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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology

versão impressa ISSN 2341-4545versão On-line ISSN 2387-1954

Resumo

SIMAS, Diogo et al. Gastropatia induzida por olmesartan: uma causa importante a pensar na doença ulcerosa péptica refratária. GE Port J Gastroenterol [online]. 2025, vol.32, n.4, pp.62-66.  Epub 19-Dez-2024. ISSN 2341-4545.  https://doi.org/10.1159/000543202.

Introdução:

Os antagonistas dos recetores da angio-tensina são uma classe farmacológica amplamente utilizada como terapêutica anti-hipertensiva. Recentemente, foi descrita uma relação entre estes agentes e doenças gastrointestinais, nomeadamente enteropatia, gastropatia e colite microscópica. O mecanismo é desconhecido, mas acredita-se que envolva uma reação imune mediada por células e não parece ser um efeito de classe. O tratamento consiste na suspensão do fármaco, e a reexposição pode confirmar o diagnóstico.

Apresentação do Caso:

Um homem de 85 anos, com antecedentes de hipertensão arterial tratada com olmesartan/hidroclorotiazida há 12 anos, recorreu ao serviço de urgência por dor epigástrica persistente com vários meses de evolução, sem episódios de vómitos, perdas de sangue, diarreia ou perda de peso. Uma endoscopia digestiva alta (EDA) recente revelou mucosa congestiva, erosões irregulares e friabilidade no corpo distal, incisura e antro gástrico. A histologia mostrou uma gastrite crónica moderada, com elevada atividade inflamatória, eosinófilos abundantes, metaplasia intestinal com displasia de baixo grau e atrofia acentuada, sem sinais de malignidade ou de Hp. O doente já tinha previamente sido medicado pelo seu médico de família com lansoprazol e sucralfato, sem melhoria, e acabou por ter alta com esomeprazol e um pedido de consulta de gastrenterologia. Três meses depois, uma nova EDA revelou erosões persistentes, apesar da boa adesão ao esomeprazol. A serologia para Hp foi positiva, e foi iniciada erradicação com terapêutica quádrupla com bismuto. Um teste de respiração de ureia pós-tratamento confirmou a erradicação do Hp. Seis meses depois, a EDA ainda mostrou múltiplas úlceras no corpo distal e no antro gástrico. O olmesartan foi substituído pelo lisinopril, e após mais seis meses, uma nova EDA não demonstrou úlceras nem erosões. As biópsias mostraram uma redução da inflamação e ausência de displasia, indicando uma melhoria histológica. Assumiu-se o diagnóstico de gastropatia induzida por olmesartan.

Conclusões:

Este relato de caso ilustra a gastropatia induzida por olmesartan, um diagnóstico importante a considerar em casos de gastrite não associada a Hp e doença ulcerosa péptica refratária.

Palavras-chave : Antagonistas dos recetores da angiotensina; Doença ulcerosa péptica refratária; Gastropatia induzida por medicamentos.

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