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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology
versão impressa ISSN 2341-4545
Resumo
CANHA, Inês et al. Vacinação COVID-19 na cirrose hepática: segurança e respostas imunológica e clínica. GE Port J Gastroenterol [online]. 2024, vol.31, n.5, pp.23-35. Epub 23-Nov-2024. ISSN 2341-4545. https://doi.org/10.1159/000534740.
Introdução:
Três anos após o início da pandemia SARS-CoV-2, a segurança e eficácia da vacinação COVID-19 em doentes com cirrose hepática (CH) permanecem controversas. Pretendemos avaliar a segurança, respostas imunológica e clínica de doentes com CH às vacinas contra a COVID-19.
Métodos:
Estudo prospetivo multi-cêntrico em adultos com CH elegíveis para vacinação contra a COVID-19, sem infeção prévia conhecida. Os doentes foram acompanhados até ao momento da dose de reforço, infeção SARS-CoV-2 ou falecimento. Avaliámos os títulos de anticorpos IgG da proteína-Spike SARS-CoV-2 às 2 semanas, 3 meses e 6 meses. Títulos de anticorpos <33.8 BAU/mL foram considerados seronegativos e <200 BAU/mL subótimos. A ocorrência de infeção pós-vacinação e respetiva gravidade foram registadas.
Resultados:
Incluímos124 doentescom CH, 81% homens, com idade média de 61 ± 10 anos e um seguimento médio de 221 ± 26 dias. A causa mais prevalente de cirrose foi o álcool (61%) e 7% dos doentes faziam terapêutica imunossupressora por hepatite autoimune. Existiam sinais de hipertensão portal em 69%, descompensação prévia em 42% e classificação de Child-Pugh-Turcotte B/C em 21%. O tipo de vacina administrada foi: BNT162b2 (n = 59, 48%), ChAdOx1nCoV-19 (n = 45, 36%), mRNA-1273 (n =14, 11%) e Ad26.COV2.S (n = 6, 5%). Foram reportados efeitos adversos pós-vacinação em 18% dos participantes, nenhum deles grave. Os títulos medianos [Q1; Q3] de anticorpos foram 1.185 [280; 2.080] BAU/mL às 2 semanas, 301 [72; 1.175] BAU/mL aos 3 meses e 192 [49; 656] BAU/mL aos 6 meses. Observámos respostas humorais seronegativas e subótimas em 8% e 23% dos doentes às 2 semanas, 16% e 38% aos 3 meses e 22% e 48% aos 6 meses. A idade avançada e vacinas de vetor de adenovírus foram os únicos fatores associados a respostas seronegativas e subótimas às 2 semanas e 3 meses (p < 0.05) em análise de regressão logística multivariada. Onze doentes (9%) desenvolveram infeção SARS-CoV-2 durante o seguimento (3.8-6.6 meses pós vacinação), todos com doença ligeira. Não observámos diferenças relativamente ao tipo de vacina, apresentando 73% deles títulos de anticorpos >200 BAU/mL aos 3 meses.
Conclusões:
A vacinação contra a COVID-19 em doentes com CH foi segura, sem efeitos adversos graves. As respostas humoral e clínica foram semelhantesàsreportadasnapopulação geral. Aresposta humoral foi afetada negativamente pela idade avançada e vacinas de vetor de adenovírus e não apresentou relação com a gravidade da doença hepática.
Palavras-chave : COVID-19; Cirrose hepática; Vacina; Infeção; Anticorpos.












