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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology
versão impressa ISSN 2341-4545versão On-line ISSN 2387-1954
Resumo
VARA-LUIZ, Francisco et al. Perspetiva do Clube Português do Pâncreas sobre a Vigilância das Neoplasias Papilares Intraductais do Pâncreas: Quando e Como Vigiar?. GE Port J Gastroenterol [online]. 2025, vol.32, n.6, pp.58-66. Epub 30-Dez-2025. ISSN 2341-4545. https://doi.org/10.1159/000547298.
Contexto:
Os quistos do pâncreas constituem uma entidade com incidência crescente, com uma prevalência que pode atingir os 50% em indivíduos idosos assintomáticos. A maioria dos quistos são benignos, com apenas uma pequena percentagem a apresentar risco de malignização, incluindo as neoplasias papilares intraductais do pâncreas (IPMNs). Uma vez que os quistos do pâncreas são comuns, importa identificar a pequena percentagem com risco de malignidade. O aumento da deteção desta entidade levou à publicação de inúmeras recomendações/consensos, em que apenas as mais recentes são baseadas na evidência.
Sumário:
A evidência atual recomenda a avaliação do risco de todos os doentes com IPMNs de forma a priorizar aqueles de alto-risco para malignidade. As recomendações de Fukuoka/Kyoto identificam fatores preditores de neoplasia como “estigmas de alto risco” e “características/sinais de alarme.” Outros consensos utilizam os termos “indicação absoluta/relativa para cirurgia,” assim como critérios de referenciação para equipas multidisciplinares. Nos doentes com IPMNs não ressecadas, a estratégia de vigilância depende do tamanho do quisto, sendo a ressonância magnética o método de imagem mais consensual, embora possa diferir entre consensos. Em alguns casos, nomeadamente por idade avançada, fragilidade/comorbilidades ou estabilidade do tamanho do quisto, pode ser considerada a descontinuação da vigilância.
Mensagens-chave:
A acuidade das guidelines de vigilância é medida pela capacidade de identificar doentes com displasia de alto grau/cancro invasivo em fase precoce. Guidelines com protocolos mais intensivos levarão a menos casos de cancro não detetados, à custa de um maior número de ressecções benignas. A avaliação multidisciplinar, preferencialmente em centros de referência, é essencial dada a natureza indolente e complexa desta doença. A elaboração de um consenso internacional unificado que junte os vários grupos de peritos revela-se essencial para uniformizar os cuidados de saúde. Nesta revisão, o Clube Português do Pâncreas pretende sumarizar a avaliação de risco e estratégia de seguimento de IPMNs conjugando as diferentes perspetivas/recomendações já publicadas e fornecendo mais uma ferramenta de abordagem nestes doentes.
Palavras-chave : Neoplasia mucinosa papilar intraductal do pâncreas; Neoplasia do pâncreas; Vigilância.











