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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2019.1903</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impacto da prova cega na aceitação de frutas e produtos hortícolas por crianças em idade escolar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Nowadays, we observe a low fruit and vegetables consumption for children who commonly reject to even taste it. Sensorial activities emerge as alternatives to promote the consumption and stimulate the contact of its&#8217; many dimensions - looks, odor, taste and textures. Objetives: To evaluate if the blind tasting of food influenced the children&#8217; acceptance of fruit and vegetables. Methodology: The sample included 47 children between 9 and 11 years old from a basic school in the central region of Portugal. Parents&#8217; opinion about his children&#8217;s food preferences was collected in a questionnaire. Children&#8217;s preferences were measured by a scale after visual exposure of 20 different foods and after blind taste of 3 fruits and 3 vegetables. The scores of the two scales were compared, as well as the relation between parents&#8217; opinion and children&#8217;s ratings in each scale. Results: The blind taste led to changes in scores given to the tested foods, mostly positive changes. There has been more positive than negative changes in the ratings of 4 tested foods, with a stronger difference in pear and orange (p< 0.05). There were changes from &#8220;non preferential&#8221; to &#8220;preferential&#8221; ratings in all foods tested, specially in carrot, pear and orange. Comparing parents&#8217; and children&#8217;s scores, we noticed that scores after visual exposure are similar to parents&#8217; opinion. On the contrary, after blind taste there were interesting changes. The majority of children gave different scores than their parents in 4 tested foods - kids&#8217; scores where mostly higher. Conclusions: Blind taste seemed to affect positively children&#8217;s opinion about fruits and vegetables, but more interventions are needed to verify this in bigger groups and with more foods.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><strong>Impacto da prova cega na aceita&ccedil;&atilde;o de frutas e produtos hort&iacute;colas por crian&ccedil;as em idade escolar</strong></p>     <p><strong>Impact of blind taste on fruits and vegetables acceptance in school children</strong></p>     <p><strong>Carolina Marques<sup>1*</sup>; Ana Faria<sup>2</sup>; Helena Loureiro<sup>2</sup>; Margarida Pocinho<sup>3</sup></strong></p>     <p><sup>1</sup> Escola Superior de Tecnologia da Sa&uacute;de de Coimbra - IPC, Rua 5 de Outubro - S&atilde;o Martinho do Bispo, Apartado 7006, 3046-854 Coimbra, Portugal</p>     <p><sup>2</sup> Departamento de Diet&eacute;tica e Nutri&ccedil;&atilde;o, Escola Superior de Tecnologia da Sa&uacute;de de Coimbra - IPC, Rua 5 de Outubro - S&atilde;o Martinho do Bispo, Apartado 7006, 3046-854 Coimbra, Portugal</p>     <p><sup>3</sup> Departamento de Ci&ecirc;ncias Complementares, Escola Superior de Tecnologia da Sa&uacute;de de Coimbra - IPC, Rua 5 de Outubro - S&atilde;o Martinho do Bispo, Apartado 7006, 3046-854 Coimbra, Portugal</p>     <p></p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>RESUMO</strong></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o: Atualmente, assistimos ao baixo consumo de frutas e produtos hort&iacute;colas pelas crian&ccedil;as que, muitas vezes, rejeitam sequer prov&aacute;-los. As atividades sensoriais surgem como alternativa de incentivo ao consumo destes alimentos, estimulando o contacto com as suas diferentes dimens&otilde;es &ndash; aspeto, odor, sabor e texturas.</p>     <p>Objetivos: Avaliar se a prova cega afetou a aceita&ccedil;&atilde;o de frutas e produtos hort&iacute;colas pelas crian&ccedil;as.</p>     <p>Metodologia: A amostra incluiu 47 crian&ccedil;as dos 9 aos 11 anos de uma Escola B&aacute;sica do Centro de Portugal. A opini&atilde;o dos pais sobre os gostos dos filhos foi recolhida atrav&eacute;s de um question&aacute;rio. As prefer&ecirc;ncias das crian&ccedil;as foram avaliadas atrav&eacute;s do preenchimento de uma escala ap&oacute;s a exposi&ccedil;&atilde;o visual a 20 alimentos e ap&oacute;s a prova cega a 3 frutas e 3 produtos hort&iacute;colas. Foram comparadas as classifica&ccedil;&otilde;es da prova visual e da prova cega e ainda as respostas dos pais com as classifica&ccedil;&otilde;es de cada prova.</p>     <p>Resultados: A prova cega levou a mudan&ccedil;as das classifica&ccedil;&otilde;es aos alimentos testados, maioritariamente no sentido positivo. Em 4 alimentos, foram mais os que melhoraram a opini&atilde;o dos que pioraram, sendo essa diferen&ccedil;a mais expressiva para a pera e laranja (p&lt;0,05). Em todos os alimentos houve passagem de classifica&ccedil;&otilde;es &ldquo;n&atilde;o preferenciais&rdquo; para &ldquo;preferenciais&rdquo;, principalmente na cenoura, pera e laranja. Comparando as respostas dos pais e das crian&ccedil;as, percebemos que as classifica&ccedil;&otilde;es na prova visual v&atilde;o de encontro ao reportado previamente pelos pais. Pelo contr&aacute;rio, na prova cega, houve diferen&ccedil;as interessantes entre pais e filhos. A maioria das crian&ccedil;as deu uma resposta diferente &agrave; dos pais em 4 dos alimentos em teste - a classifica&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as foi, regra geral, melhor do que a dos pais.</p>     <p>Conclus&otilde;es: A prova cega pareceu afetar positivamente a opini&atilde;o das crian&ccedil;as sobre as frutas e produtos hort&iacute;colas, sendo necess&aacute;rios mais estudos para verificar esta tend&ecirc;ncia em amostras maiores e com mais alimentos.</p>     <p><strong>Palavras-chave</strong></p>     <p>Frutas, Produtos hort&iacute;colas, Prova cega, Sensorial</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>Introduction: Nowadays, we observe a low fruit and vegetables consumption for children who commonly reject to even taste it. Sensorial activities emerge as alternatives to promote the consumption and stimulate the contact of its&rsquo; many dimensions &ndash; looks, odor, taste and textures.</p>     <p>Objetives: To evaluate if the blind tasting of food influenced the children&rsquo; acceptance of fruit and vegetables.</p>     <p>Methodology: The sample included 47 children between 9 and 11 years old from a basic school in the central region of Portugal. Parents&rsquo; opinion about his children&rsquo;s food preferences was collected in a questionnaire. Children&rsquo;s preferences were measured by a scale after visual exposure of 20 different foods and after blind taste of 3 fruits and 3 vegetables. The scores of the two scales were compared, as well as the relation between parents&rsquo; opinion and children&rsquo;s ratings in each scale.</p>     <p>Results: The blind taste led to changes in scores given to the tested foods, mostly positive changes. There has been more positive than negative changes in the ratings of 4 tested foods, with a stronger difference in pear and orange (p&lt; 0.05). There were changes from &ldquo;non preferential&rdquo; to &ldquo;preferential&rdquo; ratings in all foods tested, specially in carrot, pear and orange. Comparing parents&rsquo; and children&rsquo;s scores, we noticed that scores after visual exposure are similar to parents&rsquo; opinion. On the contrary, after blind taste there were interesting changes. The majority of children gave different scores than their parents in 4 tested foods &ndash; kids&rsquo; scores where mostly higher.</p>     <p>Conclusions: Blind taste seemed to affect positively children&rsquo;s opinion about fruits and vegetables, but more interventions are needed to verify this in bigger groups and with more foods.</p>     <p><strong>Keywords</strong></p>     <p>Fruits, Vegetables, Blind taste, Sensorial</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>Nos dias de hoje, uma das grandes dificuldades dos pais &eacute; conseguir que as crian&ccedil;as incluam frutas e produtos hort&iacute;colas na sua rotina. Para al&eacute;m de n&atilde;o os consumirem frequentemente, &eacute; comum que tamb&eacute;m rejeitem prov&aacute;-los. Segundo o projeto Pro Children, Portugal tem um dos maiores consumos de fruta e produtos hort&iacute;colas, com 264 g/dia (1), ainda assim abaixo das recomenda&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (&ge;400g / dia) (2). Neste projeto, foi considerado o consumo dos produtos hort&iacute;colas em sopas e n&atilde;o em separado &ndash; crus ou cozinhados (1). A sopa &eacute; muitas vezes a &uacute;nica forma de garantir a aceita&ccedil;&atilde;o e o consumo dos produtos hort&iacute;colas pelas crian&ccedil;as. No COSI Portugal 2016, confirmou-se o consumo preferencial de sopa em detrimento dos produtos hort&iacute;colas em si. O consumo di&aacute;rio de fruta fresca foi superior - 63,3% das crian&ccedil;as consome todos os dias (3). O Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica aponta igualmente para um elevado consumo de sopas por parte das crian&ccedil;as (247 g/dia), em compara&ccedil;&atilde;o com os outros grupos et&aacute;rios. No entanto, de acordo com este inqu&eacute;rito, as crian&ccedil;as s&atilde;o dos que menos consomem fruta fresca e hort&iacute;colas, tal como os adolescentes (4). A ingest&atilde;o de frutas e produtos hort&iacute;colas tem um papel essencial na preven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, como as doen&ccedil;as cardiovasculares (5) e a diabetes tipo II (6). No trabalho de Barbalho et al. o baixo consumo de fruta e produtos hort&iacute;colas por crian&ccedil;as dos 6 aos 10 anos pareceu estar associado a um perfil lip&iacute;dico menos favor&aacute;vel, com valores mais elevados de triglicer&iacute;deos e de colesterol LDL (o &uacute;ltimo apenas encontrado para o baixo consumo de produtos hort&iacute;colas). Pelo contr&aacute;rio, o consumo frequente de fruta e produtos hort&iacute;colas esteve associado a melhores n&iacute;veis de colesterol HDL nestas crian&ccedil;as (7). O estudo de coorte Boyd Orr fez o follow up de 37 anos a uma amostra de crian&ccedil;as brit&acirc;nicas e encontrou menores taxas de mortalidade cardiovascular nos indiv&iacute;duos com maior consumo de produtos hort&iacute;colas na inf&acirc;ncia (8). O consumo destes alimentos parece ainda influenciar o desenvolvimento, com o baixo consumo associado a baixa estatura para a idade (&lt; p5) (9).</p>     <p>Por todos os benef&iacute;cios destes alimentos, &eacute; essencial promover a sua aceita&ccedil;&atilde;o desde cedo, em crian&ccedil;as e jovens. O desenvolvimento do paladar &eacute; afetado pelas diversas experi&ecirc;ncias com sabores, cheiros e texturas nos primeiros anos de vida. Durante a gesta&ccedil;&atilde;o, o feto contacta com v&aacute;rios sabores atrav&eacute;s do l&iacute;quido amni&oacute;tico (afetado pela alimenta&ccedil;&atilde;o materna), o que pode levar &agrave; apet&ecirc;ncia inata por doces e salgados e &agrave; avers&atilde;o pelo amargo. Essa tend&ecirc;ncia pode ser afetada por outras experi&ecirc;ncias ao longo da inf&acirc;ncia, em que os alimentos disponibilizados pelos pais v&atilde;o modelar os h&aacute;bitos alimentares da crian&ccedil;a (10). Sendo o paladar importante na aceita&ccedil;&atilde;o dos alimentos, as atividades sensoriais t&ecirc;m vindo a ser estudadas como estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o do consumo de produtos hort&iacute;colas e frutas, numa tentativa de evitar a influ&ecirc;ncia do pr&eacute;-conceito que as crian&ccedil;as t&ecirc;m sobre estes alimentos. Para elas, a decis&atilde;o de provar um alimento parece ser baseada principalmente no seu aspeto visual (11). Nesse sentido, existem programas sensoriais como o m&eacute;todo SAPERE ou &ldquo;Classes du Go&ucirc;t&rdquo;, que visa ensinar &agrave;s crian&ccedil;as a import&acirc;ncia do cheiro, texturas e sabores dos alimentos e as incentiva a cozinhar e a provar alimentos desconhecidos (12). Em crian&ccedil;as dos 7 aos 11 anos, este programa melhorou tanto a descri&ccedil;&atilde;o de alimentos como a identifica&ccedil;&atilde;o de sabores e odores (13). Este m&eacute;todo parece ter mais impacto a m&eacute;dio-longo prazo nas prefer&ecirc;ncias alimentares e n&atilde;o tanto a curto prazo (12). Em outro estudo, as crian&ccedil;as foram divididas em dois grupos &ndash; um em que utilizavam frutas e produtos hort&iacute;colas para criar uma imagem e outro em que apenas viam os alimentos. Quando questionadas sobre a vontade de provar alguns alimentos, percebeu-se que as crian&ccedil;as que mexeram nos alimentos estavam mais recetivas a isso. Mais do que a exposi&ccedil;&atilde;o visual repetida, o contacto direto e prolongado com os alimentos parece promover o seu consumo (14). No presente trabalho foi testado outro m&eacute;todo de interven&ccedil;&atilde;o sensorial &ndash; a prova cega de alimentos.</p>     <p><strong>OBJETIVOS</strong></p>     <p>Avaliar se a prova cega afeta a aceita&ccedil;&atilde;o de frutas e produtos hort&iacute;colas pelas crian&ccedil;as;</p>     <p>Comparar a opini&atilde;o dos pais sobre os gostos dos seus filhos com a opini&atilde;o das crian&ccedil;as sobre os alimentos em teste, na prova visual e na prova cega.</p>     <p><strong>METODOLOGIA</strong></p>     <p>Estudo observacional, com uma amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica de alunos de uma Escola B&aacute;sica do Centro de Portugal. Os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o foram a exist&ecirc;ncia de alergia a algum dos alimentos considerados ou o preenchimento incorreto de algum dos instrumentos de recolha de dados. Este trabalho foi autorizado pela Comiss&atilde;o de &Eacute;tica do Instituto Polit&eacute;cnico de Coimbra. O agrupamento escolar tamb&eacute;m autorizou a aplica&ccedil;&atilde;o do trabalho na escola. Todos os inquiridos foram devidamente autorizados pelos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o a participar, com preenchimento do consentimento informado livre e esclarecido. Foi garantida a confidencialidade dos dados recolhidos, bem como o princ&iacute;pio da n&atilde;o malefici&ecirc;ncia a todas as crian&ccedil;as inclu&iacute;das na amostra.</p>     <p>Este estudo incluiu 51 indiv&iacute;duos. Destes, foram exclu&iacute;dos 4 indiv&iacute;duos por falhas no preenchimento do question&aacute;rio entregue aos seus pais, resultando uma amostra de 47 crian&ccedil;as, 19 meninas e 28 meninos com idades compreendidas entre os 9 e os 11 anos (idade m&eacute;dia 9,53&plusmn;0,72 anos).</p>     <p>Os pais ou encarregados de educa&ccedil;&atilde;o (adiante designados por &ldquo;pais&rdquo;) responderam a um question&aacute;rio de classifica&ccedil;&atilde;o de 40 alimentos (20 frutas e 20 produtos hort&iacute;colas, selecionados com base na Tabela de Composi&ccedil;&atilde;o de Alimentos do Instituto Nacional de Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge) de acordo com a sua perce&ccedil;&atilde;o sobre os gostos das crian&ccedil;as, usando uma escala de 1 a 5 (em que 1 corresponde a &ldquo;n&atilde;o gosta nada&rdquo; e 5 a &ldquo;gosta muito&rdquo;). Destes 40 alimentos, foram selecionados aleatoriamente 20 para uma apresenta&ccedil;&atilde;o de imagens para as crian&ccedil;as &ndash; prova visual. Ap&oacute;s a visualiza&ccedil;&atilde;o da imagem de cada alimento foi pedido &agrave;s crian&ccedil;as que classificassem com a mesma escala (1 a 5) de acordo com os seus gostos pessoais. Os alunos foram depois submetidos &agrave; prova cega individual de 6 dos alimentos inclu&iacute;dos na prova visual &ndash; 3 frutas e 3 produtos hort&iacute;colas escolhidos de forma aleat&oacute;ria, com classifica&ccedil;&atilde;o pela mesma escala (1 a 5). As frutas (pera, framboesa e laranja) foram consumidas cruas, enquanto os produtos hort&iacute;colas (br&oacute;colos, beterraba e cenoura) foram cozidos em &aacute;gua - cozedura m&eacute;dia, apenas para garantir maior facilidade na mastiga&ccedil;&atilde;o, ainda oferecendo alguma resist&ecirc;ncia (5 minutos para os br&oacute;colos, 20 minutos para a beterraba e 10 minutos para a cenoura). Para garantir a seguran&ccedil;a dos participantes e a resposta imediata face a uma rea&ccedil;&atilde;o al&eacute;rgica ou outra emerg&ecirc;ncia, a prova cega foi acompanhada por uma enfermeira especialista em sa&uacute;de infantil. Todos os participantes tinham conhecimento do procedimento, ainda que desconhecendo os alimentos inclu&iacute;dos na prova cega. Essa informa&ccedil;&atilde;o foi disponibilizada no final da interven&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados recolhidos foram analisados para perceber a rela&ccedil;&atilde;o entre a classifica&ccedil;&atilde;o na prova visual e na prova cega. Para avaliar as mudan&ccedil;as de opini&atilde;o sobre os alimentos, as classifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das foram agrupadas em &ldquo;n&atilde;o preferencial&rdquo; (1 a 3) e &ldquo;preferencial&rdquo; (4 a 5) em um dos testes efetuados. Foi tamb&eacute;m estudada a rela&ccedil;&atilde;o entre os gostos das crian&ccedil;as percecionados pelos pais e os reportados pelas pr&oacute;prias, quer na prova visual quer na prova cega. A an&aacute;lise estat&iacute;stica foi feita atrav&eacute;s do software IBM IPSS vers&atilde;o 23. A estat&iacute;stica descritiva incluiu o c&aacute;lculo das frequ&ecirc;ncias, m&eacute;dias e desvio-padr&atilde;o das idades. Para a restante an&aacute;lise estat&iacute;stica utilizaram-se os testes emparelhados Wilcoxon e McNemar.</p>     <p><strong>RESULTADOS</strong></p>     <p><strong>Opini&atilde;o dos Pais sobre os Gostos das Crian&ccedil;as</strong></p>     <p>A classifica&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da pelos pais no question&aacute;rio (1 a 5 onde a maior pontua&ccedil;&atilde;o corresponde a maior prefer&ecirc;ncia) acerca dos gostos das crian&ccedil;as pode ser vista na <a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t1.jpg">Tabela 1</a> (produtos hort&iacute;colas e frutas).</p>     
<p><strong>Classifica&ccedil;&atilde;o Atribu&iacute;da pelas Crian&ccedil;as (Prova Visual)</strong></p>     <p>Na <a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t2.jpg">Tabela 2</a>, encontra-se a distribui&ccedil;&atilde;o de respostas na prova visual aos produtos hort&iacute;colas. Os produtos hort&iacute;colas com melhores classifica&ccedil;&otilde;es foram o feij&atilde;o-verde (51,1% com classifica&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima), o pepino (48,9%), os espinafres (46,8%) e os br&oacute;colos (42,6%). Os produtos hort&iacute;colas com mais opini&otilde;es negativas foram a couve de bruxelas e na beterraba, com 44,7% e 36,2% (respetivamente) a classificarem com a pior pontua&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel. Tal como nos question&aacute;rios aos pais, em alguns alimentos as classifica&ccedil;&otilde;es dividiram-se de forma id&ecirc;ntica nos pontos extremos da escala.</p>     
<p>Nas frutas (<a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t2.jpg">Tabela 2</a>), em 9 das 10 testadas foram mais as respostas no n&iacute;vel 5 do que para os restantes n&iacute;veis da escala, com 51,1% ou mais crian&ccedil;as a dar a pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima. Exce&ccedil;&atilde;o no figo, o alimento com menos respostas na pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima (48,9%), tal como j&aacute; tinha acontecido nas respostas dos pais ao question&aacute;rio.</p>     
<p><strong>Classifica&ccedil;&atilde;o Atribu&iacute;da pelas Crian&ccedil;as (Prova Cega)</strong></p>     <p>Analisando as classifica&ccedil;&otilde;es das duas provas (<a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t3.jpg">Tabela 3</a>), percebemos que a prova cega levou a algumas mudan&ccedil;as. Para a cenoura e beterraba foram mais as crian&ccedil;as que alteraram a sua resposta na prova cega do que os que mantiveram a classifica&ccedil;&atilde;o dada previamente na prova visual &ndash; apenas 43% (para a cenoura) e 36% (beterraba) mantiveram a pontua&ccedil;&atilde;o em ambas as provas. Em 4 alimentos (beterraba, pera, framboesa e laranja) foram mais as crian&ccedil;as a melhorar a classifica&ccedil;&atilde;o do que a piorar, sendo estatisticamente significativo para a pera e laranja (p&lt;0,05). J&aacute; na cenoura e nos br&oacute;colos a prova cega n&atilde;o teve efeitos t&atilde;o positivos, com mais alunos a piorar a classifica&ccedil;&atilde;o (32% e 28%, respetivamente) do que a melhorar (26% e 19%, respetivamente).</p>     
<p>Na <a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t4.jpg">Tabela 4</a>, agruparam-se as classifica&ccedil;&otilde;es como &ldquo;n&atilde;o preferenciais&rdquo; (1 a 3) e &ldquo;preferenciais&rdquo; (4 e 5) atribu&iacute;das tanto na prova visual como na prova cega. A maioria dos alunos que tinham dado classifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;preferencial&rdquo; na prova visual mantiveram essa opini&atilde;o na prova cega. No entanto, alguns dos que deram classifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o preferencial&rdquo; na prova visual melhoraram a sua opini&atilde;o, alterando a classifica&ccedil;&atilde;o para &ldquo;preferencial&rdquo;. Em 3 dos 6 alimentos, o n&uacute;mero de crian&ccedil;as a melhorar a sua opini&atilde;o foi igual (cenoura &ndash; 50%) ou superior (pera &ndash; 66,7%; laranja &ndash; 71,4%) aos que mantiveram como n&atilde;o &ldquo;preferencial&rdquo;. Embora em menor express&atilde;o, nos outros alimentos tamb&eacute;m houve altera&ccedil;&otilde;es para &ldquo;preferencial&rdquo; com a prova cega &ndash; em 10 alunos para a beterraba (31,3%), em 5 para os br&oacute;colos (21,7%) e em 8 para a framboesa (47,1%). As mudan&ccedil;as existentes n&atilde;o foram estatisticamente significativas.</p>     
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<body><![CDATA[<p>Comparando as respostas dos pais sobre os gostos dos filhos e as respostas das crian&ccedil;as &agrave; prova visual (<a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t5.jpg">Tabela 5</a>), existem algumas semelhan&ccedil;as. Em 5 dos 6 alimentos considerados, foram mais as crian&ccedil;as com resposta igual aos pais &ndash; beterraba (51%), br&oacute;colos (64%), pera (66%), framboesa (53%) e laranja (66%) - do que com resposta diferente. J&aacute; no caso da cenoura, s&oacute; 19 crian&ccedil;as (40%) tiveram respostas concordantes com os pais, sendo que os restantes melhoraram essa classifica&ccedil;&atilde;o (36%) ou pioraram-na (23%). De uma forma geral, havendo diferen&ccedil;as entre as respostas de pais e crian&ccedil;as, esta foi positiva. Em todos os alimentos foram mais os que melhoraram na prova visual dos que pioraram a pontua&ccedil;&atilde;o, sendo as altera&ccedil;&otilde;es estatisticamente significativas na framboesa a favor do aumento de prefer&ecirc;ncia deste fruto (p&lt;0,05). Relacionando as respostas dos pais com as dos filhos na prova cega (<a href ="/img/revistas/apn/n19/n19a03t6.jpg">Tabela 6</a>), encontramos algumas mudan&ccedil;as importantes na forma como os respons&aacute;veis julgam ser as prefer&ecirc;ncias das crian&ccedil;as e as suas respostas. Ao contr&aacute;rio da prova visual, em que em 5 alimentos foram mais as crian&ccedil;as com resposta igual aos pais do que os que deram respostas diferentes, na prova cega isso s&oacute; aconteceu em 2 alimentos (pera &ndash; 60% e laranja &ndash; 62%). Nos restantes foram mais os que deram uma classifica&ccedil;&atilde;o diferente dos pais do que os que igualaram a resposta. A mudan&ccedil;a foi maioritariamente positiva em todos os alimentos, com mais crian&ccedil;as a dar melhor classifica&ccedil;&atilde;o que os pais do que pior classifica&ccedil;&atilde;o. De real&ccedil;ar as melhorias da pontua&ccedil;&atilde;o da prova cega (em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o dada pelos pais) &agrave; beterraba, pera, framboesa e laranja, em que as diferen&ccedil;as foram bastante expressivas e estatisticamente significativas (p&lt;0,05).</p>     
<p><strong>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</strong></p>     <p>O consumo frequente de frutas e produtos hort&iacute;colas &eacute; um pilar da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas doen&ccedil;as. No entanto, assistimos a uma tend&ecirc;ncia global de baixa ingest&atilde;o destes alimentos na popula&ccedil;&atilde;o (2). Sabendo que grande parte dos h&aacute;bitos alimentares dependem das experi&ecirc;ncias durante a inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia (15), &eacute; essencial promover a alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel desde cedo. Na pr&aacute;tica isso &eacute; bastante dif&iacute;cil, devido &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios alimentos pelas crian&ccedil;as, que antes de provar assumem que n&atilde;o gostam. Assim, a prova cega pode ser um m&eacute;todo &uacute;til, porque as crian&ccedil;as provam alimentos que n&atilde;o est&atilde;o a ver e focam-se apenas no seu paladar para avaliar se gostam ou n&atilde;o.</p>     <p>Pela realiza&ccedil;&atilde;o deste trabalho obtivemos algumas conclus&otilde;es interessantes.</p>     <p><strong>Opini&atilde;o dos Pais sobre os Gostos das Crian&ccedil;as</strong></p>     <p>Atrav&eacute;s do question&aacute;rio entregue aos pais, percebemos que, na sua opini&atilde;o, as crian&ccedil;as gostam mais de frutas do que de produtos hort&iacute;colas.</p>     <p><strong>Rela&ccedil;&atilde;o das Respostas dos Pais e das Crian&ccedil;as (Prova Visual)</strong></p>     <p>Analisando a rela&ccedil;&atilde;o entre o que os pais percecionam acerca dos gostos dos filhos e como os pr&oacute;prios classificam os seus gostos (ap&oacute;s a visualiza&ccedil;&atilde;o de imagens dos alimentos &ndash; prova visual), vemos que as respostas foram iguais na maioria dos casos, mostrando que os pais conheciam a opini&atilde;o dos seus filhos. Esta semelhan&ccedil;a confirma a influ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia na alimenta&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. Tanto a aceita&ccedil;&atilde;o como o consumo de frutas e produtos hort&iacute;colas parecem ser fortemente afetados pelo exemplo dos pais (16, 17) e pela disponibilidade destes alimentos em casa (17). Se os pais n&atilde;o gostam de um alimento, n&atilde;o o consomem nem o t&ecirc;m em casa, comprometendo a sua aceita&ccedil;&atilde;o pelas crian&ccedil;as (18). Ainda assim, em alguns casos a classifica&ccedil;&atilde;o foi diferente na prova visual - alguns melhoraram a classifica&ccedil;&atilde;o, mostrando gostar mais dos alimentos do que os seus pais julgavam, o que pode dever-se &agrave; influ&ecirc;ncia social nos h&aacute;bitos alimentares. O efeito de grupo (ex.: turma, amigos) parece tamb&eacute;m influenciar a opini&atilde;o sobre alimentos desconhecidos (19).</p>     <p><strong>Rela&ccedil;&atilde;o das Respostas das Crian&ccedil;as em Ambas as Provas (Visual e Cega)</strong></p>     <p>Encontr&aacute;mos algumas diferen&ccedil;as nas classifica&ccedil;&otilde;es das duas provas aplicadas nas crian&ccedil;as (visual e cega). Embora alguns tenham piorado a classifica&ccedil;&atilde;o na prova cega, foram mais os que mantiveram ou melhoraram a sua opini&atilde;o. Na cenoura e na beterraba foram mais os alunos que alteraram a sua opini&atilde;o do que as que mantiveram. O impacto da prova cega foi positivo em 4 alimentos, principalmente na pera e laranja (p&lt;0,05). Ao agrupar por classifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o preferencial&rdquo; (1 a 3) e &ldquo;preferencial&rdquo; (4 a 5) entendemos que os que j&aacute; gostavam do alimento na prova visual (classifica&ccedil;&atilde;o preferencial) mantiveram essa opini&atilde;o na prova cega, talvez por o terem reconhecido pelas suas caracter&iacute;sticas organol&eacute;ticas. J&aacute; quando a classifica&ccedil;&atilde;o na prova visual foi &ldquo;n&atilde;o preferencial&rdquo;, houve mudan&ccedil;as para &ldquo;preferencial&rdquo; em todos os alimentos, o que s&oacute; por si &eacute; importante do ponto de vista cl&iacute;nico. De destacar que na pera e na laranja, foram mais as crian&ccedil;as a mudar a sua opini&atilde;o para &ldquo;preferencial&rdquo; na prova cega do que a manter como &ldquo;n&atilde;o preferencial&rdquo;. Na pr&aacute;tica, qualquer caso em que consigamos promover o consumo de frutas e produtos hort&iacute;colas e contribuir para a sua maior aceita&ccedil;&atilde;o &eacute; relevante. Se ao provar as crian&ccedil;as deram uma classifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;preferencial&rdquo; a um alimento, acreditamos que a aceita&ccedil;&atilde;o futura desse alimento ser&aacute; maior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Importante apontar que estes resultados se devem a uma interven&ccedil;&atilde;o apenas, sem qualquer sess&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o alimentar pr&eacute;via. Ser&atilde;o estas sess&otilde;es relevantes para a maior aceita&ccedil;&atilde;o de frutas e produtos hort&iacute;colas pelas crian&ccedil;as? Em outro trabalho, a aplica&ccedil;&atilde;o de atividades sensoriais pr&eacute;via &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o dos alimentos n&atilde;o pareceu afetar mais as opini&otilde;es que a exposi&ccedil;&atilde;o e degusta&ccedil;&atilde;o repetida dos mesmos, em crian&ccedil;as dos 8 aos 11 anos (12). P&otilde;e-se a hip&oacute;tese de, mais do que a educa&ccedil;&atilde;o alimentar, o contacto direto com os alimentos parece melhorar a sua aceita&ccedil;&atilde;o. O efeito das sess&otilde;es na vontade de provar novos alimentos parece maior quanto mais novas forem as crian&ccedil;as, (20) refor&ccedil;ando que &eacute; essencial inclu&iacute;-las precocemente. Outro estudo (Taste Lessons) n&atilde;o pareceu ter efeitos na vontade de provar produtos hort&iacute;colas desconhecidos, apenas nos j&aacute; conhecidos pelas crian&ccedil;as (21). Nesse m&eacute;todo, tal como no SAPERE, as crian&ccedil;as veem o alimento antes de decidirem prov&aacute;-lo e dar a sua opini&atilde;o. Sabendo que o aspeto visual dos alimentos afeta a decis&atilde;o de consumo (22) e por isso contribui para a vontade de o provar (de forma positiva ou negativa), a prova cega pode ultrapassar essa barreira e incentivar o 1.&ordm; contacto. Reconhecendo o impacto positivo da prova cega, ainda que subtil, na melhoria da opini&atilde;o sobre as frutas e produtos hort&iacute;colas encontrado neste trabalho, fica a hip&oacute;tese de incluir este m&eacute;todo nas atividades a aplicar pelo nutricionista em escolas.</p>     <p><strong>Compara&ccedil;&atilde;o entre as Respostas dos Pais e das Crian&ccedil;as (Prova Cega)</strong></p>     <p>Considerando a rela&ccedil;&atilde;o entre as respostas dos pais e as da prova cega, detetaram-se altera&ccedil;&otilde;es interessantes. Enquanto que na prova visual as crian&ccedil;as deram a mesma resposta que os seus pais em 5 alimentos, essa semelhan&ccedil;a apenas existiu em 2 alimentos na prova cega. Nos outros alimentos considerados foram mais as crian&ccedil;as a melhorar a classifica&ccedil;&atilde;o dada pelos pais do que a igualar essa pontua&ccedil;&atilde;o, mostrando gostar mais destes alimentos do que os seus pais acreditavam, principalmente na beterraba, pera, framboesa e laranja (p&lt;0,05). Se a prova cega for um reflexo dos gostos reais, entendemos que as crian&ccedil;as mostram gostar dos alimentos (prova visual) de forma semelhante ao reportado pelos pais mas que, na realidade, melhoram a opini&atilde;o quando n&atilde;o veem o alimento que est&atilde;o a provar e a classificar.</p>     <p><strong>Limita&ccedil;&otilde;es</strong></p>     <p>Seria importante investigar a rela&ccedil;&atilde;o entre a opini&atilde;o na prova visual e na prova cega com mais alimentos e com uma amostra maior, de forma a contornar as limita&ccedil;&otilde;es deste trabalho. Outra limita&ccedil;&atilde;o ter&aacute; sido o m&eacute;todo de confe&ccedil;&atilde;o utilizado para os produtos hort&iacute;colas (cozedura em &aacute;gua). Principalmente para a cenoura, o seu consumo em cru poderia melhorar a aceita&ccedil;&atilde;o na prova cega.</p>     <p><strong>CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Concluindo, a prova cega parece ser um instrumento interessante para promover o contacto com os alimentos e melhorar a opini&atilde;o das crian&ccedil;as. Mesmo sem resultados estatisticamente significativos, cada uma das melhorias encontradas nos participantes &eacute; clinicamente relevante. Percebemos que os pais conhecem a opini&atilde;o que os filhos reportam sobre os alimentos. No entanto, quando comparamos com a prova cega, percebemos que talvez os pais formulem um pr&eacute;-conceito acerca dos gostos dos seus filhos que, apesar de ir de encontro ao que eles reportam, n&atilde;o se confirma quando provam os alimentos e os classificam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>     <li>Yngve A, Wolf A, Poortvliet E, Elmadfa I, Brug J, Ehrenblad B, et al. Fruit and Vegetable Intake in a Sample of 11-Year-Old Children in 9 European Countries: The Pro Children Cross-Sectional Survey. Annals of Nutrition and Metabolism. 2005;49:236-45.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>World Health Organization. Fruit and Vegetable Promotion Initiative - a meeting report. 2003.</li>     <li>Rito A, Cruz de Sousa R, Mendes S, Gra&ccedil;a P. Childhood Obesity Surveillance Initiative - COSI Portugal 2016. Instituto Nacional de Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge, IP. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2017.</li>     <li>Lopes C, Torres D, Oliveira A, Severo M, Alarc&atilde;o V, Guiomar S, et al. Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica, IAN-AF 2015-2016: Relat&oacute;rio de resultados. Universidade do Porto 2017.</li>     <li>Collese TS, Nascimento-Ferreira MV, Ferreira de Moraes AC, Rendo-Urteaga T, Bel-Serrat S, Moreno LA, et al. Role of fruits and vegetables in adolescent cardiovascular health: a systematic review. Nutrition Reviews. 2017;75(5):339-49.</li>     <li>Li M, Fan Y, Zhang X, Hou W, Tang Z. Fruit and vegetable intake and risk of type 2 diabetes mellitus: meta-analysis of prospective cohort studies. BMJ Open. 2014;4(11):e005497.</li>     <li>Barbalho SM, Fontana LCS, Finalli EFR, Martuchi KA, Ferreira MC, Filho MEP, et al. Eating habits and presence of cardiovascular risks in children Int J Adolesc Med Health. 2016.</li>     <li>Ness AR, Maynard M, Frankel S, Smith GD, Frobisher C, Leary SD, et al. Diet in childhood and adult cardiovascular and all cause mortality: the Boyd Orr cohort. Heart. 2005;91:894-8.</li>     <li>Lee EM, Park MJ, Ahn HS, Lee SM. Differences in Dietary Intakes between Normal and Short Stature Korean Children Visiting a Growth Clinic. Clinical Nutrition Research. 2012;1:23-9.</li>     <li>Ross ES. Flavor and Taste Development in the First Years of Life. Nestl&eacute; Nutrition Institute Workshop Series. 2017;87:49-58.</li>     <li>Dovey TM, Aldridge VK, Dignan W, Staples PA, Gibson EL, Halford JCG. Developmental differences in sensory decision making involved in deciding to try a novel fruit. British Journal of Health Psychology. 2012;17(2):258-72.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Reverdy C, Schlich P, Koster EP, Ginon E, Lange C. Effect of sensory education on food preferences in children. Food Quality and Preference. 2010;21:794-804.</li>     <li>Mustonen S, Rantanen R, Tuorila H. Effect of sensory education on school children&rsquo;s food perception: A 2-year follow-up study. Food Quality and Preference. 2009;20:230-40.</li>     <li>Coulthard H, Sealy A-M. Play with your food! Sensory play is associated with tasting of fruits and vegetables in preschool children. Appetite. 2017;113:84-90.</li>     <li>Birch L, Savage JS, Ventura A. Influences on the Development of Children's Eating Behaviours: From Infancy to Adolescence. Canadian Journal of Dietetic Practice and Research. 2007;68(1) : s1&ndash;s56.</li>     <li>Gregory JE, Paxton SJ, Brozovic AM. Maternal feeding practices predict fruit and vegetable consumption in young children. Results of a 12-month longitudinal study. Appetite. 2011;57:167 - 72.</li>     <li>Goldman RL, Radnitz CL, McGrath RE. The role of family variables in fruit and vegetable consumption in pre-school children. Journal of Public Health Research. 2012;1:143-8.</li>     <li>Scaglioni S, Chiara, Vecchi F, Tedeschi S. Determinants of children&rsquo;s eating behavior. The American Journal of Clinical Nutrition. 2011;94:2006-11.</li>     <li>Greenhalgh J, Dowey AJ, Horne PJ, Lowe CF, Griffiths JH, Whitaker CJ. Positive- and negative peer modelling effects on young children's consumption of novel blue foods. Appetite. 2009;52:646-53.</li>     <li>Mustonen S, Tuorila H. Sensory education decreases food neophobia score and encourages trying unfamiliar foods in 8&ndash;12-year-old children. Food Quality and Preference. 2010;21(4):353-60.</li>     <li>Battjes-Fries MC, Haveman-Nies A, Zeinstra GG, van Dongen E, JI, Meester HJ, et al. Effectiveness of Taste Lessons with and without additional experiential learning activities on children&rsquo;s willingness to taste vegetables. Appetite. 2017;109:201-8.</li>     ]]></body>
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