<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-5985</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Acta Portuguesa de Nutrição]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Acta Port Nutr]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-5985</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Nutrição]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-59852019000100004</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2019.1604</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[(In)Satisfação com a imagem corporal: associação com o consumo alimentar e a ingestão nutricional]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image (di)satisfaction: association with food consumption and nutritional intake]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Catarina]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Andreia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Fernando Pessoa Faculdade de Ciências da Saúde ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Instituto de Saúde Pública ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>31</day>
<month>03</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>31</day>
<month>03</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<numero>16</numero>
<fpage>18</fpage>
<lpage>24</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-59852019000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-59852019000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-59852019000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A insatisfação com a imagem corporal pode associar-se à adoção de diferentes práticas alimentares, no entanto, a evidência é escassa e foca-se em grupos específicos de indivíduos, tais como estudantes universitários, mulheres e adolescentes. Objetivos: Avaliar a associação entre a (in)satisfação com a imagem corporal e o consumo alimentar e nutricional de adultos jovens. METODOLOGIA: Participaram neste estudo 111 adultos (18-35 anos, 67,6% mulheres), selecionados por conveniência. A perceção da imagem corporal foi avaliada através da Escala de Silhuetas de Stunkard et al. e categorizada em satisfação, insatisfação por défice (diferença negativa entre a imagem corporal real e a desejada) e insatisfação por excesso (diferença positiva entre a imagem corporal real e a desejada). O consumo alimentar foi avaliado através da administração direta de um Questionário de Frequência Alimentar validado para a população adulta Portuguesa. As associações foram avaliadas por regressão linear (coeficientes &#946;Ì‚ e respetivos intervalos de confiança a 95% - IC95%), após ajuste para idade, escolaridade e exercício físico e após estratificação por sexo. Resultados: As mulheres mostraram-se mais insatisfeitas com a sua imagem corporal por excesso (57,3% vs. 30,6%, p=0,009), enquanto a insatisfação por défice foi mais reportada pelos homens (27,8% vs. 9,3%, p=0,009). Os homens insatisfeitos por défice (desejo de aumentar o tamanho corporal) apresentaram consumos mais elevados de pescado (&#946;Ì‚=181,0, IC95%:38,3;323,6), ovos (&#946;Ì‚=23,1, IC95%:2,9;43,2), fruta (&#946;Ì‚=191,3, IC95%:90,0;292,5) e hortícolas (&#946;Ì‚=221,6, IC95%:99,7;343,4), o que se traduziu em ingestões significativamente superiores de energia, proteínas (em contributo percentual para o valor energético total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio e sódio, quando comparados com os satisfeitos com a sua imagem corporal. Nas mulheres, não foram encontradas diferenças significativas. Conclusões: A maioria dos adultos jovens encontra-se insatisfeito com a sua imagem corporal, sendo que quase 30% dos homens manifestou o desejo de aumentar o seu tamanho corporal. Esta insatisfação da imagem corporal por excesso associou-se a consumos mais elevados de pescado e ovos, bem como fruta e hortícolas, o que se traduziu, do ponto de vista nutricional, em ingestões superiores de energia, proteína (em função do valor energético total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio e sódio.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Body image dissatisfaction could be associated with different eating practices, however evidence seems scarce and focused in specific groups, such as students, women and adolescents. Objectives: To evaluate the association between body image (dis)satisfaction and food and nutritional intake in young adults. Methodology: A total of 111 young adults (18 to 35 year-old) were selected through convenience sampling. Body image perception was assessed using the Stunkard Scale and categorized into satisfaction, dissatisfaction by deficit (negative difference between actual and desired body image) and dissatisfaction by excess (positive difference between actual and desired body image), representing, respectively, the desire to increase and decrease body size. Dietary intake was estimated by a self-reported Food Frequency Questionnaire, previously validated. Associations were assessed through linear regression (&#946;Ì‚ coefficients and the respective 95% confidence intervals - 95%CI), after adjustment for age, education and physical exercise, and sex stratification. Results: Women were more dissatisfied with their body image by excess than men (57.3% vs. 30.6%, p=0.009), while men were more dissatisfied by deficit (27.8% vs. 9.3%, p=0.009). Men dissatisfied by deficit (desire of increasing body size) showed higher consumption of fish and seafood (&#946;Ì‚=181.0, 95%CI:38.3;323.6), eggs (&#946;Ì‚=23.1, 95%CI:2.9;43.2), fruit (&#946;Ì‚=191.3, 95%CI:90.0;292.5) and vegetables (&#946;Ì‚=221.6, 95%CI:99.7;343.4), which led to significantly higher intake of energy, protein (total energy intake %), dietary fiber, vitamin B12, vitamin C, calcium, magnesium, potassium and sodium, when compared to men satisfied with their body image. In women, no significant differences were observed. Conclusions: The majority of young adults are dissatisfied with their body image, with almost 30% of men expressing a desire to increase their body size. This body image dissatisfaction by excess was associated with higher intake of fishery and eggs, as well as fruit and vegetables, and therefore, a higher intake of energy, protein (as % of energy intake), fiber, vitamin B12, Vitamin C, magnesium, potassium and sodium.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Adultos jovens]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Consumo alimentar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Hábitos alimentares]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Imagem corporal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ingestão nutricional]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Young adults]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Food consumption]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Eating habits]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Body image]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Nutrient intake]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><b>(In)Satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal: associa&ccedil;&atilde;o com o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional </b></p>     <p><b>Body image (di)satisfaction: association with food consumption and nutritional intake</b></p>     <p><b>Ana Catarina Ara&uacute;jo<sup>1</sup>; Andreia Oliveira<sup>1,2*</sup></b></p>     <p></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Universidade Fernando Pessoa, Rua Carlos da Maia, n.&ordm; 296, 4200-150 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>EPIUnit &ndash; Instituto de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade do Porto, Rua das Taipas, n.&ordm; 135, 4050-600 Porto, Portugal</p>     <p></p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o: A insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal pode associar-se &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de diferentes pr&aacute;ticas alimentares, no entanto, a evid&ecirc;ncia &eacute; escassa e foca-se em grupos espec&iacute;ficos de indiv&iacute;duos, tais como estudantes universit&aacute;rios, mulheres e adolescentes.</p>     <p>Objetivos: Avaliar a associa&ccedil;&atilde;o entre a (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal e o consumo alimentar e nutricional de adultos jovens. METODOLOGIA: Participaram neste estudo 111 adultos (18-35 anos, 67,6% mulheres), selecionados por conveni&ecirc;ncia. A perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal foi avaliada atrav&eacute;s da Escala de Silhuetas de Stunkard et al. e categorizada em satisfa&ccedil;&atilde;o, insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice (diferen&ccedil;a negativa entre a imagem corporal real e a desejada) e insatisfa&ccedil;&atilde;o por excesso (diferen&ccedil;a positiva entre a imagem corporal real e a desejada). O consumo alimentar foi avaliado atrav&eacute;s da administra&ccedil;&atilde;o direta de um Question&aacute;rio de Frequ&ecirc;ncia Alimentar validado para a popula&ccedil;&atilde;o adulta Portuguesa. As associa&ccedil;&otilde;es foram avaliadas por regress&atilde;o linear (coeficientes &beta;Ì‚ e respetivos intervalos de confian&ccedil;a a 95% - IC95%), ap&oacute;s ajuste para idade, escolaridade e exerc&iacute;cio f&iacute;sico e ap&oacute;s estratifica&ccedil;&atilde;o por sexo.</p>     <p>Resultados: As mulheres mostraram-se mais insatisfeitas com a sua imagem corporal por excesso (57,3% vs. 30,6%, p=0,009), enquanto a insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice foi mais reportada pelos homens (27,8% vs. 9,3%, p=0,009). Os homens insatisfeitos por d&eacute;fice (desejo de aumentar o tamanho corporal) apresentaram consumos mais elevados de pescado (&beta;Ì‚=181,0, IC95%:38,3;323,6), ovos (&beta;Ì‚=23,1, IC95%:2,9;43,2), fruta (&beta;Ì‚=191,3, IC95%:90,0;292,5) e hort&iacute;colas (&beta;Ì‚=221,6, IC95%:99,7;343,4), o que se traduziu em ingest&otilde;es significativamente superiores de energia, prote&iacute;nas (em contributo percentual para o valor energ&eacute;tico total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio, pot&aacute;ssio e s&oacute;dio, quando comparados com os satisfeitos com a sua imagem corporal. Nas mulheres, n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas.</p>     <p>Conclus&otilde;es: A maioria dos adultos jovens encontra-se insatisfeito com a sua imagem corporal, sendo que quase 30% dos homens manifestou o desejo de aumentar o seu tamanho corporal. Esta insatisfa&ccedil;&atilde;o da imagem corporal por excesso associou-se a consumos mais elevados de pescado e ovos, bem como fruta e hort&iacute;colas, o que se traduziu, do ponto de vista nutricional, em ingest&otilde;es superiores de energia, prote&iacute;na (em fun&ccedil;&atilde;o do valor energ&eacute;tico total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio, pot&aacute;ssio e s&oacute;dio.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Adultos jovens, Consumo alimentar, H&aacute;bitos alimentares, Imagem corporal, Ingest&atilde;o nutricional</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introduction: Body image dissatisfaction could be associated with different eating practices, however evidence seems scarce and focused in specific groups, such as students, women and adolescents.</p>     <p>Objectives: To evaluate the association between body image (dis)satisfaction and food and nutritional intake in young adults.</p>     <p>Methodology: A total of 111 young adults (18 to 35 year-old) were selected through convenience sampling. Body image perception was assessed using the Stunkard Scale and categorized into satisfaction, dissatisfaction by deficit (negative difference between actual and desired body image) and dissatisfaction by excess (positive difference between actual and desired body image), representing, respectively, the desire to increase and decrease body size. Dietary intake was estimated by a self-reported Food Frequency Questionnaire, previously validated. Associations were assessed through linear regression (&beta;Ì‚ coefficients and the respective 95% confidence intervals &ndash; 95%CI), after adjustment for age, education and physical exercise, and sex stratification.</p>     <p>Results: Women were more dissatisfied with their body image by excess than men (57.3% vs. 30.6%, p=0.009), while men were more dissatisfied by deficit (27.8% vs. 9.3%, p=0.009). Men dissatisfied by deficit (desire of increasing body size) showed higher consumption of fish and seafood (&beta;Ì‚=181.0, 95%CI:38.3;323.6), eggs (&beta;Ì‚=23.1, 95%CI:2.9;43.2), fruit (&beta;Ì‚=191.3, 95%CI:90.0;292.5) and vegetables (&beta;Ì‚=221.6, 95%CI:99.7;343.4), which led to significantly higher intake of energy, protein (total energy intake %), dietary fiber, vitamin B12, vitamin C, calcium, magnesium, potassium and sodium, when compared to men satisfied with their body image. In women, no significant differences were observed.</p>     <p>Conclusions: The majority of young adults are dissatisfied with their body image, with almost 30% of men expressing a desire to increase their body size. This body image dissatisfaction by excess was associated with higher intake of fishery and eggs, as well as fruit and vegetables, and therefore, a higher intake of energy, protein (as % of energy intake), fiber, vitamin B12, Vitamin C, magnesium, potassium and sodium.</p>     <p><b>Keywords</b></p>     <p>Young adults, Food consumption, Eating habits, Body image, Nutrient intake</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na atualidade, a tem&aacute;tica da imagem corporal e a procura por um &lsquo;corpo ideal&rsquo; que v&aacute; de encontro &agrave;s expectativas da sociedade ganham cada vez mais destaque. Tem-se assistido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a um aumento crescente da preocupa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal (1) e a uma tentativa cada vez maior para atingir os padr&otilde;es de beleza exaltados pela sociedade.</p>     <p>A imagem corporal &eacute; um conceito multidimensional e din&acirc;mico (2, 3), que pode ser definido como a &ldquo;perce&ccedil;&atilde;o que o sujeito tem do pr&oacute;prio corpo&rdquo; (4), sendo que esta perce&ccedil;&atilde;o engloba os pensamentos e sentimentos acerca do mesmo (3). Assim, a perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal est&aacute; em constante altera&ccedil;&atilde;o ao longo da vida (3), podendo ser influenciada por diversos fatores ambientais, sociodemogr&aacute;ficos e psicol&oacute;gicos, destacando-se entre eles o sexo, a idade, a ra&ccedil;a, a etnia, as cren&ccedil;as e valores pessoais e ainda os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social (4, 5).</p>     <p>Atualmente, a sociedade e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o assumem um papel importante na determina&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de beleza atuais, sendo exaltada a magreza como ideal de beleza para as mulheres e um corpo atl&eacute;tico para os homens (1, 2, 6). Constata-se assim que as sociedades modernas atribuem uma grande import&acirc;ncia &agrave; apar&ecirc;ncia f&iacute;sica (6), transformando-se esta num fator de aceita&ccedil;&atilde;o social. Assim, h&aacute; uma elevada press&atilde;o para atingir o padr&atilde;o de beleza socialmente estabelecido, existindo, consequentemente, uma tentativa de aproxima&ccedil;&atilde;o, por parte do p&uacute;blico, da sua imagem corporal a estes ideais de beleza (6, 7). Contudo, esta tentativa de ir ao encontro dos ideais de beleza da sociedade, muitas vezes irrealistas e imposs&iacute;veis de alcan&ccedil;ar, pode resultar em perturba&ccedil;&otilde;es na imagem corporal e insatisfa&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;prio corpo (8, 9). A insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal tornou-se, assim, &ldquo;um fen&oacute;meno t&iacute;pico da sociedade ocidental&rdquo; (10), podendo ser definida como os pensamentos e sentimentos negativos do sujeito em rela&ccedil;&atilde;o ao seu corpo (11), que resultam duma avalia&ccedil;&atilde;o negativa que o mesmo faz acerca da sua apar&ecirc;ncia f&iacute;sica (12). A insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal tem sido associada a baixa autoestima, a sintomas depressivos e ao desenvolvimento de perturba&ccedil;&otilde;es do comportamento alimentar (13, 14). Parece tamb&eacute;m existir uma associa&ccedil;&atilde;o entre esta insatisfa&ccedil;&atilde;o e a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas alimentares menos saud&aacute;veis (9), sendo que os padr&otilde;es alimentares e a ingest&atilde;o nutricional podem ser alterados e influenciados pela (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal (5, 6, 15&ndash;18).</p>     <p>Em estudos realizados em adolescentes, os que est&atilde;o insatisfeitos com a imagem corporal parecem apresentar consumos nutricionalmente menos equilibrados, com maior consumo de alimentos de elevada densidade energ&eacute;tica (18), de produtos alimentares processados (6) e um menor consumo de fruta (6). Constatou-se ainda uma maior tend&ecirc;ncia nos adolescentes insatisfeitos com a sua imagem para seguir padr&otilde;es alimentares restritivos (17, 18) e rejeitar um padr&atilde;o alimentar mais ocidentalizado (composto por doces e a&ccedil;&uacute;cares, refrigerantes, artigos de pastelaria, fast food, carne bovina, leite e latic&iacute;nios), em compara&ccedil;&atilde;o com os satisfeitos com a sua imagem corporal (17).</p>     <p>Os estudos publicados que relacionam a satisfa&ccedil;&atilde;o da imagem corporal com o consumo alimentar focam-se em amostras espec&iacute;ficas de indiv&iacute;duos, tais como estudantes universit&aacute;rios (5), mulheres (5, 15) e adolescentes (6,16&ndash;18). No geral, observa-se que os adolescentes, comparativamente aos adultos, apresentavam uma maior satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal, bem como as mulheres comparativamente aos homens (3, 11, 19).</p>     <p><b>OBJETIVOS</b></p>     <p>Avaliar a associa&ccedil;&atilde;o entre a (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal e o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional em jovens adultos portugueses de ambos os sexos.</p>     <p><b>METODOLOGIA</b></p>     <p>Participaram neste estudo um total de 111 jovens adultos, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos (67,6% mulheres), selecionados com base num m&eacute;todo de amostragem por conveni&ecirc;ncia.</p>     <p>A recolha de dados foi realizada entre outubro e novembro do ano de 2016, atrav&eacute;s da administra&ccedil;&atilde;o direta de dois question&aacute;rios. Um dos question&aacute;rios permitiu recolher informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica; dados relativos &agrave; pr&aacute;tica atual de desporto ou exerc&iacute;cio f&iacute;sico (incluindo andar, caminhar por lazer, dicotomizado em N&atilde;o/Sim), toma de suplementos alimentares e nutricionais nos &uacute;ltimos 12 meses (dicotomizado em N&atilde;o/Sim) e h&aacute;bito de consumo de bebidas alco&oacute;licas (dicotomizado em bebedores atuais e ex-bebedores/nunca bebedores); dados antropom&eacute;tricos (peso e estatura auto-reportados) e a perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal real e ideal. O segundo question&aacute;rio destinou-se &agrave; recolha de dados relativos ao consumo alimentar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos os participantes colaboraram de forma volunt&aacute;ria no presente estudo, tendo formalizado essa vontade atrav&eacute;s do preenchimento de uma declara&ccedil;&atilde;o de consentimento informado, de acordo com os princ&iacute;pios da Declara&ccedil;&atilde;o de Hels&iacute;nquia. O presente estudo foi aprovado pela Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da Universidade Fernando Pessoa.</p>     <p><b>Dados Antropom&eacute;tricos</b></p>     <p>Os dados referentes ao peso e estatura dos participantes foram auto-reportados. Estudos pr&eacute;vios em adultos jovens mostram que existe uma concord&acirc;ncia moderada a elevada entre a informa&ccedil;&atilde;o de peso e estatura auto-reportados e objetivamente medidos (20, 21). Com os dados recolhidos, procedeu-se ao c&aacute;lculo do &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC), de modo a avaliar o estado nutricional. Os participantes do estudo foram classificados quanto ao seu IMC e categorizados em: magreza (IMC&lt;18,5 kg/m2), eutrofia (18,5&ndash;24,9 kg/m2), pr&eacute;-obesidade (25,0&ndash;29,9 kg/m2) e obesidade (IMC&ge;30,0 kg/m2), segundo o crit&eacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (22).</p>     <p><b>Perce&ccedil;&atilde;o da Imagem Corporal</b></p>     <p>A perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal foi avaliada atrav&eacute;s da Escala de Silhuetas desenvolvida por Stunkard et al. (23). Esta escala consiste numa sequ&ecirc;ncia de 9 figuras, para cada sexo, numeradas de 1 a 9, verificando-se um aumento de peso e tamanho corporal &agrave; medida que se avan&ccedil;a na escala. Cada participante selecionou a figura, de 1 a 9, que melhor representava a sua imagem corporal atual (&ldquo;De acordo com a imagem em baixo, qual a figura que melhor representa a sua apar&ecirc;ncia f&iacute;sica atual? Refira uma imagem de 1 a 9.&rdquo;), bem como aquela que desejava ter (&ldquo;De acordo com a imagem, qual a figura que gostaria que representasse o seu corpo? Refira uma imagem de 1 a 9.&rdquo;). A (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal foi avaliada atrav&eacute;s da diferen&ccedil;a entre a imagem corporal atual e a imagem corporal desejada. Quando esta diferen&ccedil;a &eacute; igual a zero, observa-se uma satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal, sendo que valores diferentes de zero indicam uma insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal atual. Os valores de insatisfa&ccedil;&atilde;o podem ser negativos (variando de -9 a -1) ou positivos (variando de 1 a 9), indicando os valores positivos desejo de diminuir o tamanho corporal (doravante designado de insatisfa&ccedil;&atilde;o por excesso), enquanto os valores negativos o desejo de aumentar o tamanho corporal (designado de insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice).</p>     <p>A Escala de Silhuetas de Stunkard et al. &eacute; um instrumento com boas propriedades psicom&eacute;tricas, apresentando adequada fiabilidade teste-reteste, quer para a imagem corporal atual quer para a desejada, bem como uma adequada validade concorrente e convergente (24). Um estudo pr&eacute;vio (25) avaliou a capacidade da escala de identificar indiv&iacute;duos com obesidade ou magreza numa amostra populacional de mais de 28 000 indiv&iacute;duos adultos Caucasianos, concluindo que esta &eacute; uma t&eacute;cnica robusta para a classifica&ccedil;&atilde;o, usando dados de IMC auto-reportados, tal como realizado no presente trabalho. A escala j&aacute; foi previamente utilizada na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (26).</p>     <p><b>Consumo Alimentar</b></p>     <p>Os participantes preencheram um Question&aacute;rio semi-quantitativo de Frequ&ecirc;ncia Alimentar (QFA), de modo a avaliar o consumo alimentar nos &uacute;ltimos 12 meses. O QFA utilizado encontra-se adaptado e validado para a popula&ccedil;&atilde;o adulta portuguesa (27, 28). O question&aacute;rio em quest&atilde;o cont&eacute;m um total de 86 itens alimentares, agrupados em 8 grupos: I. Produtos L&aacute;cteos; II. Ovos, Carnes, Peixes; III. &Oacute;leos e Gorduras; IV. P&atilde;o, Cereais e Similares; V. Doces e Pasteis; VI. Hortali&ccedil;as e Legumes; VII. Fruta e VIII. Bebidas e Miscel&acirc;neas. Para cada item, os participantes assinalaram a frequ&ecirc;ncia habitual de consumo (n&uacute;mero m&eacute;dio de vezes de consumo por m&ecirc;s, semana ou dia), bem como a por&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de consumo pr&eacute;-definida (perante a op&ccedil;&atilde;o de uma por&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia, o participante indicava se a consumida por ele era menor, igual ou maior &agrave; sugerida), indicando ainda se se tratava de um consumo sazonal (quando indicado, o consumo era considerado em apenas 3 meses do ano).</p>     <p>No presente trabalho, foram estudados os seguintes grupos de alimentos: i) alimentos densamente energ&eacute;ticos: batatas fritas de pacote, bolachas, biscoitos, croissants, past&eacute;is, bolos caseiros, chocolate (tablete ou em p&oacute;), snacks de chocolate, pizzas, hamb&uacute;rgueres; ii) Carnes: frango, peru, vaca, porco; iii) Pescado: peixes gordos, peixes magros, bacalhau, peixe em conserva, lulas, polvo, camar&atilde;o; iv) Produtos L&aacute;cteos: leite, iogurtes, queijos, sobremesas l&aacute;cteas, gelados; v) Sumos e Refrigerantes: Ice Tea, Coca-Cola, outros refrigerantes, sumos de fruta ou n&eacute;ctares embalados; vi) Bebidas Alco&oacute;licas: vinho, cerveja, bebidas brancas e espirituosas.</p>     <p>Posteriormente, utilizou-se o software Food Processor Plus<sup>&reg;</sup> para converter o consumo de alimentos e bebidas em ingest&atilde;o energ&eacute;tica e de nutrientes. Este software tem por base a composi&ccedil;&atilde;o nutricional de alimentos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, contudo foi adaptado com a inclus&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o nutricional de alimentos tipicamente portugueses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>An&aacute;lise Estat&iacute;stica</b></p>     <p>As vari&aacute;veis categ&oacute;ricas foram descritas atrav&eacute;s de frequ&ecirc;ncias absolutas e relativas (%) e comparadas pelo teste de Qui-quadrado ou teste exato de Fisher. As vari&aacute;veis quantitativas cont&iacute;nuas foram sumariadas por mediana e dist&acirc;ncias interquartis e comparadas pelo teste n&atilde;o param&eacute;trico Kruskal-Wallis, dada a n&atilde;o normalidade da sua distribui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A associa&ccedil;&atilde;o entre a perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal (vari&aacute;vel exposi&ccedil;&atilde;o, usando como classe de refer&ecirc;ncia os satisfeitos com a imagem corporal) e o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional (diferentes vari&aacute;veis resposta) foi avaliada por regress&atilde;o linear (coeficientes beta e respetivos intervalos de confian&ccedil;a a 95% (&beta;Ì‚, IC95%)). Os modelos s&atilde;o apresentados em bruto e ap&oacute;s ajuste para potenciais confundidores, tendo-se criado dois modelos de ajuste: modelo 1 &ndash; ajustado para idade, escolaridade, pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico (considerado como modelo final) e modelo 2 &ndash; ajustado para idade, escolaridade, pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico e IMC. Dado o sexo dos participantes ser uma vari&aacute;vel de intera&ccedil;&atilde;o/modificadora de efeito, os resultados s&atilde;o apresentados estratificados por sexo.</p>     <p>A an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados foi realizada com recurso ao programa estat&iacute;stico IBM SPSS<sup>&reg;</sup> Statistics Version 25.</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>A maioria dos participantes apresentava um IMC dentro da faixa da eutrofia, sendo que as mulheres apresentavam um IMC mediano significativamente inferior ao dos homens (21,8 kg/m<sup>2</sup> vs. 23,8 kg/m<sup>2</sup>, p=0,004) (<a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a04t1.jpg">Tabela 1</a>). Quase 35% das mulheres e 26% dos homens referiu considerar o seu peso superior ao recomendado. Relativamente &agrave; (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal, foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre sexos (p=0,009); observou-se uma maior insatisfa&ccedil;&atilde;o da imagem corporal por excesso nas mulheres (57,3% vs. 30,6% nos homens) e uma maior insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice nos homens (27,8% vs. 9,3% nas mulheres). Uma menor percentagem de mulheres encontrava-se satisfeita com a imagem corporal, em compara&ccedil;&atilde;o com os homens (33,3% vs. 41,7%) (<a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a04t1.jpg">Tabela 1</a>).</p>     
<p>A associa&ccedil;&atilde;o univariada entre a (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal e o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional encontra-se descrita na <a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a04t2.jpg">Tabela 2</a>.</p>     
<p>Ap&oacute;s ajuste para potenciais confundidores (<a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a04t3.jpg">Tabela 3</a>), verificou-se que os homens insatisfeitos com a imagem corporal por d&eacute;fice, comparativamente aos satisfeitos, apresentaram consumos significativamente mais elevados de pescado (&beta;=181,0, IC95%: 38,3; 323,6), ovos (&beta;=23,1, IC95%: 2,9; 43,2), fruta (&beta;=191,3, IC95%: 90,0; 292,5) e hort&iacute;colas (&beta;=221,6, IC95%: 99,7; 343,4). Apresentaram igualmente uma maior ingest&atilde;o energ&eacute;tica (&beta;Ì‚=1359,2, IC95%: 440,0; 2278,4), uma maior percentagem do valor energ&eacute;tico total proveniente das prote&iacute;nas (&beta;=3,3, IC95%: 1,0; 5,6) e ingest&otilde;es significativamente superiores de fibra (&beta;=25,1, IC95%: 12,1; 38,0) e de micronutrientes, como vitamina B12 (&beta;=16,2, IC95%: 2,2; 30,1), vitamina C (&beta;=155,9, IC95%: 80,9; 231,0), c&aacute;lcio (&beta;=799,7, IC95%: 273,2; 1326,2), magn&eacute;sio (&beta;=383,3, IC95%: 154,6; 612,0), pot&aacute;ssio (&beta;=3079,3; IC95%: 1587,2; 4571,4) e s&oacute;dio (&beta;=2612,1, IC95%: 1198,1; 4026,0). Os homens insatisfeitos por excesso apresentaram um menor consumo de alimentos densamente energ&eacute;ticos, comparativamente aos satisfeitos (&beta;=-37,9, IC95%: -75,3; -0,50), por&eacute;m, ap&oacute;s ajuste para o IMC, esta associa&ccedil;&atilde;o deixou de ser significativa, ou seja, estava dependente do IMC do participante. Nas mulheres, a insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal por d&eacute;fice associou-se a uma maior ingest&atilde;o de gordura polinsaturada, contudo ap&oacute;s o ajuste adicional para o IMC a associa&ccedil;&atilde;o deixou de apresentar significado estat&iacute;stico, pelo que n&atilde;o ser&aacute; de valorizar.</p>     
<p><b>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS </b></p>     <p>O presente estudo sugere que, em adultos jovens, os homens insatisfeitos com a imagem corporal por d&eacute;fice (i.e. que manifestaram o desejo de aumentar o seu tamanho corporal) s&atilde;o os que apresentaram um consumo alimentar e nutricional significativamente diferente dos satisfeitos com a sua imagem corporal. Apresentaram consistentemente consumos mais elevados de pescado e ovos, bem como fruta e hort&iacute;colas, o que se traduziu, do ponto de vista nutricional, em ingest&otilde;es superiores de energia, de prote&iacute;na em fun&ccedil;&atilde;o do valor energ&eacute;tico total, fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio, pot&aacute;ssio e s&oacute;dio. Nas mulheres n&atilde;o se encontraram diferen&ccedil;as significativas, nem quantitativamente relevantes, no consumo alimentar e na ingest&atilde;o energ&eacute;tica e nutricional entre as diferentes categorias de (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente trabalho apresenta como vantagem o estudo da insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal sob duas vertentes distintas: insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice (desejo de aumentar o tamanho corporal) e por excesso (desejo de diminuir o tamanho corporal). A maioria dos estudos, provavelmente por terem sido realizados em mulheres e em adolescentes, nos quais a insatisfa&ccedil;&atilde;o &eacute; maioritariamente por excesso, analisam apenas esta dimens&atilde;o, o que limita a comparabilidade dos resultados aqui apresentados.</p>     <p>Um estudo pr&eacute;vio, embora num segmento populacional diferente, como mulheres universit&aacute;rias (15), sugere uma associa&ccedil;&atilde;o entre a insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal por excesso (ou seja, desejo de ser mais magra) e h&aacute;bitos alimentares mais saud&aacute;veis, incluindo mais fruta, carnes magras, produtos l&aacute;cteos e menor quantidade de alimentos densamente energ&eacute;ticos.</p>     <p>No presente estudo, a insatisfa&ccedil;&atilde;o por excesso n&atilde;o se associou significativamente ao consumo alimentar. Apenas os homens insatisfeitos com a imagem corporal por excesso apresentaram um menor consumo de alimentos densamente energ&eacute;ticos, provavelmente no sentido de diminu&iacute;rem o seu tamanho corporal. Contudo esta associa&ccedil;&atilde;o est&aacute; dependente do IMC, uma vez que ap&oacute;s ajuste para esta vari&aacute;vel, a associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se manteve significativa.</p>     <p>Por outro lado, os homens insatisfeitos com a imagem corporal por d&eacute;fice, apresentaram um maior consumo de produtos l&aacute;cteos, carnes, ovos, pescado, fruta, hort&iacute;colas, o que se traduz em ingest&otilde;es superiores de energia e de prote&iacute;na, comparativamente aos satisfeitos com a imagem corporal. Como os indiv&iacute;duos em quest&atilde;o t&ecirc;m o desejo de possuir um tamanho corporal maior, o seu consumo alimentar e consequentemente ingest&atilde;o nutricional podem representar uma tentativa por parte dos mesmos de atingir esse objetivo. Da&iacute; se observar uma maior ingest&atilde;o energ&eacute;tica e nutricional. Refor&ccedil;a-se ainda que entre estes, 40,0% tomou suplementa&ccedil;&atilde;o nutricional no &uacute;ltimo ano, revelando uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o seu estado nutricional.</p>     <p>No geral, a insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice, nos homens, parece associar-se a um consumo alimentar nutricionalmente mais saud&aacute;vel. Contudo, no presente trabalho n&atilde;o conseguimos concluir acerca da adequa&ccedil;&atilde;o destes consumos, isto &eacute;, o consumo pode ser maior mas ainda assim inadequado (abaixo de determinado ponto de corte) ou mesmo inadequado por excesso (no caso do pescado e ovos). O facto destes indiv&iacute;duos terem ingest&otilde;es energ&eacute;ticas medianas pr&oacute;ximas das 3000 kcal/dia e ingest&otilde;es superiores de s&oacute;dio coloca a hip&oacute;tese que possam de facto estar a consumir acima de determinadas recomenda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O sexo dos indiv&iacute;duos mostrou ser uma forte vari&aacute;vel de intera&ccedil;&atilde;o, ou seja modificadora de efeito. Na literatura, existem diverg&ecirc;ncias no que diz respeito &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre imagem corporal e o sexo dos indiv&iacute;duos, sendo que em alguns estudos se observam diferen&ccedil;as significativas na (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal entre sexos, e noutros tal n&atilde;o se verifica. No presente estudo, verificou-se uma maior insatisfa&ccedil;&atilde;o nas mulheres (66,7% vs. 58,3%, p=0,392). Apesar da diferen&ccedil;a n&atilde;o ser significativa, este resultado vai de encontro ao observado em estudos pr&eacute;vios na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (3, 29). Adicionalmente, ap&oacute;s estratifica&ccedil;&atilde;o da insatisfa&ccedil;&atilde;o em insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice e por excesso, verificou-se que as diferen&ccedil;as entre sexos s&atilde;o significativas. Observou-se uma maior insatisfa&ccedil;&atilde;o por excesso no sexo feminino, enquanto no sexo masculino constatou-se uma maior insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice, o que foi observado tamb&eacute;m em outros estudos (2, 11). Um dos fatores que se pensa contribuir n&atilde;o s&oacute; para as diferen&ccedil;as de satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal entre sexos, mas tamb&eacute;m para a dire&ccedil;&atilde;o da insatisfa&ccedil;&atilde;o &eacute; o facto de existirem ideais de beleza distintos para homens e mulheres, sendo um corpo magro o idealizado para as mulheres e um corpo forte e musculado o idealizado para os homens (1, 2, 6).</p>     <p>Assim, os resultados do presente estudo apoiam a op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica de estudar a rela&ccedil;&atilde;o da imagem corporal com o consumo alimentar separadamente por sexos e considerando as duas vertentes da insatisfa&ccedil;&atilde;o, uma vez que as associa&ccedil;&otilde;es encontradas foram diferentes por sexo e por categorias de insatisfa&ccedil;&atilde;o da imagem corporal.</p>     <p>O presente estudo apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es. O facto de se tratar de uma amostra de conveni&ecirc;ncia constitui uma limita&ccedil;&atilde;o, pois esta pode n&atilde;o ser representativa da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Contudo, a distribui&ccedil;&atilde;o das principais vari&aacute;veis, nomeadamente da imagem corporal por sexos, vai de encontro ao previamente descrito na literatura. Al&eacute;m disso, o facto de se tratar de um estudo transversal limita o estabelecimento da dire&ccedil;&atilde;o das associa&ccedil;&otilde;es. Assumiu-se que a (in)satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal influenciaria o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional, mas a associa&ccedil;&atilde;o pode ser bidirecional, isto &eacute;, o consumo de determinados alimentos pode tamb&eacute;m ser determinante para o estabelecimento da satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal, o que s&oacute; poder&aacute; ser esclarecido com estudos longitudinais futuros, onde o vi&eacute;s de causalidade reversa esteja minimizado.</p>     <p>A informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; imagem corporal foi recolhida por administra&ccedil;&atilde;o direta, dado ser considerado um t&oacute;pico sens&iacute;vel e altamente sujeito a vi&eacute;s de desejabilidade social. A n&atilde;o presen&ccedil;a de um entrevistador poder&aacute; assim contribuir para a minimiza&ccedil;&atilde;o deste vi&eacute;s. Adicionalmente, esta foi recolhida atrav&eacute;s do uso da escala de silhuetas de Stunkard et al., uma das escalas mais utilizadas (1, 7) por se tratar de uma forma r&aacute;pida, simples e eficaz de avaliar a perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal (30). Embora esta n&atilde;o esteja especificamente validada para a popula&ccedil;&atilde;o Portuguesa, um estudo pr&eacute;vio realizado numa amostra populacional de mais de 28 000 indiv&iacute;duos adultos Caucasianos, concluiu que esta &eacute; uma t&eacute;cnica robusta para a classifica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com obesidade ou magreza (25).</p>     <p>Por &uacute;ltimo, os resultados podem ainda estar sujeitos a erros aleat&oacute;rios, dado o reduzido tamanho amostral. Contudo, o efeito dos erros aleat&oacute;rios nas estimativas &eacute; geralmente no sentido de produzir associa&ccedil;&otilde;es nulas, o que n&atilde;o se verificou no presente estudo entre os homens, mas apenas nas mulheres, curiosamente para as quais o tamanho amostral &eacute; superior. Estes factos sugerem que a probabilidade de enviesamento dos resultados por erros aleat&oacute;rios possa ser baixa, contudo de n&atilde;o desvalorizar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>O presente estudo sugere que os homens se encontram mais satisfeitos com a sua imagem corporal do que as mulheres (41,7% vs. 33,3%) e que, para ambos os sexos, a maioria dos participantes (adultos jovens) se encontra insatisfeito com a sua imagem corporal, sendo de destacar que quase 30% dos homens apresenta insatisfa&ccedil;&atilde;o por d&eacute;fice, isto &eacute; manifestou o desejo de aumentar o seu tamanho corporal. Foi para este grupo de indiv&iacute;duos que se observaram diferen&ccedil;as quantitativamente relevantes no que diz respeito aos seus h&aacute;bitos alimentares. Os homens insatisfeitos com a sua imagem corporal por d&eacute;fice reportaram consumos mais elevados de pescado, ovos, fruta, hort&iacute;colas e maior ingest&atilde;o energ&eacute;tica (com maior percentagem proveniente das prote&iacute;nas) e de micronutrientes, comparativamente aos satisfeitos, potencialmente como uma forma de atingirem o seu ideal de imagem corporal.</p>     <p>No presente estudo foi poss&iacute;vel mostrar que existe uma associa&ccedil;&atilde;o entre a perce&ccedil;&atilde;o da imagem corporal e o consumo alimentar e a ingest&atilde;o nutricional e que o sexo dos indiv&iacute;duos &eacute; uma forte vari&aacute;vel modificadora de efeito desta associa&ccedil;&atilde;o. Dever&atilde;o ser conduzidos estudos longitudinais futuros, com tamanhos amostrais mais robustos e em amostras representativas de segmentos da popula&ccedil;&atilde;o, como os adultos jovens, para os quais os h&aacute;bitos de consumo est&atilde;o ainda em consolida&ccedil;&atilde;o, de forma a clarificar melhor a dire&ccedil;&atilde;o e magnitude destas associa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     <li>C&ocirc;rtes MG, Meireles AL, Friche AAL, Caiaffa WT, Xavier CC. O uso de escalas de silhuetas na avalia&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o corporal de adolescentes: revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2013;29(3):427&ndash;44.</li>     <li>Martins CR, Gordia AP, Silva DAS, Quadros TMB, Ferrari EP, Teixeira DM, et al. Insatisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal e fatores associados em universit&aacute;rios. Estud Psicol. 2012;17(2):241&ndash;6.</li>     <li>Francisco R, Narciso I, Alarc&atilde;o M. (In)Satisfa&ccedil;&atilde;o com a imagem corporal em adolescentes e adultos portugueses: Contributo para o processo de valida&ccedil;&atilde;o da Contour Drawing Rating Scale. RIDEP. 2012;1(34):61&ndash;88.</li>     <li>Castro IRR, Levy RB, Cardoso LO, Passos MD, Sardinha LMV, Tavares LF, et al. Imagem corporal, estado nutricional e comportamento com rela&ccedil;&atilde;o ao peso entre adolescentes brasileiros. Cien Saude Colet. 2010;15(2):3099&ndash;4108.</li>     <li>Alipour B, Farhangi MA, Dehghan P, Alipour M. Body image perception and its association with body mass index and nutrient intakes among female college students aged 18&ndash;35 years from Tabriz, Iran. Eat Weight Disord. 2015;20(4):465&ndash;71.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Balluck G, Toorabally BZ, Hosenally M. Association Between Body Image Dissatisfaction and Body Mass Index, Eating Habits and Weight Control Practices among Mauritian Adolescents. Mal J Nutr. 2016;22(3):389&ndash;401.</li>     <li>Moraes C, Anjos LA, Marinho SMSA. Constru&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de escalas de silhuetas para autoavalia&ccedil;&atilde;o do estado nutricional: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2012;28(1):7&ndash;19.</li>     <li>Anschutz DJ, Engels RCME, Becker ES, Strien T van. The bold and the beautiful. Influence of body size of televised media models on body dissatisfaction and actual food intake. Appetite. 2008;51:530&ndash;7.</li>     <li>Alves DA, Regidor NH, Barano NB, Pablo AMR, Izaga MA. Satisfacci&oacute;n corporal y calidad de la dieta en estudiantes universitarias del Pa&iacute;s Vasco. Endocrinot Nutr. 2012;59(4):239&ndash;45.</li>     <li>Secchi K, Camargo BV, Bertoldo RB. Percep&ccedil;&atilde;o da imagem corporal e representa&ccedil;&otilde;es sociais do corpo. Psicol Teor e Pesqui. 2009;25(2):229&ndash;36.</li>     <li>Coelho EM, Fonseca SC, Pinto GS, Mour&atilde;o-Carvalhal MI. Factors associated with body image dissatisfaction in Portuguese adolescents: obesity, sports activity and TV watching. Motricidade. 2016;12(2):18&ndash;26.</li>     <li>Stice E, Shaw HE. Role of body dissatisfaction in the onset and maintenance of eating pathology. A synthesis of research findings. J Psychosom Res. 2002;53(5):985&ndash;93.</li>     <li>Flores-Cornejo F, Kamego-Tome M, Zapata-Pachas MA, Alvarado GF. Association between body image dissatisfaction and depressive symptoms in adolescents. Rev Bras Psiquiatr. 2017;39(4):316&ndash;22.</li>     <li>Stice E, Gau JM, Rohde P, Shaw H. Risk factors that predict future onset of each DSM&ndash;5 eating disorder: Predictive specificity in high-risk adolescent females. J Abnorm Psychol. 2017;126(1):38&ndash;51.</li>     <li>Contento IR, Basch C, Zybert P. Body Image, Weight, and Food Choices of Latina Women and Their Young Children. J Nutr Educ Behav. 2003;35(5):236&ndash;48.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Bibiloni M del M, Pich J, Pons A, Tur JA. Body image and eating patterns among adolescents. BMC Public Health. 2013;13(1104):1&ndash;10.</li>     <li>Ribeiro-Silva RC, Fiaccone RL, Concei&ccedil;&atilde;o-Machado MEP, Ruiz AS, Barreto ML, Santana MLP. Body image dissatisfaction and dietary patterns according to nutritional status in adolescents. J Pediatr (Rio J). 2018;94(2):155&ndash;61.</li>     <li>Zarychta K, Chan CKY, Kruk M, Luszczynska A. Body satisfaction and body weight in under- and healthy-weight adolescents: mediating effects of restrictive dieting, healthy and unhealthy food intake [Internet]. Eat Weight Disord. Springer International Publishing. 2018; Available from: <a href="https://doi.org/10.1007/s40519-018-0496-z" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s40519-018-0496-z</a>.</li>     <li>Al Sabbah H, Vereecken CA, Elgar FJ, Nansel T, Aasvee K, Abdeen Z, et al. Body weight dissatisfaction and communication with parents among adolescents in 24 countries: international cross-sectional survey. BMC Public Health. 2009;9(52).</li>     <li>Nikolaou CK, Hankey CR, Lean MEJ. Accuracy of on-line self-reported weights and heights by young adults. Eur J Public Health. 2017;27(5):898&ndash;903.</li>     <li>Pursey K, Burrows TL, Stanwell P, Collins CE. How Accurate is Web-Based Self-Reported Height, Weight, and Body Mass Index in Young Adults? J Med Internet Res. 2014;16(1):e4.</li>     <li>World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. WHO Technical Report Series 894. Geneva: World Health Organization; 2000.</li>     <li>Stunkard AJ, Sorensen T, Schulsinger F. Use of the Danish Adoption Register for the study of obesity and thinness. In: Kely S, Rowland L, Sidman R, Matthysse, S. Genetics of neurological and psychiatric disorders. New York: Raven Press; 1983. p. 115-20.</li>     <li>Gardner RM, Brown DL. Body image assessment: A review of figural drawing scales. Pers Individ Dif. 2009;48(2010):107&ndash;11.</li>     <li>Bulik CM, Wade TD, Heath AC, Martin NG, Stunkard AJ, Eaves LJ. Relating body mass index to figural stimuli: population-based normative data for Caucasians. Int J Obes Relat Metab Disord. 2001;25(10):1517&ndash;24.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Henriques A, Alves E, Barros H, Azevedo A. Women&rsquo;s Satisfaction with Body Image before Pregnancy and Body Mass Index 4 Years after Delivery in the Mothers of Generation XXI. Serino A, editor. PLoS One. 2013;8(7):e70230.</li>     <li>Lopes C. Reprodutibilidade e Valida&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio semi-quantitativo de frequ&ecirc;ncia alimentar. In: Alimenta&ccedil;&atilde;o e Enfarte Agudo do Mioc&aacute;rdio: um estudo caso-controlo de base populacional. Tese de Doutoramento. Porto, Portugal: Universidade do Porto; 2000:79&ndash;115.</li>     <li>Lopes C, Aro A, Azevedo A, Ramos E, Barros H. Intake and Adipose Tissue Composition of Fatty Acids and Risk of Myocardial Infarction in a Male Portuguese Community Sample. J Am Diet Assoc. 2007; 107:276-86.</li>     <li>Correia F, Pinh&atilde;o S, Poinhos R, Oliveira B, Almeida M, Medina J, et al. Body image perception in Portuguese obese adults. Obe Metab. 2006;2:28&ndash;36.</li>     <li>Kakeshita IS, Almeida SS. Rela&ccedil;&atilde;o entre &iacute;ndice de massa corporal e a percep&ccedil;&atilde;o da auto-imagem em universit&aacute;rios. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2006;40(3):497&ndash;504.</li>     </ol>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Andreia Oliveira</p>     <p>EPIUnit &ndash; Instituto de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade do Porto,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rua das Taipas, n.&ordm; 135,</p>     <p>4050-600 Porto, Portugal</p> <a href="mailto:acmatos@ispup.up.pt">acmatos@ispup.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 6 de fevereiro de 2019</p>     <p>Aceite a 20 de mar&ccedil;o de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Côrtes]]></surname>
<given-names><![CDATA[MG]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Meireles]]></surname>
<given-names><![CDATA[AL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Friche]]></surname>
<given-names><![CDATA[AAL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Caiaffa]]></surname>
<given-names><![CDATA[WT]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Xavier]]></surname>
<given-names><![CDATA[CC]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O uso de escalas de silhuetas na avaliação da satisfação corporal de adolescentes: revisão sistemática da literatura]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad Saúde Pública]]></source>
<year>2013</year>
<volume>29</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>427-44</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[CR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gordia]]></surname>
<given-names><![CDATA[AP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[DAS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Quadros]]></surname>
<given-names><![CDATA[TMB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferrari]]></surname>
<given-names><![CDATA[EP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[DM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Insatisfação com a imagem corporal e fatores associados em universitários]]></article-title>
<source><![CDATA[Estud Psicol]]></source>
<year>2012</year>
<volume>17</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>241-6</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[R]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francisco]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[I]]></surname>
<given-names><![CDATA[Narciso]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alarcão]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[(In)Satisfação com a imagem corporal em adolescentes e adultos portugueses: Contributo para o processo de validação da Contour Drawing Rating Scale]]></article-title>
<source><![CDATA[RIDEP]]></source>
<year>2012</year>
<volume>1</volume>
<numero>34</numero>
<issue>34</issue>
<page-range>61-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castro]]></surname>
<given-names><![CDATA[IRR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Levy]]></surname>
<given-names><![CDATA[RB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[LO]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Passos]]></surname>
<given-names><![CDATA[MD]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sardinha]]></surname>
<given-names><![CDATA[LMV]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tavares]]></surname>
<given-names><![CDATA[LF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Imagem corporal, estado nutricional e comportamento com relação ao peso entre adolescentes brasileiros]]></article-title>
<source><![CDATA[Cien Saude Colet]]></source>
<year>2010</year>
<volume>15</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>3099-4108</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alipour]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Farhangi]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dehghan]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alipour]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image perception and its association with body mass index and nutrient intakes among female college students aged 18-35 years from Tabriz, Iran]]></article-title>
<source><![CDATA[Eat Weight Disord]]></source>
<year>2015</year>
<volume>20</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>465-71</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Balluck]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Toorabally]]></surname>
<given-names><![CDATA[BZ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hosenally]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Association Between Body Image Dissatisfaction and Body Mass Index, Eating Habits and Weight Control Practices among Mauritian Adolescents]]></article-title>
<source><![CDATA[Mal J Nutr]]></source>
<year>2016</year>
<volume>22</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>389-401</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moraes]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Anjos]]></surname>
<given-names><![CDATA[LA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[SMSA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Construção, adaptação e validação de escalas de silhuetas para autoavaliação do estado nutricional: uma revisão sistemática da literatura]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad Saúde Pública]]></source>
<year>2012</year>
<volume>28</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>7-19</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Anschutz]]></surname>
<given-names><![CDATA[DJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Engels]]></surname>
<given-names><![CDATA[RCME]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Becker]]></surname>
<given-names><![CDATA[ES]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Strien van]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The bold and the beautiful: Influence of body size of televised media models on body dissatisfaction and actual food intake]]></article-title>
<source><![CDATA[Appetite]]></source>
<year>2008</year>
<volume>51</volume>
<page-range>530-7</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[DA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Regidor]]></surname>
<given-names><![CDATA[NH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barano]]></surname>
<given-names><![CDATA[NB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pablo]]></surname>
<given-names><![CDATA[AMR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Izaga]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Satisfacción corporal y calidad de la dieta en estudiantes universitarias del País Vasco]]></article-title>
<source><![CDATA[Endocrinot Nutr]]></source>
<year>2012</year>
<volume>59</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>239-45</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Secchi]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Camargo]]></surname>
<given-names><![CDATA[BV]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bertoldo]]></surname>
<given-names><![CDATA[RB]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepção da imagem corporal e representações sociais do corpo]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicol Teor e Pesqui]]></source>
<year>2009</year>
<volume>25</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>229-36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Coelho]]></surname>
<given-names><![CDATA[EM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[SC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[GS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mourão-Carvalhal]]></surname>
<given-names><![CDATA[MI]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Factors associated with body image dissatisfaction in Portuguese adolescents: obesity, sports activity and TV watching]]></article-title>
<source><![CDATA[Motricidade]]></source>
<year>2016</year>
<volume>12</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>18-26</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stice]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Shaw]]></surname>
<given-names><![CDATA[HE]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Role of body dissatisfaction in the onset and maintenance of eating pathology: A synthesis of research findings]]></article-title>
<source><![CDATA[J Psychosom Res]]></source>
<year>2002</year>
<volume>53</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>985-93</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Flores-Cornejo]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kamego-Tome]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zapata-Pachas]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alvarado]]></surname>
<given-names><![CDATA[GF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Association between body image dissatisfaction and depressive symptoms in adolescents]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Bras Psiquiatr]]></source>
<year>2017</year>
<volume>39</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>316-22</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stice]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gau]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rohde]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Shaw]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Risk factors that predict future onset of each DSM-5 eating disorder: Predictive specificity in high-risk adolescent females]]></article-title>
<source><![CDATA[J Abnorm Psychol]]></source>
<year>2017</year>
<volume>126</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>38-51</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Contento]]></surname>
<given-names><![CDATA[IR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Basch]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zybert]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body Image, Weight, and Food Choices of Latina Women and Their Young Children]]></article-title>
<source><![CDATA[J Nutr Educ Behav]]></source>
<year>2003</year>
<volume>35</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>236-48</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bibiloni M]]></surname>
<given-names><![CDATA[del M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pich]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pons]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tur]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image and eating patterns among adolescents]]></article-title>
<source><![CDATA[BMC Public Health]]></source>
<year>2013</year>
<volume>13</volume>
<numero>1104</numero>
<issue>1104</issue>
<page-range>1-10</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro-Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[RC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fiaccone]]></surname>
<given-names><![CDATA[RL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Conceição-Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[MEP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ruiz]]></surname>
<given-names><![CDATA[AS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barreto]]></surname>
<given-names><![CDATA[ML]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Santana]]></surname>
<given-names><![CDATA[MLP]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image dissatisfaction and dietary patterns according to nutritional status in adolescents]]></article-title>
<source><![CDATA[J Pediatr (Rio J)]]></source>
<year>2018</year>
<volume>94</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>155-61</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zarychta]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chan]]></surname>
<given-names><![CDATA[CKY]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kruk]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Luszczynska]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Body satisfaction and body weight in under- and healthy-weight adolescents: mediating effects of restrictive dieting, healthy and unhealthy food intake]]></source>
<year>2018</year>
<publisher-name><![CDATA[Eat Weight Disord. Springer International Publishing]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Al Sabbah]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vereecken]]></surname>
<given-names><![CDATA[CA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Elgar]]></surname>
<given-names><![CDATA[FJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nansel]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aasvee]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Abdeen]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body weight dissatisfaction and communication with parents among adolescents in 24 countries: international cross-sectional survey]]></article-title>
<source><![CDATA[BMC Public Health]]></source>
<year>2009</year>
<volume>9</volume>
<numero>52</numero>
<issue>52</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nikolaou]]></surname>
<given-names><![CDATA[CK]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hankey]]></surname>
<given-names><![CDATA[CR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lean]]></surname>
<given-names><![CDATA[MEJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Accuracy of on-line self-reported weights and heights by young adults]]></article-title>
<source><![CDATA[Eur J Public Health]]></source>
<year>2017</year>
<volume>27</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>898-903</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pursey]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Burrows]]></surname>
<given-names><![CDATA[TL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stanwell]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Collins]]></surname>
<given-names><![CDATA[CE]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[How Accurate is Web-Based Self-Reported Height, Weight, and Body Mass Index in Young Adults]]></article-title>
<source><![CDATA[J Med Internet Res]]></source>
<year>2014</year>
<volume>16</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>e4</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Obesity: preventing and managing the global epidemic. WHO Technical Report Series 894]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<label>23</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stunkard]]></surname>
<given-names><![CDATA[AJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sorensen]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schulsinger]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Use of the Danish Adoption Register for the study of obesity and thinness]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Kely]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rowland]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sidman]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Matthysse]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Genetics of neurological and psychiatric disorders]]></source>
<year>1983</year>
<page-range>115-20</page-range><publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Raven Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<label>24</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gardner]]></surname>
<given-names><![CDATA[RM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[DL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image assessment: A review of figural drawing scales]]></article-title>
<source><![CDATA[Pers Individ Dif]]></source>
<year>2009</year>
<volume>48</volume>
<numero>2010</numero>
<issue>2010</issue>
<page-range>107-11</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<label>25</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bulik]]></surname>
<given-names><![CDATA[CM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wade]]></surname>
<given-names><![CDATA[TD]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Heath]]></surname>
<given-names><![CDATA[AC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martin]]></surname>
<given-names><![CDATA[NG]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stunkard]]></surname>
<given-names><![CDATA[AJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eaves]]></surname>
<given-names><![CDATA[LJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Relating body mass index to figural stimuli: population-based normative data for Caucasians]]></article-title>
<source><![CDATA[Int J Obes Relat Metab Disord]]></source>
<year>2001</year>
<volume>25</volume>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>1517-24</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<label>26</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Henriques]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Azevedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Women's Satisfaction with Body Image before Pregnancy and Body Mass Index 4 Years after Delivery in the Mothers of Generation XXI]]></article-title>
<source><![CDATA[PLoS One]]></source>
<year>2013</year>
<volume>8</volume>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
<page-range>e70230</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<label>27</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reprodutibilidade e Validação de um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar]]></article-title>
<source><![CDATA[Alimentação e Enfarte Agudo do Miocárdio: um estudo caso-controlo de base populacional]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>79-115</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade do Porto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<label>28</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Azevedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ramos]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Intake and Adipose Tissue Composition of Fatty Acids and Risk of Myocardial Infarction in a Male Portuguese Community Sample]]></article-title>
<source><![CDATA[J Am Diet Assoc]]></source>
<year>2007</year>
<volume>107</volume>
<page-range>276-86</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<label>29</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Correia]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pinhão]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Poinhos]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Medina]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Body image perception in Portuguese obese adults]]></article-title>
<source><![CDATA[Obe Metab]]></source>
<year>2006</year>
<volume>2</volume>
<page-range>28-36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<label>30</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kakeshita]]></surname>
<given-names><![CDATA[IS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[SS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relação entre índice de massa corporal e a percepção da auto-imagem em universitários]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Saúde Pública]]></source>
<year>2006</year>
<volume>40</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>497-504</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
