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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2019.1806</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunicação dos perigos alimentares pela imprensa escrita: um estudo de caso para o milénio (2000-2017)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The mass media plays a critical role in the dissemination of information regarding food risk, so that the consumers can learn about the current situation of the food hazards by reading the press. This research aims to evaluate how news related to food risk are handled by a daily newspaper with a national coverage. For this purpose, the titles of the covers were considered for the period from 2000 to 2017. Content analysis was used as a way to identify the same categories from the different covers, a guide was constructed for this effect. From the 335 covers analyzed, it was confirmed that the food hazards were portrayed in the covers of the newspaper, representing about 5% of the covers reported during the study period, and that the most widespread type of hazard was the biological type, followed by the nutritional hazard. Individually, the most commonly reported hazards were obesity, avian flu and BSE. It was also found that BSE was particularly important because it was the hazard that made up the biggest number of headlines. Most of the food risk covers were related to the Portuguese territory.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><b><font face="" size="4">Comunica&ccedil;&atilde;o dos perigos alimentares pela imprensa escrita: um estudo de caso para o mil&eacute;nio (2000-2017)</font></b></p>     <p><strong>The reporting of food hazards by daily printed media: a case study for the millennium (2000-2017)</strong></p>     <p><strong>Rosa Azevedo<sup>1</sup>; Ana Sofia Mil-Homens<sup>2-4</sup>; Lu&iacute;s M Cunha<sup>3,4;</sup> Ana Pinto de Moura<sup>1,3</sup>*</strong></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia da Universidade Aberta, Delega&ccedil;&atilde;o do Porto, Rua do Ameal, n.&ordm; 752, 4200-055, Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>ASAE - Autoridade de Seguran&ccedil;a Alimentar e Econ&oacute;mica, Rua Rodrigo da Fonseca, n.&ordm; 73, 1269-274 Lisboa, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>GreenUPorto - Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Produ&ccedil;&atilde;o Agroalimentar Sustent&aacute;vel, Campus de Vair&atilde;o, Edif&iacute;cio Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias,</p>     <p>Rua da Agr&aacute;ria, n.&ordm; 747, 4485-646 Vila do Conde, Portugal</p>     <p><sup>4</sup>Departamento de Geoci&ecirc;ncias, Ambiente e Ordenamento do Territ&oacute;rio da Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre, 4169-007 Porto, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESUMO</strong></p>     <p>Os media assumem um papel cr&iacute;tico na dissemina&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o sobre o risco alimentar, podendo o consumidor instruir-se sobre a atualidade dos diferentes perigos alimentares, recorrendo nomeadamente &agrave; leitura da imprensa escrita. A presente investiga&ccedil;&atilde;o pretendeu avaliar o modo como as not&iacute;cias associadas ao risco alimentar s&atilde;o tratadas por um jornal di&aacute;rio nacional. Para o efeito, consideraram-se os t&iacute;tulos das suas capas, para o per&iacute;odo de 2000 a 2017. Recorreu-se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do, procurando-se identificar categorias comuns &agrave;s diferentes capas, construindo-se um formul&aacute;rio de recolha de informa&ccedil;&atilde;o. Das 335 capas analisadas, confirmou-se que os perigos alimentares tiveram cobertura nas capas do jornal, representando cerca de 5% das capas noticiadas durante o per&iacute;odo em estudo, sendo que o tipo de perigo mais difundido foi o biol&oacute;gico, seguido do perigo nutricional. Individualmente, os perigos alimentares mais abordados foram a obesidade, o v&iacute;rus da gripe das aves e a BSE. Verificou-se ainda que a BSE assumiu particular import&acirc;ncia por ser o perigo alimentar que constituiu um maior n&uacute;mero de manchetes. A maioria das capas analisadas sobre perigos alimentares dizia respeito ao territ&oacute;rio portugu&ecirc;s.</p>     <p><strong>Palavras-chave</strong></p>     <p>Jornal di&aacute;rio, Perce&ccedil;&atilde;o do risco alimentar, Perigos alimentares</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>The mass media plays a critical role in the dissemination of information regarding food risk, so that the consumers can learn about the current situation of the food hazards by reading the press. This research aims to evaluate how news related to food risk are handled by a daily newspaper with a national coverage. For this purpose, the titles of the covers were considered for the period from 2000 to 2017. Content analysis was used as a way to identify the same categories from the different covers, a guide was constructed for this effect. From the 335 covers analyzed, it was confirmed that the food hazards were portrayed in the covers of the newspaper, representing about 5% of the covers reported during the study period, and that the most widespread type of hazard was the biological type, followed by the nutritional hazard. Individually, the most commonly reported hazards were obesity, avian flu and BSE. It was also found that BSE was particularly important because it was the hazard that made up the biggest number of headlines. Most of the food risk covers were related to the Portuguese territory.</p>     <p><strong>keywords</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Daily newspaper, Food risk perception, Food hazards</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>Define-se tecnicamente risco alimentar, como sendo uma fun&ccedil;&atilde;o da probabilidade de um efeito nocivo para a sa&uacute;de e da gravidade desse efeito, como consequ&ecirc;ncia de um perigo (1). Deste modo, dois constituintes do risco s&atilde;o identificados: i) a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de um determinado perigo e ii) a magnitude das consequ&ecirc;ncias dessa mesma ocorr&ecirc;ncia. No entanto, a pondera&ccedil;&atilde;o destes mesmos constituintes difere do ponto de vista dos &ldquo;consumidores&rdquo; e dos &ldquo;especialistas&rdquo;. Os especialistas valorizam mais a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de um efeito nocivo para a sa&uacute;de, contrapondo com os consumidores que tendem a ponderar muito mais a severidade das consequ&ecirc;ncias do que a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de um efeito nocivo para a sua sa&uacute;de (2). Em causa est&aacute; o facto das rea&ccedil;&otilde;es do consumidor face ao risco terem em conta as suas caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas e sociais (3). No caso do contexto alimentar, esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ada pela complexidade do sistema agroalimentar e pelo cada vez maior distanciamento entre a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo alimentar (4). Ora, na presen&ccedil;a de uma situa&ccedil;&atilde;o de risco alimentar, a confian&ccedil;a do consumidor face &agrave; compra e ao consumo dos alimentos poder&aacute; ser posta em causa, contribuindo para a forma&ccedil;&atilde;o de sentimentos de ang&uacute;stia e de inseguran&ccedil;a nos consumidores em rela&ccedil;&atilde;o aquilo que comem, podendo afetar a sustentabilidade de toda a cadeia alimentar, refor&ccedil;ando o paradigma de que vivemos numa sociedade de risco (5).</p>     <p>Neste contexto, os media assumem particular import&acirc;ncia no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o relacionada com os perigos alimentares e seus impactes (6, 7), dado que as pessoas disp&otilde;em de tempo e conhecimento limitados e desejam ser informadas com rapidez e efici&ecirc;ncia, recorrendo aos media para um melhor entendimento dos acontecimentos de risco. Por outro lado, parte desta experi&ecirc;ncia individual decorre indiretamente pela exposi&ccedil;&atilde;o aos media (8), como &eacute; o caso das novas tecnologias usadas no processamento alimentar, desconhecidas maioritariamente pelo consumidor (9).</p>     <p>No entanto, os acontecimentos de risco tamb&eacute;m competem por espa&ccedil;o medi&aacute;tico, na medida em que nem todos os acontecimentos de risco s&atilde;o dignos de serem not&iacute;cia (10). A presen&ccedil;a de diferentes atores com posi&ccedil;&otilde;es extremadas e dissonantes, bem como de perigos alimentares com repercuss&otilde;es nefastas para a sa&uacute;de das pessoas, cen&aacute;rios pr&oacute;ximos dos acontecimentos que envolvem os perigos alimentares (11), transformam ocorr&ecirc;ncias de acontecimentos em not&iacute;cias, uma vez que s&atilde;o causadores de pol&eacute;mica e medo/receio junto das popula&ccedil;&otilde;es (6). Por outro lado, os media, incluindo a imprensa escrita, em fun&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia que a not&iacute;cia assume, recorrem a elementos visuais, nomeadamente manchetes (t&iacute;tulo principal na capa), cor, e uso de imagens, com vista a destacar a pr&oacute;pria not&iacute;cia.</p>     <p><strong>OBJETIVOS</strong></p>     <p>O presente trabalho pretendeu avaliar de que modo a imprensa escrita di&aacute;ria, com particular influ&ecirc;ncia na regi&atilde;o Norte do pa&iacute;s, comunicou, para o per&iacute;odo, janeiro de 2000 a dezembro de 2017, os perigos alimentares nas suas capas.</p>     <p><strong>METODOLOGIA</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recorreu-se ao Jornal de Not&iacute;cias (JN) impresso, edi&ccedil;&atilde;o Nacional (Porto), por ser um jornal di&aacute;rio de grande tiragem, com uma tiragem m&eacute;dia de 132 278 exemplares, para a d&eacute;cada de 2000, e de 88 586 exemplares para a d&eacute;cada de 2010 (2010-2017) (12). Entre os quatro di&aacute;rios generalistas (Correio da Manh&atilde;, Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, Jornal de Not&iacute;cias e P&uacute;blico) auditados pela Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circula&ccedil;&atilde;o, em 2017, o JN foi o segundo com mais tiragens (65 014 exemplares), depois do Correio da Manh&atilde; (130 064 exemplares), sendo que o JN foi destronado do primeiro lugar, em 2003, quando teve uma tiragem de 142 888 exemplares contra os 144 115 exemplares do Correio da Manh&atilde; (12). Por outro lado, trata--se de um jornal com uma presen&ccedil;a geogr&aacute;fica de &acirc;mbito nacional e conte&uacute;dos transversais para toda a popula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o obstante a regi&atilde;o Norte ser a sua principal &aacute;rea de influ&ecirc;ncia (13). Trata-se de um jornal tradicional de informa&ccedil;&atilde;o generalista, elaborado com uma linguagem popular e dirigido &agrave;s massas (14), tornando-o, portanto, significativo enquanto fonte de informa&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o em geral. Optou-se ainda pelo JN por uma quest&atilde;o de conveni&ecirc;ncia de acesso aos dados e recolha de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como unidade de an&aacute;lise, considerou-se a avalia&ccedil;&atilde;o dos t&iacute;tulos relacionados com os perigos alimentares presentes nas capas do jornal, por considerar-se que a presen&ccedil;a de uma not&iacute;cia na capa evidencia a relev&acirc;ncia que &eacute; concedida &agrave; pr&oacute;pria not&iacute;cia (15). Recorreu--se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do quantitativa e descritiva (16), seguindo uma metodologia dedutiva, no sentido de fazer um levantamento das ocorr&ecirc;ncias, em detrimento da avalia&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis. Para o efeito, construiu-se, previamente ao estudo de campo, uma grelha de recolha de informa&ccedil;&atilde;o, tendo por base os trabalhos de Kehagia e Chrysochou (17) e de Rowe, Frewer e Sjoberg (18), de modo a identificar categorias comuns &agrave;s diferentes capas e as suas ocorr&ecirc;ncias. A grelha contemplou as seguintes categorias: a) C&oacute;digo da not&iacute;cia; b) T&iacute;tulo na not&iacute;cia; c) Subt&iacute;tulo da not&iacute;cia; d) Destaque (presen&ccedil;a de &ldquo;manchete&rdquo;); e) Recurso (qualquer componente n&atilde;o verbal); f) Cor; g) Natureza do g&eacute;nero aliment&iacute;cio; h) Alimento; i) Tipologia do perigo alimentar; j) Perigo alimentar; e k) Territ&oacute;rio.</p>     <p>A classifica&ccedil;&atilde;o dos perigos alimentares identificados nas capas do JN foi efetuada por triangula&ccedil;&atilde;o entre os autores de acordo com a seguinte tipologia: biol&oacute;gico, qu&iacute;mico, tecnol&oacute;gico, nutricional, f&iacute;sico e fraude alimentar (19, 21). Neste contexto, refira-se que o v&iacute;rus da gripe das aves (H5N1) foi considerado, tendo em conta as suas consequ&ecirc;ncias negativas no consumo de carne de aves (21).</p>     <p>A pesquisa das capas decorreu, entre 12 de janeiro a 8 de abril de 2017. Consultaram-se manualmente exemplares do JN da edi&ccedil;&atilde;o Porto, para as edi&ccedil;&otilde;es de janeiro de 2000 a agosto de 2002, nas instala&ccedil;&otilde;es da Dire&ccedil;&atilde;o de Documenta&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o, do Porto Global Media Group. A partir de setembro de 2002, uma vez que, desde essa data, existe uma base de dados de fotos e textos (todas as edi&ccedil;&otilde;es), consultou-se a base de dados, considerando as seguintes palavras-chave: comida; comer; alimento; alimenta&ccedil;&atilde;o; risco; perigo; t&oacute;xico; intoxica&ccedil;&atilde;o; intoxicado; intoxicada; contaminar; contaminado; contaminada; contamina&ccedil;&atilde;o; gripe su&iacute;na; nitrofuranos; brucelose; obesidade; anorexia; bulimia; ASAE; vacas loucas; BSE; gripe das aves; H5N1; E. coli; Listeria; Hantav&iacute;rus; DECO; &aacute;gua contaminada; botulismo; epidemia; carne; bact&eacute;ria; v&iacute;rus; sal em excesso; a&ccedil;&uacute;car em excesso; diabetes; colesterol; alerg&eacute;nio; al&eacute;rgico; al&eacute;rgica; OGM; transg&eacute;nicos; organismos geneticamente modificados; radioatividade; nuclear; pesticidas; toxinas; aditivos alimentares; febre aftosa; Legionela; e Salmonela. As palavras-chave mencionadas foram selecionadas tendo por base o estado da arte da investiga&ccedil;&atilde;o e a grelha de recolha de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para a an&aacute;lise dos resultados dos t&iacute;tulos presentes nas capas recorreu--se &agrave; estat&iacute;stica descritiva, utilizando-se tabelas de frequ&ecirc;ncias e representa&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas, procurando-se assim uma sistematiza&ccedil;&atilde;o dos resultados, atrav&eacute;s do Microsoft Office Excel&reg;.</p>     <p><strong>RESULTADOS</strong></p>     <p>Consultaram-se 6 575 capas do referido peri&oacute;dico, sendo que se identificaram 310 capas do JN que abordaram a tem&aacute;tica em estudo, atrav&eacute;s de 312 t&iacute;tulos, correspondendo a 4,7% do total de capas publicadas de 2000 a 2017.</p>     <p>Em termos de distribui&ccedil;&atilde;o das frequ&ecirc;ncias relativas de divulga&ccedil;&atilde;o das capas, para o per&iacute;odo em an&aacute;lise, confirma-se que a cobertura medi&aacute;tica sobre os perigos alimentares foi mais intensa em 2001 e em 2006, representando 8,8% e 8,5% do total anual das capas do JN (<a href ="/img/revistas/apn/n18/n18a06f1.jpg">Figura 1</a>).</p>     
<p>Fazendo uma an&aacute;lise mais desagregada dos dados, verifica-se que os picos de frequ&ecirc;ncia de cobertura medi&aacute;tica, localizados para os anos 2000, 2001, 2003, 2005 e 2006, est&atilde;o associados &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o mensal de perigos espec&iacute;ficos, a saber: pri&atilde;o/agente da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), em novembro de 2000; febre aftosa, em mar&ccedil;o de 2001; nitrofuranos, em mar&ccedil;o de 2003; v&iacute;rus da gripe avi&aacute;ria A (H5N1), em outubro de 2005 e fevereiro de 2006; utiliza&ccedil;&atilde;o de carne de cavalo para consumo humano, em fevereiro de 2013 (<a href ="/img/revistas/apn/n18/n18a06f1.jpg">Figura 1</a>).</p>     
<p>Globalmente, a maioria dos t&iacute;tulos analisados, para o per&iacute;odo em estudo, refere-se aos perigos biol&oacute;gicos (36,5%), seguidos dos perigos nutricionais (36,2%), perigos qu&iacute;micos (16,6%), fraude alimentar (6,7%) e perigos tecnol&oacute;gicos (1%). Os perigos f&iacute;sicos n&atilde;o foram referidos durante este per&iacute;odo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contabilizando os diferentes perigos alimentares presentes nos 312 t&iacute;tulos relacionados com o risco alimentar, identificaram-se 40 perigos alimentares, com uma maior divulga&ccedil;&atilde;o, a saber: obesidade (14,9%); v&iacute;rus da gripe das aves (13%); BSE (9,3%); e, consumo de a&ccedil;&uacute;car em excesso (9,3%).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; origem do alimento, confirma-se que 55,8% da totalidade dos t&iacute;tulos relacionados com os perigos alimentares diziam respeito a alimentos de natureza animal, como a carne de vaca e a carne de aves; 18,9% dos t&iacute;tulos diziam respeito a alimentos de natureza vegetal, tais como o a&ccedil;&uacute;car e rebentos vegetais; 16,3% diziam respeito a alimentos de natureza mineral, como a &aacute;gua; e 0,6% dos t&iacute;tulos diziam respeito a alimentos de natureza f&uacute;ngica, caso dos cogumelos (<a href ="/img/revistas/apn/n18/n18a06f2.jpg">Figura 2</a>).</p>     
<p>Identificaram-se 67 alimentos diferentes presentes nas capas do JN, ora identificados genericamente (ex.: &ldquo;carne&rdquo; e &ldquo;peixe&rdquo;) ora identificados de um modo mais espec&iacute;fico (ex.: &ldquo;carne de porco&rdquo;, &ldquo;carne de vaca&rdquo;). A &ldquo;carne de aves&rdquo; foi o alimento mais mencionado, estando presente em 45 t&iacute;tulos das capas do JN relacionados com os perigos alimentares, seguido da &ldquo;carne de vaca&rdquo; presente em 29 t&iacute;tulos das capas e do &ldquo;a&ccedil;&uacute;car&rdquo;, presente em 26 t&iacute;tulos das capas.</p>     <p>Em termos de dispers&atilde;o geogr&aacute;fica, contabilizaram-se 18 territ&oacute;rios nesta mediatiza&ccedil;&atilde;o dos perigos alimentares. Portugal foi o territ&oacute;rio mais referido, representando 82,1% dos casos, seguido da Uni&atilde;o Europeia (UE), estando presente em 6,0% dos casos. A Fran&ccedil;a e a Espanha encontraram-se em ex-quo, com 2,1% dos casos, sendo que, em 5,4% dos casos, n&atilde;o foi referido qualquer territ&oacute;rio diretamente no t&iacute;tulo. Aquando da crise &ldquo;do v&iacute;rus da gripe das aves&rdquo; e da ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios relacionados com a BSE, existiram 10 t&iacute;tulos presentes nas capas do JN que abordaram dois a tr&ecirc;s territ&oacute;rios simultaneamente.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de elementos gr&aacute;ficos, verifica-se que da totalidade das not&iacute;cias sobre perigos alimentares, 21,8% (n=68 t&iacute;tulos) utilizaram imagens. Destas, 48,5% dos t&iacute;tulos diziam respeito aos perigos nutricionais, seguidos dos perigos biol&oacute;gicos (26,5%), dos perigos qu&iacute;micos (17,7%) e dos perigos associados &agrave; fraude alimentar (8,8%). N&atilde;o existiram t&iacute;tulos referentes a perigos tecnol&oacute;gicos que utilizassem imagens. Fazendo uma an&aacute;lise semelhante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das cores, verifica-se que da totalidade das not&iacute;cias sobre perigos alimentares, 43,6% (n=136 t&iacute;tulos) utilizaram cores. Destas, 36% diziam respeito aos perigos biol&oacute;gicos, 36,8% aos perigos nutricionais, 19,9% aos perigos qu&iacute;micos, 6,6% a perigos associados &agrave; fraude alimentar. Identificou-se apenas um exemplar de perigo tecnol&oacute;gico que faz recurso &agrave; colora&ccedil;&atilde;o (0,7%). Quanto &agrave; presen&ccedil;a de manchetes, confirma-se que da totalidade de not&iacute;cias em que existe informa&ccedil;&atilde;o sobre perigos alimentares, 29,4% (n=92) apareceram em manchetes, sendo que as relacionadas com os perigos biol&oacute;gicos foram as mais proeminentes (representando 39,1% do total das manchetes trabalhadas), seguidas das relacionadas com os perigos nutricionais (34,8%), perigos qu&iacute;micos (16,3%), e perigos associados &agrave; fraude alimentar (9,8%). N&atilde;o foram registadas nenhumas manchetes relativas aos perigos tecnol&oacute;gicos.</p>     <p><strong>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</strong></p>     <p>Dos resultados do presente estudo, confirma-se a relev&acirc;ncia dos perigos alimentares enquanto not&iacute;cia, divulgados nas capas do JN, para o per&iacute;odo 2000-2017, sendo que numa m&eacute;dia anual, cerca de 4,9% dos t&iacute;tulos apresentados nas capas di&aacute;rias do JN relacionaram-se com os perigos alimentares. No entanto, repete-se o padr&atilde;o avan&ccedil;ado anteriormente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cobertura dos perigos alimentares (22), quer dizer, assiste-se a uma cobertura diferenciada dos diferentes perigos alimentares quer ao n&iacute;vel da sua exposi&ccedil;&atilde;o (n&uacute;mero de not&iacute;cias) quer ao n&iacute;vel da sua relev&acirc;ncia (not&iacute;cias de perigos alimentares em manchetes ou recursos a elementos gr&aacute;ficos).</p>     <p>Na realidade, para o per&iacute;odo em estudo, a mediatiza&ccedil;&atilde;o dos perigos alimentares foi mais intensa para os perigos biol&oacute;gicos, seguidos dos perigos nutricionais, qu&iacute;micos e fraude alimentar, contrapondo com a escassa cobertura noticiosa dos perigos tecnol&oacute;gicos, e a aus&ecirc;ncia de qualquer t&iacute;tulo que referisse perigos f&iacute;sicos. Neste contexto, confirma--se que os perigos biol&oacute;gicos, qu&iacute;micos e perigos relacionados com a fraude alimentar est&atilde;o associados &agrave;s crises alimentares (23), observando-se a exist&ecirc;ncia de picos de frequ&ecirc;ncia anual de cobertura noticiosa relacionados com perigos alimentares espec&iacute;ficos: BSE, em 2000 e 2001; surgimento de contamina&ccedil;&atilde;o de aves de capoeira com nitrofuranos, em 2001; v&iacute;rus da gripe das aves, em 2005 e 2006; e produtos preparados com carne de cavalo, em 2013, refor&ccedil;ando o facto da carne de aves e da carne de vaca terem sido os alimentos mais referidos nas capas do JN para o per&iacute;odo em estudo.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao destaque dado &agrave; BSE pelo JN, importa contextualizar que, de outubro de 1998 a outubro de 2004, foi decretado, pela UE, o embargo &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de animais vivos e carne a partir de Portugal, tendo, em setembro de 2004, sido proposto pela Comiss&atilde;o Europeia o fim deste embargo (24). Por outro lado, a cobertura da BSE na imprensa escrita foi igualmente observada nos jornais brit&acirc;nicos, gregos e germ&acirc;nicos (25, 27). Esta cobertura ocorreu particularmente ap&oacute;s o an&uacute;ncio feito pelas autoridades brit&acirc;nicas, em mar&ccedil;o de 1996, de que o aparecimento de casos de encefalopatia espongiforme bovina era transmiss&iacute;vel ao homem, anunciando-se uma nova e fatal variante da doen&ccedil;a de Creutzfeldt-Jakob (26). Estes acontecimentos provocaram nos consumidores europeus uma crise de confian&ccedil;a sem precedentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; carne de bovino e aos produtos de origem bovina (28). Em Portugal, o consumo de carne de bovino baixou de 24% para 18%, entre 1990 e 1997 (29), evidenciando o impacte e o interesse das not&iacute;cias sobre a BSE na opini&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>Por outro lado, a UE proibiu a utiliza&ccedil;&atilde;o dos nitrofuranos para administra&ccedil;&atilde;o em animais destinados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, desde 1994, devido ao facto deste grupo de f&aacute;rmacos estar associado a efeitos secund&aacute;rios mutag&eacute;nicos e oncog&eacute;nicos quando acumulados no organismo humano (30). No entanto, em Portugal, entre 2003-2004, foram detetados res&iacute;duos de nitrofuranos em diversas explora&ccedil;&otilde;es de aves (30), usados ilegalmente para prevenir, a custos reduzidos e com grande efic&aacute;cia, doen&ccedil;as nos animais (20). Perante esta situa&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a alimentar, a produ&ccedil;&atilde;o total de animais de capoeira registou uma redu&ccedil;&atilde;o de 12,1%, em 2003, comparativamente a 2002 (31).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificou-se ainda uma mediatiza&ccedil;&atilde;o da crise &ldquo;da gripe das aves&rdquo; na generalidade dos jornais europeus, em particular para o per&iacute;odo outubro 2005 abril 2006 (32), dado coincidir com o surgimento de aves selvagens infetadas com o v&iacute;rus da gripe avi&aacute;ria A (H5N1) na Europa, em particular no espa&ccedil;o da UE (33). Quer dizer, o surgimento destes casos na Europa, consubstanciou a proximidade da amea&ccedil;a, inicialmente circunscritos ao continente asi&aacute;tico, favorecendo a mediatiza&ccedil;&atilde;o do acontecimento, j&aacute; que o v&iacute;rus H5N1 &eacute; particularmente virulento quer para as aves dom&eacute;sticas quer para os humanos, apesar do risco de infe&ccedil;&atilde;o humana por este v&iacute;rus ser muito baixo e da via alimentar ser uma via de transmiss&atilde;o muito pouco prov&aacute;vel ou mesmo te&oacute;rica (34).</p>     <p>Por sua vez, a cobertura medi&aacute;tica da crise &ldquo;da carne dos cavalos&rdquo;, decorreu da fraude detetada, em janeiro de 2013, inicialmente na Irlanda e posteriormente experienciada em diferentes pa&iacute;ses europeus, na comercializa&ccedil;&atilde;o de carne de cavalo como carne de bovino (alimentos congelados como hamb&uacute;rgueres de vaca e lasanha de bovino), com indica&ccedil;&atilde;o de uma rotulagem incorreta, levando, portanto, o consumidor ao engano (35), facto que possibilitou o retrocesso do uso da rotulagem alimentar pelos consumidores, contrariando assim a abordagem das entidades ligadas &agrave; sa&uacute;de, nomeadamente pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (36), de se considerar a rotulagem alimentar, em particular a rotulagem nutricional, enquanto elemento que pode contribuir para uma melhor decis&atilde;o de compra dos produtos alimentares (37-38). Posteriormente foi detetada a comercializa&ccedil;&atilde;o de carne de cavalos tratados com fenilbutazona, um anti-inflamat&oacute;rio utilizado como analg&eacute;sico no tratamento da dor e da febre em cavalos, mas que n&atilde;o se destina &agrave; cadeia alimentar, devido ao facto da sua exposi&ccedil;&atilde;o estar associada &agrave; anemia apl&aacute;stica humana (39). Em Portugal, esta situa&ccedil;&atilde;o levou a que a ASAE emitisse um conjunto de comunicados de imprensa a dar conta das dilig&ecirc;ncias efetuadas de modo a garantir a sa&uacute;de p&uacute;blica e a seguran&ccedil;a alimentar dos consumidores (40).</p>     <p>O interesse da mediatiza&ccedil;&atilde;o destes temas pelo JN &eacute; refor&ccedil;ado pela inclus&atilde;o de elementos visuais que destacam as respetivas not&iacute;cias, em particular para as not&iacute;cias relacionadas com a crise &ldquo;do v&iacute;rus da gripe das aves&rdquo; e a ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios relacionados com a BSE. Ora, o recurso a estes artefactos diferenciadores pode ser explicado atrav&eacute;s dos seguintes crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o noticiosa (41): i) receio/medo que os mesmos ditam (42), em particular pela perce&ccedil;&atilde;o da falta de controlo por parte das pessoas (3, 11), explorando-se assim as consequ&ecirc;ncias a curto, m&eacute;dio e longo prazo que os perigos comportam para a coletividade, pessoas envolvidas e suas fam&iacute;lias, bem como na vida dos leitores (caso da exist&ecirc;ncia de v&iacute;timas mortais no caso da BSE e da gripe das aves); ii) conflito e infra&ccedil;&atilde;o de normas: proibi&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o dos nitrofuranos e de fenilbutazona na pecu&aacute;ria, n&atilde;o obstante a sua utiliza&ccedil;&atilde;o por parte de certos operados destas cadeias alimentares; iii) atualidade do assunto (caso da fraude alimentar, com evid&ecirc;ncias de infratores para a exist&ecirc;ncia do acontecimento).</p>     <p>Por outro lado, constata-se que os perigos nutricionais foram abordados pelo JN, desde o in&iacute;cio do mil&eacute;nio, de uma forma peri&oacute;dica, destacando--se, neste contexto, a refer&ecirc;ncia ao a&ccedil;&uacute;car e ao sal. Na realidade, o consumo excessivo de sal e de gorduras geram medo/ansiedade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (2), tendo em conta as implica&ccedil;&otilde;es que acarretam para a sa&uacute;de das pessoas (43), sendo que os media se interessam por conte&uacute;dos que s&atilde;o atuais e familiares &agrave; audi&ecirc;ncia (44) e que podem afetar uma elevada extens&atilde;o de pessoas (45). Na realidade, embora a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de recomende um consumo di&aacute;rio de sal por pessoa de 5 gramas (43), o consumo m&eacute;dio de sal dos portugueses situa-se nos 10,7 g/dia (46). Por outro lado, estima-se que, em 2016, a preval&ecirc;ncia da obesidade (IMC&ge;30 kg/m2) na popula&ccedil;&atilde;o adulta (&ge;18 anos) em Portugal seja de 23,2%, e de pr&eacute;-obesidade (25&le;IMC&lt;30 kg/m2) de 39,1%, contrapondo com uma preval&ecirc;ncia a n&iacute;vel mundial de 13,2% e 25,9%, respetivamente (47). De igual modo, aproximadamente 10,4% das crian&ccedil;as e adolescentes (5-19 anos) portugueses s&atilde;o obesos (IMC&gt;2 desvios-padr&atilde;o acima da mediana) e 22,0% dos mesmos s&atilde;o pr&eacute;-obesos (1 desvio-padr&atilde;o acima da mediana&lt;IMC&le;2 desvios-padr&atilde;o acima da mediana), contrapondo com a preval&ecirc;ncia a n&iacute;vel mundial de 6,8% e 11,6%, respetivamente (47). Esta mediatiza&ccedil;&atilde;o continuada dos perigos nutricionais, consubstanciada com a inclus&atilde;o no planeamento gr&aacute;fico das capas, da utiliza&ccedil;&atilde;o de imagem, cor, e manchete, evidencia o destaque dado pelo JN a estas not&iacute;cias, eventualmente com o intuito de proporcionar ao leitor reflex&atilde;o sobre a melhor maneira como gerir a sa&uacute;de no seu quotidiano (48-49).</p>     <p>Por outro lado, de acordo com os resultados do presente estudo, os territ&oacute;rios mais mencionados nos t&iacute;tulos presentes nas capas do JN de 2000 a 2017 diziam essencialmente respeito a Portugal, EU e territ&oacute;rios adjacentes a Portugal. &Eacute; usual os media destacarem as not&iacute;cias pr&oacute;ximas da sua &aacute;rea de influ&ecirc;ncia, relacionadas com o seu pr&oacute;prio pa&iacute;s e pa&iacute;ses adjacentes (17), tendo em conta que nos valores not&iacute;cia incluem-se crit&eacute;rios como interesse nacional, acessibilidade &agrave; fonte/local, e proximidade (45). O facto dos per&iacute;odos em que foram reportados mais territ&oacute;rios em simult&acirc;neo corresponderem aos per&iacute;odos de reporte da gripe das aves e da BSE pode estar relacionado com o caso destes perigos terem afetado diferentes pa&iacute;ses em simult&acirc;neo, interferindo globalmente nas cadeias alimentares respetivas.</p>     <p><strong>CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Confirma-se a visibilidade dos perigos alimentares no JN, para o per&iacute;odo 2000-2017, quer pelo n&uacute;mero de not&iacute;cias produzidas quer por um certo recurso a elementos visuais. Esta cobertura medi&aacute;tica influencia significativamente a perce&ccedil;&atilde;o dos leitores do JN sobre a relev&acirc;ncia destes temas, refor&ccedil;ada pelo facto do JN ser um jornal di&aacute;rio de grande circula&ccedil;&atilde;o. No entanto, assiste-se a uma diferencia&ccedil;&atilde;o na mediatiza&ccedil;&atilde;o dos perigos alimentares: os perigos biol&oacute;gicos, qu&iacute;micos e fraude alimentar est&atilde;o relacionados com as crises alimentares, localizadas no tempo, apresentando, deste modo, picos na sua frequ&ecirc;ncia de cobertura medi&aacute;tica. Em contrapartida, os perigos nutricionais, apesar de demonstrarem frequ&ecirc;ncias mensais menos elevadas, foram abordados periodicamente por este jornal para o per&iacute;odo em an&aacute;lise.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>     <li>Codex Alimentarius Commission. Proposed draft: principles and guidelines for the conduct of microbial risk assessment. Roma: FAO-WHO; 1998.</li>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Ana Pinto de Moura</p>     <p>Universidade Aberta, Delega&ccedil;&atilde;o do Porto,</p>     <p>Rua do Ameal, n.&ordm; 752,</p>     <p>4200-055, Porto, Portugal</p> <a href="mailto:apmoura@uab.pt">apmoura@uab.pt</a></p>     <p>Recebido a 23 de outubro de 2018</p>     <p>Aceite a 10 de setembro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Codex Alimentarius Commission</collab>
<source><![CDATA[Proposed draft: principles and guidelines for the conduct of microbial risk assessment]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Roma ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FAO-WHO]]></publisher-name>
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<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
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