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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Incapacidade Funcional e Ambiente Suburbano: Proposta de Tipologia para uma Relação Difícil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: In this article, the unequal distribution of individuals with functional disabilities linked to hearing, vision, and walking in the suburban area of Lisbon was studied. Methods: The relationship between variables and territorial units resulted in a typology that helps differentiate these territories and, finally, allowed the creation of a map of the suburbs that correlates episodes of functional disability and urbanism in the troubled areas. Results: From the 40 variables collected, only 8 were able to describe the reality of the 26 parishes that present a risk rate well above the average concentration of people with functional difficulties. These parishes are asymmetrically distributed: 10 in the north and 16 in the south of the metropolitan area. The methodology of cluster analysis allowed differentiating these parishes into 4 different types: polarizer and aging; disqualified and residential; old and rural; less accessible and diverse. Conclusion: We consider that the results obtained from the developed research may contribute to further the knowledge of the effects of urbanism as a factor in promoting or inhibiting the integration of people with functional disabilities, and thus in the design of more appropriate, effective but also differentiated urban policies aimed at the social and urban inclusion of these individuals.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>REVIEW ARTICLE</b></p>     <p><b>Incapacidade Funcional e Ambiente Suburbano: Proposta de Tipologia para uma Rela&ccedil;&atilde;o Dif&iacute;cil</b></p>     <p><b>Functional Disabilities and Suburban Environment: Proposal of a Typology for a Difficult Relationship</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jorge Manuel Gon&ccedil;alves<sup>a</sup>&nbsp; Marta Castilho Gomes<sup>a</sup>&nbsp;Luís Carvalho<sup>b</sup>&nbsp;Sofia Ezequiel<sup>a</sup></b></p>     <p><sub>a</sub> CERIS &ndash; Investiga&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o em Engenharia Civil para a Sustentabilidade, Instituto Superior T&eacute;cnico, Universidade de Lisboa, Lisbon, Portugal</p>     <p><sub>b</sub> CIAUD &ndash; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arquitetura, Urbanismo e Design, Faculdade de Arquitetura, Universidade de Lisboa, Lisbon, Portugal </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o: Pretendeu-se conhecer a desigual distribui&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos que apresentam incapacidades funcionais ligadas &agrave; audi&ccedil;&atilde;o, &agrave; vis&atilde;o e ao andar no espa&ccedil;o suburbano de Lisboa. - M&eacute;todos: A articula&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis e unidades territoriais resultou numa tipologia que ajuda a diferenciar estes territ&oacute;rios e, finalmente, permitiu a cria&ccedil;&atilde;o de uma cartografia suburbana que relaciona, nas &aacute;reas mais problem&aacute;ticas, epis&oacute;dios de incapacidade funcional e urbanismo. - Resultados: Das 40 vari&aacute;veis recolhidas verificou-se que com apenas oito foi poss&iacute;vel descrever a realidade das 26 freguesias que apresentam uma taxa de risco bastante acima da m&eacute;dia na concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas com dificuldades funcionais. Estas freguesias est&atilde;o assimetricamente distribu&iacute;das: 10 no norte e 16 no sul da &Aacute;rea Metropolitana. A aplica&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise de clusters permitiu diferenciar estas freguesias em quatro tipos distintos: polarizador e envelhecido; desqualificado e residencial; antigo e rural; pouco acess&iacute;vel e diverso. - Conclus&atilde;o: Considera-se que os resultados obtidos a partir da investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida contribuem para o refor&ccedil;o do conhecimento do efeito acelerador ou inibidor do urbanismo na integra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es com incapacidades funcionais e para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas urbanas mais adequadas, eficazes mas tamb&eacute;m diferenciadas, visando a inclus&atilde;o sociourbana destes indiv&iacute;duos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Sub&uacute;rbios, Incapacidade funcional, Urbanismo, Planeamento urbano</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Introduction: In this article, the unequal distribution of individuals with functional disabilities linked to hearing, vision, and walking in the suburban area of Lisbon was studied. Methods: The relationship between variables and territorial units resulted in a typology that helps differentiate these territories and, finally, allowed the creation of a map of the suburbs that correlates episodes of&nbsp;functional disability and urbanism in the troubled areas. Results: From the 40 variables collected, only 8 were able to describe the reality of the 26 parishes that present a risk rate well above the average concentration of people with functional difficulties. These parishes are asymmetrically distributed: 10 in the north and 16 in the south of the metropolitan area. The methodology of cluster analysis allowed differentiating these parishes into 4 different types: polarizer and aging; disqualified and residential; old and rural; less accessible and diverse. Conclusion: We consider that the results obtained from the developed research may contribute to further the knowledge of the effects of urbanism as a factor in promoting or inhibiting the integration of people with functional disabilities, and thus in the design of more appropriate, effective but also differentiated urban policies aimed at the social and urban inclusion of these individuals.</p>     <p><b>Keywords:</b> Suburbs, Functional disabilities, Urbanism, Urban planning</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O mundo assiste a uma transi&ccedil;&atilde;o profunda que se desenvolve a partir das mudan&ccedil;as urbanas e demogr&aacute;ficas. Dada a sua relev&acirc;ncia podemos falar mesmo de duas transi&ccedil;&otilde;es que concorrem para a grande transforma&ccedil;&atilde;o do planeta habitado <sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>: Em 2050, por via da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, os indiv&iacute;duos com mais de 60 anos podem chegar aos dois mil milh&otilde;es estando em cerca de 80% dos casos em pa&iacute;ses desenvolvidos <sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>; por outro lado, a transi&ccedil;&atilde;o urbana est&aacute; refletida no facto de que a partir de 2007 mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o do planeta passou a viver em cidades sendo que essa tend&ecirc;ncia continua muito clara sobretudo em pa&iacute;ses em desenvolvimento [<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, <sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>].</p>     <p>A conjuga&ccedil;&atilde;o de um mundo urbano com um mundo mais idoso acarreta novas preocupa&ccedil;&otilde;es quer com os indiv&iacute;duos quer com os ambientes de vida quotidiana onde se movem [<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> - <sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> ].</p>     <p>Steels <sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> revelou recentemente a exist&ecirc;ncia de uma ampla investiga&ccedil;&atilde;o feita j&aacute; neste s&eacute;culo sobre estes dom&iacute;nios, sistematizando os principais modelos e quadros de an&aacute;lise constru&iacute;dos reveladores da riqueza das abordagens produzidas. A vasta revis&atilde;o da literatura que levou a efeito culminou na identifica&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas-chave que uma cidade ou comunidade age-friendly deveriam evidenciar, designadamente, a coopera&ccedil;&atilde;o entre stakeholders , a inclus&atilde;o de pessoas idosas, ou o empenho dos decisores politicos, entre outras.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Algumas cidades s&atilde;o estruturalmente mais adequadas para indiv&iacute;duos que v&atilde;o revelando uma progressiva diminui&ccedil;&atilde;o das suas capacidades funcionais mas, tanto nesse caso como nas que exigem uma urgente requalifica&ccedil;&atilde;o urbana, as interven&ccedil;&otilde;es urbanas necess&aacute;rias acabam por ter de ser m&uacute;ltiplas gerando importantes fatores de tens&atilde;o <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>As preocupa&ccedil;&otilde;es derivadas das incapacidades funcionais ligadas a dificuldades de vis&atilde;o, audi&ccedil;&atilde;o e andar no quotidiano dos cidad&atilde;os que residem em espa&ccedil;os urbanizados justificam-se quer pelas limita&ccedil;&otilde;es que podem significar para a vida dos indiv&iacute;duos <sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> quer pelo que podem representar em termos de qualidade da cidade que estamos a considerar.</p>     <p>O International Transport Forum (ITF) <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> sublinha a todo o momento a relev&acirc;ncia da pedonalidade e sobretudo do seu exerc&iacute;cio para a condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica dos indiv&iacute;duos, para a sua socializa&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o social e para a sua autonomia funcional. Numa outra perspetiva, a promo&ccedil;&atilde;o deste tipo de mobilidade, que &eacute; gratuita e livre de emiss&otilde;es nocivas para o ambiente, faz diminuir o tr&aacute;fego motorizado, torna as cidades mais amig&aacute;veis e vividas e permite uma partilha de usos mais equilibrada. Contudo, de acordo com o ITF <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> mais de 400 mil pe&otilde;es morrem anualmente no mundo devido a acidentes com viaturas motorizadas. O ITF <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> revela ainda que, apesar da popula&ccedil;&atilde;o com mais de 65 anos ser inferior a 20% do total, &eacute; a que mais se v&ecirc;, em cerca de 50% dos casos, envolvida nestas fatalidades.</p>     <p>Uma das ideias de partida centrais para esta investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; que as incapacidades funcionais dos indiv&iacute;duos foram sobretudo adquiridas ao longo da vida mas, naturalmente, de forma mais acelerada a partir de idades mais avan&ccedil;adas. Todavia, esta pesquisa centrou-se nos indiv&iacute;duos com incapacidades funcionais independentemente da sua idade e at&eacute; da possibilidade da incapacidade indicada ser apenas tempor&aacute;ria. Uma segunda ideia liga-se ao facto de n&atilde;o se considerar, neste caso, o contexto como respons&aacute;vel pelo aprofundamento daquelas incapacidades, mas sim pelo alastramento das suas consequ&ecirc;ncias na qualidade de vida dos indiv&iacute;duos. &Eacute; tamb&eacute;m claro que estas determinantes individuais conjugadas com determinantes contextuais desfavor&aacute;veis n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m impacto na vida quotidiana, gerando mais inc&oacute;modos e limita&ccedil;&otilde;es, como poder&atilde;o vir a afetar a sa&uacute;de do indiv&iacute;duo atrav&eacute;s da &ldquo;falta de controlo, baixa autoestima, stress, isolamento social, ansiedade e solid&atilde;o&rdquo; <sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Todavia, a aferi&ccedil;&atilde;o da qualidade do contexto n&atilde;o passa, neste caso concreto, pela considera&ccedil;&atilde;o do modelo de amplifica&ccedil;&atilde;o da priva&ccedil;&atilde;o dos lugares enunciado por Macintyre et al. <sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> que se caracteriza por uma desqualifica&ccedil;&atilde;o do contexto urbano, ambiental e social. Ali&aacute;s, Nogueira <sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> deixa bem claro que a tend&ecirc;ncia &eacute; generalizada ou, como afirma, &ldquo;h&aacute; um c&iacute;rculo vicioso de degrada&ccedil;&atilde;o dos lugares que amplifica a vulnerabilidade individual, no qual a priva&ccedil;&atilde;o tem um papel-chave.&rdquo; Na mesma linha parecem seguir o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvido por Ribeiro et al. [<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> , <sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> ] onde se aponta para uma tend&ecirc;ncia de melhoria da condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica dos indiv&iacute;duos, designadamente dos idosos, em contextos urbanos mais qualificados ou, de forma mais precisa, quando estes oferecem parques e espa&ccedil;os de lazer de proximidade. A consequ&ecirc;ncia mais &oacute;bvia destas condi&ccedil;&otilde;es urbanas &eacute; a de permitir o adiamento das limita&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas que tendencialmente surgem em pessoas de idade mais avan&ccedil;ada.</p>     <p>Esta desigualdade metropolitana, que se desdobra em muitos outros dom&iacute;nios, n&atilde;o poderia deixar de se fazer sentir na sa&uacute;de dos seus residentes <sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>: por um lado, impondo problemas aos seus utilizadores mais frequentes pelas condi&ccedil;&otilde;es ambientais, sociais e urbanas que lhes proporciona <sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>; por outro lado, e &eacute; nesta perspetiva que nos situamos, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas pr&eacute;-sentidas pelos seus residentes, isto &eacute;, agravando-as no caso de m&aacute; qualidade ou atenuando-as no caso de espa&ccedil;os qualificados <sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>A adequa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano &agrave; multiplicidade dos seus utilizadores deriva muito dos princ&iacute;pios que presidiram &agrave; sua concep&ccedil;&atilde;o. Como afirma Gon&ccedil;alves et al. <sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>:</p>     <p>O espa&ccedil;o metropolitano de Lisboa registou ciclos de expans&atilde;o-retra&ccedil;&atilde;o quase sempre comandados pela forma como a capital foi reagindo ao quadro econ&oacute;mico e financeiro internacional e nacional. Os ciclos de expans&atilde;o e de retra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se materializam sempre do mesmo modo. No caso dos primeiros &eacute; poss&iacute;vel encontrar-se desde a habita&ccedil;&atilde;o coletiva e unifamiliar de g&eacute;nese clandestina at&eacute; a muitos outros formatos de constru&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o urbano bastante mais qualificados; no caso do segundo os mais &oacute;bvios relacionam-se com um grande universo de devolutos, vazios urbanos, espa&ccedil;os degradados, por exemplo.</p>     <p>Entre uns e outros &eacute; f&aacute;cil perceber como o quadro de vida dos utilizadores das cidades pode ser afetado em especial se registarem um determinado grau de incapacidade funcional <sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>Para al&eacute;m destes aspetos importa ainda referir um outro com o qual este tema se relaciona de forma muito intensa: o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o. Com efeito, a parte da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida passada sem incapacidade funcional foi medida em Portugal para os anos de 1995/1996 [<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> , <sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> ] em apenas 44% para as mulheres e 57% para os homens, com idades compreendidas entre os 65 e os 69 anos. No caso da popula&ccedil;&atilde;o com 85 e mais anos essa percentagem da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida atravessada sem limita&ccedil;&otilde;es reduzia-se para 19% nas mulheres e 28% nos homens.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta realidade portuguesa, onde um pouco mais de metade das mulheres e um pouco menos de metade dos homens com idades entre os 65 e os 69 anos de idade j&aacute; revelavam alguma incapacidade funcional continua, j&aacute; em pleno s&eacute;culo XXI, a revelar-se preocupante e a justificar uma cuidada aten&ccedil;&atilde;o. Com efeito, em 2014 e em m&eacute;dia as mulheres portuguesas passam 55,4 anos de vida saud&aacute;veis e os homens 59,8 anos. Dez anos antes, 2004, essas idades eram de 52,4 e 55,4 anos, respetivamente. Apesar de se pressentir uma evolu&ccedil;&atilde;o lenta, mas positiva no sentido de um envelhecimento mais saud&aacute;vel, Portugal ainda est&aacute; muito distante, por exemplo, dos 74,3 anos (mulheres) e 72,3 anos (homens) de vida saud&aacute;vel registados em 2014 pela popula&ccedil;&atilde;o de Malta <sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Sendo um processo generalizado nas sociedades ocidentais o envelhecimento &eacute; especialmente claro na realidade portuguesa. Com efeito, as estimativas do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) apontam para 2.111.822 indiv&iacute;duos em Portugal com 65 e mais anos em 2015. O peso deste grupo no conjunto da popula&ccedil;&atilde;o residente no pa&iacute;s era, assim, de 21,2%. A compara&ccedil;&atilde;o com o in&iacute;cio deste s&eacute;culo (2001) d&aacute;-nos a possibilidade de avaliarmos o ritmo a que se tem processado a evolu&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o. Nessa altura eram 1.705.274 os idosos recenseados pelo INE representando 16,5% dos habitantes no pa&iacute;s.</p>     <p>Este processo de envelhecimento que atinge hoje um quinto da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute;, portanto, a sofrer um agravamento acelerado independentemente da perspetiva adoptada. Por exemplo, se se utilizar agora o &iacute;ndice de envelhecimento (pop. &gt;64 anos/pop. &lt;15 anos) para Portugal, verifica-se que se em 2001 a rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia era de 101,6 idosos por cada 100 jovens, em 2015 esse valor passou para 148,3.</p>     <p>Se agora se atentar no caso concreto da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa a realidade &eacute; muito pr&oacute;xima em 2015 da situa&ccedil;&atilde;o nacional. Os 587.299 indiv&iacute;duos com 65 e mais anos correspondiam, neste ano, a uma propor&ccedil;&atilde;o no universo demogr&aacute;fico metropolitano de 20.9%. Em 2001 essa rela&ccedil;&atilde;o era apenas de 15,5%. Por outras palavras, nesta d&eacute;cada e meia a AML passou de uma situa&ccedil;&atilde;o mais favor&aacute;vel para outra em que o envelhecimento se tornou ainda mais grave que o que se verifica no pa&iacute;s, atrav&eacute;s de uma transi&ccedil;&atilde;o muito r&aacute;pida.</p>     <p>Quando se analisa o &iacute;ndice de envelhecimento a situa&ccedil;&atilde;o em 2015 &eacute; mais favor&aacute;vel mas continua a ser muito convergente com a realidade nacional (131 idosos por cada 100 jovens), quando em 2001 essa rela&ccedil;&atilde;o era apenas de 102.</p>     <p>Assim, o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; muito articulado com a multiplica&ccedil;&atilde;o dos casos de incapacidade funcional, continua em expans&atilde;o no pa&iacute;s e na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa, confirmando a oportunidade que esta investiga&ccedil;&atilde;o pode trazer para um maior conhecimento da sua rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>Uma &uacute;ltima constata&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m &uacute;til para a compreens&atilde;o da pesquisa aqui desenvolvida, relaciona-se com o fato de na pesquisa bibliogr&aacute;fica n&atilde;o se ter encontrado material cient&iacute;fico relevante debru&ccedil;ado sobre este t&oacute;pico da incapacidade funcional na sua articula&ccedil;&atilde;o com as caracter&iacute;sticas dos contextos arquitet&oacute;nico e urban&iacute;&shy;stico.</p>     <p>Pretende-se, assim, refletir sobre a desigual distribui&ccedil;&atilde;o, no espa&ccedil;o suburbano de Lisboa, das ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais ligadas &agrave; audi&ccedil;&atilde;o, &agrave; vis&atilde;o e ao andar, demonstrando que as maiores concentra&ccedil;&otilde;es existentes se localizam em quadros urbanos e arquitect&oacute;nicos que ora os agravam, pela aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es adequadas, ora os atenuam pelas raz&otilde;es inversas.</p>     <p>Merece um destaque especial a op&ccedil;&atilde;o pelo estudo da periferia de Lisboa j&aacute; que os trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o e outros de cariz mais t&eacute;cnico realizados na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML) ou se debru&ccedil;am sobre a cidade de Lisboa ou sobre a AML no seu todo ou ainda, eventualmente, sobre algum dos seus concelhos. Neste caso concreto considerou-se a AML sem a cidade de Lisboa por tr&ecirc;s raz&otilde;es essenciais:</p>     <p>(i) Esta pesquisa insere-se numa linha de investiga&ccedil;&atilde;o sobre periferias que pretende trazer um renovado olhar sobre os sub&uacute;rbios da capital portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(ii) Interesse em apontar o foco para um territ&oacute;rio que muito poucas vezes surge de forma aut&oacute;noma e que agora, atendendo ao envelhecimento das estruturas demogr&aacute;ficas, &agrave; fragiliza&ccedil;&atilde;o das estruturas sociais e familiares e ainda &agrave; desqualifica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os urbanos, merece um olhar mais atento.</p>     <p>(iii) A exclus&atilde;o de Lisboa do estudo subtrai quase 20% da popula&ccedil;&atilde;o da AML com condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis de acesso a servi&ccedil;os e equipamentos, permitindo um retrato da realidade mais interessante e objetivo.</p>     <p>Em consequ&ecirc;ncia do objetivo central de conhecer a distribui&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias das incapacidades funcionais na sua rela&ccedil;&atilde;o com o urbanismo surge de imediato um outro, complementar, ligado &agrave; abordagem das implica&ccedil;&otilde;es resultantes, relacionadas com a necessidade de hierarquizar as interven&ccedil;&otilde;es tendentes &agrave; melhoria do edificado e do espa&ccedil;o p&uacute;blico de modo a dar prioridade &agrave;s &aacute;reas que concentram os maiores problemas <sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Como informa&ccedil;&atilde;o de base recorreu-se aos Censos de 2011 que, no question&aacute;rio dirigido aos indiv&iacute;duos, pretendia averiguar o seu grau de dificuldade di&aacute;rio na realiza&ccedil;&atilde;o de algumas atividades. Os indiv&iacute;duos poderiam referir de acordo com o question&aacute;rio dificuldades em ver, ouvir, andar ou subir degraus, mem&oacute;ria ou de concentra&ccedil;&atilde;o, em tomar banho ou vestir-se sozinho e ainda em compreender os outros ou fazer-se entender. Existindo tr&ecirc;s categorias de resposta poss&iacute;veis neste estudo recorreu-se apenas aos indiv&iacute;duos que manifestavam muita dificuldade ou limita&ccedil;&atilde;o absoluta perante as tr&ecirc;s primeiras incapacidades funcionais referidas atr&aacute;s.</p>     <p>Neste caso concreto foram usadas as vari&aacute;veis que consideram a popula&ccedil;&atilde;o com incapacidade funcional de ouvir, ver e andar mas tamb&eacute;m outras reunidas pela dimens&atilde;o social (popula&ccedil;&atilde;o com mais de 65 anos, popula&ccedil;&atilde;o com mais de 75 anos, qualifica&ccedil;&otilde;es escolares) e pela dimens&atilde;o urban&iacute;stica (edif&iacute;cios quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de elevadores e acesso a cadeiras de rodas, tipo de uso de edif&iacute;cio, idade do edificado e ainda necessidade de repara&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Foram ainda considerados dois indicadores que n&atilde;o resultaram diretamente dos Censos: o &iacute;ndice de atropelamento que utiliza dados do INE para as v&iacute;timas de atropelamento e para o n&uacute;mero total de residentes; e a compacidade do meio urbano que resulta da combina&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de edif&iacute;cios proveniente dos Censos com &aacute;reas urbanas medidas sobre a cartografia de uso do solo do projeto Corine Land Cover 2012.</p>     <p>Estas vari&aacute;veis foram obtidas para as 158 freguesias dos concelhos da AML constituintes do que se designou como periferia de Lisboa, isto &eacute;, de todos os concelhos da AML excluindo o concelho de Lisboa (<a href="#f1">Fig. 1</a> ).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o as principais preocupa&ccedil;&otilde;es referidas para a investiga&ccedil;&atilde;o adoptou-se a proposta metodol&oacute;gica contida em Gon&ccedil;alves et al. <sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, entendendo-se-se que a abordagem deveria ser feita atrav&eacute;s do seu desdobramento em objetivos operacionais:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cruzar os epicentros dos epis&oacute;dios das incapacidades funcionais &ndash; globalmente e desagregadas &ndash; com vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas (popula&ccedil;&atilde;o por grupos et&aacute;rios) e sociais (habilita&ccedil;&otilde;es escolares).</p>     <p>Mapear a informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave;s caracter&iacute;sticas dos edif&iacute;cios e do espa&ccedil;o urbano que sejam relevantes. Neste contexto surgem as vari&aacute;veis relativas aos edif&iacute;cios sem elevador e com dificuldades de acesso em cadeira de rodas; para os segundos considerou-se pertinente utilizar a informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; presen&ccedil;a da fun&ccedil;&atilde;o residencial no edif&iacute;cio, idade do edificado e &agrave;s necessidades de repara&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A an&aacute;lise das vari&aacute;veis recolhidas foi efetuada em dois passos. Num primeiro, a an&aacute;lise concentrou-se nas 158 freguesias recolhendo a informa&ccedil;&atilde;o constante da <a href="#t1">tabela 1</a> .</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para a caracteriza&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o espacial destas vari&aacute;veis na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (sem Lisboa), apuraram-se medidas de s&iacute;ntese para cada uma; determinou-se a matriz de correla&ccedil;&atilde;o (que mede o grau de associa&ccedil;&atilde;o linear entre pares de vari&aacute;veis &ndash; an&aacute;lise bivariada); e fez-se uma an&aacute;lise factorial de componentes principais &ndash; ACP, recorrendo ao pacote de software Statistica &reg; version12. Para o c&aacute;lculo da matriz de correla&ccedil;&atilde;o e a ACP analisaram-se as 158 freguesias mas utilizaram-se apenas 34 vari&aacute;veis, por terem sido exclu&iacute;das as seis vari&aacute;veis expressas em n&uacute;mero absoluto dado que n&atilde;o permitem compara&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Observados os resultados do primeiro passo da metodologia o segundo compreendeu as seguintes etapas:</p>     <p>As 12 vari&aacute;veis iniciais relativas a incapacidades, que j&aacute; tinham sido reduzidas a seis para a an&aacute;lise de correla&ccedil;&atilde;o e ACP, foram agora reduzidas a uma (cf. o passo seguinte). Resultaram assim, para a segunda fase da metodologia, 29 vari&aacute;veis no total.</p>     <p>Foi determinado o quociente entre a soma dos tr&ecirc;s tipos de incapacidade (dificuldade em ver, ouvir ou andar) e o triplo da popula&ccedil;&atilde;o residente (que corresponde ao potencial m&aacute;ximo de ocorr&ecirc;ncia de incapacidades funcionais em cada freguesia) exprimindo, assim, a intensidade dos epis&oacute;dios de incapacidade funcional por freguesia.</p>     <p>De seguida procedeu-se &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das freguesias onde se verifica uma maior concentra&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais. Para tal, foi feita uma an&aacute;lise relacionando o valor da percentagem de epis&oacute;dios de incapacidades em cada freguesia com o valor m&eacute;dio e o desvio padr&atilde;o das 158 freguesias consideradas. Com base nesta an&aacute;lise encontraram-se as freguesias cuja intensidade de epis&oacute;dios de incapacidades funcionais estava acima do valor da m&eacute;dia mais um desvio padr&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isolando estas freguesias, ou seja as que registam maior incid&ecirc;ncia de incapacidades na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (sem Lisboa), foi poss&iacute;vel submet&ecirc;-las a uma segunda ACP com o objetivo de identificar, de entre as 29 vari&aacute;veis agora consideradas, quais aquelas que melhor caracterizam estas freguesias. Assim, aplicou-se a ACP com extra&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero vari&aacute;vel de componentes e analisaram-se as matrizes dos pesos fatoriais resultantes, com vista &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o desta informa&ccedil;&atilde;o para a an&aacute;lise de clusters. Concluiu-se que a extra&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s componentes foi a que resultou num melhor equil&iacute;brio entre a percentagem de vari&acirc;ncia explicada e um valor significativo dos pesos fatoriais.</p>     <p>O &uacute;ltimo passo deste processo foi a realiza&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise de clusters, aplicada &agrave;s freguesias selecionadas devido ao maior peso dos epis&oacute;dios de incapacidades, com base nas vari&aacute;veis selecionadas no passo anterior. Esta an&aacute;lise permitiu definir tipologias de &aacute;reas/freguesias de acordo com as caracter&iacute;sticas dos indiv&iacute;duos e do meio urbano, relacionadas com as suas incapacidades.</p>     <p>Dos resultados obtidos na primeira fase da metodologia destacam-se as diferen&ccedil;as observadas entre a m&eacute;dia das vari&aacute;veis das percentagens da popula&ccedil;&atilde;o com muita dificuldade em ver, em ouvir ou em andar e a das vari&aacute;veis das percentagens da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o v&ecirc;, n&atilde;o ouve ou n&atilde;o anda (adiante designadas por incapacidades absolutas), para o conjunto das 158 freguesias estudadas. Enquanto a m&eacute;dia das primeiras vari&aacute;veis est&aacute; compreendida entre 4 e 7% da popula&ccedil;&atilde;o da freguesia, a m&eacute;dia das segundas situa-se entre 0,3 e 0,8% da popula&ccedil;&atilde;o. Relativamente &agrave; associa&ccedil;&atilde;o com as restantes vari&aacute;veis (considerando como n&iacute;vel de signific&acirc;ncia p &lt; 0,001), o comportamento do grupo de vari&aacute;veis ligado &agrave;s dificuldades funcionais e o do grupo de vari&aacute;veis das incapacidades absolutas &eacute; bastante diferente. Em s&iacute;ntese, observou-se que:</p>     <p>As vari&aacute;veis da popula&ccedil;&atilde;o com dificuldades apresentam maior correla&ccedil;&atilde;o entre si do que as vari&aacute;veis das incapacidades absolutas (<a href="#t2">tabela 2a</a>). As primeiras est&atilde;o tamb&eacute;m mais correlacionadas com as faixas et&aacute;rias da popula&ccedil;&atilde;o e com o grau de instru&ccedil;&atilde;o do que as segundas (<a href="#t2">tabela 2b</a>). Isto traduz uma concentra&ccedil;&atilde;o mais forte das dificuldades em ver, ouvir e andar na popula&ccedil;&atilde;o mais velha (e menos instru&iacute;da em m&eacute;dia), n&atilde;o se verificando tal concentra&ccedil;&atilde;o com as incapacidades absolutas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A percentagem da popula&ccedil;&atilde;o com muita dificuldade em andar est&aacute; correlacionada com a percentagem de edif&iacute;cios com necessidade de repara&ccedil;&atilde;o ( r = 0,45, p &lt; 0,001), com a percentagem de edif&iacute;cios constru&iacute;dos entre 1919 e 1945 ( r = 0,36, p &lt; 0,001) e com a percentagem de edif&iacute;cios constru&iacute;dos entre 1946 e 1970 ( r = 0,54, p &lt; 0,001). N&atilde;o h&aacute; correla&ccedil;&atilde;o com a percentagem de edif&iacute;cios sem entrada para cadeira de rodas ( r = 0,00, p &lt; 0,001) ou sem elevador ( r = 0,15, p &lt; 0,001) (<a href="#t2">tabela 2b</a>).</p>     <p>A percentagem da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o anda n&atilde;o est&aacute; correlacionada com a percentagem de edif&iacute;cios com necessidade de repara&ccedil;&atilde;o ( r = 0,01, p &lt; 0,001) nem com a percentagem de edif&iacute;cios constru&iacute;dos entre 1946 e 1970 ( r = 0,13, p &lt; 0,001) mas est&aacute; correlacionada com a percentagem de edif&iacute;cios constru&iacute;dos entre 1919 e 1945 ( r = 0,29, p &lt; 0,001). H&aacute; correla&ccedil;&atilde;o com a percentagem de edif&iacute;cios sem entrada para cadeira de rodas ou sem elevador (r = &ndash;0,34 e &ndash;0,28, respetivamente, p &lt; 0,001). Estes valores negativos para a correla&ccedil;&atilde;o significam que em freguesias com maior percentagem de edif&iacute;cios de um ou de outro tipo, a percentagem da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o anda &eacute; menor (<a href="#t2">tabela 2b</a>).</p>     <p>Nas freguesias de constru&ccedil;&atilde;o mais recente h&aacute; um menor peso de pessoas com epis&oacute;dios de incapacidade funcional dada a correla&ccedil;&atilde;o negativa entre a percentagem de edif&iacute;cios constru&iacute;dos entre 1991&ndash;2011 com a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o com muita dificuldade em ver ( r = &ndash;0,47, p &lt; 0,001), em ouvir ( r = &ndash;0,47, p &gt; 0,001) e andar ( r = &ndash;0,51, p &lt; 0,001) (<a href="#t2">tabela 2b</a>).</p>     <p>Estes resultados justificam a op&ccedil;&atilde;o de, na segunda fase da metodologia, concentrar o estudo apenas na popula&ccedil;&atilde;o com dificuldades funcionais em ver, ouvir e andar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados expostos pela <a href="#t2">tabela 2b</a> comprovam que a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o dos 0 aos 14 anos e dos 25 aos 64 anos assim como a percentagem dos indiv&iacute;duos com o ensino secund&aacute;rio revelam uma correla&ccedil;&atilde;o significativa e negativa com todas as vari&aacute;veis relativas aos epis&oacute;dios de incapacidade funcional. De modo inverso, isto &eacute;, correlacionando-se com estes de modo significativo e positivo, surgem a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o dos 65 aos 74 anos, a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o com mais de 75 anos e a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o com apenas o 1&ordm; ciclo de escolaridade.</p>     <p>A ACP permitiu condensar a informa&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis em quatro componentes ortogonais, n&atilde;o relacionados entre si, retendo 65% da vari&acirc;ncia explicada. A componente 1 traduz as dificuldades em ver, ouvir ou andar e a idade da popula&ccedil;&atilde;o; a componente 2 a fun&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios e condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidade; a componente 3 os n&iacute;veis de escolaridade da popula&ccedil;&atilde;o; e a componente 4 a idade dos edif&iacute;cios.</p>     <p>Apresenta-se na <a href="#f2">Figura 2</a> o cartograma que territorializa a intensidade dos epis&oacute;dios de incapacidades funcionais na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O resultado desta an&aacute;lise para o conjunto de 158 freguesias da AML (sem Lisboa) revelou que 23 encontram-se no intervalo abaixo da &ldquo;m&eacute;dia &ndash; desvio padr&atilde;o&rdquo; sendo que 21 se localizam na margem norte e apenas duas na margem sul (<a href="#f2">Fig. 2</a> ).</p>     <p>No outro extremo surgem as freguesias com maior concentra&ccedil;&atilde;o de epis&oacute;dios de dificuldades funcionais, ou seja, as que registam valores acima da &rdquo;m&eacute;dia + desvio padr&atilde;o&rdquo; (24,2%) (<a href="#f2">Fig. 2</a> ). S&atilde;o 26 freguesias sendo que dez se localizam na margem norte e 16 na margem sul da AML, denunciando uma maior concentra&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncias destes casos na AML-Sul.</p>     <p>Assim, numa leitura imediata da <a href="#t3">tabela 3</a> constata-se que quase metade do total das 26 freguesias com maior concentra&ccedil;&atilde;o de epis&oacute;dios de dificuldades funcionais (percentagem superior &agrave; &ldquo;m&eacute;dia + desvio padr&atilde;o&rdquo;) encontram-se em apenas tr&ecirc;s concelhos da margem sul: Barreiro, Montijo e Almada.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04t4.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Hierarquizando as 26 freguesias por ordem decrescente do peso relativo das ocorr&ecirc;ncias de incapacidades verifica-se que:</p>     <p>No conjunto das freguesias consideradas verificam-se quase 47.000 ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais (num total de aproximadamente 174.300 residentes) o que determina uma intensidade a rondar os 9%.</p>     <p>Em cada uma das 14 primeiras freguesias observam-se mais de 1.000 epis&oacute;dios de incapacidades funcionais, informa&ccedil;&atilde;o que consta na <a href="#t5">tabela 5</a> .</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>As nove freguesias com mais epis&oacute;dios com incapacidades funcionais localizam-se todas na margem sul sendo que sete s&atilde;o integrantes de concelhos do Arco Ribeirinho Sul (Almada, Barreiro, Moita e Montijo).</p>     <p>Em duas freguesias &ndash; Baixa da Banheira e Alto do Seixalinho &ndash; ocorrem, em cada uma delas &ndash; mais de 5.000 epis&oacute;dios de incapacidades funcionais.</p>     <p>De notar que nas freguesias do Alto do Seixalinho e de Verderena, hoje formando uma s&oacute; freguesia devido a uma reorganiza&ccedil;&atilde;o administrativa, observam-se quase 8.200 epis&oacute;dios de dificuldades funcionais.</p>     <p>A extra&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s componentes principais, na ACP realizada com as 26 freguesias identificadas no passo anterior, ret&eacute;m 63,2% da vari&acirc;ncia dos dados<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> recomendando-se um limiar m&iacute;nimo de 60% em estudos com vari&aacute;veis de natureza socioecon&oacute;mica. Ap&oacute;s efetuar uma rota&ccedil;&atilde;o varimax normalizada (para melhorar os valores dos pesos factoriais), verifica-se que a componente 1 explica 35,9% da vari&acirc;ncia dos dados, a componente 2 explica 14,9% e a componente 3 explica 12,4% da mesma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em seguida, selecionaram-se oito vari&aacute;veis a partir da matriz dos pesos factoriais para estas tr&ecirc;s componentes: quatro vari&aacute;veis para a componente 1 (por explicar aproximadamente o dobro da vari&acirc;ncia), duas vari&aacute;veis para a componente 2 e duas vari&aacute;veis para a componente 3.</p>     <p>Optou-se por selecionar um conjunto de vari&aacute;veis representativas das 29 vari&aacute;veis em vez de usar diretamente as componentes principais na an&aacute;lise de clusters. Esta op&ccedil;&atilde;o decorreu do facto de que no caso do subconjunto de 26 freguesias qualquer das componentes principais misturava vari&aacute;veis caracterizadoras da popula&ccedil;&atilde;o e do edificado, n&atilde;o apresentando uma interpreta&ccedil;&atilde;o &ldquo;limpa&rdquo; como aconteceu na aplica&ccedil;&atilde;o da ACP para as 158 freguesias.</p>     <p>A sele&ccedil;&atilde;o foi efectuada conjugando dois crit&eacute;rios: (i) escolher de entre as vari&aacute;veis com maiores pesos factoriais em cada componente, e para que este n&atilde;o fosse inferior a 0,65 (em valor absoluto); (ii) ter representado cada &ldquo;tema&rdquo; das vari&aacute;veis no conjunto final.</p>     <p>As vari&aacute;veis selecionadas no primeiro e segundo passo e respectivo dom&iacute;nio foram as que a <a href="#t4">tabela 4</a> resume. De notar que das 8 vari&aacute;veis que comp&otilde;em as tr&ecirc;s componentes quatro caracterizam a popula&ccedil;&atilde;o e quatro o edificado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>As oito vari&aacute;veis escolhidas foram depois estandardizadas pelo m&eacute;todo z-score (somente no conjunto das 26 freguesias) para homogeneiza&ccedil;&atilde;o das escalas, e efetuou-se em primeiro lugar uma an&aacute;lise de clusters hier&aacute;rquica. Esta indicou tr&ecirc;s ou quatro clusters como o n&uacute;mero mais adequado, consoante se aplique o m&eacute;todo de agrega&ccedil;&atilde;o complete linkage (do vizinho mais afastado) ou de Ward (<a href="#f3">Fig. 3</a> ).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Aplicou-se em seguida o m&eacute;todo n&atilde;o-hier&aacute;rquico k-means , que &eacute; um m&eacute;todo de optimiza&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o das entidades (freguesias), para quatro clusters.</p>     <p>Os quatro clusters obtidos atrav&eacute;s do m&eacute;todo k-means s&atilde;o justificados a partir do comportamento diferenciado das oito vari&aacute;veis. A distribui&ccedil;&atilde;o espacial das 26 freguesias organizadas pelos quatro clusters est&aacute; ilustrada pela Figura 4 e descrita na <a href="#t5">tabela 5</a> .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n2/35n2a04f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi poss&iacute;vel avan&ccedil;ar com designa&ccedil;&otilde;es para cada cluster que, de alguma forma, sugerissem uma imagem mais clara que a que seria dada apenas pelos valores das vari&aacute;veis. Assim, numa aprecia&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o dos clusters em termos de vari&aacute;veis foi poss&iacute;vel tra&ccedil;ar o seguinte perfil:</p>     <p>O Cluster 1 (designado como Polarizador e envelhecido ) integra duas freguesias da margem sul e que s&atilde;o as que apresentam uma maior intensidade de ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais: Canha e Santiago. Para al&eacute;m de ser marcado por uma polariza&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos com problemas ligados &agrave;s incapacidades funcionais concentra ainda os indiv&iacute;duos com mais de 75 anos e pouco escolarizados. Estas caracter&iacute;sticas do cluster permitem suspeitar que existe uma rela&ccedil;&atilde;o causa-efeito na conjuga&ccedil;&atilde;o de particularidades demogr&aacute;ficas e sociais com a emerg&ecirc;ncia das incapacidades funcionais. &Eacute; ainda poss&iacute;vel prolongar a ideia da import&acirc;ncia do social quando se verifica que tamb&eacute;m as freguesias do Cluster 1 se destacam nos edif&iacute;cios com quase um s&eacute;culo ou mais, com todos os problemas de conserva&ccedil;&atilde;o e adequa&ccedil;&atilde;o que da&iacute; derivam. Finalmente, e para ajudar a compreender o facto de surgirem estas duas freguesias no mesmo cluster, verifica-se que a compacidade do meio urbano &eacute; aqui muito maior que em quaisquer outras, o que acaba por relativizar os problemas descritos atr&aacute;s (<a href="#t5">tabela 5</a> ; <a href="#f4">Fig. 4</a> ). O termo polarizador resulta desta concentra&ccedil;&atilde;o de problemas e de edificado e o envelhecido serve para destacar um dos aspetos que se consideram mais relevantes.</p>     <p>O Cluster 2 ( Desqualificado e residencial ) &eacute; o que integra mais freguesias (dez) sendo que, naturalmente, estas se localizam em v&aacute;rios enquadramentos territoriais no contexto metropolitano. Em todo o caso regista-se uma predomin&acirc;ncia da margem sul (sete freguesias) sendo que tr&ecirc;s se localizam no Arco Ribeirinho Sul e outras tr&ecirc;s na zona nascente da pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal. S&atilde;o cinco as vari&aacute;veis que se destacam no seio deste cluster e marcam as respetivas dez freguesias que acolhe: uma menor propor&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o envelhecida; menor peso da popula&ccedil;&atilde;o feminina; popula&ccedil;&atilde;o sem escolaridade o que reaviva as quest&otilde;es sociais j&aacute; focadas no cluster anterior embora aqui recentradas sobre outros grupos et&aacute;rios que n&atilde;o os idosos; grande concentra&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios exclusivamente residenciais revelando muito sobre a limitada diversidade funcional destas freguesias; esta &uacute;ltima caracter&iacute;stica e possivelmente a tipologia unifamiliar dos alojamentos pode ajudar a explicar a baixa propor&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios sem entrada para cadeira de rodas. Neste cluster a concentra&ccedil;&atilde;o de incapacitados funcionais &eacute; semelhante &agrave; m&eacute;dia sendo marcado por uma popula&ccedil;&atilde;o adulta desqualificada e por um edificado dedicado sobretudo &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. Assim se explica o desqualificado e residencial da designa&ccedil;&atilde;o dada a este cluster;</p>     <p>O Cluster 3 ( Antigo e rural ) inclui seis freguesias sendo que cinco se localizam na margem norte. Essas cinco freguesias t&ecirc;m tr&ecirc;s facetas comuns: (i) terem uma pequena dimens&atilde;o populacional (nenhuma tem mais de 4.000 residentes); (ii) terem uma fraca densidade territorial de ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais (todas abaixo de 70 por km <sup>2</sup> ); (iii) persistirem nelas tra&ccedil;os marcantes de ruralidade. As vari&aacute;veis que o constituem permitem a caracteriza&ccedil;&atilde;o feita e at&eacute; alguma pormenoriza&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do edificado. Com efeito, por um lado, a intensidade das incapacidades funcionais, embora importante, n&atilde;o permite inserir estas freguesias no grupo das mais gravosas; por outro lado, possuem edif&iacute;cios muito antigos mas ainda assim com a qualidade suficiente para acolherem a cadeira de rodas (talvez pela tipologia) e ainda com uma baixa compacidade do meio urbano, relembrando a sugest&atilde;o dos tra&ccedil;os de ruralidade. A sua designa&ccedil;&atilde;o de antigo e rural surge, assim, da aus&ecirc;ncia das densidades urbanas e da maior presen&ccedil;a de edif&iacute;cios com quase um s&eacute;culo ou mais;</p>     <p>O Cluster 4 ( Pouco acess&iacute;vel e diverso ) integra oito freguesias sendo que seis se localizam na margem sul e todas elas no Arco Ribeirinho. Note-se que as quatro freguesias com mais epis&oacute;dios de incapacidades (cada uma delas com mais de 4.000 ocorr&ecirc;ncias) e as sete freguesias com maior densidade territorial de ocorr&ecirc;ncias de incapacidades funcionais inserem-se neste cruzamento entre cluster e posicionamento territorial metropolitano. O registo deste cruzamento &eacute; um dado crucial uma vez que vem denunciar que &eacute; nas freguesias em que se concentram mais ocorr&ecirc;ncias que se encontram as condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidades &agrave;s edifica&ccedil;&otilde;es menos favor&aacute;veis, o que parece indiciar que as oito freguesias inclu&iacute;das neste cluster (e que concentram mais de 28.000 epis&oacute;dios de incapacidades) podem ser priorit&aacute;rias nas interven&ccedil;&otilde;es a empreender. Estas freguesias s&atilde;o territ&oacute;rios com uma significativa diversidade funcional porque correspondem em larga medida a &aacute;reas urbanas tradicionais. Essa mesma tradi&ccedil;&atilde;o e a tipologia das edifica&ccedil;&otilde;es (edif&iacute;cios de habita&ccedil;&atilde;o coletiva) que a acompanha justifica o grande peso de edif&iacute;cios sem entrada para cadeira de rodas. Existe ainda uma sobre-representa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o feminina e n&iacute;veis de escolaridade apreci&aacute;veis.</p>     <p>Entendeu-se, desta forma, destacar este cluster como um dos que se apresenta menos acess&iacute;vel em cadeira de rodas e com grande diversidade quer na popula&ccedil;&atilde;o residente quer na composi&ccedil;&atilde;o funcional.</p>     <p>Do trabalho desenvolvido verificou-se, em s&iacute;ntese, que das 158 freguesias suburbanas da AML apenas 26 revelaram uma taxa de risco bastante acima do esperado (acima da m&eacute;dia + desvio padr&atilde;o) na concentra&ccedil;&atilde;o de epis&oacute;dios de dificuldades em ouvir, ver e andar. Estas freguesias est&atilde;o assimetricamente distribu&iacute;das: dez no norte e 16 no sul da AML.</p>     <p>Das vari&aacute;veis recolhidas a an&aacute;lise estat&iacute;stica acabou por se centrar apenas em oito (Popula&ccedil;&atilde;o com incapacidades (%), Popula&ccedil;&atilde;o com mais de 75 anos (%), Popula&ccedil;&atilde;o feminina (%), Popula&ccedil;&atilde;o sem escolaridade (%), Edif&iacute;cios sem entrada para cadeira de rodas (%), Edif&iacute;cios constru&iacute;dos antes de 1919 (%), Edif&iacute;cios exclusivamente residenciais (%), Compacidade do meio urbano (Edif/km <sup>2</sup> )) que permitem descrever, de forma sint&eacute;tica, a realidade das 26 freguesias que concentram a maior intensidade de epis&oacute;dios realativos a incapacidades funcionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise de clusters aplicada a estas freguesias permitiu encontrar quatro grupos que se diferenciam em termos de caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas, sociais e do edificado: polarizador e envelhecido; desqualificado e residencial; antigo e rural; pouco acess&iacute;vel e diverso.</p>     <p>Estes resultados apresentam contributos interessantes quer no que respeita &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias das incapacidades funcionais na periferia de Lisboa, quer na determina&ccedil;&atilde;o de uma tipologia de freguesias que combina vari&aacute;veis individuais com vari&aacute;veis urban&iacute;sticas.</p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es que as administra&ccedil;&otilde;es central e local t&ecirc;m estado a desenvolver neste &acirc;mbito, embora importantes, decorrem sobretudo de imposi&ccedil;&otilde;es legais adoptadas em 2006 (Decreto-Lei n&ordm; 163/2006, de 8 de Agosto) onde se definem as condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidade a satisfazer no projeto e na constru&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, equipamentos colectivos e edif&iacute;cios p&uacute;blicos e habitacionais.</p>     <p>Todavia, &eacute; ainda poss&iacute;vel elencar outras mudan&ccedil;as vis&iacute;veis quer por interven&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios quer das freguesias. O planeamento, a mobilidade, o espa&ccedil;o p&uacute;blico e a reabilita&ccedil;&atilde;o urbana s&atilde;o os dom&iacute;nios que t&ecirc;m merecido aten&ccedil;&atilde;o relevante. Vale a pena destacar, no caso destes dom&iacute;nios, a utilidade que tem tido a figura legal da &Aacute;rea de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana para quando os atores locais pretendem avan&ccedil;ar com processos amplos e integrados de interven&ccedil;&atilde;o no edificado e no espa&ccedil;o p&uacute;blico melhorando, designadamente, as condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidade aos edif&iacute;cios e at&eacute; operando mudan&ccedil;as profundas no espa&ccedil;o p&uacute;blico &ndash; circula&ccedil;&atilde;o, mobilidade, acessibilidade. Veja-se os casos emblem&aacute;ticos da Rua C&acirc;ndido dos Reis em Cacilhas, Almada, ou na Avenida Santos Matos, Amadora <sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> mas que, no entanto, n&atilde;o fazem parte das 26 freguesias aqui consideradas de risco.</p>     <p>Todos estes esfor&ccedil;os reveladores de uma preocupa&ccedil;&atilde;o de inclus&atilde;o social ganhar&atilde;o em integrar um maior rigor na an&aacute;lise das &aacute;reas urbanas de modo a otimizar as respostas a conceber.</p>     <p>&Eacute; por isso que os resultados obtidos s&atilde;o, em nosso entender, interessantes porque permitiram identificar as freguesias na AML (sem Lisboa) com maior densidade de problemas relacionados com as incapacidades funcionais dos seus residentes o que, depois, acaba por ter influ&ecirc;ncia direta e profunda na forma como muitos deles t&ecirc;m de viver o territ&oacute;rio.</p>     <p>Reconhece-se que a pouca diversidade de indicadores urban&iacute;sticos possa ter constitu&iacute;do uma limita&ccedil;&atilde;o importante ao alcance dos resultados obtidos mas tamb&eacute;m constituem um campo a desbravar em novos desenvolvimentos desta investiga&ccedil;&atilde;o. Ressalta-se tamb&eacute;m como aspecto a ter sempre presente na leitura dos resultados deste trabalho o fato de que foram avaliados os epis&oacute;dios de incapacidade funcional e n&atilde;o o n&uacute;mero de pessoas com incapacidade funcional.</p>     <p>Os resultados obtidos com este estudo poder&atilde;o ser ainda aprofundados (como os relacionados com a necessidade de hierarquizar as interven&ccedil;&otilde;es tendentes &agrave; melhoria do edificado e do espa&ccedil;o p&uacute;blico de modo a dar prioridade &agrave;s &aacute;reas que concentram os maiores problemas) se a escala de trabalho for a sec&ccedil;&atilde;o e a subsec&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica e, assim, poderem ser analisadas ainda com mais detalhe as condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do espa&ccedil;o p&uacute;blico e edificado. Do mesmo modo poder-se-&aacute; considerar no futuro vari&aacute;veis mais desagregadas de forma a identificar com maior detalhe o n&uacute;mero de incapacidades por indiv&iacute;duo.</p>     <p>Existe um conjunto relevante de conclus&otilde;es que devem ser sublinhadas de modo a tornar claro o contributo do estudo para o conhecimento da periferia de Lisboa mas tamb&eacute;m para uma interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica mais qualificada e objetiva.</p>     <p>Em primeiro lugar, ficou agora claro na espacializa&ccedil;&atilde;o suburbana dos epis&oacute;dios de incapacidade funcional que este territ&oacute;rio metropolitano possui uma grande heterogeneidade no que respeita &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o deste problema.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em segundo lugar, percebe-se que existe um conjunto significativo de freguesias onde a manifesta&ccedil;&atilde;o dos epis&oacute;dios de incapacidade funcional &eacute; bastante mais acentuada que nas demais.</p>     <p>No seio deste conjunto de 26 freguesias suburbanas &eacute; poss&iacute;vel ainda identificar padr&otilde;es distintivos quando essas incapacidades s&atilde;o conjugadas com a demografia, arquitetura e o urbanismo.</p>     <p>Finalmente, parece evidente que estas conclus&otilde;es podem ser de grande utilidade na concep&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es visando a qualifica&ccedil;&atilde;o dos terit&oacute;rios de maneira a trazer maior qualidade de vida a estes indiv&iacute;duos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERENCES</b></p>     <p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Steels SK: Characteristics of age-friendly cities and communities: a review. Cities 2015; 47: 45&ndash;52. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> United Nations: World Population Ageing. New York, Department of Economic and Social Affairs Population Division, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091239&pid=S2504-3145201700020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> World Health Organization, United Nations Children&rsquo;s Fund: Joint Monitoring Programme for Water Supply and Sanitation: Progress on Drinking Water and Sanitation: Special Focus on Sanitation. New York, UNICEF/Geneva, WHO, 2008. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Montegomery MR, Ezeh AC: The health of urban population in developing countries: an overview; in Galea S, Vlahov D (eds): Handbook of Urban Health: Populations, Methods and Practice. New York, Springer, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091242&pid=S2504-3145201700020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Beard JR, Petitot C: Ageing and urbanization: can cities be designed to foster active ageing? Public Health Rev 2010; 30: 136&ndash;142. </p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Galea S, Vlahov D: Urban health: evidence, challenges, and directions. Ann Rev Public Health 2005; 26: 341&ndash;365. </p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Galea S, Freudenberg N, Vlahov D: Cities and population health. Soc Sci Med 2005; 60: 1017&ndash;1033. </p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Fobkter S, Grotz R: Everyday mobility of elderly people in different urban settings: the example of the city of Bonn. Urban Stud 2006; 33: 353&ndash;377. </p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Philips DR, Siu O-L, Yeh AG, Cheng KHC: Ageing and the urban environment; in Andrews GJ, Phillips DR (eds): Ageing and Place. Abingdon, Routledge, 2005, pp 147&ndash;164. </p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Del Duca GF, Silva MC, Hallal PC: Incapacidade funcional para atividades b&aacute;sicas e instrumentais da vida di&aacute;ria em idosos. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica 2009; 43: 796&ndash;805. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> International Transport Forum: Pedestrian Safety, Urban Space and Health. Paris, OECD Publishing, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091250&pid=S2504-3145201700020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Nogueira H: Pessoas pobres, lugares pobres, sa&uacute;de pobre. Territ&oacute;rios amplificadores do risco na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa. Rev Estudos Demogr&aacute;ficos 2009; 45: 29&ndash;47. </p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Macintyre S, Macdonald L, Ellaway A: Do poorer people have poorer access to local resources and facilities? The distribution of local resources by area deprivation in Glasgow, Scotland. Soc Sci Med 2008; 67: 900&ndash;914. </p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Ribeiro AI, Pires A, Carvalho MS, Pina MF: Distance to parks and non-residential destinations influences physical activity of older people, but crime doesn&rsquo;t: a cross-sectional study in a southern European city. BMC Public Health 2015; 15: 593. </p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Ribeiro AI, Mitchell R, Carvalho MS, de Pina MF: Physical activity-friendly neighbourhood among older adults from a medium size urban setting in Southern Europe. Prev Med 2013; 57: 664&ndash;670. </p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Macintyre S, Maciver S, Sooman A: Area, class and health: should we be focusing on places or people? J Soc Policy 1993; 22: 213&ndash;234. </p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Chandola T: Spatial and social determinants of urban health in low, middle and high-income countries. Public Health 2012; 126: 259&ndash;261. </p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Cummins S, Curtis S, Diez-Roux A, Macintyre S: Understanding and representing &lsquo;place&rsquo; in health research: a relational approach. Soc Sci Med 2007; 65: 1825&ndash;1838. </p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Gon&ccedil;alves J, Gomes M, Carvalho L, Ezequiel S: N&atilde;o ouvir, n&atilde;o ver, n&atilde;o andar: incapacidade funcional e urbanismo nos sub&uacute;rbios de Lisboa; in Santana P, Nossa P (coord): GeoSa&uacute;de2014 &ndash; 1&ordm; Congresso de Geografia da Sa&uacute;de dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa, Universidade de Coimbra, 21&ndash;24 de Abril de 2014. A Geografia da sa&uacute;de no cruzamento de saberes. Coimbra, CEGOT, 2014. ISBN: 978&ndash;989&ndash;98945&ndash;0&ndash;1: 588&ndash;591. </p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Balsas C: Downtown resilience: a review of recent (re)developments in Tempe, Arizona. Cities 2014; 36: 158&ndash;169. </p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> INE/INSRJ: Esperan&ccedil;as de vida sem incapacidade f&iacute;sica de longa dura&ccedil;&atilde;o. Caderno Tem&aacute;tico n&ordm; 10, Instituto Nacional de Estat&iacute;stica/Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge, Lisboa, 2000. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> INE: O envelhecimento em Portugal: situa&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e s&oacute;cio-econ&oacute;mica recente das pessoas idosas. Lisboa, INE, 36, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091262&pid=S2504-3145201700020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Eurostat: Healthy life years statistics. Luxembourg, European Union, 2016 (consultado 7 Mar&ccedil;o 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/Healthy_life_years_statistics#Further_Eurostat_information" target="_blank">http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/Healthy_life_years_statistics#Further_Eurostat_information</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091264&pid=S2504-3145201700020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Salvati L, Munafo M, Gargiulo Morelli V, Sabbi A: Low-density settlements and land use changes in a Mediterranean urban region. Landsc Urban Plan 2012; 105: 43&ndash;52. </p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Gon&ccedil;alves J, Gomes MC, Ezequiel S, Moreira F, Ramos IL: Differentiating peri-urban areas: a transdisciplinary approach towards a typology. Land Use Policy 2017; 63: 331&ndash;341. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Hair JF, Anderson, RE, Tatham RL, Black WC: Multivariate data analysis. New York: Prentice-Hall International, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2091268&pid=S2504-3145201700020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>Gon&ccedil;alves J, Abreu R, Costa A: Starting over: a focused vision in old suburbs of Lisbon. Urban Des Int 2015; 20: 130&ndash;143.</p>      ]]></body><back>
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