<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-5985</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Acta Portuguesa de Nutrição]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Acta Port Nutr]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-5985</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Nutrição]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-59852018000300006</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investigação qualitativa: perspetiva geral e importância para as ciências da nutrição]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Qualitative research: General perspective and importance for the Nutrition Sciences]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel Ferraz]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Campos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Claudinei José Gomes]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Siqueira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cibele]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Unidade Local de Saúde de Matosinhos Serviço de Nutrição e Alimentação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Sra. Hora, Matosinhos ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Enfermagem ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Campinas, SP ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Poços de Caldas, MG ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>30</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>30</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>14</numero>
<fpage>30</fpage>
<lpage>34</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-59852018000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-59852018000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-59852018000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo apresenta, de forma simples, a definição e fundamentos da pesquisa qualitativa, de forma a introduzir a temática da importância desta metodologia de investigação, para as ciências da nutrição e alimentação e os nutricionistas. Ao contrário da metodologia quantitativa, a pesquisa qualitativa é realizada através de uma abordagem interpretativa e naturalística do tema de estudo. Com o foco nos significados atribuídos pelos indivíduos ao objeto de estudo, a investigação qualitativa oferece um percurso científico propício à compreensão de um fenómeno tão complexo como o alimentar e nutricional. Não obstante o atual reconhecimento científico da importância da evidência qualitativa, a utilização desta metodologia é ainda muito reduzida e/ou pouco valorizada. O estabelecimento de mecanismos de educação e formação nesta temática e a elaboração de processos de colaboração interdisciplinar na realização de estudos científicos tornam-se assim vitais para o desenvolvimento da utilização desta metodologia, na área das ciências da nutrição e alimentação.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents, in a simple way, the definition and foundations of the qualitative research in order to introduce the thematic of the importance of this research methodology for the nutritional sciences and nutritionists. Unlike the quantitative methodology, qualitative research is realized through an interpretative and naturalistic approach of the subject of study. Qualitative research offers a scientific pathway conducive to the understanding of a phenomenon as complex as food and nutrition, however the use of this methodology is still very reduced or little valued. The establishment of education / training mechanisms in this area and processes of interdisciplinary collaboration in the conduct of scientific studies thus becomes vital for the development of the use of this methodology in the area of nutrition and food sciences.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Metodologia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Nutrição e Alimentação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pesquisa qualitativa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Methodology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Food and Nutrition]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Qualitative research]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p>     <p><strong>Investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa: perspetiva geral e import&acirc;ncia para as ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o</strong></p>     <p><strong>Qualitative research: General perspective and importance for the Nutrition Sciences</strong></p>     <p><strong>Isabel Ferraz Pinto<sup>1*</sup>; Claudinei Jos&eacute; Gomes Campos<sup>2</sup>; Cibele Siqueira<sup>3</sup></strong></p>     <p><sup>1&nbsp;</sup>Unidade Local de Sa&uacute;de de Matosinhos, Servi&ccedil;o de Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o, Rua Dr. Eduardo Torres, 4464-513 Sra. Hora, Matosinhos, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>&nbsp;Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas, Rua Tess&aacute;lia Vieira de Camargo, n.&ordm; 126, Cidade Universit&aacute;ria &ldquo;Zeferino Vaz&rdquo;, Campinas, SP, Brasil</p>     <p><sup>3</sup>&nbsp;Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Minas Gerais, Campus Po&ccedil;os de Caldas, Av. Padre Francis Cletus Cox, n.&ordm; 1661, Country Club, Po&ccedil;os de Caldas, MG, Brasil</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><strong>RESUMO</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo apresenta, de forma simples, a defini&ccedil;&atilde;o e fundamentos da pesquisa qualitativa, de forma a introduzir a tem&aacute;tica da import&acirc;ncia desta metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o, para as ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o e os nutricionistas. Ao contr&aacute;rio da metodologia quantitativa, a pesquisa qualitativa &eacute; realizada atrav&eacute;s de uma abordagem interpretativa e natural&iacute;stica do tema de estudo. Com o foco nos significados atribu&iacute;dos pelos indiv&iacute;duos ao objeto de estudo, a investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa oferece um percurso cient&iacute;fico prop&iacute;cio &agrave; compreens&atilde;o de um fen&oacute;meno t&atilde;o complexo como o alimentar e nutricional. N&atilde;o obstante o atual reconhecimento cient&iacute;fico da import&acirc;ncia da evid&ecirc;ncia qualitativa, a utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia &eacute; ainda muito reduzida e/ou pouco valorizada. O estabelecimento de mecanismos de educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o nesta tem&aacute;tica e a elabora&ccedil;&atilde;o de processos de colabora&ccedil;&atilde;o interdisciplinar na realiza&ccedil;&atilde;o de estudos cient&iacute;ficos tornam-se assim vitais para o desenvolvimento da utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia, na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><strong>PPALAVRAS-CHAVE</strong></p>     <p>Metodologia, Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o, Pesquisa qualitativa</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>This article presents, in a simple way, the definition and foundations of the qualitative research in order to introduce the thematic of the importance of this research methodology for the nutritional sciences and nutritionists. Unlike the quantitative methodology, qualitative research is realized through an interpretative and naturalistic approach of the subject of study. Qualitative research offers a scientific pathway conducive to the understanding of a phenomenon as complex as food and nutrition, however the use of this methodology is still very reduced or little valued. The establishment of education / training mechanisms in this area and processes of interdisciplinary collaboration in the conduct of scientific studies thus becomes vital for the development of the use of this methodology in the area of nutrition and food sciences.</p>     <p><strong>KEYWORDS</strong></p>     <p>Methodology, Food and Nutrition, Qualitative research</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>A pesquisa qualitativa origin&aacute;ria das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, ganhou, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, no seio das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de, for&ccedil;a e valor, atrav&eacute;s do reconhecimento da sua contribui&ccedil;&atilde;o para uma mais profunda compreens&atilde;o da complexidade do comportamento humano e da intera&ccedil;&atilde;o entre doen&ccedil;a e sociedade, levando alguns autores a anunciar &ldquo;uma revolu&ccedil;&atilde;o qualitativa&rdquo;, na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em sa&uacute;de (1-3). Na verdade, esta abordagem metodol&oacute;gica, anteriormente posicionada nos lugares inferiores da hierarquia de produ&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, &eacute;, atualmente, cada vez mais considerada como parte importante dos processos de tomada de decis&atilde;o, que direcionam o desenvolvimento de pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas de sa&uacute;de (2).</p>     <p>Os resultados produzidos por este tipo de metodologia n&atilde;o envolvem procedimentos estat&iacute;sticos. A pesquisa qualitativa tende a colocar quest&otilde;es utilizando &ldquo;o qu&ecirc;&rdquo;, &ldquo;como&rdquo; e &ldquo;porqu&ecirc;&rdquo;, e a analisar as respostas no contexto da vida quotidiana e dos significados e explica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;dos por cada indiv&iacute;duo ao fen&oacute;meno estudado (4). Das in&uacute;meras &aacute;reas de valor da pesquisa qualitativa para a sa&uacute;de salientam-se a sua relev&acirc;ncia para a compreens&atilde;o das experi&ecirc;ncias e sentimentos dos pacientes e seus familiares e para o estudo da organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de (3). De destacar, tamb&eacute;m, a sua import&acirc;ncia para a an&aacute;lise cr&iacute;tica do exerc&iacute;cio e forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, e o seu valor para o melhor planeamento, condu&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de desenhos de estudo quantitativo (3).</p>     <p>No entanto, este tipo de pesquisa re&uacute;ne ainda muitas resist&ecirc;ncias e d&uacute;vidas quanto aos seus tipos, caracter&iacute;sticas e aplica&ccedil;&otilde;es. Muitos consideram tamb&eacute;m dif&iacute;cil aceder &agrave; terminologia que a mesma envolve. E n&atilde;o obstante o atual reconhecimento cient&iacute;fico da import&acirc;ncia da evid&ecirc;ncia qualitativa, a abordagem quantitativa continua a dominar os estudos desenvolvidos, o que se publica e l&ecirc; e, por conseguinte, o que se ensina e discute ao n&iacute;vel acad&eacute;mico (4, 5).</p>     <p>No caso espec&iacute;fico das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o, o panorama n&atilde;o &eacute; diferente. Para muitos nutricionistas, a palavra investiga&ccedil;&atilde;o contempla maioritariamente perguntas, procedimentos e desenhos de estudo inerentes &agrave; pesquisa quantitativa (2-4). Contudo, quando um fen&oacute;meno n&atilde;o &eacute; facilmente med&iacute;vel, ou os processos de uma interven&ccedil;&atilde;o precisam ser compreendidos em profundidade, ou o conhecimento sobre um grupo ou cultura &eacute; limitado, ou as raz&otilde;es sobre determinados resultados quantitativos necessitam ser discernidas, outro tipo de investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. Nestes casos, a melhor abordagem &eacute; a oferecida pela pesquisa qualitativa (1-4).</p>     <p>Com &ecirc;nfase no significado atribu&iacute;do pelos indiv&iacute;duos e na compreens&atilde;o profunda dos fen&oacute;menos estudados, a pesquisa qualitativa pode, assim, complementar o conhecimento oferecido pela pesquisa quantitativa, ao explicar, por exemplo, padr&otilde;es de comportamento ou acontecimentos que parecem &ldquo;irracionais&rdquo;, inexplic&aacute;veis ou opacos, sob uma perspetiva biom&eacute;dica (4). S&atilde;o exemplos, os estudos qualitativos realizados para revelar os aspetos subjetivos do processo de tratamento ambulatorial da obesidade (6, 7), a contribui&ccedil;&atilde;o deste tipo de pesquisa para o conhecimento dos determinantes psicol&oacute;gicos, sociais, culturais do comportamento alimentar (8), o uso da abordagem qualitativa para uma melhor caracteriza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia alimentar de pacientes em ambiente hospitalar (9), entre tantas outras &aacute;reas de valor j&aacute; identificadas (3).</p>     <p>No entanto, ao mesmo tempo em que a pesquisa qualitativa parece oferecer um percurso cient&iacute;fico prop&iacute;cio &agrave; compreens&atilde;o de um fen&oacute;meno t&atilde;o complexo como o alimentar e nutricional, a utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia &eacute; ainda muito reduzida ou pouco valorizada, no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o (1-4). Assim, &eacute; objetivo deste artigo apresentar, de forma simples, a defini&ccedil;&atilde;o e fundamentos da pesquisa qualitativa, de modo a introduzir a tem&aacute;tica da import&acirc;ncia da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, para as ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o e para os nutricionistas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>A PESQUISA QUALITATIVA</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>Defini&ccedil;&atilde;o e Caracter&iacute;sticas</strong></p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa tem um foco multimetodol&oacute;gico, envolvendo abordagens interpretativas e natural&iacute;sticas dos temas estudados. O pesquisador qualitativo investiga num ambiente natural e interpreta os fen&oacute;menos, segundo os significados atribu&iacute;dos pelos participantes (10). Esta defini&ccedil;&atilde;o ressalta pontos importantes relativos a este tipo de metodologia, destacando-se entre eles, a abordagem multimetodol&oacute;gica, que envolve a utiliza&ccedil;&atilde;o de narrativas, est&oacute;rias de vida, documentos hist&oacute;ricos, entrevistas, observa&ccedil;&otilde;es, fotografias, textos visuais, entre outras fontes de dados. Do mesmo modo, chama tamb&eacute;m a aten&ccedil;&atilde;o para outras particularidades, como a utiliza&ccedil;&atilde;o do contexto natural, entendido como o local onde as pessoas vivem ou desenvolvem suas atividades quotidianas, em contraposi&ccedil;&atilde;o aos estudos que controlam este ambiente, e a valoriza&ccedil;&atilde;o do significado e sentido que os participantes atribuem &agrave;s coisas, entendidas aqui como o objeto de estudo (10).</p>     <p>Minayo define a metodologia qualitativa como:</p>     <p>&ldquo;aquela capaz de incorporar a quest&atilde;o do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es, e &agrave;s estruturas sociais, sendo estas &uacute;ltimas encaradas tanto no seu advento quanto na sua transforma&ccedil;&atilde;o, como constru&ccedil;&otilde;es humanas significativas&rdquo; (11).</p>     <p>Dentro desta conce&ccedil;&atilde;o, voltada para estrutura social do fen&oacute;meno, a autora ressalta ainda que,</p>     <p>&ldquo;a pesquisa qualitativa preocupa-se com o universo de significados, motivos, aspira&ccedil;&otilde;es, cren&ccedil;as, valores e atitudes, o que corresponde ao universo mais profundo das rela&ccedil;&otilde;es, dos processos e dos fen&oacute;menos, que n&atilde;o podem ser reduzidos &agrave; operacionaliza&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis&rdquo; (11).</p>     <p>Por fim, destaca-se a palavra significado, expl&iacute;cita nas duas defini&ccedil;&otilde;es anteriores, como ponto-chave dentro da abordagem qualitativa, pois atrav&eacute;s da sua interpreta&ccedil;&atilde;o podem-se compreender o participante da pesquisa, o seu modo de vida e as suas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais (10).</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa tem, na sua ess&ecirc;ncia, quatro caracter&iacute;sticas, que se encontram resumidas em seguida.</p> <ol>     <li><u>A fonte direta dos dados &eacute; o ambiente natural e o investigador &eacute; o principal agente da sua colheita</u></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O ambiente e o contexto onde os indiv&iacute;duos vivem quotidianamente e criam as suas a&ccedil;&otilde;es e&nbsp;modus vivendi, t&ecirc;m import&acirc;ncia essencial na compreens&atilde;o significativa das suas atividades. O meio imprime ao indiv&iacute;duo que nele vive, tra&ccedil;os peculiares que s&atilde;o desvelados &agrave; luz da compreens&atilde;o dos significados constru&iacute;dos por ele pr&oacute;prio (10). Desta maneira, compreender o indiv&iacute;duo fora do seu contexto natural, pode criar situa&ccedil;&otilde;es artificiais produzindo interpreta&ccedil;&otilde;es equivocadas. Como os problemas s&atilde;o pesquisados no ambiente natural em que ocorrem, sem qualquer manipula&ccedil;&atilde;o intencional do pesquisador, chamamos estes estudos de &ldquo;natural&iacute;sticos&rdquo; (11).</p>     <p>O pesquisador, presente no ambiente do estudo, torna-se de alta import&acirc;ncia para a pesquisa, visto que o mesmo sofre a a&ccedil;&atilde;o direta desse ambiente, e o fen&oacute;meno estudado passa a ser interpretado e compreendido de maneira mais abrangente (12). O pesquisador qualitativo deve manter-se no ambiente de estudo por tempo prolongado, de modo a proporcionar espa&ccedil;os deliberados para o aparecimento de conte&uacute;dos e perceber aspetos imprevis&iacute;veis de antem&atilde;o (13). No ambiente natural, dentro de um enquadramento qualitativo de pesquisa, o pesquisador serve, assim, como &lsquo;instrumento&rsquo; atrav&eacute;s do qual os dados s&atilde;o coletados (14).</p> <ol start="2">     <li><u>Os dados recolhidos s&atilde;o essencialmente de car&aacute;ter descritivo</u></li>     </ol>     <p>Os dados s&atilde;o coletados e apresentados na sua quase totalidade na forma de texto ou imagens. Estes dados incluem transcri&ccedil;&otilde;es de entrevistas, anota&ccedil;&otilde;es de campo, fotografias, produ&ccedil;&otilde;es pessoais, depoimentos ou outras formas de documentos. O investigador qualitativo tenta interpretar os dados em toda a sua riqueza, respeitando, se poss&iacute;vel, a forma de registo ou transcri&ccedil;&atilde;o. Cita&ccedil;&otilde;es ou trechos dos documentos coletados s&atilde;o normalmente apresentados para ilustrar uma situa&ccedil;&atilde;o ou esclarecer uma afirma&ccedil;&atilde;o (15).</p> <ol start="3">     <li><u>O investigador interessa-se, acima de tudo, por tentar compreender o significado que os participantes atribuem &agrave;s suas experi&ecirc;ncias</u></li>     </ol>     <p>A aten&ccedil;&atilde;o do pesquisador est&aacute; depositada na &ecirc;nfase que os indiv&iacute;duos colocam no seu modo de vida, nas suas rela&ccedil;&otilde;es quotidianas, e em como significam e ressignificam as mudan&ccedil;as ou manuten&ccedil;&atilde;o de determinados costumes ou cren&ccedil;as. O significado ou sentido que os indiv&iacute;duos d&atilde;o aos fen&oacute;menos vivenciados &eacute; o foco da pesquisa qualitativa. A maneira como os participantes vivenciam e informam uma situa&ccedil;&atilde;o vivida &eacute; relevante e singular. Deste modo, o enfoque dos dados pesquisados reside nos significados atribu&iacute;dos pelos participantes (15).</p> <ol start="4">     <li><u>A an&aacute;lise dos dados &eacute; feita de forma indutiva</u></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A indu&ccedil;&atilde;o &eacute; um m&eacute;todo mental por interm&eacute;dio do qual, partindo-se de dados particulares, suficientemente constatados, se infere uma conclus&atilde;o geral ou universal, n&atilde;o contida nas partes examinadas. Desta forma, o objetivo dos argumentos indutivos &eacute; apresentar resultados, cujo conte&uacute;do &eacute; mais amplo do que as premissas nas quais se basearam (16). N&atilde;o h&aacute; aqui a preocupa&ccedil;&atilde;o de comprovar hip&oacute;teses. Atrav&eacute;s da inter-rela&ccedil;&atilde;o dos dados &agrave; medida que s&atilde;o colhidos, os pesquisadores qualitativos v&atilde;o construindo, de &ldquo;baixo para cima&rdquo;, as suas conclus&otilde;es e teorias. A constru&ccedil;&atilde;o do resultado final do estudo vai assim ganhando forma &agrave; medida que os dados v&atilde;o sendo analisados, n&atilde;o se conhecendo de antem&atilde;o qual &eacute; a sua forma ou conte&uacute;do (12).</p>     <p>Cabe referir tamb&eacute;m que, no &acirc;mbito da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, v&aacute;rios m&eacute;todos de pesquisa podem ser utilizados. S&atilde;o exemplos: a etnografia, a fenomenologia, a teoria baseada em dados, o estudo de caso qualitativo, a intera&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e a pesquisa a&ccedil;&atilde;o (15). O m&eacute;todo escolhido para determinada investiga&ccedil;&atilde;o reflete a abordagem geral &agrave;s quest&otilde;es de pesquisa em estudo, e no &acirc;mbito de cada m&eacute;todo uma variedade de t&eacute;cnicas de amostragem e colheita de dados podem ser usados. Os estudos qualitativos utilizam, amostras pequenas e n&atilde;o padronizadas, quando comparados com os estudos quantitativos. A composi&ccedil;&atilde;o da amostra &eacute;, assim, muitas das vezes realizada por intencionalidade, o que significa que os pesquisadores qualitativos procuram propositadamente aqueles indiv&iacute;duos que, segundo observa&ccedil;&atilde;o ou viv&ecirc;ncia pr&eacute;via do campo de estudo, possam fornecer dados importantes e ricos sobre o fen&oacute;meno, contribuindo assim para que se possam atingir os objetivos de pesquisa propostos (17).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>As T&eacute;cnicas de Colheita de Dados Adequadas aos Estudos Qualitativos</strong></p>     <p>As principais t&eacute;cnicas utilizadas na colheita de dados qualitativos s&atilde;o a entrevista n&atilde;o estruturada, a observa&ccedil;&atilde;o e o grupo focal (18). O pesquisador deve atentar a todos os elementos recolhidos, pois um aspeto aparentemente trivial pode ser importante para a melhor compreens&atilde;o do problema. As t&eacute;cnicas de colheita de dados devem ter valida&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e revelar as condi&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas utilizadas, sendo esta uma necessidade ainda mais premente na metodologia qualitativa, muitas vezes ainda vista, equivocadamente, como menos cient&iacute;fica ou rigorosa (19).</p>      <p><u>A Entrevista</u></p>     <p>A entrevista &eacute; uma das t&eacute;cnicas mais utilizadas na colheita de dados, em pesquisa qualitativa. Trata-se a entrevista como um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informa&ccedil;&otilde;es a respeito de determinado assunto, mediante uma conversa&ccedil;&atilde;o de natureza profissional (20). Algumas vantagens desta t&eacute;cnica s&atilde;o a capta&ccedil;&atilde;o imediata e corrente de informa&ccedil;&otilde;es desejadas, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados assuntos, al&eacute;m da oportunidade de aprofundar t&oacute;picos levantados por outras t&eacute;cnicas de colheita, de alcance mais superficial (16). No que toca &agrave; diretividade da condu&ccedil;&atilde;o, as entrevistas mais adequadas ao car&aacute;ter qualitativo de investiga&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o as n&atilde;o estruturadas e as semiestruturadas. A primeira, de car&aacute;ter totalmente aberto, coloca o entrevistado em posi&ccedil;&atilde;o de discorrer sobre um determinado assunto de forma livre, e &eacute; indicada quando o pesquisador tem pouca informa&ccedil;&atilde;o sobre o assunto ou sobre o participante da pesquisa. J&aacute; nas entrevistas semiestruturadas, o car&aacute;ter de abertura dada &agrave;s quest&otilde;es continua, por&eacute;m h&aacute; delimita&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica na tem&aacute;tica, ou seja, s&atilde;o colocados elementos espec&iacute;ficos na constru&ccedil;&atilde;o do enunciado da pergunta, que dar&atilde;o um certo direcionamento ao que se deseja conhecer com maior profundidade. O encadeamento das perguntas das entrevistas de car&aacute;ter semiestruturado &eacute; apoiado pelos pressupostos e teorias que interessam &agrave; pesquisa, e simultaneamente fruto de novos pressupostos que surgem ao longo da entrevista (15).</p>      <p><u>Observa&ccedil;&atilde;o Participante</u></p>     <p>Nascida na tradi&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica de investiga&ccedil;&atilde;o, a observa&ccedil;&atilde;o participante, inicialmente utilizada e batizada por Brosnilaw Malinovisk, tamb&eacute;m &eacute; amplamente utilizada em pesquisas qualitativas (21). Tal t&eacute;cnica permite o contacto direto entre pesquisador e o fen&oacute;meno observado, para se conseguir informa&ccedil;&otilde;es sobre a realidade dos participantes em seus contextos pr&oacute;prios. Esta t&eacute;cnica guarda a import&acirc;ncia de se poder observar uma variedade de situa&ccedil;&otilde;es ou fen&oacute;menos n&atilde;o poss&iacute;veis de revelar pelas entrevistas, possibilitando assim o acesso &agrave; imponderabilidade da vida real (22).</p>      <p><u>Grupo Focal</u></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grupo focal &eacute; uma t&eacute;cnica de colheita de dados qualitativos eficaz para esclarecer as normas sociais de uma comunidade ou subgrupo, bem como a gama de perspetivas que existem dentro dessa comunidade ou subgrupo, sobre determinado tema ou assunto (23). Os grupos focais procuram iluminar a opini&atilde;o do grupo, permitindo o acesso a m&uacute;ltiplos pontos de vista sobre um tema espec&iacute;fico. Uma das suas principais vantagens &eacute; a capacidade de produzir uma grande quantidade de informa&ccedil;&otilde;es num per&iacute;odo relativamente curto de tempo, valorizando a din&acirc;mica do grupo. A sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos participantes, a organiza&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o do grupo, bem como a condu&ccedil;&atilde;o dos grupos focais s&atilde;o pontos relevantes para a correta utiliza&ccedil;&atilde;o desta t&eacute;cnica (23).</p>      <p><strong>A An&aacute;lise de Dados na Pesquisa Qualitativa</strong></p>     <p>Uma an&aacute;lise qualitativa fidedigna n&atilde;o prescinde dos verbos compreender e interpretar e dos substantivos experi&ecirc;ncia e viv&ecirc;ncia (20). Os m&eacute;todos de an&aacute;lise em pesquisa qualitativa s&atilde;o v&aacute;rios, por&eacute;m o pesquisador deve dominar a t&eacute;cnica, percorrer as fases com transpar&ecirc;ncia, e apresentar cada passo de modo a conferir credibilidade &agrave; pesquisa. A experi&ecirc;ncia do pesquisador, o embasamento te&oacute;rico e o dom&iacute;nio da t&eacute;cnica de an&aacute;lise de dados utilizada, interferem de modo importante, tanto nos resultados quanto nas conclus&otilde;es. Em pesquisas qualitativas, o m&eacute;todo mais utilizado para o tratamento dos dados &eacute; a an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>     <p>As t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de conte&uacute;do permitem tornar replic&aacute;veis e v&aacute;lidas infer&ecirc;ncias sobre dados de um determinado contexto, por meio de procedimentos especializados e cient&iacute;ficos (11). Existem v&aacute;rias modalidades de an&aacute;lise de conte&uacute;do. Optamos aqui em descrever brevemente tr&ecirc;s tipos (11). Na an&aacute;lise tem&aacute;tica como o pr&oacute;prio nome indica, o tema est&aacute; ligado a determinado assunto, e pode ser representado por uma palavra, frase ou um resumo. A an&aacute;lise de discurso tem como foco principal o sentido de uma palavra, express&atilde;o ou uma proposi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o existe em si mesmo. Por fim, a an&aacute;lise lexical tem in&iacute;cio com a contagem de palavras e ap&oacute;s avan&ccedil;a em dire&ccedil;&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o e dimens&atilde;o do texto em estudo. As palavras s&atilde;o agrupadas por similaridade, retirando-se as que apresentam pouco interesse, de modo que no final representem o sentido do texto (11). Atualmente, existem tamb&eacute;m diversas ferramentas inform&aacute;ticas de suporte &agrave; an&aacute;lise de dados realizada pelo pesquisador (11).</p>      <p><strong>Os Procedimentos de Rigor Metodol&oacute;gico na Pesquisa Qualitativa</strong></p>     <p>Apesar das diferen&ccedil;as dos objetivos e m&eacute;todos utilizados na investiga&ccedil;&atilde;o quantitativa e qualitativa, a necessidade de conduzir e reportar estudos metodologicamente rigorosos e transparentes &eacute; comum a ambas as abordagens. Na pesquisa qualitativa, rigor &eacute; frequentemente avaliado utilizando o conceito de Confiabilidade (24). Miles e Huberman, com base no trabalho de Lincon e Guba, propuseram cinco elementos que devem ser aplicados para garantir a Confiabilidade: Credibilidade, Transferibilidade, Dependabilidade, Confirmabilidade e Autenticidade (25). As defini&ccedil;&otilde;es de cada um destes elementos encontram-se reunidas no <a href ="/img/revistas/apn/n14/n14a06q1.jpg">Quadro 1</a>.</p>     
<p>Uma s&eacute;rie de estrat&eacute;gias tem sido sugerida para alcan&ccedil;ar estes elementos, tais como: a reflex&atilde;o do pesquisador sobre as suas cren&ccedil;as e percurso profissional pr&eacute;vio, a presen&ccedil;a por tempo prolongado no ambiente de estudo, a verifica&ccedil;&atilde;o do processo de an&aacute;lise por um auditor externo, entre outras (26).</p>     <p>Do mesmo modo, o uso das recomenda&ccedil;&otilde;es atualmente preconizadas para a comunica&ccedil;&atilde;o formal de estudos cient&iacute;ficos &eacute; tamb&eacute;m bastante aconselh&aacute;vel aquando da escrita e publica&ccedil;&atilde;o de pesquisas qualitativas. A utiliza&ccedil;&atilde;o destas ferramentas favorece a melhoraria da qualidade da apresenta&ccedil;&atilde;o dos estudos e permite ao leitor um melhor entendimento da conduta do investigador quanto ao desenho do estudo, o processo de an&aacute;lise dos dados e de apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados (27). Atualmente est&aacute; dispon&iacute;vel na literatura um conjunto de recomenda&ccedil;&otilde;es, desenvolvidas para um grupo diverso de desenhos de estudo e &aacute;reas cl&iacute;nicas de interven&ccedil;&atilde;o quer quantitativas quer qualitativas (27). S&atilde;o exemplos para os estudos qualitativos, os COREQ &ndash;&nbsp;Consolidated criteria for reporting qualitative research&nbsp;e os SRQR &ndash;&nbsp;Standards for reporting qualitative research: a synthesis of recommendations&nbsp;(28, 29).</p>      <p><strong>A Import&acirc;ncia da Pesquisa Qualitativa para as Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o</strong></p>     <p>Talvez a forma mais simplista de abordar o estudo da nutri&ccedil;&atilde;o &eacute; entend&ecirc;--la apenas como um processo biol&oacute;gico. No entanto, o fen&oacute;meno alimentar e nutricional &eacute; uma entidade amplamente mais complexa, do que a oferecida por esta abordagem. Ele reveste-se de caracter&iacute;sticas, pap&eacute;is e nuances m&uacute;ltiplas, para o indiv&iacute;duo e a sociedade, tais como as psicossociais, emocionais, culturais, pol&iacute;tico-econ&oacute;micas e organizacionais, entre muitas outras (1-4). Os nutricionistas trabalham diariamente no centro desta complexidade, tentando diminuir o intervalo entre os dados cient&iacute;ficos l&oacute;gicos e ambiguidade do comportamento alimentar humano, pressentindo o impacto maior e mais abrangente que alimenta&ccedil;&atilde;o tem na vida de um indiv&iacute;duo, grupo ou sociedade ou equacionando o seu papel e pr&aacute;tica profissional, no seu ambiente de trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pesquisa qualitativa, quando realizada corretamente, oferece um caminho metodol&oacute;gico para o discernimento destas e muitas outras quest&otilde;es. Os estudos desenvolvidos nesta &aacute;rea come&ccedil;aram h&aacute; algumas d&eacute;cadas, com as pesquisas de foro antropol&oacute;gico (30). Os antropologistas estudaram o simbolismo alimentar, os marcadores alimentares de identidade regional e nacional, as proibi&ccedil;&otilde;es e tabus, os rituais e organiza&ccedil;&atilde;o social em torno da alimenta&ccedil;&atilde;o, entre muitas outras tem&aacute;ticas (30, 31).</p>     <p>Atualmente, na &aacute;rea da alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o, os tipos de objetos de estudo ampliaram-se. A pesquisa qualitativa tem-se tornado relevante para a compreens&atilde;o, em profundidade, dos padr&otilde;es de comportamento, incluindo os padr&otilde;es de consumo alimentar, e como esses padr&otilde;es podem influenciar e interagir com a sa&uacute;de e o estado nutricional. Nesta base, este tipo de pesquisa &eacute; &uacute;til tamb&eacute;m na identifica&ccedil;&atilde;o de prioridades e necessidades relevantes para contextos sociais e culturais espec&iacute;ficos e/ou grupos de indiv&iacute;duos, e conceber e implementar interven&ccedil;&otilde;es nutricionais apropriadas (1-4).</p>     <p>Do mesmo modo, na literatura, s&atilde;o encontradas tamb&eacute;m pesquisas sobre: o estudo das dimens&otilde;es sociais, cognitivas e psicol&oacute;gicas do comportamento alimentar, a avalia&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es educativas, a an&aacute;lise da pr&aacute;tica profissional do nutricionista, a avalia&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o e de programas de educa&ccedil;&atilde;o graduada e p&oacute;s-graduada, e a organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de alimenta&ccedil;&atilde;o coletiva e restaura&ccedil;&atilde;o (30,31), entre muitas outras. A pesquisa qualitativa tem sido tamb&eacute;m utilizada para melhor entender os resultados produzidos pelas pesquisas de foro quantitativo, ou mesmo para colaborar no desenho de estudos quantitativos, abrindo espa&ccedil;o para o que hoje se denomina de pesquisa com metodologia mista ou &ldquo;mixed methods studies&rdquo;(32).</p>      <p><strong>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA E CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Este artigo apresentou a defini&ccedil;&atilde;o e fundamentos da pesquisa qualitativa, de forma a introduzir a tem&aacute;tica da import&acirc;ncia desta metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o, para as ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o e os nutricionistas. No seguimento foi apresentado um breve resumo sobre a aplica&ccedil;&atilde;o deste tipo de pesquisa em estudos na &aacute;rea.</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o desta metodologia apresenta-se como particularmente relevante para a investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o e para a expans&atilde;o do conhecimento. Em Portugal, n&atilde;o existem ainda, estudos formais sobre a aplica&ccedil;&atilde;o deste tipo de metodologia em trabalhos cient&iacute;ficos desenvolvidos na &aacute;rea da alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o, mas a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica parece indicar que a pesquisa qualitativa enfrenta ainda muitas resist&ecirc;ncias, quer ao n&iacute;vel do conhecimento pelos nutricionistas, quer da sua aplica&ccedil;&atilde;o nos estudos realizados a n&iacute;vel acad&eacute;mico ou publicados na literatura.</p>     <p>Esta realidade apresenta-se de forma paradoxal face &agrave;s caracter&iacute;sticas do fen&oacute;meno alimentar e nutricional e &agrave; confiabilidade deste tipo de pesquisa, quando desenvolvida corretamente, impondo-se a quest&atilde;o: &ldquo;Porque &eacute; que a &aacute;rea das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o, de cunho t&atilde;o humanista e intersubjetivo em suas atividades, ainda tem fortes resist&ecirc;ncias para conhecer e reconhecer a cientificidade e aplicabilidade da metodologia qualitativa?&rdquo;</p>     <p>As breves refer&ecirc;ncias explanat&oacute;rias presentes neste artigo, sobre a aplicabilidade da metodologia qualitativa apontam para um movimento mundial, muito atual, ao n&iacute;vel das pesquisas desenvolvidas na &aacute;rea da sa&uacute;de em geral e da nutri&ccedil;&atilde;o em espec&iacute;fico, que buscam um conhecimento mais amplo dos fen&oacute;menos estudados. A pesquisa qualitativa, quando desenhada e desenvolvida rigorosamente, entre muitas outras &aacute;reas de aplica&ccedil;&atilde;o, possibilita a compreens&atilde;o aprofundada do comportamento alimentar, sendo &uacute;til ao desenho e avalia&ccedil;&atilde;o de projetos e programas para a comunidade, e revela as experi&ecirc;ncias dos pacientes, familiares e profissionais de sa&uacute;de envolvidos com o cuidado alimentar e nutricional, oferecendo uma vis&atilde;o mais assertiva, e humana do cuidar.</p>     <p>Perante a import&acirc;ncia deste tipo de pesquisa e a realidade atual das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o perante a mesma, parece-nos que o estabelecimento de mecanismos de educa&ccedil;&atilde;o/forma&ccedil;&atilde;o nesta tem&aacute;tica e a aplica&ccedil;&atilde;o de processos de colabora&ccedil;&atilde;o interdisciplinar na realiza&ccedil;&atilde;o de estudos cient&iacute;ficos poder&atilde;o ser estrat&eacute;gias importantes, para o desenvolvimento da utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia, na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias da nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o, e a subsequente produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento espec&iacute;fico nesta &aacute;rea.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>     <li>Denzin NK and Lincoln Y. Introduction &ndash; The discipline and practice of qualitative research. In Denzin NK and Lincoln Y(eds) The Sage Handbook of Qualitative Research. 3 ed. London: Sage Publications; 2005, pp. 1-32.</li>     <li>Swift JA, Tischler V. Getting started in qualitative research. J Hum Nutr Diet. 2010; 23: 559-566.</li>     <li>Harris JE, Gleason PM, Sheean PM et al. An introduction to qualitative research for food and nutrition professionals. J Am Diet Assoc. 2009; 109: 80-90.</li>     <li>Draper AK. The principles and application of qualitative research. Proc Nutr Soc. 2004; 63, 641&ndash;646.</li>     <li>Richardson JC, Liddle J. Where does good quality qualitative health care research get published?. Prim Health Care Res Dev. 2017; 18: 515-521.</li>     <li>Vieira CM, Turato ER. Percep&ccedil;&otilde;es de pacientes sobre alimenta&ccedil;&atilde;o no seu processo de adoecimento cr&ocirc;nico por s&iacute;ndrome metab&oacute;lica: um estudo qualitativo. Rev Nutr. 2010; 23 (3): 425-432.</li>     <li>Koehnlein EA, Salado GA, Yamada AN. Ades&atilde;o &agrave; reeduca&ccedil;&atilde;o alimentar para perda de peso: determinantes, resultados e a percep&ccedil;&atilde;o do paciente. RevBrasNutrCl&iacute;n. 2008; 23(1): 56-65.</li>     <li>Farahmand M, Amiri P, Tehrani FR, et al. What are the main barriers to healthy eating among families? A qualitative exploration of perceptions and experiences of Tehranian men. Appetite. 2015; 89: 291-297.</li>     <li>Naithani S, Whelan K, Thomas J, et al. Hospital inpatients&rsquo; experiences of access to food: a qualitative interview and observational study. Health Expect. 2008; 11: 294-303.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Denzin NK and Lincoln YS. The Sage handbook of qualitative research. 4 ed. London: Sage Publication; 2008.</li>     <li>Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em sa&uacute;de. 14 ed. S&atilde;o Paulo: Hucitec; 2014.</li>     <li>Bogdan R, Biklen S. Investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa em educa&ccedil;&atilde;o: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria e aos m&eacute;todos. Porto: Porto Editora; 2010.</li>     <li>Anderson A. Una introducci&oacute;n a la investigaci&oacute;n cualitativa. Rev Peru Psiq. 2000; 6(1):103-112.</li>     <li>Turato ER. Tratado da metodologia da pesquisa clinica-qualitativa. 6 ed. Petr&oacute;polis: Vozes; 2013.</li>     <li>Trivi&ntilde;os ANS. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais: a pesquisa qualitativa em educa&ccedil;&atilde;o. 1 ed. S&atilde;o Paulo: Atlas; 2017.</li>     <li>Ludke M, Andr&eacute; MEDA. Pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o: abordagens qualitativas. 2ed. S&atilde;o Paulo: E.P.U.;2013.</li>     <li>Onocko-Campos R. Fale com eles! O trabalho interpretativo e a produ&ccedil;&atilde;o de consenso na pesquisa qualitativa em sa&uacute;de: inova&ccedil;&otilde;es a partir de desenhos participativos. Physis. 2011; 21(4): 1269-1286.</li>     <li>Correia T. Interpreta&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em pesquisa qualitativa. Interface. 2013; 15(45): 263-274.</li>     <li>Lakatos EM, Marconi MA. Fundamentos de metodologia cient&iacute;fica. 7 ed. S&atilde;o Paulo: Atlas; 2010.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Minayo MCS. Pesquisa social: teoria, m&eacute;todo e criatividade. 32 ed. S&atilde;o Paulo: Vozes; 2012.</li>     <li>Malinowski B. Uma teoria cient&iacute;fica da cultura. 1ed. Rio de Janeiro: Zahar; 1975.</li>     <li>Mack N, Woodsong KMQ, Guest G et al. Participant Observation. In: Family Health International (eds) Qualitative Research Methods: a data collector&rsquo;s field guide. 1&ordf; ed. North E3: Family Health International Publications;2005.p: 13-29.</li>     <li>Mack N, Woodsong KMQ, Guest G et al. Focus Group. In: Family Health International (eds) Qualitative Research Methods: a data collector&rsquo;s field guide. 1&ordf; ed. North Carolina: Family Health International Publications; 2005,p: 51-81.</li>     <li>Denzin NK, Lincoln YS. Paradigms and perspectives in transition. In: Denzin NK, Lincoln YS (eds). Handbook of Qualitative Research. 2nd ed. Thousand Oaks, California Sage; 2000. p:157-162.</li>     <li>Miles MB and Huberman AM. Data management and analysis methods. In: Denzin NK and Lincoln YS (eds) Handbook of Qualitative Research. 2nd ed. Thousand Oaks, California: Sage; 1994, pp. 428-444.</li>     <li>Coutinho C. Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa: algumas considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e recomenda&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas. In: Souza FN, Souza DN, Costa AP (eds). Investiga&ccedil;&atilde;o Qualitativa &ndash; Inova&ccedil;&atilde;o, Dilemas e Desafios. 1&ordf; ed. Aracaju, Sergipe: Editora Tiradentes; 2015.p: 103-124.</li>     <li>EQUATOR Network - Enhancing the Quality and Transparency Of health Research [webpage]. Oxford: EQUATOR Network; [atualizado em 2017 Nov 3; citado em 2018 Fev 22]. Dispon&iacute;vel em:<a href=" http://www.equator-network.org" target="_blank"> http://www.equator-network.org</a>.</li>     <li>Tong A, Sainsbury P, Craig J. Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups. Int J Qual Health Care. 2007; 19(6): 349-357.</li>     <li>O&rsquo;Brien BC, Harris IB, Beckman TJ, et al. Standards for reporting qualitative research: a synthesis of recommendations. Acad Med. 2014; 89(9):1245-1251.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Canesqui AM. Pesquisas qualitativas em nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o. RevNutr. 2009; 22(1): 125-139.</li>     <li>Boog MCF. A Pesquisa qualitativa no campo da alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o. In: Barros AJP, Cecatti JG, Turato ER (eds). Pesquisa qualitativa em sa&uacute;de: m&uacute;ltiplos olhares. Campinas:Komedi; 2005. p: 97-108.</li>     <li>Zoellner J, Harris JE. Mixed-Methods Research in Nutrition and Dietetics. J AcadNutrDiet. 2017; 117(5): 683-697.</li>     </ol>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Isabel Ferraz Pinto</p>     <p>Unidade Local de Sa&uacute;de, Servi&ccedil;o de Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o, Rua Dr. Eduardo Torres, 4464-513 Sra. Hora, Matosinhos, Portugal</p> <a href="mailto:monday.isabel@gmail.com">monday.isabel@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 5 de mar&ccedil;o de 2018</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aceite a 25 de setembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Denzin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lincoln]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introduction - The discipline and practice of qualitative research.In Denzin NK and Lincoln Y(eds) The Sage Handbook of Qualitative Research. 3 ed]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Swift]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tischler]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Getting started in qualitative research]]></article-title>
<source><![CDATA[J Hum Nutr Diet]]></source>
<year>2010</year>
<volume>23</volume>
<page-range>559-566</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Harris]]></surname>
<given-names><![CDATA[JE]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gleason]]></surname>
<given-names><![CDATA[PM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sheean]]></surname>
<given-names><![CDATA[PM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An introduction to qualitative research for food and nutrition professionals]]></article-title>
<source><![CDATA[J Am Diet Assoc]]></source>
<year>2009</year>
<volume>109</volume>
<page-range>80-90</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Draper]]></surname>
<given-names><![CDATA[AK]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The principles and application of qualitative research]]></article-title>
<source><![CDATA[Proc Nutr Soc]]></source>
<year>2004</year>
<volume>63</volume>
<page-range>641-646</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Richardson]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Liddle]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Where does good quality qualitative health care research get published]]></article-title>
<source><![CDATA[Prim Health Care Res Dev]]></source>
<year>2017</year>
<volume>18</volume>
<page-range>515-521</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[CM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Turato]]></surname>
<given-names><![CDATA[ER]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepções de pacientes sobre alimentação no seu processo de adoecimento crônico por síndrome metabólica: um estudo qualitativo]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Nutr]]></source>
<year>2010</year>
<volume>23</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>425-432</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koehnlein]]></surname>
<given-names><![CDATA[EA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salado]]></surname>
<given-names><![CDATA[GA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Yamada]]></surname>
<given-names><![CDATA[AN]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adesão à reeducação alimentar para perda de peso: determinantes, resultados e a percepção do paciente]]></article-title>
<source><![CDATA[RevBrasNutrClín]]></source>
<year>2008</year>
<volume>23</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>56-65</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Farahmand]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Amiri]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tehrani]]></surname>
<given-names><![CDATA[FR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What are the main barriers to healthy eating among families: A qualitative exploration of perceptions and experiences of Tehranian men]]></article-title>
<source><![CDATA[Appetite]]></source>
<year>2015</year>
<volume>89</volume>
<page-range>291-297</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Naithani]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Whelan]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thomas]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hospital inpatients' experiences of access to food: a qualitative interview and observational study]]></article-title>
<source><![CDATA[Health Expect]]></source>
<year>2008</year>
<volume>11</volume>
<page-range>294-303</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Denzin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lincoln]]></surname>
<given-names><![CDATA[YS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Sage handbook of qualitative research.]]></source>
<year>2008</year>
<edition>4 ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publication]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Minayo]]></surname>
<given-names><![CDATA[MCS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.]]></source>
<year>2014</year>
<edition>14 ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hucitec]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bogdan]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Biklen]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Porto Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Anderson]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Una introducción a la investigación cualitativa]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Peru Psiq]]></source>
<year>2000</year>
<volume>6</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>103-112</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Turato]]></surname>
<given-names><![CDATA[ER]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tratado da metodologia da pesquisa clinica-qualitativa.6 ed]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Triviños]]></surname>
<given-names><![CDATA[ANS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação.]]></source>
<year>2017</year>
<edition>1 ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Atlas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ludke]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MEDA]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa em educação: abordagens qualitativas]]></source>
<year>2013</year>
<edition>2ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Onocko-Campos]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fale com eles: O trabalho interpretativo e a produção de consenso na pesquisa qualitativa em saúde: inovações a partir de desenhos participativos]]></article-title>
<source><![CDATA[Physis]]></source>
<year>2011</year>
<volume>21</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>1269-1286</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Correia]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Interpretação e validação científica em pesquisa qualitativa]]></article-title>
<source><![CDATA[Interface]]></source>
<year>2013</year>
<volume>15</volume>
<numero>45</numero>
<issue>45</issue>
<page-range>263-274</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lakatos]]></surname>
<given-names><![CDATA[EM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marconi]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fundamentos de metodologia científica.7 ed]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Atlas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Minayo]]></surname>
<given-names><![CDATA[MCS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa social: teoria, método e criatividade.]]></source>
<year>2012</year>
<edition>32 ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Malinowski]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma teoria científica da cultura.]]></source>
<year>1975</year>
<edition>1ed</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zahar]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mack]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Woodsong]]></surname>
<given-names><![CDATA[KMQ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Guest]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Participant Observation]]></article-title>
<collab>Family Health International</collab>
<source><![CDATA[Qualitative Research Methods: a data collector's field guide]]></source>
<year>2005</year>
<edition>1ª ed</edition>
<page-range>13-29</page-range><publisher-name><![CDATA[North E3: Family Health International Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<label>23</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mack]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Woodsong]]></surname>
<given-names><![CDATA[KMQ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Guest]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Focus Group]]></article-title>
<collab>Family Health International</collab>
<source><![CDATA[Qualitative Research Methods: a data collector's field guide]]></source>
<year>2005</year>
<edition>1</edition>
<publisher-loc><![CDATA[North Carolina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Family Health International Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<label>24</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Denzin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lincoln]]></surname>
<given-names><![CDATA[YS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Paradigms and perspectives in transition]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Denzin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lincoln]]></surname>
<given-names><![CDATA[YS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Handbook of Qualitative Research]]></source>
<year>2000</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Thousand Oaks ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[California Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<label>25</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Miles]]></surname>
<given-names><![CDATA[MB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Huberman]]></surname>
<given-names><![CDATA[AM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Data management and analysis methods]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Denzin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lincoln]]></surname>
<given-names><![CDATA[YS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Handbook of Qualitative Research]]></source>
<year>1994</year>
<edition>2</edition>
<page-range>p</page-range><publisher-loc><![CDATA[California ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<label>26</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Coutinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação da qualidade da investigação qualitativa: algumas considerações teóricas e recomendações práticas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Souza]]></surname>
<given-names><![CDATA[FN]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Souza]]></surname>
<given-names><![CDATA[DN]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[AP]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Investigação Qualitativa - Inovação, Dilemas e Desafios]]></source>
<year>2015</year>
<edition>1</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Sergipe ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Tiradentes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<label>27</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>EQUATOR Network</collab>
<source><![CDATA[Enhancing the Quality and Transparency Of health Research]]></source>
<year>2017</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<label>28</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tong]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sainsbury]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Craig]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups]]></article-title>
<source><![CDATA[Int J Qual Health Care]]></source>
<year>2007</year>
<volume>19</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>349-357</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<label>29</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[O'Brien]]></surname>
<given-names><![CDATA[BC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Harris]]></surname>
<given-names><![CDATA[IB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beckman]]></surname>
<given-names><![CDATA[TJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Standards for reporting qualitative research: a synthesis of recommendations]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>2014</year>
<volume>89</volume>
<numero>9</numero>
<issue>9</issue>
<page-range>1245-1251</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<label>30</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Canesqui]]></surname>
<given-names><![CDATA[AM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pesquisas qualitativas em nutrição e alimentação]]></article-title>
<source><![CDATA[RevNutr]]></source>
<year>2009</year>
<volume>22</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>125-139</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<label>31</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Boog]]></surname>
<given-names><![CDATA[MCF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Pesquisa qualitativa no campo da alimentação e nutrição]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[AJP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cecatti]]></surname>
<given-names><![CDATA[JG]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Turato]]></surname>
<given-names><![CDATA[ER]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa qualitativa em saúde: múltiplos olhares]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Komedi]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<label>32</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zoellner]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Harris]]></surname>
<given-names><![CDATA[JE]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Mixed-Methods Research in Nutrition and Dietetics]]></article-title>
<source><![CDATA[J AcadNutrDiet]]></source>
<year>2017</year>
<volume>117</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>683-697</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
