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<article-id pub-id-type="doi">10.1159/000486052</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sistema português de saúde mental: avaliação crítica do modelo de pagamento aos prestadores]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 2007&#8211;2016 National Plan of Mental Health points out several limitations of the mental health Portuguese system, such as bad access, a healthcare excessively concentrated on hospitals, lack of resources, and insufficient prevention. One way of dealing with such problems is to design a new model of payment to mental healthcare providers, which is only possible if we know the current model, its strengths and weaknesses, and the incentives it creates. That is what we do in this paper, with a special focus on primary and secondary care, on the basis of the theoretical and empirical literature, and the realization of a focus group with national mental health and financing experts. We conclude that primary care services have few incentives to be involved in the prevention and treatment of mental health disorders, as they benefit from conducting a large number of short-duration consultations and from reaching goals not related to mental health. The payment of &#8220;Entidade Pública Empresarial&#8221; hospitals is highly focused on the activity level and less on care integration. It includes a fee that depends on the number of days or episodes of inpatient stays, or on the number of medical acts, which makes it difficult for hospitals to have a global view of the patients' health status. However, the indicators defined for these providers and the inexistence of a cost reimbursement mechanism favor efficiency in healthcare provision. Community healthcare, which the literature defends to be effective, is incentivized by a specific fee, which, however, does not seem to be used in practice. In general, although having some interesting features, the current payment model for mental healthcare providers will benefit from a redesign which leads providers to have a global view of the patients' health status and to make an effective use of community care.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RESEARCH ARTICLE</b></p>     <p><b>Sistema portugu&ecirc;s de sa&uacute;de mental: avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do modelo de pagamento aos prestadores</b></p>     <p><b>Portuguese Mental Health System: Critical Evaluation of the Providers&rsquo; Payment Model</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Julian Perelman<sup>a</sup><sup>b</sup> Pedro Chaves<sup>a</sup> Joaquim Gago<sup>c</sup> Ant&oacute;nio Leuschner<sup>d</sup>Alexandre Louren&ccedil;o <sup>e</sup> Ricardo Mestre <sup>f</sup> Luis Pisco <sup>g</sup> Isabel Paix&atilde;o<sup>h</sup> &Aacute;lvaro de&nbsp;Carvalho <sup>i</sup> Jos&eacute; Caldas&nbsp;de&nbsp;Almeida<sup>j</sup></b></p>     <p><sup>a</sup> Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica &ndash; Universidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Portugal</p>     <p><sup>b</sup> Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de P&uacute;blica, Lisbon, Portugal</p>     <p><sup>c</sup> Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, Lisbon, Portugal</p>     <p><sup>d</sup> Hospital de Magalh&atilde;es Lemos, Porto, Portugal</p>     <p><sup>e</sup> Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra, Coimbra, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>f</sup> Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de, Lisbon, Portugal</p>     <p><sup>g</sup> Administra&ccedil;&atilde;o Regional de Sa&uacute;de de Lisboa e Vale do Tejo, Lisbon, Portugal</p>     <p><sup>h</sup> Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de, Lisbon, Portugal </p>     <p><sup>i</sup> Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, Lisbon, Portugal </p>     <p><sup>j</sup> NOVA Medical School &ndash; Universidade Nova de Lisboa, Lisbon, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b>     <p>O Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental 2007&ndash;2016 aponta v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es ao sistema portugu&ecirc;s de sa&uacute;de mental, como a falta de acesso, os cuidados excessivamente centrados nos hospitais, a falta de recursos e a preven&ccedil;&atilde;o insuficiente. Uma das formas de atacar estes problemas &eacute; o desenho de um novo modelo de pagamento aos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental, o que apenas &eacute; poss&iacute;vel conhecendo em de&shy;talhe o modelo atual, os seus pontos fortes e fracos e os incentivos que cria. &Eacute; isso que fazemos, com especial enfoque nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e hospitalares, com base nos resultados da literatura te&oacute;rica e emp&iacute;rica, e na realiza&ccedil;&atilde;o de um grupo focal com peritos das &aacute;reas da sa&uacute;de mental e financiamento em Portugal. Conclu&iacute;mos que os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o incentivados a envolver-se na preven&ccedil;&atilde;o e tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais, por beneficiarem da realiza&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de consultas de curta dura&ccedil;&atilde;o e do cumprimento de objetivos que negligenciam a sa&uacute;de mental. J&aacute; o pagamento dos hospitais Entidade P&uacute;blica Empresarial &eacute; muito focado no n&iacute;vel de atividade e n&atilde;o na integra&ccedil;&atilde;o de cuidados. &Eacute; prevista uma remunera&ccedil;&atilde;o por dias ou epis&oacute;dio de internamento, ou por servi&ccedil;o m&eacute;dico prestado, o que dificulta uma vis&atilde;o global do estado de sa&uacute;de de cada doente. No entanto, os indicadores definidos para estes prestadores e a aus&ecirc;ncia de um mecanismo de reembolso de custos privilegia a efici&ecirc;ncia na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. Os cuidados prestados na comunidade, cuja efic&aacute;cia &eacute; defendida pela literatura, s&atilde;o incentivados por uma remunera&ccedil;&atilde;o que lhes &eacute; espec&iacute;fica, mas que parece ainda n&atilde;o ter sido atribu&iacute;da na pr&aacute;tica. Em geral, apesar de ter alguns aspetos positivos, o modelo de pagamento aos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental beneficiar&aacute; de um novo desenho, que envolva mais os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, que incentive uma vis&atilde;o global do estado de sa&uacute;de de cada doente e que torne mais efetivo o tratamento na comunidade.</p> <b>Palavras-chave:</b> Sa&uacute;de mental Modelos de pagamento Incentivos Cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios Cuidados de sa&uacute;de hospitalares     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The 2007&ndash;2016 National Plan of Mental Health points out several limitations of the mental health Portuguese system, such as bad access, a healthcare excessively concentrated on hospitals, lack of resources, and insufficient prevention. One way of dealing with such problems is to design a new model of payment to mental healthcare providers, which is only possible if we know the current model, its strengths and weaknesses, and the incentives it creates. That is what we do in this paper, with a special focus on primary and secondary care, on the basis of the theoretical and empirical literature, and the realization of a focus group with national mental health and financing experts. We conclude that primary care services have few incentives to be involved in the prevention and treatment of mental health disorders, as they benefit from conducting a large number of short-duration consultations and from reaching goals not related to mental health. The payment of &ldquo;Entidade P&uacute;blica Empresarial&rdquo; hospitals is highly focused on the activity level and less on care integration. It includes a fee that depends on the number of days or episodes of inpatient stays, or on the number of medical acts, which makes it difficult for hospitals to have a global view of the patients&rsquo; health status. However, the indicators defined for these providers and the inexistence of a cost reimbursement mechanism favor efficiency in healthcare provision. Community healthcare, which the literature defends to be effective, is incentivized by a specific fee, which, however, does not seem to be used in practice. In general, although having some interesting features, the current payment model for mental healthcare providers will benefit from a redesign which leads providers to have a global view of the patients&rsquo; health status and to make an effective use of community care.</p>     <p><b>Keywords</b>: Mental health &middot; Payment models &middot; Incentives &middot; Primary care &middot; Secondary care</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O sistema de sa&uacute;de mental portugu&ecirc;s foi escrutinado em detalhe no Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental 2007&ndash;2016, publicado em 2008 <Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>. O Plano documenta as v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es que o sistema apresenta. Destas, destacamos as duas para as quais existe mais evid&ecirc;ncia, e que s&atilde;o mais relevantes para o nosso prop&oacute;sito:</p>     <p>Acesso limitado aos cuidados de sa&uacute;de mental. O Estudo Epidemiol&oacute;gico Nacional real&ccedil;ou que apenas 15% dos doentes da amostra tinham recebido tratamento nos 12 meses anteriores (<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> ). Os dados do Inqu&eacute;rito Nacional de Sa&uacute;de, realizado em 2014, demonstra que 48% das pessoas no primeiro quintil de rendimento tiveram acesso a cuidados de sa&uacute;de mental (<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> ).</p>     <p>Excesso de internamentos, epis&oacute;dios de urg&ecirc;ncia e readmiss&otilde;es, versus interven&ccedil;&otilde;es na comunidade insuficientes. Os internamentos e consultas de urg&ecirc;ncia representam mais de 80% das despesas em sa&uacute;de mental do SNS. Uma compara&ccedil;&atilde;o internacional demonstrou que Portugal tinha lacunas importantes, em compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses europeus, em termos do desenvolvimento de equipas e centros de sa&uacute;de mental comunit&aacute;rios <Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>.</p>     <p>Estes problemas s&atilde;o particularmente preocupantes num contexto de carga global de perturba&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mental significativa e cada vez maior. Em Portugal, as perturba&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mental contribuem para 11,7% dos anos de vida ajustados pela incapacidade (DALYs) totais, o que quer dizer que s&atilde;o a segunda maior causa de DALYs a seguir &agrave;s doen&ccedil;as cerebrovasculares <sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Apesar de a taxa de suic&iacute;dio causado por perturba&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mental ter estado, em Portugal, claramente abaixo da m&eacute;dia da OCDE em 2013 (8,7 por 100.000 habitantes versus 11,7 por 100.000 habitantes) <sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, outros indicadores relacionados com sa&uacute;de mental foram muito menos favor&aacute;veis. De acordo com o &uacute;nico estudo epidemiol&oacute;gico de sa&uacute;de mental, realizado em 2008, Portugal era o que tinha a mais alta preval&ecirc;ncia de qualquer uma das quatro principais perturba&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mental (depress&atilde;o, ansiedade, perturba&ccedil;&otilde;es do impulso e abusos de subst&acirc;ncias), 22,9%, comparado com um conjunto de nove pa&iacute;ses europeus.</p>     <p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mental de Sa&uacute;de (OMS) emitiu uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es que parecem ir ao encontro dos problemas que o sistema portugu&ecirc;s de sa&uacute;de mental revela <Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>. As principais recomenda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as seguintes:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Organiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental em &aacute;reas geodemogr&aacute;ficas, de forma a garantir o acesso ao tratamento de problemas de sa&uacute;de;</p>     <p>Integra&ccedil;&atilde;o de unidades e programas, incluindo unidades de internamento;</p>     <p>Uma coordena&ccedil;&atilde;o global da sa&uacute;de mental;</p>     <p>Envolvimento dos doentes, das suas fam&iacute;lias e das diferentes entidades comunit&aacute;rias no tratamento;</p>     <p>Articula&ccedil;&atilde;o efetiva com os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios;</p>     <p>Colabora&ccedil;&atilde;o com o sector social e com organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais (ONGs) na reabilita&ccedil;&atilde;o e cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o de doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais graves.</p>     <p>Existe assim uma grande diferen&ccedil;a entre a ado&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de mental a n&iacute;vel internacional e a realidade do sistema portugu&ecirc;s de sa&uacute;de mental. A melhoria deste sistema requer, entre outras, uma estrat&eacute;gia global, que inclua mudan&ccedil;as culturais, reformas organizacionais e diretrizes inovadoras. No entanto, estas mudan&ccedil;as complexas n&atilde;o ser&atilde;o implementadas se n&atilde;o forem adequadamente incentivadas, como demonstra a n&atilde;o implementa&ccedil;&atilde;o, em Portugal, das reformas neste sentido apontadas ao longo dos anos nos v&aacute;rios planos de sa&uacute;de mental. O nosso artigo foca-se neste aspeto, os incentivos, na medida em que examinamos de que forma &eacute; que o modelo de pagamento atual em Portugal ajuda a explicar as limita&ccedil;&otilde;es do sistema de sa&uacute;de mental, e como &eacute; que mudan&ccedil;as nas modalidades de pagamento podem contribuir para que os prestadores portugueses executem as pr&aacute;ticas recomendadas pela OMS.</p>     <p>Existem v&aacute;rios mecanismos que as entidades financiadoras da sa&uacute;de podem utilizar para pagar aos prestadores de cuidados de sa&uacute;de, de forma a incentivar certos tipos de comportamento. Com base em &ldquo;Reforming Payment for Healthcare in Europe to Achieve Better Value&rdquo; <sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, ordenamos as modalidades de pagamento mais importantes de acordo com o grau de especificidade das medidas de atividade de que dependem, de forma crescente, e discutimos os incentivos que se espera que criem para os prestadores (ver <a href="#t1">Tabela 1</a>). Mas, antes disso, explicamos o modelo de comportamento dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de de que nos socorremos para discutir o impacto que as v&aacute;rias modalidades de pagamento podem ter.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Objetivos dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de</p>     <p>Cada modalidade de pagamento gera incentivos que influenciam as pr&aacute;ticas adotadas pelos prestadores. A influ&ecirc;ncia das modalidades de pagamento nas pr&aacute;ticas utilizadas n&atilde;o &eacute; simples de analisar de uma perspetiva te&oacute;rica, na medida em que depende dos objetivos dos prestadores. No que diz respeito a prestadores individuais, &eacute; normalmente assumido que maximizam o seu rendimento, mas garantindo um benef&iacute;cio m&iacute;nimo para os seus doentes que garanta a exist&ecirc;ncia de procura <sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. H&aacute; ainda outros modelos que consideram que os prestadores t&ecirc;m preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, o desejo de tratar casos interessantes, ou procuram atingir um certo n&iacute;vel de rendimento <sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. No que diz respeito aos hospitais, o modelo cl&aacute;ssico que explica os objetivos por que se regem assume que t&ecirc;m o objetivo de maximizar o benef&iacute;cio dos doentes, mas garantindo a sua solv&ecirc;ncia (hospitais sem fins lucrativos), ou de maximizar o seu lucro, mas garantindo um m&iacute;nimo de qualidade nos cuidados prestados de forma a terem procura para os seus servi&ccedil;os (hospitais com fins lucrativos) <sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Neste estudo, optamos por seguir um modelo muito simples. Apesar de reconhecermos que os prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental podem ter v&aacute;rias preocupa&ccedil;&otilde;es que orientam a maneira como a sua atividade profissional &eacute; desenvolvida, focamo-nos em duas que nos parecem ser comuns a todos e as mais importantes: o seu rendimento e o estado de sa&uacute;de dos doentes. Em algumas situa&ccedil;&otilde;es onde outros objetivos s&atilde;o claramente importantes, referimo-los, mas estes dois s&atilde;o os que guiam a nossa an&aacute;lise. Como este estudo diz respeito a modalidades de pagamento que influenciam de forma muito direta o rendimento dos prestadores, &eacute; a este objetivo que damos maior destaque.</p>     <p>Or&ccedil;amento global (OG)</p>     <p>Este mecanismo de pagamento &eacute; fixo. Implica o pagamento de uma certa quantia ao prestador, que a usa para financiar a sua atividade durante o per&iacute;odo a que o mecanismo se refere, normalmente um ano. Como o pagamento num mecanismo fixo n&atilde;o varia com a atividade do prestador, este mecanismo &eacute; incapaz de orientar o comportamento do prestador para objetivos muito espec&iacute;ficos. Contudo, a dimens&atilde;o do pagamento que pressup&otilde;e pode variar, o que lhe permite exercer alguma influ&ecirc;ncia sobre o n&iacute;vel de esfor&ccedil;o despendido pelo prestador no exerc&iacute;cio da sua atividade, apesar de isto depender da motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca e sentido de dever de cada profissional afetado. Este mecanismo &eacute; f&aacute;cil de desenhar e implementar e, na medida em que n&atilde;o depende da divulga&ccedil;&atilde;o de atividade, n&atilde;o incentiva a manipula&ccedil;&atilde;o e falseamento de relat&oacute;rios e dispensa a verifica&ccedil;&atilde;o e controlo do comportamento do prestador. Por outro lado, cria incentivos para a conten&ccedil;&atilde;o de custos na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, j&aacute; que os custos de todos os servi&ccedil;os oferecidos s&atilde;o suportados pelo prestador <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Isto pode gerar efici&ecirc;ncia, ou n&atilde;o, dependendo da capacidade e motiva&ccedil;&atilde;o do prestador para oferecer servi&ccedil;os de qualidade ao custo mais baixo poss&iacute;vel. Por outro lado, o desejo de diminuir despesas pode levar a uma sele&ccedil;&atilde;o de doentes, dificultando-se o acesso &agrave;queles cujos tratamentos s&atilde;o mais dispendiosos, ou a uma oferta de servi&ccedil;os de baixa qualidade. &Eacute; ainda importante fazer refer&ecirc;ncia aos sal&aacute;rios fixos pagos aos profissionais de sa&uacute;de, que s&atilde;o uma forma de or&ccedil;amento global que lhes &eacute; atribu&iacute;do. Este instrumento de financiamento tem a vantagem de n&atilde;o impor qualquer risco a estes profissionais, em oposi&ccedil;&atilde;o a outros instrumentos que dependem do n&iacute;vel de atividade, mas n&atilde;o tem a capacidade de criar incentivos para um bom desem&shy;penho (<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> , <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> ).</p>     <p>Capita&ccedil;&atilde;o (CAP)</p>     <p>O pagamento previsto por este mecanismo depende do n&uacute;mero de pessoas inscritas numa lista associada ao prestador. Esta lista cont&eacute;m todos os residentes numa certa &aacute;rea geogr&aacute;fica, quer tenham algum problema de sa&uacute;de ou n&atilde;o.</p>     <p>A capita&ccedil;&atilde;o pode induzir a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os m&eacute;dicos de elevada qualidade, se os prestadores competirem entre si por inscri&ccedil;&otilde;es nas suas listas, caso em que procuram manter os elementos que se encontram nas suas listas e atrair outros <sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Espera-se que este mecanismo incentive a efici&ecirc;ncia na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, j&aacute; que o prestador tem interesse em controlar os custos que ele pr&oacute;prio suporta, mantendo a qualidade da sua atividade. Caso as listas sejam fixas e n&atilde;o haja competi&ccedil;&atilde;o por inscri&ccedil;&otilde;es, a efici&ecirc;ncia pode dar lugar &agrave; conten&ccedil;&atilde;o de custos, se o prestador n&atilde;o tiver motiva&ccedil;&atilde;o interna ou capacidade para manter padr&otilde;es de elevada qualidade a baixo custo. O facto de o prestador ser pago de acordo com o n&uacute;mero de elementos da sua lista e n&atilde;o de acordo com aqueles que s&atilde;o efetivamente tratados incentiva o prestador a evitar os doentes cujo tratamento implique um custo mais elevado, recusando a entrada na sua lista ou, no caso dos m&eacute;dicos de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, referenciando-os para os cuidados hospitalares, o que &eacute; ineficiente nos casos em que o tratamento &eacute; poss&iacute;vel e desej&aacute;vel nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Pagamento por caso (PPC)</p>     <p>O valor a pagar atrav&eacute;s deste mecanismo de pagamento depende do n&uacute;mero de pessoas que sofrem de uma perturba&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica <sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> e est&atilde;o inscritas numa lista associada a um prestador. A &uacute;nica diferen&ccedil;a que este mecanismo exibe em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capita&ccedil;&atilde;o &eacute; o facto de as listas que prev&ecirc; conterem pessoas com um certo problema de sa&uacute;de e n&atilde;o as residentes numa certa &aacute;rea geogr&aacute;fica. Desta forma, cria basicamente os mesmos incentivos que a capita&ccedil;&atilde;o, que foram j&aacute; descritos. No entanto, o facto de estar associado a uma doen&ccedil;a espec&iacute;fica pode ainda levar a um diagn&oacute;stico exagerado dessa mesma doen&ccedil;a e a altas tardias para adiar a sa&iacute;da de elementos da lista associada a um prestador.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pagamento por epis&oacute;dio (PPE)</p>     <p>Este mecanismo prev&ecirc; um pagamento que depende do n&uacute;mero de epis&oacute;dios tratados pelos prestadores. Um epis&oacute;dio corresponde a um tipo de contacto com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de (o mais habitual &eacute; um epis&oacute;dio de internamento). Um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o de problemas de sa&uacute;de (os sistemas GDH s&atilde;o os mais conhecidos) identifica o conjunto de poss&iacute;veis diagn&oacute;sticos e &eacute; associado um valor fixo a cada um, para cada epis&oacute;dio.</p>     <p>A aus&ecirc;ncia de qualquer rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel de custos dos prestadores e o valor previsto por este mecanismo incentiva a procura pela efici&ecirc;ncia, j&aacute; que a diferen&ccedil;a entre o pagamento recebido pelos prestadores pelo tratamento de um doente e aquilo que lhes custa faz&ecirc;-lo &eacute; inteiramente da sua responsabilidade <sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Contudo, a conten&ccedil;&atilde;o de custos n&atilde;o &eacute; necessariamente uma realidade, j&aacute; que o n&iacute;vel de atividade pode ser excessivo, ainda que cada servi&ccedil;o m&eacute;dico seja prestado de forma eficiente. Para al&eacute;m disso, o desejo dos prestadores de produzir uma grande quantidade de epis&oacute;dios a um custo baixo pode prejudicar a qualidade dos servi&ccedil;os prestados <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Finalmente, pode gerar um n&uacute;mero excessivo de epis&oacute;dios e incentivar uma classifica&ccedil;&atilde;o enviesada do tipo de epis&oacute;dios e a sele&ccedil;&atilde;o de doentes com epis&oacute;dios mais rent&aacute;veis <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>Pagamento per diem (PPD)</p>     <p>Este mecanismo paga aos prestadores de acordo com a dura&ccedil;&atilde;o dos internamentos dos seus doentes. Por cada dia que os doentes passam nas instala&ccedil;&otilde;es do prestador, este recebe um valor fixo. &Eacute; um mecanismo muito objetivo e f&aacute;cil de aplicar, mas o facto de financiar os internamentos de acordo com a sua dura&ccedil;&atilde;o pode levar a que esta se prolongue mais do que seria ideal. Na verdade, os doentes podem ser internados por mais tempo do que &eacute; necess&aacute;rio e ser sujeitos a tratamentos excessivamente longos e n&atilde;o necessariamente eficazes.</p>     <p>Fee-for-service (FFS)</p>     <p>No caso deste mecanismo, &eacute; o n&uacute;mero de atos m&eacute;dicos de cada tipo que s&atilde;o prestados que define o valor a pagar ao prestador. O pagamento a atribuir a cada ato m&eacute;dico &eacute; definido antes de ele se realizar e toda a atividade &eacute; paga depois de ocorrer. &Eacute; um mecanismo que recompensa os m&eacute;dicos que seguem o estado de sa&uacute;de dos seus doentes, prestando-lhes todos os cuidados de que necessitam, assim como aqueles que seguem doentes cujo tratamento tem um custo mais elevado, porque os servi&ccedil;os m&eacute;dicos necess&aacute;rios para tratar este tipo de doentes s&atilde;o normalmente os que s&atilde;o alvo de um pagamento mais generoso <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Isto implica que a acessibilidade n&atilde;o deve ser um problema quando este mecanismo &eacute; aplicado. Mas h&aacute; tamb&eacute;m efeitos perversos a referir. Por um lado, atos m&eacute;dicos desnecess&aacute;rios mas bem pagos podem ser privilegiados em detrimento de outros mais &uacute;teis (<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> , <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> ). Por outro, a classifica&ccedil;&atilde;o dos atos m&eacute;dicos prestados pode ser manipulada em favor daqueles que implicam pagamentos mais altos. E ainda se pode verificar, nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, uma sub-referencia&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que os m&eacute;dicos pagos atrav&eacute;s deste mecanismo poder&atilde;o querer tratar doentes que seriam mais eficiente ou eficazmente seguidos pelos cuidados hospitalares <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Pay-for-performance (P4P)</p>     <p>Finalmente, este mecanismo pressup&otilde;e um pagamento que depende do n&uacute;mero de objetivos atingidos, de entre aqueles que est&atilde;o definidos &agrave; partida. Atribui recompensas aos prestadores que obt&ecirc;m resultados espec&iacute;ficos, ou penaliza aqueles que n&atilde;o o conseguem. &Eacute; um mecanismo que se foca nos processos utilizados, ou nas consequ&ecirc;ncias verific&aacute;veis que deles decorrem.</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o deste mecanismo &eacute; uma forma muito eficaz de alinhamento dos incentivos do prestador com as necessidades da popula&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que o cumprimento de certas metas pr&eacute;-definidas n&atilde;o beneficia apenas o estado de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m o prestador, que &eacute; recompensado por atingi-las. Apesar disso, &eacute; importante n&atilde;o tornar o pagamento ao prestador muito dependente deste mecanismo, na medida em que o resultado da atividade do prestador &eacute; influenciado pelo comportamento dos seus doentes e por outros fatores que n&atilde;o consegue controlar. Este mecanismo pode, desta forma, ser por vezes injusto, nomeadamente quando pune prestadores que prestam servi&ccedil;os m&eacute;dicos de qualidade, ou quando recompensa aqueles que cumprem o seu papel de forma pouco cuidada, o que ocorre quando fatores fora do controlo dos prestadores impedem que o esfor&ccedil;o que exercem e a qualidade dos processos que utilizam se alinhem com os resultados obtidos <sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Existe tamb&eacute;m o perigo de os prestadores se focarem excessivamente nos objetivos cuja prossecu&ccedil;&atilde;o implica uma remunera&ccedil;&atilde;o, negligenciando os restantes. Este mecanismo pode ainda ter consequ&ecirc;ncias negativas j&aacute; mencionadas na an&aacute;lise dos restantes, como a manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o como forma de obter recompensas <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> e a sele&ccedil;&atilde;o de doentes, privilegiando aqueles cujo tratamento contribui para o cumprimento de objetivos remunerados e evitando os restantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Modalidades de pagamento: evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica para a sa&uacute;de mental</p>     <p>Poucos modelos de pagamento alternativos t&ecirc;m sido testados em SM, e aqueles que foram experimentados t&ecirc;m apresentado resultados amb&iacute;guos, principalmente nos EUA. Em 1995, Dwyer e colaboradores <sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> avaliaram o impacto da mudan&ccedil;a de modelo de pagamento de FFS para capita&ccedil;&atilde;o dos cinco centros comunit&aacute;rios de sa&uacute;de mental existentes na cidade de Rochester, Estado de Nova Iorque. Neste novo modelo (doravante, o &ldquo;primeiro modelo&rdquo;), os centros foram pagos atrav&eacute;s de um mecanismo de capita&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-pago, o qual &eacute; baseado na utiliza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via por parte dos doentes dos servi&ccedil;os hospitalares. Nesta experi&ecirc;ncia, os centros ficaram respons&aacute;veis pelos custos dos servi&ccedil;os prestados na comunidade e pelos custos hospitalares dos doentes que seguem. De acordo com os autores, o novo mecanismo de pagamento aos prestadores permitiu uma poupan&ccedil;a de custo de pelo menos 20% (no melhor cen&aacute;rio 75%) por ano sem altera&ccedil;&otilde;es significativas do bem-estar psicol&oacute;gico dos doentes. Esta poupan&ccedil;a de custos deveu-se, essencialmente, &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de dias de internamento.</p>     <p>Entre agosto e setembro de 1995, foi implementado no Estado do Colorado o programa piloto &ldquo;Colorado Medicaid Capitation&rdquo;. Este programa alterou o m&eacute;todo de pagamento dos servi&ccedil;os prestados a doentes com doen&ccedil;a mental grave atrav&eacute;s do Medicaid de FFS para capita&ccedil;&atilde;o. Neste novo modelo (doravante o &ldquo;segundo modelo&rdquo;), a capita&ccedil;&atilde;o teve um valor fixo por doente eleg&iacute;vel para tratamento. O valor da capita&ccedil;&atilde;o cobria todos os cuidados hospitalares (internamento, consultas), cuidados de enfermagem ao domic&iacute;lio e cuidados nos hospitais estatais para pessoas com idade inferior a 21 anos e acima dos 65 anos. A medica&ccedil;&atilde;o continuava a ser paga atrav&eacute;s do FFS.</p>     <p>Em 2002, e com dados de 1995 a 1998, Bloom e colaboradores <sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> conclu&iacute;ram que o custo por pessoa diminuiu quando comparado com o FFS nos dois anos seguintes ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o. Adicionalmente, os autores conclu&iacute;ram que houve uma redu&ccedil;&atilde;o do acesso aos cuidados em ambos os modelos de capita&ccedil;&atilde;o. No entanto, apenas no segundo modelo &eacute; que se verificou uma redu&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o por parte dos doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais. Os autores apontam como poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o o facto de neste segundo modelo s&oacute; se ter investido no desenvolvimento de novos servi&ccedil;os ap&oacute;s poupan&ccedil;as conseguidas no primeiro ano de implementa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; no primeiro modelo, os investimentos em novos servi&ccedil;os foram feitos antes da implementa&ccedil;&atilde;o do modelo de capita&ccedil;&atilde;o. Uma atualiza&ccedil;&atilde;o deste estudo foi feita em 2011, considerando 5 anos de seguimento. Neste estudo os autores conclu&iacute;ram que para ambos os modelos houve uma redu&ccedil;&atilde;o significativa dos custos dos tratamentos mais caros (internamento). No entanto, apenas no segundo modelo &eacute; que se verificou uma redu&ccedil;&atilde;o significativa do custo por utilizador em todos os servi&ccedil;os.</p>     <p>Em 2005, Chou e colaboradores <sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> analisaram o impacto da altera&ccedil;&atilde;o do financiamento no Estado do Colorado ao n&iacute;vel dos cuidados de sa&uacute;de prestados em ambulat&oacute;rio. Para isso, o estudo comparou os dois modelos de capita&ccedil;&atilde;o implementados no Estado do Colorado, e mencionados anteriormente, com o modelo que estava em vigor, o FFS. Os autores conclu&iacute;ram que os prestadores pagos atrav&eacute;s dos sistemas de capita&ccedil;&atilde;o apresentaram n&iacute;veis de utiliza&ccedil;&atilde;o iniciais mais elevados em todos os servi&ccedil;os prestados em ambulat&oacute;rio quando comparado com os prestadores pagos atrav&eacute;s do FFS. Adicionalmente, os autores conclu&iacute;ram que houve uma maior integra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e, no per&iacute;odo p&oacute;s-capita&ccedil;&atilde;o, a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os mais complexos decresceu.</p>     <p>De forma geral, relativamente ao financiamento atrav&eacute;s dos Grupos de Diagn&oacute;stico Homog&eacute;neos (GDHs)<sup>1</sup>, alguns estudos mostram que este mecanismo de reembolso aplicado &agrave; sa&uacute;de mental tende a subfinanciar os servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental. A raz&atilde;o apontada por Knapp e colaboradores <sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> &eacute; que as taxas de reembolso nem sempre abrangem todos os custos associados &agrave;s doen&ccedil;as mentais cr&oacute;nicas. A literatura sugere que o reembolso dos custos de sa&uacute;de mental baseado num sistema de casemix deve considerar n&atilde;o s&oacute; o tempo de internamento, mas tamb&eacute;m o diagn&oacute;stico, o grau de apoio social e de assist&ecirc;ncia nas atividades do dia-a-dia, a severidade da doen&ccedil;a, se houve ou n&atilde;o referencia&ccedil;&atilde;o pelo sistema judicial e a possibilidade de existir um comportamento &ldquo;perigoso&rdquo; <sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Desta forma, Knapp e colaboradores <sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> argumentam que nos pa&iacute;ses onde existam dados suficientes sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos e custos, os GDHs, se bem constru&iacute;dos, podem apresentar-se como um modelo que assegura que recursos suficientes s&atilde;o transferidos para os cuidados secund&aacute;rios e especializados de sa&uacute;de mental. Neste contexto, definir um ajustamento ao risco adequado torna-se crucial, de forma a evitar problemas de financiamento.</p>     <p>Em termos da sa&uacute;de mental, Zechmeister e colaboradores <sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> mostram que, na &Aacute;ustria, o sistema baseado em GDHs iniciado em 1997 conduziu &agrave; desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, ao fecho de hospitais psiqui&aacute;tricos e abertura de departamentos de psiquiatria em hospitais gerais. No entanto, e devido &agrave; falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre a complexidade dos tratamentos e procedimentos usados, este sistema subestimou os custos dos tratamentos das perturba&ccedil;&otilde;es mentais, levando a que os hospitais enfrentassem d&eacute;fices elevados <sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Como consequ&ecirc;ncia, foram criados incentivos para internamentos mais curtos do que seria desej&aacute;vel e para exclus&otilde;es indevidas de doentes <sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Em 2009, um novo sistema de categoriza&ccedil;&atilde;o dos procedimentos foi implementado. Houve um ajustamento dos grupos de diagn&oacute;stico, nomeadamente ao n&iacute;vel dos tempos de internamento, e atualizaram-se os pontos associados a cada grupo. Assim, cada ponto equivale a um euro. Esta reforma, aliada a planos estruturais e gest&atilde;o de qualidade, permitiu a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema mais eficaz, com maiores benef&iacute;cios para os doentes, tempos de internamento mais baixos e taxas de crescimento anuais dos custos hospitalares mais reduzidas <sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Em termos de sa&uacute;de mental, estando esta reforma aliada ao ajustamento dos tempos de internamento de forma a considerar os diferentes n&iacute;veis de necessidade cl&iacute;nica, bem como a complexidade do seu tratamento, permitiu promover um sistema mais orientado para a comunidade e em que os hospitais psiqui&aacute;tricos s&atilde;o capazes de cobrir os seus custos <sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>No Reino Unido, o pagamento por resultados &eacute; o m&eacute;todo usado como pagamento aos hospitais pertencentes ao Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (NHS). Apesar do nome, este m&eacute;todo n&atilde;o visa pagar aos prestadores por resultados obtidos. Ao inv&eacute;s, remunera a &ldquo;atividade&rdquo; usando os Healthcare Resources Groups (HRG). Os HRGs agregam os diagn&oacute;sticos e interven&ccedil;&otilde;es que consomem n&iacute;veis similares de recursos do NHS. A cada HRG est&aacute; associado um pre&ccedil;o, que &eacute; calculado com base na m&eacute;dia nacional dos custos. A esta m&eacute;dia s&atilde;o ainda feitos ajustamentos de forma a que o pre&ccedil;o reflita as boas pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas e n&atilde;o apenas a m&eacute;dia dos custos. Relativamente &agrave; sa&uacute;de mental, numa fase inicial, este m&eacute;todo baseava-se num conjunto de contratos realizados entre o Estado e os prestadores. No entanto, este m&eacute;todo de financiamento oferecia poucos incentivos aos prestadores para darem resposta, de uma forma eficiente, &agrave;s necessidades de cuidados de sa&uacute;de mental <sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Recentemente, e atrav&eacute;s de orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, introduziram-se os Mental Health Clusters, um financiamento baseado no caso. Os clusters agregam os doentes numa de 21 categorias, de acordo com as suas necessidades<sup>2</sup>. Os prestadores dos servi&ccedil;os s&atilde;o pagos por cada per&iacute;odo de tratamento do doente, enquanto este &eacute; classificado em determinado cluster. A cada cluster/caso est&aacute; associado um pre&ccedil;o fixo. Para este m&eacute;todo funcionar, os custos n&atilde;o podem variar significativamente dentro dos v&aacute;rios clusters nem entre prestadores. De forma a evitar que tal aconte&ccedil;a, os doentes s&atilde;o agrupados de forma homog&eacute;nea, tendo em conta as suas necessidades e n&iacute;veis de utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos <sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Uma vez que descreve as necessidades dos doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais, este modelo &eacute; mais abrangente do que o m&eacute;todo baseado no puro diagn&oacute;stico <Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>.</p>     <p>O pagamento por caso foi analisado por Jacobs e colaboradores <sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> com o objetivo de verificar se h&aacute; homogeneidade dentro dos clusters em termos de custos, n&iacute;veis de atividade/recursos utilizados e se os doentes que s&atilde;o agrupados num determinado cluster t&ecirc;m n&iacute;veis similares de necessidade. Os resultados mostram uma varia&ccedil;&atilde;o substancial entre prestadores em termos de custos, tratamentos prestados e tempos de internamento dentro do mesmo cluster. A exist&ecirc;ncia destas assimetrias dentro dos clusters torna dif&iacute;cil determinar corretamente um n&iacute;vel m&iacute;nimo de servi&ccedil;os prestados para cada cluster. Os autores sugerem que, apesar de se verificar heterogeneidade nos custos, tratamentos e necessidades, este m&eacute;todo de pagamento n&atilde;o deve ser abandonado, mas sim redesenha&shy;do com o objetivo de obter clusters homog&eacute;neos.</p>     <p>Em conclus&atilde;o, existem poucos estudos emp&iacute;ricos sobre o impacto de modelos de pagamentos alternativos aos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental. A maioria dos estudos s&atilde;o provenientes dos EUA, e mostram os benef&iacute;cios do pagamento por capita&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao pagamento ao ato. Com base nos estudos europeus, podemos concluir que os GDHs per se n&atilde;o s&atilde;o um mecanismo eficiente de financiamento, uma vez que subestimam os custos da sa&uacute;de mental, sendo necess&aacute;ria a constru&ccedil;&atilde;o de sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficos para a sa&uacute;de mental, que dever&atilde;o garantir n&atilde;o s&oacute; a homogeneidade dentro de cada grupo de diagn&oacute;stico, mas tamb&eacute;m a homogeneidade entre prestadores de cuidados dentro do mesmo grupo de diagn&oacute;stico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas em sa&uacute;de mental</b></p>     <p>Para ser poss&iacute;vel a avalia&ccedil;&atilde;o dos incentivos criados pelas diferentes modalidades de pagamento aos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal, escolhemos sete crit&eacute;rios que detalhamos a seguir. Este conjunto de crit&eacute;rios foi inspirado por World Health Organization (<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> ), The REFINEMENT Project <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> e Wilson e colaboradores <sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Abrang&ecirc;ncia dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, incluindo a sa&uacute;de mental</p>     <p>&Eacute; desej&aacute;vel, do ponto de vista da efici&ecirc;ncia, que os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios se envolvam na sa&uacute;de mental, tratando as perturba&ccedil;&otilde;es mais leves, de forma a que os prestadores mais especializados possam concentrar a sua aten&ccedil;&atilde;o nas mais graves. Para que isto aconte&ccedil;a, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia devem ter a capacidade de avaliar os sintomas e as condi&ccedil;&otilde;es de vida dos doentes, estabelecer diagn&oacute;sticos e prescrever diferentes tratamentos. Para al&eacute;m da efici&ecirc;ncia que isto pode gerar e dos benef&iacute;cios que cria para os doentes, a oferta de um conjunto de servi&ccedil;os abrangente refor&ccedil;a o papel dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, o que &eacute; ben&eacute;fico para os sistemas de sa&uacute;de <sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Continuidade dos cuidados</p>     <p>Este crit&eacute;rio refere-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de longo prazo entre o doente e o seu m&eacute;dico, incluindo tamb&eacute;m o que se passa entre diferentes epis&oacute;dios de doen&ccedil;a. A continuidade do tratamento &eacute; favorecida pela qualidade dos servi&ccedil;os prestados e pela comunica&ccedil;&atilde;o com e respeito pelo doente <sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. Tem sido demonstrado que a continuidade do tratamento, na sa&uacute;de mental, est&aacute; associada a boa qualidade de vida e sintomas menos graves <sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>Coordena&ccedil;&atilde;o dos cuidados</p>     <p>Aqui, referimo-nos &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de diferentes formas de coopera&ccedil;&atilde;o entre os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e os cuidados especializados de sa&uacute;de mental, incluindo padr&otilde;es de referencia&ccedil;&atilde;o, contactos regulares, partilha de responsabilidades nas decis&otilde;es e integra&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. A coordena&ccedil;&atilde;o assume uma import&acirc;ncia especial na sa&uacute;de mental, dada a vasta gama de recursos (m&eacute;dicos, sociais e psicol&oacute;gicos) a que recorre e a diversidade de atores que nela est&atilde;o envolvidos <sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Do ponto de vista da efici&ecirc;ncia, a coordena&ccedil;&atilde;o reduz custos desnecess&aacute;rios, a duplica&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e o risco de erros cl&iacute;nicos <sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. H&aacute; tamb&eacute;m evid&ecirc;ncia que a coordena&ccedil;&atilde;o dos cuidados (com os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios a assumirem um papel importante) permite a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados integrados, o que se sabe ser uma forma custo-efetiva de tratar doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais graves <sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>Preven&ccedil;&atilde;o de perturba&ccedil;&otilde;es</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Est&aacute; cada vez mais claro que existem v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es que podem prevenir o surgimento de perturba&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mental, ou diminuir a sua gravidade quando surgem, interven&ccedil;&otilde;es essas que s&atilde;o custo-efetivas (para uma revis&atilde;o sobre o tema, consultar Knapp e colaboradores <sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>). O facto de incluirmos a preven&ccedil;&atilde;o como um crit&eacute;rio significa que acreditamos que os prestadores devem ser incentivados a realizar atividades neste &acirc;mbito, tais como interven&ccedil;&otilde;es precoces direcionadas para psicoses, programas escolares e parentais que previnam dist&uacute;rbios comportamentais e medidas de seguran&ccedil;a e preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio.</p>     <p>Acessibilidade dos cuidados</p>     <p>A acessibilidade refere-se &agrave; possibilidade dada a todos os cidad&atilde;os de recorrerem a cuidados de sa&uacute;de quando necess&aacute;rio, independentemente das suas carater&iacute;sticas pessoais, como estado de sa&uacute;de ou estatuto socioecon&oacute;mico. O acesso aos cuidados de sa&uacute;de pode ser restringido atrav&eacute;s de barreiras financeiras (copagamentos), da dist&acirc;ncia geogr&aacute;fica ou de tempos de espera, por exemplo. Quanto melhor for a acessibilidade, mais f&aacute;cil &eacute; a satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades dos doentes e a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de de longa dura&ccedil;&atilde;o <sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>N&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o nos cuidados</p>     <p>A n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o refere-se ao tratamento de todos os doentes com os mesmos padr&otilde;es de qualidade, respeitando a equidade horizontal (o mesmo tratamento para as mesmas necessidades) e a equidade vertical (melhor tratamento para necessidades mais prementes). &Eacute; um objetivo comum a todos os sistemas de sa&uacute;de, mas &eacute; de particular import&acirc;ncia na sa&uacute;de mental, dados os problemas de acesso e a padroniza&ccedil;&atilde;o social das perturba&ccedil;&otilde;es mentais.</p>     <p>Efici&ecirc;ncia dos cuidados</p>     <p>Verifica-se quando as pr&aacute;ticas mais eficientes, ou seja, aquelas que produzem os melhores resultados utilizando a menor quantidade de recursos, s&atilde;o utilizadas. &Eacute; importante notar, no entanto, que a estrutura de custos dos departamentos de sa&uacute;de mental difere fortemente da estrutura de custos de outros departamentos hospitalares, por ser determinada principalmente pelos recursos humanos, sendo que as tecnologias (medica&ccedil;&atilde;o, teste, exames, etc.) t&ecirc;m um peso pouco elevado. Por isso, a efici&ecirc;ncia est&aacute; mais relacionada na forma como os profissionais s&atilde;o alocados a diferentes tarefas, tornando-os potencialmente mais produtivos, do que numa utiliza&ccedil;&atilde;o mais criteriosa das tecnologias, como poder&aacute; ser o caso noutros departamentos hospitalares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mapeamento de prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal</b></p>     <p>A <a href="#f1">Figura 1</a> cont&eacute;m um mapeamento dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal, distinguindo os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios dos especializados. Este mapeamento foi inspirado em Joint Action on Mental Health and Well-Being <sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Servi&ccedil;os e prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal. UCSP, Unidade de Cuidados de Sa&uacute;de Personalizados; USF, Unidade de Sa&uacute;de Familiar; UCC, Unidade de Cuidados na Comunidade; URAP, Unidades de Recursos Assistenciais Partilhados; EPE, Entidade P&uacute;blica Empresarial; PPP, Parceria P&uacute;blico-Privada; ULS, Unidade Local de Sa&uacute;de; SPA, Setor P&uacute;blico-Privado; RNCCI, Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. *&nbsp;Departamentos de consultas externas de sa&uacute;de mental, centros comunit&aacute;rios de sa&uacute;de mental e instala&ccedil;&otilde;es de tratamento de dia. **&nbsp;Unidades residenciais, unidades socio ocupacionais e equipas de visitas ao domic&iacute;lio. ***&nbsp;Unidades comunit&aacute;rias de reabilita&ccedil;&atilde;o, unidades de reabilita&ccedil;&atilde;o de alta depend&ecirc;ncia e unidades de cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>H&aacute; tr&ecirc;s tipos de unidades funcionais de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, que devem ser o primeiro passo na liga&ccedil;&atilde;o entre a popula&ccedil;&atilde;o e o Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS), procedendo ao tratamento de alguns doentes e referenciando outros: as Unidades de Cuidados de Sa&uacute;de Personalizados (UCSP), as Unidades de Sa&uacute;de Familiar do Tipo A (USF-A) e as Unidades de Sa&uacute;de Familiar do Tipo B (USF-B). Para al&eacute;m disso, h&aacute; ainda tr&ecirc;s tipos de unidades funcionais, que prestam suporte &agrave;s diferentes unidades apresentadas acima: as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), as Unidades de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP), e as Unidades de Sa&uacute;de P&uacute;blica (USP), que n&atilde;o analisamos por n&atilde;o serem as entidades mais representativas dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, em termos de dimens&atilde;o, or&ccedil;amento e atividade (encontram-se descritas no relat&oacute;rio dispon&iacute;vel online, em <a href="http://www.aasilva.com/mental-health/backend/wp-content/uploads/2017/04/destaque.pdf" target="_blank">http://www.aasilva.com/mental-health/backend/wp-content/uploads/2017/04/destaque.pdf</a>).</p>     <p>H&aacute; tr&ecirc;s estatutos de hospitais em Portugal, cada um com o seu modelo de pagamento: o Hospital &ldquo;Entidade P&uacute;blica Empresarial&rdquo; (EPE), o Hospital &ldquo;Parceria P&uacute;blico-Privada&rdquo; (PPP), e o Hospital &ldquo;Setor P&uacute;blico Administrativo&rdquo; (SPA). Acrescenta-se que, ao n&iacute;vel organizacional, os hospitais gerais podem estar organizados sob a forma de Unidades Locais de Sa&uacute;de (ULS), estruturas que abrangem cuidados hospitalares e cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Embora haja departamentos de sa&uacute;de mental nos tr&ecirc;s estatutos, os hospitais EPE representam 33 hospitais sobre um total de 45 hospitais p&uacute;blicos em Portugal, pelo que optamos por centrar a nossa an&aacute;lise nesta categoria.</p>     <p>The Rubik's Cube is the most popular puzzle on the World. Learn how to solve it with <a href="https://ruwix.com/the-rubiks-cube/how-to-solve-the-rubiks-cube-beginners-method/">the easiest method</a>.</p>     <p>Finalmente, os cuidados de sa&uacute;de terci&aacute;rios s&atilde;o prestados por dois tipos de unidades, que se distinguem pela natureza dos servi&ccedil;os que prestam aos doentes. O primeiro grupo inclui instala&ccedil;&otilde;es residenciais n&atilde;o hospitalares relacionadas ou n&atilde;o com sa&uacute;de para doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais relativamente est&aacute;veis, nomeadamente unidades residenciais, unidades socio ocupacionais e equipas de suporte domicili&aacute;rio. J&aacute; o segundo oferece essencialmente servi&ccedil;os comunit&aacute;rios de reabilita&ccedil;&atilde;o, que incluem cuidados n&atilde;o intensivos, unidades direcionadas para doentes altamente dependentes e instala&ccedil;&otilde;es de cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Foi realizada uma avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica dos modelos de pagamento dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal, focando os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e secund&aacute;rios. Este modelo foi desenvolvido com base em dois m&eacute;todos. Em primeiro lugar, foi realizada uma an&aacute;lise econ&oacute;mica detalhada dos modelos de pagamento dos prestadores de forma geral e da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de mental no sistema de sa&uacute;de portugu&ecirc;s. Esta an&aacute;lise &eacute; essencialmente te&oacute;rica, baseada nos incentivos identificados na literatura, apresentada acima, das diferentes formas de pagamento. Por exemplo, analis&aacute;mos de forma cr&iacute;tica os incentivos criados pelo pagamento baseado no volume de servi&ccedil;os prestados ao n&iacute;vel hospitalar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em segundo lugar, foi organizado um grupo focal com peritos da &aacute;rea da sa&uacute;de mental e da &aacute;rea do financiamento dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de. Este grupo focal foi realizado no dia 28 de setembro de 2015, e juntou 8 peritos:</p>     <p>dois m&eacute;dicos psiquiatras, dos quais um diretor de servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental de um hospital geral;</p>     <p>tr&ecirc;s administradores hospitalares de hospitais psiqui&aacute;tricos e gerais;</p>     <p>tr&ecirc;s representantes de institui&ccedil;&otilde;es centrais e regionais do sistema de sa&uacute;de.</p>     <p>O grupo focal tinha como principal tarefa avaliar o impacto das modalidades de pagamento dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e secund&aacute;rios, de acordo com cada um dos sete crit&eacute;rios apresentados acima. Para tal, foi apresentada a aprecia&ccedil;&atilde;o dos investigadores sobre este impacto, com base na literatura, sendo pedido aos participantes para confirmar ou n&atilde;o a sua exist&ecirc;ncia no contexto portugu&ecirc;s, com a possibilidade de apresenta&ccedil;&atilde;o de efeitos alternativos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios</b></p>     <p>Como j&aacute; mencion&aacute;mos, os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios em Portugal s&atilde;o prestados por diferentes tipos de unidades, que diferem na sua organiza&ccedil;&atilde;o e na forma como s&atilde;o pagas. As UCSP enquadram-se no modelo tradicional de centros de sa&uacute;de, que estava em vigor antes da reforma dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios de 2006. Os profissionais das UCSP recebem um sal&aacute;rio fixo, definido por lei e que depende do n&uacute;mero de horas de trabalho semanais e do n&uacute;mero de anos de experi&ecirc;ncia. Os profissionais das USF-A tamb&eacute;m recebem um sal&aacute;rio fixo mas, para al&eacute;m disso, s&atilde;o avaliados com base numa s&eacute;rie de indicadores de qualidade. &Eacute; definida uma meta quantitativa para cada objetivo e atribu&iacute;da uma pontua&ccedil;&atilde;o global &agrave; USF-A, baseada no sucesso obtido pelos seus profissionais no alcance das metas. Desta forma, cria-se um incentivo financeiro coletivo, j&aacute; que as eventuais recompensas s&atilde;o atribu&iacute;das &agrave; USF-A no seu todo e n&atilde;o aos seus profissionais individualmente, e apenas podem ser utilizadas em a&ccedil;&otilde;es coletivas. Finalmente, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia das USF-B partilham com aqueles que trabalham nas USF-A as suas duas componentes de pagamento, o sal&aacute;rio fixo e os pr&eacute;mios por desempenho coletivo. Podem tamb&eacute;m receber pr&eacute;mios por desempenho individual, tais como os enfermeiros e administradores destas unidades. Para al&eacute;m disso, recebem um montante dependente da extens&atilde;o da sua lista de doentes (o que corresponde a um mecanismo de pagamento de capita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica). Tanto os pr&eacute;mios individuais como o montante pago atrav&eacute;s de capita&ccedil;&atilde;o s&atilde;o complementos ao sal&aacute;rio e podem ser despendidos livremente pelos profissionais. H&aacute; ainda a referir uma componente de FFS, j&aacute; que os m&eacute;dicos recebem 30&euro; por cada consulta domicili&aacute;ria que realizam, at&eacute; um m&aacute;ximo de 20 por m&ecirc;s. A <a href="#t2">Tabela 2</a> resume as modalidades de pagamento dos diferentes tipos de unidades principais de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisando a lista de indicadores utilizados para avaliar o desempenho das USF em 2015 <sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, &eacute; poss&iacute;vel indicar aqueles que dizem respeito &agrave; sa&uacute;de mental:</p>     <p>Um indicador nacional obrigat&oacute;rio para todas as USF: propor&ccedil;&atilde;o de doentes, entre aqueles com 65 anos ou mais, sem prescri&ccedil;&otilde;es de ansiol&iacute;ticos, sedativos e hipn&oacute;ticos;</p>     <p>Tr&ecirc;s indicadores que podem ser escolhidos volunta&shy;riamente ao n&iacute;vel regional ou local: (i) propor&ccedil;&atilde;o de doentes, entre aqueles com 18 anos ou mais, com diagn&oacute;stico de depress&atilde;o com prescri&ccedil;&atilde;o de terapia antidepressiva; (ii) propor&ccedil;&atilde;o de doentes, entre aqueles com 14 anos ou mais, com registo de consumo de &aacute;lcool nos tr&ecirc;s anos mais recentes; (iii) propor&ccedil;&atilde;o de doentes, entre aqueles com 14 anos ou mais, com um problema de &ldquo;consumo excessivo de &aacute;lcool&rdquo; que foram alvo de pelo menos uma consulta nos tr&ecirc;s anos mais recentes.</p>     <p>Incentivos esperados</p>     <p>A <a href="#t3">Tabela 3</a> resume a nossa vis&atilde;o sobre os incentivos produzidos por estas modalidades, na perspetiva da sa&uacute;de mental. Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia n&atilde;o t&ecirc;m incentivos financeiros para se envolverem no tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais. As modalidades de pagamento atualmente em vigor contribuem para isso de pelo menos tr&ecirc;s formas:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os m&eacute;dicos das USF-B s&atilde;o altamente incentivados, pelas modalidades de capita&ccedil;&atilde;o e P4P, a tratar um grande n&uacute;mero de doentes, o que poder&aacute; dar lugar &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de consultas. Como o diagn&oacute;stico e o tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais consomem muito tempo, poder&atilde;o ter tend&ecirc;ncia a ser negligenciadas pelos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia. Nas USF-A, esta situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ter menos import&acirc;ncia porque o efeito do P4P &eacute; atenuado pelo facto de os incentivos serem pagos &agrave; equipa e n&atilde;o aos profissionais. Apesar de esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorrer nas UCSP, o grande n&uacute;mero de doentes que t&ecirc;m que tratar e o n&uacute;mero insuficiente de m&eacute;dicos de fam&iacute;lia em algumas regi&otilde;es <sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> n&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de consultas longas <sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>Os indicadores relacionados com a sa&uacute;de mental t&ecirc;m uma import&acirc;ncia residual no mecanismo de P4P, havendo apenas um indicador apenas ao n&iacute;vel nacional, relacionado com a prescri&ccedil;&atilde;o excessiva de ansiol&iacute;ticos. O indicador referente ao diagn&oacute;stico e tratamento da depress&atilde;o &eacute; utilizado apenas se as USF o decidirem, e ao n&iacute;vel regional ou local. Ainda assim, o facto de estes indicadores existirem leva-nos a concluir que o desincentivo para o envolvimento nos cuidados de sa&uacute;de mental &eacute; menor nas USF do que nas UCSP.</p>     <p>Nas UCSP, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia n&atilde;o s&atilde;o incentivados a funcionar verdadeiramente como gestores do acesso aos cuidados hospitalares, ainda que formalmente estejam incumbidos desta tarefa, j&aacute; que n&atilde;o s&atilde;o penalizados por referencia&ccedil;&atilde;o excessiva, nem recompensados por tratarem os doentes com os quais contactam. De facto, o sal&aacute;rio fixo que constitui a base da sua remunera&ccedil;&atilde;o incentiva a referencia&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o tratamento. Como o sal&aacute;rio fixo assume uma import&acirc;ncia relativa superior nas UCSP, conclu&iacute;mos que &eacute; nestas unidades que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia est&atilde;o menos motivados para tratar doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A continuidade dos cuidados dever&aacute; ser um dos pontos fortes dos profissionais das USF, dada a componente de capita&ccedil;&atilde;o do modelo de pagamento que se lhes aplica. Esta componente ajuda a explicar o significado da express&atilde;o &ldquo;m&eacute;dico de fam&iacute;lia&rdquo;, j&aacute; que esta figura &eacute; respons&aacute;vel pelo seguimento dos doentes da sua lista. No entanto, como j&aacute; foi referido, o pagamento dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios &eacute; totalmente independente do pagamento dos hospitais, pelo que a continuidade deve ser apenas entendida ao n&iacute;vel dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, e n&atilde;o ao n&iacute;vel do percurso do doente, que poder&aacute; passar por v&aacute;rios n&iacute;veis de cuidados. Finalmente, como a capita&ccedil;&atilde;o est&aacute; ausente do modelo de pagamento que se aplica &agrave;s UCSP, n&atilde;o &eacute; de esperar que haja continuidade nos cuidados de sa&uacute;de oferecidos por estas unidades.</p>     <p>Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia n&atilde;o t&ecirc;m incentivos financeiros para se coordenarem ou colaborarem com outros prestadores por pelo menos duas raz&otilde;es:</p>     <p>O pagamento aos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia &eacute; totalmente independente daquele que se aplica aos cuidados de sa&uacute;de especializados. Mais especificamente, o pagamento &eacute; fragmentado pelos diferentes prestadores e os or&ccedil;amentos independentes que existem criam diferentes incentivos para cada prestador.</p>     <p>O tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais n&atilde;o se confi&shy;gura como uma prioridade na lista de indicadores do mecanismo de P4P, o que implica que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia n&atilde;o tenham qualquer incentivo para usar o seu tempo em reuni&otilde;es com especialistas em sa&uacute;de mental, de forma a melhorar o tratamento e o seguimento dos seus doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais. Contudo, o facto de a lista conter indicadores relacionados com a sa&uacute;de mental, ainda que poucos, significa que alguma aten&ccedil;&atilde;o deve ser prestada a este tipo de perturba&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>N&atilde;o h&aacute; grande diferen&ccedil;a entre os incentivos que cada um dos tipos de unidades funcionais de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios tem para contribuir para a preven&ccedil;&atilde;o de perturba&ccedil;&otilde;es mentais. De facto, todos os tr&ecirc;s tipos de unidades s&atilde;o respons&aacute;veis pelos custos da sua atividade o que, assumindo que o custo de implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de preven&ccedil;&atilde;o efetiva &eacute; superado pelas poupan&ccedil;as em futuros tratamentos, deveria encorajar todos eles a afetar alguns dos seus recursos a esta &aacute;rea. Contudo, a escassez de recursos humanos nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios portugueses leva a que as atividades n&atilde;o consideradas essenciais, como as relacionadas com preven&ccedil;&atilde;o, sejam normalmente negligenciadas. Para al&eacute;m disso, os indicadores ligados &agrave; sa&uacute;de mental da lista do mecanismo de P4P aplicado &agrave;s USF n&atilde;o fazem qualquer men&ccedil;&atilde;o &agrave; preven&ccedil;&atilde;o, levando a que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia direcionem a sua aten&ccedil;&atilde;o para outras atividades com potencial de remunera&ccedil;&atilde;o. Levando tudo isto em considera&ccedil;&atilde;o, consideramos que o atual modelo de pagamento n&atilde;o favorece a preven&ccedil;&atilde;o de perturba&ccedil;&otilde;es mentais.</p>     <p>Os modelos de pagamento dos tr&ecirc;s tipos de unidades geram os mesmos incentivos no que diz respeito &agrave; acessibilidade dos cuidados de sa&uacute;de. As consequ&ecirc;ncias negativas que adviriam da recusa em tratar um doente eleg&iacute;vel por parte de uma unidade de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, nomeadamente os danos reputacionais e as poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es legais que seriam intentadas, tornam essa recusa altamente implaus&iacute;vel. O acesso a uma consulta de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios implica o pagamento de uma taxa moderadora com o valor de 5&euro; por parte dos utilizadores, sendo que alguns grupos de pessoas, que constituem uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o isentos (por exemplo, em 2011, aproximadamente 43% dos portugueses estavam isentos dos pagamentos de taxas moderadoras). Estes argumentos apontam no sentido de n&atilde;o haver barreiras financeiras ao acesso aos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. No entanto, como j&aacute; referimos, existe em Portugal um problema de insufici&ecirc;ncia de m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, que implica que a uma parte da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; atribu&iacute;do nenhum, criando-lhe dificuldades em garantir uma consulta numa unidade de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, o que mais do que compensa, na nossa perspetiva, os benef&iacute;cios dos baixos copagamentos.</p>     <p>Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia das UCSP t&ecirc;m um sal&aacute;rio fixo como &uacute;nica fonte de rendimento, pelo que n&atilde;o t&ecirc;m qualquer incentivo a discriminar doentes, apesar de tamb&eacute;m n&atilde;o serem encorajados a n&atilde;o o fazer. Nas USF-B, por outro lado, h&aacute; uma componente de capita&ccedil;&atilde;o que &eacute; ajustada apenas pela idade, o que torna alguns doentes mais lucrativos do que outros (por exemplo, os doentes cr&oacute;nicos implicam custos de tratamento muito altos). Desta forma, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia podem oferecer a alguns doentes melhor tratamento do que a outros, ainda que n&atilde;o possam recusar tratamento a nenhum doente da sua lista. Para al&eacute;m disso, a componente de P4P que existe no modelo de pagamento das USF cria um incentivo para que se privilegiem os doentes que mais podem contribuir para o cumprimento das metas definidas. Finalmente, n&atilde;o existe qualquer tipo de recompensa para o tratamento de doentes vulner&aacute;veis, ou para a redu&ccedil;&atilde;o de desigualdades na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. Desta forma, consideramos que o modelo de pagamento das USF (A e B) &eacute; desfavor&aacute;vel &agrave; n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Quanto &agrave; efici&ecirc;ncia, os m&eacute;dicos das UCSP n&atilde;o t&ecirc;m um incentivo espec&iacute;fico para a procurarem, j&aacute; que o pagamento que recebem &eacute; independente das despesas em que incorrem no exerc&iacute;cio da sua atividade. Em contraste, o pagamento por capita&ccedil;&atilde;o, bem como os indicadores nacionais relativos &agrave;s despesas em medicamentos e exames, encoraja os m&eacute;dicos das USF a procurarem pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas t&atilde;o eficientes quanto poss&iacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cuidados de sa&uacute;de secund&aacute;rios</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo de pagamento que se aplica aos hospitais EPE &eacute; essencialmente baseado no n&iacute;vel da atividade que desenvolvem, com limites de volume. &Eacute; constitu&iacute;do por cinco componentes: (i) um pagamento por caso para doen&ccedil;as espec&iacute;ficas, com limite de volume; (ii) um pagamento por epis&oacute;dio de internamento e consulta, com limite de volume; (iii) um pagamento per diem para internamentos de doentes cr&oacute;nicos; (iv) um mecanismo de pay-for-performance. Com base no contrato-programa estabelecido entre a Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de e os hospitais <sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>, detalhamos agora cada uma destas componentes.</p>     <p>Componentes de financiamento</p>     <p>Pagamento por caso para doen&ccedil;as espec&iacute;ficas, com limite de volume</p>     <p>Este mecanismo inovador tem sido implementado nos &uacute;ltimos anos para o financiamento de doen&ccedil;as espec&iacute;ficas como o VIH/SIDA e alguns tipos de cancro. Pelo tratamento anual de doentes com estas doen&ccedil;as, os hospitais recebem um pagamento prospetivo fixo, independente dos cuidados prestados e de quem os presta. &Eacute; importante mencionar que este mecanismo de pagamento n&atilde;o se aplica ao tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais.</p>     <p>Pagamento por epis&oacute;dio de internamento, com limite de volume</p>     <p>O valor pago por cada internamento depende do &iacute;ndice hist&oacute;rico de casemix (baseado no GDH) dos hospitais, que, partindo de um valor base, &eacute; adaptado de acordo com as carater&iacute;sticas dos hospitais (para mais detalhes sobre a forma de c&aacute;lculo deste &iacute;ndice, consultar <sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>). Por exemplo, os internamentos no Centro Hospitalar de Lisboa Norte, um hospital universit&aacute;rio com um dos mais altos &iacute;ndices de casemix do pa&iacute;s em 2015, s&atilde;o valorizados em 2.056&euro;, se forem m&eacute;dicos, e 2.120&euro;, se forem cir&uacute;rgicos. Em compara&ccedil;&atilde;o, o Hospital Distrital de Santar&eacute;m, um pequeno hospital de uma pequena cidade, que tem um &iacute;ndice de casemix mais baixo, recebe 1.710&euro; por internamento, quer seja m&eacute;dico ou cir&uacute;rgico.</p>     <p>Pagamento per diem para internamentos de doentes cr&oacute;nicos</p>     <p>Um valor di&aacute;rio &eacute; atribu&iacute;do aos internamentos de doentes com doen&ccedil;as cr&oacute;nicas espec&iacute;ficas, incluindo a psiquiatria cr&oacute;nica e reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial. O pagamento di&aacute;rio para perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas &eacute; de 37,33&euro;. Os hospitais EPE especializam-se no tratamento das fases agudas de doen&ccedil;as, mas o tratamento dos doentes cr&oacute;nicos exige a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados n&atilde;o agudos de longa dura&ccedil;&atilde;o. Em Portugal, estes cuidados s&atilde;o maioritariamente prestados por institui&ccedil;&otilde;es sociais independentes do SNS, nomeadamente associa&ccedil;&otilde;es e ordens religiosas. Caso os hospitais optem por referenciar os doentes cr&oacute;nicos para estas institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o obrigados a pagar as suas estadias, sendo, no entanto, reembolsados em 38,89&euro; por dia de internamento. A <a href="#t4">Tabela 4</a> cont&eacute;m este e outros valores relativos ao tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais por parte dos hospitais EPE.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pagamento por epis&oacute;dio de consulta, com limite de volume</p>     <p>Para cada hospital, um certo volume de consultas, hospital de dia e visitas de emerg&ecirc;ncia &eacute; contratualizado anualmente, numa base prospetiva. O pre&ccedil;o de cada um destes itens &eacute; tamb&eacute;m fixado prospetivamente e varia normalmente de acordo com o tipo de hospital. A t&iacute;tulo de exemplo, podemos referir os pre&ccedil;os fixados em 2015. O pre&ccedil;o das consultas variava entre 37,20&euro; e 106,85&euro;, dependendo do tipo de hospital. J&aacute; uma visita de emerg&ecirc;ncia num departamento de emerg&ecirc;ncia polivalente estava avaliada em 107,59&euro;. Finalmente, nos hospitais psiqui&aacute;tricos e nos departamentos de psiquiatria de hospitais gerais, as primeiras consultas tinham o valor de 102,30&euro; e as restantes de 99,32&euro;. O valor pago por consulta &eacute; usado para financiar todos os recursos com ela relacionados, nomeadamente an&aacute;lises, exames e medica&ccedil;&atilde;o entregue exclusivamente pelos hospitais. &Eacute; por esta raz&atilde;o que optamos por classificar o pagamento de consultas como um mecanismo de pagamento por epis&oacute;dio e n&atilde;o como FFS. Para encorajar a realiza&ccedil;&atilde;o de consultas psiqui&aacute;tricas na comunidade por parte de profissionais do hospital, um mecanismo de pagamento por epis&oacute;dio sem limite de volume foi tamb&eacute;m institu&iacute;do em 2013. As primeiras consultas psiqui&aacute;tricas na comunidade, bem como aquelas que recorrem &agrave; telemedicina s&atilde;o valorizadas em 112,53&euro;, enquanto que o valor atribu&iacute;do &agrave;s restantes &eacute; de 109,25&euro;. Contudo, relatos informais apontam no sentido de este tipo de consultas ter sido, at&eacute; agora, ignorado na elabora&ccedil;&atilde;o de or&ccedil;amentos de hospitais, o que significa que, na pr&aacute;tica, esta componente do modelo de pagamento aos hospitais ainda n&atilde;o foi implementada.</p>     <p>Pay-for-performance</p>     <p>Na base deste mecanismo, uma lista de 16 indicadores &eacute; definida nacionalmente, estando estes relacionados com acesso, qualidade dos cuidados e sustentabilidade/efici&ecirc;ncia. Para al&eacute;m disso, s&atilde;o tamb&eacute;m definidos indicadores a n&iacute;vel regional, pelas Administra&ccedil;&otilde;es Regionais de Sa&uacute;de. O cumprimento ou n&atilde;o das metas definidas por estes indicadores determina 5% do or&ccedil;amento dos hospitais (como definido nos n&uacute;meros anteriores). De notar que nenhum destes indicadores est&aacute; diretamente ligado &agrave; sa&uacute;de mental.</p>     <p>Incentivos esperados</p>     <p>Os incentivos que se espera que as modalidades de pagamento aos hospitais criem est&atilde;o resumidos na <a href="#t5">Tabela 5</a>. Os crit&eacute;rios que guiam esta an&aacute;lise s&atilde;o os mesmos de que nos socorremos no estudo dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, com a exce&ccedil;&atilde;o da abrang&ecirc;ncia/envolvimento no tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais, que n&atilde;o faz sentido analisar no contexto de cuidados especializados em sa&uacute;de mental.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/pjph/v35n3/35n3a03t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Pagamento por epis&oacute;dio de internamento, com limite de volume</p>     <p>A continuidade e a coordena&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o favorecidas por este mecanismo, que financia os internamentos sem levar em linha de conta os cuidados prestados antes e depois de eles ocorrerem, quer esses cuidados sejam prestados pelo hospital onde decorre o internamento ou por outro prestador. Como o foco deste mecanismo est&aacute; apenas nos internamentos, que n&atilde;o t&ecirc;m qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a preven&ccedil;&atilde;o, podemos dizer que o mecanismo &eacute; neutro no que diz respeito a este crit&eacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O impacto do pagamento por epis&oacute;dio na acessibilidade depende crucialmente da distribui&ccedil;&atilde;o do lucro gerado pelos doentes. Se uma grande parte dos doentes necessitar de um tratamento cujo custo &eacute; superior ao valor recebido pelos hospitais para o efetuar, &eacute; expet&aacute;vel que existam barreiras que dificultem o acesso dos doentes ao tratamento. Caso contr&aacute;rio, os hospitais preferem tratar um grande n&uacute;mero de doentes e o acesso dever&aacute; ser facilitado. No que diz respeito &agrave; n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante n&atilde;o nos ficarmos por uma an&aacute;lise superficial. Uma primeira observa&ccedil;&atilde;o poderia levar-nos a afirmar que n&atilde;o deve haver incentivos para negligenciar os casos mais complexos, que implicam normalmente uma maior compensa&ccedil;&atilde;o para os hospitais. Contudo, &eacute; importante ter em aten&ccedil;&atilde;o a forma como os &iacute;ndices de casemix influenciam os pagamentos a receber. Em particular, devemos lembrar-nos que s&atilde;o definidos valores fixos para grupos de doentes que podem ter carater&iacute;sticas substancialmente diferentes, o que pode levar a que o custo de tratamento exceda o valor a receber pelos hospitais em alguns deles, mas n&atilde;o noutros. Caso isto seja uma realidade, os hospitais t&ecirc;m um incentivo para selecionar ou oferecer melhor tratamento, em termos relativos, a algumas subcategorias de doentes. Podemos tamb&eacute;m afirmar que esta forma de pagamento cria incentivos para um grande n&uacute;mero de internamentos, atrav&eacute;s, por exemplo, da divis&atilde;o de um epis&oacute;dio em v&aacute;rios, ou do favorecimento de readmiss&otilde;es, o que pode ser ineficiente. Este problema &eacute; amplificado pela inadequa&ccedil;&atilde;o dos GDH na &aacute;rea da sa&uacute;de mental, apontada na literatura, que provoca um sub-financiamento para estes casos. No entanto, a exist&ecirc;ncia de limites de volume mitiga este problema e o facto de serem os pr&oacute;prios hospitais a pagar os custos dos seus internamentos deve lev&aacute;-los a procurar ser t&atilde;o eficientes quanto poss&iacute;vel. Existindo um argumento atenuado contra a efici&ecirc;ncia e outro a seu favor, conclu&iacute;mos que este mecanismo de pagamento &eacute; favor&aacute;vel a que ela se verifique.</p>     <p>Pagamento per diem para internamentos de doentes cr&oacute;nicos</p>     <p>O tratamento de doentes cr&oacute;nicos &eacute; financiado atrav&eacute;s de um mecanismo de per diem, o que favorece internamentos muito longos. A continuidade dos cuidados de sa&uacute;de deve beneficiar deste facto, na medida em que &eacute; previs&iacute;vel que os doentes sejam observados durante muito tempo por profissionais de sa&uacute;de do mesmo hospital. Este esquema incentiva um tratamento realizado integralmente num hospital, o que prejudica a colabora&ccedil;&atilde;o entre prestadores. Como j&aacute; referimos, n&atilde;o faz sentido que a preven&ccedil;&atilde;o ocorra num contexto de internamentos, pelo que n&atilde;o &eacute; incentivada ou desfavorecida por este mecanismo. Assim como acontece no pagamento por epis&oacute;dio, o impacto deste mecanismo na acessibilidade dos cuidados de sa&uacute;de depende da rentabilidade do tratamento dos doentes. Se assumirmos que os hospitais s&atilde;o capazes de identificar os subgrupos de doentes mais rent&aacute;veis, podemos afirmar que existe um incentivo para oferecer a alguns doentes um tratamento melhor, em termos relativos, do que a outros. Tamb&eacute;m como referido na an&aacute;lise do mecanismo anterior, os custos dos internamentos s&atilde;o suportados pelos hospitais, o que significa que estes s&atilde;o incentivados a prestar cada servi&ccedil;o m&eacute;dico ao menor custo poss&iacute;vel. No entanto, a dura&ccedil;&atilde;o exagerada dos internamentos implica uma utiliza&ccedil;&atilde;o ineficiente dos recursos dispon&iacute;veis, porque aqueles destinados a doentes que j&aacute; n&atilde;o necessitam de tratamento seriam mais bem aproveitados se fossem direcionados para os doentes que realmente necessitam deles. Como este mecanismo n&atilde;o inclui um limite de volume, consideramos que o segundo efeito domina o primeiro, e que a efici&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; incentivada.</p>     <p>Pagamento por caso para doen&ccedil;as espec&iacute;ficas com limite de volume</p>     <p>O pagamento por caso contabiliza cada servi&ccedil;o m&eacute;dico espec&iacute;fico isoladamente, o que n&atilde;o favorece a continuidade nas rela&ccedil;&otilde;es entre os hospitais e os doentes. Aplica-se apenas ao tratamento que &eacute; efetuado nos hospitais, pelo que n&atilde;o incentiva a coordena&ccedil;&atilde;o entre diferentes prestadores de cuidados de sa&uacute;de. No entanto, as consultas psiqui&aacute;tricas realizadas na comunidade s&atilde;o (pelo menos em teoria) mais bem remuneradas do que as que t&ecirc;m lugar nos hospitais, o que conduz a um tratamento eficaz, conforme referido pela OMS, quando menciona os m&eacute;ritos da desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m ao trabalho conjunto entre hospitais e outras institui&ccedil;&otilde;es que os auxiliam na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. &Eacute; por isto que, na <a href="#t5">Tabela 5</a>, definimos que a coordena&ccedil;&atilde;o &eacute; ligeiramente favorecida por este mecanismo. N&atilde;o est&aacute; contemplada qualquer recompensa para a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades de preven&ccedil;&atilde;o, que consomem muito tempo e, pelo contr&aacute;rio, as atividades de curta dura&ccedil;&atilde;o s&atilde;o incentivadas, no sentido de maximizar o n&uacute;mero de atividades realizadas e a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades r&aacute;pidas &eacute; favorecida, para que o seu n&uacute;mero seja maximizado, pelo que consideramos que esta modalidade &eacute; desfavor&aacute;vel &agrave; preven&ccedil;&atilde;o. Quanto &agrave; acessibilidade, podemos aplicar a mesma l&oacute;gica que utiliz&aacute;mos na an&aacute;lise das duas modalidades anteriores, da&iacute; o sinal de ambiguidade na <a href="#t5">Tabela 5</a>. A n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o pode estar em causa com este mecanismo, j&aacute; que o valor pago por consulta &eacute; fixo e o seu custo &eacute; suportado pelos hospitais, o que pode lev&aacute;-los a oferecer o mesmo tratamento a doentes com necessidades diferentes. O impacto deste mecanismo na efici&ecirc;ncia est&aacute; relacionado quer com custos, quer com o n&iacute;vel de atividade. Por um lado, cria um incentivo para oferecer cada servi&ccedil;o ao menor custo poss&iacute;vel, j&aacute; que o valor pago por cada servi&ccedil;o &eacute; fixo e independente do seu custo, o que significa que qualquer poupan&ccedil;a &eacute; apropriada pelos hospitais. Por outro, existe um incentivo claro para um alto n&iacute;vel de atividade (seja ela consubstanciada em consultas, estadias ou casos de dia, por exemplo), desde que o limite acordado n&atilde;o seja ultrapassado. Se o limite for superado, este incentivo &eacute; atenuado, j&aacute; que n&atilde;o &eacute; seguro que a atividade adicional implique uma compensa&ccedil;&atilde;o financeira. Contudo, a longo prazo, pode ser uma boa estrat&eacute;gia para os hospitais produzirem acima do contratado, j&aacute; que desta forma ganham margem para conseguir um teto de atividade mais elevado (e, portanto, um maior or&ccedil;amento) em futuras negocia&ccedil;&otilde;es. Em resumo, &eacute; nossa opini&atilde;o que este mecanismo conduz a um alto n&iacute;vel de atividade, at&eacute; um certo limite. Se a atividade for exagerada e forem oferecidos mais cuidados de sa&uacute;de do que seria desej&aacute;vel, gera-se um desperd&iacute;cio de recursos, que afeta negativamente a efici&ecirc;ncia. No entanto, este efeito est&aacute; limitado por um teto de atividade, enquanto que o primeiro, que vai em sentido contr&aacute;rio, n&atilde;o apresenta qualquer restri&ccedil;&atilde;o. Desta forma, pensamos neste mecanismo como incentivador de efici&ecirc;ncia.</p> Pay-for-performance     <p>A continuidade de cuidados de sa&uacute;de, colabora&ccedil;&atilde;o entre entidades, preven&ccedil;&atilde;o de problemas de sa&uacute;de e acesso a servi&ccedil;os m&eacute;dicos n&atilde;o est&atilde;o relacionados com os indicadores presentes na lista que se aplica aos hospitais EPE, pelo que este mecanismo &eacute; neutro no que diz respeito a estes crit&eacute;rios.</p>     <p>A n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute; posta em causa pelo risco de os hospitais oferecerem cuidados de sa&uacute;de de baixa qualidade aos doentes cujo tratamento n&atilde;o contribui para o cumprimento dos objetivos definidos pelos indicadores (por exemplo, dando altas precoces ou evitando a readmiss&atilde;o de doentes). Em contraste, este mecanismo &eacute; favor&aacute;vel &agrave; efici&ecirc;ncia, j&aacute; que existem indicadores com ela relacionados, nomeadamente a percentagem de readmiss&otilde;es e estadias longas, o consumo de medicamentos gen&eacute;ricos e a percentagem de cirurgias de dia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cuidados de sa&uacute;de terci&aacute;rios</b></p>     <p>No que diz respeito &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o a doentes complexos ou altamente dependentes, os hospitais de agudos recebem 37&euro; di&aacute;rios pelo tratamento de doentes psiqui&aacute;tricos cr&oacute;nicos. Caso um doente seja transferido para uma instala&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental, esta recebe um per diem de 38&euro; do hospital que o referenciou. Estas institui&ccedil;&otilde;es tratam tamb&eacute;m doentes com seguros de sa&uacute;de privados ou sem seguro de sa&uacute;de. Apesar de n&atilde;o haver informa&ccedil;&otilde;es oficiais sobre a forma como as estadias destes doentes s&atilde;o cobradas, relatos informais apontam no sentido de consistirem tamb&eacute;m num per diem, cujo valor &eacute; geralmente superior aos 38&euro; recebidos por pacientes provenientes do SNS.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As instala&ccedil;&otilde;es residenciais s&atilde;o tamb&eacute;m oficialmente financiadas atrav&eacute;s de um per diem. Os valores variam entre 12,83&euro; e 50,89&euro;, de acordo com o grau de apoio, sendo que o limite inferior &eacute; atribu&iacute;do a resid&ecirc;ncias totalmente aut&oacute;nomas e o superior &agrave;quelas que t&ecirc;m uma maior necessidade de apoio <sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. As unidades s&oacute;cio-ocupacionais recebem tamb&eacute;m um per diem, de 27,36&euro;.</p>     <p>Os incentivos criados por um mecanismo de per diem j&aacute; foram discutidos, quando nos referimos ao pagamento aos Hospitais EPE, mas voltamos a mencion&aacute;-los, agora neste contexto. Existe uma tend&ecirc;ncia para favorecer estadias longas e em grande n&uacute;mero, enquanto que a efici&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; promovida, a n&atilde;o ser que o valor do per diem seja reduzido. A acessibilidade pode ser um problema ou n&atilde;o, dependendo da distribui&ccedil;&atilde;o da rentabilidade dos doentes. Existe um incentivo para discriminar pacientes, prejudicando aqueles cujo tratamento &eacute; mais caro. A des&shy;institucionaliza&ccedil;&atilde;o e a colabora&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es &eacute; favorecida nas situa&ccedil;&otilde;es em que os hospitais de agudos s&atilde;o respons&aacute;veis pelo pagamento das estadias dos seus doentes em instala&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais. No entanto, este caso &eacute; t&atilde;o espec&iacute;fico, que n&atilde;o &eacute; suficiente para nos levar a atribuir uma nota positiva a este crit&eacute;rio. A preven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o faz sentido neste contexto e a continuidade &eacute; privilegiada pela natureza de longo prazo deste tipo de cuidados de sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O pagamento a prestadores de cuidados de sa&uacute;de mental em Portugal &eacute; bastante diversificado e oferece incentivos interessantes que contribuem para o cumprimento de objetivos de sa&uacute;de p&uacute;blica. O pagamento &agrave;s USF, na sua vertente de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, &eacute; muito promissor, principalmente por combinar componentes de capita&ccedil;&atilde;o e pay-for-performance, o que permite n&atilde;o apenas que sejam oferecidos cuidados de sa&uacute;de ajustados &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m que o sejam de forma tendencialmente eficiente. O pagamento pre&ccedil;o-volume aos Hospitais EPE tem tamb&eacute;m aspetos interessantes, embora seja menos ambicioso.</p>     <p>No entanto, parece claro que existem diferentes modalidades de pagamento para o mesmo n&iacute;vel de cuidados e que as modalidades para os diferentes n&iacute;veis foram de&shy;senhados de forma isolada, sem articula&ccedil;&atilde;o entre si. Esta realidade leva-nos a apontar tr&ecirc;s grandes problemas do modelo de pagamento atualmente existente:</p>     <p>Diferentes modalidades de pagamento induzem pr&aacute;ticas diferentes no mesmo n&iacute;vel de cuidados de sa&uacute;de, o que leva a que doentes com problemas semelhantes sejam alvo de tratamentos diferentes, se n&atilde;o forem tratados pelo mesmo prestador. Por exemplo, nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, &eacute; muito prov&aacute;vel que um doente n&atilde;o seja tratado da mesma forma numa UCSP e numa USF.</p>     <p>O sistema n&atilde;o foi desenhado de forma a que os incentivos que cria nos diferentes n&iacute;veis de cuidados sejam compat&iacute;veis entre si, o que pode resultar em problemas de coordena&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, as unidades de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios s&atilde;o incentivadas a referenciar para cuidados especializados em grande quantidade, mas estes nem sempre t&ecirc;m interesse em tratar um grande n&uacute;mero de doentes.</p>     <p>Os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m incentivos nem condi&ccedil;&otilde;es materiais para tratar doentes com perturba&ccedil;&otilde;es mentais ou para trabalhar na preven&ccedil;&atilde;o destes problemas. Este &eacute; um problema importante, que implica que os cuidados de sa&uacute;de secund&aacute;rios tenham um peso que poderia ser evitado, o que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, significa que os doentes saem prejudicados.</p>     <p>O modelo de pagamento atual apresenta ainda outros problemas, que se manifestam em todos os n&iacute;veis de cuidados de sa&uacute;de:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o incentivados a privilegiar a continuidade de cuidados, o baixo n&iacute;vel de referencia&ccedil;&atilde;o e a preven&ccedil;&atilde;o, com a exce&ccedil;&atilde;o talvez das USF-B, que s&atilde;o pagas (tamb&eacute;m, mas n&atilde;o s&oacute;) por capita&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m disso, as modalidades de pagamento que se lhes aplica n&atilde;o favorece o tratamento dos doentes mais vulner&aacute;veis, e o reduzido n&uacute;mero de m&eacute;dicos de fam&iacute;lia limita o acesso aos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, sendo que os principais prejudicados por esta realidade s&atilde;o os cidad&atilde;os que n&atilde;o t&ecirc;m capacidade financeira para aceder aos cuidados de sa&uacute;de privados.</p>     <p>O pagamento aos hospitais est&aacute; basicamente dependente do n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o dos diferentes servi&ccedil;os que prestam, o que n&atilde;o ajuda a que exista uma vis&atilde;o integrada do estado de sa&uacute;de dos doentes e uma concen&shy;tra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na preven&ccedil;&atilde;o, continuidade de cuidados e colabora&ccedil;&atilde;o entre prestadores. Em particular, n&atilde;o &eacute; fomentada a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de comunit&aacute;rios, ou seja, fora dos hospitais.</p>     <p>A revis&atilde;o do modelo de pagamento atual e apresenta&ccedil;&atilde;o de propostas alternativas n&atilde;o faz parte do &acirc;mbito deste relat&oacute;rio. Ainda assim, depois de concluirmos a nossa avalia&ccedil;&atilde;o do modelo, parece-nos que a cria&ccedil;&atilde;o de modelos de pagamento inovadores, que incentivem a coordena&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, em detrimento de outros simplesmente baseados em n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; um ca&shy;minho promissor. O atual modelo de pagamento das USF-B &eacute; um exemplo a seguir, e pode ser estendido a todas as unidades de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, pelo menos por raz&otilde;es de equidade. O envolvimento destes cuidados no tratamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais leves deve ser explicitamente incentivado e facilitado, atrav&eacute;s, por exemplo, de um mecanismo de pay-for-performance e do refor&ccedil;o dos recursos humanos dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>APOIO</b></p>     <p>Este projeto, com o c&oacute;digo 00065SM1, teve o apoio do Programa de Iniciativas de Sa&uacute;de P&uacute;blica (PT06), financiado pelo Mecanismo Financeiro EEA Grants 2009-2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Received: July 15, 2016</p>     <p>Accepted: November 6, 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERENCES</b></p>     <p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Portugal, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional para a Sa&uacute;de Mental: Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental 2007&ndash;2016. Lisboa, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 2008. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Caldas-de-Almeida J, Xavier M: Estudo epidemiol&oacute;gico de sa&uacute;de mental. Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Universidade Nova de Lisboa, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088464&pid=S2504-3145201700030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Observat&oacute;rio Portugu&ecirc;s do Sistema de Sa&uacute;de: Relat&oacute;rio de Primavera 2017. Lisboa, OPSS, 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088466&pid=S2504-3145201700030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Portugal, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de: Portugal: sa&uacute;de mental em n&uacute;me ros &ndash; 2014. Lisboa, Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de, 2014. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> OECD: OECD Health Statistics 2014. Paris, OECD Publishing, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088469&pid=S2504-3145201700030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Charlesworth A, Davies A, Dixon J: Reforming Payment for Health Care in Europe to Achieve Better Value. London, Nuffield Trust, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088471&pid=S2504-3145201700030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> McGuire TG: Physician agency; in Culyer AJ, Newhouse JP (eds): Handbook of Health Economics, vol 1A. North Holland, Elsevier, 2000, pp 461&ndash;536. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Rosko MD, Broyles RW: The Economics of Health Care: A Reference Handbook. Westport, Greenwood Publishing Group, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088474&pid=S2504-3145201700030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> The REFINEMENT (REsearch on FINancing systems&rsquo; Effect on the quality of MENTal health care) Project: The REFINEMENT Decision Support Toolkit for Improving the Financing of Mental Health Care: REFINEMENT Work Package 9: Building Optimal Models of Mental Health Care Financing. Verona, The REFINEMENT Consortium, University of Verona, 2015. Available from: <a href="http://www.refinementproject.eu/" target="_blank">http://www.refinementproject.eu/</a>. </p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Rice T: The physician as the patient agent; in Jones AM (ed): The Elgar Companion to Health Economics. Northampton, Edward Elgar Publishing, 2006, pp 261&ndash;268. </p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Robinson JC: Theory and practice in the design of physician payment incentives. Milbank Q 2001; 79: 149&ndash;177.10.1111/1468-0009.0020211439463 </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Barros PP: Economia da sa&uacute;de, conceitos e comportamentos, ed 3. Coimbra, Almedina, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088479&pid=S2504-3145201700030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Ettner SL, Schoenbaum M: The role of economic incentives in improving the quality of mental health care; in Jones AM (ed): The Elgar Companion to Health Economics. Northampton, Edward Elgar Publishing, 2006, pp 286&ndash;295. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Dwyer DS, Mitchell OS, Cole R, Reed SK: Evaluating Mental Health Capitation Treatment: Lessons from Panel Data. Cambridge, National Bureau of Economic Research, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088482&pid=S2504-3145201700030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Bloom JR, Hu TW, Wallace N, Cuffel B, Hausman JW, Sheu ML, et al: Mental health costs and access under alternative capitation systems in Colorado. Health Serv Res 2002; 37: 315&ndash;340. </p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Chou AF, Wallace N, Bloom JR, Hu TW: Variation in outpatient mental health service utilization under capitation. J Ment Health Policy Econ 2005; 8: 3&ndash;14. </p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Knapp M, McDaid D, Amaddeo F, Constantopoulos A, Oliveira MD, Salvador-Carulla L, et al: Financing mental health care in Europe. J Ment Health 2007; 16: 167&ndash;180. </p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Drozd EM, Cromwell J, Gage B, Maier J, Greenwald LM, Goldman HH: Patient casemix classification for medicare psychiatric prospective payment. Am J Psychiatry 2006; 163: 724&ndash;732.10.1176/appi.ajp.163.4.72416585450 </p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Zechmeister I, Osterle A, Denk P, Katschnig H: Incentives in financing mental health care in Austria. J Ment Health Policy Econ 2002; 5: 121&ndash;130. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Hagenbichler E: The Austrian DRG System. Vienna, Federal Ministry of Health, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088489&pid=S2504-3145201700030000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Jacobs R, Chalkley M, Arag&oacute;n MJ, B&ouml;hnke JR, Clark M, Moran V, et al: Funding of mental health services: do available data support episodic payment? York, Center for Health Economics, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088491&pid=S2504-3145201700030000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> NHS England: Mental Health Clustering Booklet. London, NHS England Publications, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088493&pid=S2504-3145201700030000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> World Health Organization: Quality of Care: A Process for Making Strategic Choices in Health Systems. Geneva, World Health Organization, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088495&pid=S2504-3145201700030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Wilson A, Windak A, Oleszczyk M, Wilm S, Hasvold T, Kringos D: The delivery of primary care services; in Kringos DS, Boerma WG, Hutchinson A, Saltman RB (eds): Building Primary Care in a Changing Europe. 1. UK, European Observatory on Health Systems and Policies, 2015, pp 67&ndash;102. </p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Adair CE, McDougall GM, Mitton CR, Joyce AS, Wild TC, Gordon A, et al: Continuity of care and health outcomes among persons with severe mental illness. Psychiatr Serv 2014; 56: 1061&ndash;1069.10.1176/appi.ps.56.9.106116148318 </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Caldas-de-Almeida J, Killaspy H: Long-Term Mental Health Care for People with Severe Mental Disorders. Brussels, European Union, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088499&pid=S2504-3145201700030000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> OECD: Making Mental Health Count: The Social and Economic Costs of Neglecting Mental Health Care (OECD Health Policy Studies). Paris, OECD Publishing, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088501&pid=S2504-3145201700030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Knapp M, McDaid D, Parsonage M: Mental Health Promotion and Mental Illness Prevention: The Economic Case. London, Department of Health, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088503&pid=S2504-3145201700030000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Joint Action on Mental Health and Well-Being: Towards Community-Based and Socially Inclusive Mental Health Care: Situation Analysis and Recommendations for Action. Lisboa, Joint Action on Mental Health and Well-Being, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa, 2015. </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Portugal, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, ACSS: Metodologia de contratualiza&ccedil;&atilde;o para os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios no ano de 2015. Lisboa, Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de S&aacute;ude, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088506&pid=S2504-3145201700030000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Marcelino G, Cerveira JM, Carvalho I, Costa JA, Lopes M, Calado NE, et al: Burnout levels among Portuguese family doctors: a nationwide survey. BMJ Open 2012; 2:e001050.10.1136/bmjopen-2012-00105022710131 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088508&pid=S2504-3145201700030000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Granja M, Ponte C, Cavadas LF: What keeps family physicians busy in Portugal? A multicentre observational study of work other than direct patient contacts. BMJ Open 2014; 4: e005026.10.1136/bmjopen-2014-00502624934208 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088509&pid=S2504-3145201700030000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Portugal, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, ACSS: Contrato-programa 2015: Metodologia para defini &ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os e fixa&ccedil;&atilde;o de objetivos. Lisboa, Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de S&aacute;ude, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2088510&pid=S2504-3145201700030000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Portugal, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, ACSS: C&aacute;lculo dos doentes equivalentes e do &Iacute;ndice de Case-Mix de acordo com a Portaria n.&ordm; 839-A/2009. Lisboa, Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de S&aacute;ude, 2015. Available from: <a href="http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/C%C3%A1lculo%20%20do%20doente%20equivalente%20e%20ICM_2009_Finaln.pdf" target="_blank">http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/C%C3%A1lculo %20do%20doente%20equivalente%20e%20ICM_2009_Finaln.pdf</a>. </p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Portaria n.&ordm; 183/2011. Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica. 1&ordf; S&eacute;rie. n.&ordm; 87 (2011&ndash;05&ndash;05): 2540-42. 2011.       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
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