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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology

versão impressa ISSN 2341-4545versão On-line ISSN 2387-1954

Resumo

SIMAS, Diogo et al. Drenos abdominais de longa duração como uma opção terapêutica na ascite refratária - uma revisão sistemática. GE Port J Gastroenterol [online]. 2025, vol.32, n.4, pp.1-15.  Epub 27-Jan-2025. ISSN 2341-4545.  https://doi.org/10.1159/000543713.

Introdução:

A ascite refratária é a complicação mais comum da doença hepática terminal condicionando elevada morbilidade e impacto na qualidade de vida. Tendo em conta as opções terapêuticas limitadas, a maioria dos doentes acaba por realizar apenas paracenteses seriadas de grande volume. Utilizados na drenagem da ascite maligna, os drenos abdominais de longa duração, não são tradicionalmente utlizados na ascite relacionada com a doença hepática, devido a preocupações com a lesão renal e infeção.

Objetivos:

Esta revisão tem como objetivo descrever a segurança, efetividade e o impacto na qualidade de vida dos drenos abdominais de longa duração na ascite refratária da doença hepática terminal.

Métodos:

Usando uma metodologia de revisão sistemática, foi realizada uma pes-quisa nos motores de pesquisa PubMed-MEDLINE, Em-base e Google Scholar para estudos publicados entre 1 de janeiro de 2001 e 1 de junho de 2024, que combinassem os seguintes termos médicos ([cirrhosis OR chronic liver disease] AND refractory ascites AND [permanent-tunneled peritoneal catheter OR tunneled catheter OR indwelling catheter OR long-term abdominal drains]). Aos resultados foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão.

Resultados:

Foram identificados 139 estudos, dos quais apenas 16 foram elegíveis para análise final, incluindo três ensaios clínicos randomizados. Os estudos apresentaram uma heterogeneidade significativa entre si e baixo poder estatístico, com diferentes tipos de drenos utilizados e amostras relativamente pequenas. Em termos de efetividade, o sucesso técnico é 100% e enquanto os drenos abdominais de longa duração permanecem in situ não existe necessidade de paracenteses de grande volume adicionais, sendo que os cateteres permaneceram in situ por uma duração entre 3 e 436 dias. No que toca à segurança, a lesão renal ocorreu em 17 a 50% dos doentes, mas apenas se drenados >1,5 litros/dia; a infeção inclui a celulite e a peritonite que ocorreu em 7 a 58% dos doentes, geralmente resolúveis com a antibioterapia e/ou a remoção do dispositivo. Os drenos abdominais de longa duração não parecem ter um impacto negativo na mortalidade. Relativamente à qualidade de vida, os dados entre os estudos parecem contraditórios, sendo que a maioria reporta um efeito global neutro.

Conclusão:

Os drenos abdominais de longa duração devem ser considerados no futuro como uma opção na ascite refratária associada à doença hepática terminal, no entanto, estudos de maior qualidade são necessários para confirmar a sua segurança e ben-efícios no controlo de sintomas. Esta opção poderá ser importante na melhoria das necessidades paliativas desta população.

Palavras-chave : Ascite refratária; Doença hepática terminal; Drenos abdominais permanentes.

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