Scielo RSS <![CDATA[Comunicação e Sociedade]]> http://scielo.pt/rss.php?pid=2183-357520260001&lang=pt vol. 49 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.pt/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.pt <![CDATA[Cidadania Digital, Desigualdade Territorial e Visibilidade do Protesto: As Lutas de Kudankulam e Thoothukudi, em Tamil Nadu]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000102001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract A digital presence is crucial for civic recognition since globalisation and digitalisation have altered how regions are portrayed. This article examines two environmental justice movements in the same state in Tamil Nadu, India: the Kudankulam anti-nuclear resistance movement and the Thoothukudi anti-Sterlite resistance movement. The study employs a mixed-methods design, including a quantitative analysis of 400 social media posts (200 from each protest) and qualitative audience interviews. The analysis reveals disparate levels of engagement on digital platforms. The Thoothukudi protest had broad attention through arresting images of police violence disseminated by verified accounts in India. In comparison, the Kudankulam protest was constrained by technical issues given its rural and coastal location. The quantitative analysis reveals that emotion, rather than logic, is an essential factor in engagement. Qualitative analysis shows that the origin of a protest, whether rural or urban, influences how people assess its importance and whether they believe it deserves attention online. By demonstrating how protest movements shape the audience’s perceptions of a place as either marginal “anti-development” spaces or cosmopolitan centres of resistance, the study contributes to the epistemic discussion on digital communication practices and territorial branding. It argues that communicative justice and environmental justice are inextricably linked, emphasising the need for inclusive representational tactics that balance democratic citizenship, fairness, and territorial branding.<hr/>Resumo A presença digital é determinante para o reconhecimento cívico, dado que a globalização e a digitalização alteraram a forma como as regiões são representadas. Este artigo examina dois movimentos de justiça ambiental no mesmo estado, Tamil Nadu, na Índia: o movimento de resistência antinuclear de Kudankulam e o movimento de resistência anti-Sterlite de Thoothukudi. O estudo recorre a um desenho metodológico misto, incluindo uma análise quantitativa de 400 publicações em redes sociais (200 de cada protesto) e entrevistas qualitativas com o público. A análise revela diferenças significativas ao nível de envolvimento nas plataformas digitais. O protesto de Thoothukudi recebeu ampla atenção devido a imagens marcantes de violência policial, divulgadas por contas verificadas na Índia. Em comparação, o protesto de Kudankulam foi condicionado por questões técnicas, dado o seu contexto rural e costeiro. A análise quantitativa sugere que o envolvimento depende mais da emoção do que da lógica. A análise qualitativa mostra que a origem de um protesto, seja rural ou urbana, influencia o modo como as pessoas avaliam a sua importância e a relevância que lhe atribuem online. Ao evidenciar como os movimentos de protesto moldam a perceção do público sobre os locais - seja como espaços marginais “antidesenvolvimento” ou como núcleos cosmopolitas de resistência -, o estudo contribui para a discussão epistemológica sobre práticas de comunicação digital e branding territorial. Sustenta que a justiça comunicativa e a justiça ambiental estão intrinsecamente ligadas, sublinhando a necessidade de estratégias de representação inclusivas que equilibrem cidadania democrática, equidade e branding territorial. <![CDATA[Entre o Enigma da Cidade e o <em>Feed</em> Digital: A Feira das Brecholeiras e o Território Urbano de Madureira]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000102002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Madureira é um dos bairros mais pulsantes do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Palco de ocupações criativas na rua, Madureira revela-se como um espaço concreto e imaginado, atravessado por memórias, afetos e práticas cotidianas que reinventam suas ruas, praças e viadutos, como o Negrão de Lima, considerado a principal via de acesso ao bairro. Aos sábados, o baixio daquele espaço se transforma na Feira das Brecholeiras, evento que comercializa artigos novos e usados a preços atrativos. O objetivo deste artigo é discutir a forte conexão da feira com Madureira, considerada o coração simbólico do subúrbio carioca. Investigamos como essa relação é narrada por meio da análise de postagens, reels e stories, publicados, entre 29 de julho e 31 de agosto de 2025, nos canais oficiais de divulgação do evento: duas páginas no Facebook (Brecholeiras e Brecholeiras - CUFA Madureira/RJ Vitrine Virtual) e um perfil no Instagram (@brecholeirasoficial). Avaliamos também alguns conteúdos veiculados no YouTube por outros canais, por entendermos que funcionam como espaços para divulgação do evento e do território urbano de Madureira. O estudo foi conduzido a partir da articulação entre levantamento bibliográfico e análise da narrativa, com foco na construção e representação do dia a dia de Madureira nas postagens analisadas. Buscamos, assim, identificar narrativas que evidenciam a conexão entre o evento e Madureira, revelando como um divulga o outro em suas vivências cotidianas. Em conclusão, identificamos narrativas que revelam a conexão entre a Feira das Brecholeiras e o bairro, explicitando que ambos se promovem e se complementam mutuamente.<hr/>Abstract Madureira is one of the most vibrant neighbourhoods in the suburbs of Rio de Janeiro. As a site of creative street occupations, Madureira emerges as both a tangible and imagined space, interwoven with memories, affections, and everyday practices that reinvent its streets, squares, and viaducts, such as Negrão de Lima, considered the main access route to the neighbourhood. On Saturdays, the low-lying areas of this space transform into the Feira das Brecholeiras (Brecholeiras Fair), an event selling new and second-hand items at attractive prices. This article examines the strong connection between the fair and Madureira, regarded as the symbolic heart of the Carioca suburbs. The relationship is explored through the analysis of posts, reels, and stories published between 29 July and 31 August 2025 on the official event channels: two Facebook pages (Brecholeiras and Brecholeiras - CUFA Madureira/RJ Vitrine Virtual) and an Instagram profile (@brecholeirasoficial). Selected YouTube content from other channels was also analysed, given its role in promoting both the event and the urban territory of Madureira. The study combined a bibliographic survey with narrative analysis, focusing on the construction and representation of Madureira’s everyday life in the analysed posts. The aim was to identify narratives that highlight the connection between the event and the neighbourhood, revealing how each promotes the other in their everyday experiences. In conclusion, the findings demonstrate narratives that expose the link between the Feira das Brecholeiras and Madureira, showing that both mutually promote and complement one another. <![CDATA[A Marca-Lugar É Apenas Urbana? Assimetrias na Pesquisa Brasileira]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000102003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo investiga a produção científica brasileira sobre a marca-lugar do ponto de vista de suas escalas territoriais (urbana, rural ou regional). O estudo ancora-se na abordagem teórica que posiciona o place branding como uma política pública multissetorial, vinculada à governança, ao planejamento urbano e à gestão de públicos de interesse, articulando-se a uma comunicação de natureza estratégica. A noção de “marca-lugar” não se restringe a um conjunto de ações com fins promocionais de um dado território, mas configura-se em um arranjo institucional que depende da coordenação de múltiplas políticas públicas e da capacidade relacional de múltiplos atores. O corpus apresentado na pesquisa abrange a produção realizada no período de 2005 a 2025, em que foram contempladas informações coletadas em bases de dados brasileiras e internacionais. Os resultados indicam o predomínio de estudos sobre grandes cidades - sobretudo as capitais -, sendo recorrentes onde há maior capacidade institucional. Como proposição final, sugere-se a construção de um indicador quantitativo para mensuração da marca-lugar, nomeado “índice de multissetorialidade”, capaz de avaliar comparativamente o grau de integração entre políticas públicas que sustentam a narrativa territorial.<hr/>Abstract This study examines Brazilian scholarly production on place branding across territorial scales - urban, rural, and regional. It is grounded in a theoretical perspective that frames place branding as a multi-sectoral public policy, closely connected to governance, urban planning, and stakeholder management, and implemented through strategically oriented communication. The concept of a “place brand” extends beyond a set of promotional initiatives for a given territory, representing instead an institutional arrangement that relies on the coordination of multiple public policies and the relational capacity of diverse actors. The research corpus comprises publications from 2005 to 2025, drawn from both Brazilian and international databases. The findings reveal a predominance of studies focused on large cities - particularly capitals - where institutional capacity is greatest. Finally, the article proposes the development of a quantitative measure for place branding, termed the “multi-sector index”, designed to comparatively evaluate the degree of integration among public policies that support the territorial narrative. <![CDATA[O Contributo das Paragens de Autocarro e das Práticas de Comunicação na Leitura dos Territórios]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000102004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O artigo analisa as paragens de autocarro como lugares onde se materializam usos do espaço, desigualdades e práticas de comunicação no território, permitindo compreender como a experiência da espera estrutura a leitura dos territórios. O estudo foi desenvolvido em áreas mediamente urbanas e predominantemente rurais no Norte de Portugal, com base em observação direta e registo visual. A análise centrou-se em três dimensões: (a) a materialidade da mobilidade, que torna visíveis desigualdades de acesso e situações de precariedade; (b) as inscrições simbólicas, pelas quais as paragens se convertem em lugares de memória, identidade e pertença; e (c) as disputas de comunicação, que emergem no espaço da espera, marcadas pela coexistência entre informação institucional e usos comunitários. Entre circulação e suspensão, abandono e apropriação, as paragens de autocarro revelam tensões sociais e territoriais mais amplas, expressas nas formas como a mobilidade é organizada e vivida no espaço público. Embora discretas, estas infraestruturas constituem lugares estratégicos para compreender como o território comunica através dos usos do espaço da espera, das presenças e ausências de informação e das marcas deixadas pelas práticas institucionais e comunitárias. As paragens surgem, assim, como imagens do território, participando na produção social do espaço ao refletirem processos de transformação, relações de poder e dinâmicas sociais que ultrapassam a sua função técnica.<hr/>Abstract This paper analyses bus stops as places where uses of space, inequalities, and communication practices within the territory materialise, enabling an understanding of how the experience of waiting shapes how territories are read. The study was conducted in moderately urban and predominantly rural areas of Northern Portugal, using direct observation and visual recording. The analysis focused on three dimensions: (a) the materiality of mobility, which makes inequalities of access and situations of precarity visible; (b) symbolic inscriptions, through which bus stops are transformed into places of memory, identity, and belonging; and (c) communication disputes that emerge within the space of waiting, marked by the coexistence of institutional information and community uses. Between circulation and suspension, abandonment and appropriation, bus stops reveal broader social and territorial tensions, expressed in the ways mobility is organised and experienced in public space. Although discreet, these infrastructures constitute strategic sites for understanding how territory communicates through the uses of waiting spaces, the presences and absences of information, and the marks left by institutional and community practices. Bus stops thus emerge as images of the territory, participating in the social production of space by reflecting processes of transformation, power relations, and social dynamics that extend beyond their technical function. <![CDATA[Uma Revisão Sistemática da Literatura Sobre a Produção de Notícias Locais (2012-2022)]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000105001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Local media are a cornerstone of communities, providing helpful information for everyday life, but the news production has undergone massive changes as a result of digital technologies. The transformation of the sector has even threatened the existence of local media. In this study, we present a systematic literature review on local news production, which aims to analyze and understand research conducted over 10 years (2012-2022). The review focused on two databases: Web of Science Core Collection and Scopus. Applying the Prisma methodology and relying on five exclusion criteria, a corpus of 69 papers was selected. The analysis shows that the number of articles has grown over the years, especially in journals indexed in Q1. Anglo-Saxon countries, and, to a lesser extent, the Nordic nations are the most studied areas. We also identify thematic patterns, including digital changes in the local media ecosystem, local journalists and their working conditions, business models, audience approach, and social mission and informational gap (“news deserts”), which is the most frequent topic. Our manuscript intend to contribute to current discussions, shedding light on how literature pays attention to the transformation of local news production. The results reveal the lack of information to assess the local media landscape beyond wealthy countries.<hr/>Resumo Os meios de comunicação locais são um pilar fundamental das comunidades, fornecendo informações úteis para a vida quotidiana, mas a produção de notícias sofreu grandes alterações como resultado do impacto das tecnologias digitais. A transformação do setor chegou mesmo a ameaçar a existência de meios de comunicação locais. Neste estudo, apresentamos uma revisão sistemática da literatura sobre a produção de notícias locais, que visa analisar e compreender a investigação realizada ao longo de 10 anos (2012-2022). A revisão centrou-se em duas bases de dados: Web of Science Core Collection e Scopus. Aplicando a metodologia Prisma e com base em cinco critérios de exclusão, foi selecionado um corpus de 69 artigos. A análise mostra que o número de artigos tem crescido ao longo dos anos, especialmente em revistas indexadas no Q1. Os países anglo-saxónicos e, em menor escala, as nações nórdicas são as áreas geográficas mais estudadas. Identificámos também padrões temáticos: mudanças digitais no ecossistema mediático local, jornalistas locais e as suas condições de trabalho, modelos de negócio, abordagem do público e missão social e lacuna informacional (“desertos noticiosos”), que é o tema mais frequente. Este artigo pretende contribuir para a discussão sobre estes temas, esclarecendo como a literatura se centra na transformação da produção jornalística local. Os resultados revelam falta de informação para avaliar o panorama dos média locais, para além dos contextos dos países ricos. <![CDATA[“O 25 de Abril Tem de Chegar ao Campo”: O Enquadramento Político das Classes Rurais Através da Imprensa na Revolução Portuguesa de 1974-1975]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000105002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Sem compreender os fundamentos políticos e a viragem cultural que se operou na Revolução dos Cravos, não seria possível analisar as respostas dadas pelo novo poder no domínio da comunicação social, um dos vetores estruturantes da realidade revolucionária. O exercício da democracia encontra-se conectado com a prática da liberdade de expressão, capacidade fomentadora do debate público, que, consequentemente, se torna numa das bases para o funcionamento da política. Tendo presente este enquadramento, o artigo analisa esta realidade, explorando a convergência entre a imprensa periódica de natureza política e os modos como esta foi concebida, mobilizada e instrumentalizada enquanto ferramenta de orientação e enquadramento de um estrato social específico: as classes rurais. Ao privilegiar o estudo dos jornais, revistas e boletins dos partidos políticos então existentes, bem como de algumas publicações produzidas ou patrocinadas pelo Estado, propomos compreender as formas específicas de comunicação política que a imprensa tornou possíveis entre 1974 e 1975, tanto no plano discursivo como no plano visual. Esta abordagem permite problematizar a imprensa como veículo de informação e como dispositivo de construção de sentidos, de mobilização e de disputa num período de profunda reconfiguração política e social. Metodologicamente, são combinadas técnicas de crítica textual, estudo das linguagens visuais e procedimentos de análise do discurso, articulando-as com uma contextualização histórica do processo revolucionário. Esta triangulação analítica possibilita identificar padrões de representação, estratégias de interpelar públicos específicos, em particular o público rural, e modos de legitimação das posições políticas em confronto. Este artigo permite, assim, aprofundar a compreensão sobre o papel da imprensa na formação de públicos políticos, na circulação de narrativas concorrentes e na cristalização de categorias sociais durante a revolução.<hr/>Abstract Without understanding the political foundations and the cultural shift that occurred during the Carnation Revolution, it would be impossible to analyse the responses of the new authorities in the press, one of the structuring vectors of the revolutionary reality. The practice of democracy is intrinsically linked to freedom of expression, a capacity that fosters public debate and consequently becomes one of the foundations of political life. Within this framework, the article examines this reality by exploring the convergence between political periodicals and their conception, mobilisation, and instrumentalisation as a tool for orienting and framing a specific social stratum: the rural classes. By focusing on newspapers, magazines, and party bulletins then in existence, as well as on particular publications produced or sponsored by the State, the study seeks to understand the distinct forms of political communication that the press enabled between 1974 and 1975, at both the discursive and visual levels. This approach allows us to problematise the press as a vehicle of information and as a device for constructing meaning, mobilising audiences, and generating contestation during a period of profound political and social reconfiguration. Methodologically, are combined techniques of textual criticism, the study of visual languages, and discourse analysis procedures, articulating them with a historical contextualisation of the revolutionary process. This analytical triangulation enables the identification of patterns of representation, strategies for addressing specific audiences - particularly rural audiences - and modes of legitimising conflicting political positions. In this way, the article deepens our understanding of the role of the press in shaping political publics, circulating competing narratives, and crystallising social categories during the revolution. <![CDATA[Paradoxos da Geração Z no Consumo de Média e na Perceção de Notícias Falsas: Um Estudo Comparativo Internacional]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000105003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Information consumption by young audiences in the internet of algorithms has become a timely issue in the public sphere. This comparative study examines media consumption among generation Z and their perceptions of news and misinformation from an international perspective. More precisely, this article explores the types of information young people consume, the media outlets they prefer for information, whether they prefer receiving information selected by algorithms, the credibility they grant different outlets, and their reception and perception of fake news. The methodological design was based on a quantitative approach focusing on descriptive and correlational analysis. Using a questionnaire, data were collected from a total sample of 405 university students from three countries: Spain, the United States, and Portugal. The results show that, across the three counties, the sample is predominantly informed by digital media and consumes mainly information on leisure and entertainment, humor and memes, music, and news. Reportedly, fake news does not appear to be a significant factor in their information consumption. This study reveals new, paradoxical findings about media credibility and the perception of fake news among generation Z. In the three countries, subjects report that their most used media outlets for information are also the least trusted: social media and websites. There are significant differences by country regarding the extent do young people like to receive information chosen by algorithms. Overall, while the study detects significant differences across countries, it also hints at a degree of homogenization in media consumption habits worldwide.<hr/>Resumo O consumo de informação por públicos jovens na era da internet dos algoritmos tornou-se uma questão relevante na esfera pública. Este estudo comparativo analisa o consumo de média da geração Z e a sua perceção sobre notícias e desinformação numa perspetiva internacional. Mais concretamente, o artigo explora os tipos de informação consumidos pelos jovens, os órgãos de comunicação social que preferem para obter informação, a sua preferência por receber informação selecionada por algoritmos, a credibilidade atribuída a diferentes média e a receção e perceção de notícias falsas. O desenho metodológico baseou-se numa abordagem quantitativa centrada na análise descritiva e correlacional. Por meio de um questionário, foram recolhidos dados de uma amostra total de 405 estudantes universitários de três países: Espanha, Estados Unidos e Portugal. Os resultados demonstram que, nos três países, a amostra é predominantemente informada por média digitais e consome principalmente informação sobre lazer e entretenimento, humor e memes, música e notícias. Reporta-se que as notícias falsas não parecem constituir um fator significativo no seu consumo de informação. O estudo revela novos resultados paradoxais sobre a credibilidade dos média e a perceção de notícias falsas entre a geração Z. Nos três países, os sujeitos indicam que os média mais utilizados para obter informação são também os menos confiáveis: redes sociais e websites. Existem diferenças significativas entre países quanto à preferência dos jovens por receber informação selecionada por algoritmos. De forma geral, apesar das diferenças entre países, o estudo sugere também um certo grau de homogeneização nos hábitos de consumo de média a nível mundial. <![CDATA[O Custo Oculto do Jornalismo Brasileiro: Precariedade e Violências Contra Mulheres na Profissão]]> http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752026000105004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo As crises e transformações do jornalismo na última década afetaram, de diversas formas, o trabalho dos jornalistas, em geral, e das mulheres, em particular. Neste artigo, observamos que dimensões da precarização e riscos ligados ao trabalho sobrecaem mais sobre as jornalistas brasileiras e como isso afeta a sua saúde física e mental. A investigação é feita a partir da comparação entre homens e mulheres, observando as condições de trabalho, a saúde e quais as violências sofridas por conta da atividade laboral. Fazemos isso com base na análise dos dados da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro (Lima et al., 2022), um estudo demográfico que ouviu 3.100 pessoas entre agosto e outubro de 2021. O principal resultado demonstra que o cenário é negativo para ambos os gêneros, mas com as mulheres a sofrerem com particular intensidade os efeitos da crise do setor em todos os âmbitos, o que pode impulsionar o processo de desfeminilização ou diminuição do número de mulheres jornalistas, verificado na última década no país. Observou-se que as mulheres estão mais vulneráveis a problemas de saúde relacionados com o trabalho e a violências decorrentes do relacionamento interpessoal entre colegas e chefias, as quais podem ser mascaradas pelas rotinas e práticas profissionais; enquanto os jornalistas acabam mais expostos a agressores externos.<hr/>Abstract The crises and transformations affecting journalism over the past decade have shaped journalists’ work in multiple ways - both generally and with specific consequences for women. This article examines how dimensions of labour casualisation and work-related risks disproportionately burden Brazilian women journalists and how this affects their physical and mental health. The analysis is based on a comparison between men and women, assessing working conditions, health outcomes, and the forms of violence experienced as a result of professional activity. The study draws on data from Perfil do Jornalista Brasileiro (Profile of the Brazilian Journalist; Lima et al., 2022), a demographic survey conducted with 3,100 respondents between August and October 2021. The principal finding indicates that the scenario is challenging for both genders, with women experiencing the effects of the sector’s crisis with particular intensity across all dimensions. This may contribute to the process of defeminisation of Brazilian journalism - or the reduction in the number of women in the profession - over the past decade. Women were found to be more vulnerable to work-related health problems and to forms of violence arising from interpersonal relationships with colleagues and managers, which professional routines and practices may obscure. In contrast, male journalists are more likely to be exposed to external aggressors.