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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Água: A pegada hídrica no setor alimentar e as potenciais consequências futuras]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Water: The water footprint in the food sector and the potential future consequences]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-59852020000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-59852020000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-59852020000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A água está presente em todos os processos e atividades humanas, entre os quais o setor de produção primária. O excesso da utilização da água nestes setores é uma problemática dos dias de hoje, que tem vindo a suscitar muitas questões acerca do futuro desta. Este artigo de revisão tem como propósito abordar a pegada hídrica em alguns setores alimentares para alertar os nutricionistas para a importância da pegada hídrica dos alimentos nas suas recomendações, bem como consciencializar a população sobre esta temática. O conceito de pegada hídrica deve ser transmitido à população, alertando sobre a importância do consumo de água consciente de forma a prevenir a sua escassez no futuro.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Water is present in all human activity, such as the primary sector. The overuse of water in those sectors is a major issue nowadays and it's been raising a lot of questions about its future. This review article’s purpose is to assess the water footprint in some sectors of the food industry so as to alert nutritionists of the water footprint of the ingredients they recommend, as well as raising public awareness of this issue. The concept of water footprint should be passed on to the population, alerting of the importance of water that prevents its scarcity in the future.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&Atilde;O</b></p>     <p>     <p><b><font face="" size="4">&Aacute;gua: A pegada h&iacute;drica no setor alimentar e as potenciais consequ&ecirc;ncias futuras</font></b></p>     <p><strong>Water: The water footprint in the food sector and the potential future consequences</strong></p>     <p><strong>Ana Sofia Ferraz<sup>1</sup>; Catarina Gon&ccedil;alo<sup>1</sup>*; Diana Serra<sup>1</sup>; Filipa Carvalhosa<sup>1</sup>; Helena Real<sup>1,2</sup></strong></p>     <p><sup>1</sup>Instituto Universit&aacute;rio de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Cooperativa do Ensino Superior Polit&eacute;cnico Universit&aacute;rio, Rua Central de Gandra, n.&ordm; 1317, 4585-116 Gandra, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o, Rua Jo&atilde;o das Regras, n.&ordm; 278 e 284, R-C, 4000-291 Porto, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESUMO</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &aacute;gua est&aacute; presente em todos os processos e atividades humanas, entre os quais o setor de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. O excesso da utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua nestes setores &eacute; uma problem&aacute;tica dos dias de hoje, que tem vindo a suscitar muitas quest&otilde;es acerca do futuro desta.</p>     <p>Este artigo de revis&atilde;o tem como prop&oacute;sito abordar a pegada h&iacute;drica em alguns setores alimentares para alertar os nutricionistas para a import&acirc;ncia da pegada h&iacute;drica dos alimentos nas suas recomenda&ccedil;&otilde;es, bem como consciencializar a popula&ccedil;&atilde;o sobre esta tem&aacute;tica.</p>     <p>O conceito de pegada h&iacute;drica deve ser transmitido &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, alertando sobre a import&acirc;ncia do consumo de &aacute;gua consciente de forma a prevenir a sua escassez no futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Palavras-chave</strong></p>     <p>&Aacute;gua, Pegada h&iacute;drica, Produto alimentar, Reutiliza&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>Water is present in all human activity, such as the primary sector. The overuse of water in those sectors is a major issue nowadays and it's been raising a lot of questions about its future.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This review article&rsquo;s purpose is to assess the water footprint in some sectors of the food industry so as to alert nutritionists of the water footprint of the ingredients they recommend, as well as raising public awareness of this issue.</p>     <p>The concept of water footprint should be passed on to the population, alerting of the importance of water that prevents its scarcity in the future.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Keywords</strong></p>     <p>Water, Water footprint, Food product, Reuse</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>A superf&iacute;cie do planeta Terra &eacute; coberta por cerca de 70% de &aacute;gua, sendo que 96% dessa &aacute;gua &eacute; retida em oceanos e apenas 2,5% corresponde a &aacute;gua doce. Desta forma, a &aacute;gua dispon&iacute;vel para o uso humano, incluindo atividades dom&eacute;sticas e</p>     <p>agricultura, corresponde a menos de 1% da &aacute;gua da Terra (1). Ainda que seja um recurso renov&aacute;vel devido ao ciclo da &aacute;gua, a &aacute;gua no nosso planeta, da forma que o Homem necessita dela, &eacute; um bem limitado e cada vez mais escasso. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), os recursos h&iacute;dricos do nosso planeta enfrentam uma grande amea&ccedil;a, estimando-se que at&eacute; 2050, entre 3,5 a 4,4 mil milh&otilde;es de pessoas ter&atilde;o acesso limitado &agrave; &aacute;gua, incluindo a popula&ccedil;&atilde;o que reside nas grandes cidades (2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O elevado consumo de &aacute;gua pela popula&ccedil;&atilde;o e o aumento urbano e populacional criaram ao longo dos tempos diversos impactos, incluindo a necessidade de novas tecnologias no tratamento e gest&atilde;o das &aacute;guas. No entanto, apesar destas necessidades terem sido atendidas, a consciencializa&ccedil;&atilde;o por parte da popula&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos gastos da &aacute;gua e &agrave; sua escassez, n&atilde;o evoluiu t&atilde;o r&aacute;pido como as respostas &agrave;s suas necessidades (3). Desta forma, o impacto do desregramento da utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua ao longo dos anos tem sido cada vez mais not&oacute;rio, como a degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade da &aacute;gua, aumento das doen&ccedil;as veiculadas pela &aacute;gua, diminui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua dispon&iacute;vel per capita, o aumento do custo da produ&ccedil;&atilde;o dos alimentos e do custo do tratamento das &aacute;guas (4). Por&eacute;m, uma vez que a &aacute;gua &eacute; um bem essencial e o seu acesso &eacute; um direito b&aacute;sico a todos os seres humanos, os custos inerentes ao seu abastecimento e saneamento t&ecirc;m de apresentar valores acess&iacute;veis a toda a popula&ccedil;&atilde;o, o que por si se torna um fator para a sua desvaloriza&ccedil;&atilde;o e recorrente desperd&iacute;cio (4, 5).</p>     <p>A partir desta perspetiva, atualmente surgem cada vez mais problem&aacute;ticas associadas &agrave; chamada &ldquo;&aacute;gua virtual&rdquo;, sendo esta referente &agrave; &aacute;gua que &eacute; utilizada como mat&eacute;ria-prima essencial para a produ&ccedil;&atilde;o de quase tudo o que consumimos e usamos, tais como, alimentos, roupa, pecu&aacute;ria, autom&oacute;veis e at&eacute; eletrodom&eacute;sticos, entre outros (6).</p>     <p>Um dos principais setores que mais utiliza &aacute;gua para a sua produ&ccedil;&atilde;o &eacute; o setor alimentar que abarca grande quantidade de &aacute;gua e de polui&ccedil;&atilde;o contribuindo para a pegada h&iacute;drica e ecol&oacute;gica de forma cada vez mais not&oacute;ria (4, 7). Assim, com o aumento da popula&ccedil;&atilde;o, as necessidades de alimentos aumentam, tornando-se cada vez mais emergente tomar medidas sustent&aacute;veis para regrar a utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua neste setor (4). Para al&eacute;m das preocupa&ccedil;&otilde;es em produzir em quantidade suficiente e com a qualidade e seguran&ccedil;a devidas, atualmente a quest&atilde;o da sustentabilidade ambiental ganha cada vez mais peso no setor alimentar (4, 7).</p>     <p>Sendo esta problem&aacute;tica cada vez mais emergente no nosso dia-a-dia, este artigo aborda os conceitos associados &agrave; pegada h&iacute;drica, bem como alerta para o consumo de &aacute;gua associado a alguns alimentos. Apresenta tamb&eacute;m alguns exemplos de reutiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua com o intuito de demonstrar o impacto a que estas altera&ccedil;&otilde;es podem levar. Por fim, aborda-se uma perspetiva do futuro se nada for alterado. Em suma, &eacute; fundamental a consciencializa&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia da produ&ccedil;&atilde;o alimentar na pegada h&iacute;drica, de forma a que a popula&ccedil;&atilde;o tome decis&otilde;es mais adequadas neste &acirc;mbito.</p>     <p>A pesquisa bibliogr&aacute;fica foi realizada em bases de dados e bancos de dep&oacute;sito de artigos e teses, nacionais e internacionais: Pubmed, Scielo e Rcaap com as seguintes palavras-chave: pegada h&iacute;drica/water footprint, produtos alimentares/food products, reutiliza&ccedil;&atilde;o/reuse, consumo de &aacute;gua/water consumption e nutricionista/nutritionist, entre abril e junho de 2020. Procedeu-se &agrave; consulta de p&aacute;ginas eletr&oacute;nicas de institui&ccedil;&otilde;es de refer&ecirc;ncia para a tem&aacute;tica, como a Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o, Food and Agriculture Organization, Water footprint, Instituto nacional de estat&iacute;stica e Pordata.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Pegada H&iacute;drica</strong></p>     <p>Em 2002, surge o conceito de pegada h&iacute;drica como indicador relativo de consumo de &aacute;gua, tendo como objetivo contabilizar a quantidade de &aacute;gua utilizada nos bens e servi&ccedil;os que s&atilde;o consumidos pelos indiv&iacute;duos, isto &eacute;, a pegada h&iacute;drica permite quantificar o consumo de &aacute;gua total ao longo de toda a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o (3, 8). A pegada h&iacute;drica de um indiv&iacute;duo pode ser calculada para um indiv&iacute;duo ou para uma comunidade (3). A pegada h&iacute;drica total &eacute; constitu&iacute;da por tr&ecirc;s componentes: pegada h&iacute;drica azul, pegada h&iacute;drica verde e pegada h&iacute;drica cinza. A pegada h&iacute;drica azul &eacute; definida como indicador de consumo de &aacute;gua doce superficial e/ou subterr&acirc;nea, estando diretamente relacionada com as vari&aacute;veis hidrol&oacute;gicas que regulam o ciclo hidrol&oacute;gico. Esta pegada inclui a &aacute;gua evaporada, a &aacute;gua incorporada no produto, a &aacute;gua que n&atilde;o retorna para a &aacute;rea de capta&ccedil;&atilde;o e a &aacute;gua que n&atilde;o retorna no mesmo per&iacute;odo. O maior consumo global referente a esta pegada &eacute; no setor agr&iacute;cola. A pegada h&iacute;drica verde &eacute; um indicador do uso da &aacute;gua proveniente da precipita&ccedil;&atilde;o e &eacute; armazenada temporariamente no solo ou permanece temporariamente na superf&iacute;cie do solo. Por outras palavras, esta pegada representa o total de &aacute;gua oriunda da chuva que &eacute; consumida durante a produ&ccedil;&atilde;o. A pegada h&iacute;drica cinza indica o grau de polui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua doce que est&aacute; relacionada com o processo de produ&ccedil;&atilde;o (9).</p>     <p>A pegada h&iacute;drica tamb&eacute;m pode ser classificada em pegada h&iacute;drica direta ou indireta, bem como pegada h&iacute;drica externa ou interna. A pegada h&iacute;drica direta est&aacute; relacionada com o consumo de &aacute;gua e polui&ccedil;&atilde;o referente ao uso da &aacute;gua na casa ou no jardim. Por outro lado, a pegada h&iacute;drica indireta est&aacute; relacionada ao consumo de &aacute;gua e polui&ccedil;&atilde;o referente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os utilizados pelo consumidor. Relativamente a empresas, a maior parte da pegada h&iacute;drica adv&eacute;m da pegada h&iacute;drica indireta, isto &eacute;, da cadeia de abastecimento (3, 9). A pegada h&iacute;drica externa &eacute; definida pela quantidade de recursos h&iacute;dricos utilizados fora do pa&iacute;s para a produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os que s&atilde;o consumidos pelos habitantes. J&aacute; a pegada h&iacute;drica interna diz respeito &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos h&iacute;dricos do pa&iacute;s para a produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os que s&atilde;o consumidos pelos habitantes (8, 9).</p>     <p>Os pa&iacute;ses mais desenvolvidos t&ecirc;m um maior consumo de produtos e, consequentemente, uma maior pegada h&iacute;drica. Desta forma, a n&iacute;vel mundial, os Estados Unidos s&atilde;o os que apresentam uma maior pegada h&iacute;drica (8). A n&iacute;vel europeu, a <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a08t1.jpg">Tabela 1</a> apresenta estimativas relativas aos 10 pa&iacute;ses com maior pegada h&iacute;drica per capita (10).</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; sustentabilidade da pegada h&iacute;drica, esta est&aacute; dependente de fatores locais, como por exemplo, as caracter&iacute;sticas h&iacute;dricas da regi&atilde;o. Assim sendo, a pegada h&iacute;drica pode ser um indicador de sustentabilidade, atrav&eacute;s do controlo do impacto humano sobre o ambiente (3).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Consumo de &Aacute;gua</strong></p>     <p>Uma vez que, a pegada h&iacute;drica verde diz respeito &agrave; maior percentagem a n&iacute;vel europeu (11), os principais alimentos respons&aacute;veis por tal facto s&atilde;o apresentados nos <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a08g1.jpg">Gr&aacute;fico 1</a> e <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a08g2.jpg">2</a> (12). Assim, em seguida ser&aacute; abordada esta pegada em diferentes setores alimentares.</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><strong>Agricultura</strong></p>     <p>Tendo em conta todas as atividades econ&oacute;micas praticadas pelo ser humano, a agricultura &eacute; a que utiliza mais &aacute;gua doce, isto &eacute;, a &aacute;gua proveniente das chuvas e de outras precipita&ccedil;&otilde;es que caem diretamente na terra (13). Um dos contributos significativos na utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos &eacute; o da irriga&ccedil;&atilde;o das culturas. Em pa&iacute;ses do sul da Europa, onde Portugal est&aacute; inserido, as condi&ccedil;&otilde;es &aacute;ridas ou semi&aacute;ridas obrigam ao aumento deste recurso na irriga&ccedil;&atilde;o, traduzindo-se em cerca de 80% da &aacute;gua consumida (14).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Carne</strong></p>     <p>Os alimentos de origem animal s&atilde;o, entre os v&aacute;rios sistemas de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, os que apresentam uma menor probabilidade de sustentabilidade, sobretudo devido ao seu consumo de energia e de &aacute;gua ao longo de toda a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o. O processo de produ&ccedil;&atilde;o da ra&ccedil;&atilde;o para a alimenta&ccedil;&atilde;o dos animais &eacute; o principal destino do total de &aacute;gua utilizada (15-17).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que se refere &agrave; carne branca, mais concretamente ao frango, enquadrando-se num sistema industrial de produ&ccedil;&atilde;o, este leva 10 semanas at&eacute; ser abatido e em m&eacute;dia, cada frango pesa 1,7 kg e consome 3,3 kg de ra&ccedil;&atilde;o, necessitando de 30 litros de &aacute;gua para suprir as suas necessidades h&iacute;dricas. No final, o consumo de &aacute;gua total &eacute; estimado em 3900 litros tendo em conta toda a &aacute;gua que &eacute; necess&aacute;ria ao longo da cadeia de produ&ccedil;&atilde;o. Sumariamente, para 1 kg de frango s&atilde;o necess&aacute;rios cerca de 20 litros de &aacute;gua (17).</p>     <p>Relativamente &agrave; carne vermelha, em especial a carne bovina, enquadrando-se novamente num sistema industrial de produ&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o necess&aacute;rios em m&eacute;dia cerca de 3 anos at&eacute; ao abate do animal. Estima-se que uma vaca que consuma 1300 kg de ra&ccedil;&atilde;o e 7200 kg de forragem, ir&aacute; precisar de 24000 litros de &aacute;gua para se hidratar e de 7000 litros para a limpeza geral. Assim, para a produ&ccedil;&atilde;o de 1 kg de carne bovina s&atilde;o necess&aacute;rios 15500 litros de &aacute;gua (18). Em suma, a pegada h&iacute;drica de um animal &eacute; calculada baseando-se no consumo de &aacute;gua durante toda a sua vida, incluindo a que &eacute; utilizada na higiene, na alimenta&ccedil;&atilde;o e no consumo propriamente dito (3).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Pescado</strong></p>     <p>A pesca &eacute; uma das principais fontes de prote&iacute;na animal, mas devido ao estado de sobre-explora&ccedil;&atilde;o da maior parte dos recursos pesqueiros tradicionais, a import&acirc;ncia das aquiculturas come&ccedil;ou a ter um papel socioecon&oacute;mico preponderante (18). O grande desafio na aquicultura &eacute; desenvolver uma aquicultura sustent&aacute;vel, j&aacute; que a atividade exige recursos naturais tais como, energia, solo e &aacute;gua (19). A ind&uacute;stria respons&aacute;vel pelo processamento do pescado recorre a um grande volume de &aacute;gua pot&aacute;vel que &eacute; utilizada em quase todas as etapas do processamento, entre elas, a insensibiliza&ccedil;&atilde;o, o abate, a depura&ccedil;&atilde;o, a limpeza de superf&iacute;cies, a eviscera&ccedil;&atilde;o e a filetagem. A utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua pode estar ainda relacionada com as diferentes caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas da esp&eacute;cie processada, escala de produ&ccedil;&atilde;o, tecnologias adotadas no processamento e o grau de comprometimento da ind&uacute;stria com as pr&aacute;ticas para uma produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel (20).</p>     <p>A preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; somente com a &aacute;gua que entra no processo, mas tamb&eacute;m com aquela que sai, porque o volume de &aacute;gua utilizada pela ind&uacute;stria est&aacute; diretamente ligado &agrave; quantidade de efluente produzido. O efluente gerado na ind&uacute;stria de processamento de pescado apresenta uma elevada carga org&acirc;nica e, por isso, o tratamento adequado &eacute; fundamental (21). A pegada h&iacute;drica, amplamente estudada na produ&ccedil;&atilde;o de produtos c&aacute;rneos e agr&iacute;colas, &eacute; ainda desconhecida no setor da aquicultura (22).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Leguminosas</strong></p>     <p>Atualmente, no que respeita aos produtos alimentares, a sustentabilidade faz parte dos crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o dos consumidores (23). As leguminosas produzidas em Portugal s&atilde;o uma excelente resposta a esta problem&aacute;tica, pois possuem custos ambientais de produ&ccedil;&atilde;o inferiores a outros alimentos. Comparativamente &agrave; carne, as leguminosas possuem uma pegada h&iacute;drica inferior a 88%. Em suma, para a produ&ccedil;&atilde;o de 1 Kg de leguminosas s&atilde;o gastos cerca de 4.055 L de &aacute;gua (23, 24).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>Latic&iacute;nios</strong></p>     <p>A ind&uacute;stria l&aacute;ctea caracteriza-se por consumir grandes quantidades de &aacute;gua ao longo da sua cadeia de produ&ccedil;&atilde;o, pois a sua utiliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; normalmente vinculada &agrave; garantia das condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias e de higiene necess&aacute;rias. A &aacute;gua &eacute; sobretudo utilizada nos processos que envolvem os condensadores e as caldeiras, nas perdas f&iacute;sicas, no sistema clean in place (CIP), no arrefecimento e na limpeza (25).</p>     <p>De um modo geral, a quantidade e a qualidade da &aacute;gua consumida numa ind&uacute;stria de latic&iacute;nios depende do produto e da capacidade de produ&ccedil;&atilde;o. Destaca-se tamb&eacute;m a idade das instala&ccedil;&otilde;es, atendendo a que as ind&uacute;strias com instala&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas mais antigas ou desatualizadas, consomem mais recursos naturais do que as mais recentes, uma vez que, os equipamentos desatualizados possuem uma maior probabilidade de provocar perdas e ruturas com mais frequ&ecirc;ncia. A pegada h&iacute;drica do leite estima que sejam necess&aacute;rios 1020 litros de &aacute;gua para se produzir 1 litro de leite e, em m&eacute;dia, 1 litro de leite de vaca produz 95 g de queijo. Assim, a produ&ccedil;&atilde;o de 1 kg de queijo exige exige o gasto de 5060 litros de &aacute;gua e para 1 kg de manteiga s&atilde;o necess&aacute;rios 18000 litros de &aacute;gua, sendo que a produ&ccedil;&atilde;o de ambos est&aacute; diretamente relacionada com a quantidade de leite utilizado (12).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Reutiliza&ccedil;&atilde;o da &Aacute;gua</strong></p>     <p>Os per&iacute;odos de seca aliados &agrave; escassez de &aacute;gua s&atilde;o a motiva&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses para a reutiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua. Esta &eacute; uma ferramenta cada vez mais ponderada com a finalidade de reduzir substancialmente quer as necessidades de abastecimento de &aacute;gua, quer o seu custo associado (7). Assim sendo, a reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua torna-se importante na ind&uacute;stria alimentar, dado que a &aacute;gua tem diversas finalidades nesta ind&uacute;stria, como por exemplo, pode estar em contacto direto/indireto com o alimento, pode fazer parte do processamento de um outro alimento (imers&atilde;o, branqueamento, aquecimento e pasteuriza&ccedil;&atilde;o), ou at&eacute; mesmo ser o pr&oacute;prio ingrediente (7, 26). De real&ccedil;ar, que a ind&uacute;stria alimentar quando comparada a outros setores industriais gasta muito mais &aacute;gua por tonelada de produto (27).</p>     <p>De acordo com a Diretiva 98/83/CE, a &aacute;gua utilizada no processamento de alimentos deve conter um padr&atilde;o t&atilde;o elevado como o da &aacute;gua pot&aacute;vel. Assim, surgem v&aacute;rios obst&aacute;culos para a reutiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, sendo os mais cruciais os riscos microbiol&oacute;gicos, que devem ser garantidos e monitorizados constantemente pelo ponto cr&iacute;tico de controlo de an&aacute;lises de perigos (HACCP) (27). Deve-se mencionar que o termo &ldquo;reutiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da &aacute;gua corresponde &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua numa determinada etapa de processamento e a sua posterior utiliza&ccedil;&atilde;o num processamento de alimentos (7).</p>     <p>O m&eacute;todo utilizado para o tratamento da &aacute;gua depende de diversos crit&eacute;rios, nomeadamente, custos, seguran&ccedil;a, qualidade da &aacute;gua e capacidade de tratamento da &aacute;gua (7). Torna-se, portanto, necess&aacute;ria uma compreens&atilde;o de v&aacute;rios fatores que influenciam a reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, de modo a que os regulamentos existentes possam ser revigorados ou at&eacute; ado&ccedil;&atilde;o de novos regulamentos (12).</p>     <p>A reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua depende do m&eacute;todo utilizado para recuperar a &aacute;gua, da sua natureza e do seu uso final. S&atilde;o v&aacute;rias as estrat&eacute;gias que podem ser adotadas para reutilizar ou reduzir o consumo da &aacute;gua. Por um lado, a &aacute;gua utilizada na lavagem das frutas e produtos hort&iacute;colas, ou a &aacute;gua utilizada na manteiga e no queijo, podem ser recicladas, isto &eacute;, ser usadas na mesma opera&ccedil;&atilde;o do processamento. Da mesma forma, a &aacute;gua utilizada na pasteuriza&ccedil;&atilde;o pode tamb&eacute;m ser reutilizada, dependendo do bin&oacute;mio temperatura/tempo, que ditar&atilde;o o uso final dessa mesma &aacute;gua (26). Por outro lado, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel reduzir o consumo de &aacute;gua no processamento dos alimentos, atrav&eacute;s de opera&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias que utilizem menos &aacute;gua, como por exemplo, hastes pulverizadas para lavar tomates e uso de vapor de &aacute;gua para limpar frascos de vidro de conservas de frutas e produtos hort&iacute;colas, assim como otimiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua utilizada durante o processamento e limpeza. De notar, que a irriga&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola &eacute; a principal aplica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas reutilizadas (7), sendo que o l&iacute;der mundial em reutilizar &aacute;gua, Israel, trata aproximadamente 86% das &aacute;guas residuais para esse mesmo fim (12).</p>     <p>Segundo alguns estudos, existe potencial na reciclagem e reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua na ind&uacute;stria dos alimentos, visto que demonstraram que seria poss&iacute;vel reduzir o uso da &aacute;gua cerca de 20 a 50% (7).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vantagens ambientais associadas &agrave; reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua s&atilde;o variadas, particularmente, na redu&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o de aqu&iacute;feros em stress, na redu&ccedil;&atilde;o dos gastos e uso de fertilizantes devido aos nutrientes restantes nessa &aacute;gua e, at&eacute; mesmo, maiores rendimentos de algumas culturas. Por&eacute;m, sabe-se tamb&eacute;m que a reutiliza&ccedil;&atilde;o extensiva e prolongada dessa &aacute;gua tem riscos ambientais e fitossanit&aacute;rios que podem potenciar riscos para a sa&uacute;de p&uacute;blica, pois os contaminantes microbiol&oacute;gicos, bact&eacute;rias resistentes a antibi&oacute;ticos, metais pesados, bem como produtos farmac&ecirc;uticos podem permanecer na &aacute;gua reutilizada. Desta forma, torna-se impreter&iacute;vel que existam regulamentos e pol&iacute;ticas relativamente &agrave; reutiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, de modo a que esta possa surgir como uma solu&ccedil;&atilde;o vi&aacute;vel e sustent&aacute;vel para diversas popula&ccedil;&otilde;es (26).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>O Que Poder&aacute; Acontecer se Nada Mudar?</strong></p>     <p>Desde 1960 at&eacute; aos dias de hoje, o consumo de &aacute;gua multiplicou havendo nesse ano 3 mil milh&otilde;es de habitantes. Atualmente existem 7.6 mil milh&otilde;es e calcula-se que em 2100, seremos 11 mil milh&otilde;es de pessoas (28). Tendo em considera&ccedil;&atilde;o estes n&uacute;meros, a escassez da &aacute;gua j&aacute; tem vindo a criar tens&otilde;es entre pa&iacute;ses, tal como aconteceu com o petr&oacute;leo no passado (29). A desertifica&ccedil;&atilde;o, devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, tamb&eacute;m poder&aacute; originar conflitos internacionais, pois para cada grau de aumento na temperatura global, aproximadamente 7% da popula&ccedil;&atilde;o mundial ter&aacute; uma diminui&ccedil;&atilde;o de cerca de 20% no acesso aos recursos h&iacute;dricos renov&aacute;veis (30).</p>     <p>Em Portugal, j&aacute; existem algumas no&ccedil;&otilde;es de que a &aacute;gua n&atilde;o &eacute; um bem inesgot&aacute;vel e que esta &eacute; cada vez mais escassa (31). No entanto, a maioria das pessoas mant&ecirc;m os mesmos h&aacute;bitos sabendo qual o pre&ccedil;o a pagar futuramente se nada mudar. Atualmente a humanidade utiliza 50% da &aacute;gua doce do planeta e a tend&ecirc;ncia &eacute; que em 40 anos esse valor passe a 80% (30).</p>     <p>O m&iacute;nimo de &aacute;gua necess&aacute;ria por dia, per capita &eacute; de 20L, por&eacute;m os valores reais s&atilde;o diferentes, sendo que no mundo cerca de 1.1 mil milh&otilde;es de pessoas n&atilde;o tem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel e 2.6 mil milh&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m acesso a saneamento b&aacute;sico de &aacute;gua. Por exemplo, por dia, em Mo&ccedil;ambique &eacute; utilizado per capita menos de 10 L de &aacute;gua, na Europa 200-300 L e nos Estados Unidos 575 L (28).</p>     <p>Diariamente, rios, riachos, len&ccedil;&oacute;is de &aacute;gua e aqu&iacute;feros s&atilde;o contaminados pelos esgotos mal tratados, pela utiliza&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos e pela elimina&ccedil;&atilde;o de lixo t&oacute;xico das ind&uacute;strias (30). Assim, segundo a ONU, se n&atilde;o forem tomadas medidas at&eacute; 2030, as reservas h&iacute;dricas podem reduzir at&eacute; 40%, uma vez que aproximadamente 20% dos aqu&iacute;feros s&atilde;o explorados de forma excessiva, o que poder&aacute; originar eros&otilde;es do solo e a entrada de &aacute;gua salgada nesses reservat&oacute;rios, bem como o acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel a n&iacute;vel mundial ser&aacute; ainda mais reduzido, estimando-se que cerca de 5 mil milh&otilde;es bili&otilde;es de pessoas sofrer&atilde;o com a falta de &aacute;gua e saneamento b&aacute;sico em 2030 (30).</p>     <p>Na agricultura, se n&atilde;o houver um aprimoramento das t&eacute;cnicas utilizadas, at&eacute; 2050 o consumo de &aacute;gua poder&aacute; aumentar at&eacute; 90% (30).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>AN&Aacute;LISE CR&Iacute;TICA</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste artigo &eacute; evidenciado que algumas partes do setor alimentar s&atilde;o respons&aacute;veis por uma grande quantidade de &aacute;gua consumida, sobretudo na produ&ccedil;&atilde;o animal, nomeadamente, na produ&ccedil;&atilde;o de carnes. Os produtos de origem vegetal comparativamente com os produtos de origem animal t&ecirc;m uma pegada h&iacute;drica menor (31), tal como se pode verificar a partir do <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a08g1.jpg">Gr&aacute;fico 1</a>. Assim, o consumo destes produtos de origem vegetal deve ser motivado pelos nutricionistas, apelando nas suas recomenda&ccedil;&otilde;es um consumo mais frequente de produtos hortofrut&iacute;colas e um consumo menos frequente de carnes (carnes brancas semanalmente e de carnes vermelhas mensalmente), de forma a contribuir para uma redu&ccedil;&atilde;o da pegada h&iacute;drica e, consequentemente, uma redu&ccedil;&atilde;o dos danos ambientais que esta causa (32).</p>     
<p>Apesar de n&atilde;o ser objetivo deste artigo, no <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a08g2.jpg">Gr&aacute;fico 2</a> s&atilde;o apresentadas estimativas de valores de pegadas h&iacute;dricas de alguns produtos processados, de forma a mostrar que alguns podem ser bastante mais impactantes que alguns provenientes da produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, estando o maior gasto de &aacute;gua associado ao pr&oacute;prio processamento industrial, o que corrobora a import&acirc;ncia de se limitar o consumo de alimentos mais processados, sobretudo os grandes fornecedores de a&ccedil;&uacute;car, sal e gordura.</p>     
<p>Numa perspetiva europeia, Portugal &eacute; o pa&iacute;s que apresenta uma maior pegada h&iacute;drica per capita, no entanto, a pegada h&iacute;drica total n&atilde;o &eacute; a mais alta da Europa. A pegada h&iacute;drica total poder&aacute; n&atilde;o ser t&atilde;o elevada pelo facto de em Portugal existirem menos setores das ind&uacute;strias, da agricultura, do com&eacute;rcio e outros servi&ccedil;os que, como j&aacute; referido, aumentam a pegada h&iacute;drica, devido ao elevado consumo de &aacute;gua necess&aacute;ria nas suas atividades (33). Em suma, a n&iacute;vel mundial, muitos s&atilde;o os pa&iacute;ses que apresentam graves problemas de disponibilidade de &aacute;gua, devido ao facto da popula&ccedil;&atilde;o mundial estar a aumentar, bem como da inexist&ecirc;ncia da distribui&ccedil;&atilde;o equitativa da &aacute;gua (8).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Para evitar as consequ&ecirc;ncias provocadas pelas pegadas h&iacute;dricas e pelo excesso de consumo de &aacute;gua por parte da popula&ccedil;&atilde;o, torna-se crucial que seja adotada uma nova forma de percecionar a &aacute;gua. Assim, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer as diversas dimens&otilde;es da problem&aacute;tica tendo em conta valores &eacute;ticos, sociais, pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e ambientais envolvidos. Ser&aacute; fundamental envolver todas as partes interessadas e procurar adequar a produ&ccedil;&atilde;o no setor prim&aacute;rio a um uso mais eficiente dos recursos h&iacute;dricos, procurando ajustar, por exemplo, o tipo de alimento produzido aos recursos h&iacute;dricos que a regi&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o consegue fornecer, para se obter um equil&iacute;brio maior.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por outro lado, ser&aacute; imperioso promover uma maior literacia da popula&ccedil;&atilde;o e dos nutricionistas sobre a pegada h&iacute;drica, de forma a que se promovam melhores escolhas e recomenda&ccedil;&otilde;es alimentares mais conscientes, no sentido de se real&ccedil;ar a import&acirc;ncia de se ter uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais poupadora de &aacute;gua, ao n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o alimentar que lhe deu origem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Sapkota, AR. Water Reuse, Food Production and Public Health: Adopting Transdisciplinary, Systems-Based Approaches to Achieve Water and Food Security in a Changing Climate. Environmental Research 171. 2019: 576&ndash;80.</li>       <li>Dia Mundial da &Aacute;gua. Na&ccedil;&otilde;es Unidas - ONU Portugal [Internet]. c2020 [citado 2020 Mar 5]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unric.org/pt/dia-mundial-da-agua"target="_blank">https://unric.org/pt/dia-mundial-da-agua</a>.</li>       <li>Silva VPR, Aleixo DO, Dantas NJ, Maracaj&aacute; KFB, Ara&uacute;jo LE. Uma medida de sustentabilidade ambiental: pegada h&iacute;drica. Revista brasileira engenharia agr&iacute;cola ambiental. 2013;17(1):100&ndash;5.</li>       <li>Giacomin GS, Ohnuma Jr AA. A pegada h&iacute;drica como instrumento de conscientiza&ccedil;&atilde;o ambiental. Remoa. 2012;7(7):1517&ndash;26.</li>       <li>Branco A. Novos paradigmas para a gest&atilde;o da &aacute;gua e dos servi&ccedil;os de &aacute;gua e saneamento: o caso de Portugal [disserta&ccedil;&atilde;o]. Universidade de lisboa faculdade de ci&ecirc;ncias; 2007.</li>       <li>Bleninger T, Kotsuka LK. Conceitos de &aacute;gua virtual e pegada h&iacute;drica: estudo de caso da soja e &oacute;leo de soja no Brasil. Recursos H&iacute;dricos. 2015 Mai;36(1):15&ndash;24.</li>       <li>Casani S, Rouhany M, Kn&oslash;chel S. A Discussion Paper on Challenges and Limitations to Water Reuse and Hygiene in the Food Industry. Water Research. 2005 Mar;39(6):1134&ndash;46.</li>       <li>Seixas V. An&aacute;lise da pegada h&iacute;drica de um conjunto de produtos agr&iacute;colas [disserta&ccedil;&atilde;o]. Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia. 2011.</li>       <li>Hoekstra AY, Chapagain AK, Aldaya MM,, Mekonnen MM. The Water Footprint Assessment Manual : Setting the Global Standard. Routledge; 2012.</li>       <li>waterfootprint.org [Internet]. Enschede: National Water Footprint Explorer. [citado 2020 Abr 14]. <a href="https://www.waterfootprintassessmenttool.org/national-explorer/"target="_blank">https://www.waterfootprintassessmenttool.org/national-explorer/</a>.</li>       ]]></body>
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<body><![CDATA[<li>Arvanitoyannis IS, Kassaveti A. Fish industry waste: treatments, environmental impacts, current and potential uses. Int J Food Sci Technol. 2008;43(4):726&ndash;45.</li>       <li>Wojcikiewicz CA, Nascimento FV, Garbossa LHP, Lapa KR, Arana LAV. Pegada h&iacute;drica cinza de sistema de cultivo intensivo de camar&atilde;o-branco em &aacute;gua salobra. Bol Inst Pesca. 2017;43(3):426&ndash;36.</li>       <li>Hoekstra AY. The hidden water resource use behind meat and dairy. Animal Frontiers 2. 2012; 2:3&ndash;8.</li>       <li>FAO. Action plan for the international year of pulses- nutritious seeds for a sustanaible future. 2016.</li>       <li>Instituto de Pesca [Internet]. S&atilde;o Paulo: No Dia Mundial da &Aacute;gua, Instituto de Pesca apresenta projeto in&eacute;dito que busca determinar pegada h&iacute;drica na aquicultura. [citado 2020 Abr 8]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pesca.agricultura.sp.gov.br/ip-na-midia/324-instituto-de-pesca-apresenata-projeto-inedito-que-busca-determinr-pegada-hidrica-na-aquicultura"target="_blank">https://www.pesca.agricultura.sp.gov.br/ip-na-midia/324-instituto-de-pesca-apresenata-projeto-inedito-que-busca-determinr-pegada-hidrica-na-aquicultura</a>.</li>       <li>Silva DJP (Universidade federal de vi&ccedil;osa, departamento de tecnologia de alimentos, ci&ecirc;ncia e tecnologia de alimentos). Programa de conserva&ccedil;&atilde;o e recurso de &aacute;gua &ndash; PCRA. Vi&ccedil;osa (PT). 2011.</li>       <li>Casani S, Kn&oslash;chel S. Application of HACCP to Water Reuse in the Food Industry. Food Control. Junho de 2002; 13(4&ndash;5):315&ndash;27.</li>       <li>Mavrov V, B&eacute;li&egrave;res E. Reduction of Water Consumption and Wastewater Quantities in the Food Industry by Water Recycling Using Membrane Processes. Desalination. 2000;131(1&ndash;3):75&ndash;86.</li>       <li>Portal Saneamento B&aacute;sico [Internet]. Desperd&iacute;cio de &aacute;gua no planeta &ndash; Causas e Consequ&ecirc;ncias; c2017 [citado 2020 Abr 20]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.saneamentobasico.com.br/desperdicio-de-agua-no-planeta/"target="_blank">https://www.saneamentobasico.com.br/desperdicio-de-agua-no-planeta/</a>.</li>       <li>Borba ALS, Costa MR, Lima FB (Pesquisadores em Geoci&ecirc;ncias da CPRM &ndash; Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais). A prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas: recurso natural limitado. 2018.</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>&Aacute;guas de Portugal. Atitudes e Comportamentos dos Portugueses face &agrave; &Aacute;gua &ndash; Relat&oacute;rio Quali-Quantitativo. 2018.</li>       <li>Harmon AH, Gerald BL. Position of the American Dietetic Association: food and nutrition professionals can implement practices to conserve natural resources and support ecological sustainability. Journal of American Dietetic Association. 2007;107(6):1033&ndash;43.</li>       <li>PORDATA [Internet]. Lisboa: Valor acrescentado bruto: total e por setor de atividade econ&oacute;mico. 2019 [citado 2020 Abr 21]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pordata.pt/Europa/"target="_blank">https://www.pordata.pt/Europa/</a>. </li>     </ol>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Catarina da Silva Gon&ccedil;alo</p>     <p>Instituto Universit&aacute;rio de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Cooperativa do Ensino Superior Polit&eacute;cnico Universit&aacute;rio</p>     <p>Rua Central de Gandra, n. 1317, 4585-116 Gandra, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="mailto:catarinasgoncalo@gmail.com ">catarinasgoncalo@gmail.com </a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 27 de junho de 2020</p>     <p>Aceite a 15 de setembro de 2020</p>      ]]></body><back>
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<collab>Nações Unidas - ONU Portugal</collab>
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