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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology
versión impresa ISSN 2341-4545
Resumen
PONTE, Sofia Bizarro; OLIVEIRA, Joana; REI, Andreia y SALGUEIRO, Paulo. Tratamento de Doença Hemorroidária em Doentes com Cirrose Hepática: uma Revisão Sistemática. GE Port J Gastroenterol [online]. 2025, vol.32, n.2, pp.4-16. Epub 15-Mayo-2025. ISSN 2341-4545. https://doi.org/10.1159/000540702.
Introdução:
A incidência da doença hemorroidária em doentes cirróticos é semelhante à da população geral, variando entre 21% e 79%. A abordagem desta patologia nestes doentes constitui um desafio, dada a necessidade de distinguir entre hemorragia hemorroidária ou por rotura de varizes anorretais e o balanço hemostático singular dos doentes cirróticos, que pode acarretar um maior risco anestésico.
Métodos:
Revisão sistemática de acordo com Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Os artigos foram selecionados de 3 bases de dados eletrónicas. Foram avaliados parâmetros de eficácia (melhoria sintomática, satisfação do doente, melhoria na qualidade de vida, recorrência da doença/necessidade de cirurgia e/ou redução do prolapso hemorroidário na anuscopia) e segurança (complicações). Os resultados de cada estudo foram descritos individualmente e, sempre que possível, foi posteriormente realizada uma análise comparativa.
Resultados:
Seis estudos foram incluídos - 1 ensaio clínico randomizado, 2 estudos de coorte prospetivos, 1 estudo de coorte retrospetivo e 2 séries de casos. As técnicas estudadas incluíram laqueação elástica, escler-oterapia com 3 agentes esclerosantes - sulfato de alumínio e potássio e ácido tânico (ALTA), oleato de etanolamina a 5% (EAO) ou N-butil cianoacrilato, hemorroidopexia e embolização. A laqueação elástica demonstrou grande melhoria sintomática e taxa de satisfação em 63% e 73% dos doentes (respetivamente) e associou-se a uma redução de pelo menos 1 grau no prolapso após a primeira sessão em 90%. As complicações mais comuns foram a dor (16%) e ulceração/fissura (1-17%). A escleroterapia provocou uma melhoria sintomática em 100% dos doentes. As taxas de recorrência variaram com o agente (EAO: 13% aos 12 meses; N-butil-cianoacrilato: 40% aos 12 meses; ALTA: 18% aos 5 anos), e 86.7% dos doentes apresentaram uma redução de pelo menos 1 grau no prolapso após a primeira sessão. O evento adverso mais frequente foi a dor (EAO: 63%; N-butil-cianoacrilato: 60%). A hemorroidopexia demonstrou melhoria sintomática em 100% dos doentes, contudo, com uma recorrência de 25% em 4 meses. Com a embolização hemorroidária, 80% dos pacientes mos-traram melhoria clínica aos 3 meses, sem registo de eventos adversos major, mas associada a uma taxa de recorrência de 40%.
Conclusão:
Todas as técnicas avaliadas parecem ser eficazes e seguras nos doentes cirróticos. Esta premissa vem desafiar o pressuposto de um elevado risco hemorrágico associado aos procedimentos terapêuticos na doença hemorroidária nesta população. Investigações futuras devem priorizar ensaios clínicos randomizados, que incluam técnicas minimamente invasivas, nomeadamente a escleroterapia com polidocanol espumoso, que já demonstrou ser mais eficaz do que a laqueação elástica na população geral e em doentes com distúrbios de coagulação.
Palabras clave : Doença hemorroidária; Cirrose hepática; Revisão sistemática.












