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Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental

versión impresa ISSN 1647-2160

Resumen

SOUSA, Cristina de et al. O impacto da história clínica no reconhecimento emocional das expressões faciais. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental [online]. 2025, n.33, pp.19-39.  Epub 30-Jun-2025. ISSN 1647-2160.  https://doi.org/10.19131/rpesm.392.

Introdução:

Diversos estudos demonstraram a importância do papel do contexto no reconhecimento das expressões faciais da emoção, mas não existem muitos estudos nos contextos clínicos e de saúde que analisem como se processa esta influência, particularmente nas expressões emocionais mistas.

Objetivo:

O nosso objetivo consiste em verificar se e de que forma a condição clínica (e.g., depressão) associada à história clínica influencia a interpretação das expressões faciais por parte dos psicólogos clínicos, especialmente em casos de sinais emocionais mistos.

Método:

No Método foi construído um questionário com questões sociodemográficas e 7 grupos de questões emparelhando imagens (7) e contextos (3), num total de 21 combinações de imagens-texto. As imagens são expressões emocionais prototípicas de 3 emoções básicas (fúria, medo e tristeza) e expressões mistas destas. Os textos são informações clínicas e constituem os diferentes contextos. Através da plataforma digital com o questionário, foi randomizada a ordem de apresentação das histórias clínicas e das questões associadas. Num desenho intra-sujeitos, 60 participantes, profissionais de psicologia clínica, foram distribuídos por três condições experimentais (história concordante com emoção; história não-concordante e história neutra) e 21 combinações de imagem-texto, sendo solicitado um julgamento sobre a presença das emoções estudadas em cada combinação.

Resultados:

Nos resultados, observou-se um aumento do reconhecimento da expressão facial da fúria e do medo na presença da história clínica concordante com a emoção comparativamente aos restantes contextos. Nos sinais mistos houve: maior reconhecimento da fúria (como não dominante), na presença da história neutra do que na história concordante com a emoção dominante (tristeza); maior reconhecimento da tristeza (como não dominante), na presença da história concordante com o medo do que da história neutra; aumento na atribuição de fúria nas imagens em que não está presente e a emoção dominante é o medo, num contexto de agressividade vs. um contexto neutro.

Conclusão:

Concluímos que o nosso estudo demonstra que a história da condição clínica (contexto clínico) tem impacto na sobrevalorização ou subvalorização de uma expressão facial de emoção e que a presença de sinais mistos acentua este efeito contextual, quando nos referimos a tristeza, medo e fúria.

Palabras clave : expressões faciais; emoções; contexto; terapia; história clínica.

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