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Laboreal

versão On-line ISSN 1646-5237

Laboreal vol.15 no.2 Porto dez. 2019

 

EDITORIAL

 

Editorial

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Liliana Cunha

Centro de Psicologia da Universidade do Porto. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Rua Alfredo Allen s/n 4200-135 Porto, Portugal lcunha@fpce.up.pt

 


Este número traduz vários debates, o que nada tem de singular face a outros números, senão na forma como eles foram produzidos, e são transpostos nesta edição.

Iniciamos com cinco textos enquadrados no dossier temático subordinado ao tema Subjetividade e trabalho: entre mal-estar e bem-estar. Construção de um novo paradigma de saúde no trabalho. Resultam de comunicações apresentadas num Simpósio realizado em Havana, em 2018. A diversidade das análises contextualizadas de investigação e a forma como instruíram a ação nas realidades concretas em que tiveram lugar - na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia e em Cuba - articulam neste debate diferentes pontos de vista, atores e instituições, mas também revelam controvérsias que o mantêm vivo.

Dominique Lhuilier e Marianne Lacomblez abrem este dossier, sistematizando o seu referencial para apreendermos o que se entende aqui com a construção de um novo paradigma de saúde no trabalho. Realçam as questões que subsistem, em regiões hispanófonas e lusófonas, e que desafiam os discursos hegemónicos produzidos, não raras vezes, de forma a-histórica e descontextualizada.

Quanto ao conjunto dos artigos “Varia”, este tem início com o artigo de Mirtha Mestanza e Damien Cromer. No âmago deste texto, está o recurso ao debate sobre a prática em ergonomia, enquanto instrumento de investigação e de intervenção, na construção da profissão por jovens profissionais do Peru. Em França, estes espaços de debate, enquadrados pela comissão “Jeunes Pratiques en Réflexion” da Sociedade de Ergonomia de Língua Francesa (SELF), foram criados há já algum tempo, e serviram de referência a esta experiência mais recente no Peru. Não obstante, as diferenças nas realidades dos dois países revelam-se determinantes na especificidade dos objetivos que configuram a estruturação destas comunidades de prática.

Luciana Cavanellas e Jussara Brito apresentam-nos depois uma pesquisa empírica que tem como fio condutor o trabalho em saúde, em situações tidas como extremas, exercido por trabalhadores da ONG Médicos Sem Fronteiras. O debate aqui sustenta-se nos limites dos usos de si, sempre inantecipáveis, que os contextos em que atuam requerem. Diferentes contributos teóricos, desde a perspetiva ergológica, a psicodinâmica do trabalho, e a conceção de saúde de Canguilhem, são convocados, e interpelados, pelo que é apreendido do real destas situações concretas.

O contributo da psicodinâmica do trabalho é retomado, e assume destaque, na revisão temática da autoria de João Areosa, que se propõe debater as formas de organização do trabalho, e o seu impacto na saúde e no bem-estar, em paralelo com outros debates que atravessam a atividade de cada um, na construção de um compromisso possível entre sofrimento e prazer.

As mudanças na organização do trabalho, perpassam também o artigo de Cirlene Christo, Marcello Rezende e Milton Athayde, sendo discutidas de forma ancorada na realidade concreta de uma empresa multinacional de fabricação e comercialização de produtos pneumáticos, em regime de laboração contínua, instalada no Brasil. Na sequência da redução dos níveis hierárquicos na empresa; da configuração das tarefas associadas a um novo cargo dos supervisores de equipes; e da responsabilização dos operadores de produção por tarefas que antes eram das chefias - é o dia-a-dia destes trabalhadores, nesta nova realidade, que permeia o diálogo-debate dos “Encontros sobre o Trabalho”, enquanto dispositivo metodológico privilegiado.

Numa última pesquisa empírica aqui apresentada, e proposta por Iasmin Nascimento e Thiago Drumond Moraes, foram conduzidos também “Encontros sobre o Trabalho”, prolongados num recorte temporal significativo, e integrando o recurso a imagens fotográficas como dispositivo para instigar o diálogo sobre a atividade de trabalho de psicólogas, em centros de referência de assistência social (CRAS). A participação nestes encontros, não só contribuiu para o fortalecimento do coletivo de trabalho, pelo desenvolvimento e renovação do género profissional, como criou condições para que tal se constituísse como fator protetor da saúde destas trabalhadoras.

No que diz respeito à nossa rubrica habitual dos Textos históricos, apresentamos desta vez um texto de Jacques Leplat sobre a “Adaptação da máquina ao homem”, de 1953. Na sua introdução, Régis Ouvrier-Bonnaz articula o momento historicamente situado em que o texto foi escrito com a história científica do seu autor, e faz-nos descobrir, nesta sua (re)leitura, outras indagações. Mas, ainda nesta rubrica, integramos um contributo menos usual, de Corinne Lespessailles, Céline Levecque, Aurélie Puybonnieux e Agathe Vuillermet: uma lista selecionada de publicações de Jacques Leplat, que, na verdade, coadjuva a leitura do texto de introdução a este texto histórico.

Os nossos leitores sabem que abrimos em julho passado, uma nova rubrica: o Datário que, na sua definição inicial, tem como finalidade apresentar contributos correspondentes a duas datas paradigmáticas. Na verdade, neste número da Laboreal, não são duas datas, mas são mais. Porque há marcos históricos que não são universais. Porque há marcos históricos que são, talvez, menos “súbitos”, contruídos numa dinâmica social cuja complexidade lhe é intrínseca.

A primeira data é a de 3 de dezembro: data do acidente ocorrido em Bhopal, no ano de 1984, que Alexis Uriel Blanklejder contextualiza quer do ponto de vista dos seus determinantes, quer dos seus efeitos, e que deu lugar à instituição do Dia Mundial da Não Utilização de Pesticidas e à denominação de Acidente Grave, tal como definido pela Convenção n.º 174 da Organização Internacional do Trabalho.

As outras datas inscrevem-se num mesmo marco, ainda que temporalmente e geograficamente desfasado. Refiro-me aos processos relativos ao reconhecimento médico-legal da silicose como doença profissional, em diferentes países: na Bélgica, como nos relata Eric Geerkens; em Portugal, num texto da autoria de Augusto Rogério Leitão; e no Brasil, com o contributo de Francisco Lacaz. O debate que “esta” data suscitou, é traduzida bem por esta publicação plural. Mas, é também graças à introdução que articula estes três textos sobre a silicose, da autoria de Marianne Lacomblez, que se confere unidade a este debate.

Enfim, todo este trabalho não teria sido possível, obviamente, sem o inestimável contributo de todos os peritos que, para este número, com as suas avaliações e sugestões, instigaram outros debates dos autores no seu trabalho de escrita dos artigos agora publicados. Agradecemos a todos/as o tempo dedicado a ler e rever as propostas de artigos, em diferentes fases da sua evolução, muito particularmente a: Antoine Duarte, Antónia Cadilhe, Carla Barros, Cecilia Ros, Clara Araújo, Cláudia Osório, Diego Stecher, Duarte Rolo, Edith Seligmann-Silva, Gilles Amado, Hernan Martinez, Isabel Altamirano, Isabel Torres, Juan Jose Castillo, Laurent Vogel, Manuel Matos, Marianne De Troyer, Mario Poy, Milton Athayde, Nelcy Arevalo, Nuno Rebelo dos Santos, Ricardo Vasconcelos, e Teresa Carretero. Não podemos terminar sem agradecer também a João Viana Jorge, por sempre podermos contar com as suas traduções dos textos publicados na rubrica Textos históricos, contando com a ajuda neste número de Francisca Baldrich Advis e Nicolás Canales Bravo.

Desejamos a todos/as que percorram com prazer a leitura deste número,

Em nome do Conselho editorial,

Liliana Cunha

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