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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology

Print version ISSN 2341-4545On-line version ISSN 2387-1954

Abstract

MASCARENHAS, André et al. Predição de Carcinoma Hepatocelular numa População Portuguesa após Cura de Hepatite C: Comparação da Precisão de Testes Não Invasivos (Elastografia Hepática Transitória, FIB-4, e aMAP). GE Port J Gastroenterol [online]. 2025, vol.32, n.3, pp.11-23.  Epub June 12, 2025. ISSN 2341-4545.  https://doi.org/10.1159/000540700.

Introdução:

A infeção crónica pelo vírus da hepatite C (VHC) causa 25% dos casos de carcinoma hepatocelular (CHC) em todo o mundo, uma causa major de morbimortalidade mesmo após a resposta virológica sustentada (RVS). Um rastreio universal a todos os doentes com fibrose hepática avançada é atualmente recomendado. Uma estratégia com base no risco poderia melhorar a taxa de deteção do CHC precoce e diminuir a carga do rastreio. Apesar de existirem diversos modelos de predição de risco, a exclusão de um subgrupo de doentes do rastreio ainda não foi recomendada. O objetivo deste estudo foi a comparação da capacidade preditiva da elastografiahepática transitória, FIB-4, e aMAP de CHC em doentes com infeção VHC após atingimento de RVS em Portugal.

Métodos:

Estudo multicêntrico retrospetivo que incluiu doentes com VHC após RVS. Foram realizadas análises comparativa, univariada, multivariada, área sob a curva ROC (AUC), e estatística J de Youden.

Resultados:

A incidência de CHC foi 4.2% (1.3/100 doente-anos) após um seguimento mediano de 31 meses com inclusão de 337 doentes. Todos os doentes incluídos apresentavam uma medição da rigidez hepática antes do atingimento da RVS (considerada a medição basal), mas a elastografia hepática transitória apenas foi repetida após a RVS em 148 doentes (43.9%). Os valores do FIB-4 e do aMAP no contexto pós-RVS foram possíveis de calcular em todos os doentes. Múltiplos parâmetros correlacionaram-se positivamente com o CHC, mas apenas a idade e a elastografia hepática transitória basal permaneceram como preditores independentes na análise multivariada. Os limiares ótimos para predição de CHC foram elastografia hepática transitória basal 13.7k Pa, elastografia hepática transitória basal pós-RVS 16.5 e 15.8 kPa (primeira e última medição, respetivamente), FIB-4 1.6 e aMAP 58. A elastografia hepática transitória revelou uma precisão razoável na predição de CHC (AUC 0.776, p < 0.001), com o limiar de 13.7 kPa a apresentar sensibilidade de 85% e especificidade de 69%. Relativamente aos doentes F3-F4 antes da RVS (n = 162), praticamente um terço apresentava uma elastografia hepática transitória basal ≤13.7 kPa (n = 51, 31.5%), score FIB-4 ≤1.6 (n =50, 30.9%), e score aMAP ≤58 (n = 48, 29.6%), e estes limiares apresentaram um VPN de 98%, 94% e 96%, respetivamente, relativamente ao desenvolvimento de CHC.

Conclusão:

A elastografia hepática transitória (FibroScan) pré-RVS foi um preditor razoável de CHC, sendo mais preciso que o FIB-4 e o aMAP. Valores basais de elastografia hepática transitória ≤13.7 kPa, FIB-4 ≤1.6, e aMAP ≤58 foram os limiares considerados de baixo risco para CHC numa coorte de doentes Portugueses com VHC após RVS com fibrose avançada. O score aMAP é uma ferramenta de rastreio de CHC baseada no risco que poderá melhorar a estratégia atual, mas é necessária validação adicional.

Keywords : Avaliação de risco; Carcinoma hepatocelular; Hepatite C crónica; Rastreio; Resposta virológica sustentada.

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