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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.jpg.2014.06.004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Abcesso hepático amebiano em idade pediátrica: um caminho do intestino ao fígado]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Amebic liver abscess in pediatrics: a path from the intestine to the liver]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital Garcia de Orta Serviço de Pediatria ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hepatic amebic abscess is a rare disease in developed countries, but is important to consider such diagnosis in children with an hepatic lesion, fever and abdominal pain, although he/she has never been in an endemic country. It’s important to identify the source of contamination. We describe a case of a child with fever, abdominal pain, hepatomegaly with increased abdominal volume. The imagiology showed a solitary abscess in the left hepatic lobe and serology was positive to Entamoeba histolytica. Treatment consisted in metronidazole, paromomycin and percutaneous drainage.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align=right style='margin-left:35.4pt;text-align:right;text-indent:-35.4pt'><b>CASO CLÍNICO</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abcesso hepático amebiano em idade pediátrica - um caminho do intestino ao fígado</b></p>      <p><b>Amebic liver abscess in pediatrics - a path from the intestine to the liver</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Filipa Carlota Marques<sup>&#8727;</sup>, Bruno Sanches, Andreia Guerreiro, Filipa Nunes e Paula Azeredo</b></p>      <p>Serviço de Pediatria, Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal</p>       <p><sup><a href="#0">*</a></sup><a name=top0></a><b>Autor para correspondência</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O abcesso hepático amebiano é uma entidade rara nos países desenvolvidos, no entanto, é uma patologia a considerar numa criança com uma lesão hepática, febre e dor abdominal, mesmo sem história de viagens a países endémicos. É importante identificar a fonte de contaminação.</p>      <p>Apresentamos o caso de uma criança com febre, dor abdominal e hepatomegalia condicionando aumento do volume abdominal. Imagiologicamente apresentava um abcesso único no lobo hepático esquerdo e serologia positiva para <i>Entamoeba histolytica. </i>Cumpriu terapêutica com metronidazol, paromomicina e realizou drenagem percutânea.</p>      <p><b>Palavras-Chave: </b><i>Entamoeba histolytica</i>; Amebíase extraintestinal; Abcesso hepático</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>Hepatic amebic abscess is a rare disease in developed countries, but is important to consider such diagnosis in children with an hepatic lesion, fever and abdominal pain, although he/she has never been in an endemic country. It’s important to identify the source of contamination.</p>      <p>We describe a case of a child with fever, abdominal pain, hepatomegaly with increased abdominal volume. The imagiology showed a solitary abscess in the left hepatic lobe and serology was positive to <i>Entamoeba histolytica</i>. Treatment consisted in metronidazole, paromomycin and percutaneous drainage.</p>      <p><b>Keywords:</b> Entamoeba histolytica; Extra-intestinal amebiasis; Hepatic abscess</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A amebíase é uma parasitose de distribuição mundial causada pelo protozoário <i>Entamoeba histolytica</i>. Estimam-se cerca de 50 milhões de casos por ano, sendo considerada a /terceira causa de morte (100.000 por ano) por doença parasitária no mundo<sup>1,2</sup>. A sua prevalência varia com o nível de saneamento e é geralmente mais elevada nas regiões tropicais e subtropicais<sup>3</sup>. Em Portugal deixou de ser uma doença de declaração obrigatória a partir de 1999 e os últimos dados publicados, referentes ao período 1992-1996, reportavam uma taxa de incidência mediana de 0,04 casos/milhão de habitantes<sup>4</sup>.</p>      <p>Os humanos parecem ser o único reservatório do parasita e, sendo a transmissão feita apenas por via fecal-oral, a doença poderia ser potencialmente erradicada através de medidas de controlo sanitário<sup>2</sup>.</p>      <p>A infeção ocorre por ingestão do parasita na sua forma quística. No lúmen intestinal os quistos libertam os trofozoítos que podem causar apenas colonização intestinal.</p>      <p>Clinicamente, a amebíase pode manifestar-se sob a forma de colite, doença extraintestinal ou ser assintomática em 90% dos casos<sup>2</sup>. A doença extraintestinal é rara (&lt; 1%) e a sua forma de apresentação mais comum é o abcesso hepático<sup>5,6</sup>. O abcesso hepático amebiano (AHA) é mais frequente em adultos do sexo masculino. Apesar de raro na idade pediátrica, está descrito em recém-nascidos e tem uma distribuição de género equitativa<sup>1,3,5</sup>. O AHA resulta da disseminação hematogénica dos trofozoítos através da veia porta. Localiza-se preferencialmente no lobo direito do fígado, uma vez que este recebe a maioria da drenagem sanguínea do cego e do cólon ascendente<sup>2</sup>. No seu conteúdo encontram-se fragmentos proteicos acelulares, tipo «pasta de anchovas», que correspondem a hepatócitos destruídos pelos trofozoítos<sup>7,8</sup>.</p>      <p>As manifestações clínicas do AHA (febre, dor abdominal, anorexia e mal-estar geral) são inespecíficas e podem apresentar-se de forma aguda ou insidiosa<sup>3</sup>.</p>      <p>Descrevemos um caso clínico de AHA em idade pediátrica. Este caso tem interesse pela raridade com que ocorre nas crianças do nosso país e alerta para a necessidade de incluir a etiologia amebiana no diagnóstico diferencial de quadros clínicos caracterizados por febre prolongada, dor abdominal e lesão hepática focal.</p>      <p><b>Caso clínico</b></p>      <p>Criança de 24 meses, sexo masculino, raça negra, saudável, natural de Almada, onde sempre residiu. Vive em habitação com saneamento básico e um poço (água usada para regar horta). Os pais são de origem africana e residem em Portugal há 10 anos.</p>      <p>Inicia 10 dias antes do internamento, de forma súbita febre alta com calafrio acompanhada de dor no hipocôndrio direito e aumento progressivo do volume abdominal. Encontrava-se prostrado, com sensação de doença, temperatura axilar 39 &#9702;C, pálido, bem perfundido. Tensão arterial 85/40 mmHg. Frequência cardíaca de 120 bpm. Frequência respiratória de 40 cpm, com respiração superficial e gemido expiratório. Saturação transcutânea de O2 de 98% em ar ambiente. Murmúrio vesicular mantido bilateralmente, sem ruídos adventícios. Abdómen (<a href="#f1">fig. 1</a>) muito distendido, sob tensão, por hepatomegalia dolorosa (bordo hepático palpável 8 cm abaixo do rebordo costal direito). A avaliação laboratorial revelou hemoglobina 6,2 g/dL, leucócitos 27.600/uL (57% neutrófilos, 0% eosinófilos), proteína C reativa 32 mg/dL, AST 71 UI/L (VR: &lt; 38 UI/L), albumina 2,2 g/dL (VR: 3,5-5 g/dL), coagulação, ALT, fosfatase alcalina e bilirrubina total normais. A ecografia abdominal evidenciou «lesão hepática única, localizada no lobo esquerdo, com área central hipoecogénica, pouco vascularizada». A tomografia computorizada (<a href="#f2">figs. 2</a> e <a href="#f3">3</a>) mostrou «lesão de densidade heterogénea com cerca de 9,5x8x6,2cm, bemdelimitada e capsulada (abcesso/quisto complexo infetado)». Foi colocada a hipótese diagnóstica de abcesso hepático, pelo que iniciou terapêutica empírica com ceftriaxona (100 mg/kg/dia) e metronidazol (42 mg/kg/dia).</p>       <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/ges/v21n5/21n5a07f1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <a name="f2"> <img src="/img/revistas/ges/v21n5/21n5a07f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f3"> <img src="/img/revistas/ges/v21n5/21n5a07f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>A serologia para <i>E. histolytica </i>(pesquisa de anticorpos do tipo IgG por método de ELISA) foi fortemente positiva.</p>      <p>Perante um AHA do lobo esquerdo, de dimensões superiores a 5 cm foi decidida a realização de drenagem percutânea, com saída de cerca de 400 ml de líquido tipo «pasta de anchovas» (<a href="#f4">fig. 4</a>). Manteve terapêutica com metronidazol durante 10 dias, inicialmente endovenoso e após apirexia (D8 de internamento) passou a oral, seguido de paromomicina oral, 35 mg/kg/dia, 7 dias.</p>       <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/ges/v21n5/21n5a07f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>A pesquisa por «Polymerase Chain Reaction» (PCR) de <i>E. histolytica </i>nas fezes dos contactos foi negativa.</p>      <p><b>Discussão</b></p>      <p>O caso clínico apresentado pretende salientar a importância de se considerar a etiologia amebiana no diagnóstico diferencial de abcesso hepático em crianças, mesmo sem história de viagens a países endémicos. O facto de os contactos não serem portadores sugere uma infeção autóctone. De referir que a deteção de <i>E. histolytica </i>por PCR é o método laboratorial de diagnóstico mais sensível, permitindo também diferenciar entre doença recente ou passada<sup>2</sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O AHA ocorre, em média, 12 semanas após a infeção inicial, mas pode manifestar-se após meses ou anos<sup>2</sup>.</p>      <p>Como relatado no caso, na criança, as manifestações clínicas mais frequentes do AHA são febre alta com calafrio, dor no hipocôndrio direito, tosse e hepatomegalia, habitualmente com menos de 10 dias de evoluc¸ão<sup>3,5,9</sup>. A diarreia é concomitante em menos de 1/3 dos casos, apesar de poder ocorrer nos meses anteriores ao diagnóstico<sup>9</sup>. A icterícia é rara na criança e, quando ocorre, é maioritariamente de causa obstrutiva<sup>3,9</sup>. Ocasionalmente, a apresentação da doença é mais insidiosa e o diagnóstico tardio.</p>      <p>Analiticamente, tal como descrito na literatura<sup>2,3,9</sup>, constatou-se anemia, leucocitose revelando-se a ausência de eosinofilia, aumento da proteína C reativa e AST/ALT. Contrariamente ao descrito, não se verificou aumento da fosfatase alcalina.</p>      <p>A ecografia foi utilizada como exame imagiológico de 1.a linha<sup>3,6 </sup>e detetou uma lesão hepática isolada no lobo esquerdo. O estudo por doppler revelou uma lesão pouco vascularizada, favorecendo a hipótese de quisto. A cintigrafia com gálio poderia complementar a investigação diagnóstica, uma vez que os abcessos amebianos são «frios» enquanto os piogénicos são «quentes»<sup>9</sup>. Contudo, nenhum exame de imagem é definitivo em excluir um abcesso piogénico ou doença maligna<sup>9</sup>.</p>      <p>Perante o diagnóstico imagiológico de abcesso/quisto, foram formuladas as hipóteses diagnósticas de abcesso piogénico (80% dos abcessos hepáticos nas crianças, causados por <i>Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Klebsiella</i>, <i>Enterobacter</i> e aneróbios<sup>7</sup>), AHA, quisto hidático infetado, hematoma infetado e hepatoma necrótico<sup>5</sup>.</p>      <p>O teste serológico para deteção de <i>E. histolytica </i>usado neste caso clínico tem sensibilidade de 100% e especificidade de 95,6%<sup>2</sup>. Os anticorpos são detetáveis na fase inicial da doença em 92-97% dos doentes<sup>9</sup>, mas podem ser negativos nos primeiros 7 dias<sup>2</sup>. Contudo, em áreas endémicas este teste é limitado, pois não permite a distinção entre infeção recente ou passada<sup>9</sup>.</p>      <p>A abordagem terapêutica do AHA deve incluir um agente amebicida tecidular seguido de um amebicida com ação intraluminal. O agente tecidular mais frequentemente usado é o metronidazol<sup>5</sup>, na dose 35-50 mg/kg/dia (máximo 750 mg, 3 x dia), durante 7-10 dias. Este fármaco é eficaz, não tem efeitos secundários graves e a maioria dos doentes apresenta melhoria clínica após 72 horas de terapêutica<sup>1</sup>. A formulação oral é bem absorvida, logo não permanece tempo suficiente no lúmen intestinal para erradicar a amebíase intestinal. Não há registo de resistência dos trofozoítos. A terapêutica utilizada foi o metronidazol, inicialmente endovenoso e após melhoria clínica oral, permitindo a continuidade do tratamento em ambulatório. Em alternativa, pode ser usado o tinidazol oral 50-60 mg/kg/dia (máximo 2 g), 1 x dia, 3-5 dias<sup>1,5</sup>. O tinidazol tem a mesma eficácia e posologia mais simples (1 x dia)<sup>6</sup>.</p>      <p>A infeção intraluminal é tratada, posteriormente, com paromomicina (fármaco não comercializado em Portugal) na dose 25-35 mg/kg/dia oral, 3 x dia, durante 7 dias<sup>6</sup>. A paromomicina é umaminoglicosídeo não absorvido no tubo digestivo e, por isso, com atividade intraluminal contra os quistos e trofozoítos1. Não deve ser administrado juntamente com metronidazol ou tinidazol porque a diarreia é um efeito secundário frequente<sup>6</sup>.</p>      <p>Embora o tratamento médico possa ser eficaz, a drenagem percutânea guiada por ecografia é uma parte importante do algoritmo terapêutico. Os critérios de drenagem são a ausência de resposta após 3-7 dias de terapêutica médica, risco de rotura (tamanho &gt; 5 cm e localização superficial) ou para exclusão de outro diagnóstico<sup>1,3,5,6</sup>. No doente apresentado foi realizada drenagem pois o AHA tinha mais de 5 cm e uma localização superficial no lobo esquerdo.</p>      <p>O AHA pode romper para a cavidade peritoneal, pleural ou pericárdica<sup>2,7-9</sup>. Como descrito anteriormente, as lesões do lobo esquerdo são cerca de 6 vezes menos frequentes que as do lobo direito e têm maior risco de romper para o pericárdio<sup>2</sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os abcessos não complicados têm uma taxa de mortalidade inferior a 1% se diagnosticados e tratados precocemente<sup>2</sup>. São marcadores de mau prognóstico bilirrubina &gt; 3,5 mg/dl, albumina sérica &lt; 2 g/dL, abcessos múltiplos ou de grandes dimensões e encefalopatia hepática<sup>9</sup>. Quando ocorrem complicações a mortalidade aumenta para 20%<sup>9</sup>. A amebíase parece conferir algum grau de imunidade<sup>9</sup>.</p>      <p>As lesões tratadas tornam-se anecoicas, calcificadas ou podem persistir como lesões quísticas. A resolução radiológica completa ocorre em 2 anos<sup>9</sup>.</p>      <p>O AHA é uma entidade rara nos países desenvolvidos, contudo, é uma etiologia possível numa criança saudável com uma lesão hepática, febre e dor abdominal3. A história epidemiológica deve ser investigada detalhadamente de forma a identificar a fonte de contaminação e tratar os portadores assintomáticos de <i>E. histolytica</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Referências</b></p>      <!-- ref --><p>1. Hamano S, Petri Jr W. Amebiasis. In: Cherry J, editor. Feigin and Cherry’s Textbook of Pediatric Infectious Diseases. 6 th ed. Philadelphia, PA: Saunders/Elsevier; 2009. p. 2841-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S2341-4545201400050000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. Fotedar R, Stark D, Beebe N, Marriot D, Ellis J, Harkness J. Laboratory diagnostic techniques for <i>Entamoeba </i>species. Clin Microbiol Rev. 2007;20:511-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S2341-4545201400050000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>3. Khotaii Gh, Hadipoor Z, Hadipoor F. Amebic liver abscess in Iranian children. Acta Medica Iranica. 2003;41(1):33-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S2341-4545201400050000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. Pina, António Paula Brito, 1998 (consultado 2011). Disponível em: <a href="http://www.saudepublica.web.pt/04-PrevencaoDoenca/DTDOmanual/ameb.html" target="_blank">http://www.saudepublica.web.pt/04-PrevencaoDoenca/DTDOmanual/ameb.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S2341-4545201400050000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Haque R, Huston C, Hughes M, Houpt E, Petri W. Current concepts: Amebiasis. N Engl J Med. 2003;348:1565-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S2341-4545201400050000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Kliegman MD R, Stanton MD B, Geme J, Schor N, Behrman R. Nelson Textbook of Pediatrics. 2011, 19<sup>a</sup> Edição.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S2341-4545201400050000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Mishra K, Basu S, Roychoudhury S, Kumar P. Liver abscess in children: An overview. World J Pediatr. 2010;6(3):210-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S2341-4545201400050000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Perez J. Amoebic liver abscess: Revisited. Phil J Gastroenterol. 2006;2:11-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S2341-4545201400050000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>9. Leder K, Weller P. Extraintestinal Entamoeba histolytica amebiasis. In: UpToDate 19.1. Janeiro 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S2341-4545201400050000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a name=0></a><sup><a href="#top0">*</a></sup><b>Autor para correspondência</b></p>      <p>Correio eletrónico: <a href="mailto:filipacmarques@sapo.pt">filipacmarques@sapo.pt</a> (F.C. Marques).</p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>Responsabilidades éticas</b></p>      <p><b>Proteção de pessoas e animais. </b>Os autores declaram que para esta investigação não se realizaram experiências em seres humanos e/ou animais.</p>      <p><b>Confidencialidade dos dados. </b>Os autores declaram ter seguido os protocolos do seu centro de trabalho acerca da publicação dos dados de pacientes.</p>      <p><b>Direito à privacidade e consentimento escrito. </b>Os autores declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes e/ ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspondência deve estar na posse deste documento.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conflito de interesses</b></p>      <p>Os autores declaram não haver conflito de interesses.</p>        <p>&nbsp;</p>      <p>Recebido a 28 de outubro de 2013; aceite a 3 de junho de 2014</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Agradecimentos</b></p>      <p>Dra. Cláudia Júlio do Laboratório Nacional de Referência de Infecções Gastrointestinais para Giardia sp., Cryptosporidium sp. e E. Histolytica, Departamento de Doenças Infecciosas Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.</p>      <p>Prof. Doutor Jorge Atouguia, Unidade de Ensino e Investigação de Clínica das Doenças Tropicais, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa.</p>      <p>Dra. Margarida Cosme, Coordenadora da Unidade de Saúde Pública, ACES Seixal-Sesimbra.</p>        ]]></body><back>
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