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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2018.1503</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Resultados do acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes com sobrecarga ponderal nos cuidados de saúde primários]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Results from the follow-up of overweight children and adolescents in the primary health care]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Instituto de Saúde Pública Grupo de Investigação em Epidemiologia da Nutrição e da Obesidade - EPIUnit]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Childhood obesity is a Public Health challenge, for which inadequate food habits and insufficient physical activity are major risk factors and very common among children, nowadays. Objectives: The aim of this research was to assess the weight gain and health behaviors in a group of overweight or obese children and adolescents, accompanied by a nutritionist in a Portuguese primary health care unit. Some health behaviors were also evaluated in the caregivers and it was investigated if there was any association between the behaviors of both. Methodology: This study combined a retrospective approach, with collection of anthropometric and health behaviors from clinical records and a cross-sectional approach with data collection during the appointment where participant agreed to participate in the study. Caregivers answered a questionnaire about their food habits and physical activity. Results: The 36 children and adolescents, included in the study (44.4% females; median age of 14 years old) were followed-up for 3.6 years (median) and the median Z-Score for body mass index significantly decreased since the first appointment (2.70 vs. 2.18; p<0.001). Concerning the acquisition of salutogenic habits, it was observed that all participants started to eat breakfast (at the beginning only 91.7% took it), the proportion of youngers that daily consumed vegetables at lunch increased (30.6% vs. 69.4%), as well as the proportion of youngers that consumed three portions of fruit per day (11.1% vs. 33.3%). Adolescents are the ones that more frequently practice the recommended hours of physical activity. There were no associations between the behaviors of children and their caregivers. Conclusions: The follow-up of overweight and obese children and adolescents by a nutritionist, in primary health care, was effective in the acquisition of salutogenic behaviors and in the improvement of nutritional status.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamentos de saúde]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Evolução ponderal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Hábitos alimentares e de atividade física]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Obesidade infantil]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Childhood obesity]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><b>Resultados do acompanhamento nutricional de crian&ccedil;as e adolescentes com sobrecarga ponderal nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios</b></p>     <p><b>Results from the follow-up of overweight children and adolescents in the primary health care</b></p>     <p><b>Catarina de Almeida<sup>1</sup>*; Gisela Morais<sup>2</sup>; Elisabete Pinto<sup>1,3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Centro de Biotecnologia e Qu&iacute;mica Fina &ndash; Laborat&oacute;rio Associado, Escola Superior de Biotecnologia, Rua Arquitecto Lob&atilde;o Vital, n.&ordm; 172, 4200-374 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Agrupamento de Centros de Sa&uacute;de do Grande Porto III &ndash; Maia/Valongo, Avenida Visconde Barreiros, 4470-151 Maia, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>Grupo de Investiga&ccedil;&atilde;o em Epidemiologia da Nutri&ccedil;&atilde;o e da Obesidade &ndash; EPIUnit, Instituto de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade do Porto, Rua das Taipas, n.&ordm; 135, 4050-600 Porto, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introdu&ccedil;&atilde;o: A obesidade infantil &eacute; um problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica, para o qual os h&aacute;bitos alimentares inadequados e a insuficiente pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica s&atilde;o fatores de risco e, atualmente, frequentes na popula&ccedil;&atilde;o infantil.</p>     <p>Objetivos: Este trabalho pretendeu avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o ponderal e dos comportamentos de sa&uacute;de de um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes com pr&eacute;-obesidade ou obesidade, utentes de uma Unidade de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios portuguesa, seguidos em consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o. Avaliaram-se, tamb&eacute;m, alguns comportamentos de sa&uacute;de nos respetivos cuidadores e averiguou-se se existia associa&ccedil;&atilde;o entre os comportamentos de ambos.</p>     <p>Metodologia: Este estudo combinou uma vertente retrospetiva, com recolha de dados antropom&eacute;tricos e de comportamentos de sa&uacute;de, a partir do processo cl&iacute;nico do utente e uma vertente transversal, com recolha de informa&ccedil;&atilde;o durante a consulta em que o participante aceitou pertencer ao estudo. Os cuidadores responderam a um question&aacute;rio sobre os seus h&aacute;bitos alimentares e de atividade f&iacute;sica.</p>     <p>Resultados: As 36 crian&ccedil;as e jovens inclu&iacute;dos no estudo (44,4% do sexo feminino; idade mediana de 14 anos) estavam a ser acompanhados, em mediana, h&aacute; 3,6 anos, tendo o Z-Score para o &Iacute;ndice de Massa Corporal mediano descido significativamente desde a primeira consulta at&eacute; &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o presente (2,70 vs. 2,18; p&lt;0,001). Relativamente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos salutog&eacute;nicos, a totalidade dos participantes passaram a tomar pequeno-almo&ccedil;o (no in&iacute;cio faziam 91,7%), aumentou a propor&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes que ingeriam hort&iacute;colas ao almo&ccedil;o diariamente (30,6% vs. 69,4%), bem como de crian&ccedil;as que passaram a comer tr&ecirc;s pe&ccedil;as de fruta por dia (11,1% vs. 33,3%). Os adolescentes eram os que mais praticavam o n&uacute;mero de horas de atividade f&iacute;sica recomendado. N&atilde;o se observaram associa&ccedil;&otilde;es entre os h&aacute;bitos dos cuidadores e os dos respetivos educandos.</p>     <p>Conclus&otilde;es: O acompanhamento de crian&ccedil;as e adolescentes com sobrecarga ponderal em consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o, nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, mostrou-se eficaz na aquisi&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos salutog&eacute;nicos e melhoria do estado nutricional.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Comportamentos de sa&uacute;de, Evolu&ccedil;&atilde;o ponderal, H&aacute;bitos alimentares e de atividade f&iacute;sica, Obesidade infantil</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introduction: Childhood obesity is a Public Health challenge, for which inadequate food habits and insufficient physical activity are major risk factors and very common among children, nowadays.</p>     <p>Objectives: The aim of this research was to assess the weight gain and health behaviors in a group of overweight or obese children and adolescents, accompanied by a nutritionist in a Portuguese primary health care unit. Some health behaviors were also evaluated in the caregivers and it was investigated if there was any association between the behaviors of both.</p>     <p>Methodology: This study combined a retrospective approach, with collection of anthropometric and health behaviors from clinical records and a cross-sectional approach with data collection during the appointment where participant agreed to participate in the study. Caregivers answered a questionnaire about their food habits and physical activity.</p>     <p>Results: The 36 children and adolescents, included in the study (44.4% females; median age of 14 years old) were followed-up for 3.6 years (median) and the median Z-Score for body mass index significantly decreased since the first appointment (2.70 vs. 2.18; p&lt;0.001). Concerning the acquisition of salutogenic habits, it was observed that all participants started to eat breakfast (at the beginning only 91.7% took it), the proportion of youngers that daily consumed vegetables at lunch increased (30.6% vs. 69.4%), as well as the proportion of youngers that consumed three portions of fruit per day (11.1% vs. 33.3%). Adolescents are the ones that more frequently practice the recommended hours of physical activity. There were no associations between the behaviors of children and their caregivers.</p>     <p>Conclusions: The follow-up of overweight and obese children and adolescents by a nutritionist, in primary health care, was effective in the acquisition of salutogenic behaviors and in the improvement of nutritional status.</p>     <p><b>Keywords</b></p>     <p>Health behaviors, Weight gain, Food and physical activity behaviors, Childhood obesity</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obesidade infantil &eacute;, atualmente, um importante problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica, estando associada a um risco aumentado de comorbilidades (1). Acresce ainda o facto de ser conhecido que muitas crian&ccedil;as obesas ser&atilde;o adultos obesos (2).</p>     <p>Os h&aacute;bitos alimentares inadequados s&atilde;o um dos principais fatores que contribuem para a pr&eacute;-obesidade e obesidade entre a popula&ccedil;&atilde;o infantil e juvenil. A pr&aacute;tica de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel &eacute; cada vez menos frequente entre os adolescentes, associado a uma diminui&ccedil;&atilde;o do consumo de fruta e produtos hort&iacute;colas e a um aumento no consumo de doces e refrigerantes (1, 3).</p>     <p>Segundo o relat&oacute;rio do estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI), realizado em 2016, Portugal &eacute; um dos cinco pa&iacute;ses da Regi&atilde;o Europeia que tem mostrado nos &uacute;ltimos anos maior preval&ecirc;ncia de obesidade infantil na Europa. Nessa avalia&ccedil;&atilde;o a preval&ecirc;ncia de pr&eacute;-obesidade foi de 30,7% e a de obesidade de 11,7% (4).</p>     <p>Os h&aacute;bitos alimentares adquiridos durante a inf&acirc;ncia parecem perpetuar-se na idade adulta, fator que enfatiza a import&acirc;ncia da aquisi&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis precocemente. O comportamento alimentar das crian&ccedil;as &eacute; determinado pelo ambiente familiar e a habilidade das crian&ccedil;as para fazer escolhas saud&aacute;veis &eacute; altamente dependente das escolhas alimentares dos pais. Para al&eacute;m disto, a educa&ccedil;&atilde;o parental desempenha um importante papel na determina&ccedil;&atilde;o da atual ingest&atilde;o alimentar das crian&ccedil;as e est&aacute; associado ao &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC) das mesmas (2, 5).</p>     <p>A pr&eacute;-obesidade e a obesidade infantis s&atilde;o patologias potencialmente revers&iacute;veis e que se podem prevenir atrav&eacute;s de mudan&ccedil;as no estilo de vida. Os Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios s&atilde;o o local ideal de incentivo a altera&ccedil;&otilde;es comportamentais, que hipoteticamente poder&atilde;o ser eficazes no controlo da obesidade infantil (6).</p>     <p><b>OBJETIVOS</b></p>     <p>Este trabalho teve como objetivo avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o ponderal e dos comportamentos de sa&uacute;de de um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes com sobrecarga ponderal, utentes de uma Unidade de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios portuguesa e que eram acompanhados pela nutricionista da Unidade. Avaliou-se, tamb&eacute;m, poss&iacute;veis associa&ccedil;&otilde;es entre os comportamentos salutog&eacute;nicos dos jovens com os dos respetivos cuidadores.</p>     <p><b>METODOLOGIA </b></p>     <p>O estudo combinou uma vertente retrospetiva e uma vertente transversal. A parte retrospetiva consistiu somente na recolha de dados antropom&eacute;tricos e relativa aos comportamentos de sa&uacute;de, atrav&eacute;s do processo cl&iacute;nico digital do utente, SCl&iacute;nico &ndash; M&oacute;dulo de Nutri&ccedil;&atilde;o. No momento do recrutamento (vertente transversal), al&eacute;m da recolha de dados antropom&eacute;tricos e sobre os comportamentos de sa&uacute;de atuais, recolheram-se, tamb&eacute;m, dados para efetuar a caracteriza&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica dos participantes, bem como dados relativos ao nascimento e dura&ccedil;&atilde;o de aleitamento materno.</p>     <p>O recrutamento da amostra foi realizado na consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o e foram inclu&iacute;dos todos os utentes da consulta de obesidade infanto-juvenil, que tivessem presen&ccedil;a ass&iacute;dua nas consultas e um tempo m&iacute;nimo de seguimento de 18 meses. Recolheram-se os dados relativos &agrave;s consultas realizadas h&aacute; 3, 6, 12 e 18 meses, bem como na primeira consulta, para avalia&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica e dos comportamentos de sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a avalia&ccedil;&atilde;o presencial, foi elaborado um question&aacute;rio com 35 quest&otilde;es, subdivididas em seis grupos: &ldquo;Dados Pessoais&rdquo;, &ldquo;Antropometria ao Nascimento e Aleitamento Materno&rdquo;, &ldquo;Antropometria&rdquo;, &ldquo;Hist&oacute;ria alimentar e H&aacute;bitos alimentares&rdquo;, &ldquo;Atividade f&iacute;sica&rdquo; e &ldquo;Outras informa&ccedil;&otilde;es&rdquo;. No grupo de quest&otilde;es referentes &agrave; &ldquo;Antropometria&rdquo;, mediram-se a estatura (m) e o peso (kg), calculou-se o Z-Score para o IMC. A medi&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica foi realizada de acordo com as normas de orienta&ccedil;&atilde;o da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (7). Para a medi&ccedil;&atilde;o da estatura e do peso usou-se um estadi&oacute;metro e uma balan&ccedil;a da marca SECA&reg;, com uma precis&atilde;o de 1 mm e 0,1kg, respetivamente. Para o c&aacute;lculo do Z-Score para o IMC foi utilizado o software WHO AnthroPlus v1.0.4.</p>     <p>O registo da &ldquo;Hist&oacute;ria Alimentar e H&aacute;bitos Alimentares&rdquo;, no momento da avalia&ccedil;&atilde;o, contemplou perguntas referentes &agrave;s 24 horas anteriores &agrave; consulta e aos h&aacute;bitos alimentares da semana antecedente &agrave; consulta, tal como est&aacute; protocolado no SCl&iacute;nico.</p>     <p>No grupo da &ldquo;Atividade F&iacute;sica&rdquo; questionou-se sobre a pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica, as atividades praticadas, dura&ccedil;&atilde;o das mesmas (horas e minutos) e frequ&ecirc;ncia semanal, na avalia&ccedil;&atilde;o presencial. Relativamente &agrave; an&aacute;lise retrospetiva somente se registou se praticava ou n&atilde;o alguma atividade f&iacute;sica. Foi contabilizada a atividade f&iacute;sica curricular e extracurricular.</p>     <p>No grupo &ldquo;Outras informa&ccedil;&otilde;es&rdquo; questionou-se as horas de sono di&aacute;rias, apenas referentes ao momento atual.</p>     <p>Tamb&eacute;m foram reunidos dados dos cuidadores atrav&eacute;s de um inqu&eacute;rito de aplica&ccedil;&atilde;o direta. O cuidador foi escolhido tendo em conta a sua interven&ccedil;&atilde;o direta na alimenta&ccedil;&atilde;o do educando e a presen&ccedil;a na consulta. O question&aacute;rio dirigido aos cuidadores contemplou 10 perguntas subdivididas em tr&ecirc;s grupos, nomeadamente: &ldquo;Dados Pessoais&rdquo;, &ldquo;H&aacute;bitos Alimentares&rdquo; e &ldquo;Atividade F&iacute;sica&rdquo;. Todos os dados dos cuidadores recolhidos refletiam comportamentos de sa&uacute;de do adulto no momento presente.</p>     <p>O levantamento de dados decorreu entre 2 de mar&ccedil;o e 2 de junho de 2017, sendo poss&iacute;vel reunir um total de 36 participantes. Seis participantes estavam a ser seguidos h&aacute; 18 meses, sendo que para estes a avalia&ccedil;&atilde;o coincidiu com a consulta dos 18 meses.</p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o do estudo foi aprovada pela Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa - Porto.</p>     <p><b>Vari&aacute;veis derivadas</b></p>     <p>No que respeita &agrave; idade na consulta, os indiv&iacute;duos foram agrupados em tr&ecirc;s classes: crian&ccedil;as (8 e 9 anos), pr&eacute;-adolescentes (10 a 13 anos) e adolescentes (14 a 17 anos) (8). Foi classificado como &ldquo;ideal&rdquo; a quantidade de tr&ecirc;s pe&ccedil;as de fruta por dia, &ldquo;insuficiente&rdquo; uma quantidade inferior e &ldquo;excessivo&rdquo; uma quantidade superior. Ainda que para crian&ccedil;as com mais de tr&ecirc;s anos, possa ser enquadr&aacute;vel o consumo de mais de tr&ecirc;s por&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, segundo a Roda dos Alimentos, no aconselhamento preconizado este era o n&uacute;mero de por&ccedil;&otilde;es que permitia um balan&ccedil;o harmonioso com os outros grupos alimentares. Recorde-se que se trata de crian&ccedil;as em consulta para controlo do peso corporal. Finalmente, tendo em conta as recomenda&ccedil;&otilde;es do Instituto de Hidrata&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de, foi considerada uma hidrata&ccedil;&atilde;o &ldquo;ideal&rdquo; a ingest&atilde;o di&aacute;ria de sete a dez copos de &aacute;gua e &ldquo;insuficiente&rdquo; uma quantidade inferior (9).</p>     <p><b>An&aacute;lise estat&iacute;stica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi realizado o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a normalidade e homocedasticidade das vari&aacute;veis. Na an&aacute;lise descritiva das vari&aacute;veis quantitativas registou-se a mediana e os percentis 25 e 75. Na an&aacute;lise descritiva das vari&aacute;veis categ&oacute;ricas registaram-se as frequ&ecirc;ncias absolutas e relativas. Para verificar a exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis qualitativas e quantitativas utilizou-se o teste do Qui-Quadrado. O grau de correla&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis normais e quantitativas foi medido atrav&eacute;s do c&aacute;lculo dos coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson. A compara&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias para os Z-Score de IMC em diferentes consultas foi feita atrav&eacute;s do teste de Wilcoxon. Considerou-se existirem diferen&ccedil;as estatisticamente significativas quando p&lt;0,05. A an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados foi realizada no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) vers&atilde;o 24.0 para Microsoft Windows.</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>Dos 36 participantes, 16 (44,4%) eram do sexo feminino. A mediana das idades correspondeu a 14,0 anos [Percentil (P) P25: 12,0; P75:15,0]. Observou-se que a classe dos adolescentes era a mais prevalente no estudo (n=21; 58,3%). O n&uacute;mero mediano de pessoas no agregado familiar era de tr&ecirc;s, incluindo o indiv&iacute;duo em estudo. A maioria dos utentes estava acompanhada nas consultas pela m&atilde;e (63,8%). Ap&oacute;s categoriza&ccedil;&atilde;o dos valores de Z-Score para o IMC, observou-se que 16 (44,4%) indiv&iacute;duos eram pr&eacute;-obesos, 18 (50,0%) obesos e 2 (5,6%) tinham obesidade grave. Na consulta, a mediana do Z-Score obtida para o IMC foi de 2,18 [P25: 1,73; P75: 2,52], compat&iacute;vel com o estado de obesidade.</p>     <p><b>Recordat&oacute;rio da alimenta&ccedil;&atilde;o nas 24h precedentes</b></p>     <p>A maioria (n=34; 94,4%) afirmou ter tomado o pequeno-almo&ccedil;o, maioritariamente (61,8%) acompanhados pela fam&iacute;lia. Apenas 17 (47,2%) indiv&iacute;duos fizeram a merenda da manh&atilde;. O local do almo&ccedil;o mais referido foi em casa (n= 24; 66,7%), acompanhados pela fam&iacute;lia (n=25; 69,4%). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; merenda da tarde, a maioria (n=28; 77,8%) realizou esta refei&ccedil;&atilde;o e na companhia da fam&iacute;lia (n=9; 64,3%). Apenas 36,1% (n=13) afirmou realizar a segunda merenda da tarde. Do total de inquiridos, 91,7% (n=33) jantou, 93,9% (n=31) dos quais, em casa. Somente 5 (13,9%) indiv&iacute;duos referiram ter realizado a ceia. O m&eacute;todo culin&aacute;rio mais utilizado nas refei&ccedil;&otilde;es principais foi o assado (n=13; 36,1%). De notar que 24 (66,7%) indiv&iacute;duos referiram n&atilde;o se tratar de um &ldquo;dia habitual&rdquo;, pelo que esta descri&ccedil;&atilde;o refletir&aacute; maioritariamente a ingest&atilde;o de dias de fim de semana, festa ou f&eacute;rias.</p>     <p>O n&uacute;mero de horas em jejum noturno apresentou um valor mediano igual a 11 horas, sendo o valor m&iacute;nimo 7,5 horas e o m&aacute;ximo 20 horas.</p>     <p><b>Ingest&atilde;o alimentar habitual na semana precedente</b></p>     <p>Metade dos indiv&iacute;duos realizou 5 refei&ccedil;&otilde;es por dia na semana anterior &agrave; consulta. Todos referiram tomar o pequeno-almo&ccedil;o diariamente, sendo que a maioria (n=26; 72,2%) afirmou ser constitu&iacute;do por leite ou produtos l&aacute;cteos e p&atilde;o ou cereais. Mais de metade dos jovens, 58,3% (n=21) afirmaram ingerir quantidades de &aacute;gua abaixo do &ldquo;ideal&rdquo;. Apenas 33,3% dos indiv&iacute;duos afirmou ingerir diariamente tr&ecirc;s pe&ccedil;as de fruta. Da totalidade dos jovens, 44,4% (n=16) dizia comer sopa todos os dias ao almo&ccedil;o, mas somente 22,2% (n=8) o fazia ao jantar. Mais de metade afirmou comer hort&iacute;colas todos os dias ao almo&ccedil;o (69,4%; n=25) e ao jantar (55,6%; n=20). A maioria dos participantes afirmou jantar em casa acompanhada pela fam&iacute;lia (n=31; 33,9%) (<a href ="/img/revistas/apn/n15/n15a03t1.jpg">Tabela 1</a>).</p>     
<p><b>Atividade f&iacute;sica e padr&atilde;o de sono</b></p>     <p>Dos 36 indiv&iacute;duos, 33 (91,7%) afirmaram praticar algum tipo de atividade f&iacute;sica, mas apenas dois referiram praticar as 7 horas semanais de atividade f&iacute;sica recomendadas (10). A classe de adolescentes correspondeu &agrave; classe de idades que mais cumpre esta recomenda&ccedil;&atilde;o (<a href ="/img/revistas/apn/n15/n15a03t2.jpg">Tabela 2</a>). Somente para 2 participantes a atividade f&iacute;sica se restringia &agrave; educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica feita em contexto curricular.</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>O valor mediano de horas de sono correspondeu a 9 horas.</p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o ponderal e de comportamentos salutog&eacute;nicos</b></p>     <p>O tempo de seguimento em consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o apresentou uma mediana de 3,6 anos. Nesse per&iacute;odo de tempo ocorreu uma evolu&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o ao valor de Z-Score para o IMC: na primeira consulta a sua mediana era de 2,70 e no momento atual igual a 2,18 (p&lt;0,001) (<a href ="/img/revistas/apn/n15/n15a03t3.jpg">Tabela 3</a>).</p>     
<p>Quanto aos h&aacute;bitos alimentares dos jovens, na <a href ="/img/revistas/apn/n15/n15a03t4.jpg">Tabela 4</a>, &eacute; poss&iacute;vel observar que, globalmente, se observou uma melhoria destes com o seguimento em consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o.</p>     
<p>N&atilde;o se verificou diferen&ccedil;a significativa na propor&ccedil;&atilde;o de praticantes de atividade f&iacute;sica quando comparada a primeira consulta e as consultas subsequentes (80,6% vs. 91,7%, p=0,488).</p>     <p><b>Estilos de vida dos Cuidadores</b></p>     <p>Dos 36 cuidadores que responderam ao question&aacute;rio, 28 (77,8%) eram mulheres. A idade mediana correspondeu a 45 anos de idade [P25: 42,0; P75: 49,8], apresentando um IMC mediano de 29,4 kg/m2. A maioria dos cuidadores referiu tomar o pequeno-almo&ccedil;o todos os dias (n=31; 86,1%), sendo que os constituintes da refei&ccedil;&atilde;o mais referidos foram o leite ou produtos l&aacute;cteos e p&atilde;o ou cereais (n=22; 61,1%). Quanto &agrave; hidrata&ccedil;&atilde;o, 80,6% afirmou beber 7 a 8 copos de &aacute;gua diariamente. O n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es mais referido foram 5 refei&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias (n=17; 47,2%). Cerca de metade (47,2%) praticavam atividade f&iacute;sica, em m&eacute;dia, 30 minutos. No entanto apenas 17,6% (n=3) o fazia diariamente.</p>     <p>N&atilde;o se observou qualquer tipo de associa&ccedil;&atilde;o entre o Z-Score para o IMC dos educandos no momento do recrutamento e o IMC dos respetivos cuidadores (r=0,129; p=0,454). Tamb&eacute;m n&atilde;o de observou qualquer tipo de associa&ccedil;&atilde;o entre os h&aacute;bitos salutog&eacute;nicos dos educandos e dos respetivos cuidadores.</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</b></p>     <p>Com o presente trabalho foi poss&iacute;vel observar que, globalmente, o acompanhamento de indiv&iacute;duos com obesidade infantil em consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios &eacute; eficaz. Verificou-se uma redu&ccedil;&atilde;o do Z-Score para o IMC ao longo do tempo, bem como uma melhoria dos h&aacute;bitos alimentares e de atividade f&iacute;sica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na literatura, a omiss&atilde;o do pequeno-almo&ccedil;o entre os mais novos est&aacute; associada &agrave; falta de tempo, vontade de permanecer a dormir at&eacute; mais tarde, falta de apetite e dieta para perder peso (12). Quando comparados os valores percentuais do presente estudo com o estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) foi poss&iacute;vel observar que, neste estudo, a percentagem de crian&ccedil;as que tomava o pequeno-almo&ccedil;o &eacute; mais elevada (100,0% vs. 80%), facto contrastante com a literatura relacionada com os comportamentos de sa&uacute;de dos mais jovens (3, 13).</p>     <p>Na primeira consulta, o m&eacute;todo culin&aacute;rio mais frequentemente referido foi o cozido. Curiosamente, o Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica 2015-2016 (IAN-AF) observou exatamente o mesmo (12). Possivelmente, este resultado &eacute; indicador de que este m&eacute;todo culin&aacute;rio &eacute; reconhecido pela sociedade como regra de conduta ideal de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. No entanto, com o tempo de seguimento dos utentes em consulta foi poss&iacute;vel observar que os m&eacute;todos culin&aacute;rios mais frequentemente citados alteraram, o que pode tamb&eacute;m refletir que, com o passar do tempo, estes jovens e respetivos encarregados foram assimilando outros m&eacute;todos igualmente saud&aacute;veis, quando devidamente confecionados.</p>     <p>Segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o (APN) a constitui&ccedil;&atilde;o do pequeno-almo&ccedil;o deve ser completa, equilibrada e variada, incentivando o consumo de alimentos de pelo menos 3 Grupos da Nova Roda dos Alimentos: Grupo dos Latic&iacute;nios e derivados, Grupo dos cereais, derivados e tub&eacute;rculos e Grupo da Fruta (14). No presente estudo observou-se que 72,2% dos participantes realizava um pequeno-almo&ccedil;o com alimentos de pelo menos 2 grupos da Nova Roda dos Alimentos. &Eacute; de salientar a baixa propor&ccedil;&atilde;o de jovens que inclui fruta na refei&ccedil;&atilde;o do pequeno-almo&ccedil;o (5,6%), traduzindo muito provavelmente aspetos culturais, uma vez que n&atilde;o temos por h&aacute;bito incluir fruta nesta refei&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo de produtos hort&iacute;colas, quando comparados os valores obtidos no momento de avalia&ccedil;&atilde;o com os dados registados na primeira consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o destes jovens, 62,5% (vs. 27,8%) dos participantes afirmaram comer hort&iacute;colas todos os dias ao almo&ccedil;o e jantar. Os valores percentuais relatados na primeira consulta mostram-se semelhantes aos valores apresentados pelo estudo HBSC (28,36%) (13). Em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo de fruta, no momento da avalia&ccedil;&atilde;o, a maioria dos participantes afirmou comer 3 pe&ccedil;as de fruta por dia (n=12; 33,3%) valores superiores quando comparados com os da primeira consulta (n=4; 11,1%). Estas constata&ccedil;&otilde;es s&atilde;o representativas das boas pr&aacute;ticas alimentares dos participantes, possivelmente resultado da interven&ccedil;&atilde;o nutricional em curso.</p>     <p>A ingest&atilde;o de &aacute;gua apesar de ter aumentado da primeira consulta para as consultas subsequentes, ainda assim se mostrou abaixo das recomenda&ccedil;&otilde;es, sendo necess&aacute;rio o cont&iacute;nuo incentivo ao aumento do consumo de &aacute;gua.</p>     <p>A preval&ecirc;ncia de crian&ccedil;as e adolescentes que pratica o n&uacute;mero de horas di&aacute;rias de atividade f&iacute;sica recomendadas pela OMS mostrou-se igual a 22,3%, valor ligeiramente inferior aos 57,5% apontados pelo estudo IAN-AF (10). De salientar, que no presente estudo a maioria dos participantes (n=33; 91,7%) afirmou praticar algum tipo de atividade f&iacute;sica e, somente para dois esta se restringia &agrave; atividade f&iacute;sica feita em contexto curricular. (15)</p>     <p>A redu&ccedil;&atilde;o do valor de Z-Score para o IMC foi mais expressiva da primeira consulta para a consulta atual (2,70 vs. 2,18, p&lt;0,001). A terap&ecirc;utica nutricional institu&iacute;da parece ter efeito na diminui&ccedil;&atilde;o do Z-Score para o IMC ainda que n&atilde;o possa ser menosprezado o facto de se tratar de um estudo de natureza retrospetiva. S&oacute; o facto de n&atilde;o haver um aumento significativo destes valores j&aacute; &eacute; positivo uma vez que, segundo as orienta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas para o tratamento da pr&eacute;-obesidade e obesidade, o principal objetivo &eacute;, no m&iacute;nimo, prevenir um aumento futuro de peso corporal (11, 16, 17).</p>     <p>Embora os participantes mantivessem sobrecarga ponderal &eacute; de salientar as elevadas propor&ccedil;&otilde;es de h&aacute;bitos salutares reportadas pelos participantes. Contudo, tratando-se de indiv&iacute;duos que recebiam aconselhamento nutricional e incentivo &agrave; pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico h&aacute; um per&iacute;odo de tempo consider&aacute;vel, n&atilde;o pode ser exclu&iacute;da a possibilidade deste reporte estar sobrestimado, pelo facto de j&aacute; saberem quais s&atilde;o os comportamentos desejados (5).</p>     <p>Relativamente aos h&aacute;bitos alimentares dos cuidadores, globalmente, estes mostraram-se bastantes semelhantes aos dos seus educandos, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o di&aacute;ria de &aacute;gua, onde aproximadamente 90% dos cuidadores afirmaram beber, no m&iacute;nimo, 7 copos de &aacute;gua diariamente. Estes resultados contrastam com os obtidos no IAN-AF, que observou que a popula&ccedil;&atilde;o adulta portuguesa ingere cerca de 0,794L/dia de &aacute;gua (15). A pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica tamb&eacute;m se mostrou muito mais frequente, entre estes cuidadores, do que na popula&ccedil;&atilde;o adulta portuguesa (47,2% vs. 27,3%) (15). Acreditamos que estes dois &uacute;ltimos resultados possam, de alguma forma, estar inflacionados pelo facto de os cuidadores identificarem estes como h&aacute;bitos saud&aacute;veis e responderem de acordo com o que consideram desej&aacute;vel. No entanto, &eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel que os comportamentos destes adultos reflitam, em parte, mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos por influ&ecirc;ncia das consultas de Nutri&ccedil;&atilde;o dos educandos, cumprindo-se assim uma das premissas da consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o em idade pedi&aacute;trica, que &eacute; conseguir que a mudan&ccedil;a comportamental se estenda &agrave; fam&iacute;lia nuclear, tornando-a menos disruptiva (17, 18, 20).</p>     <p>N&atilde;o se observou nenhuma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre o IMC dos cuidadores com o Z-Score para o IMC dos respetivos educandos, ao contr&aacute;rio do que &eacute; descrito na literatura (21). Tamb&eacute;m n&atilde;o se observou qualquer associa&ccedil;&atilde;o significativa entre os h&aacute;bitos salutog&eacute;nicos dos cuidadores com os dos respetivos educandos, ao contr&aacute;rio dos resultados obtidos por Ihmels et al. (2009) (20). Estes resultados devem ser vistos com precau&ccedil;&atilde;o, uma vez que o reduzido tamanho amostral pode n&atilde;o ter permitido mostrar tais associa&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo permite um olhar factual e cr&iacute;tico sobre o trabalho realizado na consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o, numa Unidade de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios portuguesa, com a popula&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil com sobrecarga ponderal. Permitiu uma extensa avalia&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes na consulta de Nutri&ccedil;&atilde;o, bem como a recolha de informa&ccedil;&atilde;o retrospetiva de qualidade, devido ao seu registo de forma sistem&aacute;tica, num software espec&iacute;fico. A possibilidade de averiguar associa&ccedil;&otilde;es entre cuidadores e educandos tamb&eacute;m constituiu uma vantagem.</p>     <p>As limita&ccedil;&otilde;es do estudo baseiam-se particularmente no tamanho amostral diminuto, uma vez que sempre que a amostra do estudo &eacute; muito restrita &eacute; comprometido o desempenho dos testes estat&iacute;sticos. A heterogeneidade nas idades dos indiv&iacute;duos e tempo de seguimento em consulta tamb&eacute;m foram limita&ccedil;&otilde;es do estudo.</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Os participantes deste estudo demonstraram evolu&ccedil;&atilde;o ponderal razo&aacute;vel, sendo que se pode considerar que a inser&ccedil;&atilde;o sistematizada e qualificada de a&ccedil;&otilde;es de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica de Nutri&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica t&ecirc;m um impacto positivo na sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o infantil portuguesa. Relativamente aos comportamentos de sa&uacute;de observou-se que a constitui&ccedil;&atilde;o do pequeno-almo&ccedil;o &eacute; mais completa. Foi tamb&eacute;m poss&iacute;vel constatar que a frequ&ecirc;ncia de ingest&atilde;o de produtos hort&iacute;colas e fruta apresentou valores percentuais pr&oacute;ximos dos recomendados pela literatura. &Eacute; importante ressalvar que a maior parte dos participantes, aquando da avalia&ccedil;&atilde;o do dia alimentar, referiu tratar-se de um dia n&atilde;o habitual e como tal certas conclus&otilde;es n&atilde;o podem ser extrapoladas.</p>     <p>Os h&aacute;bitos alimentares t&ecirc;m um papel determinante no controlo ponderal das crian&ccedil;as e jovens sendo por isso de extrema import&acirc;ncia a promo&ccedil;&atilde;o de uma alimenta&ccedil;&atilde;o variada, equilibrada e completa tendo por base as por&ccedil;&otilde;es da Nova Roda dos Alimentos. Tamb&eacute;m a atividade f&iacute;sica deve fazer parte do quotidiano dos mais jovens, uma vez que, para al&eacute;m de favorecer a aptid&atilde;o f&iacute;sica e socializa&ccedil;&atilde;o, &eacute; um ato preventivo da pr&eacute;-obesidade, obesidade e incid&ecirc;ncia de patologias associadas. Torna--se evidente, atrav&eacute;s deste estudo, o papel fulcral que os Nutricionistas desempenham nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     <li>WHO. Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO region 2002-2014. WHO. 2017.</li>     <li>Ornellas F, Carapeto PV, Mandarim-de-Lacerda CA, Aguila MB. Obese fathers lead to an altered metabolism and obesity in their children in adulthood: Review of experimental and human studies. J Pediatr 2017; 93(6): 551&ndash;9.</li>     <li>Matos M, Sim&otilde;es C, Camacho I, Reis M. A sa&uacute;de dos adolescentes portugueses em tempo de recess&atilde;o. 1a Edi&ccedil;&atilde;o. Centro de Mal&aacute;ria e Outras Doen&ccedil;as Tropicais. 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://aventurasocial.com" target="_blank">http://aventurasocial.com</a>.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Rito IA, Gra&ccedil;a P. Surveillance Childhood Obesity Initiative: COSI Portugal 2016. 2017. 37 p.</li>     <li>Inhulsen M-BM, M&eacute;relle SY, Renders CM. Parental feeding styles, young children&rsquo;s fruit, vegetable, water and sugar-sweetened beverage consumption, and the moderating role of maternal education and ethnic background. Public Health Nutr 2017; 1&ndash;10.</li>     <li>Moore H, Adamson AJ, Gill T, Waine C. Nutrition and the health care agenda: a primary care perspective. Fam Pract 2000; 17(2): 197&ndash;202.</li>     <li>George M. Avalia&ccedil;&atilde;o Antropom&eacute;trica no Adulto. Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de, Lisboa. 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes" target="_blank">https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes</a>.</li>     <li>Eisenstein E. Adolesc&ecirc;ncia: defini&ccedil;&otilde;es, conceitos e crit&eacute;rios. Revista Oficial do N&uacute;cleo de Estudantes da Sa&uacute;de do Adolescente. 2005; 2.</li>     <li>Padr&atilde;o P, Teixeira PJ, Padez C, Medina JL. Establecimento de recomenda&ccedil;&otilde;es de ingest&atilde;o h&iacute;drica para os portugueses. (s/data). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.probeb.pt/folder/newsconteudo/ficheiro2/46_rec%20hidra.pdf" target="_blank">http://www.probeb.pt/folder/newsconteudo/ficheiro2/46_rec%20hidra.pdf</a>.</li>     <li>Instituto do Desporto de Portugal. Pol&iacute;ticas Recomendadas para a Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de e do Bem-Estar. 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013" target="_blank">https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013</a>.</li>     <li>Styne DM, Arslanian SA, Connor EL, Farooqi IS, Murad MH, Silverstein JH, et al. Pediatric obesity-assessment, treatment, and prevention: An endocrine society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2017;102(3):709&ndash;57.</li>     <li>Story M, Stang J. Understanding Adolescent Eating Behaviors. Dep Heal Hum Serv. 2005; 9&ndash;19.</li>     <li>WHO. Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people&rsquo; s health and well-being. 2016.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Nutricionistas. Alimenta&ccedil;&atilde;o Adequada: Fa&ccedil;a mais pela sua sa&uacute;de. Cordeiro T [Internet]. 2011; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/AlimentacaoAdequada.pdf" target="_blank">http://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/AlimentacaoAdequada.pdf</a>.</li>     <li>Lopes C, Torres D, Oliveira A, Severo M, Alarc&atilde;o V, Guiomar S, Mota J, Teixeira P, Rodrigues S, Lobato L, Magalh&atilde;es V, Correia D, Pizarro A, Marques A, Vilela S, Olive E. Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica. Porto; 2017.</li>     <li>Committee on Sports Medicine and Fitness. American Academy of Pediatrics. Pediatrics. 2014; 107(5): 1&ndash;23.</li>     <li>Epstein LH, Myers M, Raynor H, Saelens B. Treatment of Pediatric Obesity. Pediatrics. 1998; 101: 1123&ndash;9.</li>     <li>Birch LL, Fisher JO. Development of eating behaviors among children and adolescents. Pediatrics 1998; 101(3 Pt 2): 539&ndash;49.</li>     <li>Kohl HW, Hobbs KE. Development of physical activity behaviors among children and adolescents. Pediatrics 1998; 101(3 Pt 2): 549&ndash;54.</li>     <li>Ihmels MA, Welk GJ, Eisenmann JC, Nusser SM, Myers EF. Prediction of BMI change in young children with the family nutrition and physical activity (FNPA) screening tool. Ann Behav Med. 2009; 38(1): 60&ndash;8.</li>     <li>Nelson MC, Gordon-Larsen P, North KE, Adair LS. Body mass index gain, fast food, and physical activity: effects of shared environments over time. Obes (Silver Spring) 2006; 14(4): 701&ndash;9.</li>     </ol>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Catarina Isabel Castro de Almeida</p>     <p>Rua Adelino Amaro da Costa, lote 9,</p>     <p>Santa Joana,</p>     <p>3810-202 Aveiro, Portugal</p> <a href="mailto:k_almeida100@hotmail.com">k_almeida100@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 9 de janeiro de 2018</p>     <p>Aceite a 10 de setembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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