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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2020.2006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Particularidades da abordagem nutricional no atleta vegetariano]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[There has been a growing adoption of the vegetarian dietary pattern, four times higher than ten years ago. Nowadays, the benefits of vegetable food consumption and its role in the prevention of several highly prevalent diseases in the population are known, such as type 2 diabetes mellitus, hypertension and cardiovascular diseases. When a large amount of food is included daily in the diet and the energy intake is adequate, vegetarian athletes can meet their protein needs through vegetable sources. Nutrients to consider avoiding nutritional deficiencies in vegetarians include proteins, n-3 fatty acids, iron, zinc, calcium, iodine, vitamin D and vitamin B12. With the increase of the number of athletes who follow the vegetarian diet, it is pertinent to question its effect on sports performance. This work brings together an existent proof of a nutritional approach in vegetarian athletes, identifying scientific studies from 1997 to 2019. The purpose of this paper is to examine and discuss the possible impacts of the vegetarian dietary pattern on sports performance. Current scientific evidence demonstrates that the adoption of this dietary pattern does not positively or negatively affect athletes' performance. Thus, it will be necessary to conduct further studies to examine the effects of the vegetarian dietary pattern on athletes to ensure the optimization of health and performance.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Abordagem nutricional]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p>     <p><b><font face="" size="4">Particularidades da abordagem nutricional no atleta vegetariano</font></p> </b>     <p><strong>Particularities of the nutritional approach in the vegetarian athlete</strong></p>     <p><strong>In&ecirc;s Monteiro<sup>1*</sup>; Helena Trigueiro<sup>1,2</sup>; M&aacute;rcia Gon&ccedil;alves<sup>1,2</sup></strong></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre, n.&ordm; 1021, 4169-007 Porto, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESUMO</strong></p>     <p>Nos &uacute;ltimos dez anos o n&uacute;mero de pessoas que seguem um padr&atilde;o alimentar vegetariano quadruplicou. Hoje conhecem-se benef&iacute;cios do padr&atilde;o alimentar vegetariano e o seu papel protetor em v&aacute;rias doen&ccedil;as prevalentes na popula&ccedil;&atilde;o, entre as quais diabetes&nbsp;mellitus&nbsp;tipo 2, hipertens&atilde;o arterial e doen&ccedil;as cardiovasculares.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atletas que seguem um padr&atilde;o alimentar vegetariano podem atender &agrave;s suas necessidades proteicas atrav&eacute;s de fontes vegetais, quando uma grande variedade desse tipo de alimentos &eacute; inclu&iacute;da diariamente na alimenta&ccedil;&atilde;o e a ingest&atilde;o de energia &eacute; adequada. Os nutrientes a ter em aten&ccedil;&atilde;o para evitar defici&ecirc;ncias nutricionais em atletas vegetarianos incluem as prote&iacute;nas, &aacute;cidos gordos n-3, ferro, c&aacute;lcio, iodo e vitamina B12. Com o aumento do n&uacute;mero de atletas que seguem o padr&atilde;o alimentar vegetariano, &eacute; pertinente questionar acerca do seu efeito na&nbsp;performance&nbsp;desportiva.</p>     <p>Este trabalho re&uacute;ne a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica existente sobre a abordagem nutricional em atletas vegetarianos, identificando trabalhos publicados desde 1997 at&eacute; 2019. Com este trabalho pretende-se examinar e debater poss&iacute;veis impactos do padr&atilde;o alimentar vegetariano na&nbsp;performance&nbsp;desportiva.</p>     <p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica atual demonstra que a ado&ccedil;&atilde;o deste padr&atilde;o alimentar n&atilde;o afeta positivamente nem negativamente a&nbsp;performance&nbsp;dos atletas. Desta forma, ser&aacute; necess&aacute;rio realizar mais estudos para examinar os efeitos do padr&atilde;o alimentar vegetariano em atletas para garantir a otimiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e a&nbsp;performance.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Palavras-chave</strong></p>     <p>Abordagem nutricional, Alimenta&ccedil;&atilde;o vegetariana, Atletas, Desporto,&nbsp;Performance</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>There has been a growing adoption of the vegetarian dietary pattern, four times higher than ten years ago. Nowadays, the benefits of vegetable food consumption and its role in the prevention of several highly prevalent diseases in the population are known, such as type 2 diabetes&nbsp;mellitus, hypertension and cardiovascular diseases.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>When a large amount of food is included daily in the diet and the energy intake is adequate, vegetarian athletes can meet their protein needs through vegetable sources. Nutrients to consider avoiding nutritional deficiencies in vegetarians include proteins, n-3 fatty acids, iron, zinc, calcium, iodine, vitamin D and vitamin B12. With the increase of the number of athletes who follow the vegetarian diet, it is pertinent to question its effect on sports performance. This work brings together an existent proof of a nutritional approach in vegetarian athletes, identifying scientific studies from 1997 to 2019. The purpose of this paper is to examine and discuss the possible impacts of the vegetarian dietary pattern on sports performance.</p>     <p>Current scientific evidence demonstrates that the adoption of this dietary pattern does not positively or negatively affect athletes' performance. Thus, it will be necessary to conduct further studies to examine the effects of the vegetarian dietary pattern on athletes to ensure the optimization of health and performance.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>keywords</strong></p>     <p>Nutritional approach, Vegetarian diet, Athletes, Sport, Performance</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>Segundo o Centro Vegetariano, de 2007 para 2017 verificou-se uma evolu&ccedil;&atilde;o de 30 000 para 120 000 vegetarianos em Portugal (1, 2). O padr&atilde;o alimentar vegetariano (PAV) tende a ser mais rico em hidratos de carbono (HC) complexos, fibras, antioxidantes, fitoqu&iacute;micos, e menos rico em quantidades de gordura saturada e colesterol do que as dietas omn&iacute;voras (3). Para al&eacute;m de alguns benef&iacute;cios na sa&uacute;de, outros fatores s&atilde;o considerados na escolha deste padr&atilde;o alimentar, como quest&otilde;es ambientais, preocupa&ccedil;&atilde;o com os direitos dos animais, cren&ccedil;as religiosas e morais (4).</p>     <p>Quando adequadamente planeado, o PAV pode ser seguido por atletas, j&aacute; que pode fornecer a energia e os nutrientes necess&aacute;rios para manter um bom desempenho desportivo (5). O aumento da aten&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica do PAV no contexto desportivo justifica-se tamb&eacute;m pela sua ado&ccedil;&atilde;o por parte de alguns atletas como Dave Scott (seis vezes vencedor do Ironman), Andreas Cahling (fisioculturista), Surya Bonaly (patinadora ol&iacute;mpica), Pavo Nurmi (corredor de longa dist&acirc;ncia com 20 recordes mundiais) e Billy Jean King (tenista) (4).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com este trabalho, pretende-se fazer uma revis&atilde;o &agrave; literatura sobre o PAV no contexto desportivo, e estrat&eacute;gias nutricionais a adotar com o atleta vegetariano.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Conceito de Dieta Vegetariana e tipos de Dieta Vegetariana</strong></p>     <p>A dieta vegetariana consiste num padr&atilde;o alimentar &agrave; base de produtos de origem vegetal, caracterizado pelo elevado consumo de hortofrut&iacute;colas, tub&eacute;rculos, leguminosas e cereais integrais (6). A carne, pescado e g&eacute;neros alimentares que contenham estes alimentos s&atilde;o exclu&iacute;dos, mas os latic&iacute;nios e ovos podem ser inclu&iacute;dos dependendo do tipo de dieta, como detalhado na <a href ="/img/revistas/apn/n20/n20a06t1.jpg">Tabela 1</a> (7).</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><strong>Considera&ccedil;&otilde;es Nutricionais para Atletas Vegetarianos</strong></p> <ol>     <li><u> Energia</u></li>     </ol>     <p>O PAV &eacute; capaz de fornecer energia suficiente para atender &agrave;s necessidades de um atleta, contudo, isso pode revelar-se um desafio, j&aacute; que os alimentos maioritariamente presentes no PAV t&ecirc;m tendencialmente menor densidade energ&eacute;tica e maior teor em fibra (8, 9). De modo a aumentar o consumo de energia, o atleta pode realizar refei&ccedil;&otilde;es frequentes, incluindo alimentos densamente energ&eacute;ticos, como mel e compotas, abacates, sementes e oleaginosas (6). &Eacute; aconselh&aacute;vel que o peso dos atletas vegetarianos seja monitorizado, dado que um aporte energ&eacute;tico desajustado se relaciona com um pobre aporte de nutrientes, pior&nbsp;performance&nbsp;desportiva e composi&ccedil;&atilde;o corporal indesejada (8, 10). Nos atletas, o estado constante de balan&ccedil;o energ&eacute;tico negativo pode alterar n&atilde;o s&oacute; o peso como a fun&ccedil;&atilde;o end&oacute;crina (11). A s&iacute;ndrome resultante do comprometimento do funcionamento fisiol&oacute;gico causado pela defici&ecirc;ncia relativa de energia &eacute; designada de RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport) (12). Embora haja pouca evid&ecirc;ncia sobre esta quest&atilde;o, a RED-S, ou um dos seus componentes, &eacute; mais frequente nas atletas vegetarianas (13). Apesar deste risco superior (especialmente em veganas), adotar um PAV n&atilde;o &eacute; por si s&oacute; considerado um fator de risco determinante para a RED-S (6, 11).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><u> Prote&iacute;nas</u></li>     </ol>     <p>Em termos de quantidade, &eacute; consensual que os atletas apresentam necessidades proteicas superiores &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral (0,8 g/kg/dia) (14). As orienta&ccedil;&otilde;es da&nbsp;Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada&nbsp;e o&nbsp;American College of Sports Medicine&nbsp;sugerem que a ingest&atilde;o proteica necess&aacute;ria para suportar a adapta&ccedil;&atilde;o metab&oacute;lica, a repara&ccedil;&atilde;o, a remodela&ccedil;&atilde;o, e o&nbsp;turnover&nbsp;proteico, quando a ingest&atilde;o energ&eacute;tica &eacute; suficiente, geralmente varia entre 1,2 a 2,0 g/kg/dia, para atletas de&nbsp;endurance&nbsp;e de modalidades de for&ccedil;a (15). Esta recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; similar &agrave; da&nbsp;International Society of Sports Nutrition&nbsp;(1,4 a 2,0 g/kg/dia) (14).</p>     <p>Com o objetivo de analisar a disponibilidade de prote&iacute;na na dieta e relacionar a prote&iacute;na dispon&iacute;vel &agrave; massa e for&ccedil;a muscular em atletas de&nbsp;endurance&nbsp;vegetarianos e n&atilde;o vegetarianos, um estudo chegou &agrave; conclus&atilde;o que os atletas vegetarianos necessitariam de consumir em m&eacute;dia, 10 g por dia de prote&iacute;nas adicionais para atingir a ingest&atilde;o recomendada de 1,2 g/kg por dia. J&aacute; para atingir a recomenda&ccedil;&atilde;o de 1,4 g/kg por dia, seriam necess&aacute;rios 22 g de prote&iacute;na adicionais por dia (16).</p>     <p>Alimentos de origem animal e alguns alimentos de origem vegetal (tais como a soja e amaranto) fornecem prote&iacute;nas de Alto Valor Biol&oacute;gico (AVB), contudo s&atilde;o menos anab&oacute;licas devido &agrave; sua menor digestibilidade e defici&ecirc;ncia em certos AA (amino&aacute;cidos) essenciais como a leucina, metionina e/ou lisina (17, 18). Estrat&eacute;gias que podem potenciar a MPS (S&iacute;ntese Proteica Muscular) ap&oacute;s a ingest&atilde;o de prote&iacute;nas de origem vegetal incluem a mistura de v&aacute;rias fontes de prote&iacute;na vegetal, a fortifica&ccedil;&atilde;o com AA, e a ingest&atilde;o em maior quantidade (17). A quantidade de leucina &eacute; o fator decisivo para maximizar a MPS. Portanto, ser&aacute; necess&aacute;rio consumir uma maior dose de prote&iacute;na de origem vegetal para produzir taxas de MPS semelhantes &agrave;s alcan&ccedil;adas com a ingest&atilde;o de prote&iacute;na de soro de leite (17, 18). Em alguns estudos, a suplementa&ccedil;&atilde;o com prote&iacute;na de origem vegetal tem mostrado um potencial limitado na manuten&ccedil;&atilde;o e ganhos de massa muscular. Contudo, alguns trabalhos demonstram o efeito contr&aacute;rio, principalmente com a ingest&atilde;o de prote&iacute;na de soja e ervilha (19, 20). Num estudo realizado durante 12 semanas em homens universit&aacute;rios, iniciou-se a suplementa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria de whey ou prote&iacute;na de soja, associado a treino de resist&ecirc;ncia do corpo inteiro 3 vezes por semana. Revelou-se um aumento semelhante do total da massa muscular esquel&eacute;tica e um aumento da sec&ccedil;&atilde;o transversal das fibras tipo I e II (21).</p>     <p>Volek et al. conduziu um estudo de longa dura&ccedil;&atilde;o no qual o grupo sujeito &agrave; suplementa&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;na de soro de leite demonstrou um aumento significativo de massa magra, relativamente ao grupo suplementado com prote&iacute;na de soja (~83 %) (22). J&aacute; uma meta-an&aacute;lise recente que comparou o efeito da suplementa&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;na de soja relativamente a prote&iacute;nas de origem animal nos ganhos de for&ccedil;a e massa magra verificou que a suplementa&ccedil;&atilde;o com prote&iacute;na de soja produziu resultados similares &agrave; prote&iacute;na whey, em resposta ao treino de resist&ecirc;ncia (23).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="3">     <li><u> &Aacute;cidos Gordos Polinsaturados &Oacute;mega 3</u></li>     </ol>     <p>Enquanto que a ingest&atilde;o de &aacute;cido alfa-linol&eacute;nico (ALA) &eacute; semelhante entre vegetarianos e n&atilde;o vegetarianos, o consumo dos &Aacute;cidos Gordos Polinsaturados (AGPI) &oacute;mega 3 &aacute;cido eicosapentaen&oacute;ico (EPA) e &aacute;cido docosahexaen&oacute;ico (DHA) &eacute; menor nas dietas ovolactovegetarianas e praticamente nulo nas veganas (6, 24). Esta baixa ingest&atilde;o de AGPI n-3 pode comprometer a sa&uacute;de cardiovascular do atleta ao longo de todo o ciclo de vida (25). Embora o aumento da ingest&atilde;o de ALA possa aumentar sua convers&atilde;o em EPA e DHA, a taxa de convers&atilde;o &eacute; limitada e as varia&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas no metabolismo podem comprometer a convers&atilde;o em alguns indiv&iacute;duos (26, 27).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para os veganos, sugere-se a recomenda&ccedil;&atilde;o de 2,2 - 4,4 g de ALA/dia (ou 1,1 g/dia/1000 Kcal) (28). Al&eacute;m disso, o r&aacute;cio &oacute;mega 6: &oacute;mega 3 adequado n&atilde;o deve ser superior a 4:1 (28, 29).</p>     <p>Embora a dose ideal de AGPI &oacute;mega 3 para atletas ainda n&atilde;o seja conhecida, as diretrizes gerais para atletas recomendam 1-2 g por dia de EPA e DHA na propor&ccedil;&atilde;o de 2:1, respetivamente (30, 31). Os &oacute;leos de microalgas, ricos em DHA, poder&atilde;o ser um suplemento &uacute;til para atletas veganos e vegetarianos, pois a sua ingest&atilde;o parece ser eficaz na eleva&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis s&eacute;ricos de DHA e &iacute;ndices de AGPI n-3, em vegetarianos (32).</p>     <p>Assim, recomenda-se a combina&ccedil;&atilde;o de fontes alimentares de ALA (<a href ="/img/revistas/apn/n20/n20a06t2.jpg">Tabela 2</a>), e possivelmente a suplementa&ccedil;&atilde;o de DHA derivado de &oacute;leos de microalgas para otimizar a ingest&atilde;o de AGPI n-3 nas popula&ccedil;&otilde;es de atletas vegetarianos e veganos, sendo que, atualmente, n&atilde;o existem recomenda&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas na literatura relativamente &agrave; quantidade de DHA derivado de microalgas (33).</p>     
<p>&nbsp;</p> <ol start="4">     <li><u> Ferro</u></li>     </ol>     <p>Em produtos de origem vegetal o ferro presente &eacute; do tipo n&atilde;o heme, cuja taxa de absor&ccedil;&atilde;o intestinal &eacute; relativamente baixa em compara&ccedil;&atilde;o com o ferro heme (2-20%&nbsp;versus&nbsp;15-35%) (34). A biodisponibilidade do ferro n&atilde;o heme &eacute; influenciada por diversos componentes, como polifen&oacute;is, fitato e c&aacute;lcio, que s&atilde;o fatores inibidores da absor&ccedil;&atilde;o de ferro (35, 36). Quanto &agrave; potencia&ccedil;&atilde;o da absor&ccedil;&atilde;o, o maior facilitador &eacute; a vitamina C, que supera at&eacute; os efeitos inibidores dos polifen&oacute;is, c&aacute;lcio e fitato (36). O consumo total de ferro parece ser superior ou semelhante em vegetarianos, relativamente a n&atilde;o vegetarianos, e embora os vegetarianos tenham reservas de ferro inferiores, os n&iacute;veis s&eacute;ricos de ferritina geralmente est&atilde;o dentro de par&acirc;metros normais (37, 38). O aumento das perdas de ferro acontece essencialmente devido a hemorragias gastrointestinais, intensa sudorese, hem&oacute;lise e menstrua&ccedil;&atilde;o. Por esta raz&atilde;o, atletas de&nbsp;endurance&nbsp;est&atilde;o em risco aumentado de deple&ccedil;&atilde;o de ferro e anemia por defici&ecirc;ncia de ferro (39, 40). A defici&ecirc;ncia de ferro pode prejudicar a fun&ccedil;&atilde;o muscular e limitar a capacidade de trabalho, comprometendo o desempenho desportivo (41, 42). A EFSA (European Food Safety Authority) recomenda a ingest&atilde;o di&aacute;ria de 11mg para homens e de 16mg para mulheres (43). No caso dos atletas vegetarianos, estas recomenda&ccedil;&otilde;es est&atilde;o aumentadas em 80% (43). Assumindo que a revers&atilde;o de uma anemia por d&eacute;fice de ferro pode levar 3 a 6 meses, &eacute; desej&aacute;vel uma monitoriza&ccedil;&atilde;o regular para iniciar uma interven&ccedil;&atilde;o antes do desenvolvimento da anemia (15). N&atilde;o havendo consenso relativamente ao valor de ferritina s&eacute;rica que corresponde &agrave; deple&ccedil;&atilde;o das reservas do ferro, alguns dos valores propostos variam entre &lt;10 a &lt;35 ng/mL (15). Para repor as reservas de ferro, &eacute; necess&aacute;ria uma dosagem de cerca de 100 mg de ferro elementar di&aacute;ria, durante pelo menos 3 meses (44). A <a href ="/img/revistas/apn/n20/n20a06t3.jpg">Tabela 3</a> mostra algumas fontes alimentares de ferro de origem vegetal.</p>     
<p>&nbsp;</p> <ol start="5">     <li><u> C&aacute;lcio</u></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ingest&atilde;o de c&aacute;lcio nos ovolactovegetarianos parece ser id&ecirc;ntica ou superior &agrave; de omn&iacute;voros, contudo nos veganos, a ingest&atilde;o usualmente est&aacute; abaixo das recomenda&ccedil;&otilde;es (45, 46). O consumo de quantidades inadequadas de c&aacute;lcio e vitamina D aumenta o risco de baixa densidade mineral &oacute;ssea e de fraturas de stress (3). Este risco est&aacute; aumentado em atletas mulheres, principalmente em d&eacute;fice energ&eacute;tico, se o consumo de latic&iacute;nios e alimentos ricos em c&aacute;lcio for baixo ou nulo, e se estiver presente algum dist&uacute;rbio menstrual (47, 48). Para otimizar a sa&uacute;de &oacute;ssea em atletas com ingest&atilde;o de energia insuficiente, ou com dist&uacute;rbios menstruais, &eacute; recomendada a ingest&atilde;o de 1.500 mg/dia de c&aacute;lcio e de 1.500 a 2.000 UI/dia de vitamina D (49). A ingest&atilde;o adequada de c&aacute;lcio atrav&eacute;s de fontes alimentares deve ser privilegiada, e alimentos como a couve galega, couve portuguesa, feij&atilde;o branco e o tofu devem ser frequentemente inclu&iacute;dos no padr&atilde;o alimentar. Contudo, pode ser necess&aacute;rio suplementar, sendo o citrato de c&aacute;lcio a fonte com absor&ccedil;&atilde;o intestinal superior (50).</p>     <p>Em condi&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas, o c&aacute;lcio s&eacute;rico &eacute; mantido num intervalo controlado de valores (2,25 &ndash; 2,60 mmol/L c&aacute;lcio s&eacute;rico total) independentemente da ingest&atilde;o de c&aacute;lcio, com a mobiliza&ccedil;&atilde;o do tecido &oacute;sseo, quando necess&aacute;rio (51). A densidade mineral &oacute;ssea e o conte&uacute;do mineral &oacute;sseo s&atilde;o sens&iacute;veis a mudan&ccedil;as na ingest&atilde;o de c&aacute;lcio a longo prazo (&gt; 1 ano) (51).Se o consumo alimentar for insuficiente, a suplementa&ccedil;&atilde;o pode ser necess&aacute;ria (33).</p>     <p>Dietas com aportes excessivos de sal e prote&iacute;na est&atilde;o associadas a um aumento da excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria de c&aacute;lcio (52). Por outro lado, frutas e produtos hort&iacute;colas ricos em pot&aacute;ssio e magn&eacute;sio retardam a reabsor&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lcio &oacute;sseo, e diminuem as perdas de c&aacute;lcio na urina (25). Na <a href ="/img/revistas/apn/n20/n20a06t4.jpg">Tabela 4</a> encontram-se algumas fontes alimentares de c&aacute;lcio.</p>     
<p>&nbsp;</p> <ol start="6">     <li><u> Iodo</u></li>     </ol>     <p>O iodo &eacute; um oligoelemento fundamental para a s&iacute;ntese das hormonas tiroideias, cujas diversas fun&ccedil;&otilde;es incluem a regula&ccedil;&atilde;o do metabolismo celular (53).</p>     <p>O conte&uacute;do de iodo nos alimentos de origem vegetal &eacute; habitualmente baixo, dependendo da concentra&ccedil;&atilde;o de iodo nos solo (54). Os atletas vegetarianos devem consumir com alguma regularidade alimentos como o sal iodado, alimentos fortificados, algas e latic&iacute;nios (45, 55). Uma vez que o sal iodado cont&ecirc;m 20-40 mg de iodo por quilo de sal, os atletas vegetarianos necessitam de consumir entre 3,75 a 7 g de sal iodado por dia, para atingir as recomenda&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o di&aacute;ria de iodo em adultos (150 &micro;g) (43, 56). O consumo de iodo n&atilde;o deve exceder o limite m&aacute;ximo toler&aacute;vel de 1100 &micro;g para atletas adultos (43). A insufici&ecirc;ncia de iodo pode ser detetada atrav&eacute;s da an&aacute;lise do iodo urin&aacute;rio, sendo identificado o d&eacute;fice quando este &eacute; inferior a 100 &micro;g/L (7,9 &micro;mol/L) (57). Quando n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel atingir a recomenda&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da alimenta&ccedil;&atilde;o, &eacute; recomendada a toma de um suplemento que forne&ccedil;a 150 &mu;g &middot; dia&minus;1&nbsp;(33, 51).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="7">     <li><u> Vitamina B12</u></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>A vitamina B12&nbsp;(cobalamina) &eacute; uma vitamina presente em produtos de origem animal, pelo que veganos e vegetarianos apresentam n&iacute;veis baixos, particularmente nos atletas veganos (58). O padr&atilde;o alimentar ovolactovegetariano pode fornecer quantidades adequadas desta vitamina (6, 25). A ingest&atilde;o deficiente de vitamina B12&nbsp;tem impacto negativo na sa&uacute;de e&nbsp;performance&nbsp;(42). As atuais recomenda&ccedil;&otilde;es da EFSA para adultos, s&atilde;o de 4 &micro;g/dia (59). De forma a manter a Vitamina B12&nbsp;dentro dos par&acirc;metros normais, alguns autores recomendam a toma di&aacute;ria de 3 doses de alimentos fornecedores de 2 &micro;g, ou, uma &uacute;nica toma de um suplemento de 50 &micro;g; ou, a toma de um suplemento de 1000 &micro;g, duas vezes por semana (51). O valor de corte de 360 pmol/L &eacute; proposto por alguns autores, sendo desta forma importante os atletas vegetarianos manterem os n&iacute;veis de vitamina B12&nbsp;acima deste valor (60). Na <a href ="/img/revistas/apn/n20/n20a06t5.jpg">Tabela 5</a> encontram-se alguns alimentos fornecedores de Vitamina B12.</p>     
<p>&nbsp;</p> <ol start="8">     <li><u> Creatina</u></li>     </ol>     <p>A creatina &eacute; sintetizada endogenamente, mas pode tamb&eacute;m ser obtida numa dieta omn&iacute;vora atrav&eacute;s da ingest&atilde;o alimentar da carne e pescado. As dietas vegetarianas tendem a diminuir as reservas de creatina muscular, visto n&atilde;o haver compensa&ccedil;&atilde;o pelo aumento da produ&ccedil;&atilde;o end&oacute;gena (61, 62). A evid&ecirc;ncia demonstra o efeito ergog&eacute;nico da creatina, especialmente para exerc&iacute;cios de alta intensidade de curta dura&ccedil;&atilde;o, hipertrofia muscular e for&ccedil;a m&aacute;xima (62, 63). A literatura n&atilde;o recomenda um diferente protocolo de ingest&atilde;o de creatina para atletas vegetarianos/veganos em rela&ccedil;&atilde;o a omn&iacute;voros. Curiosamente, os vegetarianos parecem responder melhor &agrave; suplementa&ccedil;&atilde;o de creatina devido &agrave;s baixas reservas de creatina muscular pr&eacute;-existentes (61, 64). O protocolo descrito como mais eficaz para aumentar as reservas de creatina musculares &eacute; a ingest&atilde;o de cerca de 5 g de monohidrato de creatina, quatro vezes por dia, durante um per&iacute;odo de 5-7 dias. Ap&oacute;s este per&iacute;odo, &eacute; adequado fazer a manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de reserva atrav&eacute;s da ingest&atilde;o de 3-5 g/dia. Um protocolo alternativo &eacute; a ingest&atilde;o di&aacute;ria de 3 g de monohidrato de creatina durante 28 dias (65).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="9">     <li><u> &beta; -Alanina</u></li>     </ol>     <p>A &beta;-alanina &eacute; o amino&aacute;cido limitante da s&iacute;ntese de carnosina. A carne e peixe s&atilde;o as principais fontes de &beta;-alanina na dieta, e a sua suplementa&ccedil;&atilde;o em atletas mostrou aumentar as concentra&ccedil;&otilde;es de carnosina muscular, levando a melhorias na&nbsp;performance&nbsp;de exerc&iacute;cios de alta intensidade (66, 67). A evid&ecirc;ncia demonstrou que a suplementa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria com 4-6 g de &beta;-alanina pelo menos por 2 a 4 semanas melhorou a&nbsp;performance&nbsp;desportiva, principalmente em exerc&iacute;cios anaer&oacute;bicos e exerc&iacute;cios com dura&ccedil;&atilde;o entre 1 a 4 minutos (66). Devido aos n&iacute;veis de carnosina muscular serem mais baixos nos vegetarianos, &eacute; poss&iacute;vel que a efic&aacute;cia da suplementa&ccedil;&atilde;o de &beta;-alanina tamb&eacute;m possa ser aumentada em veganos, embora nenhum estudo compare os dois grupos (33).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <ol start="10">     <li><u> Efeito na&nbsp;performance</u></li>     </ol>     <p>M&uacute;ltiplas revis&otilde;es da literatura n&atilde;o t&ecirc;m demonstrado diferen&ccedil;as significativas entre uma dieta vegetariana e uma dieta om&iacute;vora na for&ccedil;a, pot&ecirc;ncia muscular e&nbsp;performance&nbsp;anaer&oacute;bica e aer&oacute;bica, concluindo desta forma que o PAV n&atilde;o apresenta vantagens na&nbsp;performance&nbsp;relativamente ao padr&atilde;o alimentar omn&iacute;voro (68-70). Relativamente &agrave; compara&ccedil;&atilde;o de &iacute;ndices de qualidade de vida entre atletas de&nbsp;endurance&nbsp;veganos/vegetarianos relativamente aos omn&iacute;voos, n&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as (71).</p>     <p>S&atilde;o necess&aacute;rios mais estudos, robustos e com menos limita&ccedil;&otilde;es, de modo a fornecer evid&ecirc;ncia sobre dietas vegetarianas e seus efeitos no desempenho f&iacute;sico em atletas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>An&aacute;lise Cr&iacute;tica</strong></p>     <p>Independentemente do padr&atilde;o alimentar, a ingest&atilde;o alimentar dos atletas deve ser cuidadosamente planeada. H&aacute; evid&ecirc;ncia suficiente para se poder afirmar que atrav&eacute;s da sele&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e gest&atilde;o de escolhas alimentares, uma dieta vegetariana adequadamente planeada atende &agrave;s necessidades energ&eacute;ticas e de macro e micronutrientes de um atleta.</p>     <p>Dependendo do tipo de dieta vegetariana adotado, das prefer&ecirc;ncias pessoais e do tipo e intensidade do exerc&iacute;cio, a dieta de alguns atletas pode ser insuficiente, principalmente em energia, prote&iacute;nas, l&iacute;pidos, vitamina B12, ferro, c&aacute;lcio e iodo. Por outro lado, as dietas vegetarianas apresentam maiores quantidades de HC, fibras, alguns micronutrientes, fitoqu&iacute;micos e antioxidantes relativamente &agrave;s dietas omn&iacute;voras.</p>     <p>Apesar da menor biodisponibilidade proteica, a ingest&atilde;o de prote&iacute;nas na dieta vegetariana &eacute; habitualmente suficiente, embora deva existir cuidado na correta ingest&atilde;o de AA essenciais e complementares. Os atletas vegetarianos podem estar sob maior risco de defici&ecirc;ncia de ferro, principalmente em desportos de&nbsp;endurance. A avalia&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica dos n&iacute;veis de ferro &eacute; fundamental para todos os atletas, particularmente para as mulheres. A suplementa&ccedil;&atilde;o com creatina pode ajudar no aumento da&nbsp;performance&nbsp;em vegetarianos, j&aacute; que os efeitos ben&eacute;ficos da carga de creatina est&atilde;o inversamente relacionados &agrave;s concentra&ccedil;&otilde;es iniciais de creatina muscular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das limita&ccedil;&otilde;es deste trabalho foi o facto de n&atilde;o existir evid&ecirc;ncia suficiente para determinar se o consumo de uma dieta vegetariana condiciona a&nbsp;performance&nbsp;dos atletas, e se sim, de que modo. At&eacute; hoje, os estudos apenas demonstram que a ado&ccedil;&atilde;o deste padr&atilde;o alimentar n&atilde;o afeta positivamente nem negativamente a&nbsp;performance&nbsp;dos atletas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Em suma, o PAV &eacute; seguro para os atletas, contudo dever&aacute; verificar-se</p>     <p>especial vigil&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; energia, prote&iacute;nas, AGPI &oacute;mega 3, vitamina B12, ferro, c&aacute;lcio e iodo. O Nutricionista tem um papel preponderante na gest&atilde;o e planeamento da ingest&atilde;o alimentar nestas atletas, de forma a n&atilde;o comprometer o seu rendimento desportivo, bem-estar, e a sua sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>     <li>Nielsen. 30 000 Vegetarianos. Centro Vegetariano. 2007.</li>     <li>Nielsen. 120 000 Vegetarianos. Centro Vegetariano. 2017.</li>     <li>Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. Journal of the American Dietetic Association. 2003;103(6):748-65.</li>     ]]></body>
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