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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology
versão impressa ISSN 2341-4545
Resumo
RAFAEL, Maria Ana et al. Resultados Portugueses do Estudo ETICC: Impacto da pandemia COVID-19 no diagnóstico e tratamento do cancro colorretal em 2020. GE Port J Gastroenterol [online]. 2024, vol.31, n.4, pp.32-37. Epub 30-Set-2024. ISSN 2341-4545. https://doi.org/10.1159/000531234.
Introdução:
A pandemia provocada pelo coronovírus (COVID-19) condicionou a prática clínica de múltiplas formas, incluindo a restrição a exames endoscópicos não urgentes. Por este motivo, decidimos avaliar o im-pacto do primeiro ano de pandemia no diagnóstico e tratamento do cancro colorretal (CCR) em Portugal.
Métodos:
Este é um subestudo do estudo Francês retrospetivo multicêntrico ETICC (Etude de l’Impact de la pandémie COVID-19 sur le diagnostic et la prise en charge du Cancer Colorectal). Foram comparadas as características dos doentes, manifestações clínicas, estadiamento do CCR ao diagnóstico, intervalos entre primeiro contacto médico neste contexto, diagnóstico histológico e tratamentos, entre o primeiro ano de pandemia e o ano precedente.
Resultados:
Foram incluídos 766 doentes, 496 no grupo controlo e 270 no grupo COVID. Em França e em Portugal não se verificou um agravamento no estadiamento do CCR à data do diagnóstico no primeiro ano de pandemia, com 21% dos casos metastáticos à data de diagnóstico no grupo controlo e 22% no primeiro ano da pandemia (p = 0.770). Contudo, apenas em Portugal se constatou uma redução significativa do número de CCR em doentes assintomáticos (25% para 8.4%; p < 0.001) ou após uma pesquisa de sangue oculto positiva (20.8% para 11.3%; p = 0.002) durante a pandemia. Apesar do aumento na taxa de complicações ao diagnóstico não ser significativa, em Portugal a taxa de diagnósticos em contexto de oclusão intestinal aumentou significativamente (12.1% para 18.1%; p = 0.033). Em Portugal, o tempo entre início dos sintomas e a primeira consulta médica aumentou significativamente, de uma mediana de 50 para 64 dias durante o COVID (p < 0.001). Por outro lado, o tempo entre diagnóstico histológico e resseção tumoral reduziu significativamente de 65 para 39 dias (p < 0.001). O tempo entre diagnóstico histológico e tratamento neoadjuvante (mediana de 64 para 67 dias; p = 0.590) ou quimioterapia paliativa (mediana de 50 para 51 dias; p = 1.000) não foi estatisticamente significativo, tendo decrescido significativamente o tempo entre resseção e adjuvância (mediana de 54 para 43 dias, p = 0.001).
Discussão:
Este estudo evidenciou um impacto significativo no diagnóstico de CCR durante o primeiro ano de pandemia, mais pronunciado que em França. Este achado dever-se-á não só à limitação do acesso aos exames endoscópicos, mas também à dificuldade da população portuguesa em aceder aos Cuidados de Saúde Primários. Por outro lado, tanto em França como em Portugal, no primeiro ano de pandemia não se verificou um agravamento no estadiamento ou atraso no tratamento médico e cirúrgico do CCR.
Palavras-chave : COVID-19; Cancro colorretal; Pandemia.












