zona (45). As propriedades anti-inflamat&oacute;rias, antioxidantes e alcalinizantes dos seus componentes contribuem para o efeito &ldquo;poupador do osso&rdquo; (46). Alguns estudos demonstram que a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico tradicional tem sido associada a uma elevada densidade mineral &oacute;ssea e reduzido risco de fratura (45). Assim, &eacute; demonstrada uma associa&ccedil;&atilde;o entre carater&iacute;sticas-chave individuais do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e a redu&ccedil;&atilde;o da incid&ecirc;ncia da osteoporose ou ocorr&ecirc;ncia de fratura, como o consumo elevado de fruta, produtos hort&iacute;colas e azeite, o consumo moderado a alto de peixe e a ingest&atilde;o moderada de bebidas alco&oacute;licas (45).</p>     <p>Uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica e meta-an&aacute;lise de 2014 sugere que uma elevada ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico est&aacute; associada com o risco reduzido de desenvolver dano cognitivo e Doen&ccedil;a de Alzheimer (47), al&eacute;m de ajudar na redu&ccedil;&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o de dano cognitivo em Alzheimer. O mesmo estudo sugere que h&aacute; evid&ecirc;ncia do papel neuroprotetor do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, possivelmente devido &agrave;s propriedades vasculares dos seus componentes e a sua habilidade para reduzir a inflama&ccedil;&atilde;o e o stress oxidativo, tamb&eacute;m associados com a fisiopatologia das doen&ccedil;as degenerativas (47).</p>     <p>Indiv&iacute;duos com doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias reum&aacute;ticas cr&oacute;nicas podem obter uma dupla vantagem ao aderir ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico como terap&ecirc;utica: a redu&ccedil;&atilde;o dos sintomas cl&iacute;nicos e a prote&ccedil;&atilde;o do sistema cardiovascular (48). Altera&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas (hiperglicemia, redu&ccedil;&atilde;o do colesterol HDL, aumento do colesterol LDL, redu&ccedil;&atilde;o do r&aacute;cio colesterol total/HDL e triglicer&iacute;deos elevados) encontradas em doentes com doen&ccedil;as reum&aacute;ticas inflamat&oacute;rias podem contribuir para o aumento significativo do risco de morbidade e mortalidade cardiovasculares (49). O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico pode ser uma terapia auxiliar nestes indiv&iacute;duos devido ao seu efeito anti-inflamat&oacute;rio e antioxidante, que regula certos fatores metab&oacute;licos e protetores do sistema cardiovascular. O consumo independente de certos componentes deste padr&atilde;o alimentar como o peixe, hort&iacute;colas e azeite, conferem o papel protetor contra doen&ccedil;as reum&aacute;ticas (48).</p>     <p>Uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica de 2010 sugere tamb&eacute;m que uma elevada ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico est&aacute; significativamente associada a um risco reduzido de diabetes tipo 2, na popula&ccedil;&atilde;o em geral e em indiv&iacute;duos com enfarte do mioc&aacute;rdio pr&eacute;-existente (50). O mesmo artigo refere que alguns ensaios cl&iacute;nicos randomizados mostram que os indiv&iacute;duos com diabetes tipo 2 seguidores do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico t&ecirc;m, em compara&ccedil;&atilde;o com pacientes diab&eacute;ticos ap&oacute;s uma dieta controlo, um melhor controlo glic&eacute;mico (n&iacute;veis mais baixos de glicemia em jejum e hemoglobina A1c), associado &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia &agrave; insulina. Como preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria das doen&ccedil;as cardiovasculares, h&aacute; evid&ecirc;ncia de que o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico pode aumentar a esperan&ccedil;a de vida tamb&eacute;m em pacientes diab&eacute;ticos. Os resultados at&eacute; agora acumulados sugerem que a op&ccedil;&atilde;o pelo Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico pode ajudar a prevenir a diabetes tipo 2 na popula&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m melhorar o controlo glic&eacute;mico e o risco cardiovascular em pessoas com diabetes estabelecida (50).</p>     <p><b>Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico</b></p>     <p>A Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica &eacute; um conceito cuja origem adv&eacute;m da discuss&atilde;o entre diferentes Institui&ccedil;&otilde;es da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, nomeadamente o Instituto Polit&eacute;cnico de Viana do Castelo, em Portugal, a Universidade de Santiago de Compostela, a Funda&ccedil;&atilde;o Espanhola de Nutri&ccedil;&atilde;o (FEN) e a Associa&ccedil;&atilde;o Galega para o estudo da Dieta Atl&acirc;ntica (ASGAEDA), localizadas em territ&oacute;rio espanhol. O objetivo principal da discuss&atilde;o foi colocar a Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica no mapa mundial pretendendo que fosse reconhecida como um padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel. Assim, em 2003, com este mesmo objetivo e em seguimento da discuss&atilde;o ib&eacute;rica sobre a Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica, foi fundado o Centro Europeu para a Dieta Atl&acirc;ntica (CEDA), em Portugal (5). Mais recentemente, v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es, entre elas a FEN e a ASGAEDA, uniram-se em prol da cria&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o para o Estudo da Dieta Atl&acirc;ntica (51).</p>     <p>A primeira vez que se abordou o conceito da Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica foi em 1999 aquando do congresso que reuniu in&uacute;meros profissionais da &aacute;rea da Nutri&ccedil;&atilde;o, chamado &ldquo;Dec&aacute;logo Xacobeo sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o no s&eacute;culo XXI&rdquo;. A realiza&ccedil;&atilde;o deste congresso deu origem a outros eventos como as Reuni&otilde;es Internacionais de Alimenta&ccedil;&atilde;o e Nutri&ccedil;&atilde;o no s&eacute;culo XXI realizadas em Espanha, no munic&iacute;pio de Baiona, ao longo dos anos 2000 (52). No decorrer de 2006, todas as estas institui&ccedil;&otilde;es assinaram a &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Baiona sobre a Dieta Atl&acirc;ntica&rdquo; e ap&oacute;s este acordo houve v&aacute;rios congressos, semin&aacute;rios e reuni&otilde;es dedicadas &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica, entre 2003 e 2008, organizadas pela FEN (5).</p>     <p><b>Defini&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica tem as suas ra&iacute;zes no perfil alimentar de pa&iacute;ses banhados pelo Oceano Atl&acirc;ntico, especificamente os pa&iacute;ses da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, com destaque para o Noroeste de Espanha (Galiza) e o Norte de Portugal. Aquando da cria&ccedil;&atilde;o Centro Europeu de Dieta Atl&acirc;ntica, esta foi definida como a dieta tradicional de Galiza e do Norte de Portugal devido &agrave; forte ades&atilde;o a este padr&atilde;o alimentar nestas regi&otilde;es (5). Ambas as regi&otilde;es t&ecirc;m particularidades tanto a n&iacute;vel geogr&aacute;fico, como clim&aacute;tico e cultural, que levam a que os seus habitantes sigam um padr&atilde;o alimentar, pr&oacute;prio destas regi&otilde;es. A localiza&ccedil;&atilde;o destes pa&iacute;ses ao longo da costa Atl&acirc;ntica beneficia, em grande escala, a ind&uacute;stria local da pesca, e em particular do bacalhau, quer seja salgado, fresco ou seco, sendo muito comum e frequentemente consumido. Outras caracter&iacute;sticas da regi&atilde;o ajudam a explicar este Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico desde logo a precipita&ccedil;&atilde;o, que sendo muito elevada, traz benef&iacute;cios ao solo que fica favor&aacute;vel &agrave; massagem e ajuda &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, em larga escala, de toda a esp&eacute;cie de gado assim como o gado su&iacute;no. Essa jun&ccedil;&atilde;o de fatores favorece alguns dos alimentos-chave do Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico como a carne vermelha, a carne de porco e os produtos l&aacute;cteos, como o queijo e o leite. Importa referir que apesar da elevada precipita&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o regi&otilde;es muito solarengas e de temperaturas amenas que beneficiam a ind&uacute;stria vinhateira (53).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2009, a Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica &eacute; apresentada como uma alternativa saud&aacute;vel ao padr&atilde;o de Dieta Ocidental. Em sequ&ecirc;ncia, foi criada a Pir&acirc;mide da Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica (54).</p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico caracteriza-se por um maior consumo de peixe, moluscos e crust&aacute;ceos; maior consumo de leguminosas, batatas e cereais; maior consumo de hort&iacute;colas e fruta; uso de azeite como principal gordura culin&aacute;ria; consumo di&aacute;rio de produtos l&aacute;cteos; consumo moderado a alto de carne (prefer&ecirc;ncia pela carne vermelha); elevada ingest&atilde;o de &aacute;gua mineral e consumo moderado de vinho; gosto pela simplicidade na prepara&ccedil;&atilde;o de alimentos; h&aacute;bitos alimentares atl&acirc;nticos tradicionais e a realiza&ccedil;&atilde;o de atividade f&iacute;sica di&aacute;ria (5, 6).</p>     <p><u>&Iacute;ndices de ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico</u></p>     <p>Para avaliar a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico foi criado em 2010, pela primeira vez na literatura, o &iacute;ndice Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica do Sul da Europa (Southern European Atlantic Diet&nbsp;&ndash; SEAD) (6) que deriva da defini&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica e de um conjunto de decis&otilde;es dos pr&oacute;prios autores com base no receitu&aacute;rio tradicional da regi&atilde;o do Norte de Portugal e da Galiza. &Eacute; composto por 9 componentes-chave: peixe fresco; bacalhau; leguminosas e produtos hort&iacute;colas; produtos l&aacute;cteos; p&atilde;o integral; sopa de legumes; carne vermelha e produtos c&aacute;rneos de porco; batatas e vinho. Para todos os itens, exceto o vinho, um consumo maior ou igual &agrave; mediana de consumo da popula&ccedil;&atilde;o, especifica por sexo, era classificado com um ponto, e um consumo inferior era classificado com 0 pontos. Quanto ao vinho, o consumo elevado (&gt;2 copos/dia nos homens e 1 copo/dia nas mulheres) ou inferior foi classificado com 0 pontos. Ap&oacute;s a soma das pontua&ccedil;&otilde;es de todos os componentes, a pontua&ccedil;&atilde;o resultante podia variar entre 0 e 9, sendo que 9 representa uma ades&atilde;o a todos os componentes da Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica.</p>     <p>Um estudo de 2017 avaliou igualmente a ades&atilde;o &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica atrav&eacute;s de uma adapta&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice descrito anteriormente, adaptado a adolescentes, j&aacute; que o estudo pretendia estudar o seu impacto em fatores de risco cardiometab&oacute;licos em adolescentes (55). A partir do &iacute;ndice SEAD, a pontua&ccedil;&atilde;o foi adaptada tendo sido atribu&iacute;dos 0 pontos a qualquer consumo de vinho, dado que a ingest&atilde;o de etanol n&atilde;o &eacute; recomendada aos adolescentes.</p>     <p><u>Benef&iacute;cios da ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico na Sa&uacute;de</u></p>     <p>Em compara&ccedil;&atilde;o com o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, o Padr&atilde;o Atl&acirc;ntico &eacute; um conceito relativamente atual da&iacute; n&atilde;o haver tanta investiga&ccedil;&atilde;o ou evid&ecirc;ncia dos seus potenciais efeitos ben&eacute;ficos para a sa&uacute;de. Sabe-se que os seus componentes-chave t&ecirc;m um papel assumido na sa&uacute;de, destacando-se o papel dos &aacute;cidos gordos monoinsaturados provenientes do azeite, assim como os &aacute;cidos gordos polinsaturados n-3 provenientes do pescado e marisco. Tamb&eacute;m &eacute; de referir o aporte de fibra concedido pelo consumo de fruta, cereais, leguminosas e batatas, para al&eacute;m do teor proteico da carne. A presen&ccedil;a de flavon&oacute;ides, no vinho e nos produtos hort&iacute;colas, tamb&eacute;m &eacute; de real&ccedil;ar (53).</p>     <p>Em termos de benef&iacute;cios globais do padr&atilde;o alimentar, um estudo pioneiro avaliou, em 2010, a associa&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico do Sul da Europa (SEAD) e a ocorr&ecirc;ncia de enfarte e agudo do mioc&aacute;rdio (EAM) n&atilde;o fatal (6). O estudo caso-controlo foi realizado numa popula&ccedil;&atilde;o adulta da cidade do Porto, em Portugal, que sofreram o seu primeiro EAM e que sobreviveram para al&eacute;m do 4.&ordm; dia ap&oacute;s o evento coron&aacute;rio. O estudo conclui que uma maior ades&atilde;o ao padr&atilde;o SEAD associou-se de forma inversa com a ocorr&ecirc;ncia de EAM n&atilde;o fatal. Os resultados mostraram que o aumento de 1 ponto na ades&atilde;o &agrave; SEAD estava associado com a redu&ccedil;&atilde;o em 10% da probabilidade de ter EAM. Foi ainda referido que a redu&ccedil;&atilde;o do consumo de certos alimentos, como a batata, e em particular a carne vermelha e os produtos de porco (que se mostraram associados de forma positiva com o evento coron&aacute;rio), pode aumentar os efeitos ben&eacute;ficos do SEAD na doen&ccedil;a coron&aacute;ria. &Eacute; igualmente sugerido que a maioria dos componentes da SEAD podem contribuir para os baixos n&iacute;veis de mortalidade coron&aacute;ria registados na regi&atilde;o Norte de Portugal e Galiza (6).</p>     <p>Em 2013 foi publicado um estudo transversal feito pelos mesmos autores em conjunto com autores espanh&oacute;is, que quantificou a associa&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o ao padr&atilde;o SEAD e biomarcadores de risco coron&aacute;rio, como a press&atilde;o arterial e par&acirc;metros antropom&eacute;tricos, em 10.231 indiv&iacute;duos adultos espanh&oacute;is. Os resultados mostraram que uma maior ades&atilde;o ao SEAD est&aacute; associada a baixas concentra&ccedil;&otilde;es de prote&iacute;na C-reativa de alta sensibilidade, triglicer&iacute;deos e insulina, menor resist&ecirc;ncia &agrave; insulina, menor albumina urin&aacute;ria e press&atilde;o arterial sist&oacute;lica inferior (56).</p>     <p>Em 2015, o estudo GALIAT (Dieta Atl&acirc;ntica da Galiza) foi o primeiro ensaio cl&iacute;nico a analisar os efeitos da Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica na sa&uacute;de ao n&iacute;vel do perfil lip&iacute;dico, do metabolismo da glicose, dos marcadores de inflama&ccedil;&atilde;o e adiposidade num grupo de pessoas de uma cidade no noroeste de Espanha (57). O objetivo era produzir evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica que pudesse justificar a promo&ccedil;&atilde;o do Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico como uma escolha saud&aacute;vel, e permitir a sua potencial integra&ccedil;&atilde;o em estrat&eacute;gias preventivas de sa&uacute;de familiar tendo em conta o patrim&oacute;nio cultural e gastron&oacute;mico pr&oacute;prios das regi&otilde;es europeias banhadas pelo Atl&acirc;ntico. Os participantes foram alocados aleatoriamente a um grupo de dieta controlo e a um grupo interven&ccedil;&atilde;o (com um plano de ades&atilde;o &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica), por um per&iacute;odo de 6 meses. Foi apresentado um protocolo de ensaio cl&iacute;nico que envolveu uma interven&ccedil;&atilde;o diet&eacute;tica concentrada em tr&ecirc;s quest&otilde;es: o uso de um padr&atilde;o alimentar global em vez de um n&uacute;mero reduzido de alimentos, a fam&iacute;lia como a unidade de interven&ccedil;&atilde;o e uma amostra representativa da popula&ccedil;&atilde;o em geral. O estudo tamb&eacute;m envolveu uma ampla gama de fatores relacionados com a alimenta&ccedil;&atilde;o (h&aacute;bitos alimentares e consumo de alimentos), com o estilo de vida (atividade f&iacute;sica, uso de tabaco, h&aacute;bitos sedent&aacute;rios e carater&iacute;sticas socioecon&oacute;micas, de sa&uacute;de e culturais), al&eacute;m de ter avaliado uma ampla gama de biomarcadores. Verificou-se que a entrega de alimentos aos domic&iacute;lios dos indiv&iacute;duos, as sess&otilde;es educacionais, as aulas de culin&aacute;ria e o material de suporte fornecido ao grupo interven&ccedil;&atilde;o (com Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica) (aos quais o grupo da dieta controlo n&atilde;o teve acesso), podia facilitar a ades&atilde;o a este tipo de padr&atilde;o (57).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico e a sua associa&ccedil;&atilde;o com carater&iacute;sticas do m&uacute;sculo-esquel&eacute;tico, tamb&eacute;m foi estudado, assim como os efeitos dessa combina&ccedil;&atilde;o em fatores de risco cardiometab&oacute;licos em adolescentes. Estes foram avaliados ap&oacute;s soma dos valores padronizados, por sexo e idade, dos triglicer&iacute;deos, press&atilde;o arterial sist&oacute;lica, colesterol total e colesterol-HDL. Indiv&iacute;duos 1 ponto acima do desvio padr&atilde;o desta pontua&ccedil;&atilde;o foram classificados como tendo um risco cardiometab&oacute;lico elevado. Os adolescentes com baixa aptid&atilde;o muscular e baixa ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico tiveram o perfil cardiometab&oacute;lico pior, indicando a import&acirc;ncia do efeito combinado de um padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel e a for&ccedil;a muscular elevada. Foi tamb&eacute;m demonstrado que o Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico estava inversamente associado com o per&iacute;metro de cintura, a press&atilde;o arterial sist&oacute;lica e um conjunto de fatores de risco cardiometab&oacute;lico (55).</p>     <p><b>Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico e Mediterr&acirc;nico: o que os une e separa</b></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico e Mediterr&acirc;nico t&ecirc;m diversas carater&iacute;sticas em comum, mas ao mesmo tempo algumas que os diferenciam (51). Entre si, partilham o gosto pelo consumo de pescado local (mais evidente na Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica), pelo consumo de fruta fresca e da &eacute;poca, de frutos gordos, assim como de cereais pouco refinados ou integrais. S&atilde;o ambos padr&otilde;es alimentares que valorizam o consumo de produtos hort&iacute;colas e de leguminosas. Para al&eacute;m disso, repartem o mesmo gosto pelo uso de t&eacute;cnicas de confe&ccedil;&atilde;o simples aquando da elabora&ccedil;&atilde;o dos seus pratos e igualmente, o prazer de comer em fam&iacute;lia (4-6). Em termos do que as distingue, na Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica h&aacute; uma caracter&iacute;stica que sobressai, que &eacute; o elevado consumo de prote&iacute;nas de origem animal, principalmente proveniente da carne vermelha e particularmente da carne de porco (6). Tamb&eacute;m no consumo de peixe h&aacute; diferen&ccedil;as na medida em que, nos pa&iacute;ses da zona atl&acirc;ntica h&aacute; um acr&eacute;scimo do consumo de marisco e crust&aacute;ceos. A ingest&atilde;o de latic&iacute;nios e derivados tamb&eacute;m &eacute; superior na Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica (4-6, 51). Em rela&ccedil;&atilde;o ao azeite, na Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica este n&atilde;o &eacute; o principal contribuinte para a ingest&atilde;o de gordura total, assim como a fruta e os frutos gordos n&atilde;o s&atilde;o elementos chave (6).</p>     <p><b>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA/CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Atl&acirc;ntico s&atilde;o padr&otilde;es alimentares definidos&nbsp;a priori, cujo papel ben&eacute;fico para a sa&uacute;de &eacute; vastamente evidenciado em diversos estudos nacionais e internacionais, particularmente o do Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, para o qual a investiga&ccedil;&atilde;o tem sido exaustiva. Como representativas de uma determinada regi&atilde;o e dos seus costumes culturais e sociais, refor&ccedil;ados ao longo de v&aacute;rios anos, cada um apresenta na sua composi&ccedil;&atilde;o propriedades que lhes conferem o estatuto de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. Num mundo cada vez mais sedent&aacute;rio e adepto da comida r&aacute;pida e de alimentos processados, fruto da industrializa&ccedil;&atilde;o e marketing publicit&aacute;rio, &eacute; imperativo alertar para a import&acirc;ncia de adotar um estilo de vida mais saud&aacute;vel, sendo que os benef&iacute;cios para a sa&uacute;de da ades&atilde;o a certos padr&otilde;es alimentares mais tradicionais, como o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e Atl&acirc;ntico, t&ecirc;m sido demonstrados em diversos artigos e demais publica&ccedil;&otilde;es, como s&atilde;o exemplo disso, os descritos neste trabalho. No que diz respeito ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico e ao valor nutricional dos seus componentes major (peixe, fruta, hort&iacute;colas, leguminosas, frutos gordos, azeite e vinho), h&aacute; evid&ecirc;ncia do seu efeito protetor no tratamento e preven&ccedil;&atilde;o das DCV, assim como na mortalidade cardiovascular. Tamb&eacute;m se mostrou associada de forma inversa a diversos tipos de cancro, nomeadamente ao cancro colorretal, do endom&eacute;trio, da pr&oacute;stata, da mama e g&aacute;strico e a outras patologias como a diabetes, a osteoporose, a doen&ccedil;a de Alzheimer e as doen&ccedil;as reum&aacute;ticas. Quanto ao papel do Padr&atilde;o Alimentar Atl&acirc;ntico, os seus efeitos s&atilde;o maioritariamente observados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; DCV, nomeadamente na redu&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de EAM n&atilde;o fatal e a um melhor perfil cardiometab&oacute;lico, lip&iacute;dico e na diminui&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o arterial, entre outros referidos ao longo do trabalho. Contudo, importa referir que em compara&ccedil;&atilde;o com o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, o Atl&acirc;ntico necessita que as diversas entidades e institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas/privadas unam esfor&ccedil;os em prol da valida&ccedil;&atilde;o e da transi&ccedil;&atilde;o de dieta regional para uma dieta global, como j&aacute; aconteceu com o Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico. H&aacute; ainda um longo caminho a percorrer em termos de reconhecimento da Alimenta&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntica, sendo not&oacute;ria a falta de artigos e literatura acerca deste padr&atilde;o alimentar. Importa ressalvar que existem j&aacute; alguns trabalhos que mostram que em Portugal os h&aacute;bitos alimentares t&ecirc;m vindo a afastar-se destes padr&otilde;es mais tradicionais, havendo assim uma aproxima&ccedil;&atilde;o a outros padr&otilde;es de regi&otilde;es caracteristicamente diferentes. Esta &ldquo;ocidentaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos padr&otilde;es preocupa a comunidade cient&iacute;fica em geral, o que exalta ainda mais a import&acirc;ncia da globaliza&ccedil;&atilde;o de ambos os padr&otilde;es, sempre salvaguardando o seu car&aacute;cter regional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     <li>Hu FB. Dietary pattern analysis: a new direction in nutritional epidemiology. Current opinion in lipidology. 2002; 13: 3-9.</li>     <li>Schulze MB, Hoffmann K. Methodological approaches to study dietary patterns in relation to risk of coronary heart disease and stroke. British Journal of Nutrition. 2006; 95: 860-869.</li>     <li>Dernini S, Berry EM. Historical and behavioral perspectives of the Mediterranean diet. Mediterranean Diet: Springer; 2016. p. 29-41.</li>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>4200 &ndash; 150 Porto, Portugal</p> <a href="mailto:acmatos@med.up.pt">acmatos@med.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 21 de dezembro de 2017</p>     <p>Aceite a 31 de dezembro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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