Scielo RSS <![CDATA[Cadernos do Arquivo Municipal]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=2183-317620260001&lang=pt vol. ser2 num. 25 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[O longo ciclo regencial e a transição para o regime constitucional (1786-1834)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100201&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Entre os aspetos mais impressivos sobre o processo do nascimento do regime constitucional contam-se, por um lado, a instabilidade da titularidade do trono na Casa de Bragança refletida em sucessivas regências e, por outro, o uso da força militar (Évora-Monte, 1834) para resolver em definitivo o problema, depois de a luta política não ter sido capaz de impor uma solução. O presente texto procura enfatizar e analisar a crise continuada das regências, uma precariedade do trono que terá contribuído para a persistência em alcançar uma mudança do regime. Durante cinco décadas (1786-1834), o Reino só teve, de facto, um rei em exercício, por cerca de cinco anos (1821-1826) e um outro, “usurpador do trono”, por mais seis anos (1828-1834) que coabitou com as regências no exílio.<hr/>Abstract Among the most striking aspects of the birth of the constitutional regime were, on the one hand, the instability of the succession to the throne in the House of Braganza, reflected in successive regencies, and, on the other hand, the use of military force (Évora-Monte, 1834) to resolve the problem once the political struggle had failed to impose a solution. This text seeks to emphasise and analyse the continuing crisis of the regencies, a precariousness of the throne that may have contributed to the persistence of a change of regime. For five decades (1786-1834), the Kingdom only had one king in office, for around five years (1821-1826) and another, a ‘usurper of the throne’, for another six years (1828-1834) who cohabited with the regencies in exile. <![CDATA[Notificar, jurar, aplicar: Comunicação política com as Juntas Provisórias de Governo no ultramar português (1821-1823)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100300&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo analisa a correspondência enviada pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino às Juntas Provisórias de Governo no ultramar português entre 1821 e 1823, a fim de compreender as dinâmicas de construção da autoridade num momento de convulsão política de que decorreria a instauração de um regime constitucional e a independência do maior território ultramarino da coroa portuguesa. A partir da leitura e análise de uma coleção de mais de duzentos documentos, o artigo identifica os circuitos administrativos, as instruções normativas e os rituais políticos mobilizados para proclamar, jurar e aplicar a ordem liberal nas colónias. Mostra-se que as Juntas não foram meras executoras de ordens metropolitanas, mas agentes políticos que negociaram fidelidades, disputaram legitimidades e adaptaram a linguagem constitucional às realidades locais. Através da escrita administrativa (cartas, fórmulas, silêncios), revelam-se práticas plurais de poder, marcadas por tensões entre tradição sinodal e inovação institucional. A abordagem privilegia uma leitura micropolítica e descentralizada da experiência constitucional portuguesa, atenta à pragmática documental e às disputas de autoridade nas margens do império.<hr/>Abstract This article examines the correspondence sent by the Ministry of the Kingdom to the Provisional Government Juntas in the Portuguese overseas territories between 1821 and 1823, aiming to explore the dynamics of authority-building during the constitutional transition. Based on the transcription and analysis of over two-hundred documents, it identifies the administrative circuits, normative instructions, and political rituals mobilized to proclaim, swear allegiance to, and implement the liberal order in the colonies. The Juntas are shown not as mere executors of metropolitan orders, but as political actors who negotiated loyalties, disputed legitimacy, and adapted the constitutional language to local realities. Through administrative writing (letters, formulas, silences), plural practices of power emerge, shaped by tensions between synodal tradition and institutional innovation. The article proposes a micropolitical and decentralized reading of the Portuguese constitutional experience, attentive to documentary pragmatics and authority disputes on the imperial periphery. <![CDATA[Ambiguidade em tempos de revolução e contrarrevolução: As demandas e polémicas de Sebastião Xavier Botelho]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em fontes de diversa tipologia, este artigo visa acompanhar o trajeto de Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), um magistrado com ligações à nobreza que na primeira fase da sua vida adulta teve particular intervenção no teatro português, como dramaturgo e inspetor dos teatros de São Carlos e da Rua dos Condes. Após uma breve passagem pelo Brasil onde foi desembargador da Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, recebeu em 1818 a sua primeira nomeação política como governador da Madeira e Porto Santo, encontrando-se nessas funções quando se deu a revolução de 1820. Teve outras nomeações que não se chegaram a concretizar até ser indicado, ainda por D. João VI, para o posto de governador de Moçambique, onde se manteve até 1829, regressando ao reino em pleno período miguelista, durante o qual reivindicou (e suplicou) nova posição que não obteve, pese embora protestasse a sua adesão ao monarca absoluto. No final da guerra civil desenvolveu várias estratégias de aproximação à fação liberal triunfante, tendo alcançado assento parlamentar como par do reino e deputado e publicado alguns textos de teor político e ultramarino. A sua vida, marcada pelos ciclos revolucionários e contrarrevolucionários que o país atravessou, não foi isenta de polémicas que aqui se analisam, no sentido de aprofundar o conhecimento das ações de detentores de cargos públicos e políticos ao longo desses tempos de forte conturbação.<hr/>Abstract Based on sources of various types, this article aims to follow the life path of Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), a magistrate with connections to the nobility who, in the early phase of his adult life, had a particular involvement in Portuguese theatre, as a playwright and inspector of the São Carlos and Rua dos Condes theatres. After a brief stint in Brazil, where he served as a judge at the Casa da Suplicação in Rio de Janeiro, he received his first political appointment in 1818 as governor of Madeira and Porto Santo and was in that role when the 1820 revolution took place. He had other appointments that did not materialize until he was chosen, still by D. João VI, for the post of governor of Mozambique, where he remained until 1829, returning to the kingdom in the Miguelist period, during which he claimed (and pleaded) a new position that he did not obtain, although he emphasized his adhesion to the absolute monarch. At the end of the civil war, he developed several strategies to get closer to the triumphant liberal faction, achieving parliamentary status as a peer of the realm and deputy and publishing several political and overseas texts. His life, marked by the revolutionary and counterrevolutionary cycles that the country experienced, was not without controversy, which is analysed here to deepen our understanding of the deeds of public and political office holders during these turbulent times. <![CDATA[Os feriados e a República]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100600&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em fontes de diversa tipologia, este artigo visa acompanhar o trajeto de Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), um magistrado com ligações à nobreza que na primeira fase da sua vida adulta teve particular intervenção no teatro português, como dramaturgo e inspetor dos teatros de São Carlos e da Rua dos Condes. Após uma breve passagem pelo Brasil onde foi desembargador da Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, recebeu em 1818 a sua primeira nomeação política como governador da Madeira e Porto Santo, encontrando-se nessas funções quando se deu a revolução de 1820. Teve outras nomeações que não se chegaram a concretizar até ser indicado, ainda por D. João VI, para o posto de governador de Moçambique, onde se manteve até 1829, regressando ao reino em pleno período miguelista, durante o qual reivindicou (e suplicou) nova posição que não obteve, pese embora protestasse a sua adesão ao monarca absoluto. No final da guerra civil desenvolveu várias estratégias de aproximação à fação liberal triunfante, tendo alcançado assento parlamentar como par do reino e deputado e publicado alguns textos de teor político e ultramarino. A sua vida, marcada pelos ciclos revolucionários e contrarrevolucionários que o país atravessou, não foi isenta de polémicas que aqui se analisam, no sentido de aprofundar o conhecimento das ações de detentores de cargos públicos e políticos ao longo desses tempos de forte conturbação.<hr/>Abstract Based on sources of various types, this article aims to follow the life path of Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), a magistrate with connections to the nobility who, in the early phase of his adult life, had a particular involvement in Portuguese theatre, as a playwright and inspector of the São Carlos and Rua dos Condes theatres. After a brief stint in Brazil, where he served as a judge at the Casa da Suplicação in Rio de Janeiro, he received his first political appointment in 1818 as governor of Madeira and Porto Santo and was in that role when the 1820 revolution took place. He had other appointments that did not materialize until he was chosen, still by D. João VI, for the post of governor of Mozambique, where he remained until 1829, returning to the kingdom in the Miguelist period, during which he claimed (and pleaded) a new position that he did not obtain, although he emphasized his adhesion to the absolute monarch. At the end of the civil war, he developed several strategies to get closer to the triumphant liberal faction, achieving parliamentary status as a peer of the realm and deputy and publishing several political and overseas texts. His life, marked by the revolutionary and counterrevolutionary cycles that the country experienced, was not without controversy, which is analysed here to deepen our understanding of the deeds of public and political office holders during these turbulent times. <![CDATA[Rui Ramos, José Luís Cardoso, Nuno Gonçalo Monteiro, Isabel Corrêa da Silva (Coord.), <em>Dicionário Crítico da Revolução Liberal (1820-1834)</em>. Dom Quixote, 2025]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100700&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em fontes de diversa tipologia, este artigo visa acompanhar o trajeto de Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), um magistrado com ligações à nobreza que na primeira fase da sua vida adulta teve particular intervenção no teatro português, como dramaturgo e inspetor dos teatros de São Carlos e da Rua dos Condes. Após uma breve passagem pelo Brasil onde foi desembargador da Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, recebeu em 1818 a sua primeira nomeação política como governador da Madeira e Porto Santo, encontrando-se nessas funções quando se deu a revolução de 1820. Teve outras nomeações que não se chegaram a concretizar até ser indicado, ainda por D. João VI, para o posto de governador de Moçambique, onde se manteve até 1829, regressando ao reino em pleno período miguelista, durante o qual reivindicou (e suplicou) nova posição que não obteve, pese embora protestasse a sua adesão ao monarca absoluto. No final da guerra civil desenvolveu várias estratégias de aproximação à fação liberal triunfante, tendo alcançado assento parlamentar como par do reino e deputado e publicado alguns textos de teor político e ultramarino. A sua vida, marcada pelos ciclos revolucionários e contrarrevolucionários que o país atravessou, não foi isenta de polémicas que aqui se analisam, no sentido de aprofundar o conhecimento das ações de detentores de cargos públicos e políticos ao longo desses tempos de forte conturbação.<hr/>Abstract Based on sources of various types, this article aims to follow the life path of Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), a magistrate with connections to the nobility who, in the early phase of his adult life, had a particular involvement in Portuguese theatre, as a playwright and inspector of the São Carlos and Rua dos Condes theatres. After a brief stint in Brazil, where he served as a judge at the Casa da Suplicação in Rio de Janeiro, he received his first political appointment in 1818 as governor of Madeira and Porto Santo and was in that role when the 1820 revolution took place. He had other appointments that did not materialize until he was chosen, still by D. João VI, for the post of governor of Mozambique, where he remained until 1829, returning to the kingdom in the Miguelist period, during which he claimed (and pleaded) a new position that he did not obtain, although he emphasized his adhesion to the absolute monarch. At the end of the civil war, he developed several strategies to get closer to the triumphant liberal faction, achieving parliamentary status as a peer of the realm and deputy and publishing several political and overseas texts. His life, marked by the revolutionary and counterrevolutionary cycles that the country experienced, was not without controversy, which is analysed here to deepen our understanding of the deeds of public and political office holders during these turbulent times. <![CDATA[José Saldaña Fernández, <em><em>La Guerra de la Independencia en el suroeste peninsular: Relaciones hispano-portuguesas y configuración del poder en una tierra de fronteras</em>.</em> Editorial Universidad de Sevilla, 2024]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100701&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em fontes de diversa tipologia, este artigo visa acompanhar o trajeto de Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), um magistrado com ligações à nobreza que na primeira fase da sua vida adulta teve particular intervenção no teatro português, como dramaturgo e inspetor dos teatros de São Carlos e da Rua dos Condes. Após uma breve passagem pelo Brasil onde foi desembargador da Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, recebeu em 1818 a sua primeira nomeação política como governador da Madeira e Porto Santo, encontrando-se nessas funções quando se deu a revolução de 1820. Teve outras nomeações que não se chegaram a concretizar até ser indicado, ainda por D. João VI, para o posto de governador de Moçambique, onde se manteve até 1829, regressando ao reino em pleno período miguelista, durante o qual reivindicou (e suplicou) nova posição que não obteve, pese embora protestasse a sua adesão ao monarca absoluto. No final da guerra civil desenvolveu várias estratégias de aproximação à fação liberal triunfante, tendo alcançado assento parlamentar como par do reino e deputado e publicado alguns textos de teor político e ultramarino. A sua vida, marcada pelos ciclos revolucionários e contrarrevolucionários que o país atravessou, não foi isenta de polémicas que aqui se analisam, no sentido de aprofundar o conhecimento das ações de detentores de cargos públicos e políticos ao longo desses tempos de forte conturbação.<hr/>Abstract Based on sources of various types, this article aims to follow the life path of Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), a magistrate with connections to the nobility who, in the early phase of his adult life, had a particular involvement in Portuguese theatre, as a playwright and inspector of the São Carlos and Rua dos Condes theatres. After a brief stint in Brazil, where he served as a judge at the Casa da Suplicação in Rio de Janeiro, he received his first political appointment in 1818 as governor of Madeira and Porto Santo and was in that role when the 1820 revolution took place. He had other appointments that did not materialize until he was chosen, still by D. João VI, for the post of governor of Mozambique, where he remained until 1829, returning to the kingdom in the Miguelist period, during which he claimed (and pleaded) a new position that he did not obtain, although he emphasized his adhesion to the absolute monarch. At the end of the civil war, he developed several strategies to get closer to the triumphant liberal faction, achieving parliamentary status as a peer of the realm and deputy and publishing several political and overseas texts. His life, marked by the revolutionary and counterrevolutionary cycles that the country experienced, was not without controversy, which is analysed here to deepen our understanding of the deeds of public and political office holders during these turbulent times. <![CDATA[José Subtil, <em>A Regência de D. Isabel Maria e o cumprimento da Carta Constitucional (1826- 1828)</em>. Universidade Autónoma de Lisboa, 2025]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-31762026000100702&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Com base em fontes de diversa tipologia, este artigo visa acompanhar o trajeto de Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), um magistrado com ligações à nobreza que na primeira fase da sua vida adulta teve particular intervenção no teatro português, como dramaturgo e inspetor dos teatros de São Carlos e da Rua dos Condes. Após uma breve passagem pelo Brasil onde foi desembargador da Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, recebeu em 1818 a sua primeira nomeação política como governador da Madeira e Porto Santo, encontrando-se nessas funções quando se deu a revolução de 1820. Teve outras nomeações que não se chegaram a concretizar até ser indicado, ainda por D. João VI, para o posto de governador de Moçambique, onde se manteve até 1829, regressando ao reino em pleno período miguelista, durante o qual reivindicou (e suplicou) nova posição que não obteve, pese embora protestasse a sua adesão ao monarca absoluto. No final da guerra civil desenvolveu várias estratégias de aproximação à fação liberal triunfante, tendo alcançado assento parlamentar como par do reino e deputado e publicado alguns textos de teor político e ultramarino. A sua vida, marcada pelos ciclos revolucionários e contrarrevolucionários que o país atravessou, não foi isenta de polémicas que aqui se analisam, no sentido de aprofundar o conhecimento das ações de detentores de cargos públicos e políticos ao longo desses tempos de forte conturbação.<hr/>Abstract Based on sources of various types, this article aims to follow the life path of Sebastião Xavier Botelho (1767-1840), a magistrate with connections to the nobility who, in the early phase of his adult life, had a particular involvement in Portuguese theatre, as a playwright and inspector of the São Carlos and Rua dos Condes theatres. After a brief stint in Brazil, where he served as a judge at the Casa da Suplicação in Rio de Janeiro, he received his first political appointment in 1818 as governor of Madeira and Porto Santo and was in that role when the 1820 revolution took place. He had other appointments that did not materialize until he was chosen, still by D. João VI, for the post of governor of Mozambique, where he remained until 1829, returning to the kingdom in the Miguelist period, during which he claimed (and pleaded) a new position that he did not obtain, although he emphasized his adhesion to the absolute monarch. At the end of the civil war, he developed several strategies to get closer to the triumphant liberal faction, achieving parliamentary status as a peer of the realm and deputy and publishing several political and overseas texts. His life, marked by the revolutionary and counterrevolutionary cycles that the country experienced, was not without controversy, which is analysed here to deepen our understanding of the deeds of public and political office holders during these turbulent times.