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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O paradoxo insegurança alimentar e obesidade: uma revisão da realidade portuguesa e dos mecanismos associados]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Food insecurity exists when people don&#8217;t have adequate physical, social or economic access to food. Scientific evidence shows that Food insecurity and obesity are significantly associated. Objectives: Contextualize this paradox in the Portuguese Population and evaluate the mechanisms associated to it. Methodology: A narrative review of the best scientific evidence was carried with data from the last 10 years using the defined keywords according to PRISMA standards and to a snowball approach, by choosing scientific papers, official working reports and books directed to the Portuguese Population. Results: The recent economic crisis has triggered social disparities. The most vulnerable groups to Food insecurity in Portugal are women, unemployed or employed in precarious conditions, single parents, big families and low educational level. Food insecurity is associated with chronic diseases, such as obesity, dyslipidemia, type 2 diabetes and hypertension, due to an unbalanced diet, rich in high density and micronutrient deficient food products, and a sedentary lifestyle. Conclusions: In order to prevent and deal with this paradox, it is important to implement monitoring programs in primary health care and schools, and apply strategies at a local level to promote an adequate and timely intervention.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doenças crónicas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p>     <p><b>O paradoxo inseguran&#231;a alimentar e obesidade: uma revis&atilde;o da realidade portuguesa e dos mecanismos associados</b></p>     <p><b>The Food Insecurity And Obesity Paradox: A Review Of The Portuguese Reality And The Associated Mechanisms</b></p>     <p><b>Carla Campos Correia<sup>1*</sup>; Ana Baltazar Santos<sup>2</sup>; Jos&eacute; Camolas<sup>1,3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>&nbsp;Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Avenida Professor Egas Moniz MB, 1649-028 Lisboa, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>&nbsp;Escola Superior de Tecnologia da Sa&uacute;de de Coimbra, Rua 5 de Outubro, 3046-854 Coimbra, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>&nbsp;Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, E.P.E., Avenida Professor Egas Moniz,1649-035 Lisboa, Portugal</p>     <p></p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o:&nbsp;Inseguran&ccedil;a alimentar &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o em que o acesso f&iacute;sico, social e econ&oacute;mico do consumidor a alimentos adequados sob o ponto de vista nutricional &eacute; escasso ou inexistente. Apesar de o senso comum ditar o contr&aacute;rio, a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica tem mostrado que a obesidade e a Inseguran&ccedil;a alimentar est&atilde;o significativamente associadas.</p>     <p>Objetivos:&nbsp;Contextualizar este paradoxo na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa e abordar os mecanismos associados.</p>     <p>Metodologia:&nbsp;Foi feita uma revis&atilde;o narrativa da melhor evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica publicada nos &uacute;ltimos 10 anos com as palavras-chave definidas, segundo as normas PRISMA e em&nbsp;snowball, inserindo artigos cient&iacute;ficos, documentos oficiais e livros aplicados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa.</p>     <p>Resultados:&nbsp;A crise econ&oacute;mica sentida nos &uacute;ltimos anos despoletou disparidades sociais. Os grupos mais vulner&aacute;veis &agrave; Inseguran&ccedil;a alimentar em Portugal s&atilde;o as mulheres, desempregados ou empregados em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, fam&iacute;lias monoparentais, fam&iacute;lias numerosas e com baixo n&iacute;vel de escolaridade. V&aacute;rios estudos associam a Inseguran&ccedil;a alimentar a doen&ccedil;as cr&oacute;nicas como obesidade, dislipid&eacute;mia, diabetes&nbsp;Mellitus&nbsp;tipo 2 e hipertens&atilde;o arterial, devido a uma alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada, rica em produtos alimentares de elevada densidade energ&eacute;tica e pobre em micronutrientes, e ao sedentarismo.</p>     <p>Conclus&otilde;es:&nbsp;A preven&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o deste problema deve passar pela implementa&ccedil;&atilde;o de programas de monitoriza&ccedil;&atilde;o nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e nas escolas, e aplicar estrat&eacute;gias a n&iacute;vel local para que se possa intervir de uma forma adequada e atempada.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, Inseguran&ccedil;a alimentar, Obesidade/Excesso de peso, Programas de assist&ecirc;ncia alimentar</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Introduction:&nbsp;Food insecurity exists when people don&rsquo;t have adequate physical, social or economic access to food. Scientific evidence shows that Food insecurity and obesity are significantly associated.</p>     <p>Objectives:&nbsp;Contextualize this paradox in the Portuguese Population and evaluate the mechanisms associated to it.</p>     <p>Methodology:&nbsp;A narrative review of the best scientific evidence was carried with data from the last 10 years using the defined keywords according to PRISMA standards and to a snowball approach, by choosing scientific papers, official working reports and books directed to the Portuguese Population.</p>     <p>Results:&nbsp;The recent economic crisis has triggered social disparities. The most vulnerable groups to Food insecurity in Portugal are women, unemployed or employed in precarious conditions, single parents, big families and low educational level. Food insecurity is associated with chronic diseases, such as obesity, dyslipidemia, type 2 diabetes and hypertension, due to an unbalanced diet, rich in high density and micronutrient deficient food products, and a sedentary lifestyle.</p>     <p>Conclusions:&nbsp;In order to prevent and deal with this paradox, it is important to implement monitoring programs in primary health care and schools, and apply strategies at a local level to promote an adequate and timely intervention.</p>     <p><b>Keywords</b></p>     <p>Chronic diseases, Food insecurity, Obesity/Overweight, Food assistance programs</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A obesidade &eacute; uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica fruto de um balan&ccedil;o energ&eacute;tico positivo, em que ocorre uma acumula&ccedil;&atilde;o anormal ou excessiva de tecido adiposo que pode comprometer a sa&uacute;de do indiv&iacute;duo (1). O aumento do processamento de alimentos e a consequente ingest&atilde;o de produtos de elevada densidade energ&eacute;tica, ricos em gordura, a&ccedil;&uacute;car e sal, associada &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de atividade f&iacute;sica fruto do sedentarismo nas atividades laborais, no transporte e em casa, s&atilde;o os grandes respons&aacute;veis por este desequil&iacute;brio energ&eacute;tico (2, 3).</p>     <p>O excesso de peso constitui&nbsp;per se&nbsp;um fator de risco para o desenvolvimento de problemas de sa&uacute;de a n&iacute;vel metab&oacute;lico (cancro, osteoporose, insulinorresist&ecirc;ncia, diabetes&nbsp;Mellitus&nbsp;tipo 2 (DM2), c&aacute;lculos biliares, dislipid&eacute;mia, hipertens&atilde;o arterial (HTA), doen&ccedil;as cardiovasculares e dist&uacute;rbios&nbsp;digestivos), mec&acirc;nico (doen&ccedil;as osteoarticulares e respirat&oacute;rias) e psicossocial (baixa autoestima, depress&atilde;o, ansiedade, perturba&ccedil;&otilde;es do comportamento alimentar (PCA), isolamento social) (1, 2, 4). A obesidade abdominal, resultado da acumula&ccedil;&atilde;o de gordura a n&iacute;vel visceral, est&aacute; associada independentemente &agrave; DM2, doen&ccedil;a cardiovascular, HTA, cancro e morte prematura (1, 2, 4). Estas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas s&atilde;o mais prevalentes em indiv&iacute;duos provenientes de grupos mais vulner&aacute;veis que sofrem de inseguran&ccedil;a alimentar (IA) (3, 5&ndash;11).</p>     <p>A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura (FAO) definiu IA como uma situa&ccedil;&atilde;o em que o acesso f&iacute;sico, social e econ&oacute;mico do consumidor a alimentos adequados sob o ponto de vista nutricional &eacute; escasso ou inexistente (12, 13). Distingue-se do conceito de fome, que consiste numa sensa&ccedil;&atilde;o dolorosa causada pela falta recorrente e involunt&aacute;ria de alimentos, que se traduz num incumprimento das necessidades energ&eacute;ticas di&aacute;rias, consequ&ecirc;ncia de n&iacute;veis graves de IA (12, 13).</p>     <p>Pretende-se nesta revis&atilde;o contextualizar o paradoxo IA e obesidade na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, abordando os mecanismos associados.</p>     <p><b>METODOLOGIA</b></p>     <p>Foi elaborada uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica da melhor evid&ecirc;ncia entre os meses de junho de 2017 e agosto de 2017, reunindo artigos dos &uacute;ltimos dez anos seguindo as normas PRISMA, pesquisados na base de dados Pubmed, em portugu&ecirc;s e em ingl&ecirc;s. Dos 2122 artigos encontrados com as palavras-chave no t&iacute;tulo e no resumo, foram selecionados 145 ap&oacute;s a an&aacute;lise do t&iacute;tulo e, ap&oacute;s a leitura do resumo, restaram 49 artigos que foram sujeitos a uma an&aacute;lise do texto integral e inclu&iacute;dos nesta revis&atilde;o. Foram analisados artigos de revis&atilde;o e originais, e foram exclu&iacute;dos artigos cuja amostra era constitu&iacute;da apenas por crian&ccedil;as e por indiv&iacute;duos de pa&iacute;ses em desenvolvimento.</p>     <p>Devido &agrave; insufici&ecirc;ncia de artigos cient&iacute;ficos sobre a realidade portuguesa na base de dados Pubmed, foi tamb&eacute;m realizada uma pesquisa manual, incluindo refer&ecirc;ncias secund&aacute;rias em&nbsp;snowball, em revistas portuguesas (Revista Nutr&iacute;cias e Acta Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o) e sites oficiais (Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), FAO, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (DGS), Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel (PNPAS), Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, Reposit&oacute;rio Cient&iacute;fico de Acesso Aberto em Portugal) de documentos oficiais, teses e livros atuais aplicados ao nosso pa&iacute;s.</p>     <p><b>A inseguran&ccedil;a alimentar em portugal e na uni&atilde;o europeia</b></p>     <p>Desde 1986, a Comiss&atilde;o Europeia implementou pol&iacute;ticas de a&ccedil;&atilde;o social para assist&ecirc;ncia n&atilde;o financeira a pessoas carenciadas: o Programa Comunit&aacute;rio de Ajuda Alimentar a Carenciados, que foi substitu&iacute;do em 2014 pelo Fundo Europeu de Aux&iacute;lio &agrave;s Pessoas Mais Carenciadas (FEAC) (14&ndash;16). A implementa&ccedil;&atilde;o do FEAC veio relevar a necessidade de avaliar e adequar a oferta alimentar dos programas de distribui&ccedil;&atilde;o alimentar, contribuindo para garantir a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional destes indiv&iacute;duos e agregados familiares (15, 16).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A crise econ&oacute;mica sentida nos &uacute;ltimos anos agravou as desigualdades sociais e o risco de pobreza, consequentes dos aumentos nos impostos, do desemprego e das redu&ccedil;&otilde;es salariais, pelo que a IA tornou-se uma preocupa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es europeias e, consequentemente, do Governo portugu&ecirc;s (14). Em 2014 e 2015, a OMS e a ONU relembraram o direito humano a uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada e suficiente com a publica&ccedil;&atilde;o dos seus relat&oacute;rios que promovem que todos os cidad&atilde;os devem ter acesso a alimentos nutricionalmente adequados em quantidade suficiente, independentemente do g&eacute;nero ou do n&iacute;vel socioecon&oacute;mico (17, 18).</p>     <p>Desde 2011, com as consequ&ecirc;ncias da crise em Portugal, a DGS tem procurado elaborar e adaptar indicadores para avaliar e monitorizar a IA (14, 19). O PNPAS (20), um dos programas priorit&aacute;rios da DGS, foi criado em 2012, baseado nas diretrizes da OMS, e tem como um dos principais focos a erradica&ccedil;&atilde;o da IA em Portugal (14, 18, 20).</p>     <p>O estudo INFOFAM&Iacute;LIA (21) foi pioneiro na avalia&ccedil;&atilde;o da IA em Portugal, inquirindo agregados familiares que frequentavam o Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS) durante o per&iacute;odo de crise econ&oacute;mica entre 2011 e 2014, com os objetivos finais de capacitar os cidad&atilde;os para efetuarem melhores escolhas alimentares com menos custos associados, e os profissionais de sa&uacute;de para detetarem situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade social.</p>     <p>Antes deste estudo, apenas dois tinham avaliado a preval&ecirc;ncia de IA em Portugal, obtendo valores muito d&iacute;spares, resultado de diferentes abordagens metodol&oacute;gicas com diferentes m&eacute;todos de amostragem e instrumentos utilizados, e de contextos socioecon&oacute;mico e pol&iacute;tico distintos: em 2003, o Instituto Nacional de Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge estimou a preval&ecirc;ncia de IA em 8,1%, e, em 2007, 16,5% foi a preval&ecirc;ncia determinada pelos dados do 4.&ordm; Inqu&eacute;rito Nacional de Sa&uacute;de 2005-2006 (22&ndash;24). Este &uacute;ltimo identificou tamb&eacute;m uma preval&ecirc;ncia de IA superior em mulheres, fumadores, jovens, desempregados, indiv&iacute;duos com baixo n&iacute;vel de escolaridade e com baixos rendimentos familiares (23).</p>     <p>Para o INFOFAM&Iacute;LIA, foi desenvolvida e aplicada uma proposta metodol&oacute;gica para avaliar a IA validada para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (22, 25), resultado de uma adapta&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Escala Brasileira de Inseguran&ccedil;a Alimentar&rdquo; (26) que foi baseada no question&aacute;rio original americano (13, 27). Avaliar o grau de IA e os respetivos fatores associados proporciona um melhor planeamento dos cuidados de sa&uacute;de a n&iacute;vel local (13, 21, 25).</p>     <p>As escalas psicom&eacute;tricas s&atilde;o m&eacute;todos de avalia&ccedil;&atilde;o simples, pr&aacute;ticos, de f&aacute;cil aplica&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o e com boa rela&ccedil;&atilde;o custo-efetividade (14, 21, 25). Este tipo de escalas &eacute; amplamente utilizado em estudos a n&iacute;vel mundial (13) e permite classificar o indiv&iacute;duo com seguran&ccedil;a alimentar, IA leve, IA moderada ou IA grave (25). A principal desvantagem do uso deste m&eacute;todo centra-se na subjetividade inerente ao autopreenchimento, resultado da perce&ccedil;&atilde;o individual do risco de IA (25).</p>     <p>O INFOFAM&Iacute;LIA concluiu que, entre 2011 e 2014, cerca de 48,7% dos&nbsp;inquiridos sofreu de algum tipo de IA (28,2% ligeira, 9,6% moderada e 10,9% grave), sendo o ano de 2014 o que registou uma menor preval&ecirc;ncia (45,8%), depois de um crescendo entre 2011 e 2013 (21). O ano de 2012 foi percecionado como o mais dif&iacute;cil, com maior preval&ecirc;ncia de IA grave (8,8%) (21, 28). Os determinantes socioecon&oacute;micos e demogr&aacute;ficos associados &agrave; IA foram as habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, a situa&ccedil;&atilde;o profissional e o n&uacute;mero de elementos do agregado familiar (21). A regi&atilde;o Centro foi a mais protegida durante o per&iacute;odo estudado, devido, provavelmente, &agrave; baixa preval&ecirc;ncia de fam&iacute;lias monoparentais e de cidad&atilde;os estrangeiros (21, 22, 28). Verificou-se ainda que os n&iacute;veis de IA mantiveram-se constantes ao longo do tempo, com maior preval&ecirc;ncia nas regi&otilde;es do Algarve e de Lisboa e Vale do Tejo, e os agregados familiares identificados com maior risco eram fam&iacute;lias numerosas, apresentavam menor n&iacute;vel de escolaridade, tinham elementos desempregados, dom&eacute;sticos ou reformados, tinham menos elementos a contribuir para o rendimento familiar ou sofriam de pr&eacute;-obesidade (21, 28). A car&ecirc;ncia monet&aacute;ria foi a principal raz&atilde;o apontada para o consumo insuficiente de alimentos e para a n&atilde;o disponibilidade dos alimentos necess&aacute;rios para uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e equilibrada (21). Cerca de 11,2% dos agregados familiares inquiridos apontou uma diminui&ccedil;&atilde;o das idas ao m&eacute;dico por raz&otilde;es econ&oacute;micas nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses, e 20,7% reportou uma diminui&ccedil;&atilde;o na aquisi&ccedil;&atilde;o dos medicamentos prescritos e consequente diminui&ccedil;&atilde;o na ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica (21). &Eacute; importante referir que estes dados podem estar enviesados pela sensa&ccedil;&atilde;o de preocupa&ccedil;&atilde;o e incerteza inerente &agrave; instabilidade socioecon&oacute;mica vivida em Portugal no per&iacute;odo do estudo, e que, apesar do grande n&uacute;mero de inquiridos, a amostra n&atilde;o &eacute; representativa da popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o contabilizou as Regi&otilde;es Aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira (21, 28).</p>     <p>Posteriormente, dados de uma coorte representativa que utilizou a mesma metodologia do INFOFAM&Iacute;LIA, avaliou entre 2015 e 2016 uma preval&ecirc;ncia de 19,3% de IA na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, mais pronunciada nas ilhas, cujos determinantes&nbsp;major&nbsp;foram desemprego ou emprego em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, fam&iacute;lias monoparentais, baixo n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o e pouca perce&ccedil;&atilde;o dos rendimentos familiares (29). Este estudo verificou ainda que os indiv&iacute;duos com IA reportavam pior qualidade de vida, maior inaptid&atilde;o f&iacute;sica, maior preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, mais sintomas depressivos e maior consumo de recursos em sa&uacute;de (29).</p>     <p>Dados do Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica (IAN-AF 2015-2016) (30) revelaram n&uacute;meros menos preocupantes, mas que merecem igualmente aten&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o. O IAN-AF 2015-2016 foi um estudo transversal a uma amostra representativa da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, com uma metodologia distinta para avaliar a IA que incluiu a recolha de dados acerca da disponibilidade, acesso, utiliza&ccedil;&atilde;o e estabilidade/resili&ecirc;ncia dos agregados familiares com e sem menores (30). Os resultados indicaram que 10,1% das fam&iacute;lias portuguesas sofreram de IA, dos quais 2,6% indicaram IA moderada ou grave (30). A preval&ecirc;ncia de IA tamb&eacute;m parece ser superior em fam&iacute;lias que ainda t&ecirc;m menores dependentes (11,4%), o que pode ser sintom&aacute;tico da impossibilidade de estas crian&ccedil;as e jovens terem uma alimenta&ccedil;&atilde;o completa, variada e equilibrada, como o preconizado pela Roda dos Alimentos (30). A preval&ecirc;ncia de IA n&atilde;o &eacute; uniforme em todas as zonas do pa&iacute;s, destacando-se as ilhas com maior preval&ecirc;ncia e o Alentejo com maior severidade (30). Verificou-se ainda que a IA &eacute; mais grave em fam&iacute;lias com baixa escolaridade e rendimentos menores ou pr&oacute;ximos do sal&aacute;rio m&iacute;nimo (30).</p>     <p>Segundo o Inqu&eacute;rito &agrave;s Condi&ccedil;&otilde;es de Vida e Rendimento correspondente a 2016 (31), 25,1% dos residentes vivem em risco de pobreza ou de exclus&atilde;o social, dos quais 18,8% s&atilde;o menores e 18,0% idosos. Neste ano, o risco de pobreza atingiu em especial desempregados, fam&iacute;lias numerosas e indiv&iacute;duos que viviam s&oacute;s (32). Dados mais recentes relativos ao ano de 2017 apresentaram um aumento do rendimento mediano por adulto na popula&ccedil;&atilde;o com menores rendimentos, e a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o em risco de pobreza ou exclus&atilde;o social reduziu para 23,3% (32).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Consequ&ecirc;ncias da inseguran&ccedil;a alimentar para a sa&uacute;de p&uacute;blica</b></p>     <p>A alimenta&ccedil;&atilde;o traz elevados encargos para o or&ccedil;amento familiar, pelo que a IA &eacute; considerada um evento de&nbsp;stress, inversamente relacionada com uma alimenta&ccedil;&atilde;o equilibrada, o que constitui um indicador para o risco de desenvolvimento de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas (5, 33).</p>     <p>A literatura evidencia uma associa&ccedil;&atilde;o entre IA e doen&ccedil;as cr&oacute;nicas nos pa&iacute;ses desenvolvidos (3, 6, 33&ndash;40), nomeadamente obesidade infantil e adulta (3, 5, 33&ndash;35, 39&ndash;43), obesidade abdominal (11, 43&ndash;45), dislipid&eacute;mia (36, 43, 46&ndash;48), DM2 (11, 36, 39, 40, 47, 49&ndash;53) associada a um pior controlo glic&eacute;mico (11, 48&ndash;50, 52, 54) e HTA (36, 39, 47).</p>     <p>Estas associa&ccedil;&otilde;es devem-se, principalmente, a uma alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada, rica em produtos alimentares de elevada densidade energ&eacute;tica (3, 5, 6, 11, 33, 43, 55, 56) como cereais refinados (43, 57, 58), refrigerantes (3, 33, 59) e produtos processados ricos em gordura e sal (11, 33, 43, 55, 58, 59), e muito baixa em hortofrut&iacute;colas (3, 5, 6, 11, 33, 43, 56, 57, 59&ndash;62), carnes magras e peixe (57, 58, 60), leguminosas (57), cereais integrais (6) e latic&iacute;nios (43, 56, 62), muito devido &agrave; distin&ccedil;&atilde;o entre pre&ccedil;os (5, 6, 8, 43, 63). Apesar da elevada ingest&atilde;o cal&oacute;rica total, estes indiv&iacute;duos possuem defici&ecirc;ncias nutricionais (6, 47, 62), pois n&atilde;o atingem as recomenda&ccedil;&otilde;es de micronutrientes atrav&eacute;s da sua alimenta&ccedil;&atilde;o (3, 11, 56, 57, 60). O sedentarismo (3, 34, 50, 60) e a monotonia na alimenta&ccedil;&atilde;o (6, 55) tamb&eacute;m s&atilde;o mais prevalentes. Estas associa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o significativamente mais evidentes no sexo feminino (5&ndash;7, 11, 34, 35, 37, 41, 42, 44, 53, 64&ndash;69).</p>     <p>Alguns estudos reportam ainda que indiv&iacute;duos que sofrem IA apresentam perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, como PCA, depress&atilde;o,&nbsp;stress&nbsp;e ansiedade (43, 47, 49, 54, 58, 66, 70, 71), menor ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica (47, 49, 50,54, 72, 73), maiores gastos em servi&ccedil;os de sa&uacute;de (72, 74) e um pior estado geral de sa&uacute;de (47, 73). Importa salientar que muitos indiv&iacute;duos com IA n&atilde;o possuem recursos suficientes para se alimentarem adequadamente e para adquirirem a medica&ccedil;&atilde;o, o que os leva a ter de selecionar apenas uma das op&ccedil;&otilde;es, com evidente preju&iacute;zo para o seu estado geral de sa&uacute;de (72, 73).</p>     <p><b>Mecanismos associados ao paradoxo inseguran&ccedil;a alimentar e obesidade</b></p>     <p>Em 2007, a Comiss&atilde;o Europeia estimou que cerca de 20% da obesidade em homens e 40% em mulheres se deve &agrave;s desigualdades socioecon&oacute;micas (3). Existe um gradiente social nos comportamentos de sa&uacute;de, em desfavor dos indiv&iacute;duos com n&iacute;vel socioecon&oacute;mico mais baixo, com menor acesso a alimentos saud&aacute;veis e maior recurso a refei&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-confecionadas e produtos alimentares de elevada densidade energ&eacute;tica (55, 63), menor atividade f&iacute;sica e um ambiente social potenciador de um balan&ccedil;o energ&eacute;tico positivo e, consequentemente, do excesso de peso (3, 55).</p>     <p>V&aacute;rias s&atilde;o as publica&ccedil;&otilde;es que procuram compreender os mecanismos associados &agrave; elevada preval&ecirc;ncia de excesso de peso em indiv&iacute;duos que sofrem de IA (5&ndash;10, 67). Esta associa&ccedil;&atilde;o torna-se paradoxal, pois enquanto a IA resulta da falta de meios econ&oacute;micos que permitam que os indiv&iacute;duos tenham acesso a alimentos, a obesidade resulta do excesso de calorias consumidas face ao gasto energ&eacute;tico (5). A IA leve &eacute; o grau mais correlacionado com a obesidade, j&aacute; os n&iacute;veis de IA mais graves associam-se ao baixo peso (5, 8, 75).</p>     <p>A maior incid&ecirc;ncia nas mulheres pode dever-se a diferentes press&otilde;es sociais que potenciam uma menor atividade f&iacute;sica, &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas resultantes da gravidez, a uma menor autoestima associada &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o no incumprimento das normas sociais, &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o no meio laboral e a diferen&ccedil;as na composi&ccedil;&atilde;o corporal (3, 8, 66, 67).</p>     <p>A associa&ccedil;&atilde;o entre a IA e a obesidade &eacute; ainda inconsistente em crian&ccedil;as e adolescentes, devido &agrave; prote&ccedil;&atilde;o parental e aos v&aacute;rios programas de assist&ecirc;ncia alimentar espec&iacute;ficos para esta faixa et&aacute;ria (5, 8, 67).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O ambiente pr&eacute;-natal e nos primeiros meses de vida influencia a programa&ccedil;&atilde;o fetal (3, 6, 76) e pode contribuir para o risco de desenvolvimento de obesidade e outras doen&ccedil;as cr&oacute;nicas no futuro adulto (11). Mulheres de baixo estatuto socioecon&oacute;mico que sofrem de IA apresentam maior risco de terem crian&ccedil;as com baixo ou elevado peso ao nascer, ambos fatores de risco para a obesidade, e seguem menos as recomenda&ccedil;&otilde;es de amamenta&ccedil;&atilde;o e de diversifica&ccedil;&atilde;o alimentar (3, 70, 76).</p>     <p>Este aparente paradoxo &eacute; tamb&eacute;m potenciado pela gen&eacute;tica de baixa efici&ecirc;ncia metab&oacute;lica, com indiv&iacute;duos mais predispostos &agrave; obesidade quando nasceram e cresceram em ambientes com IA, pelo baixo n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o que se associa a escolhas alimentares menos conscientes, pelo baixo valor nutricional da sua alimenta&ccedil;&atilde;o, mon&oacute;tona, rica em alimentos de elevada densidade energ&eacute;tica de baixo custo, e pelas altera&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas resultantes de estados depressivos,&nbsp;stress, ansiedade e preocupa&ccedil;&atilde;o constante com as refei&ccedil;&otilde;es (5, 6, 8&ndash;11, 54, 58, 67).</p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a dos modelos animais, o aumento do armazenamento de gordura corporal pode dever-se a uma resposta fisiol&oacute;gica perante a amea&ccedil;a da falta de alimento no ser humano (10, 67). O&nbsp;stress&nbsp;est&aacute; associado ao aumento dos n&iacute;veis de cortisol que, cronicamente, influencia a ingest&atilde;o alimentar e o metabolismo das gorduras, promovendo a resist&ecirc;ncia &agrave; leptina e o aumento do apetite, a deposi&ccedil;&atilde;o de gordura a n&iacute;vel visceral e a insulinorresist&ecirc;ncia (10, 67). A ativa&ccedil;&atilde;o do mecanismo de recompensa gerado pela ingest&atilde;o de alimentos de elevada palatibilidade e de baixo valor nutricional em indiv&iacute;duos de baixa condi&ccedil;&atilde;o social, como resposta a elevados n&iacute;veis de&nbsp;stress, &eacute; outra das hip&oacute;teses apontadas (10, 11).</p>     <p>Um estudo longitudinal (77) revelou uma forte associa&ccedil;&atilde;o entre a IA e o &iacute;ndice de massa corporal, identificando um maior controlo da ingest&atilde;o alimentar e da gest&atilde;o do rendimento familiar nos indiv&iacute;duos n&atilde;o obesos. Para tirar mais conclus&otilde;es acerca do efeito da IA na g&eacute;nese e manuten&ccedil;&atilde;o da obesidade, seriam necess&aacute;rios mais estudos longitudinais que nos permitissem avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o do peso nos indiv&iacute;duos e os mecanismos associados (8, 11, 64), bem como perceber a intensidade, dura&ccedil;&atilde;o e n&iacute;vel (familiar ou individual) da IA associada a piores consequ&ecirc;ncias para a sa&uacute;de e quais os per&iacute;odos de vida mais cr&iacute;ticos (11).</p>     <p><b>Contextualiza&ccedil;&atilde;o do paradoxo inseguran&ccedil;a alimentar e obesidade em portugal</b></p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a da realidade internacional, o estudo INFOFAM&Iacute;LIA (21) identificou n&iacute;veis elevados de excesso de peso associados &agrave; IA leve, sendo que o baixo peso se associou &agrave; IA moderada e grave. A preval&ecirc;ncia de IA associada &agrave; obesidade parece resultar de um comprometimento da qualidade nutricional das refei&ccedil;&otilde;es ou apenas de uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o acesso a alimentos num futuro, enquanto os valores de IA associados ao baixo peso refletem uma situa&ccedil;&atilde;o de restri&ccedil;&atilde;o quantitativa de alimentos (21, 22).</p>     <p>Dados nacionais entre 1998 e 2006 (78) identificaram a presen&ccedil;a de desigualdades sociais na distribui&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, com uma maior preval&ecirc;ncia nos grupos populacionais com rendimentos baixos. Relativamente &agrave; obesidade, os grupos de n&iacute;vel educacional mais baixo e as mulheres apresentaram preval&ecirc;ncia superior, comparativamente com os restantes grupos (78). Um estudo de 2010 (79) associou os estilos de vida, as doen&ccedil;as cardiovasculares e o n&iacute;vel socioecon&oacute;mico em Portugal, com maior preval&ecirc;ncia de acidente vascular cerebral, doen&ccedil;a card&iacute;aca isqu&eacute;mica, DM2 e obesidade em agregados familiares com rendimentos mais baixos do que nos restantes grupos. Em 2012, um estudo (80) avaliou uma pequena amostra de conveni&ecirc;ncia (N=17) de indiv&iacute;duos apoiados pelo Banco Alimentar contra a Fome e calculou uma elevada preval&ecirc;ncia de pr&eacute;-obesidade (17,6%) e obesidade (76,5%), um elevado per&iacute;metro da cintura com consequente risco de desenvolver complica&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas, e um baixo consumo de fruta, hort&iacute;colas, leguminosas e leite e derivados.</p>     <p>Outros trabalhos portugueses identificaram uma rela&ccedil;&atilde;o inversa entre o grau de IA e a ingest&atilde;o di&aacute;ria de produtos hortofrut&iacute;colas e carne, com consequente comprometimento das necessidades nutricionais de macro e micronutrientes (22). Crian&ccedil;as portuguesas de agregados familiares com IA t&ecirc;m h&aacute;bitos mais sedent&aacute;rios (um maior n&uacute;mero de horas passadas ao ecr&atilde;) e uma alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada (baixo consumo de hortofrut&iacute;colas e ingest&atilde;o mais frequente de sumos de fruta e refrigerantes) (22). A situa&ccedil;&atilde;o de IA encontrava-se associada a determinantes sociais, econ&oacute;micos e ambientais que condicionavam o acesso a alimentos de maior valor nutricional, como o pre&ccedil;o e alguns comportamentos parentais mais permissivos em resposta a atitudes das crian&ccedil;as (22).</p>     <p>O IAN-AF 2015-2016 (30) n&atilde;o quantificou os n&iacute;veis de obesidade associados &agrave; IA, mas, &agrave; semelhan&ccedil;a da coorte representativa da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa avaliada no mesmo per&iacute;odo de tempo (29), concluiu existir uma associa&ccedil;&atilde;o entre a IA e a menor ades&atilde;o ao padr&atilde;o alimentar mediterr&acirc;nico. Esta coorte apresentou tamb&eacute;m uma tend&ecirc;ncia, n&atilde;o estatisticamente significativa, para uma maior preval&ecirc;ncia de excesso de peso nos indiv&iacute;duos com IA (29). Resultados de um grupo de idosos da mesma coorte revelaram uma preval&ecirc;ncia de IA de 23%, presente principalmente em mulheres, indiv&iacute;duos com menor n&iacute;vel de escolaridade, menores rendimentos, menor n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es, menor qualidade de vida e maior preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis (81).</p>     <p><b>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As estrat&eacute;gias para lidar com a IA e o seu impacto na sa&uacute;de, particularmente a associa&ccedil;&atilde;o com a sobrecarga ponderal, decorrente de uma alimenta&ccedil;&atilde;o de elevada densidade energ&eacute;tica e nutricionalmente pobre, devem ser multidisciplinares, abordando quest&otilde;es econ&oacute;micas, psicol&oacute;gicas e fisiol&oacute;gicas (5).</p>     <p>O pre&ccedil;o dos alimentos &eacute; um importante determinante das escolhas alimentares dos indiv&iacute;duos (82&ndash;84). O custo superior de alimentos de elevado valor nutricional, como fruta, cereais integrais, vegetais frescos e carnes magras, comparativamente com produtos de elevada densidade energ&eacute;tica ricos em gordura e a&ccedil;&uacute;cares simples, exigem pol&iacute;ticas nacionais e internacionais de prote&ccedil;&atilde;o dos produtos saud&aacute;veis, de modo a facilitar o seu acesso (5, 6, 17, 60, 82, 83). O controlo do marketing alimentar e apoios para agricultura e mercados locais podem ser estrat&eacute;gias eficazes para promover pre&ccedil;os acess&iacute;veis dos alimentos mais saud&aacute;veis e facilitar o seu acesso (3, 5).</p>     <p>A crise econ&oacute;mica vivida nos &uacute;ltimos anos em toda a Europa trouxe grandes implica&ccedil;&otilde;es para a sa&uacute;de p&uacute;blica (85). O aumento do desemprego e a diminui&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios refletem-se nos n&iacute;veis de IA percecionados e na sa&uacute;de f&iacute;sica e mental da popula&ccedil;&atilde;o, mas, com investimento na prote&ccedil;&atilde;o social, estas consequ&ecirc;ncias poderiam ser minimizadas (85&ndash;87). A redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais contribuir&aacute; para uma melhor sa&uacute;de e bem-estar, nomeadamente melhoria do estado nutricional e dos h&aacute;bitos alimentares (17, 22).</p>     <p>O acesso de todos os indiv&iacute;duos a uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e equilibrada do ponto de vista nutricional deve ser um direito assegurado pelo Estado (14, 17). N&atilde;o podemos assumir que indiv&iacute;duos com excesso de peso e que sofrem de IA n&atilde;o possuam defici&ecirc;ncias nutricionais, pois, na comunidade, a quantidade de energia fornecida pelos produtos alimentares dispon&iacute;veis &eacute; suficiente ou at&eacute; excessiva, mas a sua qualidade nutricional e diversidade s&atilde;o limitadas (6).</p>     <p>Nos indiv&iacute;duos que sofrem de IA e usufruem de programas de assist&ecirc;ncia alimentar, &eacute; importante monitorizar, tendo em aten&ccedil;&atilde;o a periodicidade, a quantidade e a qualidade nutricional da oferta, de modo a responder &agrave;s reais necessidades (5, 7, 88, 89). Promover o acesso a alimentos saud&aacute;veis, nos programas de assist&ecirc;ncia alimentar, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; suficiente para corrigir a associa&ccedil;&atilde;o entre a IA e a obesidade (10). Os esfor&ccedil;os no al&iacute;vio &agrave; pobreza devem ter em considera&ccedil;&atilde;o oportunidades de promo&ccedil;&atilde;o de estilos de vida mais saud&aacute;veis, com melhores escolhas alimentares, aliadas a um n&iacute;vel adequado de atividade f&iacute;sica (7), bem como oportunidades de educa&ccedil;&atilde;o alimentar e apoio social referente ao controlo das por&ccedil;&otilde;es alimentares, a pr&aacute;ticas culin&aacute;rias econ&oacute;micas e &agrave; gest&atilde;o do rendimento familiar (77, 89).</p>     <p>Ap&oacute;s o diagn&oacute;stico de IA na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (21), o PNPAS publicou, em 2017, um conjunto de diretrizes para a composi&ccedil;&atilde;o de cabazes alimentares com produtos nutricionalmente adequados, correspondentes a cerca de 50% das necessidades energ&eacute;ticas m&eacute;dias dos cidad&atilde;os nas v&aacute;rias faixas et&aacute;rias, constitu&iacute;do por latic&iacute;nios meio gordos, arroz, massa, cereais de pequeno-almo&ccedil;o &agrave; base de milho sem a&ccedil;&uacute;cares adicionados, leguminosas (feij&atilde;o e gr&atilde;o), carne e peixe congelado, enlatados (atum e sardinha), tomate pelado, vegetais congelados, azeite, creme vegetal e marmelada (19).</p>     <p>Publicou tamb&eacute;m diretrizes para uma adequada utiliza&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos alimentos disponibilizados nestes cabazes (90). Estes documentos n&atilde;o substituem a integra&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de, nomeadamente nutricionistas, nos programas de assist&ecirc;ncia alimentar para combater a epidemia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas na popula&ccedil;&atilde;o mais desfavorecida (3, 6, 14, 19, 55, 90&ndash;92). As estrat&eacute;gias educativas devem promover a autonomia dos envolvidos e ser suficientemente abrangentes para que o impacto seja duradouro (92). Os programas de assist&ecirc;ncia alimentar podem realmente ter um papel protetor nos indiv&iacute;duos apoiados, na promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos mais saud&aacute;veis e preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas (3, 61, 71, 75, 91, 93, 94).</p>     <p>As consequ&ecirc;ncias das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas est&atilde;o diretamente relacionadas com os custos em sa&uacute;de para as fam&iacute;lias, comunidade e Pa&iacute;s, o que, associado ao aumento da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida, p&otilde;em em causa a sustentabilidade dos sistemas de sa&uacute;de (2, 14, 17, 22, 47, 74, 95).</p>     <p>A interven&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o futura na IA exige profissionais habilitados e sens&iacute;veis para este paradoxo, pelo que deve:</p> <ul>     <li>Rever o conceito de &ldquo;seguran&ccedil;a alimentar&rdquo;, que exige uma estrat&eacute;gia multidisciplinar integrando os setores da sa&uacute;de, a&ccedil;&atilde;o social, educa&ccedil;&atilde;o, agricultura e economia (5, 6, 14, 22).</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Definir pol&iacute;ticas nacionais e internacionais para facilitar o acesso a produtos mais saud&aacute;veis por popula&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis, tornando-</li>     </ul>     <p>-os mais atrativos e acess&iacute;veis do ponto de vista financeiro e geogr&aacute;fico (14, 22, 55, 60, 91, 96).</p> <ul>     <li>Assegurar, por profissionais de sa&uacute;de, a qualidade nutricional e higiossanit&aacute;ria dos alimentos distribu&iacute;dos &agrave;s fam&iacute;lias carenciadas nos programas de assist&ecirc;ncia alimentar, procurando distribuir alimentos de todos os grupos da Roda dos Alimentos em quantidades adequadas (7, 14, 19, 22, 88, 90, 92).</li>     <li>Formar os profissionais que exercem atividades di&aacute;rias na &aacute;rea da a&ccedil;&atilde;o social e nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios para as quest&otilde;es da IA, higiene e seguran&ccedil;a dos alimentos, bem como alimenta&ccedil;&atilde;o e estilos de vida saud&aacute;veis, de forma a capacit&aacute;-los para atuar em situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade social e atenuar as suas consequ&ecirc;ncias (14, 91, 92, 97).</li>     <li>Contribuir para a literacia em sa&uacute;de, capacitando os cidad&atilde;os, nomeadamente os mais desfavorecidos, para escolhas e pr&aacute;ticas alimentares mais adequadas (educa&ccedil;&atilde;o alimentar para estrat&eacute;gias de otimiza&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o dos alimentos, diminui&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio, pr&aacute;ticas alimentares econ&oacute;micas e por&ccedil;&otilde;es alimentares adequadas para todo o ciclo de vida), promovendo ambientes impulsionadores de estilos de vida saud&aacute;veis (14, 17, 22, 63, 89, 92).</li>     <li>Desenvolver ferramentas de monitoriza&ccedil;&atilde;o para avaliar o impacto dos programas de assist&ecirc;ncia alimentar na sa&uacute;de f&iacute;sica e mental, nomeadamente no estado nutricional dos indiv&iacute;duos e fam&iacute;lias apoiadas (7, 22, 60, 88).</li>     <li>Desenhar programas escolares de monitoriza&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de e do grau de IA nas crian&ccedil;as e jovens (14).</li>     <li>Desenvolver ferramentas de monitoriza&ccedil;&atilde;o para avaliar o estado de sa&uacute;de associado ao grau de IA da popula&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel local e regional (8, 14, 22, 60, 91).</li>     <li>Desenvolver procedimentos acess&iacute;veis de fortifica&ccedil;&atilde;o de alimentos com micronutrientes para diminuir a preval&ecirc;ncia das defici&ecirc;ncias nutricionais mais observadas nas popula&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis (6).</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Desenvolver programas de atividade f&iacute;sica e nutri&ccedil;&atilde;o junto das popula&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis (6).</li>     <li>Sensibilizar os profissionais de sa&uacute;de, nomeadamente nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, para monitorizar a IA em contexto de preven&ccedil;&atilde;o e tratamento da obesidade, bem como em consulta de planeamento familiar e acompanhamento durante a gravidez (70, 76, 94, 97).</li>     </ul>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>A IA, particularmente o grau leve, associa-se &agrave; obesidade, e &eacute; um problema que hoje assola todo o mundo desenvolvido, incluindo Portugal. Apesar de ir contra o senso comum, a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica mostra atualmente a obesidade como uma doen&ccedil;a das popula&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis, fruto de um elevado sedentarismo e de uma alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada.</p>     <p>Em Portugal, as Regi&otilde;es Aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira apresentam maior preval&ecirc;ncia de IA, e os grupos mais vulner&aacute;veis s&atilde;o mulheres, desempregados ou empregados em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, fam&iacute;lias monoparentais, fam&iacute;lias numerosas e baixo n&iacute;vel de escolaridade. S&atilde;o tamb&eacute;m estes grupos que apresentam um pior estado geral de sa&uacute;de, com maior preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, menor ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica, maior consumo de recursos de sa&uacute;de, maior inaptid&atilde;o f&iacute;sica, pior qualidade de vida e uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais desequilibrada com menor ades&atilde;o ao padr&atilde;o alimentar mediterr&acirc;nico.</p>     <p>&Eacute; importante implementar ferramentas de avalia&ccedil;&atilde;o da IA validadas para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, bem como descrever a sua associa&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, monitorizando assim a IA e as suas consequ&ecirc;ncias em ambiente de consulta de nutri&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, o que moldaria e promoveria a efic&aacute;cia da interven&ccedil;&atilde;o nutricional. Implementar programas de monitoriza&ccedil;&atilde;o da IA associada &agrave; obesidade nas escolas e nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, para que se possa intervir de uma forma adequada e atempada, preveniria as suas consequ&ecirc;ncias a curto, m&eacute;dio e longo prazo. Uma das prioridades dos programas nacionais deve ser tamb&eacute;m educar a popula&ccedil;&atilde;o, de forma a proporcionar um ambiente familiar com escolhas alimentares e h&aacute;bitos de vida mais saud&aacute;veis, intervindo, para isso, a n&iacute;vel local, na cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades de atividades ao ar livre e de forma&ccedil;&otilde;es de culin&aacute;ria econ&oacute;mica e alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, para promover escolhas alimentares mais inteligentes e a baixo custo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     <li>World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic [Online]. Geneva; 2000. N&ordm; 894. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/" target="_blank">http://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Processo assistencial integrado da pr&eacute;-obesidade no adulto [Online]. Lisboa; 2015. N&ordm; 010/2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/processo-assistencial-integrado-da-pre-obesidade-no-adulto.aspx" target="_blank">https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/processo-assistencial-integrado-da-pre-obesidade-no-adulto.aspx</a>.</li>     <li>Robertson A, Lobstein T, Knai C. Obesity and socio-economic groups in Europe: evidence review and implications for action [Online]. Report under contract SANCO/2005/C4-NUTRITION-03. Bruxelas: Comiss&atilde;o Europeia. 2007. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/health/ph_determinants/life_style/nutrition/documents/ev20081028_rep_en.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/health/ph_determinants/life_style/nutrition/documents/ev20081028_rep_en.pdf</a>.</li>     <li>World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases [Online]. WHO Technical Report Series. Geneva: Joint WHO/FAO Expert Consultation; 2003. N&ordm; 916. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/42665/WHO_TRS_916.pdf?sequence=1" target="_blank">http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/42665/WHO_TRS_916.pdf?sequence=1</a>.</li>     <li>Dinour LM, Bergen D, Yeh MC. The food insecurity-obesity paradox: a review of the literature and the role food stamps may play. J Am Diet Assoc [Online]. 2007;107(11):1952&ndash;61. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jada.2007.08.006" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jada.2007.08.006</a>.</li>     <li>Tanumihardjo SA, Anderson C, Kaufer-Horwitz M, Bode L, Emenaker NJ, Haqq AM, et al. Poverty, obesity, and malnutrition: an international perspective recognizing the paradox. J Am Diet Assoc [Online]. 2007;107(11):1966&ndash;72. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jada.2007.08.007" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jada.2007.08.007</a>.</li>     <li>Larson NI, Story MT. Food insecurity and weight status among U.S. children and families: a review of the literature. Am J Prev Med [Online]. 2011;40(2):166&ndash;73. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.amepre.2010.10.028" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.amepre.2010.10.028</a>.</li>     <li>Franklin B, Jones A, Love D, Puckett S, Macklin J, White-Means S. Exploring mediators of food insecurity and obesity: a review of recent literature. J Community Health [Online]. 2012;37(1):253&ndash;64. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1007/s10900-011-9420-4" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10900-011-9420-4</a>.</li>     <li>Mohammad A, Ajami M, Abdollahi M, Ahari GK. A review of the relationship between obesity and food insecurity. Int J Med Rev [Online]. 2016;3(1):381&ndash;8. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.researchgate.net/publication/322027249_A_Review_of_the_Relationship_between_Obesity_and_Food_Insecurity" target="_blank">https://www.researchgate.net/publication/322027249_A_Review_of_the_Relationship_between_Obesity_and_Food_Insecurity</a>.</li>     <li>Dhurandhar EJ. The food-insecurity obesity paradox: a resource scarcity hypothesis. Physiol Behav [Online]. 2016;162:88&ndash;92. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2016.04.025" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2016.04.025</a>.</li>     <li>Laraia B. Food insecurity and chronic disease. Adv Nutr [Online]. 2013;4(2):203&ndash;12. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3945/an.112.003277" target="_blank">https://doi.org/10.3945/an.112.003277</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Food and Agriculture Organization. Trade reforms and food security: conceptualizing the linkages [Online]. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Roma; 2003. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fao.org/3/a-y4671e.pdf" target="_blank">http://www.fao.org/3/a-y4671e.pdf</a>.</li>     <li>Bickel G, Nord M, Price C, Hamilton W, Cook J. Guide to measuring household food security [Online]. Measuring Food Security in the United States. Alexandria; 2000. N&ordm;6. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hungerfreecommunities.org/wp-content/uploads/2011/04/USDA-guide-to-measuring-food-security.pdf" target="_blank">http://hungerfreecommunities.org/wp-content/uploads/2011/04/USDA-guide-to-measuring-food-security.pdf</a>.</li>     <li>Pais SC, Ferreira PD. A redu&ccedil;&atilde;o das assimetrias sociais no acesso &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e &agrave; sa&uacute;de: pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas. Mais Leituras. 2016.</li>     <li>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica. Regulamento geral do Fundo de Aux&iacute;lio Europeu &agrave;s Pessoas mais Carenciadas (FEAC) e Regulamento espec&iacute;fico do Programa Operacional de Apoio &agrave;s Pessoas mais Carenciadas (POAPMC). Em: Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica 1&ordf; s&eacute;rie N&ordm;123 [Online]. Presid&ecirc;ncia do Conselho de Ministros e Minist&eacute;rio da Solidariedade, Emprego e Seguran&ccedil;a Social; 2015. 4494(6)&ndash;4494(26). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dre.pt" target="_blank">http://dre.pt</a>.</li>     <li>Comiss&atilde;o Europeia. Regulamento (UE) N&ordm;223/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 11 de mar&ccedil;o de 2014 relativo ao Fundo de Aux&iacute;lio Europeu &agrave;s Pessoas mais Carenciadas. Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia; 2014.</li>     <li>World Health Organization. European food and nutrition action plan 2015&ndash;2020 [Online]. Regional Committee for Europe. Copenhaga, Dinamarca; 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0008/253727/64wd14e_FoodNutAP_140426.pdf" target="_blank">http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0008/253727/64wd14e_FoodNutAP_140426.pdf</a>.</li>     <li>United Nations. The Millennium Development Goals Report 2015 [Online]. Nova Iorque; 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/millenniumgoals/2015_MDG_Report/pdf/MDG%202015%20rev%20(July%201).pdf" target="_blank">http://www.un.org/millenniumgoals/2015_MDG_Report/pdf/MDG%202015%20rev%20(July%201).pdf</a>.</li>     <li>Greg&oacute;rio MJ, Tavares C, Cruz D, Gra&ccedil;a P. Programa de distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos: considera&ccedil;&otilde;es para a adequa&ccedil;&atilde;o nutricional da oferta alimentar [Online]. Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel. Lisboa: Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de; 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://poapmc.portugal2020.pt/documents/27821/51702/Programa+de+distribuicao+de+alimentos+DGS.pdf/753d7570-3792-4df8-bb6e-fd8d5c19f968" target="_blank">http://poapmc.portugal2020.pt/documents/27821/51702/Programa+de+distribuicao+de+alimentos+DGS.pdf/753d7570-3792-4df8-bb6e-fd8d5c19f968</a>.</li>     <li>Gra&ccedil;a P, Greg&oacute;rio MJ. A Constru&ccedil;&atilde;o do programa nacional para a promo&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel - aspectos conceptuais, linhas estrat&eacute;gicas e desafios iniciais. Nutr&iacute;cias [Online]. 2013;18:6&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hdl.handle.net/10216/70234" target="_blank">http://hdl.handle.net/10216/70234</a>.</li>     <li>Greg&oacute;rio MJ, Gra&ccedil;a P, Santos AC, Gomes S, Portugal AC, Nogueira PJ. RELAT&Oacute;RIO INFOFAM&Iacute;LIA 2011-2014 - Quatro anos de monitoriza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar e outras quest&otilde;es de sa&uacute;de relacionadas com condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas, em agregados familiares portugueses utentes dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de [Online]. Lisboa; 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2017/03/Infofamilia-2011-2014-.pdf" target="_blank">https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2017/03/Infofamilia-2011-2014-.pdf</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Greg&oacute;rio MJ. Desigualdades sociais no acesso a uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel: um estudo na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa [Online]. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias do Consumo Alimentar e Nutri&ccedil;&atilde;o. Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto; 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hdl.handle.net/10216/78274" target="_blank">http://hdl.handle.net/10216/78274</a>.</li>     <li>&Aacute;lvares L, Amaral TF. Food insecurity and associated factors in the Portuguese population. Food Nutr Bull [Online]. 2014;35(4):395&ndash;402. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1177/156482651403500401" target="_blank">https://doi.org/10.1177/156482651403500401</a>.</li>     <li>Branco M, Nunes B, Cantreiras T. Uma observa&ccedil;&atilde;o sobre &ldquo;Inseguran&ccedil;a Alimentar&rdquo;. Lisboa: Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge; 2003.</li>     <li>Greg&oacute;rio MJ, Gra&ccedil;a P, Nogueira PJ, Gomes S, Santos CA, Boavida J. Proposta metodol&oacute;gica para avalia&ccedil;&atilde;o da inseguran&ccedil;a alimentar em Portugal. Nutr&iacute;cias [Online]. 2014;21:4&ndash;11. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sigarra.up.pt/fdup/pt/pub_geral.pub_view?pi_pub_base_id=98544" target="_blank">https://sigarra.up.pt/fdup/pt/pub_geral.pub_view?pi_pub_base_id=98544</a>.</li>     <li>P&eacute;rez-Escamilla R, Segall-Corr&ecirc;a AM, Maranha LK, Sampaio MFA, Mar&iacute;n-Le&oacute;n L, Panigassi G. An adapted version of the U. S. Department of Agriculture Food Insecurity module is a valid tool for assessing household food insecurity in Campinas, Brazil. J Nutr [Online]. 2004;134(8):1923&ndash;8. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1093/jn/134.8.1923" target="_blank">https://doi.org/10.1093/jn/134.8.1923</a>.</li>     <li>Radimer KL. Measurement of household food security in the USA and other industrialised countries. Public Health Nutr [Online]. 2002;5(6A):859&ndash;64. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1079/PHN2002385" target="_blank">https://doi.org/10.1079/PHN2002385</a>.</li>     <li>Greg&oacute;rio MJ, Gra&ccedil;a P, Costa A, Nogueira PJ. Time and regional perspectives of food insecurity during the economic crisis in Portugal, 2011-2013. Saude e Soc [Online]. 2014;23(11):1127&ndash;41. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902014000400001" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902014000400001</a>.</li>     <li>Greg&oacute;rio MJ, Rodrigues AM, Gra&ccedil;a P, Sousa RD, Dias SS, Branco JC, et al. Food insecurity is associated with low adherence to the Mediterranean diet and adverse health conditions in Portuguese adults. Front Public Heal [Online]. 2018;6(38):1&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3389/fpubh.2018.00038" target="_blank">https://doi.org/10.3389/fpubh.2018.00038</a>.</li>     <li>Lopes C, Torres D, Oliveira A, Severo M, Alarc&atilde;o V, Guiomar S, et al. Resultados do Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica IAN-AF 2015-2016 [Online]. 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ian-af.up.pt/resultados" target="_blank">https://ian-af.up.pt/resultados</a>.</li>     <li>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica. Rendimento e Condi&ccedil;&otilde;es de Vida 2016: 2,6 milh&otilde;es de residentes em risco de  pobreza ou exclus&atilde;o social em 2016. Destaque [Online]. 16 de maio de 2017;1&ndash;22. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ine.pt" target="_blank">www.ine.pt</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica. Rendimento e Condi&ccedil;&otilde;es de Vida 2017. Destaque [Online]. 7 de Maio de 2018;  Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ine.pt" target="_blank">www.ine.pt</a>.</li>     <li>Leung CW, Epel ES, Ritchie LD, Crawford PB, Laraia BA. Food insecurity is inversely associated with diet quality of lower-income adults. J Acad Nutr Diet [Online]. 2014;114(12):1943&ndash;53. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jand.2014.06.353" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jand.2014.06.353</a>.</li>     <li>Tsai J, Rosenheck RA. Obesity among chronically homeless adults: is it a problem? Public Health Rep [Online]. 2013;128(1):29&ndash;36. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1177/003335491312800105" target="_blank">https://doi.org/10.1177/003335491312800105</a>.</li>     <li>Martin-Fernandez J, Caillavet F, Lhuissier A, Chauvin P. Food insecurity, a determinant of obesity? - An analysis from a population-based survey in the Paris metropolitan area, 2010. Obes Facts [Online]. 2014;7(2):120&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1159/000362343" target="_blank">https://doi.org/10.1159/000362343</a>.</li>     <li>Seligman HK, Laraia B a, Kushel MB. Food Insecurity is associated with chronic disease among low-income NHANES participants. J Nutr [Online]. 2009;140(2):304&ndash;10. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3945/jn.109.112573" target="_blank">https://doi.org/10.3945/jn.109.112573</a>.</li>     <li>Martin KS, Ferris AM. Food insecurity and gender are risk factors for obesity. J Nutr Educ Behav [Online]. 2007;39(1):31&ndash;6. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jneb.2006.08.021%0A" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jneb.2006.08.021%0A</a>.</li>     <li>Canales MK, Coffey N, Moore E. Exploring health implications of disparities associated with food insecurity among low-income populations. Nurs Clin North Am [Online]. 2015;50(3):465&ndash;81. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.cnur.2015.05.003" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1016/j.cnur.2015.05.003</a>.</li>     <li>Berkowitz SA, Berkowitz TSZ, Meigs JB, Wexler DJ. Trends in food insecurity for adults with cardiometabolic disease in the United States: 2005-2012. PLoS One [Online]. 2017;12(6):E0179172. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0179172" target="_blank">http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0179172</a>.</li>     <li>Laurence S, Durand E, Thomas E, Chappuis M, Corty JF. Food insecurity and health status in deprived populations, 2014: a multicentre survey in seven of the social and medical healthcare centres (CASOs) run by Doctors of the World, France. Public Health [Online]. 2017;143:97&ndash;102. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.puhe.2016.11.004" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1016/j.puhe.2016.11.004</a>.</li>     <li>Smith TM, Col&oacute;n-Ramos U, Pinard CA, Yaroch AL. Household food insecurity as a determinant of overweight and obesity among low-income Hispanic subgroups: Data from the 2011-2012 California Health Interview Survey. Appetite [Online]. 2016;97:37&ndash;42.&nbsp;Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.appet.2015.11.009" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.appet.2015.11.009</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Pan L, Sherry B, Njai R, Blanck HM. Food insecurity is associated with obesity among US adults in 12 states. J Acad Nutr Diet [Online]. 2012;112(9):1403&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jand.2012.06.011" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jand.2012.06.011</a>.</p>     <li>Brasil EC, Ara&uacute;jo LM, Vianna R. Nutritional and food insecurity of construction workers. Work [Online]. 2016;54(3):601&ndash;8. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3233/WOR-162335" target="_blank">https://doi.org/10.3233/WOR-162335</a>.</li>     <li>Mohammadi F, Omidvar N, Harrison GG, Ghazi-Tabatabaei M, Abdollahi M, Houshiar-Rad A, et al. Is household food insecurity associated with overweight/obesity in women? Iran J Public Health [Online]. 2013;42(4):380&ndash;90. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3233/WOR-162335" target="_blank">https://doi.org/10.3233/WOR-162335</a>.</li>     <li>Kahn HS, Bullard KM. Indicators of abdominal size relative to height associated with sex, age, socioeconomic position and ancestry among US adults. PLoS One [Online]. 2017;12(3):E0172245. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pone.0172245" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pone.0172245</a>.</li>     <li>Shin JI, Bautista LE, Walsh MC, Malecki KC, Nieto FJ. Food insecurity and dyslipidemia in a representative population-based sample in the US. Prev Med [Online]. 2016;77:186&ndash;90. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2015.05.009" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2015.05.009</a>.</li>     <li>Gundersen C, Ziliak JP. Food insecurity and health outcomes. Econ Voice [Online]. 2017;34(11):1830&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1377/hlthaff.2015.0645" target="_blank">https://doi.org/10.1377/hlthaff.2015.0645</a>.</li>     <li>Berkowitz SA, Baggett TP, Wexler DJ, Huskey KW, Wee CC. Food insecurity and metabolic control among U.S. adults with diabetes. Diabetes Care [Online]. 2013;36(10):3093&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.2337/dc13-0570" target="_blank">https://doi.org/10.2337/dc13-0570</a>.</li>     <li>Ippolito MM, Lyles CR, Prendergast K, Marshall MB, Waxman E, Seligman HK. Food insecurity and diabetes self-management among food pantry clients. Public Health Nutr [Online]. 2017;20(1):183&ndash;9. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1017/S1368980016001786" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S1368980016001786</a>.</li>     <li>Heerman WJ, Wallston KA, Osborn CY, Bian A, Schlundt DG, Barto SD, et al. Food insecurity is associated with diabetes self-care behaviours and glycaemic control. Diabet Med [Online]. 2016;33(6):844&ndash;50. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1111/dme.12896" target="_blank">https://doi.org/10.1111/dme.12896</a>.</li>     <li>Seligman HK, Bindman AB, Vittinghoff E, Kanaya AM, Kushel MB. Food insecurity is associated with diabetes mellitus: results from the National Health Examination and Nutrition Examination Survey (NHANES) 1999-2002. J Gen Intern Med [Online]. 2007;22(7):1018&ndash;23. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1007/s11606-007-0192-6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s11606-007-0192-6</a>.</li>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<li>Hanson KL, Connor LM. Food insecurity and dietary quality in US adults and children: a systematic review. Am J Clin Nutr [Online]. 2014;100(2):684&ndash;92. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3945/ajcn.114.084525" target="_blank">https://doi.org/10.3945/ajcn.114.084525</a>.</li>     <li>Nackers LM, Appelhans BM. Food insecurity is linked to a food environment promoting obesity in households with children. J Nutr Educ Behav [Online]. 2013;45(6):780&ndash;4. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jneb.2013.08.001" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jneb.2013.08.001</a>.</li>     <li>Gooding HC, Walls CE, Richmond TK. Food insecurity and increased BMI in young adult women. Obesity [Online]. 2012;20(9):1896&ndash;901. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1038/oby.2011.233" target="_blank">https://doi.org/10.1038/oby.2011.233</a>.</li>     <li>Hernandez DC, Reesor L, Murillo R. Gender disparities in the food insecurity-overweight and food insecurity-obesity paradox among low-income older adults. J Acad Nutr Diet [Online]. 2017;117(7):1087-96. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jand.2017.01.014" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jand.2017.01.014</a>.</li>     <li>Ivers LC, Cullen KA. Food insecurity: special considerations for women. Am J Clin Nutr [Online]. 2011;94(6):1740s&ndash;4s. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3945/ajcn.111.012617" target="_blank">https://doi.org/10.3945/ajcn.111.012617</a>.</li>     <li>Nettle D, Andrews C, Bateson M. Food insecurity as a driver of obesity in humans: the insurance hypothesis. Behav Brain Sci [Online]. 2017;40:E105. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1017/S0140525X16000947" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S0140525X16000947</a>.</li>     <li>Jung NM, de Bairros FS, Pattussi MP, Pauli S, Neutzling MB. Gender differences in the prevalence of household food insecurity: a systematic review and meta-analysis. Public Health Nutr [Online]. 2017;20(5):902&ndash;16. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1017/S1368980016002925" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S1368980016002925</a>.</li>     <li>Hernandez DC, Reesor LM, Murillo R. Food insecurity and adult overweight/obesity: gender and race/ethnic disparities. Appetite [Online]. 2017;117:373&ndash;8. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.appet.2017.07.010" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1016/j.appet.2017.07.010</a>.</li>     <li>Laraia B, Vinikoor-Imler LC, Siega-Riz AM. Food insecurity during pregnancy leads to stress, disordered eating, and greater postpartum weight among overweight women. Obesity [Online]. 2015;23(6):1303&ndash;11. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1002/oby.21075" target="_blank">https://doi.org/10.1002/oby.21075</a>.</li>     <li>Leung CW, Epel ES, Willett WC, Rimm EB, Laraia BA. Household food insecurity is positively associated with depression among low-income supplemental nutrition assistance program participants and income-eligible nonparticipants. J Nutr [Online]. 2015;145(3):622&ndash;7. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3945/jn.114.199414" target="_blank">https://doi.org/10.3945/jn.114.199414</a>.</li>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<li>Vieira VL, Greg&oacute;rio MJ, Cervato-Mancuso AM, Gra&ccedil;a AR. A&ccedil;&otilde;es de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o e sua interface com seguran&ccedil;a alimentar e nutricional: uma compara&ccedil;&atilde;o entre Brasil e Portugal. Sa&uacute;de e Soc S&atilde;o Paulo [Online]. 2013;22(2):603&ndash;17. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902013000200028" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902013000200028</a>.</li>     <li>Andreyeva T, Tripp AS, Schwartz MB. Dietary quality of Americans by supplemental nutrition assistance program participation status: a systematic review. Am J Prev Med [Online]. 2015;49(4):594&ndash;604. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.amepre.2015.04.035" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.amepre.2015.04.035</a>.</li>     <li>Karnik A, Foster BA, Mayer V, Pratomo V, McKee D, Maher S, et al. Food insecurity and obesity in New York City primary care clinics. Med Care [Online]. 2011;49(7):658&ndash;61. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1097/MLR.0b013e31820fb967" target="_blank">https://doi.org/10.1097/MLR.0b013e31820fb967</a>.</li>     <li>Tarasuk V, Cheng J, Oliveira C, Dachner N, Gundersen C, Kurdyak P. Association between household food insecurity and annual health care costs. CMAJ [Online]. 2015;187(14):E429&ndash;36. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1503/cmaj.150234" target="_blank">https://doi.org/10.1503/cmaj.150234</a>.</li>     <li>Dailey AB, Hess A, Horton C, Constantian E, Monani S, Wargo B, et al. Healthy Options: A Community-Based Program to Address Food Insecurity. J Prev Interv Community [Online]. 2015;43(2):83&ndash;94. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1080/10852352.2015.973248" target="_blank">https://doi.org/10.1080/10852352.2015.973248</a>.</li>     <li>Grubb MCM, Levine RS, Zoorob RJ. Diet and obesity issues in the underserved. Prim Care [Online]. 2016;44(1):127&ndash;40. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.pop.2016.09.014" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.pop.2016.09.014</a>.</li>     </ol>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Carla Campos Correia</p>     <p>Rua da Almoinha, n.&ordm; 7,</p>     <p>3140-262 Montemor-o-Velho, Portugal</p> <a href="mailto:carlacamposcorreia@gmail.com">carlacamposcorreia@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 2 de outubro de 2017</p>     <p>Aceite a 15 de junho de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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