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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A metodologia de Coaching aplicada às Ciências da Nutrição: usos, potencialidades e controvérsias em Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last decades, coaching has become one of the best strategies for the developement of skills. More recently, its application to the field of Nutrition Sciences has gained increasing relevance. This paper aims to present coaching as a methodology apllicable to the Nutrition Sciences, its interveners&#8217; skills, a specific model to this field, and to define the structuring concepts of the process and its evidence in Nutrition Sciences. We also intend to develop a critical view towards the use of this methodology in this context, in particular in a national perspective.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p>     <p><b>A metodologia de &nbsp;<em>Coaching</em>&nbsp; aplicada &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o: usos, potencialidades e  controv&eacute;rsias em Portugal</b></p>     <p><b>The methodology of coaching applied to the Nutrition Sciences: Uses, potentialities and controversies in Portugal</b></p>     <p><b>T&acirc;nia Magalh&atilde;es<sup>1</sup>; Lurdes Neves<sup>2</sup>; Rui Po&iacute;nhos<sup>3*</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>&nbsp;Servi&ccedil;o de Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Unidade Local de Sa&uacute;de de Matosinhos, Rua Dr. Eduardo Torres, 4464-513 Senhora da Hora, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>&nbsp;Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135 Porto, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>&nbsp;Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 Porto, Portugal</p>     <p></p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;(treino) tornou-se numa das melhores estrat&eacute;gias para o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias. Mais recentemente, a sua aplica&ccedil;&atilde;o &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o tem vindo a ganhar import&acirc;ncia. O presente artigo visa apresentar o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;enquanto metodologia aplic&aacute;vel &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o, as compet&ecirc;ncias dos seus intervenientes, um modelo espec&iacute;fico para esta &aacute;rea e definir os conceitos estruturantes do processo e a sua evid&ecirc;ncia nas Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o. Pretende-se ainda desenvolver um posicionamento cr&iacute;tico acerca da utiliza&ccedil;&atilde;o da metodologia neste contexto, particularmente numa perspetiva nacional.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o, <em>Coach</em> (Treinador), <em>Coachee</em> (Treinado/treinando), Coaching (Treino), Modelo GROW, <em>Nutrition Care Process</em></p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the last decades, coaching has become one of the best strategies for the developement of skills. More recently, its application to the field of Nutrition Sciences has gained increasing relevance. This paper aims to present coaching as a methodology apllicable to the Nutrition Sciences, its interveners&rsquo; skills, a specific model to this field, and to define the structuring concepts of the process and its evidence in Nutrition Sciences. We also intend to develop a critical view towards the use of this methodology in this context, in particular in a national perspective.</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Nutrition Sciences; Coach; Coachee; Coaching; GROW Model; Nutrition Care Process</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;estabeleceu-se como uma das melhores estrat&eacute;gias para o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias (1). O conceito refere-se a um processo planeado de aprendizagem que engloba uma orienta&ccedil;&atilde;o individual e sistem&aacute;tica, em que o&nbsp;coach&nbsp;estimula os&nbsp;coachees&nbsp;a desenvolver habilidades e compet&ecirc;ncias, com vista a melhorarem o seu desempenho de forma mais c&eacute;lere e est&aacute;vel no tempo, ajudando a estabelecer objetivos e a estruturar comportamentos adequados. Enquanto o aconselhamento se centra em experi&ecirc;ncias e sentimentos relacionados com eventos passados, o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;&eacute; orientado para o estabelecimento das metas a atingir e para a a&ccedil;&atilde;o (1, 2).</p>     <p>Ao longo deste artigo optou-se pelo uso da terminologia original (<em>coaching,&nbsp;coach</em>&nbsp;e&nbsp;<em>coachee</em>), por ser comummente aceite em Portugal e devido ao escasso uso dos termos em l&iacute;ngua portuguesa (treino, treinador e treinado/ treinando). N&atilde;o obstante, e apesar da interpreta&ccedil;&atilde;o inadequada (excessivamente restrita) usualmente feita destes, salientamos a sua equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica face aos originais, pelo que dever&aacute; ser promovido o seu uso em detrimento dos termos em ingl&ecirc;s.</p>     <p>O&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;assume um papel cada vez mais importante em diversos contextos de atua&ccedil;&atilde;o e, concretamente, na sua aplica&ccedil;&atilde;o &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o (CN), &aacute;rea em que o desenvolvimento pessoal &eacute; um elemento indispens&aacute;vel para o sucesso. Como exemplo, o n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es recuperadas da PubMed (<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed" target="_blank">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed</a>) usando as palavras-chave [(&ldquo;<em>nutrition</em>&rdquo; OR &ldquo;<em>diet</em>&rdquo;) AND &ldquo;<em>coaching</em>&rdquo;] triplicou nos &uacute;ltimos cinco anos face aos cinco anos precedentes. As abordagens comportamentais t&ecirc;m mostrado evid&ecirc;ncia da sua utilidade para melhores resultados de interven&ccedil;&otilde;es destinadas &agrave; mudan&ccedil;a de h&aacute;bitos alimentares (3). A aplica&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;&agrave;s CN visa o aumento da capacidade de reflex&atilde;o, autoconsci&ecirc;ncia e capacidade de defini&ccedil;&atilde;o de objetivos, com vista &agrave; melhoria de aspetos relacionados com a alimenta&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, e partindo da defini&ccedil;&atilde;o geral, o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;aplicado &agrave;s CN corresponde a um processo de coopera&ccedil;&atilde;o entre o profissional desta &aacute;rea e o cliente e/ou&nbsp;<em>coachee</em>, que visa definir prioridades, estabelecer metas e gerar a&ccedil;&atilde;o na concretiza&ccedil;&atilde;o de planos, atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o da autorresponsabiliza&ccedil;&atilde;o (1, 2).</p>     <p>Neste &acirc;mbito, o presente artigo tem como objetivo apresentar o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;enquanto metodologia aplic&aacute;vel &agrave;s CN, as compet&ecirc;ncias dos seus intervenientes, apresentar um modelo espec&iacute;fico para as CN, definir os conceitos estruturantes do processo e a sua evid&ecirc;ncia nas CN, bem como desenvolver uma perspetiva cr&iacute;tica acerca da utiliza&ccedil;&atilde;o da metodologia neste contexto, particularmente numa perspetiva nacional.</p>     <p><b><em>Coach&nbsp;e&nbsp;Coachee(s)</em></b></p>     <p>Importa clarificar a diferen&ccedil;a entre o conceito de&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e o de cliente, uma vez que n&atilde;o se tratam necessariamente da mesma pessoa. O&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;&eacute; a pessoa que passa pelo processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;e vivencia cada uma das etapas do mesmo ainda que este posso ter sido solicitado por um cliente que n&atilde;o vive o processo mas faz o pedido da sua realiza&ccedil;&atilde;o (a t&iacute;tulo de exemplo, o cliente pode ser um hospital que solicita que todos os utentes passem por um processo de&nbsp;<em>coaching</em>). Assim, poder&aacute; acontecer que todo o trabalho gire em torno da defini&ccedil;&atilde;o dos seus objetivos e das a&ccedil;&otilde;es desempenhadas pelo cliente para que o resultado desejado seja alcan&ccedil;ado. Ainda assim, tamb&eacute;m nestes casos &eacute; o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;quem efetivamente passa por todo o processo, pelo que os aspetos processuais e a relev&acirc;ncia de promover a autorresponsabiliza&ccedil;&atilde;o continuam a aplicar-se uma vez que &eacute; atrav&eacute;s dele que os objetivos ser&atilde;o atingidos. Quanto o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;&eacute; a mesma pessoa que o cliente &eacute; essa pessoa que solicita o processo, e atrav&eacute;s do conhecimento, das t&eacute;cnicas e ferramentas do&nbsp;coaching&nbsp;&eacute; capaz de se desenvolver em &acirc;mbito pessoal e/ou profissional, <em>conquistar</em> solu&ccedil;&otilde;es efetivas, sair do ponto A para o ponto B e assim, alcan&ccedil;ar um elevado desempenho.</p>     <p>Diversos atributos e compet&ecirc;ncias do&nbsp;<em>coach</em>&nbsp;est&atilde;o identificados como relevantes no desenvolvimento do processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;(4,5). Como aspetos gerais, e para al&eacute;m da confidencialidade e outras quest&otilde;es &eacute;ticas, s&atilde;o referenciadas a capacidade de observa&ccedil;&atilde;o e perspic&aacute;cia, a diplomacia e a capacidade de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es de confian&ccedil;a e de moderar conflitos. S&atilde;o essenciais uma atitude e linguagem positivas (focadas no que &eacute; pretendido, e n&atilde;o no que se pretende evitar), escuta ativa (interesse pela mensagem e seu emissor, levando a uma adequada compreens&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o da mensagem), questionamento, e intimidade e estabelecimento de rapport (sincronia entre os intervenientes, implicando uma conex&atilde;o com o sistema representacional do&nbsp;<em>coachee</em>). O&nbsp;<em>coach</em>&nbsp;deve <em>percepcionar</em> as preocupa&ccedil;&otilde;es do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e ajudar na planifica&ccedil;&atilde;o e estabelecimento de metas sem efetuar (pr&eacute;-)julgamentos e respeitando o quadro de refer&ecirc;ncia do&nbsp;<em>coachee</em>, os seus espa&ccedil;os de emotividade e os seus tempos. Processualmente, deve funcionar ainda como espelho do&nbsp;<em>coachee</em>, bem como ajudar a perspetivar cen&aacute;rios alternativos, projetar para a a&ccedil;&atilde;o e ser capaz de gerir o progresso, de forma diferenciada em fun&ccedil;&atilde;o dos&nbsp;<em>coachees</em>, ainda que existam perfis em que h&aacute; maior dificuldade na interven&ccedil;&atilde;o. Genericamente, e sendo o&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;um processo de aprendizagem com uma orienta&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica centrada em atividades espec&iacute;ficas e diretamente ligadas aos objetivos do&nbsp;<em>coachee</em>, s&atilde;o facilitadoras do processo compet&ecirc;ncias como a capacidade de aprendizagem e a motiva&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a. Assim sendo, os&nbsp;<em>coachees</em>&nbsp;dever&atilde;o ter capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o e de aceita&ccedil;&atilde;o de novos desafios (6).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de aprendizagem podem ser consideradas diferentes fases (2). Antes de o processo come&ccedil;ar, o indiv&iacute;duo est&aacute; num estado de &ldquo;incompet&ecirc;ncia inconsciente&rdquo;, ou seja, n&atilde;o tem ainda consci&ecirc;ncia do que n&atilde;o sabe. No estado seguinte o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;come&ccedil;a a tomar consci&ecirc;ncia do seu desconhecimento (&ldquo;incompet&ecirc;ncia consciente&rdquo;), do que resulta desconforto. Este desconforto potencia o avan&ccedil;o para fases posteriores e, em caso de perseveran&ccedil;a e investimento no processo, o n&iacute;vel que se segue ser&aacute; marcado pela ocorr&ecirc;ncia de um aumento da compet&ecirc;ncia, acompanhada pela consci&ecirc;ncia da necessidade de agir de forma diferente (&ldquo;compet&ecirc;ncia consciente&rdquo;). &Eacute; nesta fase que as novas compet&ecirc;ncias e comportamentos s&atilde;o aplicados de uma forma autoconsciente. Finalmente, e &agrave; medida que o n&iacute;vel de aprendizagem aumenta e as novas compet&ecirc;ncias se consolidam, os novos comportamentos s&atilde;o aceites pelo&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;de forma inconsciente (&ldquo;compet&ecirc;ncia inconsciente&rdquo;), sendo esta a &uacute;ltima fase da aprendizagem. Embora nesta fase o ciclo se complete, quando algu&eacute;m executa determinada tarefa durante um longo per&iacute;odo de tempo s&atilde;o por vezes adotados h&aacute;bitos disfuncionais que se tornam parte da rotina. Por esta raz&atilde;o, o modelo apresentado sugere que a aprendizagem deve ser vista como um processo cont&iacute;nuo e permanente.</p>     <p>Desta forma, o processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;permite que os&nbsp;<em>coachees</em>&nbsp;desenvolvam o seu amadurecimento pessoal, tornando-os mais capazes, uma vez que a sua capacidade de aprendizagem ser&aacute; refor&ccedil;ada, pois todos os que participam no processo ir&atilde;o mudar: da depend&ecirc;ncia para a independ&ecirc;ncia; da ignor&acirc;ncia para a compreens&atilde;o; da utiliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias de forma mais superficial para a utiliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias mais profundas e exaustivas; da previsibilidade para a aceita&ccedil;&atilde;o da ambiguidade e do risco (2).</p>     <p><b>Aplica&ccedil;&atilde;o da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;&agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o. O&nbsp;<em>Nutrition Care Process</em></b></p>     <p>Existem v&aacute;rios modelos de interven&ccedil;&atilde;o que se baseiam na metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;e/ou permitem a sua aplica&ccedil;&atilde;o, cada um fundamentado em bases te&oacute;ricas espec&iacute;ficas, de acordo com os alvos e aplica&ccedil;&otilde;es visados. O modelo GROW &eacute; um dos mais antigos e citados na literatura. Este modelo baseia-se na defini&ccedil;&atilde;o de metas e, com base na realidade atual do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e na an&aacute;lise de diferentes op&ccedil;&otilde;es, no estabelecimento de um plano de a&ccedil;&atilde;o para as atingir (7). Existem muitos outros modelos, alguns deles criados em Portugal (8).</p>     <p>O&nbsp;<em>Nutrition Care Process</em>&nbsp;(NCP), proposto em 2003 (e revisto em 2008) pela&nbsp;<em>American Dietetic Association</em>&nbsp;(ADA) (9-11), &eacute; o modelo que mais diretamente espelha a aplica&ccedil;&atilde;o da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;&agrave;s CN. Embora nos trabalhos de seguida referenciados n&atilde;o seja explicitamente estabelecida a liga&ccedil;&atilde;o com a terminologia e processos da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>, procuraremos exemplificar esta rela&ccedil;&atilde;o nos diferentes n&iacute;veis do NCP.</p>     <p>Este modelo de interven&ccedil;&atilde;o nutricional padronizado, estando mais estudado na &aacute;rea cl&iacute;nica, aplica-se a todas as &aacute;reas das CN, nomeadamente &agrave; Nutri&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria, Alimenta&ccedil;&atilde;o Coletiva e Ind&uacute;stria Alimentar. An&aacute;logo ao Modelo GROW e baseado noutros modelos de interven&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da sa&uacute;de (12), o NCP &eacute; uma ferramenta consistente, estruturada em quatro etapas distintas e interligadas, correspondendo ao processo que visa identificar problemas, definir prioridades, estabelecer metas e gerar a&ccedil;&atilde;o na concretiza&ccedil;&atilde;o de planos de foro nutricional/alimentar. Este modelo encontra-se estruturado em tr&ecirc;s an&eacute;is e um n&uacute;cleo central.</p>     <p>O anel interm&eacute;dio inclui os atributos que distinguem os profissionais de CN dos de outras &aacute;reas, incluindo conhecimentos e compet&ecirc;ncias, a pr&aacute;tica baseada na evid&ecirc;ncia, e capacidades de desenvolvimento do pensamento cr&iacute;tico, de colabora&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o (9).</p>     <p>O anel interior ilustra a din&acirc;mica do processo. A cada uma das etapas correspondem conceitos e t&eacute;cnicas espec&iacute;ficas para a sua explora&ccedil;&atilde;o: (a) Avalia&ccedil;&atilde;o: processo cont&iacute;nuo de recolha e an&aacute;lise de dados relevantes consoante a &aacute;rea espec&iacute;fica das CN em quest&atilde;o (e.g. anamnese alimentar e outras ferramentas de avalia&ccedil;&atilde;o em nutri&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica; t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o da disponibilidade e consumo alimentar &ndash; balan&ccedil;as alimentares, question&aacute;rios de frequ&ecirc;ncia alimentar &ndash; em nutri&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria; t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o de riscos em alimenta&ccedil;&atilde;o colectiva); (b) Diagn&oacute;stico: identifica&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o do problema nutricional, que dever&aacute; incluir a identifica&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es no estado do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;(&ldquo;alterado&rdquo;, &ldquo;excessivo&rdquo;, &ldquo;inadequado&rdquo;), a etiologia desse problema e os sinais observados pelo profissional e sintomas reportados pelo&nbsp;<em>coachee</em>; (c) Interven&ccedil;&atilde;o: conjunto de a&ccedil;&otilde;es planeadas com o intuito de mudar um comportamento relacionado com a alimenta&ccedil;&atilde;o, um fator de risco, uma condi&ccedil;&atilde;o ambiental que condicione o diagn&oacute;stico nutricional, a sua etiologia ou para aliviar sinais e/ou sintomas; e (d) Monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o: identifica&ccedil;&atilde;o dos progressos alcan&ccedil;ados e verifica&ccedil;&atilde;o da obten&ccedil;&atilde;o dos resultados esperados, sob a forma de a&ccedil;&otilde;es levadas a cabo pelo profissional mas tamb&eacute;m da automonitoriza&ccedil;&atilde;o pelo&nbsp;<em>coachee</em>. A automonitoriza&ccedil;&atilde;o promove a consciencializa&ccedil;&atilde;o do comportamento a adotar, envolvendo pr&aacute;ticas de auto-observa&ccedil;&atilde;o de pensamentos, emo&ccedil;&otilde;es, comportamentos alimentares, de atividade f&iacute;sica e/ou medidas de sa&uacute;de. O envolvimento no processo de automonitoriza&ccedil;&atilde;o tem-se revelado de grande import&acirc;ncia na obten&ccedil;&atilde;o de resultados (3).</p>     <p>Embora n&atilde;o inclu&iacute;dos no NCP, existem dois sistemas que se interrelacionam com as etapas deste modelo: o sistema de triagem e referencia&ccedil;&atilde;o e o sistema de gest&atilde;o de resultados. A triagem &eacute; um passo cr&iacute;tico que antecede as quatro etapas de interven&ccedil;&atilde;o. Pode n&atilde;o ser realizada por profissionais de CN, num processo de colabora&ccedil;&atilde;o interdisciplinar, e tem como objetivo identificar fatores de risco (9). O sistema de gest&atilde;o de resultados avalia a efic&aacute;cia e a efici&ecirc;ncia do processo, monitorizando o sucesso da interven&ccedil;&atilde;o, bem como identifica e analisa as causas de resultados menos favor&aacute;veis (10, 11). O objetivo central deste sistema &eacute; melhorar a qualidade do apoio prestado no futuro (9).</p>     <p>O n&uacute;cleo central do NCP ilustra a rela&ccedil;&atilde;o colaborativa entre o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e o profissional. Esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; intr&iacute;nseca a cada etapa do processo e traduz a aplica&ccedil;&atilde;o dos conceitos estruturantes de um processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;em CN. Especificamente, a rela&ccedil;&atilde;o contribui para um processo ajustado &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>coachee</em>, baseado na defini&ccedil;&atilde;o de objetivos, regulado por estrat&eacute;gias de automonitoriza&ccedil;&atilde;o, desenvolvido atrav&eacute;s de modelos de questionamento reflexivos e focado nas solu&ccedil;&otilde;es de problemas (10, 11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conceitos estruturantes do&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;e sua aplica&ccedil;&atilde;o &agrave;s Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os principais conceitos estruturantes do&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;s&atilde;o os objetivos e metas, as cren&ccedil;as e os valores. O processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;&eacute; definido com base no objetivo a alcan&ccedil;ar, tendo em considera&ccedil;&atilde;o as motiva&ccedil;&otilde;es (valores) que justificam e sustentam esse objetivo, as cren&ccedil;as a ultrapassar para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o e a defini&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es ou metas concretas.</p>     <p><b>OBJETIVOS</b></p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o de objetivos &eacute; um componente chave do NCP, apropriada aos&nbsp;<em>coachees</em>&nbsp;(indiv&iacute;duos ou grupos) que estejam preparados para a mudan&ccedil;a (3). &Eacute; com base na defini&ccedil;&atilde;o de objetivos que se tomam decis&otilde;es que ir&atilde;o orientar todo o processo (13). Para al&eacute;m do objetivo final h&aacute; a considerar os objetivos processuais/interm&eacute;dios (ou metas), relacionados com sub-etapas tra&ccedil;adas para atingir o objetivo final.</p>     <p>Os objetivos, em particular os de processo, devem ser: a) positivos e atrativos, descrevendo o que &eacute; pretendido e a evitar; b) claros e espec&iacute;ficos (se forem vagos, globais, indeterminados ou pouco espec&iacute;ficos, dificilmente ser&atilde;o alcanc&aacute;veis); c) realistas, n&atilde;o obstante deverem constituir desafios, caso contr&aacute;rio estar&aacute; comprometida a motiva&ccedil;&atilde;o; d) quantific&aacute;veis e mensur&aacute;veis, para que possam ser avaliados regularmente, devendo os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o ser previamente definidos; e) alcan&ccedil;&aacute;veis pelo pr&oacute;prio; f) situados no tempo, de modo a incentivar a a&ccedil;&atilde;o e evitar a procrastina&ccedil;&atilde;o; g) orientados para o rendimento e n&atilde;o para o resultado (o &ecirc;xito e o fracasso n&atilde;o devem apenas medir-se pela concretiza&ccedil;&atilde;o de resultados concretos, mas pelo esfor&ccedil;o e motiva&ccedil;&atilde;o desenvolvidos, devendo valorizar-se o rendimento, j&aacute; que a valia pessoal e a autoestima s&atilde;o primordiais no processo de&nbsp;<em>coaching</em>); h) respeitadores, tendo em conta vantagens obtidas pelo&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;a partir da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica; e i) ecol&oacute;gicos, respeitando simultaneamente o equil&iacute;brio interno do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e a sua rede relacional (14).</p>     <p>A efic&aacute;cia da defini&ccedil;&atilde;o de objetivos tem j&aacute; vindo a ser comprovada no &acirc;mbito das CN. A t&iacute;tulo de exemplo, h&aacute; evid&ecirc;ncia de um efeito positivo da defini&ccedil;&atilde;o de objetivos na redu&ccedil;&atilde;o do aporte lip&iacute;dico em diab&eacute;ticos (3,15). Note-se que, nesses trabalhos, a defini&ccedil;&atilde;o de objetivos foi baseada nas motiva&ccedil;&otilde;es dos&nbsp;<em>coachees</em>; ainda que a redu&ccedil;&atilde;o do aporte lip&iacute;dico possa n&atilde;o se apresentar como um objetivo central (na vis&atilde;o do profissional) em todos os diab&eacute;ticos, quando considerada uma abordagem hol&iacute;stica (inerente a todas as fases do&nbsp;<em>coaching</em>) o atingimento de metas como esta &eacute; potenciador de todo o processo.</p>     <p><b>Valores</b></p>     <p>Os valores constituem os princ&iacute;pios fundamentais intr&iacute;nsecos de cada pessoa e, constituindo o n&uacute;cleo da personalidade, desempenham importantes fun&ccedil;&otilde;es motivacionais e de unifica&ccedil;&atilde;o de comportamentos (13). Cada pessoa tem valores fundamentais que orientam a sua vida, e outros que dependem do contexto ou &acirc;mbito (por exemplo, o que &eacute; valorizado em contexto laboral pode n&atilde;o o ser no &acirc;mbito de uma rela&ccedil;&atilde;o conjugal). Em Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica, os valores estar&atilde;o sobretudo associados &agrave; sa&uacute;de e bem-estar, e na Nutri&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria esses mesmos mesmos valores associar-se-&atilde;o ao grupo ou comunidade a ser trabalhada. J&aacute; em Alimenta&ccedil;&atilde;o Coletiva, a sa&uacute;de manter-se-&aacute; como um valor, juntando-se-lhe outros, como como a honestidade, respeito, seguran&ccedil;a, integridade, trabalho de equipa, derivados das especificades contextuais da &aacute;rea (16).</p>     <p>Sendo os valores uma fonte prim&aacute;ria de motiva&ccedil;&atilde;o (pela sua liga&ccedil;&atilde;o aos conceitos de import&acirc;ncia, sentido e desejo), ao serem satisfeitos e correspondidos comportamentalmente d&atilde;o origem a satisfa&ccedil;&atilde;o, harmonia, plenitude e equil&iacute;brio, contrariamente ao que se verifica se forem contrariados. Nesse sentido, escolhas alimentares de acordo com os aspetos particulares de valoriza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e bem-estar ir&atilde;o ao encontro desse estado de satisfa&ccedil;&atilde;o e equil&iacute;brio.</p>     <p>Contrariamente &agrave; ideia de que os valores s&atilde;o definidos de forma l&oacute;gica e racional, sabe-se que a sua origem assenta predominantemente nas emo&ccedil;&otilde;es e constru&ccedil;&otilde;es sociais, o que pode gerar incongru&ecirc;ncias e conflitos. De acordo com a Teoria de Identifica&ccedil;&atilde;o de Base da Motiva&ccedil;&atilde;o, os indiv&iacute;duos cujos comportamentos n&atilde;o est&atilde;o de acordo com os seus valores de sa&uacute;de e bem-estar optam por comportamentos alimentares baseados nos valores com os quais se identificam socialmente (por exemplo em termos de sexo, classe social ou outros grupos de perten&ccedil;a) e que podem ser discordantes dos seus valores intr&iacute;nsecos (17).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os valores (tal como as cren&ccedil;as) s&atilde;o detetados atrav&eacute;s do comportamento ou da linguagem. Para identificar os valores fundamentais de uma pessoa podem ser utilizadas quest&otilde;es gen&eacute;ricas como &ldquo;O que o motiva?&rdquo;, &ldquo;O que &eacute; mais importante para si?&rdquo;, &ldquo;O que o faz levantar-se da cama de manh&atilde;?&rdquo;, ou &ldquo;O que o faz passar &agrave; a&ccedil;&atilde;o?&rdquo;.</p>     <p>Cada objetivo &eacute; gerado por um ou mais valores que se deseja satisfazer, sendo fundamental respeitar, nas a&ccedil;&otilde;es destinadas a atingi-lo, os valores que lhe est&atilde;o subjacentes (14). Nas diferentes &aacute;reas, o profissional de nutri&ccedil;&atilde;o deve evocar as raz&otilde;es do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;(indiv&iacute;duo ou grupo) para a mudan&ccedil;a e as perce&ccedil;&otilde;es sobre os motivos pelos quais pretende mudar e como o fazer. O processo &eacute; muito mais efetivo quando invoca as raz&otilde;es e ideias do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;do que quando estas s&atilde;o sugeridas pelo profissional, particularmente em&nbsp;<em>coachees</em>&nbsp;que se encontram em fase de pr&eacute;-contempla&ccedil;&atilde;o, contempla&ccedil;&atilde;o ou de prepara&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a (veja-se o Modelo Transte&oacute;rico) (18). Dessa forma o processo &eacute; desenvolvido com base na motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca, sendo por isso mais sustent&aacute;vel do que quando se baseia na motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca (16). Num estudo realizado em Portugal, identificaram-se os principais motivos externos (resultantes do aconselhamento por um profissional de sa&uacute;de, fam&iacute;lia ou amigos) e internos (identificados pelo pr&oacute;prio) desencadeadores da inten&ccedil;&atilde;o de diminui&ccedil;&atilde;o de peso: indiv&iacute;duos de ambos os sexos referiram ter sido aconselhados a diminuir peso por ter um problema de sa&uacute;de, devido ao excesso ponderal por si s&oacute;, e/ou por quest&otilde;es est&eacute;ticas; no entanto, e se os problemas de sa&uacute;de foram o motivo interno mais referido, os participantes refereriram tamb&eacute;m a insatisfa&ccedil;&atilde;o com o peso e/ou com o corpo, bem como a necessidade de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento sobre alimenta&ccedil;&atilde;o (19). Tamb&eacute;m em Portugal, um estudo que comparou um grupo de mulheres em que a interven&ccedil;&atilde;o era focada em promover formas aut&oacute;nomas de regula&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio e motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca com um programa de educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de geral (grupo de controlo) mostrou melhores resultados em termos de perda de peso e n&iacute;veis de atividade f&iacute;sica ao fim de 12 meses no grupo de interven&ccedil;&atilde;o. Estes resultados sugerem que as interven&ccedil;&otilde;es baseadas na teoria da autodetermina&ccedil;&atilde;o podem ser implementadas com sucesso no contexto da gest&atilde;o de peso, aumentando a internaliza&ccedil;&atilde;o de formas mais aut&oacute;nomas de regula&ccedil;&atilde;o comportamental (20).</p>     <p><b>Cren&ccedil;as</b></p>     <p>O&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;atua a partir de cren&ccedil;as potenciadoras, aquelas que o&nbsp;<em>coach</em>&nbsp;deve evidenciar no&nbsp;<em>coachee</em>. As principais s&atilde;o as seguintes (14): a) se quer compreender, atue: a aprendizagem deve estar centrada na a&ccedil;&atilde;o, da qual prov&ecirc;m a aprendizagem e a mudan&ccedil;a, n&atilde;o da compreens&atilde;o intelectual. Em&nbsp;<em>coaching</em>, a a&ccedil;&atilde;o consiste em avan&ccedil;ar em dire&ccedil;&atilde;o aos objetivos, viver os seus valores e p&ocirc;r &agrave; prova as suas cren&ccedil;as, tanto em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prio como aos outros; b) n&atilde;o h&aacute; fracasso, apenas aprendizagem: o fracasso constitui um ju&iacute;zo sobre os resultados a curto prazo (e, como tal, n&atilde;o definitivo), n&atilde;o sendo adequado falar em fracasso dado que uma nega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser efetivamente experimentada. S&oacute; existe fracasso em caso de desist&ecirc;ncia, mas essa &eacute; uma escolha da pessoa; c) possu&iacute;mos ou podemos criar todos os recursos de que necessitamos: n&atilde;o h&aacute; pessoas sem recursos, apenas estados mentais sem recursos; d) todo o comportamento tem um prop&oacute;sito, &eacute; direcionado para um objetivo; e) ter alguma op&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor do que n&atilde;o ter nenhuma. Se o&nbsp;<em>coach</em>&nbsp;proporcionar ao&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;uma melhor op&ccedil;&atilde;o de acordo com as suas cren&ccedil;as e valores, esta tender&aacute; a ser aceite; f) &ldquo;est&aacute; a faz&ecirc;-lo o melhor poss&iacute;vel, mas ainda pode faz&ecirc;-lo melhor&rdquo;; g) criamos a nossa pr&oacute;pria realidade. Todos temos diferentes experi&ecirc;ncias, interesses e prefer&ecirc;ncias, estados de esp&iacute;rito, compromissos e preocupa&ccedil;&otilde;es, que medeiam a forma&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as, a defini&ccedil;&atilde;o de objetivos e os valores.</p>     <p>Estas cren&ccedil;as, objetivos e valores constituem as principais caracter&iacute;sticas dos mapas mentais de cada pessoa, que, por sua vez, estruturam a forma como ela percebe o mundo. Agimos como se estes mapas fossem reais. Estes mapas tanto podem revelar-se vantajosos, proporcionando liberdade explorat&oacute;ria, como limitadores de possibilidades.</p>     <p>As cren&ccedil;as limitadoras s&atilde;o ideias ou pensamentos que formamos acerca de n&oacute;s pr&oacute;prios, dos outros e da realidade exterior, e que nos impedem de atingir os nossos objetivos e viver de uma forma equilibrada e completa. T&ecirc;m uma origem multicausal, quer ao n&iacute;vel de contextos proximais (fam&iacute;lia, escola, pares), quer de aspetos s&oacute;cio-culturais mais amplos. A t&iacute;tulo de exemplo, refletem cren&ccedil;as limitadoras comuns e gen&eacute;ricas express&otilde;es como: &ldquo;h&aacute; que trabalhar para viver&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o h&aacute; &ecirc;xito sem sofrimento&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o posso confiar em ningu&eacute;m&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o posso ganhar sem que outros percam&rdquo; ou &ldquo;n&atilde;o mere&ccedil;o isto&rdquo; (2).</p>     <p>Tal como referido para os valores, a dete&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as limitadoras faz-se sobretudo procurando a sua verbaliza&ccedil;&atilde;o, perguntando a raz&atilde;o pela qual consideram que n&atilde;o estar a conseguir alcan&ccedil;ar os objetivos. A identifica&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as permite a sua an&aacute;lise conjunta e apoio na sua corre&ccedil;&atilde;o. Este processo implica que o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;entenda que os aspetos percecionados como impedimentos para atingir os seus objetivos s&atilde;o limita&ccedil;&otilde;es autoimpostas, e n&atilde;o obst&aacute;culos inultrapass&aacute;veis criados por outros ou pelo meio envolvente (2).</p>     <p>Os tr&ecirc;s tipos de cren&ccedil;as limitadoras mais comuns s&atilde;o: (a) desespero: o objetivo desejado &eacute; considerado n&atilde;o alcan&ccedil;&aacute;vel, independentemente das capacidades da pessoa; (b) impot&ecirc;ncia: o objetivo &eacute; alcan&ccedil;&aacute;vel, mas a pessoa considera n&atilde;o ser capaz de o alcan&ccedil;ar; e (c) n&atilde;o merecimento: a pessoa, ainda que capaz de alcan&ccedil;ar o objetivo, considera que n&atilde;o o merece, por causa de algo que &eacute; ou fez (2).</p>     <p>Num estudo portugu&ecirc;s foram identificadas as cinco principais barreiras, entendidas aqui como cren&ccedil;as limitadoras, ao cumprimento de um plano alimentar para redu&ccedil;&atilde;o ponderal: &ldquo;a ansiedade e nervoso fazem com que eu coma mais&rdquo;; &ldquo;a dieta obriga-me a deixar de comer o que gosto&rdquo;; &ldquo;gosto de comer&rdquo;; &ldquo;a minha fam&iacute;lia e amigos gostam de outro tipo de comida&rdquo;; e &ldquo;gosto de comer doces&rdquo; (21). Estas ideias, gen&eacute;ricas mas j&aacute; espec&iacute;ficas para o &acirc;mbito da Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica e condicionadoras da a&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o pontos de partida interessantes no trabalho de cren&ccedil;as limitadoras. Com vista a ultrapassar estas cren&ccedil;as &eacute; necess&aacute;rio substituir os pensamentos e experi&ecirc;ncias que as sustentam por outros que impliquem sensa&ccedil;&atilde;o de capacidade e responsabilidade e sentido de valor e de perten&ccedil;a.</p>     <p>Tanto as cren&ccedil;as potenciadoras como as limitadoras se adquirem atrav&eacute;s de diversas formas de comunica&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; essencial a retroalimenta&ccedil;&atilde;o (feedback) pelas pessoas que rodeiam o indiv&iacute;duo. Consequentemente, o estabelecimento de novas rela&ccedil;&otilde;es pessoais pode ajudar a mudar as cren&ccedil;as, especialmente tratando-se de rela&ccedil;&otilde;es que ofere&ccedil;am coisas positivas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As t&eacute;cnicas de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas s&atilde;o frequentemente utilizadas de forma colaborativa com os&nbsp;<em>coachees</em>&nbsp;como forma de ultrapassar cren&ccedil;as limitadoras. Envolvem a identifica&ccedil;&atilde;o de barreiras para atingir o objetivo, recorrem a t&eacute;cnicas de&nbsp;brainstorming&nbsp;em busca de solu&ccedil;&otilde;es, pesando os pr&oacute;s e contras de potenciais solu&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias de ajuste. Alguns estudos mostram a efic&aacute;cia de interven&ccedil;&otilde;es que incorporaram estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Por exemplo, o uso destas estrat&eacute;gias favorece a manuten&ccedil;&atilde;o da perda de peso em mulheres com excesso de peso (22). Noutro trabalho, em indiv&iacute;duos com Diabetes&nbsp;<em>Mellitus</em>&nbsp;tipo 2, verificaram-se melhorias no consumo de gordura, aumento da autoefic&aacute;cia e da pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica associadas ao uso de estrat&eacute;gias de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas (23).</p>     <p><b>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA E CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>O NCP assenta no pressuposto de que a rela&ccedil;&atilde;o colaborativa entre o&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;e o profissional &eacute; intr&iacute;nseca a cada etapa do processo, traduzindo-se na aplica&ccedil;&atilde;o dos conceitos estruturantes de um processo de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;em CN. A rela&ccedil;&atilde;o estabelecida constituir&aacute;, pois, um processo ajustado &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>coachee</em>, baseado na defini&ccedil;&atilde;o de objetivos, regulado por estrat&eacute;gias de automonitoriza&ccedil;&atilde;o, desenvolvido atrav&eacute;s de modelos de questionamento reflexivos e focado na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Desta forma, as assun&ccedil;&otilde;es descritas d&atilde;o resposta &agrave;s necessidades na origem do NCP, possibilitando a mudan&ccedil;a da perce&ccedil;&atilde;o que os pr&oacute;prios profissionais da &aacute;rea das CN tinham da necessidade de orienta&ccedil;&otilde;es que guiassem a sua interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Contrariamente ao que possa ser inicialmente assumido, a padroniza&ccedil;&atilde;o de procedimentos inerente ao NCP e ao&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o implica uma padroniza&ccedil;&atilde;o dos cuidados efetivamente prestados, como promove, pela pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o quer do modelo quer da metodologia, a adapta&ccedil;&atilde;o desses procedimentos a cada situa&ccedil;&atilde;o (9). A aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias assume, pois, particular relev&acirc;ncia: conforme anteriormente exposto, e embora algumas das compet&ecirc;ncias e conceitos inerentes ao&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;possam aparentar relativa simplicidade concetual e at&eacute; mesmo ser considerados como parte do &ldquo;senso-comum&rdquo;, a efic&aacute;cia das interven&ccedil;&otilde;es baseadas nesta metodologia implica o seu aprofundamento a um n&iacute;vel de microcompet&ecirc;ncias que potenciem a referida compet&ecirc;ncia inconsciente. Assim, se o processo de &ldquo;aprendizagem&rdquo; (leia-se &ldquo;autoconhecimento&rdquo;) por parte do&nbsp;<em>coachee</em>&nbsp;assume mais vertentes do que as habitualmente consideradas nas interven&ccedil;&otilde;es e, consequentementem maior complexidade, a aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias pelo profissional n&atilde;o lhe fica atr&aacute;s. &Eacute; de salientar que a abordagem defendida pelos autores implica que essas compet&ecirc;ncias sejam direccionadas, desde o in&iacute;cio da sua promo&ccedil;&atilde;o, para a &aacute;rea em quest&atilde;o, neste caso as CN e, idealmente, para a &aacute;rea espec&iacute;fica de atua&ccedil;&atilde;o (e.g. Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica, Nutri&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria, Alimenta&ccedil;&atilde;o Coletiva).</p>     <p>J&aacute; aquando da descri&ccedil;&atilde;o do NCP em 2003 (9) a ADA salientava a relev&acirc;ncia da sua transposi&ccedil;&atilde;o para o meio acad&eacute;mico, atrav&eacute;s da inclus&atilde;o dos seus passos e conceitos e compet&ecirc;ncias inerentes nos curr&iacute;culos. No caso concreto de Portugal, as CN apresentam j&aacute; uma elevada maturidade e autonomia face a &aacute;reas afins: salientem-se as quatro d&eacute;cadas passadas desde a cria&ccedil;&atilde;o do curso de Nutricionismo na Universidade do Porto e a atual exist&ecirc;ncia de uma ordem profissional que regula as profissi&otilde;es de nutricionista e dietista. Isto faz com que estejam reunidas condi&ccedil;&otilde;es para que, gradualmente, seja feita a integra&ccedil;&atilde;o destes aspetos nos programas de unidades curriculares que permitam a sua posterior utiliza&ccedil;&atilde;o nas diferentes &aacute;reas das CN. Encontrando-se j&aacute; definidas as compet&ecirc;ncias b&aacute;sicas implicadas na metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;e no NCP, a distribui&ccedil;&atilde;o destas por unidades curriculares e/ou &aacute;reas de forma&ccedil;&atilde;o, bem como a eventual necessidade de faseamento das altera&ccedil;&otilde;es a implementar, dever&aacute; ser estudada por uma equipa conjunta de diferentes institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior que lecionem cursos da &aacute;rea das CN. Salienta-se a relev&acirc;ncia de que este processo n&atilde;o seja centrado na forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea cl&iacute;nica, mas antes se distribua pelas diferentes &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o dentro das CN. A Ordem dos Nutricionistas poder&aacute;, neste aspeto, assumir um importante papel regulador. Nos Estados Unidos, desde 2006 que 40% do exame para acesso &agrave; profiss&atilde;o de nutricionista/dietista consiste nos passos do NCP (24).</p>     <p>Conforme referido, h&aacute; evid&ecirc;ncia de vantagens associadas a diversas componentes e t&eacute;cnicas utilizadas na metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>, nomeadamente quando aplicado &agrave;s CN. No entanto, e apesar de duas revis&otilde;es sistem&aacute;ticas sustentarem a efic&aacute;cia desta metodologia, os mesmos trabalhos salientam a necessidade de mais estudos experimentais que avaliem a sua efic&aacute;cia em v&aacute;rias fases do processo (atrav&eacute;s da inclus&atilde;o de vari&aacute;veis processuais como resultados) e com uma descri&ccedil;&atilde;o clara das interven&ccedil;&otilde;es realizadas (25, 26). Esta necessidade parece estar a ser alvo de aten&ccedil;&atilde;o, sendo que trabalhos atualmente em curso poder&atilde;o contribuir para aumentar o n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia quanto ao uso da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;em contextos espec&iacute;ficos de aplica&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das CN (e.g. 27).</p>     <p>Para al&eacute;m dos aspectos procedimentais, tamb&eacute;m a uniformiza&ccedil;&atilde;o da terminologia utilizada deve ser alvo de aten&ccedil;&atilde;o. Considerando que apenas a partir de 2008 (11) foi feito o primeiro ensaio de padroniza&ccedil;&atilde;o da terminologia utilizada no &acirc;mbito do NCP, &eacute; contudo de salientar, a imperatividade de uma atualiza&ccedil;&atilde;o do mesmo ao longo dos pr&oacute;ximos anos. A isto acresce a necessidade de uma adequada tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o desses termos para l&iacute;ngua portuguesa, considerando, entre outros, aspectos particulares da forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica de nutricionistas e dietistas no nosso pa&iacute;s e, no que concerne &agrave; &aacute;rea da Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica, tamb&eacute;m dos pr&oacute;prios servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Esta uniformiza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica ser&aacute; fundamental para uma adequada aplica&ccedil;&atilde;o da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>, que assegure a comunica&ccedil;&atilde;o eficaz entre diferentes profissionais de sa&uacute;de. Face ao estado atual da metodologia de&nbsp;<em>coaching</em>&nbsp;aplicado &agrave;s CN em Portugal, estes passos ter&atilde;o de ser dados cautelosamente, integrando profissionais de diferentes &aacute;reas (nomeadamente da Psicologia, &aacute;rea central a esta metodologia) e de diferentes contextos (nomeadamente acad&eacute;mico, cl&iacute;nico e de outras &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Ser&aacute; fundamental como guia-mestra a constru&ccedil;&atilde;o de um referencial te&oacute;rico baseado em evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, que se oponha (e sobreponha) a abordagens sem evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica suficiente. O presente artigo visa precisamente promover e estruturar essa constru&ccedil;&atilde;o, baseada na evid&ecirc;ncia e considerando o atual estado em que se encontra a aplica&ccedil;&atilde;o da metodologia no nosso pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<li>Writing Group of the Nutrition Care Process/ Standardized Language Committee. Nutrition care process part II: Using the International Dietetics and Nutrition Terminology to document the nutrition care process. J Am Diet Assoc. 2008;108:1287-93.</li>     <li>Passmore J (editor). Excellence in coaching: The industry guide. 3rd ed. London: Kogan Page. 2016.</li>     <li>Zeus P, Skiffington S. Gu&iacute;a completa de coaching en el trabajo. Madrid: McGrawHill. 2002.</li>     <li>Lajes A, O&rsquo;Connor J. Coaching com PNL. O guia pr&aacute;tico para alcan&ccedil;ar o melhor em voc&ecirc; e em outros. Rio de Janeiro: Qualitymark. 2004.</li>     <li>Clark M, Hampson SE, Avery L, Simpson R. Effects of a tailored lifestyle self-management intervention in patients with type 2 diabetes. Br J Health Psychol. 2004;9:365-79.</li>     <li>Kellogg M. Counseling tips for nutrition therapists. Philadelphia: KG Press. 2006.</li>     <li>Oyserman D, Smith GC, Elmore K. Identity-based motivation: Implications for health and health disparities. J Soc Issues. 2014;70:206-25.</li>     <li>Spencer L, Wharton C, Moyle S, Adams T. The transtheoretical model as applied to dietary behaviour and outcomes. Nutr Res Rev. 2007;20:46-73.</li>     <li>Vieira PN, Teixeira P, Sardinha LB, Santos T, Coutinho S, Mata J, et al. Sucesso na manuten&ccedil;&atilde;o do peso perdido em Portugal: O Registo Nacional de Controlo do Peso. Cienc Saude Coletiva. 2014;19:83-92.</li>     <li>Teixeira PJ, Pereira HV, Silva MN, Carra&ccedil;a EV, Santos I, Vieira PN, et al. O Programa P.E.S.O.: Descri&ccedil;&atilde;o dos resultados principais. Rev Fact Risco. 2014;34:68-80.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Correia F, Pinh&atilde;o S, Po&iacute;nhos R, de Oliveira BMPM, de Almeida MDV, Medina JL, et al. Obstacles in dietary treatment of obesity. Obes Metab. 2009;5:107-13.</li>     <li>Perri MG, Nezu Am, McKelvey WF, Shermer RL, Renjilian DA, Viegener BJ. Relapse prevention training and problem-solving therapy in the long-term management of obesity. J Consult Clin Psychol. 2001;69:722-6.</li>     <li>Glasgow RE, Toobert DJ, Barrera M, Strycker LA. Assessment of problem-solving: A key to successful diabetes self-management. J Behav Med. 2004;27:477-90.</li>     <li>Commission on Dietetic Registration. Registration Examination for Dietitians (consultado em 11 de outubro de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.cdrnet.org/certifications/registration-examination-for-dietitians" target="_blank">https://www.cdrnet.org/certifications/registration-examination-for-dietitians</a>.</li>     <li>Hill B, Richardson B, Skouteris H. Do we know how to design effective health coaching interventions: A systematic review of the state of the literature. Am J Health Promot. 2015;29:e158-68.</li>     <li>Plotnikoff R, Collins CE, Williams R, Germov J, Callister R. Effectiveness of interventions targeting health behaviors in university and college staff: A systematic review. Am J Health Promot. 2015;29:e169-87.</li>     <li>Wagner KA, Braun E, Armah SM, Horan D, Smith LG, Pike J, et al. Dietary intervention for glucose tolerance in teens (DIG IT): Protocol of a randomized controlled trial using health coaching to prevent youth-onset type 2 diabetes. Contemp Clin Trials. 2017;53:171-7.</li>     </ol>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Rui Po&iacute;nhos</p>     <p>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto,</p>     <p>Rua Dr. Roberto Frias,</p>     <p>4200-465 Porto, Portugal</p> <a href="mailto:ruipoinhos@fcna.up.pt">ruipoinhos@fcna.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 30 de outubro de 2017</p>     <p>Aceite a 20 de mar&ccedil;o de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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