Scielo RSS <![CDATA[Etnográfica]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=0873-656120250003&lang=pt vol. 29 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[Running as a happiness therapy in contemporary Argentina: theoretical dilemmas on “therapeutic cultures”]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300577&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen La reflexión sistemática sobre las denominadas “culturas terapéuticas” se ha consolidado en torno a conjunto de definiciones que las colocan como expresiones crudas de la ideología neoliberal. De esta manera, dispositivos terapéuticos por demás diversos y que enrolan actores heterogéneos son descriptos de forma lineal como promotores de valores individualistas expresados de manera fundamental en la búsqueda de la felicidad. A partir de la etnografía sobre el running como estilo de vida en la Argentina contemporánea se pretende mostrar las limitaciones de estos abordajes normativos que, desde definiciones a priori, son incapaces de comprender las apropiaciones situadas que los actores realizan de estos dispositivos que evidencian amplios márgenes de apropiación diferencial.<hr/>Abstract The systematic reflection on so-called “therapeutic cultures” has coalesced around a set of definitions that portray them as raw expressions of neoliberal ideology. In this view, highly diverse therapeutic frameworks involving heterogeneous actors are described in a linear fashion as promoters of individualistic values, primarily expressed through the pursuit of happiness. Based on ethnographic research on running as a lifestyle in contemporary Argentina, I aim to highlight the limitations of these normative approaches which, relying on a priori definitions, fail to grasp the situated appropriations that actors make of these dispositifs - appropriations that reveal a wide range of differential uses. <![CDATA[Inquietações e reflexões sobre a antropologia no Japão: uma perspectiva crítica, histórica e autobiográfica]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300599&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em uma etnografia realizada no Japão por quase uma década, descrevo alguns episódios, fatos e estranhamentos que se tornaram profícuos para pensar a antropologia produzida naquele país. Parto da perspectiva de uma antropologia halfie, ao problematizar a relação entre biopoder e a tradição antropológica japonesa. Em seguida, aponto como se deu a construção da alteridade na visão hegemônica do Estado, o que resultou na supressão das minorias que compõem o país. Por fim, ressalto a importância de uma perspectiva histórica e crítica ao pensar a antropologia japonesa que, apesar de já ter sido revelada, insiste na repetição da exclusão, agora dos migrantes.<hr/>Abstract Based on an ethnography conducted in Japan over nearly a decade, I describe some episodes, facts, and estrangements that proved helpful in thinking about the anthropology produced in that country. I begin from the perspective of a halfie anthropology, problematizing the relationship between biopower and the Japanese anthropological tradition. In this context, I examine the nationalistic bias prevalent in the early Japanese anthropology. Then, I point out how the construction of otherness occurred in the hegemonic vision of the state, resulting in the suppression of the minorities that make up the country. Finally, I would like to emphasize the importance of a historical and critical perspective when considering Japanese anthropology, which, despite having already been revealed, continues to perpetuate the exclusion of migrants today. <![CDATA[Decolonialidade em foco numa colaboração entre a Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro e o Museo Nacional de Antropología de Madrid]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300623&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Museus de antropologia têm revisto suas práticas frente à crítica colonial, aplicando perspectivas como descolonização, pós-colonialismo e decolonialidade em exposições e na comunicação com o público. Esta pesquisa analisou uma exposição temporária em Madrid, fruto da colaboração entre museus comunitários brasileiros e um museu antropológico espanhol, por meio de entrevistas com organizadores e análise de imagens. Os resultados mostram que a colaboração e a reciprocidade promoveram renovação institucional e política, evidenciando o papel da crítica pós-colonial na transformação dos museus e abrindo caminho para novos estudos sobre práticas emergentes no campo.<hr/>Abstract Anthropology museums have been revising their practices in response to colonial critique, applying perspectives such as decolonization, post-colonialism, and decoloniality in exhibitions and public engagement. This research analyzed a temporary exhibition in Madrid, the result of a collaboration between Brazilian community museums and a Spanish anthropological museum, through interviews with organizers and image analysis. The results show that collaboration and reciprocity fostered institutional and political renewal, highlighting the role of post-colonial critique in the transformation of museums and paving the way for further studies on emerging practices in the field. <![CDATA[Investigando arquivos sonoros coloniais: a escuta compreensiva e partilhada de uma canção popular angolana]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300645&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Entrevista a Omar Ribeiro Thomaz]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300665&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Introduction The Cut 2025]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300695&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Digital friction surfaces and new alterity formations]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300697&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Resist theorizing hype about digital technology!]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300703&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Through the looking glass: heteronymic self and otherness in AI therapy]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300707&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Response to M. Shapiro’s “digital friction surfaces and new alterity formations”]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300711&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[Antropologia, ecologia, política: introdução]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300719&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article draws on anthropology, ethnomusicology, history, sound studies, and postcolonial theory to engage with a Cokwe song recorded in the 1950’s in northeastern Angola. Muambuâmbua song addresses desertion from colonial contract or forced labor, a practice often depicted in historiography as a straightforward act of anticolonial resistance. However, by analyzing this song through a methodology that I term “comprehensive and shared listening”, I uncover meanings of flight from forced labor that move beyond this narrow framework. The study combines archival research with multi-sited, collaborative ethnographic fieldwork in Portugal and Angola (2014-1016). The song is examined in dialogue with diverse archival sources and narratives shared by interlocutors. This approach reveals how sensitive experiences shaped by unequal power relations cannot be fully understood through sound recordings or visual and written documents alone. By engaging with sound through alternative modes of listening - the archive itself and to people who inhabit its histories - this article exposes hidden layers of meaning about colonial domination, African resistance, and agency, and contributes to the decolonial reactivation of colonial sound archives.<hr/>Resumo Este artigo recorre à antropologia, etnomusicologia, história, estudos do som e teoria pós-colonial para analisar uma canção cokwe gravada na década de 1950 no nordeste de Angola. A canção Muambuâmbua aborda a deserção do trabalho contratado/forçado colonial, uma prática frequentemente entendida pela historiografia como um ato inequívoco de resistência anticolonial. No entanto, ao analisar esta canção através de uma metodologia que designo “escuta compreensiva e partilhada”, a fuga revela significados que ultrapassam este enquadramento restrito. O estudo articula investigação arquivística com trabalho de campo etnográfico colaborativo e multissituado em Portugal e Angola (2014-2016). A canção é analisada em diálogo com diversas fontes de arquivo e narrativas partilhadas por interlocutores. Esta abordagem mostra como experiências sensíveis, moldadas por relações de poder desiguais não podem ser plenamente compreendidas somente quer através de gravações sonoras, quer de documentos visuais ou escritos. Ao envolver-se com o som por meio de modos alternativos de escuta - tanto do próprio arquivo como das pessoas que habitam as suas histórias -, o artigo expõe camadas ocultas de significado sobre processos de dominação colonial de resistência e agencialidade africanas contribuindo para a reativação descolonial dos arquivos sonoros coloniais. <![CDATA[“Gás: nem na Bajouca, nem em lado nenhum”: performances políticas do Camp-in-Gás, Acampamento de Ação contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300731&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O presente artigo debruça-se sobre o conflito socioambiental que opôs movimentos sociais ecologistas a um projeto de fracking na Bajouca, perto de Leiria, e, em especial, sobre um dos eventos, ocorrido entre 17 a 21 de julho de 2019, que marcou este conflito: o Camp-in-Gás, Acampamento de Ação contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática. A partir de uma etnografia militante realizada neste acampamento, analisarei o perfil das pessoas e grupos que participaram nele, o seu modo de organização, o seu conteúdo ideológico, bem como as formas de protesto aí desenvolvidas, ocupando-me, sobretudo, das suas dimensões simbólicas e performativas. Neste âmbito pondero as performances políticas como um momento de quebra temporária com a normatividade e afiro quais as limitações e as potencialidades destas performances para a transformação material das sociedades.<hr/>Abstract This paper aims to address the socio-environmental conflict that opposed ecological social movements to a fracking project in Bajouca, near Leiria (Portugal), and, specifically, regarding one event, which took place between 17th to 21st July 2019: Camp-in-Gás, the Action Camp for Climate Justice and against Fossil Gas. Based on a militant ethnography carried out in this camp, I will analyze the profile of the people and groups that participated in it, the way the camp was organized, its ideological content, as well as the forms of protest developed there, focusing, above all, on its symbolic and performative dimensions. In this regard, I consider political performances as a moment of temporary break with normativity and assess the limitations and potential of these performances for the material transformation of societies. <![CDATA[Transformar a partir dos interstícios: hortas urbanas comunitárias face à crise ecossocial]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300749&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen En este artículo abordamos el caso de los huertos urbanos comunitarios de Madrid integrados en el Programa Municipal de Huertos Urbanos Comunitarios. Son iniciativas situadas en los intersticios entre la gestión comunitaria y la gestión institucional pública en torno a lo “ecológico” y “sostenible”. Su expansión e institucionalización involucra prácticas y relaciones entre diversos agentes, desde las cuales emergen nuevas demandas sobre la gestión de los llamados urban green commons (comunes verdes urbanos) y se habilitan formas de gobernanza compartida. En este contexto analizamos cómo los huertos urbanos comunitarios enfrentan el desafío de mantenerse como espacios transformadores - actualizando vínculos comunitarios, de reciprocidad y de cuidados mutuos, reformulando formas de relación con “la naturaleza” en la ciudad y de aprovisionamiento alimentario - sin quedar absorbidos por las lógicas mercantiles ni marginados al espacio asistencialista o de voluntariado comunitario.<hr/>Resumo Neste artigo abordamos o caso das hortas urbanas comunitárias de Madrid, integradas no Programa Municipal de Hortas Urbanas Comunitárias. Estas iniciativas situam-se nos interstícios entre a gestão comunitária e a gestão institucional pública em termos “ecológicos” e “sustentáveis”. A sua expansão e institucionalização envolvem práticas e relações entre diversos agentes, a partir das quais emergem novas exigências de gestão dos chamados urban green commons (baldios verdes urbanos) e se possibilitam formas de governação partilhada. Neste contexto, analisamos como as hortas urbanas comunitárias enfrentam o desafio de se manterem como espaços transformadores - atualizando os laços comunitários, a reciprocidade e o cuidado mútuo, reformulando as formas de relação com a “natureza” na cidade e o abastecimento alimentar - sem serem absorvidos por lógicas mercantis ou marginalizados para o espaço assistencial ou do voluntariado comunitário. <![CDATA[Ecologias políticas do sagrado no contexto do paganismo contemporâneo em Portugal]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300769&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Face aos desequilíbrios socioecológicos que atravessam a contemporaneidade, várias são as vozes e movimentos que se empenham nos debates sobre um futuro possível. No seio do paganismo contemporâneo, um movimento religioso e espiritual bastante heterogéneo que engloba diversas práticas, correntes e interlocutores, estes ecos são prementes. Ao considerarem a natureza enquanto entidade sagrada, e se inspirarem e inspirarem movimentos políticos como o ambientalismo e o ecofeminismo, a celebração da natureza, e a necessidade de cura, regeneração e empoderamento, tanto pessoal como coletivo, são dimensões centrais nas suas vidas religiosas, espirituais e políticas. Na interseção de diálogos entre o sagrado, a ecologia e o político, refletem, criam e agem criativamente na procura de relações equilibradas com o ambiente, e de espaços onde podem experienciar a sua identidade de género. Este artigo propõe-se refletir como a dimensão do sagrado dialoga com a dimensão ecológico-política a partir da experiência religiosa/espiritual das pessoas pagãs em Portugal. E como estas se relacionam com o meio ecológico em que vivem, e são afetadas e se posicionam politicamente ao procurarem soluções para os desequilíbrios socioecológicos que a contemporaneidade atravessa.<hr/>Abstract Before the contemporary socioecological instability, several voices and movements engage in debates about a possible future. In the context of contemporary paganism, an heterogenous religious and spiritual movement that includes several practices, currents and interlocutors these echoes are urgent. Considering nature as a sacred entity and celebrating it, inspiring themselves and political movements such as environmentalism and ecofeminism, and calling for healing, regeneration and empowerment, both personal and collective are central dimensions of their religious, spiritual and political lives. In the intersection of the dialogues between the sacred, ecology and the political, they creatively reflect, create and act in the search for balanced relationships with the environment, and for spaces where they can experience their gender identity. This article aims to reflect how the sacred dialogues with the ecological and political from the religious and spiritual experience of pagans in Portugal. And how these relate with the ecological setting they live in, and are affected and politically position themselves while they search for solutions for the socioecological instability that contemporaneity experience. <![CDATA[A ecologia política dos diamantes: VIH/SIDA e os inesperados legados da extração colonial]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300791&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O primeiro estudo sobre a prevalência do VIH/SIDA em Angola revelou um dado surpreendente: 14,2% na cidade do Dundo na Lunda-Norte - antigo centro administrativo da Companhia de Diamantes de Angola (Diamang) -, muito acima da média nacional de 2%. Este enigma serve de ponto de partida para questionar os pressupostos de narrativas biomédicas sobre a origem do VIH-1. Explicações centradas em grandes urbes, comércio sexual, transportes mecânicos e coinfeções com doenças sexualmente transmissíveis mostram-se insuficientes para explicar a magnitude e a localização periférica e rural deste surto. A investigação adota uma abordagem interdisciplinar, combinando dados biológicos, epidemiológicos e sócio-históricos. A análise sócio-histórica revela a ausência dos fatores dominantes dessas narrativas: grandes centros urbanos, predomínio masculino, comércio sexual e epidemias venéreas. A empresa incentivava o recrutamento de famílias e o envolvimento laboral de mulheres africanas, contrariando estereótipos coloniais que as associavam ao sexo comercial. O estudo propõe uma nova leitura da disseminação do VIH-1, destacando o papel da biomedicina, em particular de práticas iatrogénicas associadas à indústria extrativa, contribuindo para uma compreensão mais complexa e histórica das epidemias.<hr/>Abstract The first study on the prevalence of HIV/AIDS in Angola revealed a surprising finding: 14.2% in the city of Dundo, Lunda Norte - the former administrative centre of the Companhia de Diamantes de Angola (Diamang) -, well above the national average of 2%. This puzzling result is the starting point for questioning the assumptions underpinning biomedical narratives about the origins of HIV-1. Explanations focused on large urban centres, commercial sex, motorised transport, and co-infections with sexually transmitted diseases are insufficient to account for both the scale and the peripheral, rural location of this outbreak. The research adopts an interdisciplinary approach, combining biological, epidemiological, and socio-historical data. The socio-historical analysis reveals the absence of key factors in dominant narratives: major urban hubs, male-dominated populations, sex work, and epidemics of venereal disease. The company promoted the recruitment of families and the labour participation of African women, challenging colonial stereotypes that associated them with commercial sex. This study offers a new perspective on the spread of HIV-1, highlighting the role of biomedicine within the extractive industry, and contributes to a more complex and historically grounded understanding of epidemics. <![CDATA[Como parar de alimentar um sistema autofágico? (Re)produção de valor(es) em organizações económicas prefigurativas]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300815&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A alimentação é um dos setores da economia que melhor exprime as contradições entre o sistema socioeconómico hegemónico e o conhecimento ecológico contemporâneo. Em oposição à agricultura industrial, temos testemunhado o surgimento de várias iniciativas que abraçam a agroecologia como princípio basilar. Adotando como casos de estudo a cooperativa Rizoma e a AMAP Maravilha, este artigo constitui uma exploração das implicações, potencialidades e limitações de colocar princípios ecológicos no centro da atividade económica num contexto de hegemonia capitalista. Como argumento central, defende-se que a democratização económica é imprescindível para desenvolver circuitos alimentares realmente sustentáveis.<hr/>Abstract Food is one of the sectors of the economy that best expresses the contradictions between the hegemonic socioeconomic system and contemporary ecological knowledge. In opposition to industrial agriculture, we have witnessed the emergence of several initiatives that embrace agroecology as a fundamental principle. Drawing from two case studies - Rizoma cooperative and Maravilha CSA - this article explores the implications, potentialities, and limitations of placing ecological principles at the center of economic activity in a context of capitalist hegemony. The central argument is that economic democratization is essential for developing truly sustainable food systems. <![CDATA[As Aulas Ernesto Veiga de Oliveira e os 40 anos da Antropologia no Iscte]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300837&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A alimentação é um dos setores da economia que melhor exprime as contradições entre o sistema socioeconómico hegemónico e o conhecimento ecológico contemporâneo. Em oposição à agricultura industrial, temos testemunhado o surgimento de várias iniciativas que abraçam a agroecologia como princípio basilar. Adotando como casos de estudo a cooperativa Rizoma e a AMAP Maravilha, este artigo constitui uma exploração das implicações, potencialidades e limitações de colocar princípios ecológicos no centro da atividade económica num contexto de hegemonia capitalista. Como argumento central, defende-se que a democratização económica é imprescindível para desenvolver circuitos alimentares realmente sustentáveis.<hr/>Abstract Food is one of the sectors of the economy that best expresses the contradictions between the hegemonic socioeconomic system and contemporary ecological knowledge. In opposition to industrial agriculture, we have witnessed the emergence of several initiatives that embrace agroecology as a fundamental principle. Drawing from two case studies - Rizoma cooperative and Maravilha CSA - this article explores the implications, potentialities, and limitations of placing ecological principles at the center of economic activity in a context of capitalist hegemony. The central argument is that economic democratization is essential for developing truly sustainable food systems. <![CDATA[<em>Porto Santo</em>: biografia cultural e espetacularização de uma canção]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300841&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O cançonetista madeirense Max foi dos mais populares artistas da música ligeira portuguesa nas décadas de 50 e 60 do século passado. A canção Porto Santo (1953) está entre os seus maiores êxitos em palco e em disco. Ao revisitar a letra surgiu uma visão contrastada, despida da emotividade romântica e nostálgica. Transpareceu um quotidiano pleno de incertezas. Na origem da canção esteve um jingle para promoção radiofónica de um produto comercial - a água mineral extraída numa das poucas nascentes de água doce disponíveis naquela pequena ilha semiárida. O êxito nacional da canção explica-se pelo arranjo feito de acordo com as vogas cosmopolitas da época. No entanto, tinha plasticidade suficiente para a posterior incorporação no “aportuguesamento” - a política governamental da época -, pela qual se regeu a música comercial. Recentemente a canção está a ser reciclada como emblema sónico para uma ilha carente de identificadores culturais e desafiada por uma vaga dominadora provocada pelo turismo. Nesta biografia cultural sugiro a aplicação da teoria debordiana da sociedade do espetáculo.<hr/>Abstract The Madeiran popular music singer Max was one of the most cherished Portuguese light music performers in the 1950’s and 1960’s. His song Porto Santo (1953) is one of his greatest hits on stage and as a vinyl record. When revisiting the lyrics, a nuanced vision emerged, stripped of romantic and nostalgic emotionalism, revealing a daily life brimming with uncertainties. The song originally stemmed from a jingle to promote a commercial product on the radio - mineral water extracted from one of the few freshwater springs found on that small semi-arid island. The song’s national success can be explained by its arrangement in keeping with the cosmopolitan trends of the time. However, it had enough flexibility to be later incorporated into “Portuguesification” - the government policy of the time - by which commercial music was ruled. The song has recently been recycled as a sonic emblem for an island searching for cultural identifiers and struggling against an overwhelming wave instigated by tourism. In this cultural biography I suggest the application of Debord’s theory of the society of the spectacle. <![CDATA[Para lá do silêncio e do estigma: uma etnografia de longa duração com Dalits e mulheres na Índia]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300855&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This study showcases how long-term ethnographic research in India brings marginalized voices to the forefront and uncovers social realities frequently overlooked by dominant narratives. By addressing silence and stigma, it emphasizes anthropology’s duty to consider peripheral experiences while reaffirming the epistemological importance of ethnography in examining both continuity and change in social life.<hr/>Resumo Este estudo evidencia como a investigação etnográfica de longa duração na Índia projeta as vozes marginalizadas e desvenda realidades sociais muitas vezes ignoradas por narrativas hegemónicas. Ao abordar o silêncio e o estigma, ele acentua a responsabilidade da antropologia em integrar as experiências periféricas, reafirmando, em paralelo, a relevância epistemológica da etnografia para a compreensão tanto da continuidade quanto da mudança na vida social. <![CDATA[<strong>, Vishvesh Prabhakar, Goa’s Bom Jesus as Visual Culture: The Basilica’s Architecture, Image, History and Identity</strong>]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612025000300875&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This study showcases how long-term ethnographic research in India brings marginalized voices to the forefront and uncovers social realities frequently overlooked by dominant narratives. By addressing silence and stigma, it emphasizes anthropology’s duty to consider peripheral experiences while reaffirming the epistemological importance of ethnography in examining both continuity and change in social life.<hr/>Resumo Este estudo evidencia como a investigação etnográfica de longa duração na Índia projeta as vozes marginalizadas e desvenda realidades sociais muitas vezes ignoradas por narrativas hegemónicas. Ao abordar o silêncio e o estigma, ele acentua a responsabilidade da antropologia em integrar as experiências periféricas, reafirmando, em paralelo, a relevância epistemológica da etnografia para a compreensão tanto da continuidade quanto da mudança na vida social.